Gostaria de pedir desculpas aos meus erros de português... Sei que devem ter muitos, e a maioria deles deve ser por falta de acento... A verdade? Meu teclado é uma droga que não acentua. Para escrever eu preciso copiar os acentos e colar... Ou seja, demora MUITO... Eu tento meu maximo, mas sou preguiçosa e esqueço de fazer isso.

Sakura

Capitulo 03: 6 anos

A jovem de cabelos rosa estava sentada na sala, assistindo TV. Na verdade, não estava realmente assistindo, estava pensando. A jovem tinha completado 19 anos 7 meses atras e vivia uma vida que não era sua. A jovem shugenja estava para abrir uma balneario que não era seu, usava um nome que não era seu, fingia ter sido casado com um homem que nunca a amou e dizia ser a mãe de menino que não era seu filho.

Fazia 6 anos desde que Asakura Yoh e Asakura Anna deixaram seu filho aos cuidados de Tamamura Tamao e Umemiya Ryūnosuke, e fazia 6 anos desde que ambos começaram a mentira. No inicio parecia um ótimo plano: Hana não iria sofrer sem uma mãe... Mas com os anos se passando, Hana crescendo, e o desespero passando perceberam o que tinham feito: Arruinaram a vida do garoto. E arrependia-se de ter mentido, mas quando percebeu o erro já era tarde.

Era algo tão obvio mas eles não perceberam por causa do desespero. Hana achava que Tamao era sua mãe e que seu pai estava morto. Quando o garoto finalmente começou a ver Tamao como sua mae, e finalmente começou a se acalmar e ficar mais próximo dela, ela notou o que tinha feito. Agora, depois de seis anos tendo certeza de que Tamao era sua mãe, de que seu pai estava morto, ele iria descobrir que tudo era mentira. Tudo que ele achou que fosse verdade era mentira. Tamao odiava admitir, mas Hana vivia uma mentira... E a culpa era de mais ninguém alem de sua.

Talvez ela poderia ter contado a verdade para Hana quando ela notou o erro... Mas ele tinha começado a vê-la como sua mãe. Não podia dizer que não era a mãe dele quando finalmente o garoto começou a vê-la dessa forma. Ele era tão alegre e feliz... Tamao não queria estragar a felicidade do garoto. Não queria fazer ele passar por tal sofrimento... Ela iria adiar o Maximo que conseguisse... E secretamente, sempre torcia para que Yoh e Anna não voltassem, assim não precisaria contar a verdade para Hana.

Agora que Yoh e Anna estavam voltando, Tamao teria que contar a verdade para ele. Era um assunto delicado que Tamao teria que explicar com muito cuidado para o pequeno. Se Hana entendesse algo errado... Tamao não tem idéia do que poderia acontecer...

Tamao conseguia sentir a força de Yoh e Anna. Eles não estavam longe. Na leitura que tinha feito na noite anterior conseguiu adivinhar que faltava por volta de 4 dias para ambos chegarem ao balneário. Isso era tempo suficiente. Essa noite os guerreiros chegariam. Ryu avisará a todos sobre a situação de Hana para que ninguém diga algo antes da hora. Na manha seguinte eles vão revelar a verdade para Hana. Isso deixa dois dias para Hana se acostumar com a noticia e tentar aceitar... Quando Yoh e Anna chegarem, eles irão contar a situação antes de chamar Hana para os três se reunirem.

Tamao ficará pelo balneário ate o dia que for preciso. Ela sabia que demoraria ate Hana se acostumar com seus pais, e que certamente Yoh e Anna teriam que aprender muitas coisas sobre o filho deles, por isso ela tinha que ficar. Quando eles finalmente se acostumassem um com o outro, ela iria embora e seguiria seu sonho de se tornar uma cantora.

-Tamao... – chamou Ponchi, tirando a jovem de seus pensamentos.

-Sinto Muito. – se levantou – Estava apenas pensando... Em 3 dias Yoh-sama e Anna-sama irão voltar... Hoje iremos rever todos... E amanha... – os olhos de Tamao ficaram mais tristes – Espero que pequeno Hana aceite bem a noticia...

-Pequeno Hana tem um temperamento muito forte... – comentou a raposa – Provavelmente ele não aceitá-los logo de cara...

-Sim... Pequeno Hana pode ser preguiçoso... Mas ele tem o temperamento da mãe! – concordou o texugo.

-Eu sei que não fui a melhor mãe do mundo para o pequeno... E tenho certeza que ele tem muito medo de mim... Demo... – se direcionou a cozinha e voltou a lavar pratos – Tenho certeza que ele, com um tempo, irá aprender a amar Anna-sama e Yoh-sama...


Já fazia 6 anos desde que não tinha visto seus amigos. E fazia 6 anos desde que se entregou. Chocolove tinha que admitir que ficou surpreso quando recebeu a noticia que Ryu veio lhe visitar. Ele sabia que já era o prazo... Mas não esperava Ryu lá. Não podia ver mas sabia que o homem tinha mudado muito... Estava mais maduro. Provavelmente tomar conta de Hana o fez perceber que precisava ser mais responsável... A única pessoa que ele conhecia que podia ser responsável e ao mesmo tempo ser desligado era Yoh.

