Disclaimer: Inuyasha não me pertence, pois se pertencesse eu estaria rica e feliz.
Até o capítulo anterior:
'Olhando para um canto no quarto o daiyoukai avistou a preciosa katana, como sempre pousada sobre o apoio horizontal sobre o móvel. Aproximou-se alguns passos, sobre o olhar curioso do filho, até ficar de frente para o valioso objeto. Tomou-a nas mãos com cuidado, vislumbrando mais uma vez seu brilho semi-novo. Sem virar-se para o filho, começou a falar em tom calmo, porém sério:
- Lembra-se de quando lhe dei esta espada?
- Como eu poderia esquecer? – respondeu, um pouco surpreso com a pergunta repentina.
- Se lembra do que eu lhe disse na ocasião...? – indagou novamente, ainda com os olhos fixos na espada.
- Por que isso agora?- perguntou confuso, enquanto se mexia desconfortável no futon. Ante a não resposta do pai, finalizou – Claro que lembro...'
Capítulo 7: Cão
O garoto aparentando ter quinze anos se via radiante de alegria. Aquele seria o dia que herdaria de seu pai, uma de suas mais poderosas espadas: Tessaiga. Finalmente poderia tocá-la, usá-la, testar todo seu poder. Desde muito tempo quando viu seu pai usando-a, almejava possuí-la, se via fascinado por seu poder incrível, que tomava proporções que o jovem garoto nunca via em outro youkai senão em seu genitor.
Seu meio-irmão mais velho inconformado apenas observava ao longe, inveja o corroendo, decidiu ir a outro lugar à ter que presenciar a cena, virou-se e deu meia-volta antes que pudesse visualizar seu pai chegando ao encontro do mais novo.
- Inuyasha! – disse, chamando a atenção do filho mais jovem.
- Chichiue! – se animou em direção à ele.
- Está pronto para o que irei lhe dar? – perguntou, sorrindo ao ver a reação que provocava no jovem.
- Mais que pronto! – respondeu de imediato, com os olhos brilhantes.
O inuyoukai então, puxa de sua cintura uma katana fechada sobre uma lustrosa bainha negra. A segura em ambas as mãos e olha para o filho com seriedade:
- Sabe por que estou lhe dando esta espada? – o jovem apenas o olha confuso, então ele continua – Ela servirá para sua proteção, mas principalmente para que você possa proteger quem lhe for importante. – terminou no tom sério.
- Proteger quem me for importante? – repetiu sem entender.
- Sim. Eu mandei que Toutousai a forjasse para que com ela, eu pudesse proteger sua mãe.
- Minha... mãe?
- Quando for mais velho vai entender. – disse lhe estendendo a katana, à qual foi recebida com muita alegria.
- Um dia serei um grande youkai como chichi-ue. – disse orgulhoso, segurando seu novo 'tesouro' em mãos.
- Quando entender o que eu quis lhe dizer, já terá se tornado um. – fala com um sorriso de canto, que demonstrava entre outras coisas indefiníveis, todo seu orgulho de pai.
- Mas por que tudo isso agora? – perguntou novamente, confuso, depois de lembrar de todas essas coisas.
- Sabe por que lhe dei a Tessaiga em vez de dá-la a Sesshoumaru? – indagou, ignorando a pergunta anterior.
- Por que sou seu filho favorito? – disse desdenhoso.
- Não. Foi por que precisava mais dela. Precisava de seu poder, já que não é forte o suficiente. – disse sério.
Inuyasha emburrou a cara. Seu próprio pai o considerava fraco, nada era pior que a sensação de que o único que parecia reconhecê-lo o julgava como todos os outros, afinal. Naquele momento sentiu uma certa inveja de seu irmão mais velho, apesar deste o odiar por não ter ganhado a espada em seu lugar, sentia agora que o motivo disso era que Sesshoumaru era mais forte que ele, e por isso seu pai achou melhor dar uma 'proteção' ao filho mais fraco. Sentia o desgosto daquelas palavras pronunciadas pelo genitor subirem-lhe a garganta e sentiu um bolo formar-se nela.
- Porém há uma coisa que faz alguém mais forte... – continuou o daiyoukai. – E isso eu o disse uma vez. – concluiu olhando diretamente nos olhos do filho.
- Você disse que quem tem alguém a proteger torna-se mais forte. - pronunciou com certa dificuldade, ainda tentando digerir a frase anterior do inuyoukai.
