"Uma palavra errada, um momento errado podem mudar a sua vida para sempre. Sim, para sempre!".

Sétimo episódio.

A intriga.

Data: 01/04/2007

Anteriormente no Seriado Potteriano:

- Escuta aqui, você está bêbada, não está falando coisa com coisa! – Harry a segurava com firmeza.

- Acha mesmo? – Bella se afastou do braço dele, puxando-o de volta – Acha que eu estou bêbada o suficiente para inventar mentiras do tipo? Vamos... Pegue o seu celular e liga para ela. Quer mesmo saber a resposta disso tudo?

- Alô? – atendeu Rony.

- Por que diabos você não atendeu as minhas nove últimas ligações, Ronald? Eu não tenho dormido à noite. Eu tenho pensado em você o tempo todo, eu... Eu não sei que tipo de namoro é esse! – era a voz de Lilá.

- Eu só estava bebendo um pouquinho, com alguns amigos, e... E fica tranqüila. Eu não beijei ninguém, nem a Amy Winehouse!

- Ah, Ronald, eu não sei se o nosso namoro vai sobreviver a isso.

- Não vai, por quê?

- Porque acho que devemos terminar!

- O que? Morar no Canadá? – perguntou Hermione abobada para a mãe.

- Sim. Nós podemos morar com o meu namorado virtual.

- Mãe, isso seria um absurdo, eu quero continuar em Nova York!

Sicília olhou por cima do ombro, pensativa.

- Tarde demais, bebê, eu já coloquei a casa à venda!

- Eu sei de toda a verdade, Hermione. E eu não me importo... Eu não me importo que você carregue o vírus HIV com você. Ele não é o suficiente para nos separarmos, Hermione.

- Como você... Como você soube? – gaguejou ela incrédula. Estava com vergonha dele, queria sair correndo mas as pernas não saiam do lugar.

Ele deu uma risadinha de lado e a beijou.

- Não seja boba, isso não vai mudar em nada a pessoa que você é. Você vai continuar sendo amorosa, inteligente, carinhosa, ou seja, a Hermione de sempre. Você teve azar em encontrar como o Rodolfo, e... Ter feito sexo com ele sem camisinha, isso acontece com diversas pessoas. O que nós precisamos fazer é cuidar disso, cuidar para que não piore.

- Mãe... Mãe... – Harry chegou arfando, vinha correndo em disparada, carregando o seu material – Eu tive uma idéia.

- Idéia? Que idéia?

- Eu não quero ir para Paris.

- Mas... O que isso tem de novo? Não é novidade! – disse Lílian revirando os olhos – Você vai e pronto.

- Não... Eu... Eu posso ficar aqui em Nova York, cuidando do seu restaurante!

Lupin e Lílian se entreolharam, espantados.

- Por via das dúvidas, já marquei a data do casamento – Harry parou rindo – Aliás, eu não me importaria em ter de conviver com você pelo resto da minha vida – brincou Harry segurando as suas mãos.

Hermione sorriu fazendo que sim com a cabeça.

- Certo, daqui um mês, certo?

Gina estava com o guarda-roupa aberto, jogando algumas roupas dentro da mala aberta, em cima da cama.

- O que está acontecendo?

- Harry e Hermione marcaram a data para o casamento – disse Gina com a voz grossa.

- E...? – perguntou Miguel como se dissesse "E o que você tem haver com isso?".

- E daí que eu estou voltando para casa!

03.04.07

Harry saiu do estacionamento carregando alguns papéis, pastas e livros nas mãos, ajeitando tudo embaixo do braço. Cruzou com centenas de outros colegas visivelmente memorizados por esbarrarem nas cantinas, corredores e praças da faculdade.

O moreno subiu as escadas do prédio de Hermione, mas para a sua surpresa, ao lado da cantina de entrada, estava a oriental, Cho, encomendando um milkshake de leite-condensado, o seu favorito.

- Bom dia – disse ela passando a mão no braço de Harry como vinha fazendo nos últimos tempos – Como vão as coisas? – ela depositou o ticket em cima do balcão de mármore, enquanto a vendedora devolvia o copinho cheio de leite. Ela encaixou o canudinho e ofereceu a Harry.

