Décimo segundo episódio.

O que já era previsto.

Data: 08/06/2007

Anteriormente no Seriado Potteriano:

- Você não vai à aula? – perguntou Harry vendo-a por cima do ombro.

- Vou dar um mergulho! – Bella estava com a toalha nas costas, com o seu ipod pendurada no mini-short de praia.

- Você tem aula, não pode continuar faltando assim! – resmungou Harry – Você não está mais doente!

- Nunca estive, na verdade – ela deu uma risadinha. Ainda de costas para Harry, ela puxou o laço do biquíni, desmanchando o nó, a peça caiu de seu corpo em direção ao chão, sem cerimônias – Vou fazer topless!

- Por que fez isso? – murmurou Rony bobo pelo beijo, mas atordoado pelo empurrão.

- Eu ainda não esqueci o que você fez comigo, você me traiu com a Lilá! – murmurou Luna bem pertinho de Rony e puxou o braço de volta, irritada – Isso só foi para te humilhar, babaca!

Cedrico mudou a estação do rádio, entediado, ouviu uma voz familiar, mas parecia tão familiar que ele sequer conseguia acreditar que aquilo era verdade.

- E... A minha filha estava escutando a sua música em uma festa – disse o locutor – Ela pediu para que você viesse tocar aqui, e fiquei feliz em saber que você aceitou o convite com prazer!

- Ah, o prazer é todo meu – disse a voz de Draco, suave, rindo.

Ele começou a cantar uma música suave, cuja letra falava sobre os sentimentos em relação ao ex-namorado. Cedrico relembrou, cabisbaixo.

- Ele está mesmo fazendo sucesso! – avaliou Harry borrifando água misturada com álcool, passando um pano em seguida nas mesas – Como uma pessoa pode fazer sucesso em tão pouco tempo? Quero dizer... A música dele nem era tão famosa assim.

- Ele já foi famoso, não é? – lembrou Hermione – Antes de namorar Cedrico!

Luna ligou no celular de Rony, desesperada.

- Eu sinto muito por tudo. Como eu posso enganar o meu coração dessa maneira? Eu te amo, Rony. E eu preciso te ver essa noite.

Luna pegou as chaves do carro, quando a mãe parou-a no meio da sala.

- Se você voltar a se encontrar com aquele pobretão do Weasley, eu juro que vou acabar com a vida de vocês dois! – ameaçou a sua mãe. Luna sentiu vontade de chorar.

08.06.2007

Luna voltou para o quarto, batendo a porta, muito furiosa com todas as palavras que sua mãe havia dito. Pegou o celular e discou para o garoto novamente.

- Rony... Eu... Eu não vou poder ir, meus pais não deixaram sair de casa! – ela disse derramando em lágrimas.

Rony a consolou, mesmo longe, dizendo palavras bonitas, amigáveis e reconfortantes. Ele confessou que a amava muito, Luna fez várias confissões também, dizendo que ela não agüentava mais fingir tudo isso. Ficaram horas no telefone até que ela desligou porque precisava dormir, era bem tarde e não podia mias ficar pendurada no celular daquela forma.

Ela desligou, ainda com lágrimas nos olhos, deitou na cama, relembrando algumas palavras de Rony durante a ligação.

"Quanta saudade de você, Luna... Eu sempre quis esse momento, mas agora estamos tão longes um do outro. Como eu vou poder dizer que te amo dessa forma?

Luna riu, delicada.

- Não precisa se preocupar, eu sei o quanto, porque eu também sinto isso por você.

- Queria estar ao seu lado agora – disse ele, sincero.

Luna sentiu o coração derreter nas mãos. Como ele conseguia ser tão doce?"

Ela se deitou, abraçada com um ursinho de pelúcia enorme, que fora seu companheiro durante toda a infância, ainda hoje, nos dias chuvosos com tempestades, ele fazia companhia como ninguém. Ela o adorava.

Luna fechou os olhos delicadamente, relembrando cada momento, cada palavra de Rony, que parecia marcada em seu cérebro. Ela suspirou, sentindo um frescor dos ventos vindo da janela, brincar com os pêlos dos seus braços, eriçando-os. Era como se Rony tivesse mandando acariciá-la.