"Será que eles irão me reconhecer? Já se passaram 6 anos, e estive na cadeia todo esse tempo... Agora não tenho mais cabelo nenhum e a cicatriz na minha teste ficou muito menor..." se perguntou, um sorriso gentil apareceu logo depois daquele pensamento "Se não me reconhecerem pela aparência certamente irão me reconhecer pelas minhas piadas!"

Nesse momento ele estava no avião que o levaria até Tokyo, Japão. Estava nervoso para rever todos os seus amigos. Se perguntava se Ren ainda se achava o melhor. Se Horo-Horo ainda brigava com Ren e se Lyserg ainda era calmo e ainda desejava destruir Hao... Mas quem ele realmente gostaria de saber se esta bem ou não seria Yoh e Anna. Ambos estavam lutando por seis anos e agora iriam voltar para uma batalha ainda maior... Será que ambos estavam bem? Será que Yoh mudou muito? Será que Anna estava mais cruel que antes?

-Não importa o que aconteça, irei animar todos com minhas novas piadas! – disse sorrindo, já imaginando a lança de Ren espetando o seu nariz.

Depois que Yoh e Anna foram embora, todos foram perdendo os contactos. Manta foi o primeiro. Depois ele. Chocolove voltou para os Estados Unidos, determinado a pagar por seus pecados. Quando Redseb e Seyrarm, que estavam vivendo com um distante parente e que visitavam Chocolove e Yoh e Anna com freqüência, ouviram a noticia, tentaram pará-lo. Mas já era tarde. Chocolove já tinha se entregado. Redseb e Seyrarm contrataram um advogado, e tentaram pegar a menor pena possível... E esta foi 16 anos.

Supostamente Chocolove precisava ficar mais 10 anos na cadeia, mas ele conseguiu sair, lógico, com permissão. Redseb e Seyrarm contrataram um advogado melhor e com o bom comportamento que Chocolove tinha, ele conseguiu ser solto sem problemas.

Quando Ryu apareceu faltava apenas dois dias para ele ser solto, lógico que ele não sabia. Ryu lhe contou que Yoh e Anna estariam chegando em breve e também lhe contou sobre sua decisão e a da Tamao. Hana não sabia nada sobre os 5 guerreiros e sobre Yoh e Anna. Tudo era desconhecido pelo pequeno.

Ryu implorou para não comentar nada a respeito dos dois ou sobre o combate lendário para Hana. Ryu contou que Hana, por mais que seja uma criança mais inteligente que o normal, ele ainda era uma criança de 6 anos, e a situação era muito delicada... Um mal entendimento e o pior podia ser esperado.

Quando Redseb Seyrarm, que agora tinham 15 e 13 anos, descobriram que Chocolove estava indo para o Japão, ambos imploraram para irem juntos, mas Chocolove não deixou. Diferente do que Redseb e Seyrarm achavam, ele não ia lá só para visitar Yoh e os outros, e sim para uma grande batalha... Ia ser muito perigoso... E a pessoas que corria mais perigo, era a que estava menos preparada.

-Pobre garoto... Com 6 anos e sua vida já está uma bagunça... E nem sabe... – virou sua cabeça em direção a janela do avião – Exatamente como você era com a idade dele, não é Yoh? Vida bagunçada desde que seu irmão nasceu... Mas só descobriu 15 anos depois.


O maior detetive da Inglaterra andava pelas ruas escuras da cidade no meio da noite com uma mala na mão e uma fada rosa em seu ombro. Lyserg estava pronto para ir para Japão para poder enfrentar o homem que matou seus pais quando ainda era uma criança.

Depois que se afastou de seus amigos, Lyserg se reencontrou com Iron Maiden Jeanne, que estava tentando reencontrar a família que a tinha deixado no orfanato de Marco e Luchist. Tudo que a garota tinha descoberto era que ela era inglesa.

Juntos ambos descobriram muitas coisas sobre a jovem. Sua família era muito poderosa na Inglaterra, com certos membros xamãs que podiam que ajudavam a rainha. Os pais de Jeanne estavam passando por dificuldades, devido a suspeitas do publico sobre os poderes da família, e para que a filha não sofresse nada, não fosse machucada ou maltratada que nem muitos primos de Jeanne estavam sendo, eles a enviaram para um orfanato na América.

Conversando com fantasmas e pessoas da cidade natal de Jeanne, Lyserg finalmente conseguiu encontrar a família da garota. Os pais de Jeanne depois dos acontecimentos a procuraram desesperadamente na América e descobriram do acidente que tinha acontecido no orfanato da garota, e não tinham mais esperanças de rever sua filha. Mas quando Lyserg reuniu a família, todos foram eternamente gratos, e Lyserg ate ficou famoso pela Inglaterra... Foi assim que sua carreira como detetive começou.

Jornais por toda a Europa, e alguns em outros lugares do mundo contavam sobre o garoto inglês que tinha ajudado a filha perdida da família Erostakko encontrar sua família depois de anos. Jornais também contavam a história de como Lyserg perdeu seus pais em um incêndio e como seu sonho era se tornar um detetive que nem seu pai.

Uma faculdade ofereceu uma bolsa de estudos para Lyserg se tornar um detetive, e a família de Jeanne ajudou Lyserg a se sustentar ate conseguir sua carreira.