- Pois bem. Agora você poderá se tornar verdadeiramente forte e usar a Tessaiga. – disse com convicção. O outro levanta o olhar para ele, surpreso e ao mesmo tempo confuso.
- Mas eu não tenho ninguém para proteger. – pronunciou, se lembrando do fato desastrado de quando tentou usar a espada anteriormente.
- Como não? – indagou, como se fosse a coisa mais óbvia do mundo – E o que lhe disse quando trouxe aquela humana desacordada nos braços?!
- Mas ela não é importante pra mim. – agora se sentia mais desconfortável ainda, onde seu pai queria chegar com aquela conversa?
- Talvez ainda precise perceber o que os youkais mais experientes já notaram à muito tempo. – apesar da explicação confusa, ele certamente referia-se a si mesmo (e parecia fazer menção também ao fato dele saber 'algo a mais' por ser um daiyoukai).
- O que quer dizer com isso? – mas ele não entendia sua lógica.
- Vai entender. – disse enigmaticamente, devolvendo a espada ao seu lugar logo depois – Apenas não deixe que nada aconteça a ela. Ela é sua responsabilidade. – terminou sério, em seguida se dirigindo à porta para sair. Inuyasha não o impediu.
Assim que o youkai se retirou do cômodo, permitiu-se jogar o corpo no futon, refletindo sobre aquela conversa estranha. Por quê, afinal, seu pai resolvera falar sobre essas coisas agora? Por que ele deveria proteger a vida de uma humana, só por ter salvado-lhe a vida uma vez? E o que afinal seu pai parecia saber e ele não? Nunca entendera bem essa coisa de ficar forte por proteger alguém. Acreditava que deveria ficar forte por si mesmo.
As perguntas eram intermináveis em sua cabeça. Contraiu o rosto soltado um suspiro frustrado, já começando a sentir as têmporas latejarem por pensar tantas coisas de uma só vez. Fechou os orbes dourados e tentou se concentrar em alguma coisa, dormir talvez...
OoOoOoOoOoOoO
Mais um dia nascia. Esse parecia especialmente ensolarado e belo. No céu azul, passavam lentamente fofas nuvens brancas, impulsionadas pelo vento primaveril. Os pássaros começavam seu recital da natureza, assoviando e piando alegremente, celebrando a vida. Era a época em que as sakuras floriam e mostravam toda sua exuberância, em pequenos botões de flores rosadas que lhe cobriam toda a copa.
Kagome acordou realmente disposta nesse dia tão bonito. Deu-se conta que desde que chegara ali, nunca saíra de dentro do castelo. Talvez não fizesse mal dar uma volta no jardim. Se não fosse possível dar um passeio, ela então poderia convencer Kaede a lhe dar a tarefa de cuidar das flores. Sempre gostou de flores. Levantou-se do futon e após dobrá-lo e guardar o mesmo a um canto, saiu do quarto, ainda incerta sobre onde ir. Ao visualizar o corredor notou bastante movimento por parte dos servos e saiu para ver o que seria.
Caminhou lentamente pelo longo corredor. Chegou ao hall e se deparou com o lorde Inutaishou acompanhado do filho mais novo às portas do imenso castelo. O daiyoukai parecia estar partindo para algum lugar, dada a conversa deles e a como estava vestido: como se fosse para uma guerra. Sua lustrosa armadura bem arrumada no corpo, uma espada descansava em suas costas quase coberta pela pele felpuda e branca que levava nas mesmas.
- Enquanto eu estiver fora, espero que cuide bem do castelo e dos outros assuntos burocráticos. – disse o imponente daiyoukai.
- Já sei disso. – falou impaciente. 'Assuntos burocráticos' sempre fora um termo que detestara tanto quanto ao que se referiam.
- E não se esqueça de ir àquela reunião. É muito importante. – relembrou.
- Se não for logo, todos os inimigos já terão morrido de velhice. – disse sarcástico.
- Pelo menos mostre um pouco de preocupação por seu pai, que está indo a uma guerra. – retrucou, não exatamente zangado.
- Os inimigos é que devem se preocupar. – falou confiante.
- Não faça nada estranho enquanto eu estiver fora. – falou fazendo um falso ar apreensivo.
- A coisa mais estranha que poderia fazer é dizer que amo Sesshoumaru de todo coração. – respondeu desdenhoso, imaginando como aquelas palavras vieram parar numa frase pronunciada por ele.
