Disclaimer: Inuyasha não me pertence, pertence à Rumiko Takahashi... infelizmente.
Shippou estava sentado no muro parcialmente quebrado do outrora grande castelo de Inutaishou, pensativo, impaciente. Atrás dele, todos se esforçavam para reconstruir a fortaleza destruída. Sango e Miroku também ajudavam, em especial para tratar dos feridos que restaram da batalha. Kaede rezava pelos mortos que já haviam sido quase todos enterrados, com muita tristeza no coração. Mas o que todos sentiam por igual era ansiedade e preocupação pela partida dos dois irmãos que até aquele momento não haviam dado sinal de retorno.
O pequeno youkai raposa sempre os ficava esperando, fitando os céus como se a qualquer momento fossem surgir do nada. Agora não era diferente. Mas dessa vez, enquanto encarava o infinito céu azul, ele viu uma criatura grande se aproximar. Rapidamente se levantou em alerta e estreitou os olhos tentando ver mais longe. Ele vislumbrou um enorme cão branco carregando duas pessoas em suas costas.
- Eles voltaram! Eles voltaram! – Shippou pulava e gritava, tentando chamar a atenção de alguém.
Sesshoumaru pousou no chão e Inuyasha saltou com Kagome.
- Valeu Sesshoumaru. – o hanyou agradeceu ao cão gigante.
- Essa foi a primeira e última vez. – ameaçou, mostrando os dentes afiados.
A essa hora já havia várias pessoas em volta deles. Sango foi uma das primeiras a abrir caminho entre a pequena multidão.
- Kagome!!!
- Sango!
Sango deu um abraço caloroso na amiga, que apenas soltou um gemido.
- O que foi? Você está ferida? – a amiga a soltou imediatamente.
- Um pouco... Parece que a jóia não me curou também. – ela sorriu sem graça. Sango não entendeu muita coisa, mas estava muito contente em rever a amiga. Miroku apareceu também, com Shippou nos ombros.
- Que bom que trouxe a Kagome junto. – disse Shippou em tom de cobrança.
- Isso mesmo pirralho. E também vinguei seu pai. – o kitsune tentou não demonstrar sua felicidade, mas era quase impossível, Miroku riu da infantilidade daqueles dois.
Inutaishou também não tardou em aparecer. – Que bom que voltaram. Estava começando a achar que não tinha mais herdeiros. – disse, sempre brincalhão.
- Se não fosse a Kagome, você teria um a menos. – alfinetou Sesshoumaru. O pai arqueou uma sobrancelha e Inuyasha fuzilou o irmão com os olhos.
- Bem... – Inutaishou mudou o rumo da conversa – Fico feliz que esteja de volta. – disse, e sorriu para Kagome. Ela retribuiu o sorriso na mesma medida.
- E eu estou feliz em ter voltado.
Inuyasha olhou e estranhou que o meio-irmão parecia meio distante, até um pouco nervoso. Então lembrou-se:
- Pai, Shiromaru chegou aqui com a garotinha? – Sesshoumaru jamais mostraria preocupação com uma humana, mas certamente era isso que o incomodava.
- Ah sim, Rin já foi tratada e está descansando. Kaede deve estar com ela agora. – mal terminara de falar, Sesshoumaru saiu sem dizer nada e se dirigiu ao interior do castelo.
- Ele estava preocupado. – disse Inuyasha, sabendo que o irmão ouviria. Ele quase se arrependeu depois do olhar que recebeu deste.
- Vamos entrar, quero que me contem como derrotaram Naraku. – convidou Inutaishou.
- Como sabe que derrotamos ele? – indagou o hanyou.
- Se não o tivessem derrotado não estariam aqui. – respondeu simplesmente. Inuyasha não gostou muito da resposta óbvia, mas não refutou. Sem dizer nada, pegou Kagome no colo e seguiu os demais para dentro. A garota corou levemente, mas aceitou a carona de bom grado, afinal, ela também tinha ferimentos a serem tratados.
[...]
Sesshoumaru parou no meio do corredor quando se deparou com a porta do quarto de onde o cheiro de Rin emanava mais forte. O cheiro de sangue dela ainda infectava o ar, mas o cheiro de morte havia lhe deixado. O youkai olhou para a porta corrediça, perguntando-se por que estava ali, e do motivo por que hesitava. Sem mais, abriu a porta e parou na soleira desta. Kaede se virou para ele e abriu um grande sorriso.
