Brittany sentou na cadeira no fim da fila, sorrindo pro guarda enquanto ele abria as algemas dela.

"Obrigada!" Ela disse, engasgando quando viu Finn e Sue do outro lado da sala. "Ei!"

Finn acenou de volta pra ela, enquanto Sue oferecia uma piscadela.

Santana foi levada depois, e foi tudo que ela pôde fazer pra não pular da cadeira e abraçá-la porque tinha sido tanto tempo. Ela respirou pra se aclamar, mantendo seus olhos pra frente. Se ela olhasse pra Santana, ela não conseguiria se parar.

E isso era tudo parte do plano. Ela tinha que se manter no plano. Ninguém tocar ninguém, nem ficar excitado.

Elas tinham que agir de boas. Era a única chance delas.

Santana se sentou, sobrancelha levantando quando as algemas dela foram retiradas. Bem, isso era uma surpresa agradável, e fez toda a coisa bem mais fácil de repente.

Ela encontrou os olhos de Sue, os seus próprios se espremendo enquanto sua ex-Treinadora dava um sorriso arrogante pra ela.

"Santana, você parece surpresa?"

Santana levantou os punhos ligeiramente, não confiando na sua voz ainda. Brittany estava logo ao seu lado. Ela tinha que se controlar; seu coração já estava pronto pra explodir pelo peito dela.

Seus olhos se levantaram até Finn Hudson. Que porra ele estava fazendo aqui?

"Sue não queria que as pessoas – tipo, os telespectadores – vissem vocês algemadas. Ela reconhece que é melhor para a imagem dela se vocês não estivessem usando-as. Para mostrar que ela não tem medo de vocês e tal."

Santana queria perguntar por qual motivo o puto do Finn Hudson achou necessário falar com ela, mas então a atenção dele foi afastada dela, de qualquer forma.

Rachel veio depois, foi sentada e teve suas algemas abertas. Ela engasgou quando viu Finn.

"O que você está fazendo aqui?" Isso não era parte do plano. Claro, ela sabia que ele ainda trabalhava pra Sue mas – mas ela não esperava que ele estivesse aqui.

"Você não me via, eu continuei tentando visitar você mas você –" sua voz se perdeu quando Quinn foi levada pra sala com suas mãos e tornozelos algemados.

Ela sentou pesadamente na cadeira remanescente, seus olhos nas mãos enquanto suas algemas foram abertas e seus pés foram libertos.

"Bem moças, nós vamos entrar ao vivo em dez minutos. Algum pré-show nervosismo que podemos trabalhar antes de ir ao ar?"

Mas cada garota se manteve quieta, esperando pacientemente pelo momento certo de falar. Afinal, havia uma cadeia inteira lá fora que estaria assistindo, e, apenas esperando pela palavra 'Vá'.

"Rachel –" Finn começou mas foi cortado novamente pelo diretor entrando no recinto.

"Sue!" Ele chamou com um sorriso.

"James." Sue retornou, aceitando a mão dele e a balançando.

"Apenas queria dizer que todo mundo está em seus lugares, e eu espero que você não se importe com as espingardas. Não é nosso jeito costumeiro, mas nós temos que deixar as pessoas em casa saberem que essas garotas estão debaixo de chave e cadeado. Especialmente sem as algemas!" Ele riu por um minuto, balançando a cabeça. "E se você quiser me trazer mais pro final, talvez perguntar algumas coisas sobre segurança ou algo, bem, você vá em frente. Estarei aqui, na sala, o tempo todo."

Ele sorriu pra ela e Sue apenas concordou.

"Se nós tivermos tempo, diretor. Se nós tivermos tempo. Tropeço! Saia da filmagem, nós vamos entrar ao vivo em menos de cinco minutos. Espero que todas estejam prontas, e, garotas? Não se segurem."

"Oh," Santana disse. "Não iremos."


Os olhos de Rachel se fecharam quando cortaram pro comercial. Ela respirou profundamente, tentando com toda força dela para não se esticar – apenas uma distância de régua – e tocar a mão de Quinn. Elas concordaram, pelas mensageiras delas, que elas deveriam fazer isso o mais calmo e contido possível. Deixar os guardas relaxarem um pouco, aparentar como se elas não dessem a mínima se elas estavam no mesmo lugar juntas.

Diabos, se esse negócio de rebelião não funcionassem talvez elas estariam alguns passos mais próximos de pelo menos ficarem presas juntas?

"Rachel, escute. Eu não tenho muito tempo, mas eu só queria dizer que – que eu entendo o motivo pelo qual você não quer me ver. Você está envergonhada, eu entendo isso. Mas Rachel, eu não me importo. Eu sinto sua falta. Quero dizer, todo mundo deixou Lima depois da escola, e eu estou com Sue no show dela agora, mas não – não é o mesmo. Eu penso sobre você o tempo todo e eu – eu estava pensando. Nós podemos nos casar, eu escutei sobre essas pessoas que se casaram mesmo com uma delas na prisão. E tipo, nós podemos ter visitas conjugais e eu podia – eu iria totalmente criar nossos filhos enquanto você cumprisse sua pena. Eu tenho um salário bem razoável com Sue, então eu poderia custear. E talvez um dia, se você estivesse com um bom comportamento, ou algo do tipo, eles deixassem você sair mais cedo e nós poderíamos ficar juntos. Como uma família. O que você diz? Eu só, Rachel, eu só amo você demais."

Os olhos dela se abriram no meio do discurso dele, e, claro, ali estava Finn Hudson sobre um joelho. A voz dele estava sussurrada – Sue estava conversando raivosamente no ponto do ouvido dela e não estava prestando atenção – mas ela estava bem certa de que as garotas ao seu lado tinham escutado.

"Eu –" ela começou, mas não sabia pra onde ir daí. Isso foi completamente inesperado. O que ele estava fazendo? Ele a amava?

Ela tinha bastante pra lidar agora, com a tentativa iminente de fuga e Quinn Fabray – com quem ela tinha sonhado por estar junto novamente há mais de um ano – finalmente ao seu alcance.

"Tropeço, mova sua bunda!" Sue rosnou e Finn ofereceu à ela um sorriso antes de se levantar e se mover pra trás ao lado da câmera.

"Todas por uma?" Santana murmurou porque era isso. Em alguns momentos, ela iria dizer a sentença que todos tinham concordado que começaria a rebelião.

"Uma por todas." Brittany disse em um sussurro.

"Uma por todas." Quinn disse, sua voz contida.

"Uma por todas." Rachel ofereceu mansamente, encarando Finn completamente ferida. Ela não o amava, mas em breve? O sorriso doce que ele estava atualmente dirigindo à ela seria arrancado do seu rosto da pior maneira.