- Não, obrigado, leite me faz mal de manhã.

- Certo, sobra mais! – Cho começou a puxar o liquido pelo canudinho – Lembra da minha amiga, a Jennifer?

- Ah... Que você apresentou como Jenny?

- Sim, sim! – Cho ergueu as sobrancelhas – Ela terminou com o namorado e está muito a fim de te conhecer, até pediu o seu celular emprestado.

- Não, é que na verdade... – ia dizendo Harry ao coçar o pescoço com a mão direita.

- E, bem, como não estou vendo nenhuma aliança prateada no seu dedo, acredito que você esteja disponível para sair com ela – disse Cho murchando os ombros – Ela está no último ano da escola, se você não se importa!

- Não, tudo bem, é que...

Duas mãos em temperatura morna passaram pelos cabelos de Harry, parando nos olhos, escurecendo a sua visão. Ele pendeu a cabeça para trás e a namorada sussurrou no ouvido.

- Adivinha quem é?

- Hm... Será que é a Angelina Jolie?

- Não, bobo, quase. É a sua noiva – Hermione o soltou, passou as mãos em volta do pescoço, beijando-o na frente de Cho.

A garota segurava o milkshake com tanta força a ponto de espirrar água para todos os lados, o copo plástico estava deformado de tanto ela apertar. Seus olhos estavam arregalados, parados no casal. Hermione terminou de cumprimentar Harry calorosamente e corou de leve ao ver a oriental encarando os dois.

- Desculpa, eu não te vi – Hermione a beijou no rosto.

- Quer milkshake? – ofereceu Cho – Não deu tempo de colocar veneno, mas... Se quiser, eu te dou!

- Não, obrigada – Hermione amarrou a cara e passou a mão no cabelo para ajeitar a tiara de oncinha na cabeça, passando o dedo pelos cabelos, reluzindo a sua aliança dourada no dedo.

- Ei... Espera, um segundo – Cho colocou o milkshake em cima de uma mureta que tinha ao seu lado. Ela com a sua mão gelada por segurar o copo gelado, pegou a de Hermione e a de Harry, avaliando as alianças idênticas nos dedos – Vocês... Vocês não estão noivos juntos, não é?

- Não, esse beijo que eu dei no Harry há segundos foi apenas para saber se ele acorda com mau hálito pela manhã – fez Hermione cara de óbvia – É lógico que estamos!

- Parabéns – disse Cho numa voz seca, áspera – Digo, parabéns mesmo – mas ela não parecia contente com a decisão – Vocês vão se dar muito bem juntos – ela os abraçou – Não acha que é cedo para casarem?

Harry e Hermione se entreolharam, apaixonados e deram as mãos.

- Você pode me perguntar qualquer coisa sobre ela, que eu sei absolutamente tudo, há exatamente quatro anos atrás nos conhecemos, fui o melhor amigo dela e mais do que isso, sei cada característica de Hermione.

- E talvez o casamento seja, ao menos simbolicamente, passar o resto de sua vida ao lado de outra pessoa, pois bem, veja, há quatro anos eu sei exatamente o que o Harry gosta de fazer pela manhã, pela tarde, pela noite. Sei cada motivo de suas alterações de humor, e sei disso mais do que qualquer outra garota – Hermione e ele olharam outra vez – Nós temos passado quatro anos juntos, como se morássemos no mesmo teto, só vamos casar para oficializar esse relacionamento.

Cho concordou com a cabeça algum tempo depois, abriu um sorriso ainda maior, desejando outro "parabéns" bem mais contente.

- É, de fato, vocês se merecem, um lindo casal – Cho abraçou os dois de uma só vez, encaixando a cabeça no ombro – E... Eu posso ser madrinha?

Harry e Hermione se entreolharam.

- Er... Bem... É uma reunião bem familiar, sabe?

- Ah, certo... – Cho parou com a mão no peito, espantada – Quer dizer que... Vocês me consideram da família. Uau, estou muito emocionada, obrigada! – ela abraçou os dois mais uma vez.

- Er... Digo... Família, família mesmo, de sangue – disse Hermione cortando Cho da lista de convidados.