- Bem-vindo de volta, Sesshoumarusama. – ele não respondeu, como ela já previa. Ele apenas fitava fixamente a garotinha deitada naquele futon, adormecida. Kaede gostaria de perguntar se Inuyasha havia voltado com ele e se Kagome estava bem, mas sabia que ele não responderia nenhuma de suas perguntas. Reparou porém, em onde se dirigia o olhar dele.
- Ela vai ficar bem, apesar de ter sido ferida gravemente. Se Shiromaru não a tivesse trazido com rapidez, talvez ela não tivesse resistido. - ela levantou-se calmamente e dirigiu-se na direção da porta - Já terminei os cuidados dela. Vou ver como estão os outros. - Sesshoumaru deu espaço para a senhora, que lhe fez uma pequena reverência e saiu, deixando-o a sós com Rin.
Alguns minutos se passaram, em que o youkai apenas observava a pequena em seu sono tranqüilo. Ele se perguntou novamente por que estava ali afinal. Ia virando-se para partir, mas notou que o sono da menina ia se tornando agitado, ela parecia estar tendo um pesadelo e tinha uma expressão angustiada. Sesshoumaru se aproximou lentamente e abaixou-se perto dela. Levou uma das mãos na altura da testa de Rin, na tentativa de ver se tinha febre. Nesse momento ela abriu lentamente os grandes olhos castanho-claros.
- Sesshoumarusama. – ela sorriu contente. Ele retirou a mão de sua fronte e a fitou, sério como sempre.
- Não levante. – avisou quando ela tentou fazê-lo – Ainda não se recuperou.
Ela sorriu de novo e inesperadamente, aproveitando sua proximidade, enlaçou os pequenos braços em torno do pescoço de Sesshoumaru, dando-lhe um caloroso abraço.
– Obrigada por me salvar Sesshoumarusama. Eu sabia que viria.
Ela, em sua infantil inocência, não percebera o que havia causado no youkai. Nunca alguém além de sua há muito falecida mãe o havia abraçado ou tido qualquer demonstração de carinho semelhante, a não ser quando era criança, e isso fora a tanto tempo que mal se lembrava. O fato era que Sesshoumaru não costumava e não gostava de mostrar seus sentimentos, e muitos acreditavam que ele nem sequer os tinha. E de repente uma criança humana o deixa totalmente sem ação com um gesto tão simples. Mas de alguma maneira ele se sentiu compelido a retribuir, mas a sua maneira. Ele então colocou uma mão sobre a cabeça da jovem e fez um pequeno afago. Rin nunca fora tão feliz.
OoOoOoOoO
Kagome já havia sido cuidada por Kaede, que lhe tinha feito os devidos curativos. Ela havia ficado muito triste em descobrir que Tsubaki e tantas outras humanas haviam morrido naquele ataque comandado por Naraku. Mas agora tinha um motivo para se alegrar. O youkai maligno finalmente havia sido derrotado e agora não faria mais mal a ninguém. Os esclarecimentos sobre o que levou os humanos a traírem os youkais logo chegariam a todos e a escravidão teria fim. Claro que levaria um tempo, mas no comando de Inutaishou, um dia todas as pessoas seriam livres e talvez tanto humanos quanto youkais poderiam viver em paz novamente.
Só havia uma coisa a incomodando agora. Na verdade a deixara curiosa. Fora o fato de Inuyasha ter vindo ver como estava, e no processo ter lhe feito diversas perguntas, como: seu sobrenome (que escravas normalmente deveriam abandonar) e de onde viera, o que se lembrava de antes de ser capturada e vendida como escrava. Ela achou aquilo muito estranho, mas o hanyou não quis lhe contar o porquê de tantas perguntas, apenas disse que seria uma surpresa.
Ela ainda pensava nisso quando ouviu o som da porta e alguém adentrou o aposento. Se virou para ver quem era e abriu um sorriso ao ver Sango. A amiga entrou e sentou ao seu lado, parecia um pouco agitada e ansiosa, como se quisesse contar alguma coisa muito importante.
- Como está? – perguntou antes de mais nada.
- Estou bem, obrigada. Kaede obaachan é muito boa com curativos – respondeu Kagome. Ela não demorou em notar a diferença no comportamento da amiga – O que foi Sango?