"Você não pode me tirar do ar! Eu não me importo se o inferno está engolindo a terra inteira! Eu estava no meio de uma maldita entrevista!"

O diretor correu as mãos pelo cabelo, gesticulando para que Sue se acalmasse.

"Parece que temos uma pequena rebelião nas mãos, é só isso. Então se todos ficarem calmos. Smith, Thompson? Vocês podem ir e dar uma mão, ok?" Ele gesticulou pros dois guardas à esquerda, parados atrás das garotas, que começaram a se mover em direção à porta.

Era isso, Esse era o momento.

"Agora!" Santana gritou e Brittany foi pra frente e empurrou a mesa na frente delas pro lado.

Rachel e Quinn se levantaram, se jogando em direção aos guardas e agarrando as espingardas.

Santana caiu de joelhos, Brittany se juntou à ela atrás da mesa enquanto elas empurraram com toda a força. Moveu-se pelo chão com um guincho alto e bateu contra um dos guardas que estava atrás de Sue. Ele derrubou a arma, gritando de dor.

Sue pulou, mãos voando acima da cabeça e inadvertidamente bloqueando a visão do quarto guarda.

"Abaixe-se!" Ele gritou, antes de um tiro soar e ele foi jogando contra a parede.

Brittany engatinhou pra frente rapidamente, pegando a arma que ele deixara cair, enquanto Santana bateu no guarda, que estava deitado sobre a mesa, na cabeça.

Rachel lutou com a guarda dela, enquanto a mulher tentava se livrar dela. Ela segurou rápido, entretanto, mirando um chute nas canelas da mulher e pegou a arma facilmente.

"Desculpe." Ela disse, antes de usar a arma para bater na mulher o mais forte que podia sobre a cabeça.

Santana, Brittany e Rachel todas viraram suas armas para o último guarda.

Ele levou a mão pra trás para socar Quinn no rosto e tirá-la de cima dele, mas, parou quando viu as outras garotas mirando as armas pra ele.

"Aw, inferno." Ele murmurando, entregando a aram dele. Quinn a pegou, virando-a e batendo a coronha dela no rosto dele.

Sue estava paralisada na cadeira, boquiaberta.

Finn estava covardemente ao lado dela, imaginando o que porra tinha acabado de acontecer.

O diretor tinha a mão no ar, olhando desesperadamente ao redor do recinto.

"Bem, faça algo!" Ele ciciou pra única pessoa deixada de pé – o técnico, responsável pelas câmeras e equipamento de som, não para desarmar prisioneiras.

"Uh, pare?" O cara disse, parado de pé.

"Porra!" Santana soltou um palavrão. "Okay, okay. Você! Sue! Você diga àquelas vadias que eles tem que nos colocar de volta no ar ou nós atiraremos em mais pessoas!"

Sue deu de ombros e então balançou a cabeça.

"Não vai funcionar, Lopez, e você está num mundo muito maior de merda do que você –"

"Cale a boca, Treinadora!" Brittany gritou, mirando a espingarda dela pro técnico. "Faça."

"Escutem, moças, vocês acabaram de atirar em um guarda de prisão e seriamente machucou outros três, vocês realmente acham que esse é o melhor rumo a tomar para –"

Brittany apertou o gatilho e o técnico pulou pra trás.

Sue ficou em pé rapidamente.

"Você também." Rachel disse suavemente, gesticulando pra Finn ficar de pé também.

"E você." Quinn adicionou pro diretor, juntando os três deles pra ficarem parados em frente à uma das câmeras.

O-O

Santana parou a van, contente que o sol tinha quase se posto e elas tinham a noite a frente delas pra chegar o mais longe que pudessem. Ela ouviu as outras saírem da van e se virou pra Rose.

"Pronta?" Ela perguntou.

Rose concordou com a cabeça, alcançando o sutiã dela e puxando uma navalha.

"Eu fiz isso antes de nós sairmos, especialmente pra essa ocasião." Ela lentamente arrastou a arma pela palma dela, se encolhendo ligeiramente enquanto o fazia.

Santana decidiu, ali naquele momento, que ela nunca seria mais fodona do que aquela garota.

Rose deixou o sangue empoçar em sua mão e então rapidamente jogou no rosto de Santana.

"Foda-se você, Rose!" Santana gritou, mirando a espingarda pra fora da janela e atirando. "Mas, não, realmente, essa merda é nojenta." Ela murmurou, respirando fundo e saindo da van. Ela andou para o grupo, mexendo a arma ao redor dela. "Chega dessa câmera maldita! O diretor está morto e também está Rose! E você sabe do que mais, América? Vocês também!"

Brittany pulou enquanto a câmera levava um tiro e então suspirou aliviada. Essa parte estava quase terminada.

"E agora, garotas? Eu sugiro que devemos ir para –"

"Agora não, Sue." Quinn disse, mantendo a arma dela levantada.

Sue franziu a testa profundamente.

"Talvez eu possa lembrar à você quem atuou no papel crucial em assistir sua escapatória? Se não fosse por mim –"

"Se não fosse por você, inferno, talvez nada disso tivesse que ter acontecido." Quinn levantou a sobrancelha dela, enquanto Sue rolava os olhos.

"Rachel, por favor, não faça isso." Finn estava de joelhos, mãos atrás da cabeça. Rachel abaixou a arma ligeiramente.

"Eu tenho que fazer. Eu peço desculpas, Finn. De verdade. Tenho certeza que alguém eventualmente achará você, é só –"

"Você vai me matar?"

A voz dele estava tremendo tanto, ela quase se sentiu culpada o suficiente para oferecer a ele pra ir com elas.

"Não. Você e Sue ficarão aqui. Nós vamos levar a van e vocês nunca nós verão novamente."

"O diabo que não vamos! Eu não descansarei até que as autoridades tenham recapturados vocês e as colocarem na cadeira elétrica! Com Deus por testemunha, vocês –"

"Venha," Quinn disse, virando as costas pra mulher que estava gritando e indo de volta em direção à van.

"Tchau, Treinadora." Brittany disse, subindo atrás dela.

"Até mais, vadia!"

Santana subiu depois de Brittany, agarrando-a em um abraço tão logo ela entrara.

"Rachel?" Finn perguntou, mas a garota apenas balançou a cabeça.

" – eu mesma puxarei a alavanca suas malditas ingratas –"

"Tchau Finn." Rachel sussurrou, se inclinando rapidamente pra frente para beijá-lo na bochecha.

Então ela correu em direção a van, e subiu nela, fechando a porta deslizante com força atrás dela.

Rose ligou o carro e elas foram embora.

O-O

Santana não conseguia parar de beijar Brittany. E não só a boca dela. Ela pressionava beijos nas pálpebras, nas bochechas, no nariz e no queixo dela. Ela não conseguia ter o suficiente da loira.