O daiyoukai apenas dá um sorriso pequeno e se vira, saindo pelos largos portões do castelo. É seguido pelos olhos do filho até que some no horizonte com um estranho barulho que se assemelhava a uma imensa ave levantando vôo. Kagome não pôde ver o que era de onde estava, mas notou que o youkai já devia ter partido quando viu Inuyasha se distanciando da entrada.
- Inuyasha! – chamou a garota – ...sama. – acrescentou depois que viu os olhares estranhos que algumas servas lhe lançaram.
- Kagome? – indagou, se virando para a humana, estranhando o fato dela tê-lo chamado.
- Eu... é que... – de repente ela começou a se sentir nervosa com todos aqueles olhares sobre si, e já não sabia mais o que ia dizer.
- Voltem às suas tarefas! – ele gritou com as servas, incomodado. Obedeceram imediatamente. Depois se aproximou alguns passos da humana. Foi quando ela notou a grande diferença de altura entre eles – O que foi? – perguntou, não muito educado.
- Para onde foi o lorde Inutaishousama? – na verdade não era isso que ela queria perguntar, mas no momento foi o que lhe saiu quase automaticamente – Se puder saber é claro. – acrescentou.
O youkai arqueou a sobrancelha, estranhando aquela pergunta – Não que seja da sua conta, mas ele foi a uma guerra. – respondeu, ríspido.
- Ah... – disse insossa.
- Era só isso que queria perguntar? – indagou, nervoso.
- Não. Na verdade... eu gostaria de saber se poderia ir lá fora. – conseguiu falar por fim.
- Lá fora? – retrucou, confuso.
- No jardim. Está um lindo dia e eu adoraria ver as sakuras desabrochando. – disse quase sem se dar conta, fitando a porta entreaberta que dava ao exterior.
- Gosta de flores? – perguntou, lembrando-se de que sua mãe passava horas admirando as mesmas flores.
- Muito. – respondeu sorrindo. Aquele sorriso novamente. Sempre sentia algo diferente ao fitá-lo, mas não sabia explicar o quê. Viu-a fitando-o interrogativamente, esperando uma resposta.
- Bah! Pode, só não vá tentar fugir. Não ia conseguir. – respondeu tentando parecer o mais desdenhoso possível.
- Não vou fugir. – disse risonha – Ainda... – terminou, fazendo graça.
- Nem agora nem depois. – retrucou, entrando no jogo dela – Não vou deixar. – deu um sorriso de canto, que quase fez Kagome perder o equilíbrio.
- Me impediria? – perguntou imitando uma expressão infantilmente curiosa. Não sabia por quê, mas gostava de provocá-lo.
- Iria atrás de você onde quer que fosse. – respondeu, sem entender ainda o que sentia naquele momento. As ações daquela humana o afetavam de uma maneira que não podia explicar.
- Por quê? – quis saber.
- Sou responsável por você. E não poderia deixar uma serva fugir assim. – acabou por dizer, tentando recompor a pose de mestre do castelo antes que se esquecesse disso.
- Ah, sim... – o sorriso morreu em sua face. Era quase como uma expressão... decepcionada. Mas por quê se sentia assim? Por que era importante que a resposta fosse diferente? – Então... estou indo. – disse sem a animação inicial, faz uma breve reverência, logo em seguida dirigindo-se a porta.
Inuyasha apenas fitou a humana se distanciar, sentindo como se não quisesse que ela fosse, não daquele jeito, parecendo... triste? Não se moveu do lugar porém. Depois de uns segundos fitando a porta semi-aberta por onde a pouco ela passara, volta-se para o lado em que estava indo anteriormente e retoma seu caminho outrora interrompido. Por que lhe importava o que a humana pensava afinal? Não percebeu em todos seus pensamentos e divagações que uma testemunha do ocorrido o fitava com interesse e um discreto sorriso no rosto:
- "Inutaishousama estava certo." – pensou consigo a velha senhora denominada Kaede.