Lyserg visita Jeanne com freqüência, e acompanhou a transformação de uma menina sagrada a uma menina normal. Jeanne estudava numa escola cara da Inglaterra e muitas vezes confiava seus segredos a Lyserg. Dizia como sentia saudade de Marco e dos outros membros dos X-Laws, como se sentia culpada pelas vidas que tirou, como seus pais eram melhores do que ela esperava, como estava indo na escola e ate que durante o Shaman Fight ela tinha uma queda pelo xamã ainu que a ajudou no continente Mu.

Jeanne agora tinha por volta de 17 anos e era uma jovem linda e perseguida por muitos garotos. Lyserg achava engraçado como a Menina Sagrada Iron maiden Jeanne virou a adolescente Jeanne Erostakko.

Fazia algumas semanas que Lyserg recebeu a noticia de Ryu. Ele já esperava por aquilo. Já estava na hora de reunir todos novamente. Lyserg estava curioso para saber como seus amigos estavam, como pequeno Hana estava e o plano para destruir Hao.

Ryu também o informou do caso que tinha acontecido com Hana. Ele se lembrava do quanto o garoto chorava toda vez que alguém tentava se aproximar dele, mas mentir era algo errado. Ele devia saber de toda a verdade e estar preparado caso Hao aparecesse lá.

-Detetive Diethel! - exclamou a jovem que atendia as pessoas no check in. Lyserg já estava acostumado com esse tipo de tratamento – É... É um prazer atende-lo detetive!

O jovem sorriu gentilmente. Seu rosto de 22 anos não era tão diferente do de 15, mas agora era menos feminino... Seus sorrisos gentis não davam mais a impressão de que era gay, e sim um homem muito simpático e muito bonito. Ele estava bem mais alto e seu cabelo e suas roupas estavam sempre arrumados. Lyserg tinha fãs por toda a Europa.

-Obrigado senhorita. – respondeu polidamente – Gostaria de despachar minhas malas para o vôo 17489 para o Japão.

-Certamente. – respondeu a garota sorrindo – O senhor esta indo para o Japão tirar umas férias ou a trabalho?

-Irei visitar uns antigos amigos. – informou ainda sorrindo, ignorando todos o olhando e sussurrando uns aos outros que o grande detetive estava lá.

-Então serão férias. – comentou ainda sorrindo.

-Bem... As minhas férias no Japão irão começar depois de muito trabalho. – agradeceu a jovem e foi ate seu portão, seu sorriso desapareceu.

"Hao... Será que estávamos mesmo certos em deduzir que aquele era o seu plano?"


Tao Ren no ponto mais alto de sua propriedade, observando dois intrusos subindo a enorme escadaria que dava aos portões de sua casa. Ele sabia exatamente quem eram esses dois intrusos. E ele também sabia o que eles queriam.

Um sorriso apareceu nos lábios do homem.

-Já estava na hora de vir Ryu... – disse, mesmo sabendo que Ryu e Hana ainda estavam muito distantes e ainda não conseguiam ouvi-lo.

Observava os dois subirem as escadas e se lembrava dos acontecimentos dos últimos seis anos. Ele ainda mantinha contacto com Ryu e Tamao quando eles decidiram mentir para Hana. Não precisava dizer que ele foi contra a idéia desde o inicio, mas Tamao não queria ouvi-lo. Era como se ela fosse uma pessoa completamente diferente. Estava claro que Tamao não estava conseguindo lidar com o bebê... E quem podia culpá-la? Ela tinha por volta de 13 anos, era muito nova para tomar a responsabilidade de uma mãe. E considerando que Hana nem era filho dela e nem queria ficar perto dela.

Depois que o jogo da mentira começou, Ren passou a visitá-los com menos freqüência. Hana ficou muito apegado a Horo-Horo e a ele. Sempre que Ren vinha visitar, Horo-Horo e Pirika já estavam lá, e Hana sorria e gritava o nome do Ren. Ren tinha que admitir que ele também tinha se apegado ao pequeno.

Quando não estava visitando Hana, Ren passava seu tempo treinando. Ele era o mais fraco dos cinco guerreiros, e agora que Hao estava de volta, ele precisava ficar mais forte. E foi assim que ele perdeu contacto com seus amigos. Tudo que ele fez durante os últimos seis anos foi treinar... E estava orgulhoso de saber que era bem mais poderoso do que era antes.

-Ren... – chamou uma voz feminina – Tem dois intrusos subindo as escadas... Será que devíamos...?

-Não se preocupe Jun. – virou-se para encarar sua irmã – São só o Ryu e o pequeno Hana.

-R-ryu... E-e.. Hana? – a mulher não parecia acreditar em seus ouvidos.

-Sim Jun. – voltou a observar os visitantes – Agora precisamos preparar algo de especial para os nossos convidados especiais...

-Certo Ren.

-E Jun...? – chamou.

-Sim Ren? – perguntou se virando.

-Como vão os preparativos para o Pailong? – mesmo não e virando, sabia que sua irmã estava sorrindo.

-Estamos quase lá. – informou, com um tom de voz alegre, depois se virou e foi embora.

Ren sabia que mesmo com Jun dizendo isso, ainda faltaria muito tempo ate que ela consiga trazer Pailong de volta a vida. Depois do Shaman Fight, a família Tao começou a falar sobre casamento com Jun.

