N.T.: Desculpem meu dialeto, bagana = tranqueira, besteira, doces sem valor nutricional. Qualquer coisa gritem nos comentários! E obrigada às leitoras fiéis ;)

Parte 2 – Bem é muito tarde para pedir desculpas

"O caso de assassinato Fabray fica mais profundo com a confirmação de visualização do veículo pertencente à Rachel Berry – um das quatro suspeitas no homicídio duplo horroroso, seguido por um homicídio triplo apenas uma semana depois – fora de Crawfordsville, Indiana. Chuck Baker, um empregado do McDonald´s, chamou a polícia depois de ter dito que havia servido as garotas. A ligação foi desmerecida quando delegacias por todo o país foram bombardeadas com ligações semelhantes de testemunhas. Entretanto, uma filmagem de um restaurante de beira de estrada tinha sido vazada para a mídia nessa manhã com imagens claras de quatro garotas comprando itens de café da manhã por uma janela de drive-thru. Xerife William Brewster tinha isso a dizer:"

Corta para o Xerife, que olha gravemente para a câmera. Enquanto ele fala, seu bigode remexe sobre o lábio superior.

"Essas não são adolescentes normais. Elas parecem completamente sem remorso. Filmagens providenciadas pela loja McDonald´s mostra as garotas sorrindo e rindo enquanto compram seu café da manhã apenas horas depois de cometer assassinato. Elas não vão mais fugir por muito tempo. Nós ansiamos que os cidadãos continuem vigilantes, e acima de tudo, não se aproximem sob nenhuma circunstância."

A sobrancelha de Jessalyn Briggs franziram enquanto sua face aparecia mais uma vez.

"Depois dos assassinatos em Beaverreek, Ohio, cidadãos preocupados estão reativando um plano de vigilância no bairro. Os três homens mortos ontem foram identificados e suas famílias hoje lamentam sua perda sem sentido. Novamente nós aqui do canal 43 clamam que os telespectadores sejam cuidadosos. Essas garotas parecem descontroladas e extremamente perigosas. Reverendo Holt Granger se juntará a nós aqui no estúdio, bem vindo Reverendo."

Reverendo Holt Granger tinha um cabelo loiro arenoso e olhos gentis.

"Obrigada, Srta. Briggs."

"Você era próximo aos Fabrays, não é isso?"

"Sim, eles nunca perdiam um sermão de domingo. Judy Fabray, particularmente – era uma boa e renomada mulher. Sua perda é altamente lamentada pela congregação."

"E é verdade que você também tinha contato com Quinn Fabray?"

Reverendo Holt Granger se mexeu desconfortável na cadeira dele.

"Sim, senhora, eu tinha. Nós a perdemos logo depois de tornar-se, uh, aparente que ela estava grávida."

"A congregação a abandonou?"

"De jeito nenhum, nós temos um sistema firme de apoio a postos para aqueles que, eeer, caíam em tentação. Como de fato era."

"Então ela escolheu deixar a igreja?"

"Eu acredito que ela virou as costas para Deus, sim. Depois do que escutamos sobre Judy e Russell, especialmente – bem, estava claro que Deus a tinha abandonado."

Jessalyn se inclinou para frente, cruzando suas mãos.

"Reverendo, você acredita no mal?"

"Eu acredito que todos somos capazes de maldades, sim. Deus nós dá força para lutar contra, para superar. Essas garotas cometeram crimes imperdoáveis – crimes que eu não esperaria nem de homens crescidos. Agora, como eu entendo isso, o Diabo não é muito conversado nesses dias, não onde importa. Não em escolas ou na mídia. Mas eu apoio firmemente o que estou prestes a dizer – o que eu vim aqui dizer – e isso é: o mal caminha entre nós. O Diabo se manifestou nessas garotas. Não há outra explicação para o que elas fizeram. Matar seus pais, matar estranhos sentados para uma refeição agradável? É o Diabo, Srta. Briggs. Por que mais essas jovens mulheres – essas uma vez doces jovenzinhas – fariam isso? Eu desafio você a responder essa pergunta e não chegar a conclusão de que de alguma forma, em algum ponto do caminho, elas sucumbiram ao mal."

"Um argumento irrefutável, Reverendo. Nós agradecemos pelo seu tempo."

Jessalyn vira-se de volta para câmera 2 enquanto Reverendo Holt Granger acena com a cabeça em direção à ela.

"Nós convidamos os telespectadores a ligar para o número na sua tela com opiniões sobre as palavras do Reverendo e essa saga trágica em curso."

O-O

"Numa reviravolta no caso Fabray, novas evidências vieram à tona em relação ao assassinato dos três homens em Beavercreek, Ohio, uma semana depois de Judith e Russell Fabray serem mortos violentamente pela sua própria filha e suas amigas. Jacob McArthur – esfaqueado brutalmente até a morte no banheiro da parada de caminhões – estava lutando contra acusações de assédio sexual em Houston, Texas. Uma jovem, cuja identidade nós não podemos revelar, alegou que McArthur a violentou sexualmente durante seu emprego como carregador, e tinha fugido da cidade antes do começo do julgamento."

Jessalyn se mexeu em sua cadeira.

"A segunda vítima dos assassinatos em Beavercreek, Jed Holsworthy, estava sob fiança por assassinato seguido de uma acusação de dirigir embriagado."

O-O

"Um grupo auto-denominado "Triplo F" assumiu a defesa hoje das quatro adolescentes procuradas por cinco homicídios cometidos em Ohio nas últimas duas semanas. Eles alegam que as garotas estão 'rebelando-se contra a sociedade construída para subjuga-las.' Enquanto a localização das garotas mantém-se um mistério, novas evidencias vieram à luz com a verificação das identidades das identidades das vítimas da parada de caminhão . Francine Ferber, prima de Quinn Fabray, soltou uma declaração mais cedo essa manhã, alegando que Russell e Judith Fabray eram pais abusivos. Ela é citada dizendo, 'meu tio tinha um temperamento. Um muito ruim. Quando Quinn estava com oito anos, ela ouviu meu irmão dizendo um palavrão e repetiu na presença do pai dela. Sua punição foi severa e fisicamente agressiva. Extremamente. Nós não vimos esse lado da família novamente.' A declaração continua dizendo que aliado ao temperamento de Russell Fabray, Judith Fabray era uma alcóolatra. Polícia ainda não comentou sobre a declaração, entretanto, se você tem uma opinião ligue pro número na tela."

O-O

Sue Sylvester encara confiante a câmera em um agasalho azul. Ela está sentada na cadeira de Jessalyn Briggs.

"Boa Noite, America. Eu sou Sue Sylvester. Você pode lembrar-se de mim do sensacionalmente popular Cantinho da Sue, como também reconhecer-me como uma treinadora de líderes de torcidas nacionalmente ranqueada com sete títulos nacionais consecutivos. Mais recentemente eu fui entrevistada em relação à três líderes de torcida que eu treinei e sua conexão com o odioso assassinato de dois amados cidadãos de Lima. Agora, meu primeiro apontamento nesse mar de ridículas ilusões é para dizer o seguinte: eu não treinei essas garotas para se tornarem matadoras. Diabos, eu nem as treinei como mutilar pessoas. Elas fizeram tudo isso sozinhas. Mas," ela levanta um dedo. "Elas ainda mantém um lugar especial no meu coração. Porque elas são sobreviventes."

Uma tomada de Quinn, Santana e Brittany em uniformes de Cheerios iguais apareceu atrás de Sue.

"A adorável Jessalyn Briggs fez um maravilhoso trabalho de corromper os fatos desse caso, então eu tomei pra mim dizer ei, estúdio de notícias, vocês querem uma pirralha sem educação dando aos telespectadores uma mistura de cocô de cavalo repetitivo ou vocês querem Sue Sylvester," ela aponta os polegares em direção ao peito. "Uma mulher com uma missão pela verdade; uma mulher que conhece essas garotas; uma mulher com um olhar interno sobre as mentes dessas garotas que se tornaram selvagens? E aqui estou eu. Por nada, America."

Ela sorri charmosamente e vira para a câmera 3.

"Agora o que eu estou aqui pra dizer pra vocês hoje à noite é que nova evidência veio – quem escreveu isso? Eu não lerei isso. Sue Sylvester não precisa de cartões."

