Passaram-se dois anos e Milo nunca mais interferiu na vida de Kamus, não que ele soubesse ou que isso fizesse com que seu anticristo desaparecesse.

A "tatuagem" afastou algumas pessoas dele, ao descobrirem, e ele nunca mais pôde ir à praia ou à piscina, nunca mais pôde mostrar seu pescoço em público, com medo de terem nojo dele e se afastarem.

Certo dia, quando atravessava a rua, viu o vulto de Milo do outro lado da calçada, sorrindo para ele e acenando.

Se fosse um supersticioso grego, diria que era um sinal de que as Parcas cortavam seu fio, mas não o era. Era cristão. Ou anticristão, não saberia dizer.

A visão perturbou-o a tal ponto que ficou estático no meio da rua, com as sacolas de papel cheias de comida nas mãos e Shura esperando-o para comemorarem o ano-novo em sua casa.

O caminhão não sabia de nada disso e não conseguiu frear antes de bater no francês, derrubando-o no chão, o sangue misturando-se com o vinho no asfalto.

Kamus podia jurar, jurar para qualquer juiz do outro mundo que ouvira, a despeito das sirenes e da loucura, Milo murmurando em seu ouvido nos minutos finais.

Eu te disse, francês. Disse que seria Meu.