Jun e Pailong não concordaram com a idéia de casamento. Ambos se amavam e não queriam ficar com outras pessoas. Na verdade, Pailong não queria que Jun se casasse com outro homem. Jun também não queria ficar com ninguém alem de Pailong. Mas a família Tao não iria permitir sua filha se casar com um morto. Desde então Jun vem procurando uma maneira de trazer Pailong de volta a vida.

Ren admirava a perseverança de sua irmã. E foi graças a ela que ele decidiu se dedicar tanto ao treino. Pailong o ajudou muito no treino, já que não podia ficar com Jun enquanto ela procurava uma maneira de trazê-lo de volta.

Pouco tempo atrás durante seu treinamento Ren pediu para ser enviado para o inferno. Jun o enviou e lá ele ficou por alguns dias. Num desses dias ele se encontrou com Yoh. O homem estava mais alto, e tinha cabelo mais cumprido, mas ainda era o mesmo. Tambem dava para perceber que estava bem mais forte que antes.

Ren esperava Yoh sorrir quando o reconhecesse, mas ao invés disso, o homem entrou em pânico. Aparentemente tinha esquecido que Jun também podia reviver as pessoas.

Depois de contar o que fazia no inferno e todo seu treinamento, Ren perguntou a Yoh o que ele fazia lá. Yoh explicou que Hao estava bem mais forte que antes, e que numa batalha Yoh tinha morrido e estava esperando Anna o ressuscitá-lo. Quando Ren perguntou a quanto tempo atrás ele tinha morrido, Yoh não soube responder. Ele explicou que Anna e ele tinham perdido noção de tempo. Ren não se surpreendeu, ambos estavam batalhando por seis anos, era esperado que eles perdessem noção de tempo.

Yoh também perguntou sobre Hana. Ren entrou em choque quando ele fez aquela pergunta. Os olhos de Yoh pareceram brilhar quando ele perguntou sobre seu filho. Era como se só o nome pudesse fazer com que todos os problemas do mundo de Yoh desaparecessem. Ren hesitou. Será que devia estragar a única coisa que estava segurando Yoh e Anna? Devia contar que seu filho não tinha idéia de quem eram? Bem, ele sempre podia começar com a idade de Hana.

Ren explicou que tinha perdido contacto com todos, mas que se lembra das primeiras palavras de Hana. Quando Yoh ouviu que Hana tinha dito "Papa" e "Mama" ao mesmo tempo, ele começou a rir. Ren também informou que dia e que horas eram naquele dia, e informou que Hana fez 6 anos no mês passado. Yoh ficou triste quando descobriu que ficou 6 anos fora e que perdeu tanto tempo da vida de seu filho.

Yoh perguntou se tinha mais alguma coisa que eles deviam saber sobre Hana. Ren hesitou. Precisava achar as palavras certas para revelar a verdade para seu amigo. Respirou fundo antes de começar a falar. Começou cuidadosamente, dizendo que isso era algo muito importante e que afetou maior parte da vida de Hana. Yoh entrou em desespero. Perguntou se algo errado tinha acontecido com ele, se ele tinha algum machucado, algo errado. Ren teve que acalmá-lo.

Depois de conseguir acalmar Yoh, Ren começou de novo. Quando ia chegar na parte do que tinha acontecido, a alma de Yoh desapareceu. Ren sabia o que tinha acontecido. Anna tinha terminado de curar as feridas de Yoh e agora o tinha ressuscitado.

-Uma pena que não consegui informar a ele sobre Hana... – disse se levantando e indo ate o encontro de seus visitantes.


Usui Horokeu estava parado em frente de sua enorme plantação de Fuki, olhando para o nada. Kororo não estava ao seu lado, no momento, ela estava fazendo companhia a outros koropukkurus que também moravam naquela plantação.

A plantação de Fuki do ainu era enorme, e se estendia ate o horizonte. Ela era admirada por turistas em todo o mundo, afinal de contas, aquela era a maior plantação de fuki da historia! Horo-Horo e Pirika recebiam visitas de turistas todo o dia, e as vezes era muito cansativo... Mas ninguém sabia o sentimento de tristeza e de culpa que tinha naquela plantação.

Era verdade que Sati, a Shaman Queen, lhe deu uma ótima terra para sua plantação, mas o trabalho era de Horo-Horo. E ele sentia mais vontade de trabalhar e se dedicar a sua plantação quando precisava pensar ou parar de pensar.

Nesse momento Horo-Horo estava pensando sobre a sua relação com o pequeno Hana. Na verdade, a maioria das vezes que ia para a platancao era para pensar sobre aquela família complicada. Porem nesse momento ele só estava pensando em Hana.

Ainda se lembrava de quando descobriu que Tamao tinha decidido mentir para Hana. Ele nunca aceitou a idéia. Sempre tentava convencer Tamao que deviam contar a verdade para ele, e não deixá-lo viver numa mentira. Tamao nunca escutou.

Com um tempo Ren deixou de visitá-lo, mas Horo-Horo não. Ele adorava ver o menino sorrindo e adorava ouvi-lo chamando de "tio Boro-Boro". Ryu e Pirika riam e faziam gracinha dos dois, mas Horo-Horo não se importava. Ele dizia que só Hana podia chamá-lo de Boro-Boro.

Soltou um suspiro quando viu um caminhão se aproximando da plantação e Pirika indo falar com eles.

-Provavelmente são mais turistas. – abriu um sorriso orgulhoso – Afinal, quem não quer ver a maior plantação de fuki no mundo?!

