"Tudo bem, garotinha, você está aqui com a Rose. Vigie-a, certo? Ela é uma safada, hein. Mas nós colocamos vocês juntas porque vocês têm muito em comum." A guarda riu enquanto gesticulava para uma pequena cela. "Com sua raça e tal, e, seu negócio de matar."
Santana andou cuidadosamente para a cela, olhos marejando levemente com o fedor. Porra de inferno. Prisão.
Rose, ou qualquer que fosse o nome dela, estava deitada na cama de baixo lendo um livro. Enquanto o guarda falava, ela rolou os olhos e estirou o dedo pra ela.
Bem, Santana podia entender essa reação.
"Obrigada," ela murmurou, se levantando nos dedos para olhar para a beliche de cima suspeitadoramente. O colchão estava um pouco manchado, mas estava, em sua maior parte, limpo.
"Durmam bem, garotinhas!" A guarda gritou, fechando a porta com um bang e virando a chave na fechadura.
"Ei," Santana disse, imaginando se isso estava prestes a se tornar um daquele filmes onde ela iria ser tipo, estuprada ou espancada por uma líder de gangue ou algo do tipo. Ela se sentiu mal.
"Ei," a garota respondeu facilmente, continuando a ler o livro dela.
Okay, ela podia lidar com isso. Diabos, talvez elas fossem similares fora da merda de mente fechada que a guarda tinha dito.
Ela colocou suas coisas na pia da cela e alcançou os lençóis dobrados na cama de cima. Já que estava ali, podia fazer a cama e deitar nela.
"Atenção, internas! Nós temos um peixinho pra todas vocês brincarem. O nome dela é Brittany e eu escutei que ela é bem flexível!" A guarda riu da própria piada, enquanto Brittany olhou ao redor do corpo dela para sete garotas abarrotadas no salão.
Ei, prisão não era tão ruim. Isso era como acampamento de líder de torcida.
"Oi!" Ela acenou, sorrindo brilhantemente pras outras mulheres, que fizeram, todas, uma cara feia pra ela.
A guarda manteve-se rindo enquanto fechava a porta.
"Quebrem ela, vadias!"
"O que isso significa?" Brittany perguntou enquanto a guarda ia embora e uma das mulheres se levantava. Ela era alta – realmente alta – e tinha tranças no cabelo.
"Ela quer dizer que devemos ensiná-la quem é o chefe, isso é o que ela quer dizer." A voz da mulher era um ronco baixo e ela se aproximava da loira.
"Oh, quem é a chefe? Porque eu sou nova e tipo, se tem uma chefe isso é legal." Brittany deu de ombros, movendo-se e olhando para as beliches no lugar com jeito de dormitório. Ela finalmente achou uma cama de cima vazia e isso era incrível porque ela amava o alto.
Houve silêncio das outras mulheres no local, até que todas elas explodiram em gargalhadas.
A mulher alta com tranças balançou a cabeça, estendendo a mão.
"Nome é Monique. E você é uma daquelas garotas da tevê, certo? Deixou todo mundo virado nas notícias e tal?"
Brittany balançou a cabeça vigorosamente, concordando e sorrindo.
"É, isso foi eu e minhas amigas. Quinn – ela está tipo no pior lugar pra ser presa aqui – e Rachel – ela está em algum outro prédio mas eu acho que é como esse aqui – e Santana. San está em outro lugar, também." Seu sorriso caiu do roso enquanto ela imaginava a outra garota numa sala com ela, aqui, e agora elas poderiam compartilhar uma cama se estivessem juntas, e, manter uma à outra quentinhas.
Monique concordou pensadoramente.
"Digo a você isso, Peixinho, eu meio que gosto de você. Você não é uma daquelas branquelas vadias esnobes como nós pensamos que você seria. E as guardas aqui? Merda, metade delas são piores do que as internas. Fodam-se elas, tá me sentindo?"
Brittany suspirou profundamente, agradecida por ser gostada.
"Estou sentindo você, sim. Mas meu nome pode ser Patinho ao invés de Peixinho? Eu gosto muito mais de patos."
Ela não estava certa do porquê todas começaram a rir, mas, ela se juntou de qualquer forma. Isso não era tão ruim, afinal.
Rachel estava tentando não hiperventilar. Isso não era como seu plano de vida era pra acontecer. O que estava errado com ela? Ela foi e matou pessoas? Ela estava pronta pra vomitar. Ou desmaiar. Em nome de tudo que era sagrado, ela estava na prisão.
Toda cena de prisão de todo filme e show de televisão que ela tinha visto – e ela tinha visto muito sem sua juventude sem amigos – passou em sua mente. Ela não iria tomar banho, ela apenas não iria. Ela recusaria no argumento da privacidade e um desejo de não ser estuprada quando ela pegasse do chão o –
Oh Deus, ela rezou enquanto ela levada para a ela dela, por favor não me deixe nunca, nunca derrubar o sabonete em qualquer situação. Talvez ela deixasse totalmente de lado o sabonete? Ela imaginou se podia conseguir sabonete líquido na prisão? Derrubar isso não requeria que alguém se inclinasse pra pegá-lo, afinal.
Ela tentou acalmar seu coração acelerado, ela realmente tentou. Mas aqui estava ela em seu macacão, sendo levada por uma guarda de prisão, para a cela dela.
Ela estava errada. Oh, Deus, ela estava tão errada. Ela devia ter dirigido para a delegacia de polícia mais próxima, não embarca numa viagem de atos criminosos!
Ela estava – ela estava prestes a desmaiar – ela podia sentir –
"Você está aqui, peixe pequeno. Agarre aquela cama ali e sinta-se em casa." A guarda a olhou com bondade, a expressão dele uma de simpatia. "Escute, não é tão ruim aqui eu prometo. Apenas se acomode, e então nós veremos sobre colocar você em um dos seus programas, certo?"
Rachel estava tremendo violentamente. Programas? Que programas? Ele queria dizer gangues? Oh Deus, e se lá tivesse uma tribo de ultra branconeo-nazis aqui que iria passar um estilete nela tão logo ela colocasse o pé no pátio?
