Décimo sétimo episódio.
Sem salvação.
Data: 09.09.2007
Anteriormente no Seriado Potteriano:
Edward segurou o queixo pequeno de Hermione em contraste com a sua mão enorme.
- Escuta... Não vamos falar dele. Ele só te faz sofrer!
Hermione enterrou o rosto no peito do rapaz, abraçou pela cintura, desabando em lágrimas de desespero.
- Eu... Eu não agüento mais!
- Escuta... Vai ficar tudo bem – ele beijou a testa dela – Vou buscar um suco para você!
Edward voltou com um copo, Hermione o aceitou, virou goela abaixo e em seguida sentiu uma sonolência, ajeitou-se no sofá, caindo em sono profundo.
- PA... Pai! – disse Tiaguinho batendo os braços no banquinho infantil.
Harry e Miguel abaixaram as folhas de jornais e revistas imediatamente, para ver a cena. Os seus olhos brilhavam em emoção, mas... Para o desapontamento de Harry, Tiaguinho estendia os braços na direção do loiro.
- Pai! – repetiu ele rindo.
- Que... Maravilha, ele me chamou! – Miguel parecia explodir de emoção, Harry não conseguia sentir outra coisa, a não ser um grande ciúme crescente no peito. O seu filho chamando outra pessoa de pai? Que diabos era aquilo?
- Tire essas mãos porcas e imundas de mim! – resmungou Luna cerrando os dentes, furiosa. Rony não o fez. Foi então... Que ela deu um golpe de karatê, chutou o estômago de Rony com o joelho, com muita força. Ele caiu de quatro no chão, quase pronto para vomitar.
- Ai... – ele apertou as duas mãos com força no estômago, nisso já juntou uma rodinha de gente em volta.
- Isso é para você aprender a não relar em mim – gritou Luna saltando na direção de seu carro como se nada tivesse acontecido.
Mas quem é que ia mandar uma carta a Harry no endereço de Gina?
Quando Harry passou o dedo pelo envelope, puxou vários papéis anexados uns aos outros, viu o nome de Hermione envolvido em toda papelada e bem no topo, estava escrito: Anulação do casamento.
O seu coração se partiu em mil pedaços no peito. Hermione estava pedindo a separação!
09.09.07
Harry voltou para dentro do apartamento segurando o envelope, Miguel e Gina estavam aparentemente sob um momento de tensão, os dois deram uma olhada esquisita para o moreno, com o papel pardo entre os dedos.
- Aconteceu alguma coisa? – perguntou Gina com a colher de papinha no ar, indo em direção à boca de Tiaguinho.
- Eu... Eu vou adiantar o meu vôo para Nova York! – Harry deu as costas, entrou pelo corredor em direção ao quarto.
Miguel trocou um olhar com Gina do tipo "isso-é-problema-dele, você-não-se-mete". Mas por consideração não só a amizade, e sim os laços paterno/materno em relação a Tiaguinho, ela se levantou e foi atrás dele.
- O que aconteceu? Você pode se abrir comigo! – ela parecia preocupada vendo Harry fazer uma ligação, no quarto de visitas.
- Eu... Eu só preciso de um táxi! – ele começou a coçar a cabeça – Eu... Vou no hotel buscar as minhas coisas e vou para o aeroporto, diretamente!
- Fica calmo... – Gina passou a mão na testa suada, preocupada com o colega que não se abria – Você pode se acalmar, por favor?
- Hermione... Ela pediu separação – Harry ergueu o envelope no ar, com o rosto totalmente branco, os olhos cheios de lágrimas – Ela... Quer fingir que nada disso aconteceu! – ele mostrou a aliança dourada no dedo – O que eu faço da minha vida sem ela?
Harry desligou o celular, deixou-se cair na cama com as duas mãos sobre o rosto, escondendo as lágrimas. Gina, preocupada, sentou ao seu lado, em consolação.
- Deve ser algum momento de fraqueza, ela deve estar se sentindo sozinha. Ou alguém colocou caraminholas na cabeça dela! – Gina deu um suspiro.