Ela arruma os ombros, antes de apontar novamente para a câmera.

"Esse grupo 'Triplo F' é, francamente, maluco. E eu não tenho medo de dizer isso. Eu nem posso dizer a vocês o que o nome deles significa, e eu duvido que essas cabeludas sem sutiã – por favor, pelo amor de Deus, pegue esses filhotinhos do chão moças e tenham alguma decência – conheçam a si próprias. Mas eu direi a você isso: eles tem um ponto. Agora, eu sou a última pessoa a defender pessoas que infringem a lei, mas esse caso está se tornando um tópico quente, America. E eu estarei aqui para guia-los através dele."

A figura atrás de Sue muda para uma foto sorridente de Russell e Judith Fabray.

"Eles não são um casal aparentemente doce? Eu tive o prazer – e o desprazer – de conhecer Russ e Judes no tempo que eu treinava a filha deles. Agora essa Francine Ferver – que não parece ter tido um dia de trabalho duro na vida – diz que o velho Russ tem um temperamento. Bem, Francine, deixe-me perguntar isso – quem não tem? E dê um tempo pro cara – sua filha fica grávida e então o mata! Quem não estaria com uma cabeça um pouco quente? Olhe, eu não estou aqui pra segurar sua mão e dizer a você em que acreditar. Eu estou aqui pra dizer os fatos: claro, Russ tinha um temperamento e Judes era uma bêbada, mas me mostre os pais que não são nenhuma dessas coisas e eu comerei cada troféu na minha prateleira."

A foto mudou para uma das quatro garotas, cortada de uma foto do clube Glee do anuário.

"Agora esse povo do 'Triplo F' – eu me aventurarei numa adivinhação: Ferozmente Fedorentas Feministas? – dizer que as garotas não devem ser temidas; elas devem ser aplaudidas! Essas mulheres tem sido, por toda história, vítimas de homens extremamente violentos e essas adolescentes estão apoiando feminino e liberação feminina e outras desculpas para evitar higiene pessoal."

Sue encolhe os ombros.

"O que vocês me dizem, meus companheiros americanos? Na verdade, quem se importa com o que vocês pensam? Eu retiro minha declaração anterior! Eu direi o que vocês devem pensar! Por que mais vocês estão assistindo? Deixe-me colocar isso de forma simples: aqui estão alguns fatos. O contínuo desdém delas pela minha equipe de líder de torcida nacionalmente classificada contribuiu para sua decaída da sociedade? Claro que sim. Elas estão de alguma forma sendo habitadas pelo Demônio? Claro que não. Essa entrevista foi insultante. Eu vou descansar enquanto a verdade continua aí fora – com essas delinquentes juvenis continuamente escapando dos melhores policiais do país – e desperdiçando seu tempo com informações inúteis?"

A câmera dá um zoom no rosto de Sue.

"Não."

Ela mostra a mão, enrolando os dedos em um arco sobre o dedão.

"E é assim como Sue vê isso."

O-O

"Bem vindo de volta ao Cantinho da Sue! A novidade instigada, só para adultos, jornal espetacular do caramba apresentado pela sua própria – Sue Sylvester. Agora, eu não sou daquelas de desperdiçar tempo então vamos ao que interessa – eu finalmente descobri o que 'Triplo F' quer dizer. 'Faberritana Freedom Fighters' (Lutadores pela liberdade de Faberritana). Agora, eu aposto que você está se perguntando a mesma questão que eu fiz quando ouvi esse nome ridículo – o que diabos é uma Faberritana? Bem, senhoras e senhores, aquelas pessoas inteligentes da internet que estão apoiando matadoras e as chamando de heróis elaboraram essa palavra juntando os nomes das quatro garotas e as tornando em um rótulo simples. Eficiente? Rídiculo! Mas aí está."

Sue balança a cabeça.

"Vocês sabem, telespectadores, quando uma jovem Sue Sylvester contemplou como ela podia se safar de assassinato – realmente se safar – ela fez um plano reserva, se ela devesse escapar da lei, envolveria passar desapercebida e manter a calma. Era um bom plano, e se certas pessoas não cedessem à minha vontade, quem sabe? Eu ainda podia estar fugindo hoje. Mas o mesmo não pode ser dito sobre Quinn Fabray, Rachel Berry, Santana – ah, vocês sabem os nomes dela agora. Graças à aparente inabilidade delas de ficar sem serem vistas, elas podem agora adicionar assalto à mão armada a lista de crime delas. Eu só tenho uma coisa a dizer: sutilidade é uma arte. Mantenham-se nesse caminho, moças, e eu as verei numa cela de cadeia ao fim da semana."

O-O

"Boa Noite, America! Sou Sue Sylvester. Juntando-se à mim no estúdio hoje estão dois coloridos personagens da Escola William McKinley – a mesma escola que incentivou o crescimento das quatro assassinas atualmente caminhando livres em algum lugar do país."

Sue sorri.

"Primeiro, a orientadora educacional com credenciais questionáveis, Emma Pillsbury."

Emma suspira, tentando sorrir.

"Sue."

"Diga a mim, e à nação, como você guiou essas quatro para se tornar assassinas?"

"Agora Sue, essa é uma questão injusta. Entretanto, responderei o que acho que você está me perguntando, e não, eu não estava ciente que Rachel, Quinn, Santana e Brittany eram problemáticas o suficiente para fazer o que fizeram."

"Claro que você não sabia, eu duvido que você veja qualquer coisa, além das escolhas ofensivas de moda de William Shuester. Quero dizer o homem veste coletes diferentes todos os dias. Eu fico perplexa que ele possuía tantos – diabos, eu fico perplexa que ele não tenha sido preso por crimes contra minha visão!"

"Eu não vejo o que isso tem a ver –"

"Próxima pergunta! Você foi à faculdade?"

"Sue, por favor seja uma profissional em relação a isso. Isso é um trágico –"

"Sigamos para a nossa próxima convidada! Com um nome mais ridículo que o namorado do Hummel – Holly Holiday."

"Susan."

Holly dá um sorrisinho pra Sue, o canto da boca dela pra cima e seus olhos meio fechados.

"Você encorajou essas garotas a se expressar, certo?"

"Absolutamente! Especialmente aquela garota Santana – totalmente reprimida. Eu tive que dizer a ela, cara, solte isso! Seja gay! É incrível."

"E esse encorajamento de um estilo de vida desviado as levou a cometer assassinato. Ainda assim você continua a ensinar. Explique!"

"Ei, ei. Eu não as encorajei a fazer aquilo. Eu apenas cantei uma música sobre amor e crescimento e – olhe, estou com 'Triplo F' nessa. Elas mataram um estuprador. Legal!"

Holly Holiday se sentou com os braços cruzados enquanto Emma se virava pra ela em choque.

"Você não pode compactuar com essas ações! Assassinato é uma ofensa muito séria, e aquelas pobres garotas estão vislumbrando um futuro de encarceramento. Elas todas tinham futuros brilhantes. Santana tinha uma habilidade para política; a voz de Rachel podia trazer lágrimas aos seus olhos; Quinn adorava literatura, ela estava sempre lendo! E Brittany, ela – ela era realmente boa em – bem não importa, porque está tudo arruinado agora! E você senta aí toda posuda –"

"Whooooa! Que raiva é essa, mano? Isso é o que eu estou dizendo: não tem que estar tudo perdido e triste. Elas são heroínas!"

"Heroínas? Com licença, entendo que você é uma simples substituta, mas heroínas não matam os pais dela –"

"Se eu tivesse uma moeda pra cada momento que eu quis matar meus pais –"

"Oh, por favor, há uma diferença entre frustração adolescente e realmente cometer homícidio –"

"Sim, e você sabe o que eu testemunhei em meu papel como uma 'simples' substituta? Azimio Adams tendo medo de Tina Cohen-Chang. Isso foi – foi uma forma de beleza."

"Como isso é –"

"Você não entende, cara. Repentinamente, graças à essas quatro, garotas são pessoas a temer. Elas fizeram mais pelo feminismo que Gloria Steinem, Virgina Woolf e Alice B. Toklas –"

"Isso não é sobre feminismo! É sobre vidas que foram arruinadas por essa sequencia horrível de eventos! Mas claro que você não vê isso, você está tão chapada que eu duvido que você até saiba que está na televisão agora mesmo."

