Diclaimer: Inuyasha pertence a Rumiko Takahashi, eu apenas o emprestei dela.
O sol do meio-dia açoitava a grande casa da família kitsune. Quase poderia ser chamada de mansão, mas não eram tão ricos assim, não tanto quanto tantos outros youkais mais importantes. Não obstante, os kitsunes eram conhecidos por seus poderes mágicos que poderiam facilmente iludir até mesmo youkais superiores, e claro à sua capacidade de se transformar. Não era por nada que diziam que eram excelentes espiões. Tomando a forma de seus inimigos, passavam desapercebidos por praticamente qualquer lugar.
De dentro da casa ouviam-se risos alegres e alvoroço. A maioria das escravas não se agradava muito das brincadeiras do mais jovem da família, com exceção de uma delas:
- Vem Sango, é sua vez de me pegar. – gritou o pequeno youkai ruivo, se aprontando pra começar a correr de novo.
- Espere um pouco Shippousama, preciso recuperar o fôlego. – arfou Sango, se apoiando a uma parede.
- Você se cansa fácil demais. – se gabou o pequeno.
- E a sua energia parece inesgotável. – ela respondeu com um sorriso cansado.
- Está bem, eu lhe darei uma vantagem. Mas depois eu cobrarei de outra maneira. – disse, friccionando as mãos uma na outra como se tramasse alguma coisa.
- Isso não é justo. – retrucou com expressão ofendida.
- A vida não é justa minha cara. – respondeu astutamente.
Uma escrava mais velha passou por eles com um olhar reprovador, e este recaía especialmente sobre Sango. Ela certamente devia achar que aquela não era a conduta certa de uma escrava, mas a garota de cabelos castanhos não se importava com isso, afinal, eram 'ordens' de seu pequeno mestre.
- Shippou. – chamou uma voz grave.
O garoto olhou para a figura esbelta se aproximando e Sango imediatamente fez uma longa reverência ao mesmo. O youkai possuía os mesmos olhos e cor de cabelo que Shippou, tinha um porte respeitoso e altivo. Ele se aproximou do filhote e, abaixando-se até ficar quase a sua altura, afagou afetuosamente seus cabelos cor-de-fogo. Ele tinha um sorriso gentil no rosto, e provocou um sorriso de contentamento no jovem youkai:
- Estava brincando com Sango outra vez? – perguntou, com voz carinhosa. O filhote assentiu com a cabeça e um grande sorriso. – Dê um pouco de paz para ela, você sabe que ela não tem essa energia toda.
- Humpf. – fez pouco caso.
- Agora quero te pedir uma coisa. – disse sério – Um youkai importante virá aqui, e apenas quero que fique quietinho, entendeu?
- Mas eu sempre me comporto, chichiue. – respondeu com ar inocente.
- Assim como na vez em que você colocou pimenta no chá do general Tanuki? – disse entre apreensivo e divertido. – Sango, cuide para que ele não faça nenhuma travessura. – falou, dirigindo-se a escrava.
- Sim, Atsushisama. – respondeu ela de imediato. O filhote apenas emburrou a cara, frustrado.
- Shippousama, não vá por aí por favor. – Sango corria atrás do youkai desesperada. Ele corria dela, indo na direção em que a visita deveria estar conversando com o pai do pequeno kitsune. Haviam chegado dois youkais ao invés de um, ambos se apresentaram e em seguida se digiram para a sala de reuniões. E Shippou estava indo pra lá.
- Ah Sango, eu só quero ver quem é. – se justificou.
Logo o pequeno chegou a uma porta entreaberta e olhou pela fresta com curiosidade. Sango parou logo atrás dele.
- Shippousama, seu pai lhe disse para se comportar. – ela sussurrou para que só o garoto a ouvisse.
- Mas eu não estou fazendo nada de mais. – respondeu sem tirar os olhos das duas figuras sentadas no chão em posição de lótus.
Por algum motivo Atsushi precisou sair do aposento deixando os dois youkais sozinhos. Sango desistiu de tentar tirar Shippou dali e ficara apenas ao seu lado para que não fizesse nenhuma travessura. Ela pôde reparar então que um dos youkais era também um kitsune, mais precisamente irmão de Atsushi; o outro lhe era desconhecido. Um dos youkais olhou em volta para ter certeza de que estavam sozinhos, e então se dirigiu ao outro:
- E então, onde ficam guardados os pergaminhos sagrados? – perguntou num tom de voz baixo.