- Você conhece Hermione, ela é forte o suficiente para agüentar esse casamento até a última gora. E se ela fez isso... – ele engoliu em seco – Era realmente a última gota!
Gina não quis concordar, mas sabia que no fundo era verdade mesmo. Ela acariciou o ombro do amigo, e murmurou.
- Não vou contar ao Miguel, fique tranqüilo! – ela ficou em silêncio por pouco tempo – Vou pegar o telefone do táxi!
A ruiva saiu do quarto, com seus cabelos dançantes na altura dos ombros, uma verdadeira amiga como nos velhos tempos.
14.09.07
Draco estava carregando as malas em seu Porsche, quando uma garota de cabelos morenos apareceu na garagem escura, com seus cabelos lisos e prateados, toda enfeitada.
- Olá – acenou Draco ao fechar a porta do passageiro em seu carro, vendo o violão bem encaixado na parte de trás sem riscos de danificações.
- Oi – ela deu uma piscadela, charmosa, seu perfume percorreu metros de distância até atingir Draco – Escuta... Você conhece um tal de Cedrico, certo?
- Hm... – Draco ficou mais atento, apertou o alarme do carro, trancando-o – Conheço, por quê?
- Ah... – Cho desfilou na direção dele, ficando bem próxima – Sabe que é... A gente se cruzou no elevador esses dias, ele comentou sobre você, pareceu bem simpático, se me entende... E bem, eu o achei muito espirituoso, bonito. Será que você poderia me passar o telefone dele?
- Hm... – Draco murchou os ombros, puxou o celular do bolso de trás da jeans, toda rasgada nas partes dos joelhos por puro estilo – O telefone dele é...
Cho foi anotando à medida que Draco citava os números, ela agradeceu bastante, até que Draco bateu em seu ombro como se fosse um companheiro de vôlei.
- Cuida bem dele – Draco sentiu os olhos formigarem de tristeza – Ele é o meu melhor amigo – gostaria de falar a verdade.
Cho sorriu e acenou. Draco entrou no carro, na parte do motorista, após destravar as portas novamente, pretendia partir o quanto antes.
15.09.07
- Hm... Não querendo ser inconveniente, mas... Você tem namorada? – perguntou Cho com o braço apoiado no banco, sorrindo ao lado de Cedrico.
Os dois tinham marcado aquele encontro no Central Park às sete horas, detalhe que ela se atrasara mais de duas horas, justificando que não sabia qual vestido escolher para uma ocasião tão importante.
- Digamos que... – Cedrico soltou um suspiro – Não. Estou solteiro!
- Muito bom saber – Cho deu um sorriso malicioso – Eu também estou solteira, procurando por um parceiro.
Cedrico pareceu desconfortável com a atitude promíscua da companheira, afastou-se alguns centímetros no banco, corando de leve.
- Er... Bem, he he he – era uma risada nervosa - Que bom, não? – ele sorriu de lado.
Cho com as pontas das unhas puxou o queixo de Cedrico, sentindo os dedos roçando de leve na barba por fazer do rapaz.
- Você é... Muito lindo tímido! Pena que não toma atitude!
- C-Como assim? N-não tomo atitude?
Cho colocou a mão grossa dele, cheia de pêlos em sua coxa lisinha e visível por causa do vestido curto.
- Vamos avaliar a sua atitude a partir desse ponto. Ou você pode subir a sua mão, ou descer!
Cedrico sentiu o coração palpitar com mais força no peito, seu sangue congelado foi ficando cada vez mais sem circulação. Ele subiu algumas polegadas com a mão, apertando com força na parede Cho, ela sorriu e partiu para um beijo ardente.
17.09.07
- Por que diabos você não atende às minhas ligações? – choramingou Harry ao deixar mais um recado na secretária eletrônica de Hermione – O que houve entre a gente?
Ele desligou o celular, sem forças para derramar lágrimas, encarou o sol se pondo no final do horizonte, cansado daquele apartamento vazio. Sem Hermione, sem Bella, sem notícias de ninguém. Era como se isolar do mundo em uma ilha.
- Ela não vai voltar – disse a voz suave de Bella aparecendo na penumbra do apartamento.