Ela se mexeu, confortável, na cama. Passou a coberta até a cintura, deliciada pelos ventos que brincavam com o seu corpo. Era Rony, há muitos quilômetros de distância, mandando seus pensamentos através do vento.

11.06.07

Harry terminou de tomar banho, olhou em cima da pia e não viu suas roupas dobradas como costumava colocar antes de tomar banho. Mas como? Sempre fazia isso, e tinha a ligeira sensação de ter trazido roupas bem passadas para dentro do banheiro. Devia ter se enganado.

Após sacudir o cabelo, espirrando água para todos os lados, ele usou a mesma toalha para amarrar em volta da cintura, a fim de ir até o closet, pegar uma cueca, camisa e calça para vestir durante o dia.

Era segunda-feira, Hermione já havia partido para o trabalho, empolgada com os resultados que vinha trazendo no serviço ultimamente. Ele a incentivara sempre que possível, porque de fato a namorada era a mais inteligente e dedicada em tudo aquilo que fazia.

Meio atordoado de sono, Harry caminhou na penumbra até o closet, começou a escolher as roupas, quando escutou um barulho qualquer no fundo, achou que fossem ratos até ver a sombra de Bella saindo, com dois pares de sapatos na mão.

- Quais combinam mais com a minha calcinha? – perguntou ela segurando os sapatos de Hermione nas mãos, do mesmo tom das peças íntimas. Era típico da garota, desfilar naquele estado pela casa.

- Você não tem o direito de mexer nas coisas dela! – retrucou Harry incomodado por estar "quase" sem roupa ali, com as "coisas" expostas, cobertas só por uma toalha frouxa na cintura.

- Tudo o que é meu, é dela! – disse Bella sorridente – Foi o que papai disse!

- Certo, eu dei esses sapatos para ela, então, você não tem o direito de pegar! – disse ele indo atrás de Bella, que desfilava para fora do quarto, nem dava ouvidos para o rapaz.

- Se você deu significa que não é mais seu! – ela bateu a porta ao entrar no quarto – E obrigada por ter dado a minha irmãzinha, são lindos! Adorei!

Harry bufou em raiva, voltou para o quarto, totalmente acordado agora. Escolheu uma roupa combinável com a calça jeans. Terminou de enxugar os cabelos e partiu para a cozinha, Bella ainda estava de calcinha e sutiã.

- Você nunca usa roupas?

- Não – respondeu inocente.

- Elas são bem úteis! – disse Harry.

- Eu sei, obrigada! – ela continuou a colocar o suco no copo, sem se atrapalhar pela presença do rapaz, estava ficando craque em não se intimidar mais.

- Certo, vou fingir que não vi – disse ele virando as costas para o quarto.

- Não pode! – sussurrou ela provocante, em seus ouvidos – Não há como fingir o que houve entre a gente – e riu, Bella voltou para a sala, com o copo de sucos na mão, Harry voltou para o quarto, perguntando se esse pesadelo acabaria, e quando teria uma vida sossegada.

Parecia tudo tão impossível para ele.

16.06.07

Gina estava terminando de estudar Biologia, quando Miguel bateu na porta do seu quarto, mesmo aberta, demonstrando educação. Parecia exausto por ter trabalhado o dia inteiro. Ele sorriu para a garota, e ela concordou afirmando para ele entrar. Tiago descansava, quietinho, do outro lado, no berço.

- Podemos conversar? – pediu Miguel tirando toda a atenção de Gina diante dos livros.

- Claro, claro! – ela fechou o grosso livro com um baque, voltou a cadeira de rodinhas na direção de Miguel com as pernas cruzadas. Seus cabelos presos em um bico-de-pato, tão encantadora, tão madura, tão mulher...

- Como vão as coisas com você? – ele quis saber, embora perguntasse de um jeito deprimente.

- Bem! – disse ela sacudindo os ombros, apontando para os livros - Não tenho saído muito.

- Vejo que você tem estudado bastante mesmo nos finais de semana – comentou ele – Devia sair, dar umas voltas, respirar o ar puro das árvores.