- Ai Kagome, eu não sei o que fazer. – ela parecia um pouco aflita – Eu me sinto estranha quando estou perto do Miroku. De uns tempos pra cá eu fico meio nervosa perto dele, e meu coração bate tão rápido. – ela ficou um pouco corada enquanto contava isso, e depois soltou o ar como se tivesse acabado de tirar um enorme peso das costas. Kagome sorriu mais ainda.
- E você quer estar o tempo todo ao lado dele e não sabe o por quê? – perguntou, acrescentando mais informação.
- Sim.
- Eu sinto o mesmo quando estou perto de Inuyasha. – ela sorriu docemente para a amiga, também levemente corada. Naquele tempo os sentimentos eram coisas muito reservadas, mas não para sua melhor amiga logicamente. Sango pareceu um pouco surpresa, mas logo depois fez cara de quem tinha descoberto alguma coisa que só ela havia percebido.
- Ahá, sabia que tinha alguma coisa entre vocês. Eu tinha certeza.
Kagome coçou a cabeça sem jeito:
- Mas Sango, você acha que o Miroku também gosta de você?
- Não sei... – ela abaixou o olhar, meio triste – Ele corteja toda garota que passa na frente dele.
- Talvez esteja só tentando chamar sua atenção. – arriscou.
- Não acho...
- Talvez se você contasse pra ele o que sente, ele poderia revelar que na verdade também gosta de você mas não tinha coragem de dizer. – Kagome tentou anima-la, num tom alegre, mas Sango ainda parecia pouco otimista.
- Eu não consigo... Não posso contar.
- Eu estarei lá pra ajudar. – ela tomou as mãos da amiga nas suas e sorriu confiante.
- Obrigada, Kagome.
[...]
- Foi uma história incrível, não acha Inutaishousama? – perguntou Kaede, mencionando o que o hanyou havia lhes contado com a ajuda de Kagome.
- Certamente Kaede.
- Mas como a Shikon no Tama estava dentro de Rin é que não entendo... – a anciã alisou os cabelos brancos, pensativa - Kagome tem poderes por ser provavelmente descendente de sacerdotisas, mas a pequena Rin não parece ter qualquer habilidade especial.
- Apesar de não ter poderes, não há muitas crianças tão puras quanto ela. – respondeu o lorde youkai, calmo como sempre – Essa pureza permitiu que a jóia ficasse escondida e a salvo da energia maligna de algum youkai. Isso a permitiu ficar por tanto tempo incógnita.
- Então... quer dizer que a jóia foi propositalmente colocada nela?
- É provável. Mas a jóia também pode ter escolhido entrar no corpo dessa menina para fugir dos confrontos pela sua posse.
Kaede pensou um pouco e viu que fazia sentido, afinal, Kagome dissera que a Shikon no Tama tinha consciência e até vontade própria. Mas outra questão surgiu:
- Inutaishousama.... por acaso sabia da existência da jóia em Rin quando a escolheu para Sesshoumarusama cuidar?
- Como poderia saber Kaede... – ele sorriu enigmático – Não tenho poderes de sacerdotisa.
A velha senhora arqueou uma sobrancelha. Inutaishou era certamente um youkai muito admirável, mas também muito misterioso. Ela imaginava que mesmo que vivesse ao lado dele por mais cem anos não o entenderia perfeitamente. Mas ela se sentia feliz em tê-lo conhecido, não fosse por ele ela nem estaria viva agora. Ela sorriu de volta para ele:
- Tem razão, como poderia saber.
[...]
Miroku se ocupava em fazer absolutamente nada. Desde que viera para o castelo de Inutaishou, seu tempo ocioso era freqüente, já que nenhuma ordem era lhe dada. Ele achava que talvez fosse por ser escravo de Shippou e não do dono da mansão. Mas para ele não era nada mal ficar o dia todo sentado na varanda, olhando as belas escravas passarem para lá e para cá, e ter a chance de jogar suas cantadas para cima delas é claro.