- Ficam muito bem guardados, mas eu sei como chegar até eles. – respondeu o kitsune.
Sango parou para prestar atenção àquela conversa.Tinha alguma coisa errada ali. Ela agradeceu mentalmente por Shippou conseguir fazer silêncio o tempo todo.
- Precisamos fazer isso discretamente... – sussurrou o youkai desconhecido – Tem mesmo certeza que o segredo da mágica das raposas está contido nesse pergaminho? – indagou um tanto cético.
- Está duvidando da minha palavra? – retrucou, enervado.
- Está bem... – disse elevando as mãos em frente ao peito em gesto de redenção – Mas como vamos pegá-lo?
- Tenha calma, só estamos analisando as defesas por enquanto. – disse calmamente, tomando um gole de chá;
- E eu que achei que você conhecia tudo por aqui... – tinha um meio tom decepcionado-irônico – Mas... você não se sente mal em entregar os segredos do seu clã?
- Quando perceberem que Atsushi deixou que roubassem os pergaminhos sagrados, obviamente vão começar a desconfiar de sua liderança. Para tanto eu estarei aqui, como uma torre forte, como um líder nato que deveria ter sido desde sempre. – respondeu num tom levemente ressentido, mas sorrindo maliciosamente depois.
- Ora, mas que irmão... – a ironia sumiu ao confrontar a face séria do kitsune. Resolveu mudar de assunto – Mas espero ter minha recompensa quando o império de Inutaishou enfim cair.
Sango estava atordoada com tudo aquilo. A boca estava pateticamente aberta em espanto. O irmão de Atsushisama, o líder do clã kitsune, tramando contra o próprio irmão e traindo sua raça. O que seria dela sem a família que tão ternamente lhe acolhera quando mal achou que sobreviveria a Goshinki? Shippou parecia igualmente estarrecido. Sua cabeça estava confusa, será que ele tinha ouvido direito? Seu tio, um traidor? O pequeno sentiu seu estômago revirar por um instante. Numa distração ele esbarrou na porta fazendo o rangido percorrer toda a sala deveras silenciosa.
Ambos os youkais fitaram a porta com os olhos estreitos e rapidamente levaram as mãos as katanas, se preparando para acabar com qualquer possível espião. Sango ficou rígida e prendeu a respiração por um instante, como se pudesse com isso apagar sua presença. Rapidamente ela segurou Shippou firmemente como aviso para que ficasse imóvel.
Passos foram ouvidos do lado de fora da sala e logo Atsushi surgia pela outra porta do aposento, fazendo com que os youkais se sobressaltassem e desfizessem as poses ofensivas quando perceberam de quem se tratava.
- Desculpem a demora, tive alguns assuntos urgentes... – se explicou.
Sango percebeu a deixa e silenciosamente se afastou da porta lateral, levanto Shippou consigo.
OoOoOoOoO
O dia estava quente. Era a única coisa que Kagome podia pensar no momento. O sol do começo de tarde batia impiedosamente sobre o castelo e talvez a cozinha não fosse um dos cômodos mais arejados do castelo, ainda mais por ter o teto mais baixo. Seria melhor sair um pouco. Mas lá fora devia estar mais quente, ela pensava com desânimo... Antes que tomasse coragem de realizar seu intento, ela visualizou de esguelha alguém chegar à porta. Virou-se preguiçosamente para a figura, imaginando que poderia ser Kaede. Surpreendeu-se com Kouga fitando o interior da cozinha, curioso.
- Kougasama. O que faz aqui? – indagou, se levantando.
- Vim procurar alguma coisa para comer. Não há mais nada por aqui. – respondeu naturalmente.
- Talvez eu possa preparar alguma coisa para o senhor. – convidou com um pequeno sorriso. O youkai se prendeu por um segundo na observação da humana e logo assentiu.