- Ah, certo, entendo – ela girou os olhos – Tudo bem – ela pegou o milkshake de volta – Vou para a aula, vejo vocês mais tarde – e acenou, sumindo com a multidão de pessoas que caminhava pelos corredores.

Harry e Hermione se olharam com ternura nos olhos, apaixonados. Ela passou a mão pelos cabelos do rapaz, tentando bagunçar ainda mais. Ele riu dando um beijo doce no canto dos lábios.

06.04.07

Harry estava olhando por cima das cabeças, procurando pelo amigo. E no meio da fila de pessoas desconhecidas que saia pela sala de embarque, lá estava a cabeça ruiva do seu melhor amigo, Rony.

Ele vinha trazendo uma mochila nas costas e uma mala pequena nas mãos, usando um boné branco de vôlei, sorriu ao ver Harry e os dois se abraçaram como grandes irmãos no meio do aeroporto.

- Quanta falta você faz aqui em Nova York, cara... – Harry se afastou, encarando o amigo, que parecia uns cinco anos mais velho, ombros mais largos e músculos mais volumosos grudando na camiseta com o emblema da faculdade.

- Como estão as coisas por aqui?

- Ótimas – Harry sorria como nunca – Pedi a Hermione em casamento.

Rony arregalou os olhos do tamanho de jabuticabas na direção do amigo, parou no meio do caminho fazendo alguns ambulantes baterem em suas costas.

- Não... Não acredito que você fez isso!

- Sim, eu fiz! – Harry sorriu – Eu já mandei o convite de casamento pelo correio para a Gina!

Rony sorriu ainda mais e voltou a abraçar Harry com muito mais força.

- Parabéns, cara. Eu nem consigo acreditar que vocês finalmente vão ficar juntos!

- E... Vai ser uma cerimônia secreta, se os nossos pais souberem, provavelmente vão cancelar, então... – Harry olhou por cima do ombro – Nós estamos fazendo isso escondidos, e por isso chamamos você e a Gina para serem os padrinhos. Afinal, precisa de no mínimo um casal de testemunhas para acontecer o casamento.

- Sério, cara... Eu fico muito honrado, obrigado! E quando vai ser?

- Daqui a três semanas!

Rony abraçou Harry de lado e bagunçou os seus cabelos negros.

- Olha só, tá virando mocinho!

E os dois caíram na risada.

- Precisamos fazer uma despedida de solteiro das boas! – lembrou Rony – Com muitas mulheres peitudas, gostosas e cerveja até explodir!

08.04.07

- Ei, gerente, o meu café ainda não chegou – reclamou um cliente apontando para o homem engravatado de preto, com uma camisa social branca.

- Vai sair em um segundo, eu prometo! – disse Harry, o gerente do restaurante de sua mãe, estralando os dedos para o rapaz. Ele saiu correndo para a cozinha – Cadê o café da mesa 12, galera? – ele bateu palmas para chamar atenção – Se perdermos esse cliente eu juro que alguém vai ser punido por isso, agora vamos, vamos! – ele batia palmas apressando os chefs.

O café ficou pronto em segundos, com um aroma suave e doce. Harry pegou a bandeja e disparou na direção do cliente, mas com muito cuidado para não derramar. Ele deixou o café na frente do homem, pedindo centenas de desculpas pelo atraso.

- E o meu sorvete? – pediu a mesa 11 ao lado – Até agora não veio o meu prato!

- Só um segundo, eu juro! – disse Harry voando de volta para a cozinha – A mesa 11 está pedindo o prato dela. Mais rápido, mais rápido!

Os cozinheiros começaram a se desdobrar em vinte para sair o prato, correndo de um lado para o outro com os facões.

- Nossa que gerente mais bravo, desse jeito eu vou ficar com medo – disse uma voz doce e suave em seu ouvido.

- Hermione – Harry se virou e deu um beijo de leve em seus lábio – O que faz aqui?

Ela carregava uma mochila de alça, atravessando diagonalmente o seu corpo. Ela sorria como nunca.

- A sua mãe e o Lupin não repararam na aliança? – perguntou ela cruzando os braços em volta do pescoço dele.

