Capítulo 2: O Homicídio
As horas seguintes passaram rapidamente. Falei com a minha tia Elli, mas não mencionei o que tinha ouvido sobre as dividas que ela supostamente tinha. Depois ainda fui até à cozinha, onde a Lionna estava a preparar um maravilhoso bolo de chocolate. Não resisti a enfiar um dedo na massa e prová-la.
"Menina Sally, não deve fazer isso. Ah, ainda parece uma criança. Quando era pequena é que adorava comer a massa do bolo. Mas sem estar cozido, faz mal." disse Lionna.
"Eu sei. Mas também não comi quase nada. Lionna, já viste como o ambiente ficou tão pesado depois de ontem?"
"É verdade menina. As questões de dinheiro são sempre complicadas. Ouvem-se tantas histórias de famílias que se dividiram por causa do dinheiro. Espero que este não venha a ser o caso, mas…"
Com o passar das horas, o meu pai e a minha mãe foram enfiar-se na biblioteca com a minha avó. Vi logo que a minha mãe tinha ido tentar convencê-la a não retirar o meu tio do testamento e o meu pai tinha ido apenas para apoio moral. De qualquer maneira, não resultou e a minha avó permaneceu inflexível.
Depois foi a vez da minha tia ir até à biblioteca. Eu percebi logo que ela iria tentar que a minha avó não alterasse o testamento, para ver se recebia mais dinheiro. Talvez as dividas dela sejam bastante elevadas.
Depois foi a vez do meu tio Frederic e da Stella se enfiarem na biblioteca com a minha avó. Os gritos ouviram-se pela casa toda e viu-se logo que não tinham chegado a acordo. Por fim foi a vez do meu primo Donald ir até à biblioteca. Fiquei curiosa para saber o que é que ele tinha ido falar. Não me parecia que fosse interceder a favor do pai.
Ao final da tarde, reunimo-nos todos na sala. Não era uma reunião amigável, mas a minha avó tinha decidido juntar-nos todos novamente. Lionna encontrava-se de pé, perto da porta da sala. Stella olhava para todos com desdém e o meu tio Frederic andava de um lado para o outro. Reparei que andava quase aos zigue zagues e percebi que ele tinha andado a beber.
"Esta tarde, vocês não me deixaram em paz." disse a minha avó, levantando-se. "Só a Sally e a Lionna é que me deram descanso. De resto, todos vocês me andaram a encher a cabeça por causa do testamento. Ah, o Donald também não foi lá para me aborrecer. Enfim, os meus netos é que são sensatos."
"Pois, mas a mãe não é!" gritou o meu tio, furioso. "Não pode excluir-me do testamento!"
"Posso e vou fazê-lo."
A minha avó caminhou até uma mesa que tinha bebidas e serviu-se de uma bebida. Era sumo de beterraba, que a minha avó adora, mas que todos os outros detestam, incluindo eu própria.
"Você é uma velha decrépita e estúpida!" gritou o meu tio. "Um dia vai pagar por me retirar do testamento!"
"Isso é uma ameaça?" perguntou a minha avó, sorrindo. "Não tenho medo de ti, Frederic."
E então, tudo se passou tão depressa que ainda hoje não me lembro de tudo claramente. Sei que o meu tio se aproximou rapidamente da minha avó e até temi que lhe fosse bater. Em vez disso, tirou-lhe o copo da mão e bebeu o sumo de beterraba.
"Você só sabe é ser forreta e beber esta porcaria que ninguém gosta! Detesto-a!"
O meu tio foi até à mesa das bebidas e pegou na garrafa com o sumo de beterraba. De seguida começou a beber o sumo todo. A minha mãe e a minha tia levantaram-se rapidamente, mas o meu tio bebeu tudo até ao fim. E então, virou-se para a minha avó, começando a insultá-la.
"Frederic, pára com isso!" gritou a minha tia.
"Controla-te homem." disse o meu pai, levantando-se do sofá.
Segundos depois, o meu tio calou-se subitamente. Arregalou os olhos e caiu para a frente, estatelando-se no chão.
Durante uns segundos, ficámos todos atónitos, olhando para a cena. Depois olhei para a minha mãe, já que ela é médica, mas ela parecia tão chocada que achei que iria demorar a mexer-se, por isso aproximei-me eu do meu tio.
"Tio? Está bem?" perguntei eu.
O corpo do meu tio estremeceu uma e outra vez. Lionna soltou um gritinho abafado. Abanei o meu tio, que tinha fechado os olhos e tentei que ele voltasse a si, mas sem sucesso.
"Temos de chamar uma ambulância." disse a minha tia Elli.
"Deve ter-se sentido mal." disse o meu pai.
Eu peguei no pulso do meu tio e fiquei alarmada. De seguida encostei a minha orelha ao peito do meu tio. A minha avó deu um passo em frente. Eu levantei-me e encarei-os a todos.
