N.T.: Para alegria (ou BAD) de vocês hahahaha POSTANDO \O/
Parte Cinco – Se você roubar meu brilho de sol
O tema do Cantinho de Sue começa, tão genérico e energético como se era antes. Agora, entretanto, tem uma batida de baixo debaixo da trilha. Sue pode ser vista parada do lado de fora de Joe Shmoe´s, e então na lanchonete em Utah. Depois, ela está de volta à mesa dela encarando seriamente pra câmera. Agora ela está parada, rindo de algo fora da câmera. Então ela está correndo por alguma rua suburbana em perseguição de uma figura encapuzada ,que dá olhadela pra suas costas temerosa. Corta pra Sue usando óculos escuros com os braços cruzados, dando um sorrisinho presunçoso pra câmera. Atrás dela esta uma van com um prato de satélite em cima e Mundo da Sue escrito por toda a lateral. Corta de volta pra Sue caçando a figura encapuzada, pegando-o e o jogando no chão. Um oficial de polícia aperta as mãos de Sue com um sorriso aliviado no rosto dele. A tomada final é Sue novamente usando óculos escuros na frente da van dela, apesar de que ela não estava mais sorrindo. Ampliando o foco nas mãos delas, que formava o 'C' dela patenteado. As palavras de 'Cantinho da Sue' estão estampadas debaixo da mão dela, mas uma linha aparece cruzando o 'Cantinho'. 'Mundo' é estampado sobre isso enquanto a música acaba.
Sue está em um estúdio, e esse é designado somente para uso dela. Há uma mesa no centro do estádio, com Mundo de Sue em letras grandes atrás dela. Ela não usa mais um agasalho. Ao invés disso, ela está vestida da cabeça aos pés em terno azul escuro com uma camisa de botão amarelo brilhante, gravata combinando e um chapéu fedora.
"Boa Noite América! Bem vinda à edição muito especial de Mundo da Sue – o ibope mais alto num show de estreia dedicada a pegar criminosos que esse país já viu. De um começo humilde em Lima, Ohio, para uma exibição nacional e um estúdio próprio. Os últimos dezoitos meses foram uma viagem e tanto. E eu sei que vocês concordam comigo, telespectadores, quando eu digo que isso é tudo graças ao grupo de jovens moças que agora estão pagando sentenças perpétuas consecutivas no Reformatório para Mulheres de Ohio."
Sue enxuga uma lágrima falsa do olho.
"Apenas pensando naquelas garotas – não mais consideradas delinquentes, o que Brittany Pierce está prestes a celebrar seu décimo nono aniversário em algumas semanas – e eu imagino, telespectadores como uma festa de aniversário na prisão realmente é. Talvez palhaços façam balões em forma de canivetes e cigarros ao invés de animais Diabos, eles talvez nem permitam palhaços na cadeia. Talvez seja uma presa de 100 quilos chamada Bessie, cumprindo pena por contrabandear heroína pra dentro do país vindo do Oriente Médio. Se esse é o caso, moças, eu não aceitaria nenhum balão dela, não importa a forma dele, e não só porque eles provavelmente estão cheios de narcóticos classe A; é uma aposta certeira que eles estiveram na passagem anal dela por um bom tempo – bem, apenas pensar nelas traz lágrimas aos meus olhos. Uma vez eu já treinei aquelas garotas – não incluindo Rachel Berry – e há um tempo eu tinha grande esperança para o futuro delas – também não incluindo Rachel Berry."
Ela suspira.
"Vocês podem estar se perguntando: por que refletir em algo que machuca você emocionalmente, Sue? Por que ir lá? Você sozinha conseguiu capturar três dos criminosos mais procurados nacionalmente no último ano e meio com sua integridade jornalística; deixe esse incrível quarteto – aquelas que fugiram – pra trás de você. Bem, telespectadores, a razão pela qual eu insisto nesses momentos dolorosos do meu passado são porque eu tenho um anúncio a fazer."
Ela se inclina de volta, levantando as mãos pro alto.
"Mas pra dar o efeito total de tão anúncio, vamos fazer uma viagem pela alameda da memória, certo? A próxima hora irá pintar os momentos mais assustadores e torturadores de coração da saga 'Faberrittana' do começo ao fim. Da minha primeira entrevista; para os começos de Cantinho da Sue e meu voto juramentado para pegar as garotas eu mesma; para o julgamento que agitou o país quase tanto quanto Mundo da Sue atualmente agita o de vocês."
Ela dá um sorrisinho arrogante.
"Então se acomode, telespectador, e preste atenção. Eu sei que tem sido um longo tempo mas prometo que vai valer a pena. Nos momentos finais do show de hoje, eu revelarei algo que todos os outros jornalistas, repórteres, oficiais de polícia e entusiastas do Triplo F irão invejar pelo resto das vidas deles."
A tela fica escura.
Uma filmagem da Escola William McKinley do lado de fora. Sue está vestida com um agasalho preto com listras vermelhas na lateral.
"Aqui é onde tudo começou. Atrás de mim está a escola onde Quinn Fabray, Rachel Berry, Santana Lopez e Brittany Pierce cresceram de jovens garotas com futuros promissores pra assassinas."
Filmagens de cada garota enquanto criança. Santana sorri sem dente; Brittany está estirando a língua; Quinn tem um pequeno sorriso no rosto; Rachel está com o olho brilhando e sorrindo pra câmera.
"O que aconteceu? O que mudou?"
Agora elas estão ao redor dos 10 anos. Santana é pega meio rindo, olhos fechados; Brittany está flexionando seus braços e carregando uma bicicleta suja; Quinn veste um vestido bonito e um grande laço no cabelo, sorrindo contidamente pra câmera; Rachel tem um microfone em sua mão, boca bem aberta e uma mão pressionada no coração dela.
"De todos os testemunhos – incluindo os das garotas – o dia que elas assassinaram os Fabrays começou normalmente como qualquer outro. Cada uma foi à escola e compareceram às suas aulas até perto do meio dia."
Fotos da turma de cada garota do anuário do último ano.
"Durante o julgamento, as garotas juraram que o assassinato não foi premeditado. Diabos, o juiz mesmo acabou acreditando nelas. Mas eu coloco essa pergunta pra vocês, telespectadores,"
Sue espreme o olho pra câmera.
"Por que três garotas populares, com animosidade conhecida pela quarta, entrariam no carro dela sem hesitação? Por que aquela quarta garota iria em direção a uma da casa delas – aquela que a atormentava mais das três – e ajudaria a matar os pais dela, num impulso?"
Corta pro gramado frontal da escola, agora sendo filmado em preto e branco. Quatro garotas correndo em câmera lenta em direção ao carro, cada uma olhando sobre o ombro. A palavra 'Dramatização' aparece na parte debaixo da tela.
As quatro garotas sorriem uma pra outras, fingindo sussurrar, e, a menor delas levanta a saia um pouco revelando uma faca amarrada em sua coxa. Uma das garotas loiras concorda e sorri, batendo na mão da outra loira. A quarta garota está vestindo uma camiseta que mostra duas mulheres se beijando e o cabelo dela está cortado em um mullet.
Ainda em câmera lenta, a câmera bate numa janela enquanto as garotas entram no carro. Sue está parada na janela com os braços cruzados e um olhar suspeito em seu rosto.
Corta de volta pro presente. Sue está agora sentada em seu velho escritório. Os troféus não estão mais lá mas a mesa permanece a mesma.
"Enquanto eu sentava no meu escritório naquele dia, telespectadores, eu sabia por instinto que aquelas garotas não estavam fazendo nada de bom. Mas eu não fui atrás delas, porque quem esperaria que carinhas tão bonitinhas, jovens garotas atraentes iriam cair em uma onda de crimes? Aqui não é 'Jane Adams' pelo amor de Pedro!"
