Bem, desculpem se eu estiver demorando um pouco pra postar. É que sou movida a comentários e como recebo poucos ultimamente eu fico um pouco desmotivada. Vamos gente, se vocês leram e gostaram (ou não) digam por favor. Isso não é pra quem já comentou, pra esses eu agradeço muito. Vamos à fic.
Disclaimer: Inuyasha não me pertence.
- Ah, não é justo! Por que eu tenho que ficar tão longe do Inuyashakun? – Ayame choramingava para a escrava logo depois ser apresentada ao quarto que deveria ocupar.
- São as ordens de Inutaishousama, senhora. – explicou a humana, meio que temerosa.
A youkai lançou um olhar de desprezo ao quarto e saiu porta fora, resfolegando como um touro, disposta a reclamar com meio mundo. Mas um pouco depois de cruzar a porta, se deparou com Kouga, saindo da porta ao lado. Olhou-o com indignação:
- O que faz aqui? – indagou, brava.
- Eu durmo aqui. – disse, simplesmente.
- Por que eu tenho que ficar em um quarto do lado do seu? – praticamente gritou.
- Para que eu possa protegê-la, não é óbvio? – disse, como se fosse a coisa mais natural do mundo.
- Eu não preciso da sua proteção. – retrucou.
- E eu não queria proteger uma princesa mimada como você, mas foram ordens de seu avô, tenho que obedecê-las. – falou no mesmo tom.
- Não fale desse jeito comigo! – esbravejou, autoritária.
- Eu falo como eu quiser! – gritou – Meu trabalho é protegê-la, não ser educado com você. – depois simplesmente se virou e partiu – Se precisar de mim, grite. – falou, sem a olhar, acenando brevemente de longe.
- Não dê as costas pra mim! – mas sua ultima manifestação de raiva foi ignorada pelo youkai lobo, que já estava longe dela.
Ayame cerrou os punhos e pisoteou o chão com força, enquanto soltava sons que ficavam entre um grito indignado e um gemido contido. Depois do ataque infantil, voltou para o quarto, acomodando-se neste. Não ia dar a Kouga o gostinho de mudar de quarto por causa dele. Suspirou, cansada e se jogou no futon, esperando que amanhã pudesse ser um dia melhor.
OoOoOoOoOoO
Eram as primeiras horas do dia e o sol já brilhava radiante lá fora. Os calorosos raios entravam pelas janelas e invadiam os cômodos de luz. Ayame, em seu quarto, sorria contente, se sentindo muito bem essa manhã, afinal, não tinha cruzado com Kouga ainda. Sentada em frente a uma espécie de penteadeira primitiva se fitava alegremente no espelho, enquanto tinha os longos e ruivos cabelos penteados por Sachiko. Perto do grande futon, Akake separava o kimono que seria usado por sua mestra neste dia.
- Penteie bem meus cabelos Sachiko, não quero parecer que fui atropelada por uma manada de búfalos. – ordenou, não tão autoritária como deveria soar.
- Ayamesama nunca ficaria assim. Seus cabelos são muito belos, ama. – respondeu a escrava, em tom amável.A youkai apenas sorriu orgulhosa para seu reflexo no espelho depois desviou o olhar para uma flor violeta que seria colocada em suas melenas cor de fogo. Ficaria linda nesse dia.
- Ohayou, ojisan. – veio cumprimentando alegremente a youkai. Usava os cabelos soltos e uma vistosa flor violeta enfeitando-os
- Ohayou Ayame. Acordou de bom humor hoje. – respondeu Inutaishou, contente em não ter que ouvir nenhuma reclamação esta manhã.
- É que está um lindo dia hoje. – sorriu abertamente. Sesshoumaru saiu de algum lugar desconhecido e passou pelos dois com seu olhar indiferente, sem dizer uma palavra, Rin o seguia sempre. – Oh, olá pra você também Sesshoumaru. – ela disse em tom irônico. O youkai ignorou-a.
Ela franziu o cenho e voltou-se para o tio, disposta a não deixar aquilo estragar seu bom humor. – Inuyashakun ainda não acordou? – perguntou com ar inocente.