Ela cozinhava alguma coisa, mas ele não se importava muito com o quê. De repente se tornou muito interessante assistir seus movimentos delicados e precisos. Ele se lembrou da reação de Inuyasha em vê-lo conversar com a humana. Ainda não entendia por que ele se importava tanto, mas agora parecia haver um motivo pra tanto cuidado. Ayame nunca seria gentil como ela.
O calor agora parecia pior, ainda mais perto do fogo, e pequenas gotículas de suor escorriam pelo seu rosto. Realmente precisava se refrescar um pouco. Olhou com o canto do olho para ver Kouga sentado a mesa, ele não parecia incomodado com o calor, talvez por ser youkai. Ele então olhou para a humana e sorriu enigmaticamente. Ela rapidamente voltou a olhar para o que estava fazendo, um pouco corada.
OoOoOoOoO
- Sango, você ouviu o que eu ouvi? Não pode ser verdade... – falava Shippou, aflito.
- Sim, eu ouvi Shippousama. Não foi um engano. – assentiu pesarosa.
- O que vamos fazer? Temos que contar ao papai.
- Sim. – concordou. – "Espero que ele acredite em nós..."
oOoOoOoOo
Ayame se esparramava preguiçosamente sobre seu novo futon de seu novo quarto. Este agora era bem perto do quarto de Inuyasha. Agora não teria mais que olhar para a cara de Kouga cada vez que saísse do próprio quarto e se caso algum youkai a atacasse durante a noite seu primo a salvaria, sem dúvidas. Sorriu para si mesma e se levantou do futon indo pra frente do espelho. Fitou a própria imagem um tempo, se perguntando se ele a acharia bonita. Todos sempre diziam que era linda, mas ele nunca lhe havia feito nenhum comentário. Sorriu tristemente e pegou um pente que passou vagarosamente em casa mexa. Normalmente Sachiko faria isso, mas dessa vez decidiu fazer por si própria.
De repente a imagem daquela humana veio a sua mente. 'Por que ela estava conversando com Inuyasha? E por que eles se olhavam daquela forma tão...' Não ousou pensar em uma palavra para descrever a cena. Meneou a cabeça espantando esses pensamentos. Ela era uma princesa e aquela humana era apenas uma escrava. Isso devia contar para alguma coisa não é? Mas ainda assim não era hora de se acomodar:
- "Preciso dar um jeito nela." – pensou determinada.
- Isto está muito bom. – elogiou o youkai lobo enquanto comia o que a humana havia preparado. Ela havia feito uma espécie de sopa rápida de oden com alguns ingredientes básicos.
- Que bom que gostou. – respondeu sorrindo e limpando uma gota de suor da testa.
- Está se sentindo bem? – perguntou ao ver como ela parecia meio arfante.
- É que está muito calor aqui... Não acha? – mas ela já imaginava que ele não estaria sofrendo como ela.
- Não muito na verdade... Vamos ao jardim, deve estar mais fresco lá. – convidou levantando-se.
- Ah... Não sei se devo... – disse incerta de que poderia sair assim.
- Se alguém perguntar alguma coisa: fui eu quem te mandou vir junto. – insistiu.
- Tudo bem. – aceitou, pressionada pelo calor abafado daquela cozinha.
O corredor, assim como o resto do castelo, percebeu Kagome, não estava tão quente quanto o cômodo anterior. Logo eles já estavam no jardim. Batia uma brisa suave e as árvores proporcionavam uma sombra fresca. Caminharam pelo corredor cercado de sakuras, Kagome aproveitando cada brisa que a atingia e esvoaçava seus cabelos com aquela maravilhosa sensação de liberdade,...ainda que ilusória. Kouga ficara calado o tempo todo apenas observando. Às vezes ela parecia esquecer da presença dele, o que ele achava bom, pois assim ela agiria com mais naturalidade.
Ayame chegou à porta que dava ao exterior do castelo e fitou por um tempo o extenso jardim sombreado, achando uma ótima idéia caminhar um pouco. Mas, logo ela viu, alguém já havia pensado nisso. Abriu um sorriso malicioso e voltou a entrar, tinha que encontrar uma pessoa.
oOoOoOoOoO
- Mas é verdade chichiue, eu ouvi eles falarem. – insistiu Shippou, suplicante.