"Quem é essa?"
Era uma interna falando! Uma criminosa! Ela não era uma delas!
"O nome dela é Rachel, coitadinha. Escute, Janice, você pode mostrar as coisas pra ela? Diga a ela algo sobre os programas que temos pra oferecer, você sabe, talvez o programa de tapeçaria ou vida selvagem? Você gosta de animais, doçura?"
Rachel piscou, pronta pra jogar as coisas dela no chão e correr gritando na direção oposta. Mas espere, o que?
"Ani – animais?"
A interna – Janice – sorriu bondosamente, concordando com a cabeça. Ela estava nos seus trinta anos e tinha seu longo cabelo vermelho puxado em uma trança.
"Oh querida sim, eles gostar de focar na reabilitação aqui. Há cursos de faculdade e todos os tipos de coisa pra aumentar suas habilidades quando você sair daqui –" ela colocou o braço ao redor da garota trêmula, gentilmente a guiando para dentro da sala enquanto o guarda sorriu pra ambas.
"Durmam bem, moças."
"Quando eu sair daqui?" Rachel estava quase certa de que isso não era uma opção.
"Claro! Ou você sabe, só pra passar o tempo. Qualquer coisa que preferir, docinho. Ei, você gosta de música? Eles tem noites de microfone aberto ali na sala de recreação uma vez por semana e a cada mês nós temos nosso próprio American Idol –"
Rachel sentiu seu coração se acalmar substancialmente. Ela não estava sendo estuprada e essa boa e adorável mulher estava falando sobre –
"American Idol?"
Bem, ela nunca tinha visto isso em filmes, isso era certeza.
A porta fechou com estrondo atrás dela.
A guarda mal tinha dito uma palavra. Apenas mostrou a ela a pequena cela que ela acreditava que era sua nova casa, e fechou a porta atrás dela.
Não era tão ruim, ela pensou. Meio como ela pensou que uma sala de faculdade seria. Exceto pelo banheiro que não tinha porta e havia barras na janela.
Mas ali havia uma pequena estante e uma cama.
Ela imaginou se havia uma biblioteca em algum lugar da prisão e se seria permitido visitá-la.
Ela ganharia uma hora todo dia para exercício, mas, fora isso, ela teria que ficar na cela dela sozinha.
Bem, Quinn refletiu, ela estava acostumada a estar sozinha. Seria como a infância dela novamente.
O-O
"De onde você é?"
Santana olhou ao redor dela por um momento, antes de se voltar pra sua colega de sala.
Elas estavam sentadas na mesa da cafeteria e até agora a única coisa que Rose tinha dito a ela fora 'Ei'. Naquela manhã, ela simplesmente seguiu a garota por todo lado como um filhotinho perdido porque ela não tinha certeza do que outra porra ela podia fazer consigo mesma.
"Lima."
Rose bufou.
"Que buraco de merda."
Santana concordou, dando de ombros.
"Você?"
"Cresci em Columbus. Minha irmã ainda está lá, mas, o resto da minha família foi embora. Meu irmão está lá em Chicago."
Santana exalou uma respiração, imaginando onde Brittanyestaria, naquele exato momento. Certamente, algum lugar bem perto.
Mas não perto o bastante.
"Família grande?"
Rose mastigou o resto do que tinha na boca lentamente, antes de engolir.
"É, você pode dizer isso. Você?"
"Não realmente. Eu tenho um irmão mas ele – bem, nenhum deles está mais falando comigo, então..."
Rose deu de ombros, colocando mais ovos no garfo dela. Ou o que era pra ser tomado como ovos, de qualquer forma. Santana estava pronta pra morrer de fome, do que comer aquela merda. Ela imaginou se eles tinham noites do hambúrguer na cadeia.
"Algumas vezes sua família é seu sangue e algumas vezes sua família é seu amor. Eles podem ser ambos, mas, eles não tem que ser."
Santana descruzou os braços, sua mandíbula tensionando quando lembrou deBrittany. E Quinn.
E Rachel.
"Então, hã, pelo que você está aqui dentro?"
Rose continuou a comer.
"Assassinato."
"Oh, certo. É, aquela guarda disse isso – você não é realmente muito falante, né?"
Com isso, Rose riu.
"Eu digo apenas o que precisa ser dito. Mas você, você diz muitas coisas, não é mesmo? Isso pode ser útil, algum dia."
Santana pegou um pedaço de torrada do prato dela, espremendo os olhos pra um dos lado. Isso era mofo?
"É, bem, não tem sido até agora."
Rose apenas sorriu.
"Okay, então você move sua perna desse jeito, olhe." Brittany levantou a perna dela até que seu pé estivesse apontando sobre sua cabeça.
Monique ficou olhando, boquiaberta, assim como as outras mulheres.
"De jeito nenhum no inferno que eu farei isso sem rasgar minha vagina no meio! Que porra?"
As mulheres começaram a rir, enquanto Brittany rolava os olhos.
"Ei, eu posso ensinar vocês como fazer. Eu prometo. Nós ganharemos daquelas vadias em Hale, elas não saberão o que as atingiram!"
As mulheres todas concordaram uma com a outra, encorajadoramente, e, começaram tentando levantar as pernas pra cima o mais alto que podiam.
Brittany estava tão orgulhosa delas. Elas eram tão sortudas que a garota com treinamento em dança tinha sido designada para a ala delas. A próxima dança na noite do microfone aberto?
Era delas.
"Jesus, você pode cantar!" Janice gritou batendo palmas, ficando em pé do assento dela enquanto as outras acompanhavam.
Rachel ficou vermelha, fez uma ligeira reverência e se voltou para deixar o microfone. Sua rendição de Firework de Katy Perry tinha sido um sucesso no Glee, mas aquilo não foi nada comparado à reação que ela estava conseguindo das mulheres sentadas na frente dela.
"Cante outra!" Uma voz disse.
