N/A: É isso. O capítulo final. Espero que tenham gostado. ^_^
Boa leitura!
Ser um vampiro nem sempre eram flores. Simon já tinha se acostumado com a sede de sangue, com a pele exageradamente pálida e com o fato de que teria um rostinho de dezesseis anos para sempre. Ele só não tinha se acostumado ainda com os usos que Clary fazia dele, agora que ele não se cansava e não tinha cãibras quando ficava muito tempo parado.
— Clary... – resmungou, enquanto ela levantava o lápis pela milésima vez e media as proporções de Simon com um dos olhos fechados. — Claaary... Preciso ir ao banheiro.
— Não precisa, não. – ela murmurou, sem tirar o foco da tela.
— Já faz cinco horas que a gente está aqui, se isso aí não ficar uma obra de arte, eu juro que nunca mais brinco de boneco articulado com você.
— Nem se eu pedir com jeitinho? – ela sorriu inocentemente e ele revirou os olhos.
— Você joga muito sujo, Clary. – Simon replicou, fingindo estar magoado. Ela, provavelmente, respondeu alguma coisa, mas ele não estava mais prestando atenção. A brisa vinda da janela aberta arrastou para o quarto um cheiro bastante específico, um aroma que vinha povoando a imaginação de Simon há semanas. — Jace...
— Jace? Não, Simon, eu não quero usá-lo como modelo nu. – o vampiro não fazia a menor ideia de como a conversa tinha chegado ali, mas também não se importava, seus sentidos estavam focados em outra coisa.
— O quê? Não. Eu quis dizer que acho que Jace está aqui. – sem perguntar se podia, Simon saiu da pose que estava fazendo, ignorando os protestos de Clary e a estranha sensação de não ter as articulações endurecidas depois de passar horas imóvel, e foi até a janela, confirmar suas suspeitas.
Da última vez, eles não deram de cara um no outro por pouco, dessa vez, os dois não tiveram tanta sorte.
— Okay, mundie, já entendi que você consegue sentir quando eu estou chegando, parabéns, mas será que dá pra não dar uma de garotinha sonhadora e não me esperar na janela? – Jace resmungou, aborrecido, esfregando a testa onde tinha batido no queixo de Simon.
— Será que dá pra não ficar invadindo as janelas dos outros? Pra começo de conversa. – replicou, também tinha a mão no rosto, mais simbolicamente, já que não doía.
Um pirragueio vindo do canto do quarto os lembrou de onde estavam e da presença flamejante de Clary. Só então Simon percebeu o quanto estavam próximos e o quanto suas posturas eram um desafio aberto um para o outro e achou que talvez o jogo não tivesse acabado ainda. Qual dos dois cederia primeiro? Ceder a quê, exatamente?
Mas ele era um idiota. Jace acabara de pular a janela do quarto de Clary como se fosse a coisa mais normal do mundo. Simon não tinha que pensar nada.
— Desculpe interromper o momento de vocês, – começou ela, irônica. — mas eu tenho um trabalho pra terminar.
— Ok, ok... Esqueci que eu sou escravo. Não se preocupe, jovem senhora... Viu? Mesma posição.
— Bom. – ela replicou, mas não parecia satisfeita, seu olhar ia de um para o outro, desconfiada. — O que você veio fazer aqui?
— Eu? – Jace desconversou, se esgueirando para olhar por cima dos ombros de Clary, tentando ver como estava ficando o resultado final da pintura. Simon ficou atento, na intenção de descobrir se a coisa estava ficando boa ou não. — Wow.
— Wow? É isso o que você tem a dizer? Wow…? – Simon reclamou. — Isso é bom? Eu tenho asas? Por favor, me diga que tem asas nessa tela.
— Nem uma palavra. – Clary ordenou e Jace riu, dando de ombros.
— É bastante... Colorido. – disse, se sentando logo atrás dela e acompanhando os movimentos da mão da garota como se não existisse nada mais interessante do que isso no universo. Simon focou seu olhar em outra coisa, se convencendo de que aquela sensação estranha na boca do estômago não era ciúmes. — E, Clary, espero que você esteja ciente de que está faltando uma parte muito importante nessa coisa aí. Tipo olhos.
— O quê? Eu estou sem olhos? – Simon exclamou. — Cinco horas parado sem fazer nada pra ficar sem olhos?
