Disclaimer: Inuyasha não me pertence...

Até o capítulo anterior...

Balançou a cabeça, se livrando desses pensamentos e voltou a caminhar pelos longos corredores, que pareciam infinitos para a humilde humana. Houve um momento que se viu perdida na sucessão de portas e passagens, tentou não se desesperar e continuou seguindo, embora não soubesse exatamente para onde. Parou em frente a uma porta, onde ouviu algumas vozes que vinham de dentro do cômodo. Aproximou-se mais e observou pela fresta aberta, para visualizar Kaede conversando com alguém que não era visível de onde estava.

Capítulo 5: Desentendimento

Alegrou-se ao reconhecer a velha senhora, único rosto conhecido por ali. Antes que batesse na porta e a chamasse, ouviu sobre o que falavam:

- Como está a humana? - perguntava uma voz masculina, que a garota não soube distinguir.

- Já está bem. Ela inclusive foi falar com Inuyashasama. – respondeu a anciã. Estavam falando dela, talvez fosse melhor ouvir um pouco mais.

- Ah, então meu filho finalmente aceitou sua responsabilidade. – respondeu – Eu lhe disse que seria responsável pela segurança dela. – falava calmamente. Kagome não entendia nada daquela conversa.

- Não sei se é exatamente isso, meu senhor. Me parecia apenas curiosidade. – arriscou Kaede.

- Talvez... Mas uma vez que tenha feito uma coisa tão rara quanto salvar-lhe a vida. Creio que devemos esperar algo mais... – seu tom continuava calmo e relaxado.

- Mas Inuyashasama sempre disse que não lhe agradavam os humanos fracos. – ela parecia conversar com ele como se fossem velhos amigos.

- Ele não pode negar seu próprio sangue. Só me pergunto se será ela... – parecia pensativo – Kaede, gostaria de ver a garota. - pediu

- Vou buscá-la agora, senhor. – respondeu fazendo menção de sair.

- Não é necessário, ela já está aqui. – disse, dirigindo o olhar a porta – Entre, menina. – pediu.

Kagome congelou. Novamente um youkai a notara antes mesmo de vê-la. Uma vez que fora descoberta, abriu a porta devagar, dando dois passos vacilantes para dentro do cômodo. Muito envergonhada, olhava para o chão, sem coragem de encarar as duas figuras.

- Kagome!? – se surpreendeu Kaede.

- M-me desculpem, eu não queria ouvir... Eu estava perdida... – tentou se explicar, quando foi cortada pelo youkai.

- Tudo bem. Eu já sabia que estava aí. – disse muito calmamente.

- Desde quando, meu senhor? – a garota perguntou por cura curiosidade.

- Desde que chegou. – respondeu abrindo um sorriso.

Ela não podia deixar de se surpreender com aquilo. Finalmente tomou coragem e encarou a pessoa que lhe falara. Quase caiu pra trás ao ver uma figura incrivelmente parecida com a do youkai que vira há pouco. O youkai possuía longos cabelos prateados, presos num rabo de cavalo alto, olhos tão dourados quanto os do outro, porém mais maduros, assim como suas feições. Possuía duas estrias arroxeadas, uma de cada lado do rosto. Usava roupas brancas, muito parecidas às do outro, porém este usava uma armadura por cima. Nas costas, preso a seus ombros, o youkai sustinha uma longa e felpuda pele branca, que se alongava até próximo ao chão. Apesar de séria, sua expressão era bondosa e calma.

Kaede rompeu o silêncio:

- Kagome. Este é lorde Inutaishousama. O senhor deste castelo. – apresentou a anciã.

- Fico honrada em conhecê-lo, meu senhor. – disse educadamente, fazendo uma profunda reverência. – "Ele é um lorde?" – surpreendeu-se em seus pensamentos.

- E eu fico feliz em tê-la em meu castelo, já que foi trazida aqui pelo meu filho. – respondeu contente em ver a educação da moça – Ah, espero que os maus modos dele não tenham a assustado.