- Aqui não – ele pegou na cintura dela e a empurrou para o lado. Harry pegou em sua mão e a puxou para dentro da despensa – Aqui sim! – ele a empurrou contra a parede com uma certa força animal, mas o suficiente para não machucá-la e a beijou com muita saudade em seus lábios. Hermione retribuiu, passando a língua para dentro da boca do rapaz.

Eles pararam por um segundo, encarando-se.

- Sabia que o bom gerente não brinca em serviço? – zombou Hermione rindo.

- É assim? Você está dispensando as minhas carícias? – perguntou Harry com uma das sobrancelhas erguidas – Tudo bem... – ele a soltou – A gente se fala mais tarde!

Ela o agarrou pelo braço, puxando-o de volta.

- Não, é brincadeira! – ela o beijou.

- Mas eu preciso voltar ao serviço – disse ele sinceramente – Te vejo mais tarde, certo?

- Tudo bem, agora você é um homem ocupado – ela deu outro beijo – Te vejo mais tarde.

Ele saiu da despensa e ela foi logo atrás, ajeitando os cabelos com as mãos para não parecerem amassados.

- A mesa cinco ainda não recebeu a conta. O que está acontecendo com vocês? – berrou Harry ficando roxo de tanto gritar.

10.04.07

Lílian terminou de mostrar a casa para um casal de jovens e ao fechar a porta, suspirou aliviada.

- Quantas pessoas vieram ver essa casa para comprar? – perguntou Lílian ofegante, encostando as nádegas na porta, cansada.

- Vinte e duas contando com esse último casal. Não é possível que ninguém queira comprar essa casa! – disse Lupin sentado no sofá, somando algumas contas do restaurante. Lucros e prejuízos.

- Sabe... – ela sentou ao lado do namorado e o beijou no rosto – Não sei se devíamos ter dado o cargo de gerente ao Harry, ele é muito novo para saber controlar tudo aquilo. Ele não tem experiência!

- Ele passou os últimos 365 dias vendo você levar aquele restaurante sozinha, nas costas! – disse Lupin com as sobrancelhas erguidas – Como ele não vai saber controlar aquilo? Ele já é um homem, Lílian. Você precisa colocar isso na sua cabeça de uma vez por todas!

- Tem razão – ela o beijou no rosto outra vez, acariciando as suas rugas na testa com o dedo – Você tem toda razão, é que eu ainda o vejo como um bebê indefeso nos meus braços, sabe?

Lupin roçou o seu nariz ao dela, com os olhos fechados.

- Nós vamos nos mudar para Paris dentro de alguns dias, senhora Evans, e eu quero que você supere esse medo de deixar o seu filho para o mundo. Afinal, você não vai o ter pelo resto de sua vida em seus braços.

- Eu sei, eu sei, mas me parecia um futuro tão distante e agora tão próximo que eu nem consigo acreditar.

Lupin largou as contas de lado e a abraçou com força, consolando-a e acariciando-a ao mesmo tempo.

- Eu sou o seu novo bebê, e você tem que tomar conta de mim!

Lílian deitou em seu ombro, dando risada.

- O que você disse é verdade, em breve nós estaremos morando em Paris. Muito em breve essa realidade vai ficar para trás, essa casa, essas lembranças...

- Estaremos bem melhor, acredite – disse Lupin segurando a sua mão.

Lílian tinha esperanças de que tudo ficaria perfeitamente bem. E deu uma boa olhada pela casa que estava vendendo.

13.04.07

- Hermione Jane Granger – chamou a voz suave da secretária ao abrir a porta, encaixar seu pescoço do lado de fora, com seus oclinhos negros e lentes quadradas.

- Sou eu! – Hermione fechou a revista e guardou em sua direita, pegou a bolsa, ficou em pé vendo as outras candidatas aos empregos oferecidos por aquela empresa. Passou pela porta agradecendo a secretária por fechá-la em seguida. A mulher fez Hermione atravessar o ambiente com um bebedor de água no fundo, café, balas, uma escrivaninha em formato de "L", com um microcomputador em cima, com uma agenda aberta, um telefone, papéis e canetas. Era provavelmente onde a secretária passava o dia trabalhando.

Do outro lado havia uma porta, a mulher conduziu Hermione até ela, girou a maçaneta e arreganhou-a.