- Como você entrou aqui? – ele resmungou sentindo o coração palpitar de susto, achava até mesmo que fosse um vulto, por ficar tanto tempo sem contato com ninguém, naquele apartamento fechado.
- Você está deplorável – resmungou Bella avaliando o estado do colega – Há quanto tempo você não faz a barba? Ou troca de roupas e toma um banho?
- Eu quero notícias dela...
- Você precisa se acalmar – Bella se aproximou, vendo as olheiras – Você precisa dormir um pouco!
- Não vou dormir até ter notícia dela!
Bella abaixou a cabeça, parecia arrependida.
- Eu acabei de passar pela cozinha, vi o tanto de remédios que você anda tomando – ela estava mesmo preocupada – Você vai morrer em poucos dias se continuar tomando aquilo tudo!
- Eu não me importo – Harry resmungou com os cabelos enormes, bagunçados e sujos – Eu preciso de uma explicação para tudo isso. Por que ela foi embora? Por que? O que eu fiz de errado? Por que as pessoas que eu amo simplesmente se mudam para longe de mim?
Bella pareceu mais madura do que nunca, estava ali para aconselhá-lo, não mais para tirar "aproveito" da situação, beijá-lo e querer sair fazendo sexo pelas paredes como tentara várias vezes quando ele estava casado com a sua irmã.
- Ela descobriu que a gente se beijou – mentiu Bella, ocultando que dissera ter "feito sexo" com Harry – E... Ela perdeu as estribeiras, disse que esse casamento nunca tinha sido planejado mesmo, acontecera por impulso, entre outras coisas!
Harry espreitou os olhos na semi-escuridão, sentindo uma raiva crescente pela garota em sua frente, ela até mesmo recuou com medo de ter violentada, nada podia se duvidar do cunhado, principalmente naquele estado depressivo e enlouquecido que se encontrava.
- Nós... Não... Beijamos! Você me beijou, sua destruidora de lares! Você é uma safada! – ele apontou o dedo indicador para ela – Você sempre quis ver o "circo pegar fogo".
Bella sacudiu a cabeça de um lado para o outro.
- Isso foi acontecendo aos poucos, você e a Hermione nasceram para se darem bem como amigos, apesar de toda a tensão sexual que havia entre vocês dois – Bella sacudiu a cabeça mais uma vez – Hermione viveu momentos tão intensos com você que jamais vai viver com outro cara!
Harry estava mudo, tentando compreender alguma coisa das palavras da cunhada.
- Vocês ultrapassaram o limite da amizade, mas é normal, porque vocês eram muito próximos, muito amigos e só vão se dar bem como amigos!
- Por que isso? Lógico que não, é um absurdo!
Bella pigarreou antes de continuar.
- Hermione sempre desconfiou dos seus sentimentos por ela, sempre ficou com medo, principalmente por você ter viajado, encontrado a sua ex-namorada, mãe do seu filho. No fundo, no fundo – ela repetiu propositalmente para dar ênfase – Ela se sente culpada pelo seu filho não ter um pai.
- Eu já conversei sobre isso com ela, nunca houve problema nisso, além do mais...
- Hermione nunca deixou de pensar nisso, mesmo se casando com você – Bella ia dizendo as coisas como se tivesse uma longa conversa com a irmã, como se soubesse exatamente de cada sentimento seu – Ela te amava, mas não queria atrapalhar a sua vida. Infelizmente, vocês acabaram se casando... E como ela disse: Foi por impulso!
Se algum dia Harry pensou em se matar, nunca houve um momento tão perto como esse. Bella ficou assistindo o rapaz gemer no ar, como se fosse explodir a qualquer momento, do nada. Ele a olhava, sem palavras, sem explicações, apenas engolindo litros de informações que não sabia se era verdade ou não, porque Hermione e Bella nunca tinham sido muito próximas. Talvez, Hermione nunca desabafaria com Bella, mas... Por que ela sabia tanto sobre a irmã? Era tão óbvio que esse casamento já começara falido?
