Sakura
Capitulo 06: Pensamentos
Ele não estava mais lá. Eles não estavam lá. Nem Hao e nem Hana. Hao fugiu e levou o meu filho com ele. Aquele maldito... Ele tirou proveito do momento e levou o meu filho para longe! Quem sabe o que ele pode fazer com ele? E se ele machucasse Hana-chan?E se ele... Não. Eu não vou permitir que aquele verme do Hao encoste um dedo no meu fio.
-Maldito... – eu ouço Yoh do meu lado falando. Quando olho em sua direção vejo que ele está mais adiantado que eu. Yoh já estava indo para fora. Ele estava furioso. Aqueles que não estão acostumados ver Yoh com tanta raiva assim parece até algo que a imaginação criou depois de algumas garrafas de sake. Mas eu sei que quando se trata do nosso filho, do nosso Hana-chan, Yoh fará de tudo para ter certeza que ele estará bem. Até mesmo tirar uma vida.
Eu o sigo, mas, para a nossa surpresa, os nossos amigos retardados se colocaram na nossa frente, impedindo a passagem.
-O que vocês estão fazendo!? – grito, já liberando um pouco da minha raiva – Saiam do caminho AGORA ou terei que matá-los. – com isso pego o meu 1080. Eles podiam achar que não iria matar nossos amigos, mas estavam errados. Se eles ficarem no caminho quando se trata de Hana, eu não hesitarei em mandá-los para o inferno e ter certeza que de lá nunca irão sair!
-Não podemos. – disse Horobaka. Aquele imbecil... De todos as pessoas neste quarto ele deve ser a com o menor QI! Não, do mundo! Ele só perde do Hao.
-Horo-Horo saia da frente neste instante. – Yoh estava usando um tom tão frio que muitos poderiam pensar que a pessoa do meu lado era Hao. Até o baka ainu ficou surpreso por um instante, mas não se moveu.
-Eu não posso Yoh. Sinto muito.
-Seu imbecil... – digo. Ele não entende a situação? Não entende que meu filho acabou de ser sequestrado pelo verme mais repugnante do universo?! – De que lado você está?! Você não consegue ver que..
-Eu estou do seu lado. – respondeu ele com uma certeza em sua voz que jamais tinha ouvido ele usar – É por isso que faço isto.
-Se está do nosso lado, Horo-Horo, então se mova. Eu vou salvar Hana-chan. E se não sair da minha frente... – Yoh então ergueu a Harusame e apontou para o ainu – Eu serei forçado a machucá-lo.
-Não irei me mover. – disse ele, olhando Yoh nos olhos.
Pelo amor de Buda. Eu não tenho tempo para isso. Tenho que salvar o meu filho não importa quem estiver no caminho! Eu consigo sentir meu braços se movendo rápido e sinto as varias contas do 1080 passando pelos meus dedos enquanto me preparo para chamar Zenki e Goki. Mas no momento que ambos meus shikigamis iam aparecer e quebrar a coluna do imbecil na minha frente eu sinto meu corpo ficar pesado e meus joelhos fracos, e caio no chão. Eu preciso colocar as minhas mão no chão para não cair completamente.
-Anna... – Yoh diz me olhando, sem saber o que fazer por um instante. Mas ele leu no meu olhar minhas ordens. Não se preocupe comigo, vá atrás de Hao e traga nosso filho de volta. Com isso ele voltou a apontar a espada para seus amigos, e mais determinado que nunca, chamou Amidamaru para fazer o over soul que criou em caso de emergencias. Para chamar o Espírito da Terra é preciso muita força, e Yoh tinha medo que talvez numa batalha ele acabasse perdendo uma quantidade grande de força, fazendo impossivel de chamar o Espírito da Terra. E como ele deixou a futsu no mitama com Hana-chan, ele precisava de um novo over soul que usasse apenas a Harusame, afinal de contas, sem a futsu no mitama era impossivel criar o Byakkou ou o espírito da espada, e os primeiros over souls do Yoh jamais seriam o suficiente para machucar Hao.
-Yoh, ouça o Horo-Horo. – disse Lyserg.
-Não posso ficar aqui enquanto meu filho está com meu irmão. A cada segundo ele fica ainda mais e mais longe de mim. – eu olho para Yoh e vejo que ele está lutando contra suas lágrimas. Não posso culpá-lo. Sinto que logo minha raiva será substituida por tristeza. – Se ele machucar Hana-chan... Ou pior ainda... Eu...