A pobre garota emitiu um guincho exasperado.
— Qual é o problema de vocês dois!? – aparentemente, ela estava cansada o suficiente para se estressar com as reclamações e as críticas daqueles garotos, que, obviamente, não entendiam nada de arte. — Jace, cale a boca, eu não sei o que você veio fazer aqui, mas ou você fica quieto e não atrapalha ou eu vou ter que chutar o seu traseiro, ok? Simon, eu estou deixando as melhores partes pro final, agora, se você quer que eu adiante as coisas, ponha alguma droga de emoção nesses olhos e me deixe desenhá-los. – ela olhou de um pro outro pela última vez e voltou sua atenção para a tela agressivamente.
Simon e Jace se entreolharam e seguraram o riso com algum esforço.
— Eu vou fazer uma expressão de raiva, então. – ele concluiu, mas devia estar fazendo uma cara estúpida demais para que o Caçador de Sombras caísse realmente na risada. — O quê? Não pode ter ficado tão ruim.
— Faz a sua cara normal de babaca, que deixa a coisa mais realista. – Simon o fuzilou com os olhos.
— Isso! Fica exatamente assim. – Clary pediu, levantando um pincél úmido de tinta e sujando a ponta da franja de azul. Ela não reparou nisso, estava muito concentrada.
Se não fosse um vampiro, Simon teria corado.
— Você está pintando isso por que mesmo? – Jace perguntou, depois de um tempo, aparentemente constrangido com o modo intenso como o outro era obrigado a encará-lo.
— A banda dele vai se apresentar amanhã a noite em uma boate. – ela respondeu, mais alegre, o que era um bom sinal de que a pintura estava indo bem. — Eu estou fazendo a parte publicitária da coisa.
— Hm. – ele se limitou a responder, lançando um olhar especialmente malicioso para Simon, que engoliu em seco e preferia estar em qualquer outro lugar senão aquele.
— Pode ir se quiser. – Clary convidou. — Chame Alec e Isabelle também. Os caras são muito bons, acho que vocês vão gostar.
— Hmm. Talvez. – replicou, se levantando e indo para a janela de novo, para ir embora. — Veremos.
Depois que ele saiu, os dois ficaram em silêncio até Clary finalmente terminar a maldita pintura. E tinha ficado muito bom, Simon tinha que admitir. Ele não tinha asas, como gostaria, mas o resultado ficou intenso e colorido. Era difícil não se sentir orgulhoso com o desenvolvimento artístico da amiga.
— Hey, Simon. – ela o chamou, casualmente, quando ele já estava indo embora. — É impressão minha ou Jace esqueceu de dizer o que veio fazer aqui?
— Ah… – Simon ponderou. — Tenho a impressão de que ele conseguiu exatamente o que queria.
Desestabilizar Simon. Jace nunca falhava em fazer isso.
Simon estava elétrico. Ele já tinha cantado na frente de várias pessoas antes, mas nunca tinha se sentido daquela maneira. Sua pele vibrava, seus pêlos arrepiaram-se, a boca estava seca, mas não era por sede de sangue, era o êxtase da multidão, eram os aplausos e os gritos de satisfação dos ouvintes que faziam os sentidos de Simon tão intensos quanto na hora do sexo.
E ele se entregou completamente àquela sensação. Cantou como nunca, deixou de lado todas as suas inseguranças e se soltou no palco. Sua atitude contaminou os outros membros da banda, que também sorriam e pareciam estar vivendo o momento de suas vidas.
Então Simon olhou para a platéia e viu, primeiro, os cabelos ruivos de Clary, balançando animados no ritmo frenético da música. Depois, do outro lado do salão, viu Jace. E ele estava imóvel no meio daquele povo, olhando direto para Simon, seu olhar carregado de tantas coisas que o vampiro não poderia se dar ao luxo de parar para analisar. O final da música estava chegando, ele elevou a voz e caiu de joelhos no palco, sem tirar os olhos de Jace também. Nenhum dos dois pensava nas implicações daquilo que estavam fazendo, não pensavam que era impossível suprir as necessidades um do outro de maneira tão íntima sem que sentimentos não fossem envolvidos. Não pensavam que poderiam acabar se machucando por dentro.