A dramatização em preto e branco continua com as garotas dirigindo em alta velocidade e rindo. No banco de trás, a garota do mullet e uma das loiras se beijam. A garota no banco do passageiro brinca com sua faca enquanto a motorista rir e bebe uma lata de cerveja.
Sue agora está parada do lado de fora da residência Fabray.
"Quando as garotas chegaram, nem Judy ou Russell esperavam a carnificina que ia se seguir. Durante o tempo do julgamento, advogados de ambos os lados argumentaram várias vezes até que ninguém sabia o que era real e o que era uma pobre tentativa de se esquivar de assassinato doloso."
De volta à dramatização. Dentro de uma sala de estar bem bonita, um casal de meia idade e bem vestindo está sentado lendo o jornal e costurando. Eles sorriem um pro outro, antes de pular amedrontados quando há um som de pneu cantando do lado de fora da casa. As garotas explodem pela porta, gritando e rindo. Uma está portando uma faca e se apressa em frente pra esfaquear o homem nas costas.
"Agora quem está de castigo, Pai!"
As outras gritaram rindo, enquanto duas se moviam pra frente pra prender a mulher. A garota de mullet aponta pro peito da mulher e gargalha, enquanto a garota com a faca continua esfaqueando o homem.
"Eu quero minha vez!" A garota de mullet deixa a mulher. Ela pega a faca e começa a esfaquear o homem enquanto ri.
"Não! Por favor!" A mulher luta contra a garota loira mais alta, enquanto as quatro batem palmas animadas.
"Cale-se sua velha fedorenta!" A loira mais alta começa a estrangular a mulher.
"Nós devíamos ir matar um monte de gente!" A menor grita, desaparecendo na escada e retornando com uma mala cheia.
As outras todas concordaram, deixando os corpos do homem e da mulher caírem no chão. Elas bateram nas mãos uma das outras na saída, ainda rindo alto.
De volta pra Sue, que agora está parada do lado de fora do Joe Shmoe´s.
"O desejo delas por sangue não ficou satisfeito pelo assassinato cruel dos Fabrays, as garotas percorreram o país por mais inocentes pra assassinar. Elas tomaram algum café em Indiana, então voltada pro Ohio enquanto procuravam por mais vítimas."
As garotas dirigiam sem cuidado, gritando, rindo e jogando coisas pelas janelas do carro. Elas chegaram na lanchonete de beira de estrada.
"Eu aposto que tem um monte de gente pra matar aí!"
A menor sai do carro, pegando outra faca que estava presa na sua coxa e corre pra dentro da lanchonete de beira de estrada.
Dentro, três homens de boa aparência estão sentado em cabines separadas. Todos eles estão vestindo sua melhor roupa de domingo. O cozinheiro sorri e acena da cozinha quando a garota empurra a porta.
"O que eu posso fazer por você, Senhorita?"
"Você pode morrer!"
A garota vai em direção ao fundo para entrar na cozinha, mas um dos homens se levanta.
"Agora escute aqui, não venha aqui nos ameaçando jovenzinha! Nós somos honestos, pessoas tementes a Deus, e nós não fizemos nenhum mal a você –"
"Morra filho da p-" A palavra sofreu piii enquanto a garota pulava nele, esfaqueando-o repetidamente.
"Oh minha Deus! Pare com isso!"
O segundo homem se levanta, se benzendo enquanto se move em direção à garota. Ela continua esfaqueando o primeiro homem enquanto ele grita, então vira e esfaqueia o homem que se aproxima. O terceiro corre pela porta com seus braços agitando-se, enquanto o cozinheiro emerge da cozinha.
"Por favor, pare de nos matar! Eu darei a você o que você quiser, apenas por favor pare!"
Houve um barulho alto e ele cai de lado. Uma das loiras está atrás dele segurando um taco. Ela está rindo e apontando pra garota menor ainda esfaqueando o homem, coberta de sangue e sorrindo.
"Matar é tão divertido!"
"Vamos fazer mais!"
Elas deixam a lanchonete de beira de estrada. Quando elas vão embora, o cozinheiro se levanta e esfrega a nuca.
"Graças a Deus eu fui salvo! Eu devo chamar a polícia agora mesmo! Nós temos que pegar aquelas garotas! Com Deus como minha testemunha, eu não vou deixá-las se safarem!"
Ele deixa a lanchonete de beira de estrada, piscando com a luz do sol quando ele ouve uma engrenagem funcionando.
"Não tão rápido, puto!"
Ele grita quando o carro das garotas passa por cima dele.
Sue olha sobriamente para a câmera da Loja Geral e de Reparos de Acampamento Traiçoeiro.
"Parece que aquele assassinato não foi o bastante para satisfazer as garotas enquanto elas viajavam pelo país. Elas queriam dinheiro e poder."
As garotas estão dirigindo novamente, vendo um policial numa moto e acelerando até baterem nele. O carro então para, uma delas pula fora e corre pra onde está o corpo do homem. Ela pega a arma dele, ri e pula de volta no carro.
"Agora armadas, elas se dirigem para Acampamento Traiçoeiro – uma cidadezinha cheia de indivíduos trabalhadores lutando para se manter. Depois de cometer o primeiro ato de assalto à mão armada, elas vêm para cá para fazer um ato de proeza atlética."
A filmagem verdade da câmera de segurança de Acampamento Traiçoeiro passa novamente.
"Pra onde elas vão depois, telespectadores? Que horrores esperam pessoas que elas ainda irão encontrar?"
A dramatização continua com uma montagem das garotas dirigindo, rindo e gritando. Elas atiram uma arma pela janela, periodicamente se beijam e mandam pessoas se danar.
Sue está parada na frente da lanchonete de Utah.
"E aqui é onde o reino de terror delas chegou ao auge. Dentro desse prédio cinco pessoas morreram. Cinco pessoas boas, que o único crime foi comer na lanchonete errada na hora errada."
As garotas param no estacionamento, as quatro saem do carro. Elas agora têm cada uma duas armas – espingardas, pistolas e uma usa duas armas automáticas. Elas correm pra lanchonete, atirando no lugar todo e riem. Uma senhoria cai gritando enquanto o cozinheiro e a garçonete se juntam. Eles estão chorando e se beijando, enquanto tomam um tiro e morrem.
"Depois disso? Bem, as garotas alegaram, sob juramento, que elas alcançaram o ponto de virada. Não mais preenchidas com o desejo de sangue, elas ansiavam só aproveitar a liberdade delas enquanto durava."
As garotas estão paradas em uma floresta.
"Nós devíamos nos livrar dessas armas para que possamos nos safar de tudo isso!"
Todas concordaram, deixando cair suas armas.
"Nós somos estúpidas demais para conseguir escapar da justiça pra sempre."
"É melhor nos fazermos de boazinhas para que quando os policiais nos peguem, nos deixem sair dessa de boas!"
"É, bom plano!"
Todas riram e bateram nas mãos uma das outras, então começaram a beijar quem estivesse mais perto.
Sue agora está parada do lado de fora do fórum, vestida num terno marrom com uma camisa preta.
"O julgamento foi como, você pode se lembrar, um circo ridículo como a matança desenfreada delas. Triplo F se juntou do lado de fora do fórum dia e noite, demandando que as garotas fossem livres e taxadas de heroínas, enquanto um grupo de religiosos malucos demandava a pena de morte."
Filmagem de uma multidão é mostrada. Alguns seguram banners a favor das garotas – 'Triplo F – Faberrittana Livre para sempre'; 'Odeie o crime não o criminoso'; 'Eles provavelmente mereceram'; 'Eu amo você, Santana!' – enquanto outros estavam cobertos em chamas e rostos demoníacos.