A jovem nem sabia o que responder. Ainda estava muito chocada em estar tendo uma conversa com um youkai – e ainda mais com um lorde - como se fosse uma convidada e não uma escrava. Este a fitou, como se analisasse cada detalhe. Notou que ela parecia pouco à vontade:

- Acho que precisa descansar mais. Ainda não está totalmente curada. – diz o lorde, observando como a garota parecia segurar o ombro enfaixado com uma das mãos – Kaede! – dirigiu-se a anciã – Leve-a de volta ao quarto para que se recupere.

A velha senhora apenas assentiu com a cabeça e com um sorriso. Em seguida, dirigiu-se á jovem, guiando-a até a porta.

- Tudo bem, Kaedesama. Eu me sinto bem, é sério. – tentava convencer a jovem, enquanto a anciã revisava seu ombro.

- Foi um ferimento grave, não devia se esforçar. – insistia.

- "Mas eu não fiz nada..." – pensava com desgosto. – Kaedebaachan? – chamou.

- Hai? – respondeu, contente pela maneira como a menina lhe chamara.

- Inutaishousama... é um lorde!? Como assim? – indagou.

- Bem... – começou enquanto enfaixava o ombro da menina, a qual estava sentada no futon, no mesmo quarto em que acordara – Ele é um lorde entre os youkais. Seu clã: o dos inuyoukais do oeste, é um dos mais fortes que há. Ele é também um general que comanda um grande exército em tempos de guerra. – falava calmamente, enquanto a garota prestava atenção às suas palavras.

- Entendi... – respondeu pensativa – Quando eu apareci na porta... vocês estavam falando de mim não é..?

A anciã pareceu um pouco surpresa, mas procurou não demonstrar. Resolveu então encarar o assunto com naturalidade:

- Hai.

- Eu não entendi uma coisa... por que Inutaishou-sama disse que seu filho não podia negar seu próprio sangue? E ele disse isso depois de você ter dito que ele não gostava muito de humanos...

- Bem... já terminei seu curativo. – a anciã disse, se levantando em seguida com uma expressão séria no rosto.

- Mas Kaedesama...

- Descanse, e não se preocupe com essas coisas agora. – cortou-a – Oyasumi nasai, Kagomechan – disse, vendo que a noite já se avançava.

Em seguida, a velha senhora sai do quarto, deixando para trás uma extremamente confusa Kagome. Por algum motivo, ela estava lhe escondendo alguma coisa.

- "Essa menina..." - pensava Kaede, enquanto se dirigia para outro quarto – "É muito perspicaz. Mas eu não sei se posso lhe contar ainda... não é meu direito decidir isso..." – e assim se foi para algum aposento do castelo.

Apesar de deitada em lugar quente e confortável, a jovem não conseguia conciliar o sono. Todas aquelas informações de uma vez na sua cabeça, ficavam dando voltas e mais voltas e não deixavam-na dormir tranqüilamente. Lembrava do encontro com o intimidador Inuyasha, com o lorde Inutaishou, a conversa com Kaede... Esta particularmente a deixara incomodada. Por que ela não respondera àquela pergunta tão simples? Talvez estivesse guardando algum segredo. Esperaria alguma outra hora e voltaria a lhe fazer a mesma pergunta. Intentando esquecer o assunto por hora, virou para o lado e tentou novamente dormir...

OoOoOoOoOoO

O dia começava agitado para as servas do grande castelo, eram muitas tarefas e o lugar era muito grande, então logo cedo estavam todos de pé arrumando, limpando e organizando tudo. Soldados youkais ficavam de guarda nos portões e do lado de fora do castelo, muitas vezes acompanhados de enormes cães de guarda.

- Kagomechan! – chamou uma voz jovial.

A garota abriu preguiçosamente os orbes castanhos, fitando uma garota pouco mais velha que ela ao seu lado, tentando despertá-la. Sentou-se no futon, meio surpresa de não ser a velha Kaede a acordá-la.