- Essa é a próxima candidata – disse a mulher com um crachá com o seu nome: "Jessie Wineppiner".

- Obrigada de novo – agradeceu Hermione ao entrar. Ela avistou um homem de cabelos grisalhos do outro lado, provavelmente com os seus quarenta anos de idade. Usava terno, gravata, ombros largos.

Hermione fitou os seus olhos claros dele, lembrando do olhar de Rony, era bem parecido. Ela deu um sorriso de lado e estendeu a mão para cumprimentá-la.

- Prazer, Hermione.

- Prazer, César – ele apertou a mão dela ficando em pé, pendendo a gravata para frente, mas com a mão, segurou-a de volta no peito.

- Então, que curso você está freqüentando na faculdade? – ele cruzou as pernas de um jeito feminino mas ao mesmo tempo não deixando liberdade para mostrar sua masculinidade. Era um jeito chique, em todo caso. Lendo uma folha impressa, ele sabia de todos os dados dela, mas só queria confirmar.

- Bom, eu... Eu estou cursando letras no momento.

- Tem algum outro tipo de experiência, outro trabalho? – perguntou o rapaz com seu ar jovial.

- Sim, eu fiz curso de jornalismo na escola, trabalhei vários anos no jornal da minha escola – ela disse com os ombros encolhidos.

- Escola, qual escola?

- Hogwarts.

Ele assentiu com a cabeça várias vezes, sentado no mesmo lugar, surpreso. Com um suspiro, continuou a fazer várias perguntas a ela. Por fim, apertou a sua mão novamente, macia, e ela adorou o perfume masculino que emanava de seu corpo.

- Espero que nos vejamos em breve – ela disse meigamente e sorriu.

- Certo – ele deu um sorriso – Respondo em breve.

Ela assentiu e saiu pela porta por onde entrou. Jessie acenou para Hermione e desejou "boa-sorte" com o seu ar simpático.

16.04.07

Cho deixou seu material em cima da escrivaninha, farta de ir para a faculdade, estudar e fazer as mesmas coisas de sempre. Ligou o computador com o dedão do pé, querendo desabafar com alguma amiga.

Cho deixou o corpo cair na cama, sem tirar as botas de coro pretas. Desamarrou o colar de ouro, deixou a medalhinha escorrer pelos dedos e cair em cima da cômoda. Deslizou a aliança prateada pelo dedo e pousou ao lado da correntinha que Zabini havia dado a ela durante esses anos de namoro.

Os olhos de Cho encheram de lágrimas, o que era assustador, porque ela nunca chorava. Exceto quando estava na TPM, e isso não contava.

Ou então, quando passava na tevê um programa sobre gêmeos siameses que tiveram de ser separados e um deles morreu. Ou quando eu via uma pessoa muito idosa capengando na rua, sozinha. Ou quando chegava na sala e todo mundo berrava por voltar da cozinha sem trazer os copos lavados. Ou quando via urubus comendo restos de carne no deserto do Saara. Aqueles filhos da mãe!

Por que ela estava assim? Por que? Por que o seu ex-namorado Harry de infância estava em Nova York se casando com Hermione? Por que era para Cho estar no lugar de Hermione caso nunca tivesse terminado com Harry? Por que se Harry não tivesse se mudado da Califórnia, talvez Cho estivesse entrando na igreja com o moreno? Ela não sabia exatamente porquê estava assim.

E chorou na cama como uma criança, desesperada por tudo o que estava acontecendo em sua vida. Talvez ela só sentisse um pouquinho de remorso, mas só um pouquinho mesmo. Inveja, talvez. Mas não era uma inveja amarga, era até saudável. Ou até mesmo, carinhosa.

Ela estava com saudades das lembranças com Harry. O garoto, na época, tinha sua vida voltada praticamente 24 horas por dia, somente para ela. Ele era fofo, carinhoso, sempre bem humorado. Agora não sabia se o reconhecia, estava infinitamente melhor, mais homem, mais bonito. Apesar de parecer mais sofrido. Ainda assim, ela sentia sua falta.