"Por favor, não pare!" Alguém mais se juntou.
"Mais! Mais!" A multidão entoou.
Rachel sentiu como se fosse chorar. Nesse mar de mulheres deslocadas, ela tinha se tornado a heroína delas.
"A próxima música é dedicada a todas vocês, e para minhas amigas, que eu desejava que pudessem estar aqui hoje à noite." Ela limpou a garganta, se inclinando para a mulher que tinha se oferecido pra tocar violão pra ela.
A mulher riu e concordou.
Ela se virou para a platéia dela e esperou sobre tudo que Quinn pudesse escutá-la, onde quer que ela estivesse.
"Just a small town girl, living in a lonely world, she took the midnight train going anywhere..."
Quinn virou a página, sua mente perdida dentro das páginas do livro que tinha sido entregue a ela naquela manhã por uma interna com um carrinho cheio deles. Ela tinha ficado um pouco duvidosa com o título 'Flores no sótão', mas Deus ela estava enredada numa história trágica e terrível.
Ela inclinou a cabeça contra a janela, seu ouvido descansando na beirada.
Ela podia mal escutar uma música vindo de algum lugar. E uma voz que –
Ela jogou o livro no chão, ficando de joelhos e pressionando a cabeça dela contra as barras da janela.
Ela podia escutar Rachel. Ela sabia que era aquela voz.
Ela escutou aquela voz por três anos. Ela tirou onda por mais tempo.
Ela fechou os olhos, sem puder distinguir as palavras.
Mas ela não precisava. Apenas ouvi-la era o suficiente.
Suficiente para arrancá-la do livro; fora da cela da cadeia; e jogá-la de volta pra melhor noite da vida dela.
Ela tinha estado determinada a não chorar. Tinha se prometido que não o faria. Eles podiam jogá-la na cadeia e deixá-la para apodrecer em uma salinha apertada pelo resto da vida.
Mas eles não a fariam chorar.
E eles ainda não fariam.
Era só Rachel, isso era tudo. Entrando em seu coração e a lembrando que ela estava ali.
O-O
"Eu não fiz isso." Rose sussurrou e Santana mal a escutou.
As luzes foram apagadas uma hora antes, mas Santana não podia dormir. Continuou a se mexer e virar-se, porque já passara um mês agora e ela ainda não tinha visto Brittany. Tipo, porra, elas estavam na mesma prisão. E daí se elas estivessem separadas, ela pensou que pelo menos podia dar uma olhadela uma na outra por agora.
Ela foi pra tal da noite de microfone aberto – mesmo que fosse só as outras do nível três, e elas tinham passado a maior parte do tempo cantando música de merda de coração partido, porra, que fez ela querer cometer outro ato de assassinato.
Não era justo, sabe? Ela tinha levado um tiro e quase morrera. Isso não era o suficiente? Eles tinham que manter Brittany longe dela, também?
"Fazer o que?" Santana sussurrou de volta, se inclinando sobre a ponta do beliche e deixando o seu cabelo cair ao redor do rosto dela.
Ela não podia ver Rose no beliche embaixo dela, mas, ao menos seria mais fácil ouvi-la assim.
"Matar aquele cara. Eu não fiz."
Santana piscou por alguns momentos, imaginando de onde a repentina abertura estava vindo. Ela tinha pedaços aqui e ali de Rose até agora, mas, as conversas delas não tinha realmente ido tão fundo ou qualquer coisa. Pela maior parte, ela a seguia pela prisão porque pessoas pareciam automaticamente se afastar pra Rose, como se ela fosse Moisés ou alguma merda.
Santana podia respeitar isso.
"O que aconteceu?"
"Cleo, ela foi pega em alguma merda. Drogas e tal. Isso foi minha culpa, sabe? Eu a deixei em Columbus, fui até meu irmão para lidar com algumas coisas e em minha ausência ela – de qualquer forma. Eu levei a culpa. Aqui estou."
Santana franziu a testa. Ela sabia que Cleo era a irmã mais nova de Rose, mas, por que o repentino abertura de coração para coração?
"Okay, então por que levar a culpa por algo que você não fez?"
Rose sentou-se, sua cabeça agora não tão longe da de Santana.
"Por causa do amor. Escute, se aquela garota Brittany que você falou sobre – você levaria a culpa por ela?
"É." Ela nem mesmo parou, imaginando onde isso ia.
"O que mais você faria por ela? Arriscar a sua vida?"
"É." Novamente, ela não parou. Ela não precisava.
"Você faria tudo pra vê-la novamente?"
"É." Sério, isso não era ciência espacial.
"Bom saber." Rose respondeu, deitando novamente.
Santana franziu a testa porque, que porra?
"O que –"
"Apenas durma, minha amiga."
Santana se empurrou de volta pra cama, rangendo os dentes porque essa merda críptica com a colega de cela dela estava começando a mexer com a cabeça dela. Elas começaram a conversar sobre, tipo, algo aleatório que veio do nada. E bem de repente Rose começou a atirar perguntas pra ela e então apenas parou.
Tanto faz.
Ela rolou de volta e fechou os olhos. Ela imaginou um sorriso que ela não tinha visto em muito tempo e esperou em Deus – ou qualquer pessoa – que ela sonhasse com Brittany a noite toda.
Seu pensamento final foi, na verdade, é. Ela iria arriscar a vida dela para vê-la novamente. Essa merda de encarceramento era besteira e se isso fosse sem fim? Foda-se isso.
Mais um momento com Brittany, mesmo que brevemente, valia a pena qualquer coisa.
"Escute, LaFresia, você é totalmente doce e realmente gostosa, mas meu coração pertence a outra pessoa." Brittany deu de ombros, esperando que a mulher em frente dela – que estava se tornando realmente uma boa amiga – não ficasse machucada.
"Garota, eu não quero o seu coração. Eu só estava conversando sobre um pouco daquilo, sabe?" Ela se inclinou em direção à loira, levantando as sobrancelhas.