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Surpresa era pouco para descrever o que Kagome sentiu ao pôr os pés para fora do castelo. A sua frente um imenso jardim se estendia até se perder de vista em meio a diversas árvores que formavam quase um bosque particular. Antes de chegar a tais árvores, via-se uma área plana toda coberta de tenra grama verde e cheia de vida. Flores enfeitavam cada lado de um caminho feito de pequenos tijolos de pedra retangulares que se estendiam até uma pequena ponte de madeira ricamente entalhada, esta passava por cima de um pequeno e raso rio de água cristalina e límpida que cortava horizontalmente o terreno. Além da ponte se viam as cerejeiras repletas de sakuras rosas e brancas. As pequenas porém numerosas flores formavam um contraste perfeito entre si, cobrindo toda a copa das imponentes árvores, fazendo-lhes parecer grandes tapetes suspensos.
Ao lado, perto das margens do rio, se viam os mais diversos tipos de flores: desde de lírios até camélias e hibiscos. Uma fonte enfeitava outro canto do jardim. Era um grande e imponente cão entalhado em mármore. De sua boca aberta saia um jato fraco de água, que caia em cascata até o reservatório em volta de si.
A humana ficou encantada com tamanha beleza. Quem projetou aquele jardim o fez com muito esmero, assim como todo o resto do castelo e de suas decorações internas. Caminhou a beira do rio, depois passando pela pequena ponte, sempre admirando a bela paisagem a sua volta. Seguiu pelo caminho que cortava o bosque, tendo em volta as cerejeiras que lhe proporcionavam sombra fresca e uma chuva de pétalas vez por outra quando soprava o vento suave.
Um tempo que não soube dizer quanto depois, andando por aquele caminho – já não podia mais ver o castelo - , o som de algo pesado caminhando por entre as árvores ao seu lado esquerdo lhe chamou a atenção. A humana rapidamente se virou na direção do som, apreensiva, apenas para fitar mais árvores.
Olhou com mais atenção, ficou assim um tempo assim, apenas fitando as árvores. Porém nenhum som saiu delas, ao que a menina concluiu que deveria estar ouvindo coisas. Deu mais alguns passos, decidida a continuar sua caminhada. Outro som, como que de passos em folhas secas, fez com que a garota percebesse que tirara a conclusão errada:
- Quem está aí?! – gritou ao nada, na esperança que o ser a sua espreita aparecesse.
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- Que coisa mais chata! – resmungava Inuyasha, fitando uma pilha de pergaminhos ao seu lado. À sua frente, um pergaminho aberto na mesa baixa, onde apoiava os cotovelos; sobre uma das mãos apoiava a cabeça, uma clara expressão de tédio em seu rosto – O velho deixou esse monte de coisas a assinar e ler antes mesmo de ter que partir e agora eu tenho que cuidar desses 'assuntos burocráticos. – pronunciou 'assuntos burocráticos' com o máximo de desdém que pôde.
- Ora Inuyashasama. Seu pai lhe deixou importantes tarefas para cuidar. Isso mostra que ele confia em suas escolhas. – fez questão de frisar Kaede, que se encontrava lhe entregando mais alguns pergaminhos, para sua infelicidade.
- Ele é um folgado, isso sim! – reclamou, sem fazer questão de abrir mais um daqueles inúmeros pergaminhos.
- Com licença, Inuyashasama! – chamou Tsubaki à porta, assim que foi notada pelo youkai, fez uma reverência em sinal de respeito e continuou – Não queria incomodar, mas não encontro a serva Kagome em lugar algum. Gostaria de lhe informar sobre isso e questionar se por acaso conheces o paradeiro dela.
- É verdade... – fala Kaede, pensativa – Não a vi hoje ainda.
- Tudo bem. Ela está no jardim. – responde simplesmente o youkai.
- Oh não! – Tsubaki diz com certo choque levando a mão à boca.
- O que há Tsubaki? – pergunta Kaede com preocupação.
- Alguém precisa avisá-la. – retruca.
- Do que está falando? – agora é Inuyasha quem lhe indaga, intrigado.
- Shiromaru está solto! – diz por fim.
- O quê? – ele grita, se levantando bruscamente – Mas ainda é dia!
- Desde que Inutaishousama partiu, os guardas acharam que o castelo poderia ficar mais vulnerável e o deixaram solto também durante o dia. – explicou a serva.
- Droga! – ele gritou, correndo porta afora o mais rápido que pôde.
- Espero que ele chegue a tempo. – balbuciou Tsubaki, temerosa.
