Disclaimer: Inuyasha não me pertence...ainda.
Peço desculpas pela demora. Mas se ainda tiver alguém lendo espero que tenha a bondade de deixar seu review no fim do capítulo, é muito fácil, apenas clique em 'submit review' e escreva seu comentário
----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Kouga acordou naquela manhã com o cheiro de mofo que ainda emanava de cada canto de seu pequeno quarto. Abriu os olhos, irritado com o odor incômodo e decidiu se levantar de vez. Caminhou preguiçosamente até onde deixava guardada sua armadura e a vestiu sem pressa, arrumou melhor os longos cabelos no rabo-de-cavalo de sempre e caminhou até a porta, torcendo para não topar com Inuyasha tão cedo. Mal terminou de puxar a porta corrediça para o lado, ouviu um grito vindo do quarto adjacente: o quarto de Ayame.
- Droga! – praguejou e correu para a porta do quarto da garota, chutando-a 'gentilmente' – O que aconteceu? – gritou assim que pôde ver a youkai.
- Mas o que diabos está fazendo? Olha o que fez com a minha porta! – ela gritou exasperada.
- Por que você gritou? – ele perguntou, atordoado.
- Oras, você é cego? Eu estou horrível, meu cabelo está uma bagunça, minha pele está parecendo que tem escamas, e acho que tenho algumas olheiras também. – disse, olhando para o espelho e analisando os próprios olhos.
- E você gritou por causa disso?? – uma veia saltou na testa do youkai – Achei que tivesse alguém te matando ou coisa parecida.
- E você tinha que arrebentar minha porta desse jeito? – retrucou olhando pra ele e colocando as mãos na cintura.
- Da próxima vez não grite por qualquer coisinha!
- Isso não é qualquer coisinha, minha aparência está arruinada e ficar neste quarto imundo não está ajudando!
O youkai parou para fitar o quarto da princesa. Era o dobro do dele, tinha decorações nas paredes, um grande espelho oval sobre uma espécie de penteadeira, e definitivamente não cheirava a mofo.
- Seu quarto é bem melhor que o meu. Mas claro que não está bom para a princesa mimada, não é? – falou sarcástico.
- Repita isso! – disse entre dentes, o rosto se convertendo numa careta raivosa.
- O quê? Princesa mimada? – repetiu com cinismo.
- Saia da minha frente! Não quero mais ver sua cara! – ela gritou para ele.
- Oh, o que a princesinha vai fazer? – desafiou, agora encostado displicentemente ao batente da porta.
- Eu... acabo com você – falou fechando as delicadas mãos em punhos.
- Queria vê-la tentar. – respondeu com um sorriso arrogante.
Ayame já fervia de raiva a essa hora, olhou para os lados procurando por algo, enfim esticou o braço e pegou vários objetos que estavam em cima da 'penteadeira' e passou a arremessá-los em Kouga, todos de uma vez. Foi uma confusão de pó de arroz, maquiagem e escovas acertando o youkai, que se protegia com as mãos em frente ao rosto e ia caminhando para trás, em direção ao corredor para sair do alcance da garota.
- O que está fazendo, sua maluca!? – gritou já do lado de fora, todo coberto de pó branco.
- Saia-do-meu-quarto!! – disse entre dentes, ainda lançando nele o que via pela frente.
O youkai não teve escolha senão sair dali antes que fosse alvejado por algo menos 'delicado' – pois a essa hora os móveis também já começavam a voar em sua direção. Ele saiu esbravejando e resmungando pelo corredor, até que sua voz sumiu à distância. Ayame suspirou aliviada por enfim se livrar de seu tormento. Depois fitou-se no espelho para constatar que ela não havia saído imune da 'guerrilha', o pó de arroz cobria parte de seu cabelo, que parecia mais despenteado que antes. Naquele momento um estridente e raivoso grito feminino ecoou por todo castelo, e acredita-se, tenha sido ouvido até bem longe dali...
Kagome se assustou quando ouviu um grito e imaginou o que poderia ser aquilo. Logo outras tantas perguntas surgiram em sua mente quando viu o youkai do dia anterior surgir coberto dos pés a cabeça de pó de arroz. O olhou como se fosse de outro planeta, esperando que talvez ele esclarecesse o motivo da gritaria. Ele finalmente se virou em sua direção, notando a humana:
- Hey você, me ajude a limpar isso aqui. – e apontou a si mesmo.
Ela piscou algumas vezes, estranhando aquele pedido, mas logo pegou um pano que estivesse mais à mão e começou, ou ao menos tentou, ajudar o youkai. Depois de muito limpar e sacudir ele estava quase normal, exceto pelos cabelos negros ainda estarem levemente grisalhos por causa do pó. Kagome espirrou algumas vezes quando uma nuvem branca se desprendeu dele depois dela ter tirado uma ultima camada de pó do ombro do youkai.