Ou pior ainda. Essas palavras ficaram presas na minha mente. E se Hao não apenas machucasse Hana, mas ele o matasse? Sem o corpo eu não poderia trazê-lo de volta a vida. Se Hao matasse meu filho eu... O que eu faria? O que seria de mim? Eu mal consiguia passar os dias sabendo que estava tão longe dele e agora sabendo que ele me odeia... Mas viver sem ele? Viver a vida sabendo que eu nunca mais poderei vê-lo sorrir ou ouvir sua voz? Saber que ele morreu por minha causa e se eu tivesse feito algo ele ainda estaria aqui? Eu não posso viver sem meu filho. Não posso.
-Ele não vai machucá-lo. – disse Ren. Ele está certo. Hao não irá machucar Hana, irá matá-lo! Nós precisamos sair daqui depressa! – Hana é importante para os planos de Hao. Ele não fará nada para machucá-lo.
-Como assim? –Yoh abaixou um pouco a Harusame, mas continuou com ela em suas mãos – Como assim importante para os planos de Hao? O que ele quer fazer com o meu filho?! – ele voltou a erguer a katana, e dessa vez a apontou para Ren.
-Hao quer Hana do lado dele. Então ele não vai machucá-lo. – disse Lyserg.
-Outro motivo para impedi-lo neste momento. – Yoh responde sério.
-Yoh, mesmo que você conseguisse chegar lá a tempo, o que faria? – Chocolove careca disse pela primeira vez. Fiquei surpresa por não ser uma piada.
-Como assim o que irei fazer? Irei até lá e lutarei contra Hao e trarei meu filho de volta! – agora Yoh já não conseguia mais segurar as lagrimas. – É isso que vou fazer!
-Yoh, olhe para a Anna. – disse baka ainu. Yoh olhou na minha direção e eu pude ver seus olhos vermelhos. Ele estava sentindo a mesma dor que eu. A dor de ter tido seu filho amado tirado de você. – E aposto que ela foi a que descansou no caminho de volta, não foi? – disse novamente – Ela tentou fazer um simples over soul que já fez milhares de vezes e o que aconteceu? Caiu fraca no chão. – Quando eu conseguir me levantar eu irei enforcar esse ainu com certeza! Como ele ousa me chamar de fraca?! – Yoh, se você tentar salvar Hana agora, irá acabar perdendo com certeza! Hao irá matá-lo, e bem na frente de chibi Hana! – Do que ele chamou meu filho? Chibi Hana? Desde quando baka ainu é tão simpatico com crianças? Quem fazia isso era o Lyserg. – E se ele matar vocês dois, quem irá salvar chibi Hana?
-VOCÊS! – gritou Yoh – Vocês não sçao fracos! Vocês podem salvar o meu filho se algo acontecer comigo ou com a Anna!
-Yoh, você e a Anna já nos superaram em força. – disse Chocolove – Eu não sou mais o mais forte dos cinco guerreiros. Você é. E aposto que Hoa também ficou muito mais forte durante esse tempo. Nós quatro não temos chance contra Hao. Se vocês forem lutar nessas condições de agora, Hana não poderá ser salvo. É isso que Hao quer! Que vocês venham atrás dele nesse instante, assim ele não precisa se preocupar com vocês depois, quando estiverem capazes de lutar. E Hana está tão confuso no momento que não irá impedir a batalha. Se vocês esperarem e deixarem que Hana se acalme e vocês se recuperem, a vitória estará ao nosso favor.
Hana está confuso. Sim, eu entendo como ele se sente. Quando eu fui abandonada pelos meus pais também fiquei confusa. Claro, no meu caso ninguém na minha família me amava, e eu fui abandonada num rio, e no caso de Hana a família dele o ama e ele foi deixado num lugar seguro, mas mesmo assim... De uma maneira, ambas as situações são iguais. Eu não tive nenhum amor dos meus pais e fui abandonada com três anos de idade. Hana sempre foi amado por mim e por Yoh, e nós não o abandonamos, mas sim o deixamos enquanto iamos atrás de Hao. Agora nós sabemos que essa não foi a decisão mais sabia, e não esperavamos que Tamao mentisse para o nosso filho e nem que iriamos levar 6 anos mas... Hana teve sua família inteira mentindo para ele. As pessoas que ele ama e confia mentindo para ele durante sua vida inteira. Seus pais viajando pelo mundo atrás de seu tio o deixaram para trás e nem pensaram nas consequencias... E agora, que ele descobriu a verdade, ao invés de ser resgatado por uma pessoa que se importa com ele e quer o seu bem que nem eu fui, ele foi resgatado... Não, essa não é a palavra, ele foi levado por alguém que irá confundir sua cabeça ainda mais e tirar proveito da situação para o seu próprio beneficio. Alguém que nem se importa com o bem estar dele.