Um carro de polícia chega e a multidão ruge ambas gritando e vaiando.
Algemada e usando óculos escuros, Rachel Berry é escoltada do carro em direção às escadarias do fórum por quatro policiais. Ela esconde o rosto enquanto anda, apesar de sorrir pra uma garotinha que acena pra ela. A garotinha está vestindo uma camiseta com uma grande estrela dourada pintada.
Um segundo carro de polícia estaciona, uma vez que Rachel já está dentro. Também algemada e usando óculos escuros, Brittany Pierce é a próxima a ser escoltada pela multidão por policiais. Ela sorri brilhantemente para a multidão, levantando as mãos para acenar. Um oficial puxa suas mãos com força pra baixo. Ao invés disso, ela coloca os lábios pra fora, fazendo um movimento de beijo. A multidão grita em resposta.
Um terceiro carro para, dessa vez com Quinn Fabray dentro. Ela esconde seu rosto enquanto é escoltada, mantendo sua cabeça baixa e não sorrindo pra ninguém. Pessoas na multidão tentam alcançá-la e tocá-la e uma adolescente desmaia enquanto os policiais e Quinn passam por ela.
Finalmente, um quarto carro chega. Santana Lopez é ajudada pra sair do carro, uma mão está algemada a outro policial enquanto o outro braço está numa tipóia. Ela sorri pra multidão, os óculos escuros dela claros o suficiente pra fazer a piscada ser visível por eles. Ela se encolhe com dor a algumas passadas, acenando com a cabeça pras garotas enquanto elas gritavam coisas pra ela. Quando ela alcança o topo das escadas, ela vira, rapidamente levantando o braço que estava algemado ao policial e acenou. Ela sorri brilhantemente, até quando o policial puxa o braço de volta pra baixo. Com um rolar de olho, ela se permite se virar e entra no edifício.
"Telespectadores, eu fiz o meu melhor pra conseguir uma câmera dentro do fórum. Eu realmente tentei. Infelizmente, tudo que eu fui permitida foi levar um bloco de notas e Finn Hudson. Vocês vão ter que acreditar na minha palavra no que aconteceu lá dentro, como também inúmeros testemunhos dos colegas jornalistas que fizeram o melhor para degradar os procedimentos com citações erradas e, francamente, acusações ridículas. Que Russell Fabray fisicamente maltratava a filha e que seu ato era de legítima defesa? Rídículo. Que Rachel foi quase estuprada na lanchonete de beira de estrada? Bem, eu concordarei que aquele homem tinha acusações similares contra ele de outra mulher. Mas quem em sua mente sã iria tentar assédio sexual contra Oompa Loompa verborrágica ridícula? É simplesmente lógica, pessoas. Desculpe, Tropeço."
Sue gesticula pra algo fora da câmera.
"Como sempre, telespectadores, Tropeço está na cena comigo. Houve um tempo quando desejei que o garoto fosse incluindo na matança desenfreada das meninas, mas, vocês me ligaram com suas preocupações sobre a segurança dele e quem sou eu para negar ao meu público o amor dele por um gigante idiota com um coração de ouro?"
Sue dá de ombros, então sorri.
"O julgamento inicial se arrastou por um mês, como se as chamadas por penalidade de morte pareceram serem ouvidas pelo Juiz Alfred Thompson. Mas então o julgamento foi colocado em espera, e, Juíza Mary St John substituiu Thompson depois de um escândalo controverso envolvendo um jovem garoto tailandês e algumas fotos que vieram à tona bem na hora pras garotas. Vocês ficaram passados, telespectadores, suas ligações pro estúdio não só desconectaram a linha completamente, provou sem sombra de dúvidas que Cantinho da Sue não estava acabado."
Sue anda alguns degraus pra baixo, sorrindo gentilmente em direção à câmera.
"Juíza St. John virou o caso. Todos os pensamentos de pena de morta voaram pela janela enquanto as garotas foram sentenciadas à penas perpétuas consecutivas, a serem servidas na Reformatório para Mulheres de Ohio, na singular cidadezinha de Marysville. Triplo F aplaudiram! Até a última estipulação da aparente leve punição foi revelada – apesar de cumprir suas sentenças na mesma prisão, as garotas seriam separadas não só em diferentes blocos de cela, mas, também diferentes níveis de segurança e punição. Brittany Pierce e Rachel Berry estão atualmente cada uma servindo pena perpétua para os assassinatos que cometeram, como também por seus papéis de cúmplices em assaltos à mão armada, em condições de segurança média. Santana Lopes está servindo três sentenças perpétuas sob segurança pesada e provavelmente nunca verá um mundo do lado de fora da prisão novamente. E finalmente chegamos à Quinn Fabray, servindo um total de cinco sentenças perpétuas, sob segurança máxima. Não só ela nunca verá o mundo lá fora, é provável que ela nunca mais veja a luz do sol novamente em seu tempo de vida."
Sue balança a cabeça tristemente.
"E o debate ainda se prolonga, telespectadores. Por que elas fizeram? O que foi que as impulsionou?"
Ela olha pro além.
"Talvez nós nunca saberemos. Se apenas houvesse uma jeito de eu perguntar pra elas."
A tela escurece.
Sue está de volta em seu terno azul marinho, sentada em sua mesa e sorrindo arrogante para câmera.
"O que me traz ao meu anúncio. Segurem-se, telespectadores, vocês vão querer ouvir isso. Por dezoito meses eu lutei pra chegar mais perto dessas garotas; para permitir câmeras dentro da sala do fórum para que vocês pudessem ver a justiça sendo servida com seus próprios olhos; para conseguir entrar nas celas delas e falar com elas, eu mesma. Diabos, eu estava pronta pra cometer um crime disfarçada e entrar naquela prisão do jeito antigo para conseguir o meu cara a cara."
A câmera amplia pro seu rosto e parte superior do corpo.
"Mas parece que alguém lá ouviu meus pedidos por justiça jornalística, porque no show da próxima semana, senhoras e senhoras, eu me apresentarei pra vocês, ao vivo, do Reformatório para Mulheres de Ohio. Eu, e, só eu, tive a oportunidade de entrevistar Quinn Fabray. O que, telespectadores, vocês dizem que isso não é excitante o suficiente? Bem!"
Sue coloca as mãos na mesa e se inclina em direção à câmera.
"Eu também entrevistarei Santana Lopez, Brittany Pierce e a anã. O que, telespectadores, isso ainda não é excitante o suficiente?"
A câmera dá um zoom no rosto de Sue.
"Eu entrevistarei as quatro ao mesmo tempo. É isso mesmo, vocês me escutaram! Ao vivo na televisão nacional eu, Sue Sylvester, entrevistarei as pessoas mais procuradas no país! Não só isso, será apenas a primeira e única vez que elas se reunirão desde a captura! E antes que vocês perguntem, não, você não está convidada Katie Couric! E eu fui certificada que esse evento único nunca será repetido! Na sua cara!"
Sue ri triunfantemente enquanto a câmera é puxada pra trás.
"Então se liguem na próxima semana, telespectadores, para testemunhar a oportunidade de entrevista da vida que vocês todos estão esperando. Eu perguntarei a elas as perguntas difíceis, os porquês e os comos que ninguém conseguiu tirar delas! E eu não descansarei até que todas as minhas questões – e as suas – forem respondidas!"
Ela enrola os dedos sobre o polegar.
"E é assim que eu vejo!"
O-O
O tema de Mundo de Sue toa.
Sue senta num terno branco zoot e camisa vermelha, olhando orgulhosamente pra câmera. Ela está sentada na frente de uma parede de tijolo branco que tem uma janela larga e com um vidro matizado. Em cada lado da janela estão guardas da prisão em uniformes acabados de passar segurando espingardas.