Brittany apenas se segurou na garota, se esbaldando no sentimento de ser tão amada. Ela tinha passado mais de um ano pensando que isso nunca aconteceria de novo.

Ela estava tão feliz que podia chorar.

Rachel caiu de encontro à Quinn, a segurando em seus braços tão forte e a apertando com tudo dela.

Não havia palavras. Não havia declarações ou proclamações a se fazer. Elas apenas se seguraram tão forte que mal podiam respirar.

No banco da frente, Rose as dirigiu pela floresta onde ela passara muito tempo da infância dela acampando. Havia uma velha cabana algumas milhas à frente, onde o amigo do irmão dela estava esperando para encontrá-las com um novo carro.

Enquanto a lua brilhava bem acima das copas das árvores e as garotas atrás se abraçavam e choramingavam, ela descobriu que essa era uma noite muito boa para estar viva.

E livre.

O-O

Bem, Santana pensou, é ela realmente tinha sentido falta das amigas delas. Mas quatro horas de estar amontoada no fundo de um carro com elas era meio que demais.

"Mova seu pé!" Quinn sibilou, batendo no pé de Santana para tirá-lo de seu rosto.

"Mova sua bunda!" Santana atirou de volta, balançando seus quadris nela.

"Calem a boca, as duas!" Rachel sussurrou furiosamente, tentando não pensar sobre coisas como asfixiais em gás carbônico ou a probabilidade dos salvadores delas se envolverem em um acidente de carro de algum tipo e ser encontradas quebradas e ensanguentadas num fundo de um carro.

Brittany apenas bufou, se agarrando ao redor de Santana e confortável pela primeira vez em muito tempo.

Rose ajustou a peruca no cabelo dela e checou a maquiagem novamente. É, ela parecia uma puta, mas era melhor do que parecer com alguém que era pra estar morta.

"Então aquelas chicas na mala são suas amigas, ey?" O motorista perguntou a ela, checando os espelhos por outras luzes na rodovia.

"Uma delas sim." Ela respondeu com um sorrisinho. "Melhor amiga que já tive."


Era um porão. Bem espaçoso com dois colchões no chão e uma televisão velha numa mesinha. Havia uma lavanderia na lateral e uma porta.

Mas ainda era um porão.

"Então, quanto tempo precisamos ficar aqui embaixo?" Santana perguntou, olhando os colchões.

Rose deu de ombros.

"Quanto tempo levar para que os jornais parem de falar sobre vocês. Dê um mês. Dois no máximo. Nesse ponto, meu garoto aqui terá novos papéis pra todas vocês, e, você pode tomar seu rumo para fora do país."

Brittany desceu cautelosamente as escadas, olhando entre os colchões antes de cair em um deles.

Quinn e Rachel, cada uma inspecionou o resto do porão, dando uma à outras olhadas enquanto faziam isso.

"E quanto a você?" Santana perguntou, enquanto Rose apenas riu.

"Eu sou uma mulher morta, agora. Eu posso ser qualquer uma. Tony foi pegar Cleo e então nós três vamos dar o fora daqui. Nova vida e essa merda." Rose se inclinou contra a porta, estendendo uma mão rapidamente para tocar o ombro de Santana.

"Espere o que? Então você não vai ficar por aqui?" Santana sentiu o coração aumentar de ritmo. Porque é, elas acabaram de fugir da prisão, mas, agora elas estavam em algum porão aleatório de um cara e a merda podia ficar bem pior.

"Relaxe, certo? Esse cara é um bom cara. Ele é da família. E desde que você salvou meu couro? Merda, Santana. Isso vale mais do que você sabe. Ele tomará conta de você, e então ele a mandará em seu caminho, okay?"

Santana apenas concordou, aceitando o abraço quando veio e sentindo algo em seu peito apertar. Elas dividiram um lugar – e uma vida – com essa garota nesse último ano, e agora elas estavam dizendo adeus.

"E sobre a van? O que aconteceu com –"

Rose apenas riu.

"Eu diria que neste momento está sendo quebrando em um cubinho bem pequeno. Pequeno. O menor. E nunca será encontrado, você pode contar com isso."

"San?" Brittany chamou.

Santana olhou uma última vez pra Rose, antes de se virar e sair pulando pelas escadas pra pegar Brittany.

Rose fechou a porta atrás dela e a trancou.

O-O

Quanto à privacidade, bem, não era muito. A porta saindo do porão era um banheiro com chuveiro e privada. Fora isso, elas tinham os colchões e a televisão.

E, claro, uma à outra.

Mesmo com o sol nascendo, depois da noite que tiveram, nenhuma delas tinham dormido.

Brittany se manteve passando as mãos nas bochechas de Santana, memorizando a sensação delas nas pontas dos dedos. Ela a amaria pra sempre, claro, mas isso era tipo algo que não podia descrever. Ela tinha passado noite após noite acordada, no beliche dela, com a mão na parede, imaginando onde Santana estava naquele momento. Ela estava dormindo? Confortável? Ela precisava da sua amiga de conchinha o tanto quanto a amiga dela de conchinha precisava dela?

Santana sentia como se fosse chorar o coração dela inteiro. Com felicidade, alívio e tudo que poderia ter dado errado. E não tinha. Depois de toda merda, medo e correr, aqui estava ela deitada com Brittany em algum porão de Chicago. Em uma cidade, de todos os lugares. Ela tinha estado certa – valia a pena, tudo, para ter isso de novo.

Rachel estava chorando. Muito suavemente enquanto ela enterrava o rosto no pescoço de Quinn e a segurava com força. Aqui estava, a coisa que ela estava ansiando desde que ela vira um monte de carros estacionarem no posto de gasolina e a prenderam. Ela tinha Quinn novamente. Deus, ela tinha esquecido como a garota cheirava, como era senti-la tão perto. Isso era incrível. Isso era tão incrível e ela tinha esperado tanto para ter isso de volta.

Quinn segurou Rachel tão forte quanto esta, imaginando se ela apertasse o suficiente elas se fundiriam uma na outra. Não era perto o bastante, nada era. Ela segurou mais forte do que ela já havia segurado algo, como um ano de solidão – porra, uma vida inteira – parecia que finalmente estava terminado e acabado.

Depois de um momento, Quinn se afastou um pouco, levando a mão pra virar o rosto de Rachel em sua direção. A garota tinha cabelo nos olhos – Quinn os tirou – e lágrimas no rosto dela – Quinn as limpou – e ela pensou que Rachel nunca tinha parecido mais bonita.

"Obrigada por me escolher." Quinn sussurrou, voz quebrando.

"Sempre." Rachel sussurrou de volta. "Eu sempre escolherei você. Eu amo você."