E de alguma maneira, o modo que eu e Yoh deixamos Hana é muito semelhante com a maneira que meus pais me abandonaram. Eu estava passando muito mal naquela noite. Estava com dor de cabeça por causa de todos os pensamentos e sentimentos que entravam a todo segundo, e os espíritos da casa não paravam de me pertubar. Eu não parava de chorar naquela noite, até que meus pais entraram no quarto. Eu era pequena, e com tantos pensamentos entrando de uma vez só não consegui entender os deles. Na hora achei que eles tinham vindo para ficar comigo, para me fazer me sentir bem. Minha mãe me pegou no colo e meu pai esperava na porta do meu quarto. Eram 2 da madrugada e meus pais entraram no carro. Eu achava que iamos para o médico ou alguma coisa do tipo.
Minha mãe sentou no banco de carona e ficou me segurando o tempo inteito. Eu estava abraçada nela, minha cabeça repousando em seus ombros. Ela tinha uma de suas mãos em minhas costas e me segurava com força, como se não quisesse me largar. Naquele momento eu me lembro de ter pensado que talvez estava errada. Que meus pais realmente me amavam, e eles só não sabiam como reagir ao fato de ter uma filha que sofria tanto por aparentemente motivo nenhum. Quando aquele pensamento me veio a cabeça, eu me lembro de ter abraçado ainda mais a minha mãe e de chorar de arrpendimento.
Nós dirigimos durante horas, o tempo inteiro a única coisa que podia ser ouvida eram os meus choros. Ai nós chegamos no Monte Osore. Eu olhava para fora e via os espíritos sofrendo, almas penadas e almas malignas. Também sentia muitos sentimentos e pensamentos ruins e sujos vindo daquele lugar. Eu abracei ainda mais minha mãe e dizia que estava com medo, que aquele lugar me assustava e que eu queria ir para casa. Ela continuou a me abraçar e não disse nada, só me segurava com força.
Quando chegamos ao rio sanzu eu lembro de ver uma ponte pequena. Meus pais estacionaram perto dela e desceram até a beirada do rio. Eles foram para debaixo da ponte e minha mãe me colocou lá. Eu lembro de ter perguntado o que estava acontecendo e meu pai dizer que não era nada para me preocupar. Minha mãe me disse que eles iam voltar logo. Eu disse a eles que não gostava daquele lugar, que os espíritos me assustavam e que com tantos pensamentos e sentimentos ruins minha cabeça doia e eu me sentia mal. Meu pai então me deu um olhar triste e disse que logo toda a dor ia acabar. Eu abri um sorriso e perguntei se ele estava falando sério, e ele sorriu tristemente e disse que sim. Eles subiram novamente, e antes de entrarem no carro minha mãe disse que eles iam voltar para me pegar daqui a pouco. Aquela foi a primeira vez, depois de anos, que eu ouvi ela colocando a palavra "chan" depois do meu nome. Depois disso eu ouvi o barulho do carro indo e eles nunca mais voltaram.
Agora pensando a respeito eu não sei se eles fizeram isso para me ajudar ou porque me odiavam. Minha mãe tinha me enrolado num cobertor enorme antes de sairmos no meu quarto, e Kino-sensei disse que lá ela encontrou um recado, que Keiko leu para ela. Lá estava escrito meu nome, meus problemas, minhas alergias, meu aniversários, minhas comidas, desenhos e brinquedos preferidos e como cuidar de mim. Também tinha meu nome e meu aniversário. Eles também explicaram o porque me deixaram lá e que esperavam que alguém, de preferencia uma itako, iria me encontrar lá e cuidar de mim e me ajudar a superar os meus problemas, porque eles simplesmente não eram capaz. E a última fraze dizia para que cuidem bem de mim. Mesmo agora nos meus 21 anos eu não sei se meus pais me odiavam ou me amavam. Aquele recado faz parecer que eles me amavam, mas a maneira que eles me tratavam e quando eles me abandonaram... Eu acho que esse sentimento é a mesma coisa que Hana está sentindo nesse momento.