A câmera rapidamente muda para Sue.

"Nosso gerente de rede, Bill, parece estar tendo algum tipo de ataque mental então, senhoras e senhores, eu tenho que encurtar isso. Pensamento final: você sabe quem está ensinando seus filhos?"

O-O

"Eu vou pular as amenidades hoje à noite, senhoras e senhores. Um sexto assassinato tomou lugar ontem num lugar chamado, Camp Crook, Dakota do Sul. Dois policiais foram machucados num tiroteio durante um assalto desastroso com as adolescentes favoritas da nação. Filmagens da loja falam por si mesmas."

Uma imagem granulada de uma loja pequena, tirada de um canto do telhado, mostra três figuras amontoadas atrás de uma estante de mercadorias. Uma se inclina e atira com a pistola sem ver. No outro lado da loja, dois policiais se abrigam atrás de uma prateleira perto da entrada.

As três figuras ficam juntas por alguns momentos, uma gesticulando enfaticamente até que as outras concordam. A gesticuladora se move o mais longe que pode, enquanto as outras duas parecem agarrar o pulso uma da outra. Com um pulo após uma corrida, a gesticuladora pula nos pulsos juntos das outras figuras. Rapidamente, a gesticuladora é impulsionada bem alto no ar pelas outras duas. Ela voa sobre as prateleiras, estendendo seus braços e pernas em forma de estrela, antes de se curvar em uma bola e aterrissar num corredor atrás dos oficiais. Ela se levanta rápido, se vira, e bate as mãos nas cabeças dos policias, batendo-os em direção às prateleiras. Ela pega um cassetete de um dos seus cintos, e bate neles de novos – um de cada vez – antes de agarrar as armas deles e correr para fora enquanto as outras duas acompanham.

"Em todos os meus anos como treinadora de líder de torcida – todos os prêmios, competições, sede pelo talento; até mesmo treinando Brittany, que nasceu com metade da quantidade normal de ossos no corpo humano – é por isso que ela é tão flexível – eu nunca tinha visto uma estrela arremessada em cesta mais perfeita."

Sue parece profundamente alterada.

"A tragédia de perder uma líder de torcida tão boa para uma vida de crimes tão perto das Nacionais quebra o meu coração. De verdade."

O-O O-O O-O O-O

Elas dirigiram para o mais longe possível de Beavercrek enquanto ainda era noite. Elas pararam apenas uma vez – para que Rachel pudesse usar a última garrafa de água para limpar o sangue das mãos dela e face. As roupas ela descartou e ela estava agradecida que seu vestuário recebera a maior parte do liquido vermelho pegajoso que tinha jorrado do homem que ela matara.

Mas ela não podia dormir. Ou conversar. Ou fazer qualquer coisa, mesmo quando Quinn ficou a cercando e tentou fazê-la comer. Até mesmo quando Santana fez ameaças vazias se ela não abrisse a boca e contasse o que tinha acontecido a ela.

Quinn era sua graça salvadora, naquele primeiro dia, atuando como uma pessoa muito preocupada.

Enquanto a loira dormia ao seu lado, Rachel manteve os olhos focados na luz solar que entrava pelo zíper da tenda e tentou apenas parar de pensar. Repetidamente a noite anterior passava pela sua cabeça.

Então ela pensou em outra coisa. Em um detalhar agonizante, ela contou a si mesma a história dela e Finn. Cada olhar, cada gesto e música que cantaram juntos.

Não era reconfortante mas era completamente distrativo.

Enquanto elas passavam de volta por Kentucky naquela noite, em completo silêncio – Santana mordendo a língua, esperando até que a louca muda falasse e então ela iria falar um bocado – Rachel começou a coçar sem sentir o peito. Era apenas uma pequena coceira, nada grande.

Até que ela começou a pensar que ela ainda tinha sangue sobre ela. Não em suas roupas, mas, na sua pele.

Quinn manteve a mão no assento entre elas, não tocando propriamente, mas, o bastante para deixa-la saber que ela estava ali. Além do mais, Rachel tinha deixado ela lidar com tudo isso quietamente depois que seus pais foram mortos. Era o suficiente pagar o favor.

Mas quando a garota começou a se coçar e enlouquecer, ela instantaneamente soube o que fazer. E não era nem apenas por Rachel. Seria bom pra todas elas.

Por apenas uma noite.

O-O

Santana respirou profundamente, ajeitando os ombros e colocando uma mão na parte de trás do quadril. Ela colocou o estômago pra fora, assoprando uma mecha de cabelo para fora da testa. Cabia com seu personagem, ou o que diabos ela fosse, mas ter seu cabelo tão bagunçado assim não combinava com manter seu temperamento controlado.

Isso era ridículo. Ela deveria estar chutando a bunda de Rachel agora, e apontando, novamente, que se qualquer uma delas fosse a líder, certo como o inferno não seria a nanica.

Ela precisava falar com Quinn. O que diabos a loira estava pensando? Repentinamente era Rachel que precisava disso, então certo, vamos totalmente ir a um motel e arriscar tudo para que a diva pudesse ter uma chuveirada. Onde porra estava o chuveiro dela depois de ajudar a matar os pais de Quinn, hein?

Besteira. Besteira totalmente fodida.

A porta fez um barulhinho de sino quando Santana empurrou pra entrar, colocando seus lábios em forma de bico e acariciando o bolo por baixo do seu vestido. O diabo que ela ficaria realmente grávida. De jeito nenhum. Se ela acabasse com alguém que quisesse o filho do demônio, a vaca podia arruinar o corpo dela pela alegria da maternidade.

Ela parou, um pé dentro da recepção do hotel – o que no nome do bom Deus ela estava pensando? De jeito nenhum ela acabaria com uma moça que quisesse um bebê. Mesmo se ela fosse a mulher mais gostosa viva. Mesmo se ela fosse Olivia Wilde ela não iria – bem, talvez por Olivia Wilde –

"Posso ajuda-la, Senhorita?"

Ela saiu do devaneio e suspirou. Aqui vai nada.

"Necesito um cuarto. (Necessito um quarto) Yo estoy muy embarazada. (Estou muito grávida) Un cuarto grande. (Um quarto grande) Ahora. (Agora)"

Ela bateu os olhos, enfaticamente acariciando o estômago novamente, enquanto o recepcionista piscava pra ela. Ele a avaliou de cima abaixo nervosamente enquanto esfregava a nuca.

"Uh, eu não falo Mexicano então, uh – escute, você fala Americano? Uh, hablo no (não falo) uh – ah Diabos! Marjory!"

Era a pior dor física que ela havia experimentado; a força de vontade inexplicável que fez com que ela não rolasse os olhos, os fez começar a marejar.

"Não chore! Ai, meu Jesus Cristinho, Marjory!"

O cara gritou novamente, olhando sobre o ombro pra cortina de bolinhas pendurada no arco. Santana não podia ver nada além dela, exceto as luzes brilhantes diminuindo. Não havia sinal de quem quer que fosse Marjory.

Ele pareceu nervoso, e rapidamente, Santana estava se divertindo. Ela andou pra frente e então fingiu estar com dor.

"Voy a dar a luz al hijo de perra aqui mismo! (Vou dar a luz ao filho da puta aqui mesmo)" Ela engasgou, agarrando o montinho, começando a ofegar ligeiramente.

"Escute queridinha, o que você quer?" Ele pareceu começar a suar, e isso foi tudo que ela pôde fazer para não gargalhar.

"Quarto! Grande!" Ela grunhiu, indo para o balcão e agarrando-o com uma mão. Depois de um tempo, ela parou de fingir e ofereceu a ele um sorriso fraco. "Por favor."

Ele pareceu quase aliviado.

"Quarto! Grande!" Ele ecoou e rapidamente alcançou uma chave atrás dele.

Enquanto o fazia, ela vasculhou o bolso do seu cardigã que ela tinha sobre o vestido feio dela – ela fez um voto de pôr fogo nisso depois dessa merda estúpida acabar – diabos, ela ia colocar fogo em todas as roupas de Rachel – e estapeou uma nota de cinquenta dólares no balcão.