Quinn sentiu suas próprias lágrimas escorrerem de seus olhos, porque ela nunca tinha sido tão feliz ou aliviada, porra.

"Eu amo você." Ela murmurou, pressionando sua boca na de Rachel e se mantendo ali.


"Ei, eu bateria mas vocês têm a tevê tão alta que provavelmente meus vizinhos pensam que eu estou abrigando fugitivos aqui em baixo," Miguel disse enquanto abria a porta para o porão dele.

Dois pares de garotas se afastaram pra olhar pra ele timidamente.

"Nós estávamos apenas nos atualizando nas notícias", uma das loiras disse, enquanto a pequena morena que ela estava abraçada se inclinou pra frente para abaixar a televisão.

"E, bem, eu tenho alguma comida e algumas roupas." Ele colocou os sacos no final da escada, antes de correr a mão pelo cabelo. "Aquela merda que vocês armaram? Aquilo foi bem da hora, porra, só estou dizendo. Estará nos jornais por um tempo, então, uh, é. De qualquer forma, comecem a pensar em novos nomes porque vocês não poderão usar os seus próprios novamente. Nunca." Ele deu de ombros pra elas. "Eu tenho que sair então mantenham o barulho baixo, okay? Vocês estão escondidas aqui, lembram?"

Ele subiu as escadas, sorrindo pra si mesmo.

Aquelas garotas não estavam nem perto de parecer tão fodonas como elas eram realmente.


"Cai bem nela!" Santana disse contente enquanto assistiam à filmagem de Sue Sylvester sendo presa no noticiário das seis.

Brittany riu, comendo uma batata frita e gemendo com o quão bom era o gosto. Ela nunca queria voltar à prisão. A comida era horrível.

Rachel franziu a testa enquanto via Quinn comer uma salada, olhando em volta pelo terceiro hambúrguer.

"Miguel esqueceu seu cheeseburger com bacon, Quinn? Sinto muito. Você deve estar sonhando com um pelo último ano!"

Quinn apenas deu de ombros.

"Eu virei vegana."

Rachel concordou com a cabeça, focando de volta na televisão. Depois de um minuto, seus olhos arregalaram e ela se virou para olhar para Quinn tão rápido que ela quase se deu um torcicolo.

"Você – você virou? Mas por que?" Rachel sentia que iria chorar novamente. Foram dias altamente emocionais. Bem. Anos.

Quinn apenas deu de ombros. "Porque o assassinato global de animais inocentes não é algo que eu queira mais apoiar." Ela catou um pedaço de tomate, trazendo aos lábios. "E essa garota que eu estou meio que apaixonada é adepta disso, então é um pouco rude fazê-la beijar minha boca de bacon."

Rachel não podia acreditar. Isso era quase demais.

Claro, elas fugiram da prisão e agora estavam escondidas num porão de um homem estranho enquanto elas esperavam que os policiais relaxassem na procura delas. Mas para alguém tornar-se vegana só porque eles a amavam?

"Eu amo a sua boca, bacon ou não. Eu amo você toda, quer você escolha comer carne, ou escolher um estilo de vida alternativo na comida que erradica toxinas e gordura da sua dieta e é, por todo lado, bem mais saudável pra você." Rachel sorriu, se inclinando pra frente para beijar Quinn suavemente na boca.

Ela começou a se afastar, mas Quinn a seguiu, esticando a mão e pressionando na nuca de Rachel. Ela dobrou o pescoço ligeiramente, abrindo os lábios capturando o lábio inferior de Rachel nos seus. Ela o sugou para dentro da boca dela, enquanto Rachel abria a própria boca e deslizava a língua entre os lábios de Quinn.

"Isso de não ter quartos separados pode ficar um pouco estranho." Santana murmurou, aproveitando seu cheeseburguer e desejando que tivesse um com carne tripla extra para que ela pudesse dizer quão carne era tão deliciosa. Que vegana que nada.

Brittany concordou com a cabeça. "Pelo menos nós ainda podemos fazer sexo no chuveiro?"

Santana deixou cair seu cheeseburguer.

"Britts, você é a pessoa mais esperta nesse maldito mundo. Vamos!"

Enquanto as outras duas fechavam a porta do banheiro atrás delas, Rachel empurrou Quinn no colchão, se acomodando entre as pernas dela e pressionava os quadris pra baixo.

"Deus, Rachel, eu senti sua falta," Quinn disse, correndo as mãos pelas costas da garota, pra baixo, segurando a bunda dela, puxando o corpo dela pra mais perto.

"Eu senti sua falta também, baby," Rachel disse, arqueando um pouco as costas e deixando seu cabelo cair para emoldurar seu rosto.

"Mostre-me o quanto." Quinn gemeu, enquanto Rachel se inclinava pra baixo e corria a língua ao longo do pescoço da loira.

"Você devia sentir o quanto," Rachel sussurrou no ouvido dela, correndo os dedos pelo braço de Quinn e agarrando a mão dela. Ela a puxou entre os corpos delas, levando-a pra baixo do vestido, pressionando as pontas dos dedos de Quinn na calcinha dela.

Quinn nunca tinha pensado que fosse uma pessoa sexual. Claro, pessoas a achavam sexy e ela tinha se acostumado a usar isso a seu favor no passado. Mas aqui com Rachel, agora, ela percebeu que ela não se importava com quanto tempo elas passariam naquele porão. Elas podiam ficar o tanto das sentenças que tinha que cumprir que ela não se importava.

Conquanto ela pudesse fazer amor com Rachel Berry pelo resto da vida dela.


"Oh, por favor, eu não acredito que ela tirou nosso couro por ser pegar em vídeo e então matar alguém ao vivo na câmera! Diga sobre ser idiota." Santana estava tão agradecida por ter televisão, que ela poderia beijar Miguel e oferecer-se para ter os filhos dele.

"Né?" Brittany concordou, enquanto assistiam JessalynBriggs presunçosamente noticiar a prisão de Sue.

"... enquanto ela alegar ter estado sob a influência de sentenciadas fugitivas, filmagens de Sylvester agarrando a espingarda das mãos de Lopez não podem ser confrontadas..."

"Você sabe que eu aposto que ela passou todo o tempo desejando que nós tivéssemos trazido-a conosco." Quinn murmurou, correndo os dedos pelo cabelo de Rachel.

Rachel tinha a cabeça na barriga de estomago, ouvindo-o roncar e também a televisão.

"Ela sempre disse que você a lembrava de uma versão mais jovem dela mesma, não é? Psicologicamente isso diria que ela sentia uma proximidade com você, talvez um vínculo mãe-filha ou de irmãs?"

Santana apenas riu.

"Você pode imaginar ser a filha de Sue Sylvester? Jesus."