- Eu vou dar uma volta! – Bella tirou a chave da bolsa – E se quiser trancar a porta para eu não entrar nunca mais, tudo bem... Eu vou girar a maçaneta e se ela não abrir, eu vou embora para sempre – Bella estendeu a chave em sua direção e Harry esticou o braço trêmulo, para pegá-la.
Bella deixou a chave escorregar em sua mão, seus olhos se encontraram pela última vez, numa mescla de raiva, saudade, ou qualquer sentimento esquisito que fosse... Harry desejava que fosse a última vez que a visse. Do fundo de seu coração.
Bella virou as costas, ainda mantendo o contato visual por cima do ombro, ela desceu os degraus de volta à sala de jantar, completamente desaparecida na escuridão.
Harry ouviu de longe a porta da sala bater assim que ela passou, e se deu conta de que o sol havia se posto há quase meia hora, o céu estava coberto de estrelas e um frescor muito além do normal penetrava pelos micro-fios de sua roupa. Ele abaixou a cabeça, apertando a chave da porta na palma da mão. Ele desceu os degraus, pronto para retomar a sua vida.
18.09.07
Luna estava na quadra de vôlei, com as pernas cruzadas, o caderno colocado em seus joelhos e seus cabelos voando. Acontecia um jogo de vôlei entre os garotos do seu ano bem na quadra abaixo, mas ela pouco se importava, queria apenas um momento para estudar e de vez em quando espiar os jogos da escola.
Entre alguns estudos, frases repetidas em voz alta para facilitar na decoração, Luna estava distraída com a matéria, quando uma voz grossa invadiu os seus ouvidos, causando um arrepio pelo corpo.
- Luna...
- Essa semana eu aprendi mais alguns golpes! – ela resmungou vendo os cabelos ruivos de Rony esvoaçarem ao vento – Posso experimentá-los em você?
- Vamos conversar sério?
- Não dá para conversar sério com você – ela disse tranqüila, olhando em seus olhos com uma calma inexplicável – Você é uma criança ainda, Rony. E mesmo morando longe da casa de seus pais, não aprendeu a crescer. Você tem a síndrome do Peter-Pan!
- Sério, por favor...
- Chega de pedir as coisas para mim, não respondo mais pelo os meus atos – ela piscou várias vezes os olhos ao falar – O vestibular está chegando e eu não quero preocupações para minha cabeça!
Rony abaixou os olhos, sentado ao seu lado, sem palavras.
- Eu te amo, Rony, de verdade – confessou Luna após um suspiro, mas despejava as palavras sem sentimento nenhum – Mas chegamos a um ponto imperdoável, você já me traiu duas vezes com Lilá, e... Uma delas foi em público. Já não há mais nada a fazer, a não ser que sigamos em frente.
- Luna... Eu te amo – Rony se virou para ela – E agora que eu sei que você também me ama, meu coração até bate mais forte, sente isso – ele pegou a mão dela, colocou em seu peito malhado, bem duro e cheio de músculo – Sente isso?
Ela conseguia sentir o coração bater.
- Pela última vez, me concede o privilégio de ter você? – pediu ele com os olhos brilhando.
Luna fechou o caderno com força, fazendo o vento percorrer pelo seu rosto. Ela ficou em pé de repente, Rony acompanhou o movimento, sem desviar os olhos.
- Chega... Esse lenga-lenga já me cansou. Segue em frente! – Luna virou as costas e deixou Rony para trás, sozinho, no meio da arquibancada de Hogwarts.
20.09.07
Miguel chegou do trabalho cansado, com a gravata em volta do pescoço. Gina estava na cozinha, terminando de fazer o jantar. Ela o encarou por meros segundos, ele correspondeu com um sorriso falso no rosto.
- O que tem feito para o jantar?
- Carne com batata, o seu prato predileto – disse ela sorridente, muito bonita com os cabelos presos em um rabo de cavalo, usando um avental, parecendo uma verdadeira cozinheira de um restaurante.
- Eu te amo – disse Miguel com o dedo no nó da gravata.
Gina parou, assustada, olhando para os olhos claros do namorado em sua direção. Perguntou-se havia ouvido direito. Ela parou subitamente de fazer o jantar, e continuou o encarando, buscando um significado para aquela frase.