"Boa Noite, senhoras e senhores. Estou vindo à você hoje, ao vivo, do Reformatório Para Mulheres de Ohio, onde Quinn Fabray, Santana Lopez, Brittany Pierce e Rachel Berry estão encarceradas por um pouco mais de um ano. Elas estão cumprindo penas perpétuas consecutivas por uma série de crimes que tomou a nação como uma tempestade um ano e meio atrás. Arrasando o país por um pouco mais de um mês, essas garotas levaram medo aos seus corações, mesmo quando vocês imaginavam o que tinham acontecido para torná-las em pessoas tão desviadas. Era relacionado à sexualidade? Elas tinham caído vítimas do culto à Satã? Ou elas tinham simplesmente enlouquecido sob a pressão para ser perfeitas?"
Sue olha pensativa para a câmera, mordendo o lábio. Sua maquiagem e cabelo estão imaculadas.
"Bem, não imaginem mais. Na minha frente agora estão sentadas as moças em questão. Olá, garotas."
Sue vira a cabeça levemente, olhando pra depois da câmera.
As garotas são vistas sentadas em quatro cadeiras, lado a lado, com mais guardas armados atrás deles. Elas não estão algemadas – ao invés disso, cada uma tinham suas mãos torcidas em seus colos. Em frente delas havia uma larga mesa.
Brittany olha para a câmera apontada pra elas de vez em quando, mas não olha pras outras garotas. Santana olha pra frente resolutamente. Quinn mantém os olhos em suas mãos e Rachel olha de volta pra Sue.
"Diga-me, senhoritas, como a vida da prisão está tratando vocês?"
Brittany levanta uma mão para coçar o nariz. O guarda atrás dela se mexe levemente em resposta.
"A comida meio que é horrível e essa manhã eu totalmente quase torci meu tornozelo na aula de yoga. Mas isso não é tão ruim."
Santana dá de ombros bem blasé.
"É um quartel militar, porra. Isso é bem chato, porque eu não posso dormir mais até tarde e eu tenho tempo limitado à luz solar. Mas não é tão ruim quanto pensei que seria."
Rachel concorda com a cabeça.
"Eu estava esperando ser molestada em uma situação grupal no chuveiro, ou ser canivetada – é como nós chamamos armas pontudas aqui na prisão – no pátio de trabalho em algum tipo de disputa em uma guerra de gangues. Eu tenho que admitir, entretanto, que a única coisa que chegou tão perto disso foi quando eu fui coroada American Idol durante o concurso de toda prisão do mês passado. Eu admito, Janice tinha uma voz adorável e quase um tom perfeito, mas, você não pode bater dezoito anos de treino vocal só com talento cru."
Quinn não levantar o olhar das suas mãos, ou responde a questão.
Sue pisca, então franze a testa como se estivesse pensando.
"E essa é a primeira vez que você estão na companhia uma da outra desde que foram presas, não é mesmo?"
Brittany balança a cabeça.
"Nós nos vimos no julgamento, lembra? Você estava lá, Treinadora."
Santana franze o rosto.
"Ela não é mais a nossa treinadora, Britts. Não chame ela assim."
Sue parece ranger os dentes levemente.
"Você estavam sentadas em mesas separadas e não eram permitidas se falarem no julgamento, nem vem!"
Quinn levanta a cabeça e encara Sue.
"O que você esperava que nós fizéssemos exatamente?"
Sue se inclina de volta na cadeira dela.
"Francamente, eu não tinha certeza. As alegações de relacionamento sexual entre as quatro e pedidos fervorosos para não serem separadas levaram-me a acreditar que vocês iriam sentir falta uma das outras."
Rachel deu de ombros.
"Faz muito tempo. Mas nós passamos anos antes – antes de nós – de qualquer forma, anos antes não sendo amigas. Nós passamos um mês juntas, isso é verdade, mas já passou mais de um ano agora. Pessoas mudam."
Algo se mexe levemente na mandíbula de Quinn e Sue se inclina pra frente.
"Você está mentindo descaradamente! O que é isso? Uma tentativa pra ter sua cláusula de separação revogada? Bem não irá funcionar, senhoritas!"
Santana rola os olhos.
"Você vai nos perguntar qualquer coisa interessante ou eu estou perdendo Jersey Shore por nenhuma razão nesse exato momento?"
Sue cospe, bochechas afogueadas.
"Por que vocês matariam os Fabrays? Responda isso!"
Santana rola os olhos novamente.
"Nós já respondemos, durante o julgamento. Você sabe, o mesmo lugar onde você estava e as mesmas coisas que você ouviu, mas escolheu ignorar."
"Sobre o que você está falando, eu não –"
Quinn calmamente deu de ombros.
"Você percebe que aqui há televisões e que nós podemos ver seu show há algum tempo agora, certo? Incluindo o da semana passada. Cara, aquele foi um episódio interessante."
Os olhos de Sue se apertam e então ela sorri e dá de ombros também.
"O que eu posso dizer, moças? Na falta da verdade, nós mesmos temos que preencher as lacunas. Mas agora mesmo vocês tem uma oportunidade pra corrigir tudo que vocês acham que eu fiz errado."
Santana concorda e dá um sorrisinho presunçoso.
"Ok, então. Vamos bater nessa vadia. Pergunte-nos novamente, Sylvester."
Atrás dela, um dos guardas lutou contra o próprio sorrisinho.
"O assassinato Fabray foi planejado?"
O rosto de Quinn está impassível.
"Não."
Sue se encolhe ligeiramente.
"Então por que matá-los?"
Quinn suspira, enquanto as outras garotas se mantém em silêncio e não olham uma pra outra.
"Porque eu me apavorei. Ele me dominou, então eu lutei de volta. E elas me ajudaram porque eu sou amigas delas e elas estavam assustadas."
Sue parece duvidar.
"E se as suas alegações de legítima defesa são na verdade reais, como você explica a série de crimes que se seguiu? Uma garota boa e cristã não optaria por se entregar e enfrentar a punição justa pelo crime horrível que ela acabara de cometer?"
Rachel limpou a garganta.
"Todas nós estávamos assustadas. É simples assim. Nós fugimos porque nós estávamos correndo daquilo. Os eventos que se seguiram foram puramente circunstanciais."
Sue dá um sorriso arrogante.
"Oh sim, a poderosa Berry e o esfaqueamento frenético dos estupradores. Parece conveniente que a primeira pessoa que você assassina vem a ser um estuprador, você não acha?"
Rachel apenas sorri, não cedendo ao tom de voz de Sue.
"Não foi muito conveniente no momento. Eu estava ali para me entregar, na verdade, e um homem decidiu pegar o que pudesse, se você me permite ser tão rude. O que se seguiu foi pura legítima defesa."
Sue rola os olhos.
"Oh por favor! Você matou o homem porque você queria ser parte da gangue! Uma das crianças legais que você se encontrou reunida. Diabos, pode ter sido um ato ritualístico de passagem, por tudo que sabemos!"
Rachel permanece calma.
"Deixe-me fazer uma pergunta a você. Sue. Você acha que uma mulher, tendo sido estuprada, facilmente aproveita o resto da vida dela?"
"Eu não – que tipo de pergunta é essa? Como eu saberia?"
"Bem, tendo estado na prisão com mais de duzentas outras criminosas por um tempo agora, eu cheguei a conhecer muitas sobreviventes de estupro. É muito mais comum do que você acreditaria, Sue. E essas mulheres, enquanto se mantém fortes e confiantes, e lindas em sua luta continuada contra ser uma vítima, ainda carregarão essa experiência com elas pelo resto da vida. Algumas delas, de fato, perderam a virgindade nesse ato violento e desprezível. E pelo resto da vida delas, essa é uma verdade sobre elas. Um fato, Sue, desde que você parece gostar tanto deles."
