Capitulo 2: Conseqüências.
Quando o casal entrou no pequeno escritório, que ficava debaixo da escadaria, Molly fez um encantamento anti-som para ninguém ouvir o que ela iria contar. Seria melhor assim, pois temia que seus filhos se revoltassem contra ela, sem que pudesse explicar a situação a eles.
– Vamos, o que lhe perturba tanto? – Perguntou curioso, antes de sentar-se na cadeira forrada com um pano vermelho desbotado, atrás de uma escrivaninha marrom meio-arranhada.
– Arthur, eu vou ser rápida, não agüento mais essa angústia!
– Estou esperando, não precisa ficar desse jeito. Lembre-se que tentarei ser compreensível – Tentou acalmar a esposa.
– Não sei se você vai continuar pensando assim, quando eu contar – Respirou fundo tentando se acalmar – Arthur, se lembra daquela época que você viajou por um mês para resolver assuntos da ordem? Bem naquela época eu me senti muito sozinha com sua ausência, então numa noite enquanto eu visitava a sede da ordem para perguntar quando você voltava. Encontrei somente Snape lá, ele me convidou para beber um wisky de fogo, aceitei, mas passei da conta! Na manhã seguinte, me encontrei num dos cômodos da casa, numa cama de casal com Severus do meu lado, nós tínhamos transado– Olhou aflita, vendo o rosto do marido se contorcer – Não foi somente dessa vez, logo após isso continuamos a nos encontrar durante duas semanas, porque eu me sentia carente e ele era tão carinhoso. Depois disso me veio um peso na consciência e resolvi parar o caso. Você não imagina como fiquei arrependida. Isso não é tudo, após um tempo descobri que estava grávida, o comuniquei sobre a conseqüência daquele caso e pedi para não se intrometer. Snape aceitou minha decisão, porém mudou de idéia e quer que Virgínia fique sabendo que ele é pai dela. – Encostou-se na parede e começou a chorar copiosamente não falando mais nada.
Arthur esperava que sua esposa dissesse que gastou demais ou outra coisa sem importância, mas quando ela começou a relatar o que aconteceu uma fúria subiu a sua cabeça. Tentou se controlar imensamente, não conseguia raciocinar, perdoaria tudo, menos uma traição e uma mentira. Não podia acreditar que sua mulher o traiu com Severus Snape e ainda tinha engravidado dele. Sua princesinha não era seu sangue.
Lágrimas começaram a brotar de sua face, não poderia viver mais sobre o mesmo teto que aquela mulher infiel. Tomou uma decisão que lhe veio em mente naquele momento, mesmo que seus filhos sofressem com isso. Por mais que amasse Molly, não voltaria atrás.
– Agora não adianta ter crises de arrependimento, o que está feito não pode ser mudado – Bufou transtornado.
– Me perdoe! – Sussurrou Molly.
– Pegue suas coisas e suma dessa casa! – Deu um murro na mesa – Agora que sei a verdade, não quero mais olhar na sua cara – Complementou num murmuro.
– Por favor, não faça isso! – Suplicou ao conjugue.
– Pensasse isso antes, agora é tarde demais. Você tem até meia-noite para sair daqui – Falou friamente, num tom que a ruiva nunca ouviu seu marido usar.
– Se eu não concordar? O que você fará? – Questionou entre soluços.
– A proibirei de falar com nossos filhos, conseguirei uma ordem assinada pelo juiz do ministério, que cuida de casos de adultério – Levantou-se e virou de costas.
– Está bem, não quero que meus filhos sofram por minha causa, pelo meu erro.
– Se Gina desejar, ela poderá ficar morando aqui, não a tratarei mal – Disse o ruivo imponente antes de sair do escritório.
Molly enxugou suas lágrimas e imediatamente subiu os degraus que levavam até os quartos, entrou no dormitório da filha sem bater. Reparou que sua caçula estava lendo um livro. Temia uma reação explosiva da garota quando soubesse o que aconteceria.
– Filha, arrume suas coisas em uma mala e desça daqui à uma hora. Contei tudo para Arthur e ele não reagiu muito bem. Sabe, tudo é minha culpa, me desculpe, terei que ir embora dessa casa. E não vou deixá-la aqui, nem que você tenha que morar com Snape – Levou as mãos para tocar a face da menina.
–Para onde você vai? Por que não posso ir junto?– Inquiriu com a voz falha se segurando para não chorar.
– Eu vou morar na casa de campo dos meus pais, eles morreram, e a deixaram para mim. Ela é pequena, menor que essa, só tem quatro cômodos. Um quarto, um banheiro, uma cozinha e uma sala. Escute bem, minha filha, você vai ficar com seu pai biológico – Indagou preocupada.