Não, nada disso passava pela cabeça dele. Naquele momento, Simon estava mais ocupado comendo Jace com os olhos e com a imaginação. Seu corpo cheio de energia, pronto para extravasar, pronto para fazê-lo explodir em milhares de pedacinhos. E como ele queria isso!
Em um grito final a música terminou, a platéia aplaudia e a banda cuidava das últimas notas. Simon não estava suado e nem ofegante, mas sentia como se não estivesse completamente em seu corpo. Virou para trás e sorriu pros amigos, que também tinham expressões maníacas estampadas no rosto, prontos para a próxima faixa. Mas Simon tinha outros planos e começou a colocá-los em prática anunciando uma pausa e descendo do palco sem dar maiores explicações. Se parasse para pensar, ele sabia que não faria nada.
Caminhou a passos firmes até onde tinha visto Jace pela última vez, desviando da multidão e dando respostas curtas para aqueles que o reconheciam. Tinha algo que ele queria falar, embora não soubesse exatamente o quê. Tinha algo que ele precisava fazer.
A frustração crescente ao não encontrar aquele loiro idiota em lugar nenhum borbulhava dentro dele, junto com a sensação de que perderia sua chance para sempre caso não o encontrasse.
Andou a esmo por alguns instantes e não se assustou de todo quando sentiu mãos puxá-lo pelo braço, fazendo-o entrar em uma salinha que, definitivamente, não era aberta ao público, cheia de caixas empilhadas e cabos de energia passando pelo chão.
Simon viu os olhos dourados de Jace de relance, antes de ser pressionado contra a parede e atacado por uma série de beijos famintos e agressivos. Apenas parte de sua mente registrava as mãos e as unhas do garoto sob suas roupas, arranhando e rasgando o tecido fino de sua camiseta, a outra estava concentrada na presença do Caçador de Sombras, seu cheiro, seu gosto, no quanto ele desejava parti-lo ao meio e colocá-lo de novo no lugar.
— Meu... – Simon se ouviu rosnar, baixo e rouco. Jace o segurou com força e o trouxe para perto.
— Prove. – o loiro provocou, se afastando o suficiente para tirar a camiseta, expondo não só o pescoço, mas seus músculos, as marcas e as cicatrizes. O vampiro nunca deixaria de se surpreender com a facilidade com que Jace se entregava. Com que se entregava pra ele.
— O que eu faço com você, Jace Wayland? – ele murmurou, seus lábios trilhando a pele do outro, sugando, beijando de leve, apreciando as reações de Jace, feliz com o fato de que não sentia mais nem uma pontada de arrependimento ou de dúvida sobre essa relação estranha que eles tinham.
— Você sabe exatamente o que tem que fazer. – Simon sorriu com a resposta petulante. Um sorriso cheio de dentes afiados. Jace entrelaçou os dedos nos cachos dele, como se quisesse garantir que ele não fugiria.
Mas não era necessário, Simon já afundava naquela carne macia. Ouviu o gemido que o outro emitiu e não se conteve, o agarrou pela parte de baixo das coxas e o trouxe para perto, na clara intenção de erguê-lo. Estava mais do que óbvio o quanto ele desejava contato, o quanto ele queria fundir-se a Jace e não deixá-lo ir nunca mais.
— Não, espera... – o loiro sussurrou, entre um gemido e outro, se desvencilhando de Simon. Se não fossem os beijos rápidos, mas intensos, que ele depositava em seu rosto enquanto se afastava, o vampiro teria pensado que Jace tinha mudado de ideia, que tinha caído em si e percebido a loucura em que estavam metidos. Mas, então, o loiro começou a abrir o zíper da calça de Simon, deixando-o incrivelmente consciente da ereção que latejava debaixo do tecido. — Eu tiro a sua e você tira a minha, não estou no humor de manter peças de roupa dessa vez.
O sorriso no rosto de Jace enquanto ele dizia isso deveria ser proibido. Simon fechou os olhos e encostou a cabeça na parede fria. Ele conseguia ouvir e sentir a vibração das pessoas e da música do lado de fora, sabia que podiam ser pegos a qualquer momento, sabia que qualquer um do Submundo que estivesse naquela boate seria capaz de sentir o cheiro do sangue e do tesão dos dois.
E isso o excitava tanto!
Nem quando ainda era um mundano Simon havia se sentido tão vivo! Jace mordeu seu pescoço exposto com força e ele rosnou, tomando posse daquilo que era dele, trocando suas posições e empurrando Jace contra a parede.