O rosto de Sue está sem expressão.
"Seu ponto?"
"Meu ponto é que eu passarei o resto da minha vida sabendo que eu matei duas pessoas e ajudei na morte de outras. Esse é meu fardo pra carregar. Mas meu fardo nunca será que eu perdi minha virgindade devido à uma violência sexual. Eu não terei que lembrar disso, ou superar isso, ou achar a força que foi roubada de mim por causa disso. Eu sou sortuda, Sue, e eu preferia ser acusada de assassinar alguém em um ato de legítima defesa do que passar o resto da minha vida desejando que eu pudesse matá-lo."
Santana sorri arrogantemente, virando-se ligeiramente na direção de Rachel, mas não olhando pra ela.
"Amém pra isso."
Sue para por um momento, antes de dar de ombros.
"Um discurso apaixonado e uma causa válida. Mas vamos continuar, certo? Brittany, minha Brittany, conte-nos como foi fazer aquela incrível estrelinha jogada de um cesto em Acampamento Traiçoeiro."
Brittany sorri.
"Incrível. Eu sabia totalmente que nos tiraria dali e você nos fez praticar aquela jogada muitas vezes. Tipo, eu fui pra frente ao contrário de pra cima, mas, isso só tornou minha aterrisagem mais fácil!"
"Foi incrível, Britts."
Santana sorri, também, dando uma olhadela em Brittany rapidamente. Brittany fica ligeiramente vermelha, olhando pra Santana de rabo de olho.
"Obrigada, San. Você me jogou perfeitamente."
"Falando em você, Lopez, como o ombro está?"
Santana faz bico ligeiramente.
"Bem, doeu como uma filha da puta na hora. Eu desmaiei quando aconteceu – e eu ainda estou processando aquele policial imbecil, só pra você saber – porque tipo, eu tinha me entregado e ele ainda atirou em mim. Eu acho que foi um crime de ódio, pra ser honesta."
"Ela foi sortuda que não foi um pouco mais pra baixo e pra direita ou então teria ido direto no coração dela."
Brittany pareceu aperriada quando ela falou.
"Mas não foi, então tanto faz."
Santana disse apressadamente.
"Interessante. Telespectadores, nós voltaremos depois desse comercial para mais do assustador quarteto e como elas viraram assassinas sem coração."
Sue sorri pra câmera, parecendo calma e relaxada.
As garotas estão sentadas sem expressão, exceto por Rachel que parece arrasada.
"Garotas, digam à nação, como foi matar pessoas inocentes?"
Quinn vira a cabeça para algo fora da câmera e olha na direção de Sue.
"Terrível. Foi o sentimento mais horrível. Nós não queríamos machucar ninguém, nós só estávamos correndo assustadas."
"É, Q está certa. Foi como, diversão primeiro ter uma arma e roubas pessoas. Não importava, eu disse isso antes. Mas é tão fácil pressionar o seu dedo pra baixo e então repentinamente alguém está ferido ou morrendo e é tipo, porra."
Sue cruza uma perna sobre a outra.
"E levou matar Elsa Lafontaine e cinco pessoas em Utah para isso atingir vocês, hein, moças?"
Santana fez uma cara feia apesar de ser Quinn a responder.
"Infelizmente sim. E nós nunca pararemos de nos desculpar por isso."
Sue senta pra frente de repente.
"Oh deixem de merda, garotas! Vocês gostaram! O poder, o medo que vem de apontar uma arma pra alguém e saber que isso pode terminar a vida deles com a mais leve pressão!"
"Não, não gostamos."
"Não de verdade."
Ambas Quinn e Santana deram de ombro, enquanto Brittany repentinamente engasgou.
"Ai Meu Deus, eu esqueci de dizer olá pro meu pessoal do Bloco Lincoln! Monique, Dominique, Geminique e LaFresia – ei!"
Brittany acena pra câmera, enquanto o guarda atrás dela dá risadinhas.
"Charmoso. Tudo bem Fabray, próxima pergunta vai pra você. Por que a mudança de coração depois Utah?"
"Foi suficiente. Nós não queríamos mais machucar ninguém. Foi isso. Então nós não machucamos mais ninguém."
A atenção de Quinn é levada novamente para algo fora da câmera. Rachel dá uma olhada pra mesma coisa, ainda parecendo chateada.
Sue bufa.
"Lopez! Talvez você fará essa excursão valer algo! Diga-nos como foi esfaquear Russell ou atirar em Elsa ou qualquer coisa pela qual você está na prisão! E não me dê essa merda de culpa!"
Santana toma uma respiração profunda e relaxante. Ela se refestela na cadeira dela e então levanta os olhos pra câmera.
"Como é tirar a vida de outra pessoa? Bem, se você tivesse me perguntado isso um ano atrás eu provavelmente teria respondido com algo pensado para me fazer parecer fodona. Eu não mentirei sobre isso, era como eu agia. E então eu fui processada por assassinato, mandada pra prisão e Britts foi tirada de mim. Minhas melhores amigas foram tiradas também. E isso deve fazer uma garota se sentir fraca, mas não fez. Porque eu estava presa por assassinato e o Governo estava tão morto de medo de mim e minhas amigas que eles nos separaram. Eu percebi que ninguém nunca seria mais fodona do que eu. Do que nós. Não em toda a Lima. Nós vamos ficar na história e, ei, estou bem com isso."
Santana dá um meio sorriso arrogante enquanto o guarda atrás dela ri um pouco.
"Mas como realmente me senti ao matar alguém? Bem, Sylvester, era tudo tanto faz naquele tempo. Mas agora que eu realmente pensei sobre, você sabe, rememorei e toda essa merda nesse lugar como é supostamente pra fazermos, eu tenho que dizer, me senti bem ruim. Quem sou eu para tirar a vida de outra pessoa? E quem é o Governo para tirar a minha? É só uma bagunça maldita toda trágica, e eu e minhas amigas vamos agora passar o resto das nossas vidas presas para que pessoas possam se sentir melhor sobre elas mesmas ou tanto faz. Mas você sabe do que mais? Era uma vez, quando nenhuma de nós tinha matado ninguém. E então matamos. Então, claro, sintam-se seguros em suas casinhas sabendo que estamos presas e não podemos pegar vocês. Mas vocês não estão seguros e nunca estarão, porque há pessoas lá fora, andando livres, que podem foder vocês bem pior do que um bando de garotas assustadas lutando pela liberdade delas."
"Bem, isso é –"
Santana levanta uma mão, olhando pra Sue, cuja boca fecha com um franzir de testa curioso.
"Eu não terminei. Antes dessa entrevista continuar, eu só queria dizer que a oportunidade de expressar minhas opiniões ao vivo na câmera é uma coisa bem legal. Obrigada, Ex-treinadora, por mexer quaisquer pauzinhos que você precisou mexer."
Sue pareceu meio lisonjeada, meio confusa.
"Não foi algo fácil mas nada fica no caminho de Sue Sylvester e a procura pela verdade."
"Eu tenho que dizer, Sylvester, você conseguir seu próprio show porque quatro das suas estudantes saíram em uma onda de crimes? É como se, oh, eu não sei,"
Santana olha diretamente pra câmera, se inclinando pra frente e alçando uma sobrancelha.
"Destino tivesse dado uma ajudinha."
O franzir de Sue se aprofunda, enquanto ela balança a cabeça ligeiramente.
"Sim, bem, é o que é. Tudo bem, Oompa Loompa, sua vez. Você está envolvida em um relacionamento lésbico com Quinn Fabray? Rumores dizem que vocês colam velcro há anos, o que eu tenho que dizer, Q, me faz extremamente desapontada com você. Eu quero dizer, qual é! Experimentação sexual vá lá, mas, escolher a cantante mini-Shuester dentre uma variedade de atraentes –"
Uma sirene soa bem distante no fundo. Dois dos guardas parados atrás das garotas parecem ouvir, olham um pro outro e então se movem para fora da filmagem.