Hana também adorava vir visitá-lo em sua plantação. Muitos finais de semana Ryu dirigia ele e Tamao ate Hokkaido para vir visitar Horo-Horo e Pirika. A primeira coisa que Hana fazia era sair do carro e correr até Horo-Horo. Depois Hana contava de tudo que tinha acontecido na semana. Ele reclamava do treino, da escola e dizia como sua "mãe" lhe dava medo.

-A irritadinha da Anna vai matar a Tamao quando descobrir o plano dela... Do jeito que ela é uma mãe super protetora, sinto pena da Tamao... – disse para si mesmo rindo. Mas seu sorriso logo desapareceu – Eu sou igualmente culpado... Não consegui contar a verdade para ele... Droga...

Horokeu também tinha um segredo em relação à Hana. Tamao tinha pedido para esconderem todas as fotos, coisas e qualquer brinquedo de Hana que lembrasse seus pais. Ate os head-fones e o lenço que eles tinham dado para o filho na noite em que partiram tinha sido encaixotados e jogados no porão. Até mesmo o livro que Manta tinha dado sobre os cinco guerreiros tinha sido encaixotado. Ou pelo menos era isso que Tamao achava.

A verdade era que Horo-Horo tinha retirado o livro de lá de cima e entregado de volta a Hana. Horo-Horo pediu para que Hana guardasse o livro e não deixasse a mãe dele descobrir que ele tinha. Hana fez isso. Toda vez que ele vinha para visitar Horo-Horo, Hana trazia junto o livro para que Horo-Horo pudesse ler e reler a estória para ele. Hana realmente adorava a estória, e seus personagens preferidos não era ninguém mais e ninguém menos que Yoh e Anna.

Hana dizia como gostaria que ele fosse o filho deles no final do livro. Ele ficava repetindo como adorava os dois e queria ser como eles. Que queria que eles fossem seus pais. Pouco ele sabia que o desejo dele tinha se tornado realidade.

O motivo pelo qual Horo-Horo lia o livro para o garoto era para poder juntar coragem. Não para Hana juntar coragem, para ele juntar coragem. Horo-Horo esperava que lendo esse livro, poderia ser forte o bastante para um dia ele poder contar a verdade para Hana. Contar quem eram seus pais, o que eles estavam fazendo e o porquê ele morava com uma mulher que dizia ser sua mãe. Horo-Horo esperava conseguir juntar coragem o suficiente para revelar a verdade para Hana, e para que Hana, ao invés de ver seus pais como duas pessoas que o abandonaram, os visse como heróis.

Porem Horokeu nunca conseguiu. O olhar do menino, aquele sorriso, todo aquele sentimento que o garoto transmitia de confiança... Horo-Horo percebeu que jamais poderia ser ele a pessoa que acabasse com a vida do garoto. Hana confiava nele, Hana confiava no Ryu, Hana confiava na Tamao, Hana confiava em todos eles! Horo-Horo não queria ser a pessoa a estragar o mundinho de Hana por contar a triste verdade de seus pais e seu tio.

Por isso Horo-Horo começou a se afastar de Hana. Ele não ia mais para Funbari e Hana não vinha mais para Hokkaido. Não demorou muito ate ele perder contato com eles também. Mas agora ele teria que enfrentar a verdade. Não, o que ele teria que enfrentar era piro que a verdade. Ele teria que ver aquele garotinho puro e alegre perder toda a sua confiança naqueles que mais amava. A coisa que Horo-Horo mais queria evitar, ele teria que enfrentar em uma questão de dias.

-Nii-san!!!!!!! – gritou Pirika, tirando Horokeu de seus pensamentos. Ela ainda estava perto do caminhão, e agora acenava alegremente – Nii-san!!!!

Soltando um suspiro e caminhou até sua irmã. Arregalou os olhos quando viu quem estava no volante do caminhão. Ninguém mais e ninguém menos que Ryu. Ele estava usando um óculos escuro, tinha crescido uma barba maior e parecia ter amadurecido bastante.

"Ainda bem, a Anna iria matá-lo se continuasse daquele jeito e tomando conta do pequeno Hana." Pensou, rindo e acenando.

-Oi Ryu! Não esperava que visse tão cedo. – disse. Notou um homem estranho no outro banco. Ele tinha um cabelo curto roxo, e uma barba pontuda, igualmente roxa. Seus olhos eram dourados e tinham um olhar serio – Ren... Esse é você?

-O que você acha? – perguntou curto e grosso - Pelo visto continua sendo o mesmo baka ainu... Cresceu de tamanho, mas infelizmente parece que sua inteligência continua no nível de uma criança de dois anos.

-O que disse?! – gritou irritado, mas logo um sorriso provocador apareceu em seus lábios – E você bicudinho? Antes tinha um chifre no cabelo agora resolveu ter um cifre na barba?

-Não me irrito com comentários idiotas como esses. – disse.

-Que bom então... – disse ainda sorrindo – Por que eu queria perguntar, a sua barba cresce para baixo quando fica irritadinho que nem seu cabelo fazia? – estava agora apoiado na janela, olhando o amigo ainda com o sorriso provocador. Diferente de Ren, Horo-Horo não tinha barba. Ele tinha uma naquele momento mas só porque tinha esquecido de se barbear, mas normalmente não. Seu cabelo estava maior e ao invés de ser usado para cima como antes agora cai nos seus olhos. Muitas pessoas diziam que não era só a platacao de Fuki que atraia as turistas, mas sim o dono dela. – Ou será que ao invés disso os seus bigodes que crescem e tiram os olhos daqueles que estão do seu lado?