- Não. – respondeu simplesmente, um tanto preocupado com o que viria a seguir, temendo que sua paz fosse ter um fim.
- Então eu vou chamá-lo. – ela disse completamente extasiada, e quase aos pulos se dirigiu em direção ao quarto do hanyou. Inutaishou suspirou e se aprontou mentalmente pra muita confusão.
Kagome surgiu, saindo da direção da cozinha e colocando algumas tigelas na mesa, que conteriam o café da manhã. Inutaishou a fitou e meneou levemente a cabeça em sinal de cumprimento, ela fez uma pequena reverência respeitosa, evitando sorrir abertamente. Quando se virou para a mesa novamente, invariavelmente acabou olhando para Sesshoumaru, quase por reflexo. O youkai fitou friamente de volta, provocando alguns calafrios na garota. Rin ao lado dele, acenou alegremente para Kagome, ela parecia ser a única a não ser afetada pelo olhar mortal do youkai. A jovem desviou rapidamente o olhar e se pôs a arrumar as coisas na mesa com o máximo de indiferença possível.
Uma leve batida se fez ouvida na porta de madeira, mas nenhum som foi ouvido de dentro do quarto, tudo estava calmo e silencioso. Ayame empurrou a porta com cautela e deslizou para dentro. Inuyasha dormia tranqüilamente em seu futon, quase invisível sobre as cobertas, alheio a tudo. A garota deu alguns passos em sua direção, parando e sorrindo consigo mesma quando o viu mexer uma orelha em direção a ela, mas sem demonstrar ter despertado. Não se segurou mais e gritou em alto e bom som:
- Inuyashakuuun, acordaaaa! – depois estampou um grande sorriso no rosto.
O hanyou se sentou no futon tão repentinamente que sentiu sua coluna estalar. Os olhos completamente abertos, e o coração ainda aos pulos com o susto. Já ia preparar as garras para atacar a pessoa mais próxima, quando viu que essa pessoa era Ayame. Imediatamente tomou uma expressão furiosa.
- Ayame, o que significa isso? – rosnou.
- Ora primo, o dia está tão lindo e você ai dormindo. Vamos, acorde. – respondeu, indiferente a raiva dele.
- Me. Deixe. Em. Paz. – falou pausadamente, entre os dentes, fuzilando-a com os olhos dourados já beirando ao vermelho.
- Ah, não seja chato Inukun – disse com pequeno sorriso. Inuyasha emburrou mais ainda diante do apelido.
- Não me chame assim!
- Ah, por quê? Fica tão bonitinho... Inukun. – acrescentou, prazerosa. O hanyou rosnou e estremeceu de raiva, os olhos ainda ardendo devido o despertar tão repentino e a forte luz que o cegou assim que os abriu, os longos cabelos prateados eram um emaranhando que mais lembrava um ninho de pássaro. Contou até dez mentalmente e repassou em sua cabeça, o que raios ele fez de tão ruim para merecer Ayame, mas nada veio a sua mente. Será que estaria pagando pelos anos em que aprontou alguma coisa e botou a culpa em Sesshoumaru? Interrompeu as divagações quando a prima lhe puxou pelo pulso, tirando-o da cama à força. Ele resmungou alguma coisa e levantou-se contra a vontade.
A youkai cruzava alegremente os corredores e alas do castelo que a levariam até a sala de refeições, o primo ia a contragosto, sendo puxado por ela. Enfim, chegando onde estavam reunidos os outros membros da família inuyoukai, se depararam com todos já sentados a mesa aguardando por eles, inclusive Kouga, que sorriu arrogantemente para a dupla. Ayame franziu o cenho para o youkai, mas foi Inuyasha que falou:
- O que ele faz aqui?!
- Ora, eu o chamei para tomar café conosco. – respondeu Inutaishou, com calma.
- Ele é um ninguém, não precisa chamá-lo! – retrucou o hanyou.
- Quem você chamou de ninguém, pulguento?! – esbravejou Kouga do outro lado da mesa, esquecendo-se de sua posição naquele castelo.
- Seu lobo sarnento! – rosnou de volta.