O pseudo-monge olhou novamente para as nuvens passando sem pressa pelo céu azul. Alguns passos se fizeram audíveis atrás dele e logo pararam ao seu lado. Ele podia ver pela sombra que era uma mulher que estava prostrada ali. Acompanhou todo o contorno da figura ao seu lado até chegar em seu rosto e então reconhecê-la:
- Ah, Sangochan, que bela surpresa vê-la aqui. – cumprimentou feliz
- Ah – exclamou apenas, corando com o comentário. – O que está fazendo? – perguntou antes que ele notasse seu rubor.
- Nada, na verdade. – disse, dando de ombros.
- P-posso sentar aqui?
- Claro. – sorriu mais abertamente ainda. Sango assim fez, e se sentou ao lado do jovem, que a fitava curioso. Isso a deixava ainda mais nervosa. Suas mãos, juntas sobre o colo, tremiam como se estivessem enfrentando o pior dos invernos, seu rosto ficava cada vez mais púrpura e seu coração pulava em seu peito. Olhou discretamente para trás e viu Kagome, escondida atrás do batente da porta, esta lhe fez um sinal positivo para que fosse em frente. Miroku continuava esperando ela dizer alguma coisa quando novamente olhou para ele.
- E-Está um dia bonito não? – ela se bateu mentalmente depois disso. Que começo de conversa era aquele?
- Está sim... – ele respondeu mirando o céu e depois voltando a fitá-la – Mas não tão bonito quanto você. – ele deu outro de seus sorrisos conquistadores. Sango se sentiu corar novamente, mas suas sobrancelhas se franziram levemente. Ela sabia que Miroku era metido a Dom Juan, o que tornava difícil saber o quanto do que ele dizia era sincero e quando era apenas outra de suas tentativas de encantar uma jovem bonita e tola suficiente para cair em sua lábia. E não eram poucas.
- Se pensa que me elogiando eu não vou te bater quando você passar a mão em mim, está enganado. – ele mais que depressa puxou de volta a mão que estava suspeitosamente se encaminhando para algum lugar atrás da garota. Coçou a nuca, com um sorrisinho bobo:
- Você me conhece bem, Sango.
Sango suspirou, decepcionada, porém mais calma que antes. Começou a pensar se tudo aquilo não era em vão, se ela não estaria jogando seus sentimentos fora por alguém que não valia a pena. Olhou a paisagem que continuava bela como um retrato, alheia à cena que se desenrolava naquela varanda em um fim de tarde qualquer.
Miroku a observou atentamente, vendo como ela parecia ignorar sua presença agora. Ele sorriu internamente ao constatar para si mesmo que não mentira anteriormente. Sango era realmente linda, com sua pele delicada e branca, seus longos cabelos cor de avelã assim como seus olhos amendoados, sua personalidade forte e ao mesmo tempo tão doce.
- Sango... – o chamado a fez sair dos devaneios e novamente encará-lo, mas ele não olhava mais pra ela e sim para a mesma paisagem que a garota outrora olhava – Agora que não temos pra onde voltar.... Mesmo que nós tenhamos que ir embora daqui. Quero estar sempre ao seu lado. – ela piscou várias vezes, não acreditando no que ele havia acabado de falar. Miroku a olhou intensamente, de um jeito que ela não sabia explicar, mas fez seu coração falhar umas duas batidas. – Não consigo imaginar outra pessoa estando assim comigo a não ser você.
Sango sentiu seu rosto queimar e seus olhos lacrimejarem. Nunca imaginou que o falso monge pervertido pudesse corresponder aos seus sentimentos. A felicidade que sentiu não cabia em si, e sairia em forma de lágrimas se ela não as tivesse secado antes de caírem. Abriu seu melhor sorriso e respondeu da forma que melhor pudesse expressar o que sentia:
- Sempre estarei com você, aja o que houver. – ele sorriu docemente de volta.
Kagome quase gritou de felicidade quando ouviu a conversa, mas não o fez ou seria descoberta, estragando o momento. Sentiu-se extremamente feliz pela amiga, embora esperasse mais daquela declaração. Mas parece que tudo se resolveu da maneira deles. Ela decidiu que não tinha mais o que fazer ali e se afastou silenciosamente, deixando-os realmente a sós:
- "Boa sorte, Sango."
[...]
Algumas semanas se passaram desde então. As coisas não haviam mudado muito, a não ser que Sango e Miroku pareciam cada vez mais próximos, agora estavam quase sempre juntos, apesar de Sango ainda ser bem reservada quanto a isso e ainda continuar tendo que dar uns puxões de orelha no pervertido. Shippou havia decidido ficar no castelo por mais um tempo, já que não tinha pra onde voltar.