Estava claro que o chinês estava irritado. Ren tentava manter a calma, mas quando se tratava de Horo-Horo, era mais provável conseguir fazer o Hao amar os humanos.

-E o que esteve fazendo todos esses anos? – perguntou – Treinando? Provavelmente, considerando o quanto fraquinho você era durante o Shaman...

-Agora chega! – com isso o xamã chinês saiu do carro e retirou sua lança, a apontando para o ainu – Você é um homem morto Horo-Horo!

Horo-Horo ia falar alguma coisa, quando ouviu um gemido vindo da mala do caminhão. Quando olhou, ficou surpreso. Lá ele viu o pequeno Hana deitado e dormindo. Naquela hora ele se revirou para o lado, ainda segurando a Futsu no Mitana com sua mão direita. Estava claro que todos os fritos estavam atrapalhando o descanso do garoto.

-Chibi Hana cresceu né... Nii-san? – perguntou Pirika sorrindo.

-Sim, bastante. – disse, e depois se virou para Ryu – Ryu, o que ele faz ali? Não sabia que ele...

-O Patrãozinho disse que queria vir comigo atrás do guerreiros. – disse Ryu – Por algum motivo ele parecia bem interessado neles... – Horo-Horo sabia o motivo – Foi um dia cumprido... Nós chegamos da China, ele dormiu no caminho. Ele é um garoto tão forte que as vezes esqueço que tem apenas seis anos de idade.

-hum... – foi tudo que disse. Subiu no caminhão e se sentou do lado do garoto. Ren notou a diferença na atitude do amigo, por isso também se sentou no seu lugar, sem mais nenhuma palavra. – Pirika, toma conta da plantação, tá?

-Pode deixar nii-san! – disse sorrindo. O caminhao começou a partir, e em poucos segundo já estava a uma distancia bem grande – Boa sorte Nii-san... E para você também, chibi Hana.


Asakura Hao estava sentado no chão, observando uma fogueira queimar com um sorriso em seus lábios. Fazia seis anos desde que Yoh e Anna tinham ido atrás dele para impedir o seu plano... Pouco eles sabiam que aquilo só ajudou o plano dele.

Yoh e Anna estiveram fora por seis anos. Seis anos. Nenhuma criança iria aceitar facilmente dois pais que estiveram ausentes por tanto tempo em sua vida. Yoh sabia direitinho disso, ele teve o mesmo problema com seu pai. O quanto mais difícil ficasse para Yoh e Anna se aproximarem de seu pequeno filho, mais fácil ficava para o onmyôji se aproximar dele.

A melhor parte de tudo era que Yoh e Anna achavam que ele estava morto. Ambos achavam que Hao tinha sido derrotado na ultima batalha que tiveram. Uma risada escapou os lábios do homem. Ele? Morrer? E ainda mais naquela batalha? Tudo bem que Yoh e Anna tinham se fortalecido muito mais do que Hao previa, mas ainda não era o suficiente para matá-lo. Tudo que fez foi feri-lo. Yoh também ficou igualmente ferido.

-Talvez meu irmãozinho seja mais útil do que imaginei... – disse em voz alta, seguido por um riso. Sua mente viajava com todas as possibilidades que o erro de Yoh e Anna o deu. Algo que parecia quase impossível no inicio de seu plano tinha se tornado algo muito simplês só porque Yoh e Anna escolheram a batalha ao invés de seu filho. Era tudo muito fácil. E agora até seu irmãozinho poderia ajudá-lo. No final, ele estaria pronto para o próximo Shaman Fight. Estaria mais poderoso que nunca, e vitória seria uma certeza... – Mas não poderei arriscar com a família Asakura novamente... Dessa vez quando nascer, irei ter certeza de exterminar qualquer Asakura existente.

Um caminhão passou por perto de onde Hao estava, e o sorriso de Hao ficou maior.

-Eles já esta reunindo os 5 guerreiros? As coisas estão indo mais rápido do que o esperado. – se levantou e começou a andar na direção de Tókio. Estava curioso para saber como tudo iria ocorrer. Queria ver a cara de seu amado sobrinho quando visse seus pais depois de anos. Também queria ver como estavam os amigos de Yoh. A verdade era que durante os seis anos Hao evitou passar pela Inglaterra, Estados Unidos, China e Japão.

-Então vocês ainda não contaram a verdade para ele? – perguntou Horo-Horo em voz alta, olhando o garoto – Melhor contarem antes que Yoh e Anna cheguem.

Hao parou surpreso. Quer dizer que Hana não sabia da verdade? O sorriso de Hao ficou ainda maior. A situação estava ficando mais interessante do que ele imaginava! Tudo sairia melhor do que o planejado.


O Sol estava se pondo, dando uma cor alaranjada ao céu. Um casal andava pelas estradas que davam a capital do Japão. O homem tinha cabelos cumpridos e escuros, era alto, forte mais ao mesmo tempo tinha um porte magrelo. Sua pele estava um pouco pálida, carregava uma bolsa e usava roupas velhas, amassadas e rasgadas, revelando suas feridas e cicatrizes.