Eu tenho absoluta certeza de que Hana é amado. E posso dizer isso para ele até o dia do final do mundo. Mas as minhas ações... O que eu fiz por ele, deixá-lo para trás e dizer que iria voltar logo e só voltar depois de seis anos... Isso não diz "Filho, eu te amo mais do que tudo!". De uma certa maneira eu consigo entender porque Hana se sentiria confuso. As palavras estão dizendo algo, e as ações estão dizendo outra coisa. É confuso. É a mesma coisa que eu sinto em relação aos meus pais. E imagino que essa é a maneira que Hana irá se sentir por mim e por Yoh por um tempo. E talvez o que estou sentindo nesse momento seja o que meus pais sentiram. O que Hana está passando... É exatamente o que eu passei anos atrás.
- Mas... – Yoh ia dizendo, mas foi interrompido.
-Yoh, fique aqui. Descanse. Coma algo e amanhã quando acordarem e comerem nós nos preparamos para ir atrás deles. E também use esse tempo para aprender mais sobre Hana. Assim quando chegarem lá poderão provar para ele que o amam de verdade e farão de tudo para poder dá-lo felicidade e que sentem muito pelo que fizeram. – disse Ren. É difícil de acreditar que ele que disse tal coisa.
Yoh me olhou, perguntando o que fazer. Eu detesto admitir, mas eles tem razão. Nós devemos ficar.
Yoh, novamente, leu a resposta no meu olhar, e sem mais nenhuma palavra, guardou a Harusame e me ajudou a me levantar.
Para quem olhasse eles pareciam pai e filho. A semelhança entre os dois era incrivel. Mesmos olhos, mesmo nariz, mesmo jeito de andar... A única grande diferença seria o cabelo do garoto, que era loiro. Provavelmente ele pegou o cabelo da mãe.
Até mesmo seus olhos eram parecidos. Ambos tinham olhos tristes e solitarios. Era um pouco triste ver um garotinho tão pequeno tão triste... Mas o pai parecia ter o mesmo sentimento de solidão e tristesa, então deve ser algo que eles passaram em comum. Era isso que você acharia se você olhasse os dois andando na rua.
-Você também está no meio dessa confusão com a minha família, não é? - perguntou Hana, sem olhar o homem – Nossa família... Você também é um Asakura, não é?
-Como descobriu? – ele não parecia surpreso.
-Você se parece com aquele homem que chegou na minha casa.
-Aquele homem? – perguntou Hao, e depois sorriu, entendendo de quem ele estava falando – Você quer dizer o seu...
-Sim. – interrompeu ainda olhando para baixo – O meu... pai. – Hana parou um momento. Era estranho. Ele nunca usou aquela palavra antes. Era... Estranho. Parecia ser forçado. Ele não estava acostumado. Não parecia certo. Ele não sentia como se aquele homem... Aquele estranho que ele viu por apenas alguns segundos era o seu pai. Não parecia certo.
Então ele olhou para Hao.
-Vocês dois são parecidos.
Hao sorriu.
-Somos gemêos identicos. É normal que sejamos parecidos.
-Então você é meu tio? – perguntou Hana, agora um pouco surpreso – Por que eu nunca te vi antes?!
-Você nunca viu seus proprios pais, Hana. – numa maneira bem suave e gentil ele disse aquilo. Em simpatia.
-Sim... Mas... Eu conheço minha avó. E qunado eu era pequeno eu me lembro do meu bisaavô e avó. São só os... – hesitou novamente – Meus... pais, - novamente, ele estava se forçando a dizer aquela palavra. Ele não conseguia imaginar aqueles dois como seus pais – que eu não conheço.
-Digamos que eu e o resto dos Asakura não nos entendemos. – respondeu Hao – Nós temos idéias diferentes sobre as coisas. Somos inimigos.
-Inimigos? – perguntou Hana confuso.
-Sim. Durante o Shaman Fight tinhamos idéias diferentes do que fazer como Shaman King. Por isso somos inimigos. Os seus pais te deixaram para vir atrás de mim.
-O Shaman Fight já tinha terminado quando eu nasci.
-Sim. E seus pais achavam que eu estava morto, mas estavam errados. – Hao começou sorriu, tentando segurar uma risada enquanto se lembrava a noite em que Yoh e Anna descobriram que ele estava vivo – E para te proteger, eles vieram atrás de mim.
-Proteger? – Hana repitiu, e depois deu uma risada seca – Certo... – foi um comentario um tanto sarcastico para uma criança de 6 anos – Isso significaria que eles se importam comigo e...
-Mas eles se importam. Eles te amam Hana. – os dois já estavam andando novamente.