Não que Zabini merecesse ser traído, ele também era especial mas do jeito dele. Afinal, cada um tem um jeito de ser. Ele era suavemente engraçado, empolgava-se fácil com as situações, e a divertia sempre que precisava. Zabini era tão especial quanto Harry, mas... Ela sentia falta do passado, uma pequena saudade.

Cho passou as mãos pelos olhos, tirando as lágrimas que borravam o blush e a maquiagem. Ela sorriu, aliviada por saber controlar os seus sentimentos e não ser mais aquela garota mimada que atrapalhava os romances.

Harry estava feliz com Hermione, e isso era tudo o que ela podia desejar.

19.04.07

- Gina... O que você está fazendo aqui? – Pansy arregalou os olhos para a garota parada em seu carpete – O que você fez com o seu cabelo? Cortou de novo?

- Sim, sou uma nova Brooke Davis! – ela abraçou Pansy sorrindo.

- Cadê o Tiago Potter?

- Er, bem... Ele ficou em Paris com o Miguel.

- Paris está fazendo muito bem a você, hein, querida? – brincou Pansy avaliando as suas roupas.

Gina usava uma camiseta branca, com gola, por baixo de uma roupa de lã, típica de inverno. Uma saia de couro, bem apertada e muito vulgar, sinceramente. Usava botas que acabava nas coxas, deixando pouco espaço do corpo amostra, descoberto apenas da bota até a saia.

- Ah... Obrigada – ela sorriu – Eu vim para o casamento.

- Casamento? Que casamento? – perguntou Pansy com os olhos duvidosos em sua direção.

Gina mordeu o lábio, com as sobrancelhas erguidas, pelo visto Pansy não fora convidada. Achou melhor incrementar uma história antes de citar o casal de amigos.

- Bem, eles disseram que seria uma cerimônia muito, mas muito familiar, e que poucas pessoas estão sabendo desse casamento, porque os pais deles ainda não sabem, e... Eles acharam melhor fazer tudo muito discreto.

- Sim, mas quem são? – Pansy estava agitada.

- Harry e Hermione.

Pansy ficou boquiaberta.

- Acha mesmo que você deveria ir a esse casamento, Gina? Digo, digo... É o Harry!

Gina cruzou os braços enquanto desfilava de um lado para o outro na sala, batendo o bico fino no assoalho de madeira.

- Eu pensei muito antes de me decidir, e... É óbvio que se eu vim até Nova York, é porque eu vou a esse casamento – ela cruzou os braços, em dúvida – O que você acha?

- Sinceramente? – perguntou Pansy achando aquilo uma loucura – Se você fez isso tudo, é porque ainda o ama!

21.04.07

Harry estava trancado no quarto da casa de Neville, ajeitando a gravata em frente ao espelho. Até pensou em se trocar em seu quarto, mas sua mãe desconfiaria da formalidade. Pensou também na possibilidade de se arrumar na casa de Rony, mas seria bem mais fácil gritar para o mundo inteiro que estava se casando, a Senhora Weasley que não é nada boba ia perceber rapidamente a estratégia de Harry, e denunciaria, obviamente, para Lílian.

Ele terminou de apertar o nó da gravata, quando viu através do espelho, a porta se abrir, com um barulho de "click" na maçaneta. A figura de Gina apareceu entre o vão, e ele te achou que estivesse sonhando.

Os olhos da garota piscaram em sua direção, os seus cabelos curtos e finos na altura do ombro chamaram a atenção de Harry. Ela parecia uma mulher de verdade agora. O seu corpo voltara a estar em forma, como se ainda fosse a mesma líder de torcida de sempre.

Ele parou imediatamente de arrumar o nó da gravata e ficou em pé, curvando o pescoço para trás, verificando se era mesmo Gina que estava na porta.

- Você veio... – ele sussurrou – Eu já não tinha mais esperanças!

- Eu vim – disse Gina segurando uma bolsinha vermelha nas mãos acompanhando a vermelhidão do vestido que deslizava pelo seu corpo, com muito brilho – É você quem está casando, Harry!

- Obrigado – ele sorriu meio atrapalhado, em dúvida se deveria abraçá-la ou não – E... E você está maravilhosa.