- Está tudo bem aí? – ele perguntou arqueando a sobrancelha enquanto via a garota ter um ataque de espirros.
- Hai. – respondeu assim que pôde se controlar – Mas como foi acabar todo sujo de pó de arroz? – perguntou curiosa, mas logo se arrependeu, uma escrava não perguntaria – Me desculpe, não quis me intrometer. Por favor ignore minha pergunta. – emendou rapidamente.
- Não há problemas. – tranqüilizou-a – Foi apenas um ataque temperamental de Ayame. – emburrou levemente à menção daquele nome.
- Ayamesama parece muito nervosa... – comentou casualmente.
- Ela é uma princesa mimada. – falou nervosamente – Mas... qual seria seu nome?
- Kagome... mas, por que deseja saber? – não pôde conter a pergunta.
- Para saber quem devo chamar se precisar novamente. – respondeu, com meio sorriso.
Ela apenas deu um sorriso sem jeito em resposta.
OoOoOoOo
Um youkai que só podia ser descrito como distinto, dado a sua maneira de se portar, sentava-se sobre o tatame bem no meio da grande sala. De frente para a porta, recebia primeiramente quem chegasse. O demônio de expressão fria jogou uma mecha dos longos cabelos negros para trás distraidamente enquanto aguardava por notícias de seu subordinado. Não tardou muito este surgiu à porta, logo fazendo uma respeitosa reverência ao youkai.
- Que notícias você tem para mim? – perguntou o distinto mononoke.
- O exército está cada vez mais numeroso, senhor – começou o recém-chegado – Mais ainda faltam alguns preparativos para que possam estar em batalha.
- Muito bem... E quanto ao nosso aliado? Sabe muito bem que não podemos atacar diretamente e nos expor assim. – disse calmamente.
- Sim. O clã dos onis devoradores de gente aceitou com prazer, já que têm contas a acertar com a família inuyoukai, mas eles são uma força muito pequena ante o exército de Inutaishou. Os youkais mais influentes não querem se envolver nisso, dizem que seria considerado traição já que são todos aliados.
- Entendo... – disse pensativo – Continue procurando, mas cuidado com quem for falar. Não quero que percebam o que irei fazer.
- Sim, eu sei senhor.
- Agora vá. E não falhe comigo. – falou friamente.
- Sim, Narakusama, não falharei. – respondeu levemente temeroso.
Assim que ele se retirou, Naraku se permitiu dar um sorriso malicioso. Tudo estava saindo relativamente bem e em breve ele poderia realizar seu plano. Gesticulou sutilmente para uma pequena criança ao lado, que prontamente se aproximou e prostrou-se diante do youkai. Este esticou um braço até ela e ergueu o rosto pálido e delicado para ele. A menina aparentava ter por volta de sete anos e seus cabelos eram tão brancos quanto seu kimono, seus olhos não demonstravam nenhum tipo de sentimento, eram vazios como sua alma.
- Kanna... – falou Naraku calmamente com sua voz grave – A youkai que não tem presença nem cheiro... Infiltre-se na casa do inimigo e descubra suas fraquezas e medos.
- Hai, Narakusama. – ela respondeu com uma fraca voz infantil, sem exprimir qualquer tipo de emoção. Depois ela lentamente foi desaparecendo no ar, como um fantasma, até que sumiu completamente.
Naraku sorriu consigo mesmo e deu um gole em seu sake.
- "Seu reinado não durará muito, Inutaishou..."
OoOoOoOoOoO
Inuyasha teve a súbita sensação de estar sendo vigiado. Como se estivesse sozinho e de uma hora para outra, alguém o observasse de algum lugar. Mas isso era absurdo pois não sentia cheiro de ninguém por perto e também não ouvia movimentação. Só para verificar farejou mais o ar e deu uma boa olhada em volta. Apenas uma longa cortina farfalhava magicamente ao vento frio e suave que entrava por uma janela. Nem escravas passavam por ali no momento. Decidiu então ignorar a sensação e aceitar que fora apenas fruto de sua imaginação. Voltou para sua caminhada sem pressa a aparentemente sem rumo pelo castelo.
Parou de súbito ao ver uma cena nada peculiar. Um animado Kouga conversava com uma entusiasmada Kagome; até pareciam amigos... ou outra coisa. Nesse pensamento o hanyou sentiu o sangue ferver, principalmente por que a proximidade entre eles parecia perigosamente encurtada a seus olhos. Como um raio, correu até onde a cena se desenrolava e se pôs entre a humana e o youkai lobo.
- Mas o que pensa que está fazendo? – indagou Kouga para a cara nada amigável do 'intruso'.
- Eu que pergunto. O que faz conversando assim com a Kagome? – perguntou, quase sem perceber o que dizia.