- Creio que já deve se sentir bem melhor, não? – perguntou a jovem desconhecida.

- Sim, estou. – respondeu apenas, fitando-a, curiosa.

- Ah, meu nome é Tsubaki. – se apresentou a jovem de longos cabelos negros, presos em um rabo-de-cavalo baixo e olhos tão escuros quanto suas madeixas.

- Prazer. – respondeu sorrindo.

- Eu lhe trouxe seu desjejum. – disse apontando uma badeja próxima a ela, com diversos alimentos – Não vou poder ficar muito, preciso ajudar na limpeza – completou, fazendo menção de levantar.

- Espere, eu vou também! – se apressou em dizer, Kagome.

- Você precisa repousar – se virou para ela preocupada.

- Eu já estou bem. E quero fazer alguma coisa para ajudar, não vou só ficar aqui dando trabalho. – disse decidida, logo pegando a bandeja e comendo dela rapidamente para que pudesse ir logo.

- Está bem. – suspirou Tsubaki.

Assim que a menina terminou sua refeição, foi levada pela outra para onde os outros servos já se atarefavam. Kagome se impressionava com a suntuosidade e imponência daquele castelo a cada passo que dava, mas só de pensar em limpar tudo aquilo, já lhe dava calafrios. Tsubaki lhe deu algumas tarefas simples, como: tirar o pó dos móveis e varrer o chão. Aproveitando a aparente liberdade, a jovem ia andando pelos longos corredores, limpando alguma coisa e vez por outra parando para admirar detalhes e objetos finos de decoração.

Parou ao chegar em frente à porta de um quarto já conhecido. Lembrando-se daquele youkai rude com quem conversara no dia anterior, pensou em talvez, limpar seu quarto para ao menos agradecê-lo por tudo. Hesitou antes de bater levemente na porta, ao não escutar som vindo de dentro, bateu novamente.

- Inuyashasama! – arriscou chamar, ainda incerta se não estaria agindo mal.

Novamente silêncio. Puxou a porta que estava apenas encostada e adentrou o aposento cautelosamente. Não viu ninguém, o lugar estava vazio. Talvez assim fosse melhor, não tinha certeza se queria aqueles orbes dourados e inquisidores sobre si tão cedo. Aproveitou para olhar melhor o quarto, que antes não teve tempo de ver muito bem – nem conseguia pensar nisso na primeira vez que entrou ali. Era um cômodo muito grande, não possuía muitos móveis, – como a maioria dos cômodos no castelo feudal – nas paredes, desenhos grafados formavam as conhecidas figuras de cães rodeados por nuvens, como se estivessem sobrevoando os céus, quase no meio do cômodo jazia um grande e grosso futon. Sobre um móvel de madeira um objeto reluzente chamou a atenção da jovem. Aproximou-se mais para fitar uma katana cuidadosamente guardada em sua bainha e colocada sobre um apoio para espadas, na horizontal. Parecia estar ali como um tesouro intocável.

O cabo da espada apresentava um brilho de objeto novo e pouco usado. Fascinada pelo objeto, aproximou a mão para tocá-lo, mas parando a meio caminho pensando se deveria mesmo fazê-lo. Só tocar não faria mal, não é? Deslizou os dedos delgados pela bainha sentindo cada detalhe. Sempre foi fascinada por antigas histórias de samurais que brandiam suas espadas em nome de sua honra e costumes. Não resistiu a tentação de segurá-la e averiguar seu peso. Depois seria só devolvê-la ao lugar e pronto, certo? Puxou um pouco a espada de dentro da lustrosa bainha, ouvindo o ressoar da lâmina metálica, enquanto admirava seu reflexo nesta.

Kagome congelou quando ouviu o som da porta sendo aberta atrás de si. Tentou rapidamente colocar o objeto de volta no lugar, mas não teve tempo de fazê-lo antes que uma voz fria cortasse o ar, lhe fazendo pular de susto:

- O que está fazendo aqui!? – gritou exasperado.