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Em vez de uma resposta, o que Kagome ouviu foi uma espécie de grunhido e depois os passos pesados, porém discretos, se aproximando cada vez mais. Deu dois passos pra trás hesitante antes de visualizar dois grandes e bestiais olhos amarelos fitarem-na do meio dos troncos das árvores. Estancou, amedrontada, quando os grunhidos se intensificaram, tornando-se um rosnado gutural. Aos poucos, a criatura saiu da cobertura das árvores e a jovem pôde ver um enorme cão branco parecido a um lobo, fitando-a furiosamente enquanto rosnava e se aproximava a passos lentos. O animal tinha duas vezes seu tamanho e não parecia muito contente com sua presença ali.
Quando a criatura fez a pose de um predador prestes a atacar a presa, foi o sinal para que a humana corresse dali depressa para salvar sua vida. Voltou pelo caminho que tinha vindo, a criatura sempre em seu encalço, a garota corria como nunca enquanto o cão não parecia fazer o mínimo esforço para alcançá-la. Um latido alto fez seus ouvidos retinirem e por um instante perdeu a noção de onde estava, quando sentiu uma boca enorme envolvê-la quase totalmente pela cintura, os dentes ávidos para entrar em sua carne. A garota se mexia e batia no enorme focinho do cão, sem efeito porém. Sentiu que este pretendia fechar sua mandíbula sobre ela e fechou os olhos esperando pela dor.
- Sankon tessou!! – foi o que ela ouviu, seguido de um ganido do cão e depois sentiu que este abria a boca deixando seu corpo cair. Mas ao invés do impacto com o chão, sentiu que algo a segurava antes que acertasse o solo. Pode identificar dois braços fortes que a seguravam, antes de finalmente abrir os olhos.
- I-Inuyashasama! – disse surpresa.
- Está ferida? – perguntou com urgência.
- N-não sei... acho que não. – no momento estava atordoada demais pra dizer se estava ou não ferida.
- Shiromaru! – gritou com raiva, fitando um ponto a sua frente. A humana se virou para a mesma direção, vendo o enorme cão branco de antes todo encolhido, as orelhas baixas, a cauda entre as pernas, seu olhar refletia medo e um mudo pedido de desculpas. Na face do cão, um ferimento na forma de garras do qual pouco sangue saía, demonstrava o castigo que levara do dono – Já não lhe disse para não atacar os humanos do castelo!? – continuava a gritar, a cada vez o cão se encolhia mais – Saia daqui seu pulguento! – esbravejou por fim. O animal lançou um último olhar culpado, antes de voltar a sumir no bosque.
- O que era aquilo? – pergunta Kagome, que ainda estava bem segura nos braços do youkai.
- É o Shiromaru. É um youkai cão que serve de guarda para o castelo, mas ele só deveria ficar solto à noite. – explica, com indignação na voz ao dizer esta última parte.
Depois, começou a caminhar de volta ao castelo, ainda carregando a humana, ato que ele não parecia incomodado em fazer, ou sequer parecia ter notado. A jovem por sua vez não podia reclamar apesar de ter quase certeza que estava apta a caminhar, mas viajar daquela maneira era tão mais confortável, não? Uma coisa a intrigou, e não pôde guardá-la mais para si:
- Inuyasha. Você disse que Shiromaru era um youkai cão, mas... sua família também não pertence a um clã de inuyoukais? Lembro que Kaede me disse isto uma vez. – perguntou curiosa.
- Ele não é da mesma linhagem da minha família, é diferente. Não tem por exemplo a habilidade de tomar a forma humana. – respondeu sem desviar os olhos do caminho à frente.
- Forma humana? – indagou, intrigada.
- Como meu pai. Aquela que você viu não é sua forma verdadeira. – disse quase sem notar as palavras saindo.
- E qual é a forma verdadeira dele? – perguntou, agora muito interessada.
- Um cão, oras! – disse simplesmente, era óbvio.
- Então quer dizer que você também pode se transformar? – disse animada, como se aquilo fosse a coisa mais legal do mundo.
- Você faz perguntas demais! – disse grosso, mudando repentinamente de atitude – Acho que pode andar, não? – perguntou, a expressão era um misto de seriedade e nervosismo.
- S-sim. – respondeu nervosa. A pôs no chão (para sua infelicidade) e voltou a caminhar, agora um pouco mais a frente enquanto era seguido por ela. A garota só pensava se teria dito algo errado para ele agir assim. O resto do caminho foi feito em silêncio até a chegada no castelo.
Tsuzuku...