"Não há nada sobre esse rumor."
A voz de Rachel está quieta e ela engole visivelmente. As pálpebras de Quinn flutuam enquanto seus lábios se apertam.
"É ridículo."
A voz de Quinn é muito suave. Muito baixo, no fundo, há um som de gritaria.
Sue olha pra longe da câmera, franzindo a testa.
"O que? O que você quer dizer há uma –"
Corte para Jessalyn Briggs, que está sentada na sua mesa do jornal com uma expressão chocada no rosto.
"Senhoras e senhores, nós interrompemos o link ao vivo do Reformatório Para Mulheres de Ohio já que – eu não posso acreditar nisso – uma rebelião aconteceu. Eu repito, internas no Reformatório para Mulheres de Ohio – onde mais de duzentas mulheres estão atualmente presas – estão se rebelando enquanto falamos. Diretor James MacDonnell certificou – ele atualmente está certificando Sue – nós temos ela no link ao vivo em áudio – e ele está certificando-a que a rebelião será contida e – Ai Meu Deus –"
Jessalyn pressiona uma mão no ouvido, sua mandíbula ficando boquiaberta.
"Nós não podemos fazer – nós –"
Ela pula, encolhendo-se pro ponto eletrônico, enquanto uma mão aparecia pra cobrir a boca dela.
Corta de volta pra prisão, onde Sue Sylvester está na tela olhando pra câmera. Ela está agitada. Ao lado dela, Quinn Fabray tem uma espingarda em suas mãos e está apontando pra cabeça de Sue.
Finn Hudson também está na tela, com os braços pra cima e parecendo como se quisesse chorar. Santana tem uma espingarda apontada pra ele.
Uma terceira pessoa está parada com elas, também com as mãos pra cima. Ele veste um terno e aparenta como se ele estivesse prestes a morrer de medo e vergonha. Brittany aponta uma terceira espingarda pra ele.
Rachel entra na frente da tela, uma espingarda nas mãos mas que está apontando pro chão.
"Boa Noite, América! Meu nome é Rachel Berry e eu estou vindo à vocês ao vivo da prisão em Ohio. Agora mesmo, como vocês devem ter ouvido, internas estão se rebelando. Mais de duzentas mulheres estão neste momento lutando contra, bem, eu diria trezentos guardas. Quero dizer, tantos deles estão de licença saúde ultimamente, é ridículo. Eu ouvi por acaso o diretor – você pode vê-lo atrás de mim aqui – dizendo que você não consegue mais achar boa equipe, especialmente não pra prisão."
Rachel ri de boa vontade.
"Enfim, estou certa de que vocês estão imaginando o que estamos fazendo na sua tela. Bem, a coisa é, nós decidimos que se nós não estamos sendo mostradas ao vivo, nós iremos matar mais gente! Tais como esses três lindo aqui atrás de mim, um dos quais é uma figura de autoridade em nossa comunidade, e os outros dois são amados pela maioria das pessoas assistindo."
O rosto de Sue escurece enquanto ela encara a nuca de Rachel.
"Então é com vocês, oficiais e jornalistas aí fora. Se vocês nos cortarem por qualquer razão, nós simplesmente mataremos essas pessoas adoráveis atrás da gente. Claro, nós não queremos, nós gostaríamos que tudo fosse o mais fácil possível. Então se ele acabarem mortos, bem, isso não vai ser culpa nossa. Vai ser de vocês."
Ela sorri.
"Finn? Você pegaria a câmera e filmaria isso pra gente? Temo que o câmera está morto e nós estaremos nos movendo logo mais. Falando nisso, Brittany? A porta?"
Finn está tremendo e sai da filmagem. A câmera pula enquanto está sendo levantada e Brittany procura nos bolsos do diretor antes de remover um monte de chaves e saindo da filmagem.
A câmera segue o grupo enquanto Rachel passa pela porta primeiro, apontando sua espingarda pro diretor e Sue enquanto eles passam pela porta. Quinn segue com sua espingarda apontada para as costas deles. A câmera segue, virando-se para olhar pra Santana enquanto ela os segue. Ela levanta a espingarda dela.
"Olhos pra frente, Finnessa!"
Brittany pula pra dentro da filmagem, apontando a arma dela pra Sue e o diretor, enquanto Rache para e espera o grupo passar por ela.
"Eu peço desculpas, Finn, por isso. Mas você deve entender que nós não tínhamos escolha."
Ela se move pra fora da filmagem e Santana corre na frente do grupo enquanto eles caminham pelo corredor.
Há uma gritaria e um som de sirene, vindo da direção que eles estão indo. Depois de alguns momentos, um grupo de mulheres explode pela porta no final do corredor. A líder delas é uma garota alta com uma pele azeitonada e cabelo escuro – ela tem uma bandana ao redor da testa dela e uma lágrima tatuada debaixo do olho direito.
Santana corre pra ela e elas se abraçam brevemente, antes de gesticular em direção à outra porta. Brittany joga um par de chaves pra elas.
Quinn vira pra olhar pra câmera.
"Se qualquer um atirar em qualquer uma de nós, nós atiraremos em Sue. Nós atiraremos em Finn. Nós atiraremos no diretor. Todos morrem. Certifiquem-se de que eles saibam isso."
A voz de Finn pode ser ouvida, apesar da câmera continuar a seguir o grupo à medida que mais internas se juntam a eles, segurando vassouras e quaisquer armas que elas podem pegar.
"Rach, por favor, não faça isso. Certo? Eu amo você. Por favor, não faça isso."
A voz de Rachel está abafada; os gritos das internas rebeladas estão muito altos.
O diretor vira a cabeça, rosto conturbado.
"Parem! Todas vocês! Não se atrevam! Vocês não sairão daqui!"
Sue é jogada por um monte de pessoas ao redor dela.
"Olhem suas malditas mãos! Não sabem quem eu sou?"
Brittany mantém sua espingarda apontada neles, as internas deixando bastante espaço ao redor dela, Quinn, Rachel, Santana e o recém chegado para que elas pudessem manter as pistolas e armas levantadas.
Elas continuaram pelo corredor, pra baixo em um lance de escadas, antes de chegar a um par de barras grossas.
"Abram!"
O diretor ri enquanto Santana tenta sem sucesso abrir a porta.
"Essa porta requer liberação do outro lado, sua vadiazinha estúpida! Você nunca passará daqui! A porra da porta da frente? Você está brincando?"
Santana rola os olhos, andando em direção à câmera até estar bem em frente dela.
"Escutem, seus putos, nos deixe passar ou nós mataremos um desses vagabundos. Eu nem me pergunto quem, nesse ponto, se bem que o diretor me chamar de estúpido novamente eu o matarei apenas pelo prazer."
O peito de Sue está subindo e descendo enquanto ela vê as mulheres ao redor dela, cantando e rindo. Elas estão batendo nas barras enquanto os guardas do outro lado levantam suas pistolas, parecendo incertos.
Santana anda de volta pras barras.
"Abram a maldita porta ou nós começaremos a matar!"
Um dos guardas balançam a cabeça furiosamente.
"De jeito nenhum! Vocês não vão sair daqui!"
"Sério, cara? Vocês irão deixar essas pessoas morrerem ao vivo na televisão ao invés de abrir a porta?"
O cara engole com dificuldade enquanto a câmera trêmula o mostra.
"Ao vivo? Você está o que?"
Santana engatilha a espingarda, mantendo os olhos no guarda mas mirando em Sue.
"Vocês têm até a contagem de cinco. Um –"
O guarda mantem a arma apontada em Santana.