-Se for o caso eles tem uma maneira estranha de mostrar... – disse o pequeno, lagrimas estavam começando a se juntar nos seus olhos – Eu vejo pais e filhos juntos o tempo todo. – e nesse momento ele virou a cabeça para uma família saiu de hotel, os pais segurando o pequeno filho, provavelmente apenas um ano mais novo que Hana. Todos sorrindo. Hana não pode deixar de sentir uma dor no coração. Uma sensação de vazio. Era como se ele jamais teria um momento assim – E os pais que amam os filhos geralmente não o abandonam.
-Foi minha culpa. Você não deveria me culpar? – perguntou Hao, olhando para seu sobrinho.
-Eles são seus inimigos. Por que está protegendo? – Hana olhou para Hao, curioso.
-Não estou protegendo. Estou dizendo a verdade. – disse – Eu quero que você confie em mim, e para isso preciso te dizer a verdade. E você acabou de descobrir que as pessoas que você ama mentiam para você, então não é um bom começo se eu mentir, não é?
-Você mentiu mais cedo quando não me contou que era meu tio.
-Não. Você só não perguntou. Eu nunca disse a nossa relação. – sorriu – Para ser sincero, até alguns dias atras EU não sabia da mentira que contaram para você.
-Então posso perguntar o que você quer comigo? – perguntou Hana.
-Simples. Você é o filho do meu inimigo. Você é um xamã que terá um grande poder quando aprender a usá-lo. Eu o quero do meu lado. E quero usá-lo para poder derrotar os seus pais.
-Então você só quer me usar? – perguntou surpreso, olhando para seu tio.
-Sim. – respondeu – Entendo que não é algo que você queira ouvir, mas é a verdade.
-E quando eu não for mais de uso para você... O que fará? – perguntou.
-Relaxa. Eu não vou te matar. Eu quero você do meu lado por um bom tempo. Não irei deixar que nada aconteça com você.
-E se eu não quiser ir para o seu lado? – perguntou Hana.
-Então para onde vai? – quase riu quando ouviu a pergunta de Hana – De volta para os seus pais? De volta para os Asakura? Ou vai para a casa de algum amigo seu?
Com isso Hana abaixou a cabeça. Ele não tinha interesse em morar com aqueles que o abandonaram. Quem pode garantir que eles não vão fazer a mesma coisa de novo? E como seria viver com dois estranhos? Hana não queria ver os dois. Pelo menos, não por enquanto. E voltar para os Asakura? Aqueles que mentiram para ele? Provavelmente acharam que ele era um idiota durante todos esses anos. Ele provavelmente era. E amigos? Que amigos? Hana nunca teve amigos.
-Você terá a sua chance de mudar de idéia. Eu tenho certeza que seus pais não iram desistir tão facilmente. – Hao olhou para trás – Estou supreso que eles não vieram ainda,mas mesmo assim... Eles virão.
-E se eu decidir voltar com eles depois de um tempo.
-Então terei que elimina-lo, junto com o resto dos Asakura.
A Anna não falou nada desde que os outros nos deixaram sozinhos. Eu não posso culpá-la. Na verdade, eu acho que também não falei nada. Na minha cabeça eu fico revivendo o que aconteceu. Hao apareceu e levou o nosso filho. Quando finalmente achavamos que poderiamos ter uma vida em paz, Hao arruina tudo. Ele provavelmente sabia sobre o que a Tamao tinha feito e tirou proveito da situação. Ele tirou proveito do momento em que Hana-chan estava confuso e o levou. Eu não posso perdoa-lo.
Eu sei que meus amigos estavam certos. Eu sei que se eu for atrá de Hao agora, eu iria morrer. Morrer na frente de Hana-chan. E Hao iria vencer. Eu sei que isso irá acontecer se eu sair nesse momento mas... Mas... Eu não aguento! Meu filho, meu pequeno filho que eu não parei de pensar nem por um segundo, que eu tanto sonhava em conhecer, que eu queria ver crescer, que eu prometi que iria levar ver Sakuras durante o festival, nas mãos do Hao nesse momento. Eu deveria estar com ele agora! Eu deveria estar abraçando Hana-chan e ouvindo sobre como ele cresceu, como ele está indo na escola, vendo os desenhos dele, brincando com ele e quando ele dormisse eu o colocaria na cama para no dia seguinte e tomar café... Iriamos começar a ser uma família... Começar? Não... Iriamos continuar a família que começamos. Começar de onde paramos. Era isso que deveria estar acontecendo nesse momento, e não esperando minhas energias voltar para poder salvar Hana-chan do Hao.