- Não me sobra tempo – disse ela sincera, dando um suspiro também cansado, como o dele – Tenho estudado como nunca, preciso passar nos vestibulares, trabalhar, ter o meu próprio dinheiro!

Miguel parecia inquieto sobre algum assunto, Gina percebeu que ele queria falar alguma coisa a mais, fez uma expressão amigável querendo mostrar que estava pronta para qualquer notícia, qualquer uma, mesmo. Não havia de ter segredos entre os dois, não precisavam disso mais, eram muito amigos. Era pelo menos o que ela achava que eles eram, amigos. Amigos?

- Er... É um assunto embaraçoso, mas... – ele ergueu os olhos, firmes, tão distantes, ao mesmo tempo tão pertos – Eu queria comentar sobre algumas coisas que andam acontecendo, eu sei que é complicado para você, até mesmo para mim, principalmente. Mas... Eu preciso dizer.

- Não, tudo bem – disse ela indo se sentar ao seu lado, segurou as suas mãos com firmeza, dando ainda mais espaço para ele comentar sobre qualquer outro assunto – Estamos aqui, juntos!

Miguel afastou suas mãos das dela, como se isso o incomodassem. E ela adivinhou a essência do assunto que viriam a comentar, desejou que não tivesse feito nenhuma atitude amigável para que ele seguisse em frente com o assunto. Era um sinal de arrependimento por parte dela.

- Eu... Eu estou gostando de você de novo! – disse sincero, com os olhos brilhando – E... Isso complica as coisas entre a gente! Quero dizer, eu tenho namorada, e você... Bem, você tem o Tiago, tem o Harry, e...

Gina o calou com um gesto, ela não tinha Harry coisa alguma!

- Não, o Harry não, por favor, Miguel – ela ficou um pouco nervosa com as palavras – Você sabe que não.

- Até certo ponto, eu sei que não, Gina, mas você ainda nutre alguma coisa por ele, nem que seja esperança de voltarem – completou Miguel, e Gina não concordou porque sentia que no fundo era verdade. Ela não podia mentir para si própria.

- Miguel, que situação... – ela gemeu vencida.

- Sim, é péssima, eu sei – ele abaixou a cabeça, muito chateado – É terrível!

Gina abriu a boca várias vezes para escapar algumas frases, mas nenhuma delas parecia conveniente ou completas o suficiente. Miguel quis poupá-la de pensar em qualquer coisa, e prosseguiu.

- Eu... Eu já tomei a minha decisão – respondeu ele, firme – Eu... Eu quero optar por salvar o meu namoro! Eu sinto muito!

Gina sentiu uma faca dilacerar o seu coração de cima para baixo, as suas entranhas congelaram. Isso só significava uma coisa, que Hannah e Gina colocadas em uma balança emocional diante de Miguel, ele escolheria a primeira opção. Aliás, ele estava comunicando Gina dessa decisão. Era Hannah, não havia mais espaço para outra mulher, não havia mais espaço para Gina ficar naquela casa.

- Eu... Eu entendi – Gina ficou em pé, querendo arrumar todas as suas roupas, objetos imediatamente, virar na direção da porta e sair correndo de volta para casa. Mas não podia fazer isso agora, sem pensar direito no assunto – Eu tenho que ir embora!

- Bem, não é, quero dizer... É... Mas... – Miguel tentava parecer educado até mesmo para expulsá-la de casa. A casa era dele, podia fazer o que quisesse com Gina, chutá-la, assassiná-la, esquartejá-la e pendurar os ossos na porta, mas não... Estava conversando com ela como se fosse uma criança, explicando as procedências de tudo o que estava ocorrendo na vida deles – Pode demorar o tempo que quiser para sair daqui, Gina.

Gina precisava ir embora, isso que antes parecia tão distante, tão longínquo, estava sendo pedido naquele exato momento.

- Eu sei que você ia só se formar, depois arrumar um apartamento para morar, cursar a faculdade, mas... É o meu relacionamento que está em jogo, Gina, e eu não posso mais lutar contra isso. Você tem sido brilhante na minha vida, mudou os meus últimos seis meses radicalmente. Você foi muito especial, me ensinou diversas coisas, como a cuidar de um bebê, de um filho. Enfim, você foi fantástica, Gina, mas... As coisas não pode mais continuar assim, e... Eu lamento por isso!