"Eu iria totalmente por esse lado se fosse, tipo, dois anos atrás. Mas eu," ela levantou a mão, repousando-a no ombro de LaFresia. "A pessoa que tem meu coração – Santana – ela tem todo o resto também."
LaFresia suspirou antes de dar de ombros.
"Olhe, eu posso respeitar isso. Fora dessas paredes?Meu tudo pertence ao meu marido. Só irá ser uma porra de um longo tempo até eu ver a bunda dele novamente e uma garota não pode evitar quando ela está com tesão. E você, baby girl, é a coisinha mais linda aqui." Ela sorriu enquanto Brittany gargalhou.
"Bem, se não fosse por San, você totalmente seria minha primeira escolha para uma companheira de foda. Mas eu só –" não era que fosse difícil dizer, mas, era a primeira vez que ela realmente sentia que fosse verdade. "Mesmo se eu nunca mais tiver sexo novamente pelo resto da minha vida, eu posso lidar com isso. Não é o mesmo com ninguém mais."
LaFresia balançou a cabeça, andando pra abraçar a garota que ela tinha proposto e tinha sido rejeitada.
"Bem aqui está uma oração para que sua bunda transe antes de você morrer, garota. E essa garota Santana – eu a vi no jornal, ela é gostosa – aquela vadia é a mulher mais sortuda viva, okay?"
Brittany abraçou LaFresia com força, sentindo falta do jeito que Santana costumava se encaixar em seus braços. Ela estava bem perto, ela podia sentir isso, apenas do outro lado no outro edifício. Elas partilhavam a mesma comida, o mesmo espaço de recreação, apenas não ao mesmo tempo. Ela imaginou se ela podia de alguma forma deixar uma mensagem, porque mesmo se ela não pudesse falar ou vê-la, sela tinha que se comunicar com ela de alguma forma.
Era muito difícil, e estava a deixando muito triste. Claro, ela tinha as aulas de dança e ela tinha se juntando à uma gangue de prisão. Ela estava alistada para conseguir o certificado do ensino médio e havia classes oferecidas que pareciam que elas deviam ser divertidas. Uma era chamada, 'Pensar Pra Variar' e isso parecia como uma boa coisa pra aprender.
Mas doía passar dia após dia rindo com a equipe dela e não disponível para deslizar a mão dela dentro da de Santana e saber que ela estava ali.
Ela faria tudo, ela pensou, para vê-la novamente.
Rachel suspirou, dando à mulher em seu grupo um pequeno sorriso enquanto elas balançavam uma bola de basquete pra frente e pra trás entre elas. Não era que ela fosse contra atividades físicas ou esportes, era mais que os dias estavam começando a se misturar em um longo e repetitivo dia, e, não parecia haver nenhum final pra isso.
Ela imaginou que prisão seria um lugar horrível, cheio de criminosos viciados e atos violentos. E claro, ela tinha visto duas mulheres chegarem às vias de fato na cafeteria um dia, e, ela tinha sido consternada quando elas marcharam de volta pra cela delas e fizeram buscas. Ela não estava certa da correlação entre os dois atos; parecia mais um ato invasivo e ameaçador do que um com uma razão.
Mas ela não tinha percebido que se tornaria como um dia eterno que ela não conseguia fugir. Pessoas precisavam de mudanças e desafios, ela pensou. E não havia muito disso lá dentro.
Ela estava terminando seu ensino médio, o que era algo. Ela estava na lista de espera para se juntar ao programa de vida selvagem, esperando que isso envolvesse contato real com animais. Ela frequentava a biblioteca, lendo sobre a história da prisão e se maravilhando sobre a quantidade de rebeliões e fugas que tinha havido. Mas não nos últimos tempos. E a razão para ser chamada de fazenda não era porque as pessoas dentro eram consideradas animais – como ela primeiro tinha se ofendido – mas porque lá costumava funcionar como uma fazenda.
Os olhos dela viraram-se para os edifícios ao redor da área de recreação. Em um daqueles edifícios estava Quinn. Em algum lugar, numa celinha de algum tipo, ela estava nesse exato momento fazendo – bem, ela não tinha ideia. Talvez ela estivesse lendo? Ela lembrou que a loira tinha uma ávida fascinação com literatura quando elas estavam no Clube Glee juntas.
Deus, isso fazia tanto tempo agora.
Ou talvez ela tivesse na cafeteria? Ou na biblioteca – será que ela teria permissão de ir à biblioteca? Ela aproveitou a mente de Janice pela informação dos diferentes níveis de segurança e quem era permitido ir aonde.
Era algo perturbando o coração dela – ou comida envenenada – escutar que não havia chance que ela pudesse esbarrar em Quinn – ou qualquer pessoa do nível quatro – um dia coincidentemente.
"O que você está olhando, criança?"
Ela virou para a voz, vendo a mulher da cela dela – Mary – sorrindo pra ela e batendo uma bola.
"Eu só estava imaginando qual prédio é o nível quatro?" Ela se empurrou pra longe da parede que ela estava descansando e olhou pra mulher esperançosa.
Mary driblou a bala mais algumas vezes, antes de se virar e apontar para o edifício mais longe do pátio.
"Aquele é o Corredor C. Todos os níveis quatro e corredor da morte estão ali em cima. Minha irmã está ali em cima, sabe. Eu vou vê-la algumas vezes, pego o carrinho de livros e tal."
Rachel piscou, seu coração pulou pra garganta.
"Você vê Quinn Fabray? Você a conhece?"
A mulher gargalhou, espremendo os olhos por causa da luz solar brilhante.
"Ela é a jovem loira, né? Realmente quieta, voz suave, tem os olhos como se fossem tipo – merda eu não sei. Olhando para a sua alma ou alguma merda parecida, né?"
Rachel começou a andar rapidamente em direção à mulher, colocando as mãos pra cima pra pegar a bola. Mary dobra os joelhos dela mais um pouco, pegando a bola e jogando em direção à Rachel.
"Essa é ela."