"Eu me sinto mal pelos meus pais." Brittany disse suavemente, encolhendo os ombros. "Eles vieram me visitar na cadeia, mas tipo, eu não sei. Eu nunca sabia o que dizer."

"Meus papais também me visitavam bastante. Eu me desculpei profusamente, mas, não havia muito o que fazer. Eu disse a ele que não foi as habilidades dele como pais que me fizeram fazer o que fiz. Não tinha nada a ver com ele, porque não tinha mesmo. Eu fiz minha escolha."

Quinn manteve os dedos correndo pelos cabelos de Rachel enquanto ela pensava em suas palavras.

"Meus pais não vieram. Sem problemas." Santana deu de ombros e então se encolheu ligeiramente. "Espere, isso é mentira. Doeu como o diabo. Mas o que você pode fazer?"

Brittany se sentou, colocando a mão sobre a de Santana.

"Viver o resto das nossas vidas felizes e livres."

E, Deus queira, que isso fosse exatamente o que elas iriam fazer.

O-O

O segundo mês passou bem mais rápido que o primeiro.

O primeiro mês tornou-se sobre se esgueirar para o chuveiro para ter algum tempo privado, enquanto o casal deixado no quarto tentava ter seu próprio tempo reservado antes da chuveirada do outro acabar.

Elas viam a notícia, esperando por um programa passar onde elas não fossem mencionadas.

Na maior parte, elas se abraçavam. Elas falavam sobre o ano que passara, as amigas que fizeram na prisão e como elas esperavam que as mulheres que tinham as ajudaram, tivessem achado sua própria liberdade, se isso era o que tinham escolhido.

Monique já tinha sido pega e Brittany tinha chorado quando vira a filmagem. A mulher alta apenas estirou o dedo médio pra câmera, ainda que com um grande sorriso no rosto.

Mas isso foi tudo que ela escutaram sobre o caso, além da continuada busca por elas quatro.

No segundo mês, elas pararam de prestar tanta atenção ao noticiário, e, Miguel as deixou decorar um pouquinho o porão. Ele achou pra elas um tapete e algumas cortinas para as pequenas janelas no topo das paredes.

Ele ofereceu pra colocar um biombo para dar a elas alguma privacidade, mas elas disseram que não precisava. Era tipo uma festa de pijamas, elas pensaram, com suas melhores amigas que você pensou que nunca mais veria, e então você nunca queria que isso acabasse.


"Okay," Miguel disse, abrindo a porta do porão. "Desde que vocês irão embora antes da semana do Rei – e vão perder uma festa muito boa – eu trouxe algo especial pra vocês. E algumas notícias, também."

Ele pulou os lances de escada, esperando que as garotas embaixo parassem de falar entre elas.

"Bem, desembucha!" Santana disse, rindo.

"Primeiramente, Rose está em Cuba, sã e salva. Ela me disse pra dizer ei vadias, e que é melhor que vocês estejam me tratando direito." Miguel piscou pra elas, enquanto Brittany jogava um sapato nele. "Segundamente, seus novos papéis de identificação estão quase prontos. O que quer dizer, moças, vocês estão quase prontas pra ir. Sem lágrimas, sem choro. Foi divertido e foi real mas não tem sido bem divertido ser seu motorista de entrega."

Rachel riu, se virando para Quinn e murmurando algo sobre pessoas em uma gangue ser bem menos assustadoras do que ela pensara que seriam.

"E os seus nomes? Porque você só riu de todas as minhas sugestões, seu puto." Santana cruzou os braços enquanto Miguel rolava os olhos.

"Porque Una Love-Beaver te fará ser presa mais rápido do que você pode dizer o nome. Então eu tomei a liberdade de nomeá-las. Mas tudo será revelado amanhã." Ele colocou a mão no bolso traseiro, trazendo uma pequena bolsa. "E finalmente, como um presente de despedida, eu trouxe pra vocês a maconha da mais alta qualidade em Chicago Heights."

Rachel se sentou rapidamente com uma testa franzida, enquanto Santana pulava pra ficar de pé.

"Miguel, você é um puto de um santo." Ela agarrou a bolsa da mão dele estendida.

Migul deu de ombros. "Há papéis e tudo mais ali, tudo que vocês precisam. Então aproveitem, moças. E não pense sobre subir as escadas, porra, e atacar minha geladeira. Eu deixarei alguns salgadinhos e tal antes de sair."

"Como podemos agradecer você?" Brittany perguntou, levantando enquanto Santana andava de volta pra elas.

"Vocês não precisam. Vocês soltaram a Rainha Latina e deram a ela uma nova vida. Esse é meu agradecimento a vocês."


As quatro sentaram em um dos colchões, com a bolsa no meio do círculo delas. Rachel abriu a boca pra falar mas Santana levantou a mão.

"Antes de você se opor, Berry, apenas me deixe dizer algumas coisas. A primeira é que todas nós matamos pessoas. Todas também estiveram na cadeia. Nós então fugimos dessa cadeia e estamos de volta na Lista dos Mais Procurados da América. Com tipo, uma represália. Certo? Nós todas bebemos álcool mesmo sem ter idade pra isso. Eu acho que uso de drogas é uma progressão natural. Não irá foder mais as nossas vidas do que já estão. Esse é meu argumento e eu fico com ele. Então eu acho que devemos usar."

Rachel abriu a boca novamente, mas dessa vez Quinn a cortou.

"Eu concordo com Santana. Quero dizer, eu não teria concordado dois anos atrás. Mas estou curiosa. Acho que todas estamos e eu não acho que daremos algumas baforadas e sairemos pra cair numa Cida de crimes porque já fizemos isso sem usar drogas. Talvez devemos ter essa última experiência juntas, já que em alguns dias nós sairemos e arriscaremos novamente nossas vidas e isso – isso tudo pode acabar."

Rachel abriu a boca pra falar. Brittany a cortou rapidamente.

"Eu totalmente acho que elas estão certas e eu escutei – na cadeia, da minha equipe – que orgasmos chapados são incríveis. Tipo, mais do que orgasmos não chapados."

Rachel rangeu os dentes por um minuto, olhando entre as três outras garotas e esperando que qualquer uma delas adicionasse mais alguma coisa. Quando elas não o fizeram, ela finalmente falou.

"Primeiramente, eu concordo com todas vocês. Na verdade, eu estou um tanto quanto magoada que vocês todas naturalmente assumiram que eu teria alguma aversão a fumar maconha – uma planta que ocorre na natura e não requer intervenção humana para fazê-la potente ou apta para nosso consumo. Há muito tempo atrás, vocês talvez se lembrem, eu visualizava um futuro onde eu iria à Universidade de Nova York estudar teatro musical. Nas minhas preparações para tal evento, eu fiz uma auto reflexão bem intensa. Será que haveria um momento onde eu talvez me tornasse sexualmente envolvida com uma mulher? Em Nova York, no teatro musical, bem a chance era bem alta. Então eu examinei minha sexualidade e conclui que, sim, um dia eu estaria de acordo com tal coisa."