"Dois –"
A câmera vai e volta entre Santana e o guarda, mais gritarias surgem atrás do grupo – mais internas passaram pelo cerco dos guardas deixados dentro da prisão.
"Três –"
O guarda começa a tremer, dando uma olhada pro diretor, que agora está balançando a cabeça dele furiosamente.
"Quatro –"
"Oh, pelo amor de Deus!"
Sue se impulsiona pra frente e agarra a espingarda da mão de Santana, balançando pras costas dela e acionando o gatilho.
O diretor é explodido pra trás, sangue jorrando nas internas que estavam paradas ao redor dele.
"Abra a maldita porta!"
Sue grita, seus olhos brilhando quando Santana olha pra ela.
"Eu nunca me senti tão viva!"
Quinn olha nervosamente pra trás dela, passando a câmera.
As portas deslizam-se abrindo enquanto Sue aponta a espingarda pelas barras, mirando nos guardas.
Brittany dá um olhar chocado em Quinn enquanto o grupo começa a se mover pelas portas.
A voz de Finn pode ser ouvida muito baixa.
"Ai Meu Deus. Ai Meu Deus. Ai Meu Deus."
Sue tomou a liderança, gesticulando pro grupo para segui-la enquanto eles se dirigem para as portas da frente do edifício e descer as escadas, pros gramados da frente da propriedade prisional e em direção à van de notícias dela.
A câmera segue enquanto Santana entra na van, pegando a espingarda de volta de Sue e a forçando a entrar. Brittany segue e então Quinn. Algumas internas entram com elas, antes da câmera se mover pra dentro da van.
A van liga e Quinn aparece na tela da câmera.
"Mantenham ao vivo ou nós mataremos Sue e Finn. Se nós vemos qualquer um atrás de nós, ou helicópteros, nós atiraremos neles. Nós mataremos todos, porra. Nós pararemos e atiraremos num estranho na rua. Apenas mantenha ao vivo."
O fundo da van está escuro. Doze garotas estão amontoadas dentro do pequeno espaço, menos Rachel e Santana. A câmera vira pra motorista – Santana – enquanto Rachel olha pra traseira da van do banco de passageiro. Ela olha pra câmera quando é virada pra ela.
"Mantenha nas garotas, Finn."
A câmera vira de volta.
Fica nas garotas na traseira da van. A face de Quinn está pensativa e Brittany está mordendo o lábio.
Depois de meia hora, a van para.
Quinn passa por Finn e o som da porta deslizando sendo aberta é ouvida. A maioria das garotas saem. As únicas exceções são a garota usando a bandana e com tatuagem de lágrima no rosto, Sue, Brittany e Quinn.
O som da porta deslizando pra ser fechada é ouvido.
A câmera pula ao redor quando a van é ligara novamente e continua a pular ao redor como se a van estivesse passando por um terreno com pedregulhos.
A garota usando a bandana se move pra frente, suavemente murmurando no ouvido da motorista. A câmera a acompanha mas Quinn franze a testa e bate no cameraman, então a câmera se mantem na traseira.
Vinte minutos depois, a van para novamente.
Quinn passa pela câmera e a porta desliza pra abrir.
"Fora."
A câmera vai pra fora da van. Não há nada além da floresta ao redor deles.
"Isso é ridículo."
Sue sai da van, mãos atrás da cabeça enquanto Brittany a segue com uma espingarda apontada pras costas dela.
Rachel se junta ao grupo, apontando a arma pra câmera.
"Hora de colocar no chão, Finn."
Enquanto a câmera é baixada, há um som de grito da van.
"Foda-se você, Rose!"
É a voz de Santana, e então o som do tiro da espingarda soa fazendo todo mundo pular.
Santana anda pra filmagem, sangue espirrado por todo seu rosto. Ela mira a arma pra Sue então dá uma olhadela pra câmera com uma carranca. Ao invés disso, ela mira a arma pra câmera.
"Basta dessa maldita câmera! O diretor está morto e também a Rose! E vocês sabem do que mais, America? Vocês também!"
Ela aperta o gatilho, há uma explosão e a tela fica preta.
O-O O-O O-O O-O
"Santana Lopez, diga a corte – em suas próprias palavras – o que foi que causou com que você e suas amigas deixassem Lima depois de assassinar Russell e Judith Fabray?"
Santana respirou profundamente, se encolhendo com a pequena dor em seu ombro intensificada pela respiração. Ela não podia parar de encarar Brittany, desejando que ela pudesse pular sobre o tablado de testemunha e agarrar a garota. Apenas agarrá-la e abraçá-la forte e não deixá-la ir.
Isso era péssimo.
"Nós não sabíamos o que fazer. Nós estávamos assustadas, horrorizadas pelo que tínhamos feito." Ela fechou os olhos brevemente, tentando juntar toda a culpa que ela podia mostrar. Porra, talvez ela pudesse começar a chorar ou qualquer coisa? Isso faria o júri derreter-se, ela sabia. "Foi horrível, aquele dia. Foi facilmente o pior dia da minha vida. Eu perdi minha inocência, eu perdi minha casa e minha família. Sim, nós fugimos. Mas qual é o sentido quando você não tem pra onde ir, sabe?"
O advogado dela concordou simpático, se virando pra vigiar a sala do fórum para se certificar de que todos estavam prestando atenção.
Ela olhou pra Brittany novamente, que deu à ela o menor dos sorrisos.
Ela usou aqueles olhos como âncora. Diabos, ela diria qualquer coisa contanto que ela pudesse olhar praqueles olhos pro resto da vida dela.
"Vamos para o dia da sua prisão. Diga ao júri – e à corte – os eventos que levaram ao seu machucado – o machucado que podia muito bem ter tirado sua vida."
"Nós sabíamos que estávamos sendo seguidas. Quero dizer, sabíamos que não podíamos fugir pra sempre. Nós estávamos com dezessete, nós não conhecíamos ninguém que pudesse nos ajudar. Nós estávamos fugindo assustadas e cegas, fizemos um pacto para – de parar de matar pessoas e se entregar uma vez que fossemos pegas. Então foi isso que fizemos. Nós saímos daquele posto de gasolina sem qualquer arma, mãos levantadas como eles queriam. Eu estava –" aí estavam as lágrimas que ela estava procurando. Ela enxugou uma, certificando-se de se encolher quando fizesse. "Meio que aliviada, sabe? Estava acabado, nós podíamos parar de fugir e estar assustada. E então antes que eu soubesse, ali estava aquela explosão de – de tanta dor em meu peito como – eu pensei que eu iria morrer. E eu não podia entender por que, eu tinha me entregado! Eu pensei que a polícia, sabe, eu pensei que eles respeitassem pessoas que se entregavam à eles e eu – talvez seja porque eu sou gay, eu não sei –"
Brittany respirou calmamente. Ela podia ver a Treinadora nas arquibancadas, franzindo a testa pra elas e olhando tudo intensamente. E ali estava Finn! Ela olhou ao redor por qualquer pessoa que ela pudesse conhecer, mas, a maior parte era pessoas de terno com a cara fechada.
Quinn parecia tão triste sentada ali, roubando olhadas de Rachel. Rachel se mantinha olhando de volta pra ela e tentava sorrir, apesar das lágrimas em seus olhos fazer isso parecer trágico.
E ali estava Santana, olhando de volta pra ela. Ela queria sorrir e rir mas não fez isso. Porque claro, isso era chato e era realmente triste, mas, Santana estava viva. Ela manteve a promessa dela.
As primeiras semanas na cela de confinamento, ou como quer que fosse chamado, tinha sido as piores. Ela estava certa de que Santana tinha morrido e de repente ela não se importava de estar presa ou ser jogada em um buraco ou o que quer que acontecesse com elas. Pela primeira vez, ela estava bem certa de queria morrer também.