- Parem! – disse Inutaishou, enérgico, o tom firme não dava brechas para contestações. – Inuyasha e Ayame, sentem-se. E não quero mais ouvir discussões nesta mesa.
Os dois assim fizeram, apesar das expressões fechadas. Inuyasha e Kouga silenciosamente se fuzilavam com olhares, Sesshoumaru parecia alheio a tudo aquilo.
Kagome surgiu na porta da sala de refeições trazendo uma panela média em mãos, mas parou assim que deu uma olhada em quem estava na mesa. Entre os já conhecidos ela viu duas pessoas diferentes. Um youkai de cabelos longos e presos em um alto rabo-de-cavalo e trajando uma armadura simples parecia trocar olhares de puro ódio com Inuyasha. Do outro lado uma jovem ruiva de olhos verde-brilhantes segurava um dos braços do hanyou como se ele fosse fugir a qualquer momento – o que não era muito improvável, já que a maior vontade dele era pular no pescoço de Kouga naquele momento.
Kagome se prendeu um tempo na observação da garota. Ela usava um kimono de bonito tom salmão e seus cabelos eram quase vermelho-vivo, o que impressionou bastante a humana, que nunca vira cabelos assim antes, uma grande flor lilás estava posta cuidadosamente sobre eles. Sua atitude para com o hanyou era quase possessiva, o que ele parecia não notar no momento, por estar muito preocupado em 'batalhar' com Kouga. Ayame se sentiu um tanto incomodada e se virou para a porta, onde avistou a humana fitando-a curiosamente.
- O que está olhando? – perguntou rudemente.
Kagome se sobressaltou um pouco, Inuyasha olhou para Ayame interrogativamente antes de olhar na mesma direção que ela. Ele fitou Kagome por alguns segundos, como se fosse a primeira vez que a via. A humana se aproximou da mesa e depositou a panela nela para depois se virar para a youkai e expressar suas desculpas:
- Gomen ne, senhora. – depois levantou a cabeça e seus olhos saltaram instintivamente para Inuyasha, quem a olhava com uma expressão neutra, e por mais que tentasse, Kagome não pôde ver através de suas ações. Ela se perguntou se ele ainda estava bravo, e por que estava tão bravo afinal? Ela havia apenas lhe feito uma simples pergunta.
Ayame percebeu isso logicamente e não gostou nem um pouco. Franziu o cenho, apertando com mais força o braço do hanyou – que reprimiu um resmungo - e ordenou rudemente:
- Pode ir agora.
Kagome fez uma vênia e se retirou da sala. Inuyasha ainda a fitava. Por que ele estava agindo indiferente com ela mesmo? Nem se lembrava mais. Mas seu orgulho não permitia que simplesmente falasse com ela e lhe desse a resposta sincera a sua pergunta. Voltou-se para a mesa antes que Ayame começasse a reclamar novamente.
Kagome cruzou a porta da cozinha com uma intrigante expressão pensativa. Gostaria de não estar se importando nem um pouco com o fato daquela youkai ficar se agarrando tão presunçosamente a Inuyasha, mas apesar de não querer admitir ela havia ficado um pouco... incomodada com aquilo. Kaede viu a jovem parada com o olhar distante e estranhou aquilo:
- Kagome? Algum problema? – ecoou a voz idosa.
- Hã... não, nenhum. Mas acho que acabei de encontrar com Ayamesama. Ela e Inuyashasama parecem bem ligados, não? – perguntou em tom casual, quase desinteressado.
- Ayamesama sempre vinha aqui na infância. Por acaso era Inuyashasama que mais passava o tempo com ela, já que Sesshoumarusama parecia ignorá-la e até desprezá-la, assim como o fazia com o irmão mais novo. Talvez por isso eles não se dêem bem até hoje. – explicou calmamente.
Kagome pensou um tempo naquelas palavras e logo imaginou tanto Inuyasha como Ayame como duas crianças pequenas, quase idênticas ao que são agora, mas em miniatura. Os imaginou brincando, rindo e se divertindo juntos e um Sesshoumaru mais novo, emburrado e antipático a um canto. Sentiu um pouco de inveja de Ayame, afinal ela pareceu ter uma infância feliz a seus olhos, uma infância que nenhum humano poderia ter. Então outra figura curiosa tomou seus pensamentos e ela não resistiu em perguntar:
- E quanto ao outro youkai que vi à mesa? Ele e Inuyashasama pareciam ser inimigos.