- Eu te amo – repetiu Miguel captando a sua expressão e rindo.
Ela sorriu, não havia acreditado no que estava ouvindo. Ele tão cansado, tão doce... Gina deixou tudo em cima da pia e correu na direção do namorado, passando os braços em volta de seu pescoço, beijando-o com muita intensidade.
- Eu também te amo, meu amor! – disse ela entre os beijos longos e demorados – Estava com saudades de você...
Ainda se beijando, os dois foram caminhando para o quarto, abrindo as portas com os pés, quase como uma máquina. Os dois deitaram na cama de casal do quarto dele, ela sorriu, em cima dele, com as duas mãos em volta de seu pescoço.
- Quer mesmo isso? – perguntou Gina não agüentando de vontade de beijá-lo, com um fogo percorrendo pelo corpo.
- Eu deveria perguntar isso a você – riu Miguel – Porque eu estou querendo isso há séculos...
Gina o beijou, correspondendo a resposta. Miguel deslizou as mãos pelo quadril da namorada, em cima dele.
- Então... Nós vamos! – ele sorriu meio tímido, e Gina o ajudou a tirar a camisa do trabalho, percorrendo com as mãos pelos botões.
22.09.07
Harry estava sentado a uma das mesas do shopping, esperando por Hermione. Finalmente conseguira deixar um recado na secretária eletrônica de seu celular e ser correspondido. Dissera que estaria ali em tal horário, podia ser uma conversa, eles podiam resolver os assuntos pendentes ou o que quer que fosse.
Ele já não esperava que ela viesse, não se alimentava desse sentimento, porque a última coisa que Hermione queria fazer, era encontrá-lo. Ele sabia disso, mas não tinha certeza quanto ao motivo.
Ele estava nervoso, tamborilando os dedos na mesa, e de segundo em segundo, tirava o relógio debaixo da manga para ver se já tinha passado muito tempo. Ainda sentado, com os pensamentos distantes, as pessoas faziam suas travessias de um corredor a outro, de uma loja a outra, e no meio dessa multidão, o rosto de Hermione surgiu caminhando em sua direção.
Achou que fosse somente uma miragem, como freqüentemente vinha sonhando, mas não dessa vez. Ela caminhava com seus cachos definidos deslizando pelas costas, e eles pulavam conforme ela andava em sua direção. Apesar de muito magra estava maravilhosa, não carregava uma expressão muito amigável. Seus braços, cintura e pernas estavam tão magros que Harry suspeitou que ela estivesse seriamente doente. Ela usava um vestido longo, muito apertado na cintura, e caia pelas pernas desproporcionalmente, era curto de um lado e ia encompridando do outro com um babado que quase atingia o tornozelo.
- Hermione! – ele queria que ela tivesse alguma reação de saudade, ou até mesmo pular em seu pescoço como fazia nos velhos tempos.
Ele ficou em pé, esperando uma iniciativa dela, um abraço que fosse, apenas para ele continuar a demonstrar o quanto ainda a amava.
- Harry! – devolveu ela friamente beijando-o no rosto, puxou uma cadeira e se sentou antes mesmo dele.
O rapaz meio perdido, puxou a cadeira da frente, sentando-se também, ela tinha as mãos cruzadas em cima da mesa, com um olhar sinistro. Ele sentiu o seu coração despedaçar por dentro, sangrar como se uma faca o cortasse.
- Eu senti a sua falta! – disse ele sinceramente, encarnado os seus olhos.
- Eu também – disse ainda com uma face tão fria que parecia estar mentindo – Mas... Não foi para isso que você me chamou, certo?
- Não, na verdade... Hermione – ele colocou as duas mãos sobre as dela, segurou com firmeza, ela pareceu desconcertada e envergonhada, ela não estava usando a aliança de compromisso mais, havia tirado e guardado pelo visto – Eu te amo e você sabe disso! – se fosse preciso, ele estava disposto a conquistá-la novamente. Ele a amava mais do que tudo nesse mundo – Você é a minha família, minha vida agora e sabe disso!
- Harry, eu sinto muito, mas... – ela já ia começando com palavras que o machucariam.
