Capítulo XII – Hã?
Abri os olhos do sonho mais esquisito de toda minha vida. Nada fazia sentido e aquele cheiro era insuportável, além de familiar. Claro que era familiar, era o cheiro do meu sangue. Levei uma das mãos até o ponto de dor que insistia na minha cabeça e algo gosmento escorria pelos meus cabelos. Não precisava ser um gênio para saber que eu estava sangrando. Alguma teoria? Ótimo, eu tenho algumas. Posso ter batido a cabeça, essa não seria a coisa mais legal, ainda mais considerando o fato de eu não ter idéia de onde eu estou.
Tentei lembrar de alguma outra teoria, mas só de pensar minha cabeça latejava. Grande idéia Bella, pare o sangramento.
Antes de tudo, onde eu estava? Não, não, antes de tudo parar o sangramento. Pensar levava a dor, e isso era algo que eu realmente tentaria evitar. Meio lógico não? Bem, um interruptor, certamente teria de haver luz onde quer que seja isso. E tinha mesmo, droga, meu corpo estava mesmo pior do que eu imaginava, até de apertar o botão senti dor.
Ok, se tinha um jeito disso ficar mais estranho, era esse. Porque aquele lugar era incrivelmente pequeno e estranho, mas não isso que me incomodava de verdade. O fato de eu não saber o que era ali me incomodava muito mais do que todo o sangue escorrendo pelo chão.
Tinha sangue demais, não era provável ser o meu sangue. O que nos leva em como vou parar o meu sangramento.
Vejamos, o quarto não é lá essas coisas. Não é muito maior que o meu quarto de apartamento. Havia uma cama ali, além de um enorme guarda-roupa. Ficar parada não estava fazendo a dor passar, então fui até o guarda-roupa, muito mecanicamente, mal conseguia entender como estava andando, era como se minhas pernas nem estivessem ali. Não havia absolutamente nada dentro do guarda-roupa. Sentei na cama totalmente bagunçada, como se alguém tivesse dormido ali, alguém que se mexia muito.
Era um quarto sem janelas nem portas, aparentemente pelo menos. Provavelmente haveriam portas do outro lado. Eu estava em algum tipo de observação? Fui seqüestrada? Estão fazendo experiências macabras e ilegais comigo? Quanta viagem. Será que me deram algum tipo de droga ou é só efeito colateral da batida na cabeça. O sangue morno ainda escorria melando onde quer que passe, ótimo, além de não fazer idéia de como parar o sangramento eu estava nauseada.
A única coisa que tinha na cama era um pedaço de tecido, creio que usado como lençol para dormir, e um tipo de almofada. Talvez isso fosse algum outro sonho bizarro. Bobeira, em sonhos a gente não sente dor.
Peguei um pedaço do pano e o cortei, ele estava tão frágil que nem precisei fazer força. Graças a Deus, fazer força nesse estado significava pontadas de dor por todo corpo.
- Tem algo estranho com essa cena. – suspirei e continuei a observar o quarto enquanto tentava limpar o sangue.
Ignorei a idéia de deitar na cama e descansar um pouco. Encostar a cabeça em qualquer lugar me parecia um gesto de masoquismo. Às vezes eu ouvia alguns sussurros que pareciam reais, às vezes tinha a sensação de que tinha mais alguém no quarto, talvez fossem só alucinações, com certeza não seriam as primeiras.
Eu já alucinei antes? Hm. Não me lembrava disso, aliás, tenho certeza de que não sai de casa sozinha, se bem que não me lembro de ter saído de casa também. Isso é tão estranho, mas do que o de costume! E olha que tenho a sensação de que minha vida não é lá essas coisas normais e tediosas.
Eu estava certa. Estranho, eu normalmente estou sempre certa. A "porta invisível" se abriu.
Creio que meus instintos estavam um pouco exagerados graças ao sangramento da cabeça. Pois assim que vi a figura incrivelmente linda entrar na sala quase me esmaguei contra parede. A junção da pessoa que estava me encarando com o cheiro do sangue não parecia dar muito certo.
Meu corpo levava essa situação a sério demais, deixando meu corpo inteiro desesperado e em estado de alerta. Eu não conseguia respirar de tão rápido que meu coração batia, era como se ele fosse explodir a qualquer momento.