"Er, que nome devo colocar –" o recepcionista começou, respirando fundo. "Que nome você tem?" Ele gritou e Santana fez o seu melhor para não encará-lo friamente.

"Tú pareces como un hombre que tiene sexo com animales. (Você parece um homem que tem sexo com animais)" Ela murmurou, batendo os cílios.

A cabeça dele fez uma coisa tremelicante estranha em resposta enquanto ele dava a chave e pegava a nota amassada.

"Jane Doe vai ser." Ele murmurou, se virando e tentando pescar o troco da caixa registradora.

Houve um barulho de sininho e quando ele se virou, a Mexicana grávida estranha tinha ido embora.

Ele soltou um suspiro e franziu à folha que tinha que preencher o mais corretamente possível.

Foda-se. Ele escreveu alguns detalhes rapidamente montados, enfiou-os no armário de arquivo e orou para que não houvesse mais check-ins. Ele odiava o turno da meia noite.

O-O

Rachel fez com que a pressão do chuveiro fosse a máxima.

O jorro de água quente foi bem vindo. Escaldou sua pele e a limpou.

Havia um estranho vazio em sua mente – como se os pensamentos dela tivesse ficado quietos pela primeira vez na sua curta vida.

Era apenas água e ficar limpa, sua pele ficou rosada a medida que ela ficava debaixo do chuveiro.

Isso era tudo que ela precisava.


Os olhos de Brittany estavam colados na tela da televisão. Ela tinha perdido muita coisa.

Santana sentou na janela, bisbilhotando pelo menor dos espaços entre a cortina e a parede. Ela encarou o que podia ver – um correndo escuro vazio; um sinal quebrado e piscando de "Há vagas"; uma máquina de bebidas debaixo de uma luz fluorescente que fazia ela se sentir epilética.

Quinn sentou no colchão de solteiro empurrado contra a parede mais distante, encarando a porta do banheiro e mordendo o lábio. Suas mãos apertaram o lençol em que estava sentada enquanto ouvia a água correndo do outro lado da porta do banheiro.

"Chato." Brittany murmurou, mudando de canal quando um seriado de advogados fazendo coisas de lei apareceu. "Muito chato." Ela clicou novamente e caiu em um comercial de tv. "O mais chato de todos." Ela chegou num canal de notícias, clicando de novo.

"Britts, mude de volta." A atenção de Santana foi finalmente atraída da janela. Então um time da SWAT podia estar sobrevoando sobre elas com as luzes acabadas e alguma super tecnologia secreta do Governo ou algo – ela sabia que eles existiam, como se eles não soubessem – mas elas esconderam o carro atrás do motel e ela estava um tanto quanto certa de que não podia ser visto da estrada.

Não que realmente fosse uma estrada importante. Mais como uma estradinha que sofria de má manutenção.

"Mas San, é chato." Brittany respondeu, ansiosa para ver o máximo de shows divertidos que conseguisse. Elas, provavelmente, voltariam a acampar depois disso. E claro, as estrelas eram totalmente incríveis – especialmente com Santana apontando as constelações que pareciam peitinhos – mas isso não era Bob Esponja Calça Quadrada.

"Querida, nós estamos fugindo, lembra? Nós precisamos saber o que eles sabem para ficar à frente deles." Santana se levantou e se esticou, ansiando por um banho. Quanto demorava para lavar uma nanica?

Britanny chutou um pouco, então voltou para o canal de notícias. A imagem estava um pouco embaçada, mas, ela podia ver a apresentadora conversando com um cara parecido com um padre.

Santana sentou na cama do quarto – um duplo – e cruzou as mãos atrás da cabeça, espremendo o olhar para a televisão.

"...matar seus pais, matar estranhos sentados para uma refeição tranquila? É o Diabo, Srta. Briggs. Por que mais essas jovens mulheres – essas uma vez doces jovem mulheres – fariam isso? Eu a desafio a responder essa questão e não chegar a conclusão de que de alguma forma, no meio do caminho, elas sucumbiram ao mal..."

A cabeça de Quinn virou rapidamente para a tela e ela franziu o rosto.

"... uma entrevista controversa mais cedo nesta noite entre Reverendo Holt Granger e Jessalyn Briggs..."

"Espere aí, isso foi sobre a gente?" Santana perguntou, franzindo a testa em confusão.

"Nós somos malvadas?" Brittany nervosamente brincou com as pontas do seu cabelo, olhando para as outras garotas e a tela da televisão.

"Não, Britts, nós não somos malvadas. Eu disse a você – só porque está no noticiário não significa dizer que é verdade." Santana virou a cabeça pra Quinn. "Mas fala sério, um padre acabou de culpar o diabo? De verdade?"

Quinn balançou a cabeça ligeiramente. Deus, tinha sido uma semana longa.

Eu – eu acho que sim. Mas eu o conheço. Ele culpa o Diabo por tudo. Depois que eu – com Beth – olhe, qualquer coisinha que ele não entende é trabalho do Diabo e –" Ela se inclinou pra frente, colocando o rosto nas mãos. "E algum idiota o pôs na televisão."

Houve um som de guincho do banheiro e o barulho de água parou.

Momentos depois, Rachel saiu com uma toalha enrolada no seu corpo e um olhar determinado no rosto. Sua voz, porém, estava trêmula e apesar da cor rosada em seus ombros e bochechas afogueadas, ela estava tremendo.

"Primeiramente, quero me desculpar pelas minhas ações. Era minha intenção cumprir o plano todo – e eu entendo se vocês se sentirem aborrecidas com o curso dos eventos que aconteceram – entretanto, eu peço que vocês escutem ao que vem a seguir como prova, que sem dúvida, devo ficar com vocês daqui em diante."

Ela tomou um profundo fôlego, preparando para lançar um discurso que tinha vindo lentamente à ela no chuveiro mas foi cortada quando Quinn se levantou e a agarrou pelos ombros.

"Você está bem? O que aconteceu? Rachel?"

Era estranho ter aqueles olhos – uma vez a encarando com desprezo – agora cheios de preocupação. Ademais, ter aquelas mesmas mãos que uma vez jogou raspadinhas na sua cara e dirigiu uma faca para Russell Fabray, agarrando seus ombros desnudos.

"Sua garganta está bem?" Brittany perguntou, abaixando a TV e olhando pra elas preocupada.

"O que porra aconteceu lá, Berry?" Santana se juntou, perturbada por quão pequena a garota parecia parada ali apenas de toalha. Tipo, ela sabia que ela era uma nanica, mas isso a assustou – Rachel parecendo frágil e essas merdas. Ela não podia nem apreciar a fenda na toalha que pendia nas coxas da garota.

Não que ela fosse, de qualquer forma.

"Feridas superficiais." Rachel murmurou, correndo os dedos sobre a garganta. Dava umas pequenas pontadas, mas, o corte não era muito profundo. "Eu – vocês ainda estão me chutando?"

"Rachel," Quinn suspirou. "Nós não estávamos expulsando você –"

"Estamos mesmo, porra, você fodeu o plano com louvor –"

"Expulsar é ruim."

"Ele ia me estuprar!" Rachel disse rapidamente, gritando e todas ficaram quietas.

"O que?" Santana pulou da cama e marchou em direção à Rachel, empurrando Quinn pra longe dela. "Quem te estuprou?"

Rachel quase deixou cair a toalha assustada.

"Ele não conseguiu – eu dei uma cotovelada nele – então o esfaqueei –" a mão de Rachel voou pra sua boca e então ela se virou e correu de volta pro banheiro.

Santana e Quinn ignoraram os sons da diva vomitando.

"Quando eu fui lá dentro ela estava – eu não sabia o que acontecera, eu apenas sabia que algo tinha dado errado e eu – Deus, S, ela estava esfaqueando esse cara e –" Quinn caiu pesadamente na cama atrás dela enquanto Santana ficava boquiaberta.

"Okay, você precisa começar a fazer sentido agora, porra."

A sobrancelha de Brittany franziu enquanto ela pensava sobre Rachel vomitando no banheiro. O cabelo da diva estava solto, então estaria no rosto dela e isso seria nojento. Ela devia entrar lá e segurar pra trás. Ela acenou pra si mesma e levantou, se movendo para se ajoelhar ao lado da morena.