– Papai não pode fazer isso com você, isso é injusto. Se fosse ele no seu lugar, você teria que aceitar de cabeça baixa. Não concordo com o papai, não quero ficar no mesmo teto de uma pessoa desse jeito, por mais que eu goste dele. – Gritou exaltada.
– Mas ele não enxerga dessa maneira, tente entender! – Abraçou a filha que relutou um pouco no início.
– Eu não aceito isso, mãe! Como ele pode fazer isso com você! Como você vai se sustentar, se nem emprego têm. – Soluçou indignada.
– Filha, por favor, me ouça, aceite morar com Snape, ele aceitará você, não se preocupe sempre que der irei visitá-la – Beijou a testa da garota demonstrando carinho.
– Farei o que me pede mamãe – Sussurrou.
– Emprego, eu poderei arranjar em algum restaurante, como cozinheira ou pegarei roupas para lavar – Assegurou meio-desnorteada.
– E meus irmãos, quando ficaram sabendo?
– Amanhã contarei a eles. Sinto que não vai ser fácil! Vou deixar você arrumando suas coisas, preciso mandar uma coruja avisando Severus.
E assim, Molly saiu do dormitório da filha e desceu até a cozinha, onde escreveu uma carta, em meio de lágrimas, relatando uma parte do ocorrido para seu ex-amante. Procurou Errol, e amarrou o envelope em sua pata, o mandando para o mestre de poções.
Enquanto isso, na Mansão Snape, uma senhora de setenta anos, muito elegante e com os cabelos grisalhos presos em um coque baixo caminhava em direção ao laboratório. Onde seu filho criava novas poções, ela estava muito animada com a notícia que iria conhecer sua neta, porém não sabia quando seria o dia. Ao chegar perto de uma porta de mogno, bateu três vezes.
– Pode entrar mãe – Berrou Severus.
Jenny Snape sem hesitar adentrou majestosamente no lugar, olhou para seu herdeiro e se aproximou.
– Vamos jantar meu filho! Já faz horas que você está enfornado nesse laboratório – Murmurou com desdém.
– Eu gosto de ficar aqui desse jeito, você sabe que adoro o meu trabalho – Respondeu com a voz arrastada.
– Vamos! Odeio comer sozinha – A matriarca confessou, antes de deixar o local, sendo acompanhada pelo professor de hogwarts.
Em menos de quinze minutos cruzaram o enorme salão de atmosfera sombria, pelo seu tom escuro em estilo gótico. Subiram um lance de escadas que levavam ao andar superior, saindo dessa maneira do porão. De repente um elfo doméstico apareceu na frente dos donos da mansão, com uma coruja junto.
– Mestre Snape, carta ser pro senhor! – O mocho piou e estendeu a patinha em direção a Severus, que sem esperar mais, pegou o envelope e leu.
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Severus, você arruinou minha vida, agora não tem mais volta, contei tudo para Arthur e para Virgínia. Sabe, ele não ficou muito contente, não o culpo, reagiria da mesma forma no lugar dele. Não é isso que quero falar e sim que meu marido me expulsou de casa, não vou deixar Gina com ele. Então, prepare-se, pois ela vai morar com você. Se quiser pode trocar o sobrenome dela e assumir sua paternidade. Não era isso que você queria?
A levarei via flú, por favor, autorize a conexão da nossa lareira com a sua, levarei minha princesinha daqui a pouco.
Molly Weasley
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O professor de poções esboçou um meio sorriso, finalmente teria o que tanta desejava desde o início, criaria sua herdeira e a registraria legalmente. Sua fortuna era imensa, pelo menos teria para quem deixá-la caso morresse. Trataria sua filha da melhor maneira possível, ela nunca mais passaria por restrições financeiras novamente.
– Filho, de quem é o bilhete? – Interrogou curiosa, analisando o semblante dele.
– Mãe, minha filha vem morar comigo e poderei registrá-la com meu sobrenome, estou tão feliz! Ela vai chegar daqui a pouco, vamos esperar para jantar! Klinzy arrume o quarto de hospedes, agora! – Ordenou para a elfa que imediatamente foi cumprir a ordem.
– Que felicidade, Severus, vou poder conhecer minha netinha. Que idade ela tem mesmo?
– Onze anos, vai entrar em Hogwarts, daqui a três meses. Setembro já está chegando!
– Vou ensinar um pouco de etiqueta para a minha neta – Falou sonhadora a velha senhora.
– Eu irei ensiná-la todas as matérias de Hogwarts e os conteúdos do primeiro ano, nesses três meses. Pedirei a Dumbledore que faça uma prova com Gina, antes de ela entrar na escola. Se ela acertar 80 do teste, poderá ser efetuada já no segundo ano – Comentou empolgado.
– Ótima idéia meu filho! Vamos até a sala esperar a chegada da minha sucessora.