Ele adorava olhar nos olhos do Caçador das Sombras e encontrá-los entorpecidos, negros, desejando algo que Simon não conseguia dizer exatamente o que era ainda, mas que estava mais do que disposto em continuar tentando até descobrir. Sem desviar o olhar, o vampiro se livrou dos obstáculos entre ele e o membro enrigecido do outro. Ajoelhou e, segurando Jace pela cintura, deixando marcas de unhas e de força em sua pele, começou a chupá-lo.
Simon gostaria de ter provocado o máximo que pudesse, ir devagar o suficiente para fazê-lo implorar, mas ele mesmo estava quase alcançando seu limite e os sons que o loiro estava emitindo não eram de alguém aberto a brincadeiras. Simon sentia o pré-gozo se misturar à saliva em sua boca, sentia a vibração e os espasmos do músculo de Jace em sua língua e, quando viu que ele não ia durar mais, permitiu que o pênis fosse o mais fundo possível na garganta e engoliu. Nessas horas, suas habilidades vampíricas eram uma benção, se ainda fosse um humano comum, Simon jamais teria conseguido essa façanha sem sufocar.
De qualquer modo, o estímulo foi suficiente para que o aperto do loiro em seus cabelos se intensificasse e ele gozasse em sua boca. Dessa vez, Simon sorveu a maior parte. Ele nunca imaginou que começaria a ficar bom nisso com o tempo.
Se levantou, lambendo a trilha de sangue que escorria do pescoço de Jace até alcançá-lo e sugar mais dele. O outro pendeu para frente, se apoiando em Simon, seu corpo estava quente e suado, seu ofegar era como o ritmo do coração que não batia mais no peito de Simon.
— Vamos lá, mundie... – ele disse, preguiçoso, apresentando sinais de cansaço, mas de que não daria o braço a torcer. — Nós não temos todo o tempo do mundo...
Simon sorriu contra a pele ensanguentada de Jace. Sem aviso, o vampiro o virou e, no instante seguinte, o loiro estava com as mãos na parede e o tronco de Simon em suas costas, a ereção dele roçando de leve entre as nádegas.
— Vai dizer que você não ia adorar ser o centro das atenções da noite? – sussurrou em seu ouvido, mordendo o lóbulo em seguida com os dentes extendidos, imaginando como seria se alguém entrasse ali naquele momento. — Acha que teria o ego ferido se fosse visto sendo fodido por um cara do Submundo?
— Se você ainda não notou... – Jace pausou para soltar um suspiro pesado, quando Simon afastou suas pernas e penetrou um dedo em sua entrada. O vampiro teve que morder os lábios para não gemer alto, ele nunca pensou que usar sêmen e sangue como lubrificante poderia ser tão sexy. Ele acabou enterrando o rosto no ombro de Jace, sentindo seu aroma e o cheiro das sensações que ele estava sentindo, enquanto se movimentava dentro dele. Jace continuou: — ... eu já estou me sentindo o centro das atenções o suficiente agora.
— Ah, você é. – murmurou, rouco, colocando um segundo dedo. Ele nunca tinha feito isso antes, nas poucas vezes em que estivera com outros caras, Simon era quem recebia os membros intrusos dentro de si. Por experiência própria, ele sabia o quanto aquele processo de preparação era desconfortável e tentou fazer aquilo da melhor maneira possível. Estava no terceiro dedo quando o corpo de Jace estremeceu e ele se forçou para trás, procurando mais contato.
— Eu não quero gozar por causa de dedinhos, mundie. – ele disse, virando a cabeça para trás e encontrando os olhos de Simon. — Estou cansado de esperar.
Simon fez uma cara para a arrogância que parecia ser inerente à existência de Jace e o virou mais uma vez, levantando-o pelas coxas, apoiando as costas dele na parede, enquanto sua cintura era envolvida pelas pernas longas e fortes do loiro. O peso de Jace não era nada pra ele, e Simon ficou feliz por ser capaz de sustentá-lo e ir direto ao ponto ao mesmo tempo.