"É, eu deixo livros pra ela o tempo todo. Aquela coisinha lê bastante. Ela é uma das suas amigas, certo? Foi naquele matança desenfreada junto?"
Rachel concordou furiosamente.
"Você poderia – você poderia dizer algo a ela? De mim? Nós não somos permitidas – nós devemos permanecer separadas, então – "
Mary apenas deu de ombros.
"Claro, tanto faz. Não será a primeira vez que eu mandarei uma mensagem pra alguém. Mas hum, sem ofensa garota, o que tem nisso pra mim?"
"Você gosta de cantar? Eu vi você bastante nas noites de microfone aberto, você –" ela podia vê-la agora, sentada na plateia, mexendo a boca junto com as palavras enquanto Rachel as cantava. "Parece apreciar música."
Mary concordou, pegando a bola e ficando em pé direito.
"É?"
"Bem, eu posso oferecer à você lições de canto, se você gostar, como pagamento pelos seus serviços de mensageira."
"Lições de canto, hein? Por arriscar meu couro por entregar sua mensagem? Obrigada, garota, mas acho melhor não. Um cavalo tem uma voz melhor que a minha." Mary foi se virar, bola de basquete agarrada nas mãos.
"Espere! Isso é um absurdo, todo mundo pode cantar dado o tempo suficiente, carinho e atenção. Uma voz não é nascida, é feita. Sim, algumas pessoas tem talento natural – eu incluída – mas nada importante vem sem tentar, sem –" ela deu um passo à frente, sentindo sua voz se encher de desespero. "Prática. EU posso ajudá-la, eu prometo."
Mary parou.
"Tudo bem, vamos tentar essa merda de cantar e eu entregarei a sua mensagem. E também? Você me conseguirá dois pacotes de cigarros por cada mensagem que eu entregar pra sua namoradinha."
Rachel concordou furiosamente, incerta de como ela iria conseguir cigarros, mas, disposta a fazer quase qualquer coisa.
Mary piscou pra ela, relaxando de volta pra sua posição anterior, e, batendo a bola pra Rachel.
"O que você quer dizer, garota?"
O teto na cela dela até que era bem interessante. Estava coberto de pequenos pontos – era um padrão? Design de merda? – e ela estava bem perto de ser apta a calcular quantos pontos havia ali em cima.
Ela dividiu em dezesseis quadras, aproximadamente, e se ela pudesse contar a quantidade de pontos em um quadrante e multiplicá-lo por dezesseis, boom. Ela saberia quantos pontos estavam ali em cima.
Bem, grosseiramente.
O que ela faria com esse conhecimento? Ela não estava bem certa. Mas pelo menos ela pararia de imaginar. Ela pararia de olhar praquilo por tantas horas de cada dia e ficar se perguntando quanto pontos fodidos estavam ali em cima.
Ela sentou rapidamente, perdendo a conta. Ela podia ouvir o carrinho de livros.
Ela foi pra porta dela, esperando pacientemente até que a longa passagem no meio rangesse para abrir e livros passassem por ela.
"Ei, você é Quinn?" Uma voz baixa perguntou.
Ela franziu a testa.
"Sim?" Ela disse num volume normal, se abaixando quando a voz fez um som de abaixar o tom de voz.
"Eu tenho uma mensagem pra você da Diva. Passe pra mim seus livros para que possamos continuar conversando."
Quinn piscou, pegando os três livros que ela tinha pego na semana anterior. Quem?
"Okay?" Ela passou os livros, pegando pedacinho das mãos de alguém lentamente os colocando no carrinho.
"Ela sente sua falta. Ela pensa sobre o tempo todo. Ela disse, não pare de acreditar e diz que você deve ler esse –"
Um livro passa pelo espaço. Quinn espreme os olhos ao título, 'Um guia para viajar num plano astral'. Ela queria rolar os olhos, mas ela os encontrou marejando ao invés disso. Ela riu suavemente. Deus, Rachel.
" – e ela espera que funcione porque ela está perdendo o juízo sem você."
A mandíbula de Quinn caiu e ela abraçou o livro no peito. Rachel tinha tocado esse livro, tinha o escolhido especialmente pra ela. Podia ser sobre canibais homossexuais no espaço que existiam um uma dieta de abortos e ela ainda amar.
"Diga a ela," ela sussurrou, a voz embargada. "Diga a ela que eu disse obrigada e que eu sinto falta dela também e –" ela queria incluir amor, mas pareceu errado dito por outra pessoa e ser entregue como uma mensagem. "Eu penso sobre ela a cada momento."
A abertura se fechou e ela ouviu o carrinho guinchando enquanto era empurrado.
Mais uma vez, ela se dissolveu em lágrimas. Isso era tão injusto.
Ela olhou pro título do livro novamente. Ela esperava em Deus que funcionasse.
O-O
"Escute, você com seus grupinhos políticos ai fora lutando por vocês próprios e essa merda, vocês são sortudos. Eles ainda estão falando sobre vocês nas notícias. Estou apenas dizendo que podia ser usado em nosso favor." Rose levantou o peso em suas mãos, enquanto Santana franzia a testa pra ela e assistia.
"Certo, olhe, você tem minha atenção e tudo. Mas o que eu preciso saber é, como?"
Rose levantou o peso novamente, dando um sorrisinho arrogante.
"Eu não sei ainda mas eu tenho um bom sentimento sobre você."
"Ótimo," Santana disse com um rolar de olhos. "Bem, vamos esperar que nós consigamos sair daqui baseadas em nossos sentimentos."
Rose bufou.
"Olhe, a razão pela qual vocês foram pegas? Vocês não tinham nenhum lugar pra ir, ninguém pra ajudar vocês. Eu? Eu posso ajudar vocês. Mas você tem que me ajudar, também."
"Chega dessa merda criptografada. O que você quer dizer? Explique pra mim porque eu estou seriamente começando a ficar abusada de tudo –"
"O que eu quero dizer é, quando vier o momento, você vai me ajudar a sair daqui. Quando você fizer, eu vou me certificar de que seu corpinho nunca seja achado. Eu tenho contatos, okay?"