- Eu... Eu peço desculpas pela Bella, sinceramente... Sinceramente, Hermione, eu não sabia que ela era a sua irmã quando transei com ela no programa da MTV há meses, não sabia que ia te afetar tanto o nosso relacionamento, eu... – ele abaixou a cabeça, Hermione puxou as suas mãos de volta, colocando-as embaixo da mesa, Harry continuou a falar – Eu não queria que isso acontecesse entre a gente. Nós somos adultos, podemos resolver isso numa boa.
- Harry...
- E durante esse tempo todo, digo, o tempo que ela esteve em casa, não aconteceu nada, eu juro. Só foi um beijo inocente e nada mais. Ela andou até mesmo sem roupas pela casa, mas eu não fiz nada, nada, juro. Em nome do nosso casamento! – ele tinha lágrimas nos olhos. Era tão difícil vê-lo chorar.
Hermione pareceu comovida, deu um suspiro, mas permanecia tão dura como nunca.
- Eu sei que você se arrepende por ter ficado com a Bella e tudo mais no ano passado, ao vivo durante o programa Beija-Sapo, Harry, mas... Não é exatamente por isso que eu estou terminando esse casamento!
- Você se arrependeu, é isso? Conheceu alguém do trabalho, foi? – perguntou Harry sentindo que poderia ser uma resposta que ferisse de vez o seu coração, mas ele queria uma resposta para tudo o que estava acontecendo.
- A parte que eu conheci alguém do trabalho é totalmente falsa, mas... – ela piscou firme, com seus olhos cheios de água também – Eu... Eu fiz isso muito cedo, eu aceitei me casar com você jovem demais, foi quase que um ímpeto descontrolado de amor e paixão!
As lágrimas começaram a deslizar pelo rosto de Harry, Hermione começou a chorar também, junto com ele, pelo menos era um sinal de que ela também estava sofrendo com tudo aquilo.
- Não significa que eu não te ame... Muito pelo contrário, Harry. Mas eu acho que foi uma decisão muito precipitada, éramos apenas jovens apaixonados.
- O que eu fiz de errado, Hermione? Eu não fui um bom marido? Não fui um bom namorado? Eu... Eu peço desculpas, porque eu estava dando o melhor de mim!
Hermione sentia o coração se despedaçar junto com o dele, mas ela só tinha um objetivo aquela noite. Terminar tudo, e por isso estava ali.
- Você foi um excelente marido, Harry, tanto quanto foi um namorado perfeito, e... Eu me sinto péssima por estar fazendo isso, por estar criando essa barreira entre a gente, Harry, mas... É necessário!
- Não é!
- É sim, Harry. Você quer construir uma família, e eu não estou pronta para isso! – disse ela desabando em lágrimas também.
- Se for por causa de você ser aidética, eu...
Hermione ficou em pé, repentinamente, odiava tocar nesse assunto, parecia até mesmo ofendida. Ela passou a mão pelo rosto de Harry, limpando as suas lágrimas com o dedão.
- Eu sinto muito pelo nosso casamento – ela colocou a mão dentro da bolsa e puxou a aliança dourada, oferecendo a ele.
- Não... Não vou aceitar! – disse ele com novas lágrimas escorrendo pelos olhos – Eu não vou perder você novamente, Hermione!
Ela deixou a aliança em cima da mesa, em frente a ele. Não havia mais nada a fazer sobre isso. Hermione beijou o topo de sua testa, Harry a segurou pelo braço.
- Por favor... Não vá!
- Eu sinto muito – Hermione também estava chorando – E não é pela Bella que isso acabou, acredite em mim!
Hermione virou as costas, e com seus cabelos ainda cacheados, foi passando as mãos no rosto, tirando as lágrimas. Ela sumiu na multidão, deixando o ex-marido chorar com um dos braços apoiado em cima da mesa e o rosto escondido nele. A aliança intacta, ainda em cima da mesa de mármore no meio da praça de alimentação do shopping.
23.09.07
Edward bateu na porta de seu quarto, Hermione pediu para que ele entrasse, ele veio carregando uma sacola com lanches dentro. Parecia lanche distribuído em viagens de avião.