- Eu também lamento, Miguel! – Gina ficou em pé, com os braços cruzados, não estava chorando. Parecia chocada, mas a última coisa que faria era demonstrar que estava triste diante dele. Era uma decisão que ele ia saborear sozinho.

Miguel ficou em pé, e os dois se abraçaram por um longo momento no quarto, Tiago remexeu no berço, brincando, e ele lançou uma risada para o canto da parede. Gina, porém, não o soltou, porque sabia que ia sentir uma falta tremenda do colega de quarto.

- Oh, Miguel, tantas coisas que passamos por esses últimos seis meses.

- Desculpa – pediu milhares de desculpas, mas ele não tinha culpa, afinal de contas.

- Eu entendo perfeitamente, eu devia ter me tocado antes, eu devia ter saído...

- Não! – disse ele sério – Você ficar aqui, estava tudo bem, não havia problema até eu descobrir que estava apaixonado por você, e isso não pode continuar a acontecer outra vez. A história não pode se repetir!

- Miguel, eu...

- No final das contas, Gina, você vai acabar voltando para Nova York, vai voltar para os braços do papai, para os braços de Harry, e eu vou ficar para trás – Miguel respirou fundo, outra vez, demonstrando cansaço – E eu jurei que não ia mais sofrer por você, Gina!

Ela concordou com a cabeça e abriu um sorriso, os dois continuaram abraçados, ainda muito apertados. Eles se afastaram ligeiramente.

- Você ainda tem o tempo que quiser para continuar aqui, não precisa se preocupar!

Gina piscou várias vezes para ele, apertou o seu ombro indicando que estava tudo bem, infelizmente ela não conseguia bolar muitas palavras, mas os gestos eram o suficiente para expressar os seus sentimentos.

Miguel aproveitou que Tiago estava acordado, no berço, e tirou-o para brincar com ele na sala. Gina ficou no quarto, sozinha, perdidas nos próprios pensamentos. Agora, além de cuidar do bebê e estudar, precisava arranjar tempos para procurar um apartamento onde morar. Seria uma república de garotas, ou até mesmo meninos, ela não se importava. Só havia um problema, as pessoas não aceitariam tão fácil um bebê.

Gina sentou na cadeira, sentindo um enorme peso nas costas. A única solução de todo, como Miguel dissera, seria voltar para sempre para Nova York?

17.06.07

- Você é o senhor Draco Malfoy?

- Eu mesmo! – respondeu ele pelo celular.

- Aqui é da MTV, gostaríamos de contratá-lo para cantar a música ao vivo, na televisão.

- Qual música? – afinal, tinham algumas velhas, além da nova.

- Velhos Sentimentos – a mulher cantou um trecho dela pelo telefone, e o rapaz sorriu pelo sucesso tão inesperado da música.

- Claro, sem problemas. Que dia?

Draco estava radiante. Sem querer, a sua música estava viajando pelo país inteiro, todos pareciam estar ouvindo ou pedindo ela nas rádios e televisão. Era a sua chance de brilhar novamente!

19.06.07

Gina passou a manhã inteira carregando um jornal nas mãos, e uma caneta vermelha na outra, percorrendo pelas ruas e avenidas de Paris, procurando por um apartamento para morar. Passou por centenas deles, onde alguns não aceitaram crianças, outros eram tão caros que Gina teria que usar os mesmos absorventes para o resto de sua vida se quisesse sobreviver.

Ela parou em frente a uma velha casa, com vidraças antigas, alguns ferros tortos do lado de fora. Olhou de volta para o jornal, confirmando o endereço, sim, estava certo. Subiu os pequenos e largos degraus, enfiando o dedo no botão da campainha.

Uma pequena mulher de idade, atendeu a porta com um sorriso rabugento no rosto, parecia farta das pessoas que passavam ali para perguntar sobre o aluguel, e tudo mais. Gina fez as habituais perguntas de interesse no domicílio, e finalmente esse pareceu cabível em seu orçamento. Ela entrou para conhecer melhor a pequena sala com uma televisão pendurada na parede, a cozinha era separada por um balcão, só havia uma geladeira no fundo e não tinha espaço para mesa. Um pequeno quarto à esquerda que fedia gato molhado, cheio de tranqueiras. Do outro lado, havia um quarto com cheiro de mofo, um banheiro ao lado, e uma cama de casal. Era uma casa bem simples.