-Ele deve ser que nem você. – Anna quebrou o silêncio, me surpreendendo – Quando bebê ele era uma versão loira do que você era quando bebê. Agora ele deve estar igualzinho...
Eu abro um sorriso. A gente não conseguiu ver o rosto de Hana-chan, só os cabelos loiros. Ele pelo visto é tão preguiçoso quanto eu. O cabelo dele também é bagunçado. É um pouco maior do que o meu era, por isso parece ser mais bagunçado do que o meu era.
-Mas ele tem o seu cabelo e os seus labios. – eu digo sorrindo, enquanto me lembrava das vezes em que eu segurava Hana-chan nos meus braços, 6 anos atrás. Eu não pude deixar de sorrir.
Anna olhou para baixo, sorrindo. Ela faz isso varias vezes, geralmente quando pensando sobre Hana-chan. Ela provavelmente também está se lembrando da epoca que ela podia segurar Hana-chan em seu colo. E muitas vezes Hana-chan adorava ficar segurando o cabelo de Anna por horas, até conseguir dormir. Ele adorava o cheiro do cabelo da Anna. Eu me lembro de muitas vezes que eu fui chamar Anna e Hana-chan para jantar e achava os dois dormindo no sofa, Anna abraçando Hana-chan e Hana-chan segurando o cabelo de Anna. Eu não podia deixar de sorrir. As duas pessoas mais importantes na minha vida dormindo profundamente no sofa. Naquelas horas tudo parecia estar perfeito.
Estava tão perdido nas minhas lembranças que nem notei Anna se levantar e começar a andar pelo quarto. Ela está olhando tudo com bastante atenção, examinando cada canto do quarto de Hana-chan. Realmente, esse quarto mudou muito. O que antes era um quarto de bebê com um berço perto da janela, um moveu com gavetas onde se encontrava as roupas, fraudas, lençóis e outras coisas para o bebê e perto do berço uma cadeira de balanço e uma mesa de cabeceira, com abajur se tranformou num quarto de um menino, com um futon, uma escrivaninha, uma mesa perto da janela e no armario ficavam as roupas. Era quarto meio simples na minha opinião, meio diferente do que eu esperava... Me lembrava muito o quarto que eu e a Anna tinhamos quando crianças.
-O que está fazendo?- perguntei curioso, enquanto via Anna ´procurando algo na escrivaninha de Hana-chan, onde o material escolar ficava.
-Achei. – disse, pegando uma tesoura e se virando para mim. No momento fiquei assustado. Ela tinha um sorriso no rosto. Acho que é instinto ficar assustado quando você vê Asakura Anna segurando uma tesoura e sorrindo para você. Mas depois notei que o sorriso dela era gentil e não... O-sorriso-malvado-da-famosa-itako-Asakura-Anna-que-mostra-que-você-está-encrencado. Ela então olhou de volta para escrivaninha por cima de seu ombro – Ele é um pouco bagunceiro... Não muito que nem você, mas também não deixa as coisas tão arrumadas. – ela soltou um riso enquanto observava as coisas de nosso Hana-chan. Eu nem notei que também estava sorrindo.
Anna então veio na minha direção e sentou atrás de mim. Eu virei minha cabeça para trás mas ela gritou:
-Não vire a cabeça, imbecil!! – gritou irritada – Eu estou com uma tesoura! Faça isso numa hora errada e você fica cego!
-Sim senhora! – digo e viro novamente. Ela então pega meus cabelos longos e os junta, como se fosse prende-los num rabo-de-cavalo. Agora entendi o que ela quer fazer. Quando estavamos voltando eu e Anna decidimos que iamos cortar o meu cabelo. Ele me atrapalhou muito nas batalhas.
Foi rápido. Ela juntou tudo e cortou, segurando todos os cabelos que foram cortados, para nada cair no chão do quarto do Hana-chan. Depois ela soltou e jogou tudo no lixo e deu uma olhada. Eu sei que meu cabelo agora está mais ou menos da mesma altura que era quando tinha 16, menos pela parte da frente, a franja, que sempre foi maior.
-Como prometemos, seu cabelo está curto novamente. – disse devolvendo a tesoura. Eu achava que ela iria se virar e sentar do meu lado novamente, mas não. Ela ficou parada, olhando para escrivaninha de Hana-chan. Algo chamou a atenção dela. E posso ver pela posição do corpo dela que é algo que a fez sorrir.
Anna então pegou alguns papes e se sentou do meu lado. Eu também abri um sorriso quando percebi o que ela estava segurando. Eram os desenhos de Hana-chan.