Inutaishou havia feito a pouco tempo um pronunciamento a todos os youkais da cidade, contando-lhes toda a verdade sobre Naraku e mostrando-lhes razões para libertar os humanos. Muitos youkais foram contra ou apenas torceram o nariz para a idéia, mas Inutaishou disse que já esperava por essa reação e que aos poucos mudariam suas formas de pensar. Rin já estava totalmente curada e estava mais grudada que nunca em Sesshoumaru, que estranhamente não reclamava nem fazia cara feia disso. Kaede levava flores quase diariamente no túmulo de Tsubaki assim como nos das outras humanas mortas no ataque de tempos atrás, a anciã porém já recuperara sua alegria sutil e vivida.
A única que parecia infeliz era Kagome. Ela sentia que Inuyasha parecia cada vez mais distante e passava bem menos tempo ao lado dela. O hanyou que antes inventava qualquer desculpa para ficar ao menos alguns minutos a mais com ela, agora estava sempre ausente, sempre resolvendo algum assunto que nunca contava do que se tratava. Sempre que ele saía, se despedia com certo pesar nos olhos, mas quando voltava, parecia sempre um pouco mais feliz que no dia anterior. Isso corroía Kagome por dentro, ao pensar que ela poderia não ser a única na vida dele...e talvez que nunca tenha sido a primeira.
Foi num dia qualquer, em algum ponto entre a primavera e o início do verão no qual ela não se importava nem um pouco em saber qual, foi numa tarde quente que Kagome observava as flores de sakura com certa melancolia. Mesmo a árvore que resistia por mais tempo a mudança de temperatura, conservando suas flores mais vistosas que as outras não era capaz de animar ou estampar um único sorriso no rosto da humana. Mesmo ela que sempre gostara de flores.
A varanda parecia um bom lugar para se estar sozinha e ainda ter a desculpa de estar fazendo alguma coisa, mesmo que esse algo fosse observar flores que passavam quase imperceptíveis por seus olhos. Ela não se virou quando passos na madeira foram até ela e alguém que ela sabia muito bem quem era parou ao seu lado.
- Você gosta mesmo de flores, não é? – perguntou num tom levemente alegre.
- Elas já me pareceram mais bonitas. – respondeu, sem expressar nada na voz.
Ele estranhou a resposta e a olhou com uma sobrancelha arqueada por um segundo, mas ela continuava a olhar fixamente para frente, como se não quisesse perder algo de vista.
- Eu não me lembro da minha mãe, mas meu pai disse que ela também gostava muito de flores, especialmente essas. – ele fitou as sakuras, algumas rosadas e outras brancas, cobrindo quase toda a copa da árvore onde estavam – Ele fez esse jardim para ela. – ele sorriu, mesmo sabendo que Kagome provavelmente não veria por estar ainda entretida com a paisagem – Ela dizia que as mulheres eram como as flores.
Kagome parou de olhar para o que quer que estivesse olhando e fitou Inuyasha, um pouco surpresa.
- Minha mãe... dizia a mesma coisa.
- Ora, mas que coincidência. – ele estava estranhamente feliz nesse dia, e isso transbordava de seu olhar. Kagome não conseguia entender o por quê. Talvez ele realmente tivesse outra, e ela fosse muito melhor que ela.
Kagome não conseguiu sustentar por mais tempo os olhos nos dele, isso lhe doía. Desviou o olhar para outro ponto qualquer. O hanyou franziu o cenho, não entendendo ainda o que havia com ela, estava estranha fazia tempos.
- Kagome... Você sente falta da sua família?
A pergunta a pegou completamente desprevenida. Ela se perguntou o porquê daqueles assuntos evasivos. Voltou a olhá-lo, levemente desconfiada:
- Por que isso agora?
- Eu apenas quero saber, ué. – ele deu de ombros, numa atitude bem própria sua – Você parece meio triste...
Ela quase riu, não por achar graça, mas sim pela ironia. Ele lhe perguntava isso, quando ele era a verdadeira causa de sua tristeza. Mas não podia negar que andava pensando mais em sua família nesses momentos de 'solidão'.
- Sim... Sinto muita falta deles...