- É ótimo, mas eu preferia um apartamento ainda – estudou Gina detalhadamente os cantos do lugar – Acho que é mais seguro, sei lá, talvez seja impressão.

- Não temos muitos assaltos em Paris, minha querida – ela pareceu ter avaliado Gina pelo sotaque americano – Essa rua é muito segura, principalmente.

- Certo, vou pensar, e te ligo dando a resposta, muito obrigada – Gina agradeceu, virou as costas e foi na direção do próximo apartamento na sua lista de classificados. Fez um círculo no anúncio da casa, pensando seriamente se não seria sua nova moradia. Tinha sido uma das poucas casas e apartamentos que sobrevivera em seus planos, e no seu bolso.

No final das contas, ela ficou em dúvida entre a casa da velhota e um apartamento bem mais afastado no centro, porém, ao lado da estação de um ponto de ônibus que a levaria direto para escola. Ficaria apenas uma hora afastada da escola.

Voltou para a casa com as pernas doloridas de tanto vagar pela cidade, encontrou Miguel cuidando do bebê no colo, e pelo visto a babá já teria partido de seu serviço.

- Sucesso? – perguntou Miguel esperançoso, vendo Gina depositar a bolsa em cima da escrivaninha, junto com molho de chaves, o jornal e a caneta vermelha.

- Pouco, mas tive! – respondeu mostrando um pequeno sorriso. Ela olhou para o envelope que Harry havia mandado, pedindo para Gina usar caso precisasse para cuidar do bebê. E, no final das contas, ela precisaria mesmo daquele envelope cheio de dólares, ou dormiria na rua – O dinheiro está curto, muito curto! – disse ela evitando o máximo de querer usar o dinheiro em benefício a ela, ao invés do bebê – Talvez eu precise voltar para mesmo para Nova York!

Miguel arregalou os olhos, surpreso com o assunto, apesar de que se prepara para ouvir isso algum dia. Ficou em pé, com Tiago no colo.

- Pelo amor de Deus, Gina, esqueça mesmo tudo o que eu falei... Eu não queria lhe causar esse transtorno. É claro que você pode ficar, me desculpe, por ter te pedido aquilo!

- Não, Miguel, eu...

Sua namorada estava silenciosa, com os braços cruzados na porta, assistindo toda a conversa sem se manifestar sobre. Miguel olhou para ela, parecia emburrada com o pedido do namorado.

- Gina, nós... Vamos conversar melhor sobre isso – ele apontou para a garota – Mas, por favor, não vá! – ele devolveu Tiago para o colo de Gina.

Miguel saiu do quarto e foi obrigado a escutar os gritos de ciúmes de sua namorada. Ela estava emputecida com o fato dele ter pedido para Gina ficar em seu apartamento. Era como se ele gostasse mesmo dela.

Gina, farta, de ser motivo de brigas, sabia que não podia demorar para se mudar dali do apartamento. Olhou para Tiago, cansada. O apartamento longe ou a casa da velhinha? Qual moradia?

22.06.07

Luna correu até Rony, beijou-o várias vezes nos lábios, grudou os braços em seu pescoço e ficaram ali algum tempo, balançando de um lado para o outro. A garota transmitia inveja para as suas amigas de colégio.

- Você é tão doce em vir me buscar na saída da aula toda sexta-feira! – disse ela contente, cruzando as mãos com as dele. Os dois foram caminhando em direção ao carro dele, sorridentes.

A mãe de Luna do outro lado da rua, assistia tudo, dentro de sua limousine. Com as veias do pescoço latejando de raiva, ao vê-la grudada nos braços de um garoto pobre, imundo, como o Weasley!

Luna passou a tarde fora de casa, fazendo o seu "trabalho", conforme prometera. Vera agora sabia que era mentira, que ela ficava se encontrando com Rony às escondidas. Quando a garota pôs os pés em casa, Vera a chamou para uma conversa particular.