- Aquele é Kougasama. Ele é um general e o braço direito do avô de Ayamesama. Certa vez quando seu pai ainda estava no comando, este trouxe o filho Kouga junto dele ao vir em escolta a Ayame até aqui. Assim que se viram, Inuyashasama e Kougasama se odiaram. Nunca entendi bem o porquê, mas Ayamesama pareceu tomar o partido de Inuyashasama e também pareceu não simpatizar com o filho do general... Se bem que eu diria que ela não simpatizava com ele desde sempre.
Kagome pareceu ponderar um pouco sobre aquela história, mas não tinha realmente nada para dizer em resposta. Deu um sorriso agradecido a anciã e voltou-se para ajudar a preparar o restante da refeição.
Uma porção generosa de arroz cozido tinha acabado de acertar a cara de Kouga. O youkai nervosamente limpou o rosto, vasculhando com os olhos toda a mesa, procurando pelo autor de tal façanha. Nem precisou procurar, na verdade ele sabia quem havia sido. Inuyasha fazia uma muito falsa cara inocente do outro lado da mesa, fingindo que não sabia de nada. Mas ele desfez a expressão assim que um salmão voador o acertou em cheio, ficando alguns torturantes segundos grudado em seu rosto até cair com um repugnante som molhado à mesa.
- Inuyashakun! – Ayame exclamou, preocupada.
- Como estava o peixe, Inuyashakun? – perguntou Kouga cinicamente, reforçando bastante o 'kun'.
Inutaishou pareceu finalmente ter percebido o acontecido e fitou preocupadamente entre os dois youkais. Inuyasha fervia de raiva. Passou a mão pela mesa, pegando uma tigela de shoyo e a arremessando com toda a força em Kouga, quem conseguiu desviar bem a tempo.
- Hey pulguento, foi você que começou! – retrucou Kouga depois de se recompor.
- Você vai ver quem é pulguento! – ameaçou o hanyou, estreitando mais os dourados e furiosos olhos para o youkai lobo.
Em pouco tempo se via todo tipo de comida voando em todas as direções, mesclado a gritos e ofensas lançados ao vento. Ayame se encolhia e dava pequenos gritinhos e se baixava quando uma tigela passava a centímetros de sua cabeça. Inuyasha e Kouga praticamente sumiram em baixo de uma pilha de comida jogada. Copos de sake – com sake ainda dentro – ameaçaram atentar contra a integridade de Inutaishou, que habilidosamente conseguiu desviar de (quase) todos. Sesshoumaru comia tranqüilamente, como se nada de mais estivesse acontecendo.
- Oe, parem com isso! – Inutaishou tentava gritar, mas sua voz era abafada pelo som da porcelana quebrando e dos dois youkais se atacando verbal e fisicamente.
Foi quando inesperadamente uma fatia de atum crua resolveu tomar por alvo a Sesshoumaru, a quem estava com o hashi a meio caminho da tigela. A ação do youkai se congelou imediatamente, assim como sua expressão. A fatia escorreu lentamente por seu rosto enfim caindo na mesa. Ele moveu lentamente os olhos para Inutaishou num sinal de aviso, que se ele não parasse agora com aquilo ele mesmo o faria. Mas o daiyoukai já estava perdendo a paciência bem antes disso. O rosto furioso parcialmente encoberto pela franja, as mãos fechadas em punho, tremendo ao lado do corpo, enquanto mais comida demonstrava suas habilidades aéreas diante dele.
- PAREM JÁ COM ISSO!! – explodiu Inutaishou.
Imediatamente os dois pararam a guerra de comida, ambos com a 'munição' ainda em mãos. Inuyasha engoliu em seco e fitou o pai, se arrependendo por isso, pois parecia haver uma aura demoníaca em volta dele. Kouga tentou fingir indiferença, mas o tick no olho direito demonstrava o contrário.