A púbere não sabia o que fazer naquele instante, não bastasse ser pega dentro do quarto do youkai sem permissão ainda mexia em suas coisas, certamente estaria enforcada pela manhã. Virou-se lentamente para o ser parado a porta com cara de poucos amigos e, ainda olhando para o chão, tentou formular alguma desculpa:

- S-senhor... eu...

- Cale-se! – o youkai gritou nervoso.

A menina se encolheu e ainda olhando o chão tentava acalmar o coração assustado que parecia querer saltar-lhe à boca a qualquer instante.

- Quem disse que podia entrar aqui e mexer nas minhas coisas?! – continuou ainda nervoso, aproximando-se dela alguns passos.

- M-me desculpe. – ela praticamente implora, enquanto dá dois passos para trás para afastar-se dele.

Olhando para o lado o youkai viu a espada um pouco fora do lugar, o cheiro nesta também lhe provara que a mesma havia sido tocada pela humana.

- Você... – ele parecia fora de si – Tocou a Tessaiga!

A jovem se encolheu ainda mais, apavorada, aqueles orbes dourados e furiosos a fuzilavam de longe... talvez não tão longe, visto que ele se aproximava. Ele fechou as mãos em punho e parecia se controlar para não partir para cima da humana. Esta cai sentada no chão, olhando apavorada o youkai raivoso, que segurava um rosnado baixo enquanto cerrava os dentes deixando a mostra os caninos afiados.

- P-por favor, não me mate! – ela implorou, com lágrimas nos olhos.

Um estalo pareceu percorrer a mente de Inuyasha. Aquela humana... estava implorando pela vida, tinha medo dele, achava que ele ia matá-la... Lembrou que sempre detestava que os outros servos sequer dirigiam-lhe a palavra sem ter um mínimo de estremecimento em sua voz, e que havia ficado contente em encontrar uma que pelo menos não parecia achar que ele ia devorar sua cabeça a qualquer instante. Mas agora ela estava com tanto medo dele quanto os outros, mais até. Se amaldiçoou por sua falta de controle e tentou se acalmar. Porém, já estava feito, não tinha como voltar atrás:

- Saia daqui. – disse num tom mais baixo e controlado.

A humana, depois de levar uns segundos para entender a mensagem, mais que rapidamente saiu do quarto, deixando o youkai lá sozinho com seus pensamentos. Este, lentamente foi até a espada, arrumando-a no lugar correto cuidadosamente. Seu olhar era triste e solitário. Desde sua infância era sozinho, youkais não queriam estar perto dele e humanos tinham receio, tanto eles como youkais apenas o tratavam com respeito por sua posição de filho do lorde youkai ou por medo. Depois de muito ser magoado por estas pessoas, ele começou a afastá-las com aquele jeito rude e mal-humorado. Fitou com carinho a espada que fora presente de seu pai, tristeza não abandonando seu rosto.

No longo corredor uma garota corria assustada enquanto deixava algumas lágrimas rolarem por seu rosto rosado. Em meio a sua corrida, encontrou Kaede, que parou assim que a viu, olhando em sua direção com expressão preocupada no rosto:

- O que aconteceu...? – mal teve tempo de terminar a frase, foi detida pela garota que lhe abraçou em busca de amparo.

- Kaede... – dizia chorosa.

- Calma, calma. Eu não sei o que aconteceu, mas agora está tudo bem. – a anciã tentou acalmar, devolvendo-lhe o abraço carinhosamente. – Venha, vamos para o quarto, pode descansar por hoje. – disse, guiando-a até o cômodo. A jovem assentiu com a cabeça e a seguiu.

Notas:
Baachan: vocó

Muito obrigada pelos comentários de todos aqueles que estão lendo e acompanhando minha fic. Espero que continuem comigo até o fim.