"Hey Rachel, não se preocupe," ela disse suavemente, gentilmente puxando uma mão cheia de cabelo da garota pra trás. "Eu queria vomitar também. Mas eu não vomitei porque eu não gosto, depois pareceu ruindade vomitar sobre seu carro depois que eu totalmente vomitei no seu rosto."

Rachel fez menção de vomitar novamente.

"Eu fico feliz que você não foi estuprada."

Brittany acariciou as costas de Rachel, porque quando ela era mais nova sua mãe costumava fazer isso quando ela se sentia doente e isso sempre a fazia se sentir melhor. Ela começou a cantarolar, também, imaginando que era reconfortante.

E era. Rachel se sentiu acalmar, sua mente perdendo as imagens dos corpos ensanguentados e o sentimento de uma faca deslizando sobre a pele e ao invés lutou para identificar a música saindo da boca de Brittany. Isso era uma boa distração.

"Levante, venha, se abaixe vomitando," Brittany cantava suavemente, sorrindo brilhantemente quando Rachel olhou fracamente pra ela. "Aí vem, prepare-se para morrer!"


Quinn suspirou. Ela não conseguia dormir. Seu corpo se sentia exausto e o banho tinha feito maravilhas aos seus músculos, mas ela não podia tirar os olhos da pequena figura dormindo na cama de solteiro. Ela pensou que Rachel apreciaria o espaço – e se apertar com Santana e Brittana não dizia exatamente confortável – mas a diva as viu subir na cama juntas com uma expressão que parecia, bem, ciúmes? Deixada de fora? Ela não podia entender o que era e ela não sabia porque isso a chateava.

O plano tinha sido um tão bom. Até melhor, agora que podia nunca funcionar. Rachel iria voltar a normalidade e as coisas iriam –

Ela grunhiu, forçando sua mente a se aquietar. Não adiantava se agarrar ao que poderia ter sido. Especialmente quando havia tanto para se agarrar.

Sua mente repassou as expressões na face da outra garota enquanto ela contava a todas em detalhes o que tinha se passado. Como o cara cheirava e o que ele havia dito.

Santana deu uma de Finn e chutou uma pequena cadeira de braço no canto enquanto Rachel falava. Quinn se lembrou de zuar com ela sobre isso depois e então mentalmente se estapeou porque esse não era o mais importante.

Seus olhos traçaram as linhas do corpo na cama de solteiro.

Talvez Reverendo Holt estava certo? Talvez o Diabo estava ali ferrando com as vidas delas. Um ano atrás elas estavam brigando por um garoto, e cantando toda semana sobre sentimentos e futuro. E agora?

Ela tentara fazer a coisa certa e Rachel tinha sido atacada. Fazia com que ela se sentisse mal, porque tudo que ela tocava realmente tornava-se uma merda.

Ela jogou as cobertas pra longe das suas pernas e cambaleou em direção ao banheiro, fechando a porta devagar e sentando-se no vaso.

Ela começou a chorar, mascarando os sons nas suas mãos o melhor que podia.

Era como se ela pudesse sentir tudo dentro dela – tudo que tinha acontecido e todos os sentimentos ligados – pressionando as curvas da pele dela. Seu rosto se contorceu e ela tentou muito para conter isso. E era tão difícil apenas deixar sair dela.

A porta abriu lentamente e antes que ela pudesse se recompor, braços circularam ela e apertaram.

Ela apertou de volta, sem conseguir distinguir entre os próprios soluços e os da outra garota.


"San?" Brittany suspirou, passando um braço sobre a cintura da Latina e se esticando desde que Quinn tinha se levantado.

"Mmm?" Santana murmurou, pretendendo estar mais adormecida do que estava.

"Nós podemos voltar em algum momento pra Lima?" Brittany mordeu o lábio, antecipando e tendo medo da resposta. Ela estivera tão contente pelo plano.

"Não." Santana respondeu e rolou pra ver a loira. "Mas é uma coisa boa e você sabe por quê?"

Brittany deixou o som da voz da outra garota correr por ela, permitindo o calor afogar tudo em sua cabeça.

"Por que?"

"Porque Lima é uma merda e as pessoas em Lima são uma merda. Nós estamos livres delas." Ela encolheu os ombros, deslizando a mão sobre os quadris da loira e a puxando pra mais perto.

"Mas pra onde vamos?"

Brittany sentira Santana ficar dura.

"Qualquer lugar que quisermos." Santana respondeu finalmente. "Em todo lugar que quisermos."

O-O

"Jesus, Berry, quanta merda você tem no carro?" Santana empurrou uma mala, puxando perucas e tendas fora do caminho antes de espiar pelo que ela queria.

"Eu só tenho o que é necessário para –"

"Engula, coisinha."

"O que você pensa que está fazendo?"

Rachel olhou enquanto Santana mexia nos fundos do carro, um olhar arrogante no rosto.

"Sendo incrível. O que você está fazendo? Espere – deixe-me adivinhar – sendo uma chata gigantesca." Com um floreio, Santana jogou a placa do carro de Rachel pro lado.

"Isso é maravilhoso, realmente, bom trabalho! Se nós não formos pegas por homicídio, seremos paradas por dirigir um veículo sem placa. Ótimo trabalho, Santana, você está habilitada para fazer algo –" Rachel bufou quando Santana a deixou falando sozinha. "Onde você está indo?"

Quinn vasculhou o resto da comida delas com um franzido na testa. Elas não arriscaram pegar comida no motel, dormiram por algumas horas e deixaram o quarto antes do sol subir. Elas voltaram pro carro furtivamente uma por uma; Santana foi direto pro bagageiro enquanto as outras três checavam os suprimentos. Bem, Quinn e Rachel checava enquanto Brittany correu pro banco do passageiro da frente e tentou decidir qual das cinco coletâneas dos anos 90 elas deviam tocar primeiro.

"Nós vamos ter que fazer compras novamente. De algum jeito." Quinn disse, distraidamente batendo com o dedo em uma das três últimas latas de sopa.

"Santana acabou de fugir depois de remover a minha placa." Rachel respondeu, braços cruzados e parecendo altamente não impressionada.

"Ótimo." Quinn suspirou, se inclinando no seu banco e evitando fazer contato visual com a morena, a qual estava olhando pra ela ansiosamente de fora do carro.

"Ninguém mais fica preocupada que Santana apenas fugiu depois de tirar a minha placa?" Rachel reiterou, chateada que as loiras pareciam estar completamente ignorando-a.

Quinn não podia olhar pra ela, não depois de passar uma boa porção da noite soluçando nos braços da garota como um bebê. Claro, ela tivera uma boa razão – tantas boas razões – pra ser um estrago emocional, mas com Rachel? Ela queria um ombro. Vulnerabilidade emocional não era nem legal com suas amigas, quanto menos com a sua antiga inimiga agora meio cúmplice, o que quer que ela fosse.

Brittany não estava ignorando Rachel. Ela apenas sabia o motivo pelo qual Santana tinha fugido, e quando isso fizera sentido, não havia razão pra ficar toda bravinha como a diva estava ficando.

"Primeiro eu sou quase estuprada, então! Então, eu mato duas pessoas o que é tão contra o que eu defendo moralmente que eu fico tentada a escrever o evento todo como uma fuga da realidade que eu tive – o que explicaria por que minhas memórias são um pouco embaçadas – também a extrema força e habilidade que eu demonstrei – e agora meu carro é desmontado por alguém que me odeia mas agora estou presa com –"

"San não lhe odeia." Brittany pegou o quarto cd da caixa. "E ela está sendo incrível. Ela disse isso."

"Isso ainda não –"

"Rachel, entre na droga do carro."

Rachel era contra ordens por princípio, mas o tom da voz de Quinn a relembrou de como a loira costumava falar com ela – exasperada, irritada, como se tudo sobre ela irritasse Quinn. Então ela obedeceu, porque foi o tom que mais doeu. Até a voz zangada de Quinn era mais bem vinda do que essa.

Ela fechou a porta do carro dela e engoliu o desaforo.