"É certo, você tem algum clube ou algo do tipo lá fora –"
"Os Reis Latinos querem dizer algo pra você?"
Santana parou de falar, boquiaberta. De jeito nenhum, porra.
"De jeito nenhum, porra!"
Rose apenas deu de ombros, soltando o peso e alcançando sua gola pra puxá-la pro lado. No peito dela, acima do seio direito tinha uma tatuagem com as letras 'ALKQN'.
"Você me ajuda, eu ajudo você."
Santana apenas concordou, sentindo o sangue correr do rosto dela. Puta merda. Ela estava tão feliz que não tinha batido em Rose, em qualquer momento, por ser enigmática.
Porra, ela bem sabia que queria.
Ela deu a outra mulher um sorriso contido enquanto a outra voltava a levantar pesos com um sorrisinho no rosto.
Santana se virou, então, respirando profundamente várias vezes. Mas algo pegou seu olhar e ela franziu a testa.
Ali, perto da parede de um dos edifícios, tinha um monte de pedras brancas que tinham se amontoado ao lado. E lá na parte de baixo da parede tinha algo que, parecia como escrita?
'Sinto sua falta. Só pra você saber. Amor, Patinho'
Não podia ser, podia? E merda, tinha lágrimas nos olhos dela e tudo. Não podia ser Brittany, de jeito nenhum.
Ela pegou uma das pedras de qualquer forma, olhando sobre o ombro enquanto o guarda de serviço se virava de costa pra elas e começava a gesticular pra um grupo de mulheres que tinha começado a jogar a bola de basquete uma pra outra mais duramente do que seria necessário para algo amigável.
'Cada segundo de cada dia. Eu te amo. Sempre, Queerio'
Era o melhor que ela podia pensar assim de improviso. Ela apenas esperou, se fosse Brittany, ela saberia.
Brittany pulou em direção à parede que ela deixara a mensagem, esperando que hoje fosse o dia que ela conseguiria uma resposta. Tinha passado mais de uma semana já. Talvez Santana não estivesse usando a área de malhar?
E ali estava.
Ela gritou, pulando pra cima e pra baixo.
"Ei!" Um dos guardas gritou e Brittany rapidamente fez uma estrelinha. Ela se levantou, pulando alegremente novamente e então sorriu pro guarda.
"Me dê um P! R! I! S! Ã! O! Vai prisão!"
O guarda franziu a testa, balançando a cabeça se virando.
Bem, provavelmente era muito perigoso pra escrever na parede agora. Mas ela tinha as palavras de Santana e amor. Era incrível.
"Porque você está tão feliz?" Geminique grunhiu, puxando ferro e fazendo uma carranca pros músculos nos braços dela.
"Eu recebi uma mensagem da San!" Brittany disse, sorrindo tão fortemente que Geminique quase retornou o sorriso.
"Você conseguiu um dos zeladores pra passar ou alguma merda do tipo?"
Brittany franziu a testa.
"Não, eu escrevi na parede." Ela apontou pra trás dela e Geminique soltou o peso enquanto deixava sair uma gargalhada.
"Garota! Ai Meu Deus! Eu juro que esse lugar não era nem perto de ser tão hilário antes de você chegar aqui. Você não escreve merda nas paredes!"
Brittany franziu a testa.
"Bem, como vocês passam mensagens pros outros?"
"Já ouviu falar de suborno? Merda, garota, com esse seu olhar no rosto eu faria de graça. Escute, eu conheço alguém que consegue passar as mensagens, okay? Não escreva na porra das paredes da prisão."
Brittany piscou, sentando no banco de peso do outro lado da mulher que tinha voltado a puxar ferro.
"Obrigada, Gem."
"Eu tenho uma amiga, ela passa o pano e tal. O nome é Dominique, certo? Você a paga em cigarros e ela é sua."
"Mas fumar faz mal."
"É e cigarros são a maior forma de moeda aqui. Eu juro por Deus, garota, eu não sei como você conseguiu viver lá fora."
Brittany fez um pequeno beicinho.
"Eu tinha Santana."
Geminique concordou com a cabeça, oferecendo à loira, outro sorriso.
"E agora você tem a gente, Patinho."
Rachel respirou profundamente, olhando pro prédio que fora dito a ela que Quinn estava. A maior parte das janelas, ainda que com barras, estavam abertas.
Lá vai nada.
"I dreamed a dream in time gone by, when hope was high and life worth living."
Ela cantou o mais alto que pôde, esperando que fosse o suficiente para carregar sua voz para as janelas acima.
Atrás dela, ela não percebeu que suas colegas internas pararam o que estavam fazendo e viraram pra olhar pra ela. Algumas estavam de testa franzida e outras olhavam uma pra outra confusas.
"I dreamed that love would never die, I dreamed that God would be forgiving."
Ela não tinha pensado realmente sobre se encontrar no plano astral se iria funcionar. Mas nesse ponto, ela estava disposta a tentar qualquer coisa.
Ela continuou a cantar, sua voz subindo e ficando mais forte com cada palavra.
Atrás dela, até os guardas tinham parado o que estavam fazendo e simplesmente assistiram a pequena garota soltar a voz mais alta que já haviam escutado.
Quinn tinha sua mão agarrada no coração enquanto ouvia Rachel cantar. Ela não podia vê-la, não importava o quanto ela se esforçasse para tentar dar uma olhada pelas barras da janela. Mas lá estava aquela voz – clara como o dia.
Levou-a de volta para a primeira vez que ela acordara com a garota enrolada em seu corpo. De volta ao primeiro momento que ela pensara em beijá-la – enquanto Santana e Brittany tinham gemido no plano de fundo e ela estivera tão frustrada sexualmente que ela quase montou na lanterna de Rachel.
E então quando ela tinha beijado Rachel. Quando ela pressionou a boca dela contra a da garota, e, sentiu como – como nada mais importasse. Como tudo importasse. Mesmo no meio da pior experiência da vida dela, ela tivera o melhor da outra.