- Você... Estava aonde, minha filha?

- Na casa da Simpson, Estela Simpson, fazendo trabalho de História!

- Jura? Liguei na casa dela, mas ela me disse que você não estava por lá. O que aconteceu?

- Ela... Bem, não sei, estive lá o tempo todo – resmungou Luna contrariada por não ter combinado nada antes coma a amiga – Pergunte ao Colin! – ela sabia que o amigo concordaria, porque conhecia os sentimentos de Luna em relação ao Rony, e sabia tudo o que estava acontecendo.

- Não precisa, eu vi com os meus próprios olhos! – disse Vera vendo Luna caminhar na direção das escadas. Ela parou, petrificada.

- Viu o que? – Luna tentou parecer natural – Eu fazendo trabalho? Como?

- Eu vi você e aquele moleque-de-rua aos beijos na frente da escola, Luna Loony Lovegood! Como ousa? Como ousa desonrar o meu nome saindo com um aquele garoto vestido de trapos?

- O que as pessoas usam não definem o que elas são por dentro, mamãe! – retrucou Luna furiosa com o materialismo de sua mãe.

- Coisa boa que não é, filha! Pessoas assim moram em favelas, fazem seqüestros, dão tiros!

- Isso é um absurdo, mamãe. Rony não precisa disso, ele é um jogador de basquete profissional!

Vera riu alto do sonho alto de Luna.

- Acha mesmo que isso é profissão, minha querida? Isso é profissão que se preze?

- Sim, se esses são os talentos dele!

- Me poupe! – berrou Vera – Isso é jogar o seu futuro no lixo! O futuro que eu e o seu pai preparamos para você, minha querida!

- O meu futuro ao lado dele é mais muito concreto, muito mais feliz do que o futuro que você – ela deu ênfase na palavra "você" – e o papai reservaram para mim! Se é assim que você vai continuar pensando sobre quem não tem dinheiro! – Luna virou as costas e foi indo em direção ao quarto.

- Eu juro, minha filha, eu juro... Que você vai ficar de castigo esse final de semana inteirinho para aprender a me respeitar. A respeitar as minhas decisões e as de seu pai!

- Mãe! – retrucou ela furiosa pela injustiça, parada na porta, com a mochila ainda nas costas.

- Você está sob o nosso teto e vai viver sob as nossas regras!

- Não, não vou!

- Ah vai... É claro que vai! – fez Vera com a cabeça – Você não vai sair nunca mais nos finais de semana. Até o final desse ano.

- Mãe, isso é prisão domiciliar! – berrou Luna abobada com a proposta de sua mãe.

- Chame como quiser, mas as coisas serão assim daqui para frente, a não ser que você termine de uma vez por todas com ele.

Luna encarou as costas da mãe, sumir no corredor e berrou, ofegante de raiva.

- NUNCA! Façam o que vocês quiserem comigo, mas... Eu nunca vou terminar com Rony! – ela bateu a porta do quarto com tanta força que quase rachou ao meio. A sua mãe foi para a cozinha, terminar de mandar as empregadas a fazerem o serviço completo.

23.06.07

Cedrico estava em casa, mexendo na Internet, revirando algumas fotos em pastas velhas de seu computador. Estava baixando a música de Draco pelo Limewire, não que estivesse interessado em prestar mais atenção à letra, porque já havia decorado só de escutar pelas rádios. Mas... Ele a queria. Precisava ouvi-la sempre que quisesse, talvez até mesmo gravar em um CD enquanto o dele não ficasse pronto.

Cedrico parou em algumas fotos, dele e Draco abraçados de lado, comemorando o seu aniversário no Outback. Tinha sido um dos dias mais maravilhosos de sua vida, e o seu ex-namorado se prontificara de que tudo ficaria perfeito. E tinha saído, tudo extremamente perfeito. Draco cumprira a promessa.

Cedrico sentia falta desses tempos, em que eles saíam para se divertirem, entre amigos, ou talvez só entre eles mesmo. E a noite terminava com juras de amor, com carinhos, filmes, ou até mesmo conversas sobre o futuro.