As três sentaram no escuro – o sol não muito longe de nascer – e esperaram a Latina retornar em silêncio.

Depois de alguns minutos, Santana apareceu na porta do motorista, pulando e sorrindo largamente pra elas.

Bem, Rachel pensou um pouco depois enquanto elas armavam acampamento pro dia e ela admirava a traseira do seu carro, isso fora uma boa ideia. Sua placa traseira GLDSTR tinha sido trocada por uma da Flórida.

Quem quer que tivesse a picape de quatro portas perto delas no motel iria ficar provavelmente bem por ter apenas uma placa agora. Mas pelo menos elas não os mataram.

Rachel pegou a chave de fenda de Santana e desaparafusou a placa da frente. Ela deixou-a cuidadosamente no bagageiro, perto da outra e beijou as pontas dos dedos antes de tocá-los reverentemente nas letras apreciadas.

Elas iriam deixar a nova placa na traseira por agora – elas pensaram que ninguém notaria a ausência da placa dianteira porque quem danado olhava pra isso – até outra oportunidade surgisse pra trocá-las. Elas continuaram dirigindo à noite, então a cor do carro não era tanto um problema. E se elas trocassem as placas uma vez por semana, ninguém poderia dizer com certeza que tinha visto elas.

Agora esse era um plano perfeito, Santana pensou arrogantemente.

O-O

"E isso, minhas caras associadas, é por que meus planos são do caramba." Santana limpou as mãos nas calças e deu um sorrisinho triunfante. Ela nascera pra comandar.

"Eu concordo que isso foi bom," Quinn começou, mastigando lentamente. "A curto prazo."

Santana estufou os lábios, procurando o Twizzler.

"É incrível a curto prazo." Brittany concordou, sorrindo pra Latina.

Rachel olhou pro céu – ainda escurecendo enquanto o sol desaparecia completamente – e respirou profundamente pelas narinas.

"Mas nós precisamos descobrir o que vamos fazer depois. Onde vamos, como vamos sobreviver. Nós estamos ficando sem comida, e nós," Quinn engoliu. "Nós não podemos fugir pra sempre."

"Então nós ficamos fora do radar com meu plano incrível e vamos pro Mexico ou qualquer lugar, uma vez que eles desistam de nos procurar." Santana deu de ombros, como se a coisa toda não fosse gritantemente óbvia.

"Certo, S, e eles realmente vão parar depois – " Quinn piscou quando seus olhos viram Rachel, incerta de como a diva iria reagir à trazer a lanchonete à tona.

Mas Rachel estava estranhamente silenciosa, mantendo seu olhar em direção às estrelas. Brittany a seguiu, deixando as outras duas pra descobrir entre elas.

"Sim, então, nós fugimos por um pouco mais. O cara era um estuprador, Q, Berry devia ganhar uma medalha ou algo do tipo."

"E os outros dois? Que tal o cozinheiro que você atropelou duas vezes, S?"

"Bem eu não precisaria se você não tivesse o atacado com o meu taco de softball!"

"Ele tinha uma faca e – e você foi aquela que dirigiu –"

"Então eu reagi! E daí! Você devia estar me agradecendo por ter a coragem de terminar o trabalho que você –"

"Nenhuma de vocês teriam que ter feito nada se eu tivesse me controlado." Rachel disse calmamente, seus olhos não deixando o céu uma vez sequer.

Santana cruzou os braços, sua boca se fechando completamente porque isso era verdade.

Quinn gentilmente colocou sua tigela na grama e se virou pra garota menor.

"Nenhuma de vocês estariam aqui se eu tivesse me controlado."

Ninguém respondera a isso. Não era inteiramente verdade – Quinn não tinha começado as coisas, naquele dia, e não era como se elas a culpassem pelo que estava acontecendo. Mas isso era meio que verdade, que se Quinn tivesse apenas ficando em McKinley ao invés de insistir –

"A Princesa Acorrentada." Rachel entoou, levantando o braço pro céu. "Andromeda – tão linda que sua mãe, a Rainha, elevou a filha dela e deixou todas as outras envergonhadas. Até os Deuses. As ninfas do mar – invejosas e ardilosas – demandaram retribuição pela arrogância da mulher de Netuno, Deus de todos os oceanos e então ele mandou um monstro do grande mar atrás da menina e sua mãe."

Quinn achou seu olhar se virando pras estrelas, lutando pra ver o que Rachel estava vendo.

"O Rei – aprendendo a razão pela qual as suas terras estavam sendo devastadas por uma monstruosa besta – não teve escolha além de oferecer sua única filha em defesa de sua terra. Ele fez com que ela fosse acorrentada a uma pedra, completamente nua e sem defesa."

Brittany tivera seus olhos espremidos, olhando por qualquer coisa que parecesse uma princesa. Foi só quando Rachel disse que ela estava nua que ela relaxou. Todos os peitos no céu deveriam ser ela, ela pensou e deixou a história tomar conta dela.

"O monstro atacou a garota assustada, cujo único crime foi a arrogância de sua mãe e ela se preparou pra conhecer a própria morte. Mas então!" Rachel sentira a felicidade de ter as outras garotas interessadas completamente entretidas ao redor dela. "Perseu, recém saído da batalha com a Medusa cabeça de cobra, voou no Pégaso, um cavalo com asas!"

A mandíbula de Brittany ficou boquiaberta.

Santana rolou os olhos.

"E usando a cabeça da besta que ele tinha acabado de esquartejar, tornou a besta vindoura em pedra, salvando a linda princesa e se apaixonando perdidamente por ela."

Rachel suspirou dramaticamente, sua imaginação efervescente sempre a colocando no lugar de Andrômeda, imaginando Finn num cavalo alado a resgatando do –

Seus olhos caíram no rosto de Quinn, sentada ao seu lado e olhando com interesse o céu noturno. Parou os pensamentos de Rachel, até suas palavras, enquanto ela via o olhar no rosto da garota. Seu olhar mental tornou Andrômeda em uma loira de olhos esverdeados e Finn desapareceu completamente. Era só Quinn, acorrentada na rocha, esperando algo horripilante.

Ela limpou a garganta.

"Eles casaram e mandados pras estrelas como uma lembrança a todos que olharam sobre eles sobre o perigo da – da arrogância –"

"Que merda." Santana surtou e Rachel se encolheu, preparando-se para ser completamente destruída pela Latina novamente. "Aquela Rainha vadia deveria ter sido acorrentada a rocha ou algo do tipo, pra começar. Então sua filha era gostosa, e daí? Netuno deveria ter chutado aquelas ninfas pra lá e tomado a garota pra si. Fazer o monstro comer a Rainha e o Rei por serem babacas e revirado o mundo de Andrômeda. Fazer ela Rainha do mar. Agora essa teria sido uma história."

"Quando eu tinha quatro anos eu totalmente queria me casar com um cavalo." Brittany disse levemente, sorrindo pra Rachel. "Se ele tivesse asas seria ainda mais incrível."

"A moral era arrogância?" Santana continuou, se perdendo num discurso. "Diabo que não! Moral da história é que garotas bonitas devem ser punidas e apenas salvas por caras que case com elas. Ela se apaixonou por ele? Aposto que ela estava tão aliviada de não ter o monstro mastigando sua bunda gostosa que ela estava tipo, ok, vamos casar no caso de você me transformar em pedra."

Nesse momento, Santana estava gesticulando raivosamente pro céu e Brittany estava concordando com tudo que a Latina estava dizendo.

Rachel defenderia sua história – uma que ela tinha romantizado desde que ouvira pela primeira vez quando criança – mas sentia mais que devia sorrir. Ela podia conceder que Santana tinha um pouco de razão – entretanto ela não precisava admitir em voz alta.

Ela se viu olhando Quinn nos olhos enquanto Santana continuava – bronqueando mais ainda o mito ao insinuar que as ninfas marítimas tinham problemas de autoestima e se elas realmente se sentiam ameaçadas por alguma garota humana com uma carinha bonita, elas não mereciam ser imortais de qualquer forma – e não pôde conter o sorriso de contentamento enquanto Quinn rolava os olhos um pouco, balançando a cabeça. A loira levantou uma mão, fazendo os dedos se esticarem sobre o polegar, movendo-os em direção e para longe um dos outros num movimento 'blah blah blah'. Rachel não pôde deixar de seu sorriso se tornar em um sorriso maior.