A mandíbula de Quinn ficou aberta.

"O que?"

Mas Rachel levantou a mão.

"Eu também percebi que eu provavelmente viria a ter contato com pessoas usuárias de drogas e chegaria um tempo que eu receberia a oportunidade de fazer o mesmo. Para que eu pudesse me preparar totalmente, eu fiz alguma pesquisa. Eu imediatamente excluí heroína, quetamina e metanfetamina. Todas são prejudiciais psicologicamente e altamente viciáveis e nenhum dos efeitos delas me apeteceu. Eu excluí cocaína, acreditando que se eu tentasse essa droga em particular iria provavelmente resultar na minha cabeça explodindo já que eu já tenho muita energia, falo de mais e eu tenho um ego saudável. Eu retirei ecstasy pelos mesmos motivos."

Brittany estava piscando rapidamente.

"Wow."

"Desde que há um debate acalorado sobre se maconha é ou não é ruim pra você, eu conduzi minha própria pesquisa. Sem a droga mesmo, minha pesquisa foi puramente teórica, entretanto eu cheguei à conclusão de que se eu fosse tentar qualquer droga na minha vida seria essa. Os riscos, que se apresentaram, pareceram bem baixo no espectro das drogas, e como eu disse, nasce naturalmente da Terra."

"Quais são os riscos?" Brittany perguntou, hipnotizada pela gesticulação louca de Rachelenquanto falava.

"Se você tem predisposição à doença mental, uso prolongado pode ativar o que quer que esteja dormente em sua mente. Mas, a doença deve estar lá pra começo de conversa. Há também um risco envolvido na personalidade. Por exemplo, Finn Hudson seria uma pessoa terrível pra usar maconha, pois ele provavelmente culparia a droga pelos baixos na vida, ao invés da sua própria deficiência." Rachel respirou, ela sentia que tinha provado seu argumento. "Como uma coisa que se faz uma vez na vida, eu de todo meu coração apoio que façamos isso. Moderadamente, alguma de nós deve experimentar paranoia ou alguma reação a isso."

Brittany alcançou a bolsa, tirando os papeis e alguns pedaços de papelão.

"LaFresia me ensinou como enrolar cigarros para que eu pudesse pagar Dominique pelas mensagens." Ela mostrou a língua, balançando o papel na mão dela.

Santana nunca sentira mais orgulho da sua garota.

"O que eu quero sabe é, o que aconteceu em Roswell, você sabe? Tipo, claro que houve aliens e essa merda toda. Vocês – vocês já olharam pro universo? Tipo realmente olharam pra ele? Porra, cara. É tão grande." Santana deu outra tapa, passando pra esquerda e esperando quem quisesse pegar.

Todas estavam deitadas de costas, suas cabeças juntas enquanto elas passavam o – sexto? Sétimo? – baseado entre elas.

"É tão grande quanto o céu, né?" Brittany disse, dando um tapa e exalando sem tossir. Levou algum tempo para todas, mas elas estavam finalmente acostumadas a inalar sem ter acesso de tosse.

"Maior, Britts. Maior que o céu. É como uma janela, você sabe? O céu é apenas uma grande janela, porra. Mas há toda uma casa."

"Nós podemos viver nela?" Brittany passou o cigarro para Quinn, que o pegou alegre.

"Casa de universo." Quinn disse de repente, antes de começar a rir. "Nós estamos no porão da casa do universo nesse exato momento?"

Rachel estava mexendo os braços no ar sobre a cabeça dela, sorrindo loucamente.

"Tudo o que eu quero fazer é," Rachel fez barulhos de arminhas com a boca. "E," ela clicou a língua. "Ching! E pegar seu dinheiro!"

"Espere, não uma casa. Eu quero dizer, um mundo. Ou um gramado. Ou. Do que eu estava falando?"

Brittany começou a rir também.

"Não há lá fora. Só esse porão."

Quinn riu alto. "Bem, me foda se isso for verdade!"

"Eu foderei!" Rachel rolou, alcançando Quinn, que continuou rindo.

"E se o porão for tudo que existe?"

Santana franziu profundamente a testa, piscando.

"Espere, o que eu estava falando? Era realmente importante, porra. Era – o que era?"

"Eu espero que meu nome seja algo incrível. Tipo." Os olhos de Brittany ficaram ligeiramente vesgos enquanto ela tentava pensar. "Brittany."

"Uau, seu rosto é incrível." Rachel disse séria, empurrando seus dedos nas bochechas de Quinn.

"Você é incrível." Quinn disse de volta, franzindo a testa ligeiramente enquanto Rachel empurrava a bochecha dela pro olho dela.

"Fodam-se todas vocês, eu sou incrível!" Santana declarou sentando-se. "Eu preciso de salgadinhos."

"Salgadinhos!" Brittany ecoou.

"Salgadinhos!" Rachel engasgou.

"Salgadis!" Quinn conseguiu dizer, mesmo com Rachel tendo empurrando suas bochechas juntas.

Com relação aos finalmentes, não era algo que elas lembravam muito bem. E apesar de todas elas quererem validarem se o orgasmo mais maconha era igual a uma equação muito maravilhosa era verdade, ao invés disso, elas acabaram dormindo amontoadas em um único colchão.

"Todas por uma!" Brittany murmurou sonolenta, logo antes de desmaiar.

E uma por todas.

O-O

"Eu ainda não entendo porque temos que ser caras." Santana disse pra Rachel, olhando seu novo passaporte com suspeita.

"Eu tenho que dizer que concordo. Certamente nós nunca passaremos por homens –"

"Não," Miguel concordou com um dar de ombros. "Vocês não passariam. A não ser, claro, que vocês fossem caras gays efeminados viajando pro México pra conhecer a família de Mario."

"E sou eu que deve ser o Mario?" Santana franziu a testa profundamente. Elas estavam tão fodidamente ferradas.

Miguel deu a elas um sorriso confortador.

"Olhe, eles estão procurando por quatro garotas, okay? Não dois caras. E não dois caras que são gays um pelo outro, certo? Nós cortamos seus cabelos, damos a vocês bigodes e ninguém parará vocês. Confie em mim."

Rachel suspirou profundamente, antes de jogar os ombros pra trás.

"Enquanto eu discordo de cortar meu cabelo por princípio, eu acredito em alguém se transformar por um papel. Isso, eu acredito, será um grande desafio de atuação. Um que eu vou passar, pelo bem da liberdade."