- E se eu dissesse que tenho uma surpresa para você? – o sorriso dele se ampliou mais quando viu a expressão surpresa dela após lhe dizer isso.
- Surpresa...? – o coração dela acelerou em seu peito. Ela não sabia se sentia alguma expectativa ou medo do que estava por vir.
- Chega de suspense. Vamos podem entrar – ele disse a última parte da frase olhando em direção à porta. Kagome olhou atentamente para essa direção, quando viu duas silhuetas aparecerem tímidas por trás do batente e pouco a pouco irem se aproximando de onde eles estavam. Finalmente a luz alaranjada do sol quase sumindo nas montanhas iluminou uma mulher de uns quarenta anos e um garotinho ao lado dela.
Os olhos de Kagome marejaram, as pernas enfraqueceram.
- Mãe! Souta! – ela não esperou que Inuyasha dissesse mais nada, quando percebeu já tinha se jogado nos braços da mãe, chorando e rindo ao mesmo tempo. Logo depois deu um abraço bem apertado no irmão. Todos choravam, riam, se abraçavam e contavam rápida e desajeitadamente algumas de suas experiências enquanto separados, como se não fossem ter tempo para tudo isso depois.
Inuyasha coçou a cabeça, meio perdido naquilo tudo, ignorado, para ser mais exato.
- "Os humanos são tão emotivos..."
Depois de mais um tempo naquilo, Kagome finalmente voltou a olhar para Inuyasha. O rosto da garota se iluminava de lágrimas e felicidade.
- O que... como... Como os encontrou? – ela nem sabia por onde começar a perguntar.
- Não foi fácil. Mas eu juntei todas as informações que você me deu e gastei todo meu tempo procurando pela sua família. A cada dia parecia que fazíamos mais progresso. Todos os soldados estavam bem empenhados em ajudar. – explicou – Finalmente os encontramos trabalhando para um youkai nos arredores da cidade, fizemos um acordo com ele e o resto você já sabe.
Ela quase chorou novamente, mas limpou as lágrimas antes que caíssem. Abraçou o hanyou o mais forte que conseguiu, o mais calorosamente que podia.
- Obrigada... Obrigada, Inuyasha. – ele a abraçou delicadamente de volta. A senhora Higurashi sorriu e Souta apenas olhou curioso. O sol sumiu totalmente do horizonte e uma noite verdadeiramente bonita tinha início.
[...]
Todos se sentavam á mesa como uma grande e feliz família. Inutaishou era todo sorrisos para os novos moradores do castelo, que ainda estavam pouco á vontade na frente dos youkais. Souta já se dava muito bem com Shippou e Inuyasha, e se divertia com as brigas dos dois. A mãe de Kagome era a mais educada possível, apesar de Kagome insistir que ela não precisava de tanta formalidade naquela casa, coisa que Inutaishou assentia com fervor. Sango parecia feliz em conhecer a mãe de sua melhor amiga e Miroku parecia infeliz por não poder chegar muito perto dela, apesar dele jurar que só tinha olhos para Sango. Sesshoumaru era apenas um silencioso espectador de tudo, enquanto que Rin já conversava livremente com a senhora Higurashi.
Kagome estava mais que feliz. Todos os seus temores se mostraram em vão. Além do mais, ela achava que sua mãe não aceitaria sua relação com Inuyasha, mas quando Kagome a contou, ela apenas sorriu e disse que aceitaria qualquer decisão que sua filha tomasse, desde que ela ficasse feliz com isso. Repentinamente Inuyasha se levantou, fazendo com que todos parassem de falar (ou comer) e olhassem para ele.
- Já que estão todos aqui eu tenho algo a dizer, e quero que todos testemunhem. – ele pareceu se preparar durante alguns segundos antes de continuar, depois olhou para a senhora Higurashi, que estava na mesa, não muito distante dele – Agora que encontramos a mãe de Kagome, eu gostaria de pedir-lhe uma coisa... – ela piscou algumas vezes e continuou parada, ouvindo – Senhora....Me daria a mão da sua filha em casamento?
Todos sem exceção arregalaram os olhos para o hanyou. Shippou quase engasgou com a comida. Kagome avermelhou e pareceu brevemente paralizada. A senhora Higurashi, após se recuperar da surpresa inicial, sorriu e respondeu:
- É claro. Desde que faça ela muito feliz.