Seus olhos se fecharam enquanto Rachel continuou a cantar.
"No song unsung, no wine untasted,"
A noite no motel tinha sido a melhor que ela tivera em toda sua vida.
Parte dela queria lidar apropriadamente com aquele momento. Encontrar flores, ou acender algumas velas, ou qualquer coisa mesmo remotamente romântica. Mas elas não tinham pensado em roubar isso e os arbustos ao redor do motel não tinham flores.
E então ela relembrou o que Santana havia dito – não pense muito. Só sinta.
Então ela andou de volta pro quarto, e, gentilmente acariciou a face de Rachel e pressionou a boca contra a dela. Elas se beijaram lentamente, no começo, arrastando os lábios uns sobre os outros, ficando mais próximas a cada vez. Quinn tinha tentadoramente empurrado a língua pra dentro da boca da outra garota, sem conseguir segurar o gemido de tão bom tinha sido.
Ela já tinha beijado de língua antes, claro, mas não desse jeito. Não tão gentilmente e então – o que Rachel tinha dito depois? Isso era erótico.
Ela ria, agora, com a memória. Depois da primeira vez, elas tinham deitado ali uma de frente pra outra e Quinn tinha quase enterrado seu rosto no travesseiro só pra escapar, bem, de tudo. O jeito que Rachel tinha olhado pra ela, como se de repente não houvesse mais nada.
Nada a não ser aquele quarto e aquele momento.
E então Rachel se inclinara e a beijara novamente. Ela empurrou a loira pra ficar de costas, se colocou sobre a cintura dela, já rindo.
Os olhos de Rachel se abriram quando ela sentiu o calor subir para o seu rosto. Ela nunca pensara que seria como Santana e Brittany. Como todos aqueles gemidos e gritos como se o que elas estavam fazendo fosse tão intenso que elas não tinham mais nada a fazer a não ser aproveitar.
Ela não estava certa, na verdade, o que era pior. Nunca ter tido ou ter tido brevemente, e, sentir falta pro resto da vida dela.
"I had a dream my would be, so different from this hell I´m living, so different now from what it seems, now life has killed the dream I dream…"
A voz de Rachel foi diminuindo e Quinn só conseguiu deixar sair um soluço com a ausência dela.
Ela não tinha se permitido relembrar dessa noite desde que ela tinha sido encarcerada. Tinha mantido ela num lugar seguro, longe de coisas como guardas de prisão e banheiros sem paredes. Ela tinha se distraído com livros; com assistir televisão no último piso no compartimento dos guardas, que eles ligavam por algumas horas à noite para que as internas de nível quatro pudessem ouvir as notícias e o que quer que estivesse passando.
Tinha enterrado bem fundo, para mantê-la a salvo.
Mas foda-se isso. Aqui estava, na frente da sua mente e maldito seja. Ela queria de volta. Ela queria Rachel de volta. Ela queria sentir novamente e dizer pro diabos com tudo isso. Há algumas coisas que você nunca deve desistir de lutar.
Ela não sabia o que ela faria. Mas havia algo se formando no fundo de sua mente e quando o carrinho de livros veio no dia seguinte, ela teria uma mensagem própria pra mandar.
O-O
"E ela tem amigos em Lincoln?" Rose bufou, driblando a bola de basquete antes de quicá-la em direção à outra interna.
Santana não sabia realmente o que estava fazendo mas manteve seus braços pra cima e seu corpo batendo no de Rose.
"É, aquela menina Dominique disse que ela praticamente tem seu próprio fã-clube. Rachel também. Algo sobre cantar e ganhar o American Idol ou alguma merda parecida. Eu não sei."
Rose manteve os olhos na bola, sorrindo às palavras de Santana.
"E sua garota lá no corredor da morte está dentro?"
Santana pegou a bola que vinha em sua direção, bateu algumas vezes, antes de mandá-la de volta pra mulher que tinha jogado pra ela.
"Ela não está no corredor da morte, mas é. Ela acha que podemos alcançar nossa velha treinadora – Sue Sylvester, sabe, Mundo de Sue ou tanto faz que porra aquilo é chamado – como isca."
Rose ficou em pé direito, seus olhos arregalando-se.
"Você está me zuando."
Santana balançou a cabeça arrogantemente, pegando a bala sem esforço enquanto a colega de equipe de Rose jogava as mãos pra cima frustrada.
"Porra, Rose!"
Rose apenas acenou pra ela, na verdade, vendo enquanto Santana dava um pulo pra arremessar, acertando a bola direto na cesta facilmente.
"Escute, diga a ela pra conseguir aquela merda ao vivo. Okay? Isso é – nós podemos fazer isso. Você apenas precisa trabalhar em uma palavra código ou alguma merda dessa."
Santana franziu a testa ligeiramente, então deu de ombros.
Era um plano ridículo. Havia tanta margem pra erro que ela quase queria cancelar a coisa toda. Mas ela perdera o décimo oitavo aniversário de Brittany, e Brittany tinha perdido o dela. Diabos, elas iriam perder cada aniversário daqui por diante.
Essa merda não era legal. Então foda-se. Se elas morressem, elas morreriam nos braços umas das outras.
E se isso não fosse a mais brega, a mais romântica merda que ela já tinha pensado, ela não sabia o que era.
Mas ela estava certa de uma coisa, nessa merda toda doida. Sue Sylvester tinha levado as bundas dela ao estrelato, aproveitando enquanto elas sofriam. É, ela vira aquele estúpido show a cada semana, mas ultimamente tinha se tornado menos sobre falar palavrão pra televisão e mais sobre descobrir um jeito de se vingar daquela vadia.
E mais um pouco.
"Então, o que você acha?" Brittany deu a mulher duas cartas e jogou um cigarro pro centro da mesa.
Elas olharam, cada uma suas cartas, e então uma pra outra.
"Estou dentro." Monique disse facilmente, jogando um cigarro.