Santana rolou os olhos. "Por que Britts não pode ser meu super sexy branco namorado ao invés de Berry? Quem acreditaria que nós estamos batendo paus, ou coisa do tipo?"

Miguel deu de ombros. "Porque as outras duas são irmãs. Irmãs ruivas. Eu sei que não são os pares que vocês querem, mas é até vocês cruzarem a fronteira. Então, vocês usam esses."

Ele deu a elas um conjunto de passaportes idênticos, ambos com codinomes femininos dentro.

"Okay, mas –" Santana começou, mas, Miguel a cortou.

"Apenas confie em mim. É o que eu faço. E funcionará." Ele estendeu uma mão, estranhamente esfregando as costas do seu pescoço. "Eu sei que você não quer ouvir isso, mas quando vocês cruzarem a fronteira? Dividam-se. Será mais fácil desse jeito. As quatro juntas é muito arriscado. Desculpe, mas é a verdade."


Foi um adeus difícil. O porão delas tinha se tornado tudo que elas tinham – mesmo que no começo de má vontade – eventualmente vieram a amar. Era o único lugar que elas tinham permissão de estar juntas e se sentir seguras.

Elas não veriam Miguel novamente. Elas tinham feito um pacto já, que se elas fossem pegas, elas não o entregariam. Ou Rose.

O mais difícil foi dizer adeus umas às outras. Rachel e Santana saíram primeiro em um Subaru que tinha aparecido na casa na manhã que estava marcado pra elas irem.

Elas concordaram em não rir uma da outra, ou zoar a outra pelo cabelo ridiculamente curto que agora elas usavam. Santana tinha o cabelo lambido pra trás e um bigode no rosto que Miguel fez das mechas que ele tinha tirado da cabeça dela.

Rachel queria chamá-la de Antonio Banderas, mas decidiu que não. Afinal, tudo dependia da habilidade delas em se darem bem para ser possível passarem a fronteira. Ela também não queria encorajar Santana a retornar o favor, porque qualquer apelido que Santana inventasse seria bem pior. Pelo menos, Antonio Banderas era sexy.

O cabelo de Rachel tinha sido cortado próximo ao pescoço, mas na verdade ela recebeu uma franja frouxa que a fazia sentir ridícula. O bigode dela não era tão largo quanto o de Santana, mas Miguel tinha usado alguns cortes da nuca dela e cola para dar a ela uma sombra de barba.

Claro, ela parecia bem fofa e ela provavelmente se namoraria, ela pensou, se ela tivesse doze anos de idade.

Elas dirigiriam o dia todo, ficariam num motel à noite e chegariam na fronteira na tarde seguinte.

Miguel as aconselhou, pra segurança delas, a não ficar no mesmo motel que Quinn e Brittany. Ele deu a cada uma delas quinhentos dólares em espécie, e as mandou embora.

As loiras saíram uma hora depois das morenas. Exceto que elas não eram mais loiras.

Quinn tinha deixado o cabelo dela crescer no ano que passou na prisão, mas agora voltou a ser na altura do ombro e fino. Tinha sido tingido de vermelho brilhante assim como o de brittany e elas tinham desenhado sardas por todo o rosto delas.

Elas deviam dirigir uma perua e quando Miguel mostrou a elas o que tinha nos fundos, Quinn tomou um longo sorvo de ar. Porque claro, isso era inteligente, mas e se não funcionasse?


"Mantenho o cabelo facial no rosto? E se sair no travesseiro? Queria ter celular e pudesse ligar pra Quinn e Brittany. Espero que estejam bem. E se elas foram paradas?" Rachel ficou ando pra frente e pra trás na frente da televisão, enquanto Santana ficava com a cara fechada.

"Diabo dos infernos, você poderia se acalmar? O que essas perguntas fazem? Huh? Só deixa a merda ainda pior e nós temos uma longa estrada amanhã e talvez levemos um tiro e – e a pior parte de ser pega é ser pega enquanto estou pretendendo estar em uma relação gay masculina com você." Santana cruzou os braços sobre o peito, porque francamente. Quando ela pensou que sua vida não podia ficar mais ridícula.

Rachel respirou profundamente, sentando na ponta da cama.

"Eu me desculpo, Santana. De verdade. Eu só estive tão estressada por tanto tempo e eu estou –"

"Eu sei, certo? Eu sei. Eu também. Então vamos só dormir e acabar com essa merda."

"Você acha que elas estão bem?" Brittany sussurrou, seu rosto virando em direção à Quinn na escuridão.

"Eu não sei. Espero que sim. Eu espero que elas não tenham sido pegas, mas mais do que isso, tenham se matado."

Quinn se virou, encarando o teto. Pelo menos esse não tinha pequenos buracos nele.

O-O

"Aqui vamos nós." Santana disse, encostando pra parar e alcançando os passaportes delas. As versões femininas estavam debaixo do assento, escondidos.

"Negócios ou diversão?"

Santana limpou a garganta, imitando o sotaque do avô o melhor que podia.

"Diversão. Nós estamos visitando minha família."

"Oui!" Rachel concordou, sua própria voz baixa.

Santana teve que se conter para não encarar a garota porque desde quando ela estava fingindo ser Francês?

O patrulheiro da fronteira se inclinou, olhando ambas.

Rachel se apavorou. Ela se inclinou rapidamente, colocando a mão no colo de Santana e beijou a bochecha dela molhadamente.

"Nós estamos apaixonados! Nós vamos ao México para certificar de que a família está de boas quando nos casarmos!"

Santana trincou os dentes. Que porra? Aquele sotaque era Francês ou Italiano?

"Si, nós estamos apaixonados." Santana disse lentamente, tentando sorrir agradavelmente para o oficial que agora tinha suas sobrancelhas levantadas.

"Duração da visita?"

"Uma semana." Santana respondeu, pensando, foda-se. Ela ia vender essa merda. Ela virou a cabeça dela pra Rachel, se esticou e agarrou a cabeça da garota e puxou em direção à própria.

Rachel guinchou quando Santana a beijou rudemente, lembrando no meio do caminho que ela devia estar gostando ao invés de parecer tão chocada.

"Sir." O policial disse desconfortavelmente e Santana se puxou com um pop molhado.

"Eu amo essa boca chupadora de pau." Ela ronronou, mantendo a voz tão baixa quanto pôde.

O oficial entregou os passaportes de volta, acenando para que passassem.

Rachel caiu de volta no assento dela, tentando parecer completamente normal.

Depois de dez minutos, ela repentinamente explodiu em gargalhadas.

Santana se juntou a ela porque, que porra? Elas tinham conseguido entrar no México.


"Pronta, Britts?" Quinn perguntou quando o carro delas foi parado por um patrulheiro da fronteira.