Inuyasha sorriu, voltou seu olhar para Kagome, fitou bem fundos em seus olhos castanhos e disse:
- Kagome, aceita ser minha companheira o resto da vida? – ele também estava um pouco corado, mas não menos corajoso.
Ela não conseguia desviar o olhar daqueles profundos olhos âmbar. O ar parecia rarefeito, e o coração parecia querer saltar do peito, as mãos tremiam. Ela não sabia se conseguiria falar sem que a voz saísse tremida, mas juntou todas as suas forças e arriscou:
- Você...não se importa de eu ser humana?
- Se você não se importar de eu ser um hanyou. – ele sorriu e tomou uma das mãos dela, dando-a mais confiança.
- Eu....Eu aceito. Claro que aceito. – sem se conter ela o abraçou forte colando seus lábios aos dele, apesar de todos os olhos da mesa estarem focados neles, ela não se importou. Ele retribuiu na mesma intensidade.
Inutaishou parecia orgulhoso e feliz pelo filho, os outros pareciam comovidos ou emocionados, exceto Sesshoumaru, que apenas abanou a cabeça e voltou calmamente a sua refeição. Rin, que estava ao lado dele, olhava a cena com curiosidade. Então quer dizer que pessoas que se gostavam muito deviam se casar? Parecia divertido, afinal todos estavam muito felizes.
- Sesshoumarusama, podemos nos casar também? – ela perguntou com toda a inocência do mundo e um sorriso no rosto.
No mesmo instante Sesshoumaru engasgou com o que quer que estivesse comendo no momento. O youkai tossiu algumas vezes, com a face levemente surpresa, coisa que ninguém nunca pensou em presenciar. Depois de se recuperar do quase ataque cardíaco, ele respondeu:
- Não diga coisas estranhas.
Inuyasha, que havia visto a cena assim como todo mundo, até tentou se conter, mas não conseguiu e caiu na risada.
- Nossa Sesshoumaru, o que você fez com essa garotinha? – disse entre risos.
- Cala a boca hanyou, não fiz nada! – ele retrucou nervoso, levemente vermelho. Kagome pensou que aquele era um dia único, em todos os sentidos. Logo todos riram também, para desgosto de Sesshoumaru e confusão de Rin.
Aquele era apenas o começo da vida que todos eles construiriam lado a lado a partir daquele ponto. A libertação dos humanos aconteceu alguns meses depois. Houve uma grande festa, onde todos os humanos recém libertos tiveram pela primeira vez comida farta e bastante diversão. Para assegurar que os direitos dos humanos fossem respeitados, Inutaishou, agora mais rei que general, criou leis que puniam severamente qualquer youkai que fizesse de um humano seu escravo. Inuyasha e Kagome se casaram e formaram o primeiro casal misto entre uma humana e um meio youkai reconhecido por todos. Sango e Miroku se casaram um tempo depois, Shippou ficou aos seus cuidados. A senhora Higurashi e Souta passaram a residir plenamente no castelo com todos. Rin estava mais que feliz com seu novo papai, como passou a ver Sesshoumaru. Quanto a Sesshoumaru, uma pequena menina humana havia conseguido tirar o ódio que seu coração sentia por humanos, e agora ele apoiava o pai na questão sobre os humanos; porém seu jeito reservado e de poucas palavras nunca mudou....a não ser quando estava com Rin, mas era segredo, claro.
Assim a história foi reescrita e a paz foi a tinta que a escreveu. Se dependesse de Inutaishou ela duraria por muito tempo. Até hoje contam a história de como uma humana e um hanyou mudaram para sempre a história da humanidade. Seus filhos também seguiriam o exemplo dos pais futuramente, mas isso...é uma outra história....
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Este foi o último capítulo da fic 'Quando os Youkais Dominavam a Terra'. Espero que tenham gostado, apesar do fim previsível e meloso. Espero receber suas reviews com suas opiniões sobre o final e dicas para possíveis melhoras numa futura fic.
Espero ter conquistado alguns leitores, ainda que seja um só e o convido para ler outros escitos meus. Não são muitos, mas espero escrever mais em breve (ou assim que meu bloqueio de escritora terminar).
Obrigada aos que leram, e mais obrigada ainda aos que comentaram, vocês me fizeram ter a coragem para continuar a escrever e postar sempre.
Até uma próxima vez.