- Saiam. Já. Da. Minha. Frente. – disse pausadamente, tentando controlar a voz tremida pela raiva.
Sem uma palavra os dois trataram de sair bem rápido dali. Ambos estavam dos pés a cabeça cobertos de arroz, pedaços de coisas cruas e algumas outras indefinidas – que seriam melhor continuar indefinidas.
oOoOoO
O dia estava calmo...Calmo e silencioso. Era assim que Sesshoumaru gostava. Desde a explosão de Inutaishou durante o café da manhã, não se via nem sinal de Kouga e Inuyasha brigando entre si. Tudo estava quieto como um túmulo. Inspirou um pouco mais o ar, como se pudesse assim absorver aquela paz, que parecia tão tênue. Mas parece que quando percebemos alguma coisa boa, logo esta deixa de ser, como se fosse algo que não deve ser pensado ou mencionado. Assim sendo, o silêncio foi quebrado por um estridente choro de criança, vindo não muito longe dali.
- "Rin" – pensou ele, com desgosto.
Ele poderia simplesmente se resignar e não fazer nada, deixar que a humana se cansasse de chorar e parasse sozinha. Mas por outro lado ela podia estar em perigo, e se seu pai soubesse que deixou a garotinha correr algum risco, seu castigo seria bem pior que escrever em um pedaço de pergaminho. Andou sem pressa, seguindo o choro, que ficava mais alto à medida que se aproximava. Enfim avistou Rin, sentada no chão segurando o próprio joelho e se lamentando.
- Rin. –chamou com a voz grave e inexpressiva.
- Sesshoumarusama! – exclamou mais animada assim que o viu, limpando algumas lágrimas na manga do kimono.
- Por que está chorando?
- Eu...cai... – disse timidamente, reprimindo um soluço.
O youkai arqueou uma sobrancelha e olhou para o joelho que a garota mantinha entre as mãos, havia um arranhão de onde saía um pouco de sangue.
- Estava correndo por aí novamente? – era quase uma afirmação na verdade.
Ela fitou o chão, envergonhada:
- Desculpe... – pronunciou baixo.
- Então pare de chorar, é só um ferimento bobo. – disse friamente.
- Mas...é que está doendo... – ela disse com voz fraca, as lágrimas recomeçando a sair.
- Você sobrevive.
Agora a criança não se reprimia mais, voltava a chorar largamente. As lágrimas escorriam como duas cachoeiras por seu pequeno rosto, o corpo se chacoalhava vez por outra com um soluço. Sesshoumaru revirou os olhos. Aquilo lembrava muito Inuyasha quando era pequeno... e como Sesshoumaru detestava quando ele começava a chorar. Aproximou-se mais da humana e se abaixou até ficar quase a seu nível – o que era quase impossível, já que ela ainda estava sentada no chão – e fitou o ferimento, como se analisasse. Rin parou de soluçar por um instante e olhou curiosamente o que o youkai fazia:
- Não é profundo, vai curar logo. – ele disse, sendo difícil distinguir o que significava seu tom de voz.
- Acho que não consigo andar. – ela disse com voz chorosa.
- Consegue sim. – falou, em seguida se levantando. Incrivelmente ele estendeu uma mão na direção da menina.
Ela olhou por pouco tempo a mão estendida do youkai, um pouco surpreendida, mas logo a aceitou. A garotinha se pôs de pé com a ajuda dele, e ao contrário do que ela pensava, podia andar e muito bem. Apenas sentiu uma pequena dor quando esticou a perna, mas apenas soltou um baixo gemido.
Ela ainda segurava a mão dele. Estava muito feliz. Ela nunca pôde ter uma família comum, sempre fora criada por outras pessoas que não se importavam muito com ela. Agora ela sentia como se enfim tivesse uma família. Olhou para cima, procurando pelo rosto do youkai, assim que ela a fitou de volta ela deu seu melhor sorriso.
- Obrigada.
Ele nada respondeu, mas naquele momento ele sentiu uma sensação estranha, difícil de descrever. Não se esforçou então em tentar explicá-la e apenas a guardou no fundo de seu ser, onde esperaria a hora de ser entendida.
Ojiisan: tio
Ohayou: bom dia