Mas isso sumiu em questão de segundos. Ele era habilidoso.
Hã? Habilidoso? Claro, mas com o quê?
- Bella. – a voz dele estava completamente distorcida, mas ainda soava como sinos. Ele estava se contorcendo e empurrando a parede, tão forte a ponto de parecer que ele iria quebrá-la. Eu sabia que deveria sentir medo, sair correndo. Mas sabia que isso seria em vão, sabia que ele era milhares de vezes mais forte e mais rápido que eu. Mas continuei calma, como se a desgraça não fosse comigo. – Você precisa vir conosco. – foi tudo que ele conseguiu dizer antes de sair correndo pela porta. Meus olhos não conseguiram acompanhar seus movimentos.
Preciso ir com vocês, aonde?
Não fazia idéia de onde estava, mas não considerava ficar trancada aqui seguro, ainda mais com todo esse sangue no chão. Que cisma com o sangue. Alguma coisa voou pela porta até cair em meu colo, só então descobri o que era: um casaco umas três vezes o meu tamanho, vermelho com um capuz. Só então percebi o trapo que estava minha roupa. O que costumava ser uma calça jeans estava totalmente arregaçada, cheia de rasgos, assim como a blusa. Apressei-me e vesti o casaco vermelho, tampando o que sobrara da roupa. Meu cabelo estava totalmente embaraçado e junto ao sangue ficava como se fosse uma gosma, coloquei o imenso capuz por cima da cabeça e agradeci pelo fato de que o all star ainda estava intacto.
Levantei lentamente para testar a situação de meu corpo. Doía, mas eu conseguiria andar sem auxilio, o que me deixou aliviada. Um pé na frente do outro, não pare Bella.
Ao chegar à porta encontrei estranhamente aquilo que esperava: dois seres incrivelmente lindos, como se fossem irmãos gêmeos. Seus cabelos eram loiros, perfeitos, lisos e contrastavam com seus olhos vermelhos vivos. Os dois estavam incomodados demais com o cheiro do sangue ainda pairando no ar. Chegavam a se contorcer e a agarrar as coisas a sua volta esmagando-as sem dó. Eu sabia que não havia muita diferença para eles entre esmagar os objetos e esmagar minha cabeça.
A loira aparentava mais calma que o loiro, mas claro que isso era por causa da habilidade dele e não o controle dela. Eu continuava incrivelmente calma também, nenhum dos dois falou algo, apenas começaram a andar indicando para que eu os seguisse.
Levando em consideração tudo que estava acontecendo deduzi algumas coisas. Aquela não era a pior coisa que já me aconteceu, não era pior coisa nem naquele dia. Mas com certeza era bem ruim. Caso contrário meu cérebro não tentaria inutilmente lembrar-se de coisas para me fazer correr. Ok, eu correria, mas por que motivo?
Bastou virar a direita para ter motivos mais que suficientes. Pra começar eu descobri algo que não fazia idéia: eu conseguia pensar em um momento de desespero. A principio achei que conhecia a pessoa que atacava sua presa, inútil, fraca, humana. Mas era apenas impressão, porque meu cérebro me mostrou o porquê de meu corpo não ter uma reação exagerada. Essa não era a primeira vez que encontrava isso.
Claro que ele era mil vezes mais gracioso ao atacar alguém.
Então os dois loiros perfeitos começaram a conversar. Tão baixo, como sussurros. Mas meus ouvidos já estavam acostumados a isso, essa conversa invisível. Tão acostumados que consegui ouvir nitidamente por cima da dor.
- Você estava confortando ela? – a loura parecia extremamente irritada. E isso confirmou minha teoria sobre as habilidades dele.
- Se você a preferia gritando de pavor era só avisar. – ele disse num tom gélido, por um instante pensei até que tentava me proteger.
A loira bufou admitindo que havia perdido a discussão. Mas com certeza, não a guerra.
- Emmet, - o som daquele nome ecoou em todas as células do meu corpo. Porque não era um nome qualquer. Era um nome amigo. – largue de ser guloso e venha nos ajudar.
Não tão amigo. A voz repetiu em minha cabeça.
Então a primeira lembrança veio. Veio tão forte como a dor que insistia em minha cabeça.