A mulher andava atrás do homem, observava cada passo do homem a sua frente, com seus olhos negros tentando esconder a preocupação. Ela também carregava uma bolsa pequena, sua pele era bem mais pálida que a do homem, e suas roupas estavam mais arrumadas. Seu vestido longo e preto brilhava as luzes do sol por causa de quão molhada estavam. Um capuz cobria seu rosto e escondia seus longos cabelos loiros.

-Ai... – o homem se curvou para frente, colocando a mão em seu abdômen, logo depois retirando e olhando para sua mão, revelando sangue.

-Yoh! – gritou a mulher correndo até seu marido – Eu te disse para você ir devagar... Você se machucou muito depois daquela batalha contra Hao... Ainda não se recuperou!

-Eu sei... – disse, depois sorrindo, tentando esconder a dor – Mas eu quero voltar logo para casa... Eu realmente quero ver o Hana-chan... Poderíamos ir mais rápido com o Espírito da Terra... Mas ainda não recuperei forças para fazer o over soul...

Anna soltou um suspiro, e ajudou seu marido a tirar o casaco e depois se deitar no chão, deixando todas as cicatrizes, feridas de Yoh expostas. Logo a itako retirou de sua bolsa alguns curativos, remédios e comida. Um samurai apareceu ao lado dos dois, observando o casal. Essa cena era bem comum, infelizmente.

Depois de um tempo, Anna já tinha tratado da ferida de Yoh. O Sol já tinha ido dormir e a lua cheia tinha aparecido, iluminando o casal com luz branca.

-Pronto. – disse, ajudando seu marido a se sentar e depois colocar novamente o casaco. – Vamos descansar um pouco antes de continuar.

O homem apenas acenou com a cabeça. Amidamaru já sabia o que fazer, e ficou vigiando a estrada a quilômetros de distancia, em caso de algum carro estiver por perto indo na direção de Tókio, ele poderia avisar para Yoh e Anna com antecedência.

Com a partida do samurai, o casal ficou sozinho. Ambos estavam em silêncio. Perdidos em seus próprios pensamentos... Pensamentos sobre seu pequeno filho.

Não se passou um dia nos últimos seis anos em que Yoh e Anna não pensaram em seu filho. Ambos sofriam muito com a decisão que fizeram. Sentiam uma falta enorme do pequeno Hana. A verdade era que se ambos tivessem a chance, iriam voltar no tempo e escolher ficar em casa com Hana. Mas infelizmente tal coisa era impossível.

Enquanto Yoh olhava pela estrada, ele notou algumas arvores em sua volta. Não tinham muitas folhas, mas Yoh conseguiu identificá-las. Um sorriso triste apareceu em seus lábios, e logo lagrimas começaram a escorrer de seus olhos.

-Sakura... - disse, chamando a atenção de Anna. –Eu prometi... – disse, segurando o sorriso triste e tentando parar as lagrimas, sem sucesso. – Eu prometi ao Hana-chan... Prometi que iria levá-lo para assistir o festival de Sakuras... Droga! – gritou com raiva, agora batendo sua mão com força no chão. Agora não se importava se estava conseguindo segurar as lagrimas ou não – Hana-chan... Hana-chan deve me odiar tanto... Por ter prometido algo assim para ele e depois deixá-lo sem explicação nenhuma... – mais lagrimas caiam por seus olhos, enquanto ele soluçava – Droga...

-Yoh... – disse Anna. Ela ainda não tinha notado que algumas lagrimas estavam começando a descer seus próprios olhos. Levantou-se e se sentou atrás de seu marido, o abraçando pelas costas e apoiando seu queixo no ombro dele – Eu sei como você se sente... Hana-chan também deve me odiar também... Segundo o Ren, ele tinha cinco anos quando você o viu... E isso era Julho... Hoje deve ser Outubro... Isso faz com que ele tenha 6 anos e dois meses... – soltou um suspiro – Ele deve pensar mais da Tamao como mãe do que eu... – disse – Tanta coisa que Tamao fez por ele que eu deveria ter feito... Ela sempre sentiu inveja de mim... Mas ela não sabe o quanto eu gostaria de ser ela... De ter segurado meu filho nos meus braços, ter ouvido suas primeiras palavras... – começou a chorar.

Yoh se virou e abraçou sua esposa. Anna começou a chorar no ombro de seu marido. Não agüentava mais segurar aquela dor. Quando estava grávida, Anna sonhava com os dias em que poderia conversar com seu filho, com quando poderia sentir os braços da criança em volta de seu pescoço, pedindo para que a segurasse... Tantas coisas que queria ter feito com seu pequeno... Mas ao invés disso teve que ficar caçando um homem que tinha ameaçado ferir seu filho... Outra mulher tinha conseguido o amor de seu filho... Mas Anna faria o Maximo para poder vencê-lo de volta.

-Anna... – disse, acariciando os cabelos da itako, e depois a abraçando com mais força, finalmente notando como a roupa desta estava molhada – Sua roupa esta encharcada! – disse, se virando e encarando a mulher, que agora o olhava com um olhar furioso – Você precisa colocar algo mais aquecido! Você pode ficar resfriada! Que impressão você dará a Hana-chan se na nossa primeira semana de volta você tiver que ficar de cama por causa de uma gripe!