- Eu sei que você adora! – disse ele percebendo que ela estava chorando pelo término do casamento. Ele ofereceu um lanche a ela, bem quentinho – E você precisa parar com isso!
- Eu... Eu não queria fazer isso – disse ela enxugando as lágrimas rapidamente – Mas eu precisava!
- Não – disse Edward sentando ao seu lado, olhando bem nos olhos – Você não precisava terminar tudo assim, você sabe disso!
Ela, com as pernas cruzadas em cima da cama, sentada, olhou para o chão, para os seus pés, encarando-os com o olhar perdido.
- Desde o momento em que eu entrei naquela igreja, eu já me preparava para quando esse casamento terminasse. Achava que ele terminaria comigo primeiro, sabe? Que ele não fosse me suportar... Ou que eu não correspondesse às expectativas dele!
Edward ainda segurando os lanches, encarava o seu perfil, ouvindo toda a história da amiga.
- Eu sentia que aquilo não ia dar certo, mas ainda assim, eu o fiz. Eu subi no altar com o grande amor da minha vida, porque eu não queria recusar aquele pedido de casamento, até porque... Eu queria me casar com ele também! – ela limpou as lágrimas que ainda deslizavam – Eu só queria que tivéssemos alguns meses de felicidade, só isso!
- Você diz isso como se estivesse brincando com os sentimentos dele!
- Não, Edward, eu não estou, e... Acredite em mim, eu ainda o amo, e acordo todos os dias da minha vida sentindo a falta dele ao meu lado na cama – respondeu sinceramente – Eu sinto falta do abraço dele, das carícias dele, do cheiro dele – ela parou mais alguns segundos - Mas... Acho melhor terminarmos isso agora!
- Por que agora?
- Porque... Ele pode correr para os braços da minha irmã! – confessou ela voltando a encarar os olhos de Edward.
- É isso o que você quer? Que a sua irmã fique com ele?
Hermione piscou fundo, concordando.
- Bella foi um plano meu, Edward. Ela sempre foi o meu plano!
- Como assim "o seu plano"? – perguntou Edward curioso.
Hermione segurou as mãos quentes de Edward com firmeza.
- Eu só quero que ele seja feliz com alguém, pelo resto de sua vida. E Bella veio para casa no momento oportuno!
Hermione deu um sorriso meio forçado, como se tivesse tirado um grande peso das costas. Ela pegou o lanche da mão de Edward, ficou em pé e foi em direção à cozinha buscar um prato para não deixar farelos na cama. Não queria ser uma hóspede-incômoda.
Nota do Autor: Embora ninguém tenha reparado nas datas, eu peço desculpa por ter colocado 2008 no capítulo anterior, sendo que era ano 2007 que a história estava se passando! Bom... Voltando do carnaval, capítulo digitado com mais calma, com mais frescor, com mais novidades! Espero que estejam gostando de tudo o que está acontecendo... Da última reviravolta de casais! Alguns assuntos ficaram pendentes no ar, como o fato de ser um plano da Hermione o fim do casamento... No entanto, vocês vão descobrir o porquê mais para frente, certo? E quando digo mais "para frente", talvez seja somente na quinta temporada, porque é um assunto muito complexo (a Hermione não ia terminar esse casamento por qualquer besteira, vocês sabem como ela é! É um motivo muito aplausível e talvez no caso dela, eu teria feito o mesmo).
Nota do Autor (dois): O próximo capítulo terá novidades bombásticas também. A situação de Gina não vai ser nada fácil, o Miguel sente que está tudo desmoronando na sua frente, ainda mais depois da visita de Harry em sua casa. Teremos também Sirius desconfiando da paternidade de Harry, achando que ele é filho de outra pessoa, menos do Tiago. Hm. Será? Será?
Nota do Autor (três): Bem vindos de volta do carnaval. Alguns dizem que o ano realmente começa depois do carnaval, espero que estejam todos prontos para essa nova etapa na vida de cada um de vocês. Boa sorte. Ah... Domingo é meu aniversário, então, de presente, eu quero mais reviews. Beijos e Abraços. =D
Próximo Capítulo:
- Sim, eu fui aceita nas universidades! – disse Gina sorridente.