Severus apenas balançou a cabeça e seguiu sua mãe, não demorou muito para adentrarem na luxuosa sala, decorada com tapetes persas azul-marinho, sofá amarelo ouro e diversos quadros. O recinto possuía um estilo grego-romano que o identificava. Sentaram-se de frente a lareira, discutiram mais alguns assuntos, que nem sentiram o tempo passar, quando de repente um barulho chamou a atenção deles. O mestre poções arregalou os olhos ao perceber que sua filha tinha chego com a mãe, à pequenina era tão magrinha e aquelas roupas que usava não eram dignas de uma Snape.
Era a primeira vez que via sua herdeira, se controlou para não ir abraçá-la. Prometeu nesse momento para si mesmo que tentaria ser um pai atencioso e carinhoso.
Molly observou tudo muito admirada, nunca tinha estado naquele local antes, encarou o professor e sua mãe, pelo que deu de vê, ele era parecido com ela, menos o nariz.
Gina por sua vez, não se sentiu desamparada como imaginou. Motivada por um sentimento de alívio enxugou as lágrimas que molhavam a sua face. Encarou o homem a sua frente e depois olhou para a senhora com madeixas grisalhas que estava ao seu lado. Suspirou tomando coragem e se aproximou deles, sem antes dar um beijo na bochecha de sua mãezinha. Por mais raiva que sentisse da situação, não queria demonstrar, guardaria tudo dentro de si. Se esforçaria ao máximo para que sua nova família a aceitasse.
– Tudo vai ficar bem, não se preocupe – Balbuciou a mulher de cabelos avermelhados.
– Vai ficar aonde, Molly? – Pediu curioso o professor de poções.
– Numa pequena cabana no campo, que herdei dos meus pais.
– Não se preocupe! Nós cuidaremos dela, afinal é uma Snape. Quando quiser vir visitá-la mande uma coruja – Jennny recomendou.
– Já vou indo – Abraçou a menina ternamente, lhe deu um beijo na testa e seguiu até a lareira sem olhar para trás, indo assim para sua nova residência.
– Quer jantar conosco? – Perguntou Severus, para puxar uma conversa.
– Eu já comi – Murmurou a garota desanimada.
– Então que tal uma sobremesa? – Ofereceu colocando o braço no ombro da filha.
– Eu aceito se não for incomodo.
– Não seja tímida comigo, você é minha filha e seus desejos são uma ordem. Quando se sentir pronta pode me chamar de pai – Falou com um tom bem suave.
– Tudo bem! Fico muito feliz em saber disso – Sorriu.
–Me chamo Jenny Snape, mas pode me chamar de vovó quando achar que deve.
– Pode deixar! Eu irei chamar.
– Amanhã cedo iremos ao beco diagonal comprar umas roupas novas para você e também seus materiais da escola. Depois iremos ao ministério arrumar seu sobrenome – Disse Snape, deixando transparecer uma ponta de alegria.
A noite transcorreu excelente, pai e filha aos poucos estavam se entendendo e o medo que Virgínia sentia no início, antes de conhecê-lo, sumira. Pode perceber que ele era bem atencioso e nada mau como todos diziam.
A garota gostou muito de sua avó, naquele primeiro momento. Achou-a simpática e atenciosa, e notou que a velha senhora se esforçava para criar uma relação de harmonia na casa, tentando amenizar os contrastes que havia entre eles. Após se saborear com a sobremesa, a menina resolveu ir para seu novo dormitório, porque se sentia exausta com tudo o que tinha acontecido naquele dia. Pediu licença a seus parentes de sangue e subiu as escadarias logo atrás de um elfo-doméstico que fazia umas caras engraçadas. Entrando em sua suíte que ficava na terceira porta a esquerda da escadaria, Gina se surpreendeu com o requinte e tamanho do lugar, finalmente teria um banheiro somente para ela, não precisaria dividir com ninguém.
Na manhã seguinte, Virgínia foi acordada por Blintizy, que saltitava de um lado e do outro, tentando chamar a atenção da garota, que não agüentou muito e se levantou. Adentrou no banheiro, tomou um longo banho, em seguida vestiu sua melhor roupa que tinha trazido de casa. Uma calça jeans e uma blusa de manga em tonalidade verde. Penteou o cabelo e desceu os degraus confiante, aproximou-se da mesa, onde Snape e Jenny já estavam a esperando para começarem a comer.
Enquanto passava a manteiga no pão, Severus parou um instante e começou a observar o jeito como sua filha comia. Seus gestos para cortar o alimento, o jeito de pegar a xícara de chá e levar aos lábios. Notou que ela fazia todos os movimentos e gestos parecidos com os que ele fazia, um tímido sorriso brotou em sua face.