Não tão nítida, mas forte. Eu sabia o que eles eram. Vampiros, sedentos, impossíveis. E tão reais. Eu mesma vi como eles eram reais. Eu e Alice, vimos o quanto eles podem ser sedentos quando querem.
Pobre Edward, lhe causei tanto sofrimento, tanto, tanto sofrimento. A ponto de romper a promessa de não beber sangue humano. A ponto de atacar uma pessoa inocente.
Fiquei perdida na lembrança de vê-lo atacando tão graciosamente uma humana. E só fui acordar quando a loira impaciente estava prestes a partir para cima de mim. Claro seu quase irmão a impediu de tal coisa.
Eu sabia que isso me irritaria, tive vontade dedar um chute na loira metida a besta e sair correndo, mas tive certeza de que apenas o meu pé sentiria o impacto.
Então foi a vez de Emmet.
- Desculpe Bella, não me leve a mal, - senti a raiva vindo numa velocidade incrível e indo tão rápido quanto. Era horrível não ter controle dos próprios sentimentos. – mas todos têm de obedecer aos mais fortes. – os olhos conseguiram nos enganar. Antes tão dourados quanto os de Edward, agora mais vermelhos que meu sangue esparramado.
Como de costume me agarrei a barra no incrível casaco, esperando que o desconforto passasse. Mas a dor aumentava a cada segundo. Era traição. Queria apertar os olhos com tal força que me faria perder a consciência de novo.
Mas eu sabia que não a perderia tão cedo.
- Eu até gosto de você, e de Eddie, e Alice então! Ela é uma graça. – esse não pareceu o tipo de coisa que sairia da boca daquele quase urso. Mas não me surpreendi, Alice era mesmo uma graça. – Mas precisamos fazer o que é preciso para sobreviver.
Tive vontade de lhe perguntar o que era preciso para sobreviver. Mas não encontrei minha voz. Não conseguia nem descobrir para onde estava olhando, tive a sensação de que iria desmaiar, mas nada aconteceu.
Certo, se eu fosse um pouquinho mais corajosa eu teria dado um tapa na cara de Emmet, mesmo sabendo que de nada adiantaria. O fato é que longe de Edward e Alice eu era ainda mais covarde.
Pisquei, foi o tempo que bastou para a situação mudar, pelo menos para mim. Não havia nada de confortante naquilo.
Fim do capítulo doze.
Esse capítulo não explicou NADA, essa era a intenção! :D Eu sei que prometi postar "Pushing Daises" ainda hoje, mas meio que to caindo de sono aqui. E outra coisa, tomei a vacina dupla sabe? A anti-têtanica. A que dói pra chuchu sabe?! Enfim, é, ta doendo. Em breve posto mais capítulos disso aqui, que por acaso está praticamente no fim! ;-;' É tão triste!
Boa noite, Melanie.
Respostas:
.Dakotta.: Menina desculpa a demora! Eu ando meio perdida aqui! E desculpa também pelo capítulo que ficou tão mal-feio! Mas logo acaba! :D Prometo!
Chantal Cullen: Que bom que ama menina! Até me emociono! E desculpe a demora.
TyranDF: Hey menina! Desculpa a demora! Mas, acho que já deu pra notar que eu passei de ano né? E ainda assim continua atrasando as atualizações, desculpe! E deixei muito mal explicado esse capítulo, mas me aguarde com o próximo! Será beeeem diferente! Só espere um pouco que eu ando meio sem tempo, acho que com as aulas era mais fácil viu? :x
Sol Swan Cullen: Que bom que compreendeu o atraso, mas acabei atrasando de novo né? Sinto muito! Mas espero que goste!
Jane Alves: A família cullen ainda não é Cullen aqui, por enquanto lógico! Lógico que eu tinha que colocar o Emmet, mas Rose ainda manda na relação então... Ok se eu continuar será spoiller xD Espero que goste!
Marie Swan: Ela soube, mas não pelo Eddie sacas? Ela e a Alice não são bobas, e as duas adolescentes então! Anyway, pretendo explicar como elas descobriram melhor depois!
Hellena D. Cullen: Que bom que acha isso! Continuo sim!
julliet desappear: Não sei se vou conseguir fazer ela beber nessa fic, alias, a fic mudou TOTALMENTE de rumo! Mas prometo que em Pushing Daises ela vai beber! Bem lá eu descontei toda minha raiva da Jess e da Lauren *-*