- Parabéns! – Miguel a abraçou, Tiaguinho pareceu de divertir com a bagunça e grudou nos cabelos de Gina, fazendo com que os pais ficassem mais pertos – Parabéns mesmo. Você deu duro para conseguir tudo isso. – disse ele a beijando.
Gina afastou as mãos de Miguel de seus cabelos e os dois continuaram a caminhar.
- Quantas faculdades? – ele quis saber.
- Duas de três... Foi pouco, mas... Foi um ano difícil para mim – ia contando Gina – Tive que fugir de casa, cuidar de um filho, mas... Me considero vitoriosa até aqui!
- Claro... Com certeza – apoiou Miguel – Quais universidades?
- Er... Bem... – Gina rolou os olhos – Se bem que... Uma delas fica em Nova York!
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- Antes fosse... Porque os carinhas da academia são super "hot" mas... Não, é um amigo do carinha do meu prédio! Did you understand?
- Hm, sim, entendi... Legal! – disse Harry mexendo as sobrancelhas, vendo os alunos passarem em sua frente dirigindo-se para os seus respectivos prédios.
- Ele é alto, loiro, forte... Muito sexy! – riu Cho – Bom, HP, vou procurar as minhas amigas, a K, a B, a L, a S. E se a V me procurar, diga que vou dormir na casa da W. Ok?
- Ok – resmungou Harry enjoado daquela mania de Cho de chamar as pessoas pelas iniciais – Te vejo depois da escola.
Cho puxou Harry pelo colarinho e deu um selinho em seus lábios. Ele a encarou, surpreso, admitindo que aquilo era um tipo de traição, mas não estava com a Hermione de qualquer forma.
- Não sei porque continua usando a aliança – ela sussurrou próxima ao ouvido dele – Hermione já tirou a dela há séculos.
Respondendo reviews:
Shakinha: Ah... Talvez o Edward não seja o rumo certo para Hermione, mas... Ela terá um final inesperado nessa temporada, e esse sim vai ser o rumo certo que ela vai tomar! HAHUAHUA, esse é o problema, Harry está com uma doença, genética que o Tiago, talvez, não tinha. Hm... Isso vai render assunto para fanfic! Sim... O Tiaguinho vai ter que aprender a se acostumar com o Harry mais tarde. Ahh... Pena que eu errei o seu Cullen predileto, mas eu quase chutei o Carlisle, cheguei a digitá-lo no teclado mas apaguei, eu lembro muito bem disso. E espero que você deixe a TV a cabo para ler minha fanfic de vez em quando. PS: Não esqueça de praticar esportes também, vida sedentária NÃO "PODE". xD. Beijos.
Tathy Chan: HAUHAUHAAH, gostou do golpe de karatê da Luna no Rony, não? Calma... Terão mais alguns golpes legais da Luna vindo aí pela frente, que tal no próximo ela deixar o Rony com janelinhas? Ou... Atravessar um cabo de vassoura da boca até o... Deixa para lá! Beijos e boa semana!
Naathy: HHAUHAU, desculpa a demora, foi falta de tempo mesmo, mas agora escrevi os capítulos certinhos até o final dessa temporada, estão todos muito bem digitados aqui no PC... E aliás, to pensando em começar a temporada nova já, é a parte mais legal da fanfic, eles mais velhos e talz. Coitado mesmo do Harry, ficou super sem graça vendo o Tiaguinho chamar o Miguel de papai. E calma... Você vai entender mais para frente como a Bella e a Hermione combinaram de acabar com esse casamento, calma, calma, não criemos pânico. Ah, o golpe de karatê foi demais, né? XD. Sim, Cedrico e Cho cada vez mais bonitinhos como um tímido casal, e o Draco saindo desse triângulo amoroso, aceitando a derrota. Que bestinha! E o Cedrico... Bem, ele está com uma doença sim de coração também, quase igual a do Harry, mas... Não tão fatal assim. Bom, te vejo até no próximo cap. Beijos!