Era legal, Quinn pensou, ter outro alguém com elas que entendia de onde ela estava vindo. Geralmente Brittany aceitaria qualquer coisa que Santana falasse, e Quinn podia escolher ou manter seus rolares de olhos pra si ou desafiar a Latina, o que sempre resultava numa partida de gritos e todo mundo terminando a noite emburrados.

Não a surpreendeu tanto quanto deveria, uma semana atrás, perceber que ela estava agradecida que Rachel ainda estivesse com elas, depois de tudo..

O-O

Elas finalmente concordaram em algumas coisas. A primeira foi que, até que elas achassem algum lugar em que se sentissem completamente a salvo, elas se manteriam em movimento. Acampamento no mato era bom por uma noite ou duas, mas a necessidade de repor seus suprimentos significava que elas não podiam ficar em um lugar por muito tempo.

O segundo era que a destinação delas ainda estava para ser determinada. Talvez elas podiam entrar furtivamente na América do Sul depois de alguns meses se escondendo. Talvez elas poderiam encontrar uma cidadezinha que elas conseguiriam de alguma forma construir uma vida temporária.

Santana, direta ao ponto, exigiu que se ela iria morar em uma cidade menor que Lima, deveria ou ter vaqueiras, uma gangue de garota ou uma comunidade lésbica. Também precisaria de uma loja de departamentos, Breadstix e sem delegacias.

Até que elas achassem as místicas vaqueiras lésbicas sem lei que passavam suas noites sendo proprietárias e operando um restaurante familiar, entretanto, elas continuariam dirigindo. A cada cem quilômetros ou perto disso, elas mudariam a direção – depois de se dirigir pro Sul, elas começariam a ir pra Oeste novamente. Elas pensaram que esse era o jeito, se qualquer um pensasse que tinham as visto, de sua destinação ser mais difícil de determinar.

Acima de tudo, elas concordaram, elas deveriam permanecer o mais invisível possível.

O que queria dizer sem mais mortes.

O-O

"Vá mais devagar, Santana! Quanto mais rápido você dirige mais chance há de um acidente acontecer no meu carro e se quebrar aqui, no meio do nada, nós teremos que andar o que aumenta as nossas chances de ser presas –"

"Pare de ser tão paranoica, dançarinazinha! Quanto mais rápidos formos, mais cedo atingimos Vegas!"

"Vegas?"

Quinn sentara na parte traseira do carro, ouvindo sua melhor amiga mais velha – e a sua mais nova – brigarem na frente. Tinha sido o bastante pra Rachel concordar em Santana dirigir novamente, mas a garota menor continuava teimosamente tentando dirigir o carro do banco do passageiro.

Ao lado dela, Brittany olhava pela janela e imaginava com o que parecia a parte do país que elas estavam passando. Quando ela era pequena e os pais a levavam nas viagens pela estrada, ela amava assistir o jeito que montes tornavam-se vales, florestas e cidades. Dirigir a noite, no entanto, significava que tudo parecia escuro. Ela mantinha uma mão no banco à sua frente, as pontas dos seus dedos brincando com o cabelo de Santana enquanto ela brigava com a diva.

"Sim, Vegas. Vocês vadias ficaram conversando sobre dirigir por tempo demais, porra, até que nós finalmente possamos ir pro México ou algo parecido, e olhe – se eu vou passar a minha vida do outro lado da fronteira, eu preciso ter meu tempo em Vegas, primeiro."

"Eu só – eu não te entendo, Santana. Você está mesmo falando sério? Pessoas morreram; nós podemos acabar na cadeia pro resto das nossas vidas se nós não pegarmos a pena de morte. E você quer ir a uma cidade superpopulosa –"

"Exatamente isso – cidade superpopulosa, Liga das Cantigas de Ninar! Escute, nós usamos aquelas perucas ridículas lá de trás, nos pintamos como lixo – mas gostosas – e desaparecemos na cidade por uma noite! Por que não? Você sabe por que Onde Está Wally? é tão difícil de encontrar? Porque tem tanta gente que parece com ele!"

"Nós temos dezessete, Santana! O que nós podemos fazer exatamente – ir a um buffet coma-tudo-que-puder e então ficar na creche de algum hotel?"

"Não, você estará na creche enquanto minha bunda está jogando vinte e um e apostando. E bebendo. E colocando notas de dólares num fio dental de uma stripper –"

"Se você recusa-se a parar numa cidade que não tenha um Breadstix, então eu me reservo o direito de recusar-me a ir pra Las Vegas."

"Meninas?" Quinn chamou suavemente, franzindo a testa quando se virou em seu assento e olhou pela janela de trás.

"Você é o troll mais chato no planeta, você –"

"Eu só não quero que nós sejamos pegas –"

"Meninas!" Quinn disse, com firmeza.

"O que?" Santana olhou pra ela pelo retrovisor e Rachel virou pra trás.

Um farol dianteiro solitário as seguia a uns 50 metros. Santana apertou o acelerador um pouco, seu batimento cardíaco aumentando e repentinamente luzes azuis e vermelhas começaram a piscar à medida que o farol chegava mais perto delas.

"Porra!" Santana disse entredentes, se preparando pra deixa-los comendo poeira.

"Ai meu Deus!" Rachel ecoou, diminuindo-se em seu banco.

Brittany gemeu, seu lábio inferior tremendo.

Quinn respirou profundamente e lutou contra a adrenalina correndo por suas veias e tentou pensar racionalmente.

"É – é uma motocicleta – tem apenas uma – ele deve ser o patrulheiro da estrada ou –" Quinn estava tagarelando, sua mão agarrando o ligeiramente dentado taco de softball que ela não tivera coragem de colocar na mala do quarto e mantivera no banco traseiro o tempo todo.

"O que nós fazemos? Foda-se – foda-se vamos apenas –" Santana pressionou mais o acelerador. O farol solitário se aproximou delas.

"Não, S, diminua. Apenas encoste, certo?"

"Que porra –" Santana começou mas Quinn a cortou.

um cara, certo? Você foge e ele chama reforço e então nós estamos realmente perdidas."

Santana agarrou o volante, trincou os dentes e contra seu melhor julgamento, começou a diminuir a velocidade do carro.

Elas mal podiam respirar enquanto o carro encostava e a sirene ficava mais alta. Quinn se encolheu o mais que pôde em seu assento e destrancou a porta dela.

O policial demorou pra se aproximar da janela da motorista e quando ele passou, Quinn abriu sua porta o mais silenciosamente possível e deslizou pela menor abertura que ela pudera.

"Você sabe por que eu te parei?"

Ela ouviu o policial dizer, rudemente, mas não era como se ele pensasse que elas eram procuradas por assassinato.

"Oh, oi, Policial! Eu estou tão arrependida; eu devo estar indo um pouco rápido –" Santana começou num tom de voz agudo enquanto Quinn ia pros fundos do carro, taco de softball seguro fortemente em suas mãos.

"Você chama 100 quilômetros por hora ir um pouco rápido? Carteira de motorista e registro do carro, Madame."

Rachel tentou manter seu rosto escondido enquanto o policial se inclinava pra olhar dentro do carro. Ele olhou a pintura por um momento, antes dos seus olhos irem pro rosto de Santana e então sua boca ficou boquiaberta.

Antes dele poder falar, Rachel escutou um som muito familiar de crânio rachando e o policial caiu de lado.

Quinn se encolheu quando o homem caiu na estrada, e Rachel rapidamente abriu a porta dela e correu pela frente. Ela segurou o pescoço do homem e então deu um suspiro de alívio.

"Ele está vivo!" Ela disse, checando a nuca dele e se sentindo mal com o sangue em seus dedos.

"Bata nele de novo!" Santana gritou, sem conseguir sair do carro, já que o corpo do homem estava amparado na sua porta.

"Espere!" Rachel jogou as mãos pra cima como se protegesse o cara e Quinn balançou a cabeça.

"Nós os amarramos," ela disse, abaixando o taco. "Isso é tudo."

Rachel concordou, mãos tremendo.