- E o que isso tem demais? – o youkai lobo ergueu uma sobrancelha, arrogantemente curioso.
- Não pode falar assim com minha escrava sem minha permissão. – disse rapidamente, ainda no mesmo tom bravo.
- Repito: e o que tem demais nisso? – agora ele começava a ficar intrigado com aquela reação.
Inuyasha pela primeira vez ficou sem uma resposta para o ookamiyoukai; parecia não ter mais desculpas pra usar. Kagome observava, muito surpresa e ao mesmo tempo confusa com aquilo, afinal, não fora Inuyasha que demonstrou que ela não passava de uma mera humana?
- Ao que me consta... – começou Kouga – Ela é apenas uma escrava, portando eu poderia facilmente comprá-la.
- Ela não está à venda! – esbravejou de volta – E fique longe dela!
- Acho que ela não é uma mera escrava pra você... – disse pensativamente.
Inuyasha engoliu em seco, Kagome o olhou com um certo fascínio. Certamente tinha algo acontecendo ali. Kouga desfez a cara pensativa e pareceu compreender alguma coisa:
- Você a quer como sua concubina, não é? – disse apontando o dedo acusadoramente.
- O quê!!? – Inuyasha e Kagome tinham os olhos arregalados ao máximo que podiam. A humana na hora enrubesceu, e não demorou muito para que o hanyou fizesse o mesmo.
- D-do que está falando, lobo idiota? – disse o híbrido, tentando recuperar sua cor original.
- E por que mais a protegeria tanto? – disse com uma incrível naturalidade.
- Ela é só minha escrava. – retrucou nervoso.
- Então não se importa em dividi-la não é? – falou Kouga, envolvendo um dos braços nos ombros de Kagome, e sorrindo arrogantemente para o hanyou. Este por sua vez cerrou os punhos e encarou o furiosamente o lobo.
Mas desta vez foi Kagome quem emburrou a cara e se soltou dos braços do youkai. Ela olhou para os dois de forma ameaçadora, eles apenas a fitavam atônitos.
- Eu não sou um objeto! Posso ser uma escrava, mas tenho sentimentos, não falem como se eu não estivesse aqui! – gritou e saiu pisando duro.
Kouga tinha a boca pateticamente aberta enquanto a via sair dali como se fogo emanasse de seu corpo. Antes que ele pudesse dizer alguma coisa, Inuyasha – que até então estava na mesma situação que ele – rapidamente seguiu a humana. O youkai lobo deu de ombros e se virou para seguir a direção oposta.
- Kagome! Venha aqui, estou mandando! – ordenava o hanyou, percebendo que sua perseguição à humana não resultaria em nada, ela não parava de jeito algum. Vendo que foi ignorado, desistiu de ser 'paciente' e num salto pousou em frente a ela.
Ela teve que parar rapidamente para que não se chocasse com ele. Desviou os olhos para o chão e apertou os punhos tentando se controlar. Inuyasha a observava de sua posição altiva de senhor do castelo, como se tudo que ele disse antes estivesse absolutamente correto. Um soluço o fez mover as orelhas para a humana, sentiu um cheiro salgado e depois viu pequenas gotas cristalinas pingarem no chão. Ela estava chorando.
- K-Kagome? – disse incerto, desfazendo a pose anterior.
Ela levou as duas mãos ao rosto e deixou que as lágrimas saíssem livremente por entre seus dedos. Inuyasha desmoronou diante daquilo, não suportava ver mulher alguma chorando, ainda mais se fosse Kagome.
- Kagome... – falou em tom mais doce, dando dois passos em direção a ela. Esta se afastou quase imediatamente.
- O que quer de mim? – perguntou com voz chorosa, ainda com o rosto escondido entre as mãos – Eu não sou só uma escrava? Eu não valho nada? Por que não me liberta então, ao menos poderei procurar pela minha família. – falou num fôlego só.
Ele sentiu como se uma adaga perfurasse seu coração. Ela a fez sofrer e agora ela queria ir embora, qualquer um iria querer. Que maneira era essa de cumprir a promessa que fez a si mesmo de sempre protegê-la?
- Você não é só uma escrava...
- Mas não foi isso que acabou de dizer a Kougasama? – perguntou nervosamente, limpando as lágrimas e o fitando.
- Eu... o que queria que eu dissesse? – retrucou bravo.
A garota franziu o cenho, com os olhos ainda vermelhos e se virou para ir embora. Foi detida por uma mão em seu braço. Ele a segurava firme para que não fugisse, mas não a feria. Ela parou, sem olhar para ele e esperou que este dissesse mais alguma coisa. Ele então começou:
- Não...
- O quê? – ela perguntou confusa, olhando pra ele novamente.