Logo após o café, o mestre de poções convidou a herdeira para ir com ele, em certos lugares no beco diagonal, para comprar novas roupas para ela, como também os benditos materiais. Não demorou muito para que uma charrete parasse no portão da mansão. Saindo para o jardim da bela casa, Gina não deixou de perceber o lindo jardim de orquídeas que enfeitavam o quintal da moradia e as rosas ao lado do portão. Subiram rapidamente na carruagem e seguiram até o seu destino.
– Já tem varinha? – Inquiriu o chefe da família.
– Mamãe não comprou para mim ainda! Sabe, dependendo do tipo é muito cara – Suspirou tristemente.
– Não precisa ficar triste, nem que seja a varinha mais cara, eu comprarei para você.
– Obrigada, senhor! – Agradeceu animada.
– Vamos comprar roupas novas também, agora você é uma Snape e não pode andar com roupas surradas.
– Entendo, mas eram as únicas que minha mãe podia comprar.
– Não se preocupe mais com isso, agora você vai ter do bom e do melhor.
Virgínia sorriu e se encostou ao banco, fechando os olhos, sendo observada pelo pai durante toda a trajetória. A pequenina despertou de seu cochilo quando a carruagem brecou, olhou ao redor e viu seu protetor lhe oferecendo a mão para descer da charrete.
Minutos depois, os dois entraram numa loja muito elegante de roupas femininas, compraram várias blusas curtas e de manga, calças, saias, blusas de lã, capas, sapatos, tênis, calçinhas e sutiãs. Saíram do estabelecimento com várias sacolas, que foram diminuídas durante o caminho. Os materiais escolares e a varinha foram comprados em menos de uma hora. Para a surpresa de Gina sua varinha era gêmea da do seu pai. O sonserino não ficou muito impressionado com o fato, pois já esperava por isso.
– Sabia que você ia pegar a varinha gêmea da minha, apesar de você ser parecida mais com sua mãe do que comigo. Seu gênio pelo que pouco observei é parecido com o meu, além do olhar – Falou orgulhoso.
– Creio que sim! Para onde nós vamos agora?
– Para o ministério de magia, preciso modificar sua certidão de nascimento, agora vai constar que sou seu pai – Sussurrou.
A menina não pronunciou mais nenhuma palavra durante a trajetória que seguiram até o ministério. Ao entrarem no enorme prédio, Gina ficou observando tudo temendo um encontro com seu pai de criação. Involuntariamente segurou na mão de Snape a apertando, conseguindo assim ficar mais calma. Esse ato deixou o professor de poções desconcertado.
Subiram os degraus que levavam ao quarto andar no departamento de Modificações de Documentos e Registros de Paternidades. Ao chegarem perto da porta que levava a esse setor, cruzaram com Lucius Malfoy que vinha com um café na mão e que iria adentrar na sua sala de conselheiro do ministro, que ficava quase em frente daquele setor.
Lucius ao reconhecer seu amigo parou imediatamente e o fitou, notando que ele acompanhava uma garotinha que segurava sua mão até o setor de paternidade. Levantou a sobrancelha esquerda confuso com a cena.
– Amigo o que fazes aqui? – Questionou.
– Vim registrar a minha filha – Apontou para a garota de madeixas vermelhas.
– Não sabia que você tinha uma filha, você nunca me contou nada.
– Era segredo, mas agora não é mais, vou registrá-la.
– A propósito, vocês poderiam vir jantar hoje à noite lá em casa? Daí você me contaria tudo sobre esse assunto. Traga a sua mãe junto, minha esposa adora conversar com ela. Acho que o Draco gostaria de conhecer sua filha, creio que ela logo vai entrar em Hogwarts, poderão ser amigos – Terminou de falar, avaliando o semblante do outro comensal.
– Ótimo, iremos! Preciso mesmo desabafar com alguém. Que horas vai ser o jantar?
– Às oito da noite, como sempre – Abriu a porta de seu escritório e entrou sem pronunciar mais nenhuma palavra.
Severus fechou os olhos e suspirou, antes de seguir para o local de registros que estava no momento sem filas. Aproximou-se de um dos funcionários do setor, que o atendeu na hora, o levando para fazer um teste rápido de confirmação da paternidade, Virgínia também fez o mesmo exame. Minutos depois à paternidade estava confirmada e o registro dela fora modificado. Agora se chamaria: Virgínia Snape.
Continua
Nota: No próximo capítulo, Gina e Draco se conhecem e o tempo passa.
Agradecimento:Muito obrigado, Ana Paula, Evangeline, Miaka, Gynny Malfoy, Pri, Chelle Vitoriano, Gisele.M, pelos comentários, vocês me deixaram muito feliz.
Nota2: Muito obrigada, Pri e Ana por betarem esse capítulo!