- Shippou, não me venha novamente com suas histórias. – suspirou Atsushi. Seu filho sempre tivera imaginação fértil e grande habilidade para contar histórias incríveis e, claro, nada verdadeiras.
- Mas é verdade, a Sango também ouviu. – retrucou e lançou um olhar suplicante à Sango, em busca de apoio.
- É verdade Atsushisama. – assentiu a humana, curvando-se levemente e olhando pra baixo em sinal de respeito.
- Você também Sango? – indagou incrédulo – Agora está fazendo parte dessas fantasias de meu filho? – a garota não respondeu – Hisashi é meu irmão, fomos criados juntos, ele nunca faria isso comigo.
- Mas – começou Shippou, porém não pode chegar ao final da frase.
- Não quero mais ouvir isso. A menos que possa provar o que disse não posso pôr meu próprio irmão em investigação. – disse firme.
- Hai, chichiue. – abaixou o olhar, dando-se por vencido.
- Como prova de suas intenções, até nos deram esse presente – o youkai deu dois passos para o lado, dando visão a um humano parado um pouco mais atrás dele. O jovem caminhou até ficar quase ao lado do youkai – Esse é Miroku. É o novo escravo desta casa. Mostrem tudo a ele e não o influencie com suas histórias Shippou. – disse, dirigindo-se ao filho.
O pequeno apenas emburrou a cara, sem responder. Atsushi saiu e deixou-os ali, sobre advertência de não falarem mais sobre o assunto anterior. O humano se aproximou de Sango e sem cerimônias tomou sua mão e depositou um beijo na mesma.
- Sou Miroku a seu dispor. Como se chama, bela dama? – perguntou, galante.
Ela olhou para ele, um pouco surpresa pela cortesia e respondeu – Sango.
- Que belo nome. Bastante apropriando eu diria. – sorriu misteriosamente.
Sango corou um pouco com aquilo, era a primeira vez que a tratavam daquela maneira. Shippou, que fora totalmente ignorado estava ao lado observando tudo e tinha expressão desconfiada. – Sango, ele foi presente de meu tio e daquele outro youkai... será que não é um espião? – e ergueu uma sobrancelha para o humano, que ainda segurava a mão da garota.
- Será? – duvidou ela.
- Do que estão falando? – ele indagou, aparentemente confuso. Enquanto isso sua mão livre escorregava discretamente para trás da jovem.
- Não se faça de desentendido. – retrucou Shippou, na defensiva.
- Calma, Shippousama. Ainda não temos certeza se ele – ela parou no meio da sentença quando sentiu uma mão acariciando lugares impróprios. Uma veia saltou em sua testa e seu rosto se converteu numa careta que assustou até Shippou. Um sonoro tapa ecoou pela mansão toda e logo havia um Miroku com uma marca vermelha em forma de mão no rosto e uma vermelha e furiosa Sango fuzilando-o com os olhos – Ele é um espião, com certeza! – concluiu.
Shippou parecia meio assustado ainda e Miroku alisava o próprio rosto, com expressão abobada:
- Ow, como você bate forte. – murmurou dorido – O que tanto falam de espião hein? – perguntou curioso.
- Você não sabe mesmo? – interrogou o kitsune.
- Não faço nem idéia. – respondeu honestamente.
- Talvez ele esteja dizendo a verdade Sango.
- Eu não acredito. – ela disse, com os braços cruzados em frente ao corpo e lançando um olhar desconfiado ao rapaz.
Ele sorriu sem graça. Seria difícil conquistar a confiança dela.
OoOoOoOoOo
- O que é Ayame? – perguntou o hanyou cansado. A prima o arrastara pelos corredores (como sempre fazia) e o levara ao jardim sem dizer o motivo.
- Oras, só quero dar uma volta com meu priminho – respondeu inocente – Está um dia tão ensolarado... E olhe, até Kouga e 'aquela humana' estão por aqui. – comentou como quem não quer nada.
O hanyou olhou para o mesmo lugar que a youkai e viu à uma certa distância Kouga caminhando ao lado de Kagome, e cada vez o youkai lobo se aproximava até que passou um braço pelos ombros da garota, que pareceu ficar tão sem jeito que não teve reação imediata. Imediatamente Inuyasha correu até estava o 'casal' parando bem em frente a eles, deixando-os um tanto surpresos... ou ao menos Kagome. Ayame rapidamente o alcançou ficando ao seu lado, olhou para a cena com expressão infantilmente inocente.