Era tão bom, tão reconfortante. Cedrico estava na frente do PC, revirando as fotos, com lágrimas penduradas nos olhos.

24.06.07

- Sabe de uma coisa, Miguel, aqui estão as suas coisas – disse Hannah colocando tudo em uma sacola e entregando a ele.

Os dois nunca tinham ficado tanto tempo sem conversar em dois anos de namoro. Desde a briga que se instalara entre os dois pelo fato de Miguel ter pedido para Gina continuar na casa, eles não se falavam.

A ruiva tinha chorado aquela noite por causar tantos problemas, Miguel não ouviu, e ela fez questão para que ele não soubesse que ela estivera chorando a noite toda. Tentou modificar os olhos com maquiagem, e teve um ótimo sucesso no dia seguinte.

Gina estava ainda pensando em como fazer para alugar a casa, com que diria usaria, não queria depender de Harry, e ele ainda havia mandando outro envelope essa semana, recheado de notas de cem dólares. Somando tudo, ela tinha mais de vinte mil reais do ex-namorado ali.

- Eu... Eu vou ficar com o seu apartamento, Mônica! – disse Gina tampando um dos ouvidos com a mão, conversando com a proprietária do apartamento em que ela alugaria – Tudo bem... – Gina evitava escutar os gritos de Hannah na sala para conversar melhor com a dona – Assinar contratos? Claro, claro, eu estarei aí dentro de alguns minutos, Sra. Geller!

Então, os gritos cessaram. Eles pareciam ter se entendido e provavelmente estavam trocando grandes beijos no meio da sala, trocando saudades, e abraços bem apertados, adiantados de um delicioso sexo. Gina odiava pensar isso, mas era a pura realidade depois que eles brigavam.

- Hm... E eu posso me mudar hoje mesmo para lá, Sra. Geller? – perguntou Gina com o telefone no ombro, puxando o zíper da mala, com as roupas dentro.

- Claro, claro, todos os meus móveis já foram retirados, é só assinar alguns papéis e se mudar, entrego a chave a você hoje mesmo! – respondeu a mulher.

De supetão, a porta se abriu, Miguel estava parado na porta, com o rosto marcado por três arranhões bem visíveis que iam do nariz, passavam pelas bochechas e terminavam no pescoço. Estava todo vermelho de socos e murros dados pela namorada.

- Miguel? – gemeu Gina ainda com o telefone preso entre o ombro e a orelha – O que aconteceu?

- Ela... Ela foi embora – ele parou ofegante e finalizou – Para sempre!

- Mas...

Gina pegou o telefone com uma das mãos e a mala na outra, caminhando na direção do rapaz. E aconteceu tudo muito de repente. Miguel a segurou pelo pescoço com as duas mãos, firmes. Gina deixou-se entregar com um gemido de desejo e ele a beijou nos lábios, empurrando-a para trás.

Miguel passou uma das mãos para a cintura dela, puxando-a para mais perto. Gina sentiu que precisava muito desse beijo, e deixou o corpo retribuir. O telefone escorregou pelo suor de sua mão, caindo no chão, e a alça da mala também, abafando os gritos de chamado de Mônica do outro lado da linha.

Gina foi levemente encostada na parede, sentindo a língua de Miguel penetrar com carinho por sua boca. E ela sentiu as pernas bambearem, precisou que ele a segurasse com firmeza, agora com as duas mãos em volta da cintura. Ela encaixou as duas mãos em volta de seu cabelo, separando-o em tufos, apertando os fios com as mãos.

- Por favor, diga que não vá embora! – pediu ele enquanto descia, beijando-a pelo pescoço, em direção aos seios.


Nota do Autor:
Não sei se saiu conforme eu planejava... As cenas, as descrições e as sensações, mas... Eu achei uma das cenas mais perfeitas de toda a fanfic... Sim, esse beijo foi espetacular (para mim)! Ele todo machucado pela namorada, bate na porta da Gina... Ela no telefone fechando negócio... Ele aparece e a beija. AH! Adorei! XD.

Nota do Autor (dois): Como é estranho estar em 2009!