O vampiro ainda provocou um pouco antes de finalmente penetrar Jace, fazendo-o lentamente, apreciando enquanto a extensão de seu pênis entrava centímetro a centímetro dentro do Caçador de Sombras. O outro tinha as unhas enterradas em suas costas e uma expressão tensa no rosto. Quando estava nele por inteiro, Simon começou a se movimentar. A esse ponto ele não tinha mais paciência ou autocontrole pra manter um ritmo padrão e estocava contra Jace com força, mais agressivo do que gostaria. Podia ouvir os gemidos do loiro, o barulho de suas costas contra a parede e dos seus corpos friccionando. Sentia a ereção de Jace dura contra sua barriga.
— Simon... – ele pronunciou entre um gemido e outro e o vampiro, que já estava muito perto do clímax, se moveu mais algumas vezes e gozou. Jace veio logo em seguida, terminando de arruinar a camiseta de Simon.
Ele nunca ia se cansar das sensações que o dominavam e, se o mundo já ficava mil vezes mais incrível quando alcançava o orgasmo, passar por isso tão perto de Jace, o segurando em seus braços e o tendo por inteiro em suas mãos era ainda melhor. E o garoto estava completamente relaxado, depositando tanta confiança em Simon que seu peito doía.
Eles ficaram assim por um tempo, grudados, com Jace contra a parede e Simon fundo em algum lugar na curva do pescoço do outro.
— Você precisa sair de dentro de mim, sabe? – Jace disse, depois de recuperar o fôlego, com humor em sua voz. Apesar de suas palavras, ele ainda tinha os braços bem firmes em torno de Simon. — Me ponha no chão, mundie.
O vampiro afastou a cabeça e olhou para Jace.
— Por quê? – perguntou, finalmente se separando do outro e o deixando livre para ir, se quisesse, como sempre fazia. — Por que continua me chamando assim mesmo depois da transformação?
Jace sorriu de lado e começou a recolher suas roupas do chão, vestiu as calças e olhou sua camiseta com desdém, sabendo que era mais uma perdida. Quando terminou Simon já estava completamente vestido de novo. Não havia nada que os dois pudessem fazer em relação ao sangue.
— Você acha que realmente mudou? – respondeu, surpreendendo Simon ao se sentar no chão contra a parede oposta à que usaram, pressionando o tecido da camiseta contra ombro mordido, como um torniquete, para estancar o sangue. — Pra mim continua o mesmo mundano de sempre.
Simon revirou os olhos para a condescendência de Jace, que parecia ser incapaz de falar sério e sentou ao seu lado, calado, deixando claro que precisava de uma resposta de verdade.
— Seus olhos não mudaram. – Jace tentou de novo, sem aquele sorriso irônico no rosto. — Você sabe, vampiros são vazios. São como as flores que os artistas pintam: belas, mas sem vida. Você não é assim, continua com a mesma cara mundana de sempre.
— Isso é bom, eu acho. – Simon replicou, depois de um tempo. Os dois ficaram em silêncio, sem dar sinais de que se levantariam tão cedo. Foi ali, naquele momento, que ele se deu conta de que o seu problema era estar apaixonado.
Eles se olharam.
— Não sou eu quem vai contar isso pra Clary. – Jace disse, como se pudesse ler os pensamentos de Simon e estivesse concordando com eles à sua própria maneira. O vampiro abriu e fechou a boca, sem saber o que dizer. — Nem ferrando sou eu quem vai contar que um Caçador das Sombras está saindo com um vampiro. Minha reputação já é ruim o suficiente, a sua, no entanto, está precisando estragar um pouco.
— Saindo juntos? Eu e você estamos saindo juntos? – ele estava verdadeiramente chocado.
— Olha, – Jace começou a dizer, se aproximando de Simon, encarando-o nos olhos e colocando uma mão na coxa dele tão casualmente que ele teve vontade de se beliscar e descobrir pra qual universo alternativo ele tinha ido parar. — eu até gosto das coisas proibidas, eu gosto do jeito que estamos fazendo as coisas, mas eu estou cansado de ter que ficar esperando oportunidades. Prefiro poder te foder na hora que eu quiser, sem precisar ficar escalando janelas ou usando lugares públicos... Não que isso não seja quente pra caramba...
— Então, você só me quer pelo meu corpo? – Simon tentou fingir estar ofendido, mas a boca de Jace estava perto demais pra pensar direito. O beijo que deram foi intenso, fazendo-os desejar não terem se vestido novamente.
Mas, então, a porta se abriu com um rangido e uma cabeça ruiva apareceu pela abertura.