"Eu também." Geminique concordou com a cabeça, adicionando seu próprio cigarro à pilha.
"Você apenas nos dê o sinal, garota, e nós temos sua retaguarda." LaFresia sorriu, jogando um cigarro e então balançando a cabeça maravilhada.
Todos os olhos se viraram pra Dominique.
"Como vocês conseguirão as armas? Não me levem a mal, yo, esse plano é seguro. Mas como vocês conseguirão as armas? Porque sem elas, vocês não tem nada."
A sobrancelha de Brittany se juntou e ela mordeu o lábio.
"Eu não sei. Mas Q e San conseguirão. Elas descobrirão. Eu apenas tenho que trazer o músculo."
Dominique deu de ombros, pegando um cigarro e segurando na frente do rosto de Brittany.
"Bem, eu talvez pague uma visita a elas. E se elas disserem o que eu quero ouvir?" Ela deu de ombros, jogando o cigarro na mesa. "Estou dentro."
"Eu sei, Janice, que a vida que você achou aqui é uma agradável, então eu entendo que você sinta qualquer hesitação com o que, eu acredito, acontecerá em um mês por aí." Rachel torceu as mãos, enquanto as mulheres ao redor dela se olhavam.
"E como você sabe que nenhuma de nós vai entregar?" Janice olhou pra garota nervosa com uma expressão ilegível no rosto.
"Eu não sei." Rachel respondeu simplesmente. "Se nós fossemos pegas ou não funcionar, nós encararemos as consequências junto com todo mundo. Eu acredito que nós seremos aquelas que arriscaremos mais e dessa forma, não há razão para entregar. Também, nosso alvo é a mulher que, é seguro dizer, toda mulher nesta prisão tem algum tipo de problema com ela. Nós todas assistimos ao show dela, ainda que muitas vezes eu me encontro não sendo a única gritando pra tela, nem eu sou a mais alta."
Uma mulher atarracada com um cabelo loiro cortado riu em silêncio.
"Ela é uma vadia arrogante, isso é certo."
"E você todas têm a prerrogativa de não se juntar à rebelião quando acontecer. E irá acontecer. Eu fui certificada pelas nossas colegas do nível dois que irão nos ajudar a começar a rebelião, junto com algumas do nível três. Nível quatro está fora, automaticamente, já que elas estarão trancadas em suas celas. Então realmente, está tudo em suas mãos senhoritas, algumas das quais eu entendo estão entre as de nível um e serão libertas em breve."
Janice mastigou uma das unhas.
"E se funcionar e vocês saírem, e o resto de nós?"
"Isso é com vocês. Quer vocês continuem nos muros da prisão para cumprir o resto da sua sentença ou fujam pelas suas vidas, é com vocês. É parte da sua liberdade – o direito a escolher."
"Estou dentro." A mulher atarracada disse e as mulheres ao redor dela concordaram.
Janice suspirou, então sorriu brilhantemente.
"Que tudo se foda e vá pro inferno!"
Rachel sentiu como se fosse chorar, enquanto as mulheres ao redor delas começaram a gritar. Alguns guardas vieram correndo e demandaram que o grupo diminuísse, mas, Rachel ainda não podia tirar o sorriso do rosto.
"Você apenas me deixe saber e nós estaremos prontas." Janice sussurrou, dando uma piscadela antes de jogar as mãos pra cima pra guarda. "Nós já estamos nos movendo, acalme seus peitinhos, Sally!"
O resto era com Quinn.
"Q!" Sue sorriu, se inclinando pra frente com os braços e agarrando o telefone na bochecha.
"Treinadora." Quinn murmurou, olhando pelo vidro enquanto Sue Sylvester sorria pra ela.
"Já faz tempo, Q, e eu tenho que dizer, ver você atrás das grades é ao mesmo tempo animador e decepcionante."
"Eu sinto o mesmo sobre estar atrás das grades."
Sue riu.
"Agora, um passarinho me contou que você esteve pensando sobre minha oferta. Bem, e que tal? Você, eu, a nação inteira prestando atenção em cada palavra sua?"
Quinn se inclinou pra frente, pretendendo deliberar.
"Eu diria, sim. Mas então eu fiquei pensando, Treinadora."
A expressão de Sue caiu ligeiramente.
"Diga-me, Q."
"Bem, eu acho que se você me entrevistar e colocar no seu show, conseguiria um ibope muito bom. Mas e se você entrevistasse, eu não sei, Santana também? Brittany? Até mesmo Rachel?"
Ela viu a sobrancelha de Sue subir em pensamento, esperando contra tudo que ela pudesse vender isso.
"Você sabe, Q, sua atenção ao detalhar a minha audiência é impressionante. Mas eu não posso deixar de perguntar o que você ganharia de ter suas amigas roubando um pouco do seu holofote."
"Bem, você poderia nos entrevistar ao mesmo tempo."
Sue apenas zombou.
"Vocês não são permitidas ficar no mesmo local ao mesmo tempo ou você esquece aquela linhazinha miúda da sua sentença? Você está perdendo o jeito, Q, eu tenho que dizer que eu estou tendendo mais em direção à decepção agora."
Mas Quinn apenas sorriu.
"Sue Sylvester? Sem poder ultrapassar uma coisinha como uma advertência? Eu acho que você é que está perdendo o jeito, Treinadora. É uma pena também – você seria a inveja do jornalismo mundial se você conseguisse entrevistar todas as quatro de uma vez só. Especialmente se você fizesse ao vivo."
Sue espremeu os olhos, antes de gargalhar de repente.
"Aí está você, Q! Ainda viva e florescendo até mesmo atrás das barras. Até mesmo, apesar da sua encarceração e futuro amaldiçoado, você ainda me lembrar uma jovem Sue Sylvester."
Quinn riu em retorno, batendo os cílios. Sue vinha dizendo isso por tanto tempo agora, que tudo que Quinn podia realmente pensar em retorno era:
Sue desejava que uma versão mais jovem dela tivesse sido qualquer coisa parecido com Quinn.
O-O