Gina sorriu meio tímida, deixou a timidez de lado e passou os braços em volta do pescoço dele, tendo-o com muita força em sua frente, nem acreditando que era o mesmo garoto de sempre, que estava ali, prestes a se declarar em um altar.

- Há quanto tempo – ela sussurrou como se fosse chorar, segurou-se ao máximo, e ele também.

- Você fugiu... Os seus pais ficaram desesperados.

- Não é pelos os meus pais que eu voltei – ela disse ao se afastar com um brilho nos olhos – Eu... Eu precisava dizer que... Que você não pode se casar sem saber, Harry.

- Não – ele gaguejou várias vezes – Não... Não posso... Não... Como assim, não posso?

Gina apertou as suas unhas cumpridas umas nas outras, segurando a bolsa com firmeza na cintura. Mordeu o lábio antes de continuar.

- Você não pode se casar antes de saber de toda a verdade!

Nota do Autor: As coisas daqui para frente começam a esquentar em todos os sentidos. Bem... O casamento de Harry e Hermione vai sofrer muitas conturbações... E bem... Vocês verão! Baixe SAME MISTAKE – JAMES BLUNT... Isso é importante para sentirem o clima do próximo capítulo! E o próximo... Já é o casamento!

Nota do Autor (dois): Quando eu descrevo a faculdade do Harry e da Hermione, na verdade, eu estou descrevendo a escola/faculdade que eu estudo... Porque assim, o prédio da minha escola fica junto com o prédio do pessoal da faculdade, entende? E um dia... As aulas da escola foram dadas no prédio da faculdade... E o prédio da faculdade é um máximo, tem seis andares, tem elevador que sobe e desce... Então, vivi uma semana muito chique, indo e voltando para o intervalo de elevador. xD... E quando eu descrevo essas cenas, eu imagino a minha escola (faculdade)... Para quem não sabe, eu estudava no Mackenzie... (quem conhece sabe como é gigante o lugar), mas as aulas acabaram hoje, nunca mais vou ter que voltar lá... A não ser que eu passe na faculdade. Bom, é isso, obrigado pelo apoio. As aulas acabaram, as férias e vestibular estão chegando. Beijos e abraços, até o próximo!

PRÓXIMO CAPÍTULO:

- Eu sempre quis que você e Hermione ficassem juntos, felizes, como agora! – disse Gina com os olhos sinceros em sua direção, sentindo o vento fresco bater em seus filetes de cabelos fora do coque, dando um ar mais maduro – E por isso, eu esperei todo esse tempo para te contar uma coisa que estava engasgada na minha garganta, porque sei que você não vai tomar uma decisão errada, já depois de ter tomado a certa.

- Eu não estou gostando dessa conversa, Gina...

Gina respirou fundo, antes de prosseguir.

- Eu estava grávida de você, Harry. O filho que eu tive é realmente seu.

RESPONDENDO REVIEWS:

TathyChan: Ahhh, por que você odeia tanto assim a Hermis? Eu acho ela tão gente boa, tão amigável, tão... Pop! Sério, não vejo maldade na Hermione... Mesmo levando em conta o fato dela ter vivido um tempão ao lado de Rodolfo. E eles casando vai ser demais (eu acho)! E... Sério, vai ser o casamento mais conturbado de toda a história de fanfic... Eles vão viver brigando... Ah... Você não acha que a Gina e o Miguel formam um casal legal? To achando ele tão prestativo com ela... Tão gente boa... Seria o marido que ela estava procurando, XDDD... Mas calma, vamos esperar pelos resultados finais... Beijos! Espero que tenha gostado!

Nane Curti: Superou a depressão de ainda estar em aula e eu não? Ah, bem feito! XD. Ah... É a Gina voltou só para o casamento, mas... Não se esqueça de que o filhotinho dela ainda tá em Paris, o Tiaguito! HAUHUAUHAha, você é bem desprovida de sentimentos mesmo... Vou ficar de olho em você daqui para frente, HAHUAUHAh, medooo! Meuuu Deus, pornografias na igreja não podem, é contra a lei das igrejas! Céus... Olha que tipo de amizade eu faço, HAUHAUHA, tomara que eu vá para o céu, mesmo sendo seu amigooo XD... Beijos, boa semana, espero que tenha gostado!