Nota do Autor (três): Ah... Só para lembrar que a cronologia da minha fanfic é baseada na do Brasil, seguindo os exemplos de férias durante Dezembro/Janeiro e Julho nas escolares. Diferente da Inglaterra, Nova York, que as férias são de verão, durante junho, julho e agosto. Ok? Isso é mais por hábito do que por cultura... Tanto faz... E... O próximo capítulo será postado segunda-feira... (12/01) da semana que vem. Chega de sextas, já me cansaram! xD. Beijos...

Respondendo as reviews:

Nane Curti: HAUHAUHA, tadinha, a Bella adora bananas. xD. E não, vou fazer direito, não quero letras... Coloquei letras como segunda opção, porque não tinha outra coisa mesmo... Não vou fazer direito de manhã, chega de acordar cedo. Eca! E... Sobre Rony e Luna... É estilo aquele vai-e-volta sem muitos motivos, eles se amam mas se odeiam, também estilo Crepúsculo. O que acontece que a Luna é rica e o Rony é pobre... E a mãe dela não quer que ela namore um "favelado". HAUHAHUAHA. E se você achou Crepúsculo (ehh... ah... ehhhh... ah... ehhhh), é porque não viu Marley & Eu... MUITOOOOOOOOOOOOOO mais enrolado, mas é legal e triste! xD. E espero que tenha gostado do Mig&Gina. Beijos, até!

Patty Carvalho: Ah... Isso é pior que Gossip Girl, quando você PISCA, eles já estão beijando outras pessoas (aliás, na vida real não é diferente disso), só que as pessoas trocam de namorado mais rápido que a velocidade da luz. HUHAUHUA, adoro bagunçar e fazer reviravoltas, estilo seriado OneTreeHill. E a Bella é um mito, estilo Cho da primeira temporada, aliás, o CLONE. A Cho era bem assim, assanhada... E não pegava qualquer um também. E a Hermione tá meio perdida, derzinha, logo ela vai se ajeitar, ou melhor... ELA VAI AJEITAR A HISTÓRIA INTEIRA. E sim, HarryTiago vai ser bonitinho, pena que meu irmão deu um soco no computador e perdeu todo o arquivo, as vou reescrever com a mesma emoção. xD. Beijos!

Shakinha: Eh... A música do Draco foi tirada em trechinhos de outras músicas, mas tudo tem haver com o Cedrico. É uma forma de desabafar, na sétima série eu escrevia poemas, e a namorada do meu irmão leu, adorou... E deixou vários comentários no word, quando eu fui ler... Fiquei muito feliz. xD. Ela disse que eu tinha dom, blá blá blá. Sim, a mãe da Luna é um pé no saco com o Rony! Ela odeia o Rony, tipo assim, cem por cento! Espero que tenha gostado da fanfic e que o capítulo Miguel e Gina tenha valido a pena. Ainda virão mais momentos entre os dois... Tão cutes! XD. Beijos, até!

Tathy Chan: HAUHAUH, adorei a sua empolgação, fiquei muito feliz, que bom que passou de ano. Você merece. E boa sorte para você também querida. Logo logo tem mais RL e MG, espero que você goste... Obrigado pelos votos. Igualmente para você, querida. Beijos. Até breveee!

Próximo Capítulo:

- Bella? O que está acontecendo? – perguntou Hermione enraivecida, entrando pelo banheiro.

- Ei! – Bella se cobriu rapidamente – Não tenho privacidade nessa casa mais?

- Você quer falar de privacidade com a porta aberta? Pelada? Sério? – retrucou Hermione rubra de raiva – Tem certeza disso?

x – x

- Você é o diretor de escola mais novo que eu já conheci – respondeu Hermione rindo.

- Ah, não seja puxa-saco! – brincou Edward rindo – Eu já tenho quase meus vinte e cinco anos!

- Mas é sério, eu imaginava alguém bem mais velho, com cabelos grisalhos!

- Ah... Bem, é o que todos acham mesmo! – ele sacudiu os ombros rindo – Você também não parece muito mais velha, tem cara de menininha.

Hermione riu.

- Completo vinte mês que vem! – respondeu ela.

- Jura? – fingiu espanto - Você parece ter uns trinta e sete! – brincou Edward.