-Ele escreve. – disse, e Anna me olhou confusa. Dai eu apontei para um canto do desenho dele. Estava escrito o que era e ele tinha assinado. "Sakura" em hiragana e "Asakura Hana" em Kanji, depois a data. Kawaii... Eu copnsegui sentir meu sorriso ficar maior. Ele desenhou o que seria um campo verde e uma árvore isolada. As folhas da árvore eram de um rosa claro, e no fundo azul do céu tinha pontinhos rosas do mesmo tom, o que eu percebi que eram as flores caindo. Ele ainda adora Sakuras. Quando bebê ele ficava assistindo as Sakuras atentamente, e quando trocavam de cena ele começava a resmundar e depois me olhava, como se estivesse pedido para colocar de volta. O motivo que ele fazia isso era porque as vezes eu trocava de proposito, só para ver ele me olhando daquela maneira. Parecia a Anna.
O proximo desenho não nos fez sorrir. Era um desenho de uma tesmpestade. Tinham cores escuras. Roxo escuro, preto, cinza, verde escuro, marrom, azul escuro... E a única coisa que era claro um amarelo no meio vindo do topo e chegando a parte de baixo. Era um raio. E no canto eu pude ver um garotinho chorando. Era um amarelo escuro. Era Hana-chan.
-Ele ainda tem medo de tempestades... – disse Anna. Eu pude ver que ela estava triste. Durante 6 anos Hana-chan passou por muitas tempestades. Como deve ter sido passar por algo tão assustador sozinho
Eu olho para o lado de fora e fico aliviado a ver muitas estrelas. Nenhuma nuvem no céu. Ainda bem... Na proxima tempestade eu e Anna estaremos ao lado de Hana-chan.
Depois vinham outros desenhos parecidos... Alguns eram da Tamao e do Ryu, outros da escola, mas a maioria era de paisagens da natureza, sendo que Sakuras eram o que mais apareciam. Tempestades também pareciam bastante. E animais! Diferentes animais! Gatos, cachorros, coelhos, tigres, ursos... Muitos animais! Cada um de um jeito único. Não dava para não sorrir enquanto eu olhava e examinava cada um daqueles desenhos. Analizando cada traço e notando as cores, descobrindo o que ele estava sentindo quando fez aquele desenho, descobrindo cada vez mais sobre o meu filho, cujo a infancia eu perdi.
Depois tinha uma folha de caderno. Tinha a data de hoje e o nome dele.
-Dever de casa. – Anna disse tão de repente que me assustou. Eu a olhei e depois olhei novamente para o desenho. Realmente era um dever de casa. Provavelmente de caligrafia. Ou será que eles já chamam de Japonês na série que o Hana-chan está? Eu não tenho maneira de saber. Até os oito de idade eu estudei com vovô, depois entrei na escola, fiquei dois anos e voltei a estudar em casa. Ai voltei e depois de uns meses fui para Tokio. Então eu realmente não tenho idéia como o sistema de escola funciona durante esses primeiros anos. Eu estava começando a pesquisar, assim eu e Anna iriamos saber de tudo que precisavamos. Anna também não entende muito sobre escolas. A primeira escola que ela estudou foi aqui em Tokio. Antes vovó que ensinava a Anna.
Três frazes. A primeira "Eu adoro Sakura." Dava para ver que ele tomou seu tempo para escrever, e como toda a letra de criança, era um pouco tremida. Mas para a minha surpresa a letra dele era bem melhor do que a minha era aos 6 anos. E aposto que era bem melhor da de muitas outras crianças. Hana-chan certamente presta atenção nas aulas.
A segunda era "Eu tenho medo de tempestades."Novamente eu e Anna nos sentimos horriveis. Esse terror que Hana sentia quando bebê o acompanhou por todos esses anos e nós, nós, os pais dele, que deveriam estar lá cada vez que ele precisasse não fizemos nada para ajudá-lo! Pior! Eu e Anna não PODIAMOS ajudá-lo! Eu e Anna sofremos tanto cada vez que tinha uma tempestade, lembrando de como Hana-chan chorava desesperadamente a cada trovão. Nós queriamos ajudá-lo mas não podiamos! Foi horrivel...
A última fraze foi uma surpresa. "Eu odeio cabelos loiros.". Eu tive que ler de novo. E de novo. E de novo. Não mudou. E não fazia o menor sentindo! Hana-chan... Hana-chan sempre adorou o cabelo da Anna! Quando Anna estava segurando Hana-chan no colo ele ficava segurando os cabelos de Anna e tentava pegar os proprios cabelos e juntar os dois. Anna sempre sorria quando ele fazia isso. Na verdade, se Anna estivesse perto de Hana-chan ela iria sorrir, não iporta o que.