- O que quer agora cara-de-cachorro? – perguntou Kouga, com fastídio. Kagome parecia paralisada.
- Eu já não disse para ficar longe dela? – rosnou.
- Ora, mas ela quis vir comigo, não é Kagome? – e apertou mais o abraço em volta de seus ombros e sorriu arrogantemente para o hanyou.
Inuyasha olhou interrogativamente para Kagome. Ela hesitou e gaguejou um pouco:
- Eu... Estava calor... eu só queria sair um pouco... – confessou, ainda sem saber o por quê de ficar nervosa, afinal não estava fazendo nada errado.
- E claro que ela quis vir comigo – cutucou Kouga. A humana não respondeu.
- "Nada do que eu disse pra ela ontem fez sentido" – ele pensou com certa mágoa. De raivosa, sua expressão ficou séria.
- Que coincidência, nós também dávamos uma volta, não é Inukun? – disse Ayame, abraçando o hanyou.
Para a surpresa e total delírio dela, o hanyou passou um braço em torno de sua cintura ao invés de empurrá-la. Extasiada olhou para ele, mas constatou que ele não tirara os olhos de Kagome, que o fitava igualmente magoada. A youkai franziu o cenho:
- Ne, vamos deixar eles aí. – ela disse, puxando o híbrido pelo pulso. Ele a seguiu, ainda que um tanto relutante, mas não sem antes lançar outro olhar desconfiado a Kagome. Esta por sua vez suspirou profundamente, indicando seu cansaço por sempre acabar nessa mesma situação com o hanyou.
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- E essa é a sala de chá. – apresentou Sango, que mostrava cada cômodo ao recém-chegado Miroku. Ele observou silenciosamente, como havia feito até então. Virou-se então para a humana para constatar novamente que ela parecia preocupada com alguma coisa, sua mente parecia estar em outro lugar. Havia estado assim o dia todo. Falava tudo automaticamente como se fosse programada para isso, no entanto não parecia prestar a menor atenção no que dizia e tinha sempre o olhar meio distante.
- Está preocupada com alguma coisa Sango? – perguntou por fim.
- Hã..? – murmurou saindo do estupor – Não é nada. – desconversou.
- Vamos, pode me dizer. Não sou nenhum espião.
- Então por que está aqui? – perguntou, desconfiada.
- Bem... na verdade... – começou, fazendo uma falsa cara sem-jeito – É que eu cantava todas as moças bonitas que entravam na loja do meu antigo dono. Ele cansou da minha atitude e aproveitou essa visita pra me dar de presente para Atsushisama. – finalizou sorrindo pateticamente.
- Parece que ganhamos uma maldição. – disse cinicamente.
- Minha mão que é amaldiçoada. – fez fingida voz de súplica.
- Sei... – irônica – Mas talvez você possa estar dizendo a verdade. Ao menos eu não duvidaria nada.
O jovem pareceu um pouco descontente com a ultima afirmação mas não disse nada em sua defesa – não havia nada que pudesse ser dito – porém não desistiu de tentar saber o problema da garota:
- Por que não me conta o que te aflige? Talvez eu possa ajudar. Sabe, um velho escravo de meu antigo dono era um monge e me passou muitos de seus ensinamentos. – fez cara de sábio.
- Você? Um monge? Só pode estar brincando. – respondeu, incrédula.
- Sou um servo de Buda. – pronunciou solene, enquanto sua mão ia discretamente para áreas proibidas.
A garota deu um grito ao sentir ser apalpada e rapidamente deu um forte tapa na face do monge, deixando ali uma marca vermelha com cinco dedos bem marcados.
- Servo de Buda uma pinóia! – gritou exasperada.
- Essa minha mão é amaldiçoada, não disse? – falou dramaticamente enquanto segurava a mão direita com a outra e a olhava horrorizado, como se visse alguma criatura do outro mundo nela.
- Você é impossível – suspirou cansada.
Kitsune: raposa
chichiue: pai
futon: espécie de colchão colocado no chão para dormir