"Passaportes, Senhorita." Ele disse, estendendo sua mão.

Quinn se inclinou e abriu o porta luvas, pegando os passaportes e os entregando pra ele.

"Aqui está, Sir!" Ela disse reluzente, adotando um sotaque que ela assumiu ser perto o bastante da Carolina do Sul.

"Qual seu negócio no México?"

Brittany bateu palmas.

"Eu vou conseguir pra mim um burro e cavalgá-lo até que ele não consiga ficar mais em pé."

Quinn limpou a garganta. "Nós vamos passar o feriado, Sir, e eu planejo mostrar aqui pra minha irmã um tempo divertido."

O oficial levantou as sobrancelhas, entregando os passaportes de volta.

"Quanto tempo passarão no México?"

"Uma semana." Quinn respondeu rapidamente, mantendo sua face neutra enquanto ele olhava pra elas, antes de andar pra trás examinando o carro.

"Você se importa de sair do veículo, Senhorita?"

Quinn sentiu seu coração aumentar o ritmo, mantendo um sorriso firmemente plantado no rosto.

"De jeito nenhum, Sir!" Ela deu uma olhada em Brittany, antes de respirar profundamente abrindo a porta do carro.

"Sua passageira também, Senhorita." Ele disse rispidamente, e Quinn concordou com a cabeça.

"Claro, Sir. Agora mesmo, se você insiste. Mas você se importa de me dar uma mão? Ela precisa de ajuda pra sair do carro."

Ele a seguiu pra mala, se afastando ligeiramente enquanto ela a abria e alcançava o que estava dentro.

Fazendo seu melhor para fingir estar com dificuldade, ela levantou uma cadeira de rodas dobrável e a colocou no chão.

"Senhorita –" ele começou a dizer, mas ela o cortou.

"Se você não se importa de me ajudar a levantá-la do assento de passageiro isso seria –"

"Está tudo bem, Senhorita." Ele disse rapidamente, pegando a cadeira de rodas e a levantando facilmente pra colocá-la de volta no carro. "Está bem, você apenas volte pro carro e siga seu caminho. Isso é tudo que eu precisava ver."

"Muito obrigada," Quinn disse, entrando de volta no banco do motorista ligando o carro.

"Você e sua irmã tenha um tempo realmente especial." Ele balançou a cabeça pra elas enquanto elas começavam a se afastar.

E então, fácil assim, elas estavam no México.

O-O

Santana ficou andando pra frente e pra trás ao lado do carro, enquanto Rachel mastigava uma das suas unhas nervosamente.

Por favor, ela pensou, por favor deixe-as ter passado.

Santana estava prestes a chutar uma das rodas, quando ela viu uma perua aparecendo na colina. Ela não pôde evitar; ela começou a correr em direção ao carro.

Dirigiu-se em direção à ela, com dois dos maiores sorrisos que ela tinha visto a encarando do banco dianteiro.

Elas conseguiram. Obrigado ao bom Deus, que elas conseguiram.

Quinn desacelerou o carro o bastante pra Santana pular no banco de trás, não perdendo tempo para se inclinar e beijar Brittany por tudo que era mais sagrado.

Quinn bateu nos freios perto do outro carro, abrindo a porta dela e saiu correndo em direção à Rachel, que estava chorando novamente de felicidade.

"Eu amo você," Santana sussurrou nos lábios de Brittany. "Eu amo você."

"Eu sei, baby," Brittany respondeu, pressionando seus lábios no de Santana novamente. Eu amei você desde o dia que nos encontramos."

Quinn segurou Rachel, rodando com ela por todos os lados.

"Nunca novamente!" Ela gritou, colocando Rachel no chão, a abraçando com força. "Eu nunca deixarei você novamente!"

Rachel só sorriu e fungou, enterrando o rosto no ombro de Quinn.

Tinha funcionado. Tinha levado tempo demais pra chegar até aqui, porra.

Dois carros apareceram na colina, e, começaram a ir em direção a eles.

Santana e Brittany saíram do carro, andando de mãos dadas em direção à Quinn e Rachel.

Quando os carros pararam, três homens saíram e acenaram pra elas.

"Esses são pra vocês, nós pegaremos aqueles. Si?"

Santana olhou os dois carros que elas deviam pegar. Elas deviam se separar, mas foda-se isso. E foda-se tudo.

"Só um. Precisamos de só um." Ela disse confiante e Quinn se aproximou.

"É, só um carro."

Brittany bateu palmas, sorrindo aliviada.

Rachel enxugou os olhos, dando aos homens um sorriso molhado.

"Obrigada." Ela disse. "Por favor."

Os homens apenas deram de ombros, trocando dois jogos de chaves por um.

O Subaru, a perua e um sedan dirigiram de votla pra colina e pra longe delas.

Elas foram deixadas com um conversível.

"Banco da frente!" Brittany gritou, pulando sobre a porta do passageiro e se acomodando no banco dela.

"Eu vou dirigir essa merda, porra!" Santana gritou, optando por abrir a porta.

De mãos dadas, Quinn e Rachel as acompanharam, subindo nos assentos de trás.

"Eu devo dizer," Rachel começou, limpando a garganta. "Estou muito feliz que todas concordamos em ficar juntar. Eu pensei que a sugestão de se separar era ridícula. Nossa punição foi separação e nós não íamos nos punir –"

Santana rolou os olhos, ligando o rádio e aumentou o volume.

"Eu amo essa música!" Brittany engasgou, sorrindo brilhantemente.

"Está tudo bem, você pode me dizer tudo sobre isso enquanto vamos." Quinn murmurou no ouvido de Rachel, pressionando um beijo na bochecha dela. Tudo finalmente parecia certo.

"Onde vamos?" Rachel perguntou gritando, sobre a música.

Santana colocou o carro em marcha e deu de ombros.

Brittany baixou um pouco a música, virando-se pra motorista.

"Nós podemos ir à Machu Piccu?"

"Claro que podemos, Britts – quero dizer, Heather. Deus, vai demorar pra acostumar."

"É, Naya." Quinn disse do banco traseiro, rindo.

"Cale a boca, Dianna com dois n! O que é isso?"

"Eu acredito que seja a tentativa de Miguel para fazer Quinn ter uma familiaridade com o novo nome dela, ao transpor o duplo n –"

"Cale a boca, Lea!" Santana disse e aumentou a música novamente, olhando pra Brittany e levantando sua voz para gritar sobre a música. "Agora vamos pegar pra você aquele burro!"

O-O O-O O-O O-O

And of course you don´t become, if you only say what you would´ve done

And so I missed a million miles of fun

And I´m not only among, but I invite who I´d want to come

And so I missed a million miles of fun