Mas então o guarda gentil tinha vindo a ela uma noite e disse a ela que a garota que amava tinha acordado e tudo ficaria bem.
Então aqui estava esse grande julgamento agora e prisão agigantava-se e talvez até a pena de morte. Mas ela ainda podia olhar para aqueles olhos – do outro lado da sala, do outro lado da prisão, diabos, do outro lado do mundo inteiro se ela tivesse que – e saber que eles estavam olhando de volta pra ela, e, só pra ela.
Oh, certo. Perguntaram algo a ela.
"Nós começamos a roubar pessoas porque estávamos realmente com fome e era perigoso ir pra um motel e tal. Cidades estavam fora também. Nós tínhamos material de acampamento, mas, o carro de Rachel é bem pequeno então nós tivemos que continuar a estocar comida. E tipo, nós não queríamos atirar em ninguém, nós só queríamos doces e mais sopa. Bem, elas queriam mais sopa. Eu odeio sopa. Eu não entendo realmente o que é. É comida? É bebida? É tipo vômito. Tipo, você come e o seu corpo não tem que fazer nada para se transformar em vômito. Eu só não entendo porque pessoas gostam."
Rachel não podia acreditar que Finn Hudson estava sentado ali assistindo. O que ele estava fazendo ali? Sentado com Sue Sylvester? Isso era humilhante. Não havia jeito dela participar de um julgamento por assassinato se ele estivesse – bem, em outros tempos ela estaria participando de acordo, vestida em sua melhor roupa estilo Jackie O e chorando sua inocência na galeria. Ainda era chamado galeria?
Ela não iria atender simplesmente para ver tal ocasião para – por que ele estava ali? Ele não tinha oferecido apoio e estava sentado com uma mulher que tinha ajudado a vilanizar as meninas aos olhos do –
Talvez fosse o poder do amor, ou o fato de que Quinn estava parecendo chateada durante a coisa toda, mas, de repente, ela não podia entender o que ela havia visto no garoto. Certo, ele tinha uma bonita cara e tinha sido doce mas ele – ele era só tão estúpido.
" – seu veículo, Srta. Berry. Você pode dizer à corte por que você ofereceu um objeto pessoal seu para ajudar três garotas que – como nós entendemos dos outros testemunhos e das próprias palavras delas – não eram suas amigas diretas?"
Rachel concentrou-se no rosto da mulher por um momento, antes dos seus olhos inevitavelmente deslizar para olhar pra Quinn.
Deus, ela estava tão bonita, mesmo agora.
Ela tinha que fazer isso certo.
"Havia um histórico de animosidade entre nós, isso é correto. Entretanto, eu desafio vocês a não encontrar o mesmo entre todos os grupos de garotas adolescentes. Em algum ponto ou outro, nós brigamos. Nós disputamos – se você quiser – sobre os assuntos mais ridículos porque nós ainda estamos crescendo e nós somos ensinados a nos destacar dos outros. Ensino Médio é sobre aprender, isso é verdade, mas uma das lições que eu aprendi bem cedo foi que isso não era sobre aprender junto, era mais uma competição sobre quem podia aprender o que primeiro. Sobre sexo, por exemplo, ou amor. Quem podia ficar no lugar de honra, ou aprender como fazer um touchdown primeiro. Você tem que lutar pra ficar à frente, sobre a falsa ideia de que se você não ficar, sua vida adulta seria um fracasso."
A advogada abriu a boca pra falar, mas Rachel rapidamente continuou.
"O que nós devíamos aprender é que – é que se você deixar um humano nu no meio da floresta, sem levar em conta o intelecto ou proeza ou popularidade, ao final da semana ou por aí, você terá um humano nu morto. Entretanto, se você deixar um grupo de humanos nus na floresta, ao final do mesmo período de tempo eles vão ter tomado conta."
Houve risadas silenciosas na sala e ela sentiu suas bochechas corarem enquanto ela percebia que Finn estava tentando não rir. Honestamente.
"Nós precisávamos uma da outra. Nós apenas precisamos. Num ambiente de competição sim, nós não éramos conhecidas pela nossa amizade. Mas em um de sobrevivência, de ter ninguém além da gente? Eu não sei se qualquer um nessa sala além de nós quatro irá experimentar isso, mas muda você. Muda como você vê uma à outra. Nossa amizade e – e amor," ali estava os olhos de Quinn, agora olhando pra ela com tal significado por trás deles que parou a voz dela por um momento. "Não estava ali no começo. Mas só porque não estava lá no início, não quer dizer que não pode ter."
"E foi esse amor e amizade que incitou vocês quatro a matar?"
"Não, absolutamente não. Foi esse amor e amizade que nos incitou a fazer o que precisasse pra ficar juntas. Se eu puder ofertar uma citação de Madre Teresa que eu sinto apropriada à corte – ela disse, 'Se não há paz, é porque nós esquecemos que pertencemos um ao outro.' É tudo o que há, realmente. Nós pertencemos um ao outro, eu não sei como –"
Quinn estava chorando? Ela estava sorrindo também, mas tudo ao mesmo tempo Rachel queria quebrar as algemas dos pés dela para que ela pudesse ir até à garota e enxugar as lágrimas dela. Para dizer a ela sobre o amor que sentia, que ela era amada. Mais profundamente que ela já havia sentido na vida dela.
Bem, era isso. Quinn estava no banco de testemunhas. Agora era a chance dela de assumir total responsabilidade por toda essa maldita bagunça.
Bem, a maior parte dela de qualquer jeito. As outras três tinham ido primeiro e aceitado culpa por muito, e, isso não era certo. E a pena de morte ainda estava na mesa.
Ainda, ouvindo as outras três falarem tinha feito algo ao coração dela. Em toda perdição e melancolia antecipada, ainda havia um pequeno raio de esperança. Porque elas não a culparam, mesmo agora, mesmo com o resto das vidas delas completamente arruinadas e possivelmente inteiramente acabadas.
Amigas. Verdadeiras amigas. Mais do que ela podia esperar ter.
"Eu sei que é minha culpa que elas tenham se envolvido. Eu aceito isso. Eu devia ter me entregado no começo e apenas tomar a responsabilidade total. Eu sei disso também. Eu não posso dizer por que eu não fiz, mas eu só – eu me apavorei. Todas nós. Há – eu não estou culpando a mídia ou filmes ou algo do tipo, mas, a maioria deles apenas mostra todo mundo sendo pego e indo pra cadeia e esse é o fim, sabe? Essa é a razão. Eles têm que ser pegos e é isso pra eles. Ou eles morrem. Então eu – eu não queria que fosse o fim ainda. Eu tinha dezessete, minha vida era pra estar começando ao invés disso parecia que – eu sentia como se estivesse terminando. Eu tinha sentido isso, por um tempo, pra ser honesta. Mas eu não – eu não sou alguém que apenas deita e espera acontecer. Então eu lutei contra. Eu fugi, e eu – eu tentei adiar o fim, e o fim das minhas – minhas amigas também. Foi errado, eu sei que foi errado e eu sinto muito, muito."
Ela olhou sobre o júri, sobre a audiência, mesmo o juiz enquanto falava. Mas suas palavras eram pras três garotas sentadas na frente dela, separadas por advogados e não eram permitidas a se virar e olhar uma pra outra. Ela olhou pra elas, agora, uma por uma.
Quando seus olhos encontraram os de Rachel, eles ficaram ali.
"Mas eu não me desculpo pelo que nós achamos, umas com as outras. Eu desejava que pessoas não houvessem morrido, eu realmente desejava. Mas o que eu senti – o que eu sinto agora? Eu não trocaria por nada. Qualquer coisa."
O-O