— Simon...? Me disseram que você estava… – ela perguntou e seus olhos pararam primeiro na pequena poça de sangue que ficou no chão e na parede onde as costas de Jace acabaram se arranhando. — Oh.
— Oh! – a exclamação assustada se transformou em uma surpresa e extremamente constrangida ao encontrá-los na posição em que estavam. Com os olhos ainda arregalados, a garota bateu a porta e desapareceu na multidão.
— Ninguém precisou dizer, no final das contas. – ironizou Simon. E Jace se levantou, oferecendo a mão para o outro. — O quê? Pra onde você acha que a gente vai assim, cheios de sangue?
Ele sabia que tinha o rosto manchado de vermelho, assim com os ombros e os cabelos de Jace.
— Exatamente, você não vai mais subir no palco, vai? – ele puxou Simon, erguendo uma sobrancelha para acompanhar a pergunta retórica. — Que tal aproveitar que a gente já está todo sujo e misturar um pouco de sangue novo com o sangue seco?
Para ilustrar, Jace tirou um pedaço coagulado de debaixo da unha e o jogou fora com um peteleco.
— Ah... Então você se sente entediado e tem um vampiro no chaveiro pra saciar o seu desejo por aventura. – ele disse, se sentindo murchar por dentro com essa percepção. Se imaginar tendo um relacionamento de verdade com Jace foi a coisa mais idiota que ele já fez. Ele era um completo idiota. Mas não queria demonstrar seus sentimentos, não queria que Jace soubesse o quanto era fraco. Simon só queria entender. — Espero que saiba que as suas palavras não condizem muito bem com o que acontece na realidade.
O Caçador de Sombras suspirou e fez uma cara que teria derretido Simon facilmente se ele não estivesse com todas as suas barreiras bem levantadas no momento.
— Eu estou enlouquecendo, mundie. – ele disse, fraco, e se aproximou do outro tão delicadamente que Simon não teve força de vontade para afastá-lo. — E não só porque estou me envolvendo com um vampiro, mas porque…
— Porque…
— Porque eu me sentia morto. Vazio por dentro.
Simon segurou as laterais da camiseta de Jace com força e encerrou a distância que ainda havia entre eles. Colocou o rosto na curva de seu pescoço e permitiu-se apreciar o cheiro e o calor que vinham dele.
— Eu não sou a solução pros seus problemas. – replicou, suavemente, agradecido por ter um corpo mais forte e resistente do que sua alma, que estava se partindo. Sua voz, entretanto, não titubeou nem por um instante. — Você não pode se apoiar em mim todas vezes que quiser se sentir vivo, Jace, o que eu posso te oferecer é tão passageiro que eu…
Mas o loiro não deixou que ele continuasse, o tirou de sua posição puxando-o pelos cabelos encaracolados, com uma agressividade que tinha mais a ver com ele do que a fragilidade que vinha apresentando, e o encarou. Seus olhos ardiam e Simon tinha certeza de que não existia nada mais vivo naquele quartinho do que aquilo.
— Você é a causa de todos os meus problemas, seu idiota. – ele disse, sorrindo de lado, fazendo Simon revirar os olhos. — Mas você me faz sentir… coisas. Não só pelas mordidas e o sangue, mas você me dá vontade de brigar e xingar, me dá vontade de beijar e morder e… você me faz me sentir humano…
— Meio irônico isso, não? – Simon respondeu, se inclinando para beijar Jace e garantir que, pelo menos, aquele momento ia ser perfeito. Não importava o sofrimento que ele teria depois, se Jace estava ou não sendo sincero ou se tudo aquilo não passava de um sonho. Simon só queria sentir a paixão dentro dele, aquele calor que ele tinha quando estava com Jace que o fazia se lembrar de como era ter um coração funcionante. Queria sentir o toque que o outro acabava de lhe dar e achar que isso significava alguma coisa.
- Eu pretendo levar essa ironia pra outro lugar. - Jace sorriu e estendeu a mão. - Você vem?
E Simon foi.
N/A: Foi muito divertido escrever essa fanfic, porque smut nunca foi o meu forte e isso aqui me ajudou a praticar. Obrigada a quem acompanhou. Ainda quero saber a opinião de vocês e comentários serão sempre bem vindos.
Até a próxima! o/