Santana se içou sobre a marcha e escalou pela porta do passageiro enquanto Brittany também saía do carro.

As quatro pairaram sobre ele, o farol dele iluminando o corpo tombado dele.

Elas o tiraram da estrada e o deitaram em fronte de um arbusto para que à luz do dia ele fosse facilmente visto da estrada. Brittany pulou em sua moto e a dirigiu até que estivesse próxima a ele – graças aos dias de motocross dela, era a única que sabia como dirigir uma motocicleta – e elas o algemaram a ela.

Rachel arrancou um pedaço da camisa dele e cuidadosamente enrolou a cabeça dele.

Antes de entrarem no carro, Santana e Quinn concordaram que deviam pegar a arma dele.

Apenas por precaução.

O-O

"Hit me baby one more time!" Brittany cantou contente, seu pé descansando no painel enquanto suas mãos batiam no ritmo.

Rachel dirigia a uma velocidade consideravelmente menor do que Santana, seus olhos se movimentando entre o retrovisor e os espelhos laterais, e a estrada, periodicamente no caso de outros faróis aparecerem. Ela tinha virado pro Norte o mais cedo que ela pudera.

Atrás, Quinn e Santana tinham suas cabeças juntas, a arma descansando entre elas no banco.

"Eu digo que usemos pra conseguir mantimentos." Santana disse baixinho, encarando a arma.

Quinn concordou.

"Mas não atiramos em ninguém. Nós só usamos pra assustá-los."

Santana alcançou a mão de Quinn e a apertou.

"Exatamente. Nós conseguimos gasolina, comida e seguimos nosso caminho. Sem dano, sem prejuízo."

"Rachel não vai concordar."

Santana apertou mais forte a mão de Quinn, a trazendo pra seu colo.

"Então nós nos vestimos como vaqueiras e a deixamos no carro. Ela será a que não sabe."

Quinn olhou pra nuca de Rachel, olhando a garota paranoica quase ficando vesga enquanto tentava manter seus olhos em todos os espelhos.

Então a loira concordou, e apertou mais a mão da Latina com a sua.


"Lembrem-se de manter seus sotaques os mais consistentes possíveis! E suas histórias! Quando tudo mais falhar, Santana, comece a falar rapidamente em espanhol e saia do estabelecimento o mais rápido possível que puderem. Se você entrar em problema, Quinn, movimente o chápeu no ar e Britanny e eu iremos buscar vocês!" Rachel estava enlouquecendo, ajeitando o chápeu de vaqueiro de Quinn e olhando preocupada pra peruca ruiva de Santana. "Me desculpe, Santana, um vermelho forte realmente combina com –"

Santana rudemente agarrou o braço de Quinn e elas começaram a andar pra longe da diva ainda tagarelante e em direção as luzes do posto de gasolina.

Quinn manteve seus olhos treinados pra frente, lata de gasolina na mão enquanto Santana batia na protuberância em suas costas onde ela escondera a arma.

"Ninguém é baleado." Quinn murmurou e Santana concordou com a cabeça.

Elas encheram a lata o mais que puderam, Quinn tentando parar suas mãos de tremer enquanto ela colocava a bomba de gasolina no lugar.

Com um final aceno de cada uma, elas foram em direção à loja.

"Tudo bem filho da puta, coloque as mãos pra cima!" Santana gritou pro recepcionista de meia idade comendo Cheetos atrás da caixa registradora.

Quinn moveu-se rapidamente pela loja, recolhendo comida.

O recepcionista colocou as mãos pra cima, olhos arregalados enquanto via as strippers vaqueiras roubarem a sua loja.

"Preciso de uma sacola!" Quinn gritou, lutando com latas de sopa.

"Nós dê uma sacola!" Santana latiu, mantendo a arma apontando pro cara.

O recepcionista começou a suar, imaginando como ele ia dar a elas uma sacola com as mãos pra cima. Santana pareceu perceber ao mesmo tempo, e se inclinou sobre o balcão e agarrou uma mão cheia de sacolas plásticas. Ela as jogou pra Quinn, que correu de volta pras prateleiras e começou a enchê-las.

"Por favor, não me machuque." O recepcionista murmurou e Santana olhou pra ele ferozmente.

"Eu disse que você podia falar?" Ela mexeu a arma em direção dele. "Não! Agora abra a caixa registradora e me dê todo seu dinheiro!"

Quinn tinha tanta adrenalina correndo em suas veias que ela não sabia o que estava agarrando, mas, estava se tornando visível que de forma alguma elas conseguiriam correr de volta pro carro com aquele tanto de sacolas.

"Nós precisamos de ajuda! Eu vou acenar com o chapéu!" Ela disse sem ar, correndo pra fora da loja e acenando seu chapéu com o mesmo nível de entusiasmo que ela uma vez mexera pom-poms.

"Jesus Cristo, porra. Aqui vamos nós." Santana murmurou, ajeitando a arma e tentando não parecer surpresa quando funcionou de fato. Ela nunca usara uma arma antes.

O VW dourado chegou com barulho ao posto, Brittany pulando dele e correndo em direção à loja quando Quinn correu de volta pra dentro.

"Leve essas pro carro! Encha-o com gasolina!" Quinn engasgou, acenando pras sacolas já cheia e correndo pras geladeiras pra encher mais.

"E se apresse." Santana disse entredentes pro recepcionista que enfiava dinheiro em suas mãos e então levantou as dele em rendição.

Brittany abriu a mala e jogou as sacolas dentro, então começou a encher o carro de gasolina.

"O que está acontecendo?" Rachel perguntou, estranhamente calma.

"Santana está apontando uma arma pro cara e Quinn está roubando toda a comida. E eu estou roubando gasolina!" Brittany respondeu, vendo os números subirem enquanto ela apertava a bomba.

"Huh." Rachel sentiu uma onda de perturbação passar sobre ela. Elas podiam ter contado a ela que iam assaltar o lugar. Ela perdera tempo precioso montando histórias pros personagens delas; escolhendo suas perucas e roupas; ficando orgulhosa que elas finalmente tinham aceitado o lado dela de estar em fuga.

Era apenas rude.

Quinn voou da loja agarrando sacolas plásticas, seu chapéu voando da sua cabeça quando entrou no carro e jogou as sacolas dentro. Brittany colocou a bomba de volta no lugar e levantou o recipiente pro bagageiro antes de fechá-lo e voltou pro banco do passageiro. Ela tinha pedido preferência, pra falar a verdade.

Santana saiu da loja de costas; ainda apontando a arma pro recepcionista.

"Você apenas pense em chamar os policiais antes da gente estar fora daqui e eu volto e atiro pra fazer um novo cu em você!" Ela gritou, tendo o melhor momento da vida dela. Ela estava tão durona nesse momento.

Ela pulou no banco traseiro do carro, olhos brilhando e sentindo como se quisesse rir.

Mas o carro não se mexeu.

"Estão todas com seus cintos de segurança?" Rachel perguntou a todas calmamente, e Brittany obedientemente colocou o dela através do peito.

"Eu sim!" A loira de olhos azuis disse felizinha.

"Que porra – Berry dirija a porra do carro!" Santana gritou, seu bom momento morrendo quando o pânico entrou em ação.

"Eu irei, Santana, uma vez que todo mundo esteja seguramente preso dentro desse veículo." A voz de Rachel tinha um certo tom e Quinn obedeceu sem dizer nada.

"Sua porra –" Santana começou.

"Apenas faça." Quinn murmurou, enquanto Rachel olhava resolutamente pra frente dela. Sim, dirigir seguramente era importante pra ela, mas, talvez a Latina pensaria duas vezes antes de mantê-la no escuro na próxima vez.

"Porra de vadia maluca," Santana grunhiu, colocando o cinto. "Eu vou atirar um novo cu em você sua ridícula desculpa de –"

Quando Rachel ouviu o clique do cinto de Santana, ela ligou o carro e saiu do posto.

Ela ignorou a reclamação de Santana e aumentou a música saindo de um dos CDs de Brittany e cantou junto a plenos pulmões.

"Eu sou uma vadia, eu sou uma brincalhona, eu sou uma deusa aos meus joelhos, quando você está machucado, quando você sofre, eu sou seu disfarce de anjo!"

O-O