-Anna... – eu a olho, e o olhar que ela tem me assusta. Era uma mistura de raiva e tristesa. – Anna, eu tenho certeza que ele...
-Ele foi sincero no que escreveu, Yoh. – disse Anna, se levantando e indo para a janela – A cor do cabelo dele é assim por minha causa. Ele achava que Tamao era a mãe dele, então ele não sabia de onde ele tinha aquela cor de cabelo... Lógicamente as crianças implicam com ele por causa disso. É natural ele odiar o que o faz diferente e o que o causa dor.
Agora entendi. Anna estava com raiva das crianças por fazerem Hana sofrer, e triste porque Hana-chan sofreu tanto e ela não pode ajudá-lo. Eu estou sentindo a mesma coisa. E eu entendo completamente o que Hana está passando. Eu também sofri muito na minha infancia porque eu era diferente.
-Mas isso não vai mais acontecer. – disse Anna, se virando e me olhando –Nós iremos resgatá-lo, e depois tudo será do jeito que dever ser!
Sakura, Capitulo 06: Pensamentos, Completo.
Bem... Eu não sei o que dizer. " Desculpa pela demora? Vai demorar um tempo até essa fic ser atualizada, porque agora eu tenho que trabalhar na All For You. Essa capitulo foi divertido de escrever. XD
E... O que dizer... Ah sim! Essa fic e All For You são as minhas últimas fics em português. " Eu já tenho 3 oneshorts em Inglês, uma sendo Momo-chan, e duas sendo orginais que não tem em Português. De qualquer maneira, aqui na parte português de SK qause não tem mais fanfics YohXAnna (só leio YohXAnna... YOHXANNA 4 EVR! DDDD) e os leitores quase não dão reviews... Fiquei meio desanimada, então eu decidi que quando eu terminar Sakura e All For You não terei mais fics em português, só em inglês. Gomenasai!
Lembrem-se: 3 reviews e eu começo a escrever.
Respondendo Reviews:
Estrela Negra: Sim! E agora outro capitulo novo! D Sim... E as coisas vão piorar cada vez mais... risada malvada da Smart Angel Eu tenho GRANDES planos para o que vai acontecer... principalmente o final. pega um guarda-chva já sabendo que será atacada por reviews reclamando do final De qualquer maneira, obrigada pelo review! D E desculpa que não saiu tão rapido, mas está aqui!
Artemys Ichihara: Eu já li a sua fic, e vamos ver se dessa vez o faz o que eu pedi e me manda e-mails quando você atualizar... E você está me matando de suspense! Atualiza logo, ok? E não mate o Hao-sama não... TT Ele não é muito malvado... E ele vai fazer algumas coisas mais ruins e vai ficar bem confuso... Hao-sama! Se você gostou da Anna no capitulo anterior esepro que tenha gostado nesse também! Eu adorei fazê-la! D
Nihal elphic: hum... Acho que vale! XD Sim, da mesma pessoa vale! Eu sei como é... Comigo as vezes eu escrevo um review enorme ai quando eu vou enviar a internet cai e o meu review some. TT É tão triste... Pode deixar, eu entendo! XD Ah, desculpa... " Eu sei como é quando demora muito. Mas dessa vez eu passei um tempo na casa da minha avó e não pude escrever, depois ela passou um tempo aqui e ficou no meu quarto, então não pude escrever novamente. " Vou tentar não demorar muito proxima vez, tá? Vou tentar. " Eu sei, eu também não gostei do cara do carro... Mas eu queria criar alguém que acabasse mostrando para Yoh e para Anna o que aconteceu com Hana, então eu pensei no cara do carro... mas relaxa, eu não sei se vou colocar ele novamente na fic, então se quiser eu faço um aviso e digo que ele sofreu um acidente! XD
s2 Asakura Anna s2: Ele precisava ganhar a confiança de Hana-chan de alguma maneira, né? XD Mas não se preocupe, Hao-sama não será 100 malvado... Ele precisa tomar conta do Hana-chan, né? Ah, eu não tenho coragem de matar o Hao... TT É difícil... Mas relaxa, as coisas vão melhorar no final e todos vão ficar felizes... E depois vai acontecer uma outra coisa que não posso falar. XD
ritagatita: Obrigada! Que bom que achou ótima! Eu demorei, mas pelo menos atualizei, né? XD Review de novo, ok?
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