- A resposta a sua pergunta... daquele dia. Não... Não me importo que seja humana, não ligo que seja uma escrava... – ele olhava para o chão enquanto falava e Kagome se perguntou se devia mesmo acreditar naquelas palavras – E quando te vi perto daquele lobo... – continuou, fechando o punho livre – Foi como se ele estivesse tirando uma coisa muito importante de mim... – concluiu, finalmente voltando a fitá-la nos olhos.
Ela apenas o encarou durante alguns segundos eternos. Não conseguiu ver mentira ou falsidade dentro daqueles olhos dourados que a fitavam tão intensamente. Ela sentiu uma sensação quente dentro de si, uma coisa confortante em ser considerada importante para alguém. Ele soltou delicadamente o braço da humana, para que ela pudesse escolher ir embora dali ou permanecer. A humana conseguiu esboçar um sorriso fraco, mas sincero.
- Inuyashakuun!! – uma voz estridente gritou ao longe. O hanyou fez uma careta por causa do grito e do que este significava: Ayame. – Finalmente o encontrei... – a voz da jovem youkai foi morrendo ao ver quem estava com ele...: a mesma humana que ficou olhando-o durante o café da manhã. – O que estão fazendo aqui? – ela perguntou, franzindo o cenho.
- O que quer Ayame? – Inuyasha perguntou, impaciente.
- Oh Inuyashakun, o Kouga arrebentou a porta do meu quarto. Como uma moça pode ficar desprotegida assim? E minha privacidade? – disse dramática – Acho que preciso de outro quarto...
- Acho que precisa apenas de outra porta. – retrucou antes que ela terminasse de falar.
- Ah, mas eu estava pensando... se talvez não teria um quarto sobrando perto do seu... Sabe, eu realmente não quero ficar ao lado de Kouga. – falou de forma implorante.
Inuyasha arqueou uma sobrancelha. Kagome podia sentir alguns nervos aflorarem em suas têmporas. Como ela podia ser tão oferecida e cínica?
- Ora, vamos Inuyashakun, me ajude, eu sou sua prima... – implorou novamente, com os olhos marejando.
- Está bem... – assentiu o hanyou, antes que ela começasse a chorar.
Imediatamente a garota estampou um enorme sorriso. Inuyasha estava quase se arrependendo de ter aceitado. Quando o hanyou se virou para onde Kagome estava viu que esta não estava mais ali, estava já longe até que sumiu em uma porta. Ele suspirou pesadamente enquanto era arrastado pelos corredores por uma saltitante Ayame. Nas sombras, uma silhueta branca sumia como se fosse vapor condensado, deixando apenas uma brisa fria em seu lugar...
oOoOoOoOoO
Sesshoumaru virou instintivamente a cabeça para o lado quando pensou ter ouvido alguma coisa. Foi como se um sussurro levado pelo vento passasse por ele e se instalasse por detrás de alguma das colunas de pedra do castelo. Um pensamento estranho certamente, mas não mais que a sensação de não estar só. Rin, que havia se detido na observação de uma mariposa logo atrás, rapidamente o alcançou. A garota olhou curiosa para a mesma direção que o youkai, mas nada viu. Voltou sua atenção para ele, agora mais curiosa ainda:
- O que foi, Sesshoumarusama? – soou a voz infantil.
- Nada. – respondeu indiferente e continuou seguindo seu caminho. A sensação ainda não o abandonara, mas ele se manteve como sempre, confiante em si mesmo que se houvesse algum inimigo à espreita, este não seria páreo para ele. Independente disso, parecia impossível que alguém houvesse conseguido passar pela segurança do castelo e ainda pudesse escapar a seus sentidos.
Rin ainda se virou mais uma vez para onde ele olhava a alguns segundos atrás, bem a tempo de ver uma menina mais ou menos da sua idade e trajando vestes brancas sumir em pleno ar. A menina piscou algumas vezes como se tentasse tirar sujeira imaginária de seus olhos e que pudesse tê-la feito ver coisas. Sua imaginação devia estar lhe pregando peças novamente, assim como quando pensou ter visto um monstro certa vez, mas que não passava de uma sombra projetada pela luz da lua sobre um galho de árvore. Ainda assim ela pensou em falar a Sesshoumaru, mas ele parecia tão imperturbável naquele dia, e ele não gostava quando ela falava demais.
- "Não quero deixar Sesshoumarusama bravo hoje" – pensou, dando um pequeno sorriso enquanto imaginava se haveria a possibilidade do youkai brincar com ela naquele dia. 'Mais tarde' – ele havia distraidamente respondido quando ela lhe indagara sobre o assunto na hora em que ele lia atentamente alguma coisa... Será que agora era mais tarde?
--------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Oni:
youkai com forma de ogro
mononoke: a mesma coisa que
youkai
ookamiyoukai: youkai lobo