-Eu lutei seis anos contra Hao! – gritou, se levantando com raiva – Acho que posso agüentar um resfriado facilmente!

-Não me importo se você acha ou não! – disse também se levantando – Eu me importo com a sua saúde e com a saúde de Hana-chan! – com isso, o homem retirou se casaco, retirou a capa de Anna e a vestiu o casaco dele, que era bem maior que a mulher, mas também era bem mais quente do que a capa molhada que estava usando.

-E eu ligo para sua! – gritou, retirando o casaco – Está frio, você precisa se aquecer!

-Você também! – gritou, apontando para o casaco no chão.

-Você está ferido!

-E você está usando roupas encharcadas!

-Eu não vou usar o seu casaco!

-Ótimo! Não use! Eu também não vou usar!

Ambos se viraram com raiva, bufando. O silencio reinou entre os dois, e logo um vento gelado do outono bateu em seus corpos, fazendo com que ambos começassem a tremer. Mas mesmo com frio, nenhum dos dois iria pegar o casaco que estava entre os dois. Ambos se preocupavam mais com a saúde do outro, não iriam pegar o casaco para se aquecer se significasse que isso faria com que o outro passasse por frio.

-Coloque o casaco. Eu trabalhei muito para te conseguir aquele casaco, não quero que ele fique mais sujo do que já está por causa da sua teimosia. – disse Anna, com um tom bem frio, Yoh diria mais frio que o vento que tinha soprado a poucos segundos. Ainda estava de costas e seus braços estavam cruzados, cobrindo seu corpo, como se aquilo fosse parar o frio.

-Não. – disse sem se virar – Se não quer que o casaco fique sujo, vista-o você mesma.

-Não eu gosto do frio. – disse, agora dando uma olhada para ver seu marido, encontrando suas costas. Com tal visão, ela virou novamente a cabeça com forca, fazendo seus cabelos voarem pelo ar – Agora você é bem mais fraco que eu. Não deve agüentar o frio.

-Eu consigo. – disse, tentando não bater os dentes – Eu sou Yoh! Só pensar que estou de volta na pousada, tomando um banho nas termais e não sinto frio nenhum!

O silêncio voltou a reinar. Às vezes ambos olhavam um para outro, mas quando os olhares se encontravam, viravam a cabeça rapidamente corados, como se ainda tivessem 14 anos.

Aos poucos, os olhares ficaram mais longos e mais preocupados. Ambos não se importavam mais se o outro notasse, só não queriam que a pessoa amada sofresse com o frio.

-Yoh... – disse agora com um tom mais suave. Virou-se para poder ficar frente a frente com o homem.

-Anna... – falou, também se virando, encarando sua esposa. Seu olhar estava preocupado – Por favor... Coloque o casaco!

-E deixar você ficar tremendo de frio? Nem pensar! – disse – Coloque você o casaco!

-Tenho uma idéia melhor... – disse sorrindo, se aproximando de sua esposa e a abraçando pela cintura, trazendo o corpo dela bem perto do dele – Bem melhor, né?

-Sim... – disse, relaxando. Logo conseguiu sentir um calor percorrer por todo o seu corpo, e um sorriso apareceu nos seus lábios – Imagina isso... Daqui algumas horas nós poderemos vestir roupas normais, que não estejam sujas, rasgadas ou molhadas... Poderemos dormir nos nossos futons...

-Eu nem consigo me lembrar como é ter uma vida com essas coisas. – disse rindo, sem largar de sua esposa – Mas a melhor parte...

-Será que poderemos ficar com Hana-chan novamente... – completou.

-Yoh-dono! Anna-sama! – disse o samurai aparecendo depois de alguns minutos, mas sentiu seu rosto corar ao deparar com a imagem de Yoh e Anna. Yoh tinha seus braços em volta da cintura de Anna, e Anna envolvia o pescoço de Yoh com um braço, e o outro estava encostado no peito nu do rapaz, sentindo todas as feridas do homem. Os lábios dos dois estavam juntos, e ambos estavam muito ocupados para notar o samurai corado – Er... Esquece... disse, virando de lado. 6 anso com os dois e ainda não conseguia entender os dois.

-Hey! – gritou uma voz masculina vindo de um carro, interrompendo Yoh e Anna – Vocês são viajantes? Precisam de carona?

-Sim, estamos indo para Tókio. – disse Anna, pegando o casaco de Yoh e andando até o carro.

-Precisamos nos encontrar com nossa família, não temos outra maneira de chegar até lá alem de andando.

-Andando vocês vão demorar 3 dias... – disse o homem – Eu posso dar caronas até a cidade e vocês andam o resto... Isso dará para vocês chegarem até sua casa no anoitecer de amanha. – mesmo abaixou os óculos escuros, que tinha esquecido de tirar quando o Sol se pos, e olhando os dois. – O que acham.

-Seria ótimo! – Yoh disse sorrindo.

Sakura, Capitulo 03: 6 anos, terminado.

Gostaria de pedir desculpas aos meus erros de português... Sei que devem ter muitos, e a maioria deles deve ser por falta de acento... A verdade? Meu teclado é uma droga que não acentua. Para escrever eu preciso copiar os acentos e colar... Ou seja, demora MUITO... Eu tento meu maximo, mas sou preguiçosa e esqueço de fazer isso.