Apesar de serem os que mais conviviam com o meu tio, o Donald e a Stella pareciam ser os mais calmos. A minha mãe parecia aterrorizada e o meu pai já estava com o telefone na mão, pronto a chamar uma ambulância.
"O tio... ele está morto."
A minha avó soltou uma exclamação abafada logo de seguida. Stella ergueu-se, dando um passo em frente, enquanto Donald parecia surpreendido com a morte do pai, a minha tia Elli ficou pálida e a minha mãe começou a chorar, sendo logo abraçada pelo meu pai.
"Mas como é que o Frederic pode ter morrido?" perguntou Stella, mais indignada do que triste, pelo menos a meu ver. "A bebida tinha lá alguma coisa!"
"Nisso a Stella tem razão." disse a minha avó. "Frederic... eu não queria que ele morresse..."
"Isto é tudo culpa sua!" gritou Stella, apontando um dedo acusador à minha avó.
"Temos de chamar a polícia." disse o meu pai.
"A polícia..." balbuciou a minha mãe.
"Nestes casos, é necessário." disse eu, suspirando. "Vou ligar à polícia então."
Ao contrário do que eu esperava, a policia não demorou muito para chegar. A operação foi liderada pelo inspector Terence, um homem sisudo e que impunha bastante respeito.
O corpo do meu tio foi levado para ser feita uma autópsia e fomos todos interrogados. Como ficou a suspeita de crime no ar, levaram também a garrafa por onde o meu tio tinha bebido e copo. Ficámos também impedidos de nos afastarmos da mansão, pois podia ser necessário interrogar-nos novamente.
Essa foi a noite de Natal mais triste de sempre. Stella enfiou-se no quarto e ninguém quis sequer aproximar-se dela. A minha avó fechou-se na biblioteca. A minha mãe andou o resto do dia super nervosa e tomou um comprimido para dormir.
O Donald desapareceu e sinceramente fiquei sem saber para onde foi. A minha tia Elli saiu e só voltou bastante mais tarde. O meu pai ficou ao lado da minha mãe e sinceramente nunca cheguei a saber para onde foi a Lionna.
Quando me fui deitar, lembrei-me do que o Donald tinha dito, de se livrar do pai e fiquei receosa. Será que era a isto que ele se referia? Mas o Donald, um assassino? Depois de bastante tempo, adormeci.
No dia seguinte e apesar de ser dia de Natal, não houve entusiasmo na mansão. A meio da tarde, o inspector Terence veio ver-nos e todos nos reunimos na sala de estar.
"Meus senhores e minhas senhoras, depois de realizada a autópsia e a análise à garrafa com a bebida ingerida pelo senhor Frederic Marshton, foi verificado que o senhor Frederic morreu de envenenamento. O veneno estava na bebida que ingeriu."
"Mas que veneno era?" perguntou a minha tia Elli.
"Chama-se arsénico. Quando usado em pequenas doses, não é fatal e até já foi utilizado como medicamento para dormir. Mas em grandes dosagens, como era o caso e considerando que foi ingerida uma garrafa inteira com arsénico, foi fatal."
"Mas espere lá." interrompi eu. "Se o meu tio tivesse tomado só um copo do sumo de beterraba, não teria morrido."
"É verdade, mas tomou."
"Aqui em casa, só eu é que bebia aquilo. Todos detestavam aquele sumo, menos eu. O meu filho estava enraivecido e bebeu tudo..."
"Pois. Como ele já tinha ingerido bastante álcool, o processo de envenenamento deu-se mais depressa. Agora, senhora dona Raisa, se era você a única que bebia aquela bebida, então provavelmente o veneno era para si."
A minha avó abriu a boca de espanto, mas logo de seguida abanou a cabeça.
"Pois claro. Quem quereria matar o Frederic? Ninguém. Mas a mim sim, por causa do testamento."
A minha avó olhou à volta da sala. Stella permanecia fria como mármore, os meus pais estavam abraçados um ao outro, a minha tia Elli estava séria como poucas vezes a vira.
"Eu ontem de manhã bebi da garrafa." disse a minha avó. "Não me aconteceu nada. Portanto, quem quer que seja que lá tenho posto o veneno, foi depois disso e teve de ser alguém cá de casa, porque não veio cá mais ninguém."
"Está a dizer que algum de nós envenenou a sua bebida?" perguntou Lionna.
"Exactamente. Para me matar e impedir que eu fizesse um novo testamento."
"Isso é um absurdo." disse Stella.
"Seja como for, o motivo era matar e apesar de não terem matado a senhora Raisa, mataram outra pessoa." disse o inspector. "Aqui em casa havia arsénico?"
"Não." respondeu prontamente a minha avó.
"Eu tinha um frasquinho de arsénico comigo." disse eu.
Todos olharam para mim. Alguns surpreendidos, outros desconfiados.
"E porque é que tinha um frasco com arsénico consigo?" perguntou o inspector.
"Eu sou estudante de medicina. Trouxe a minha maleta e tudo. E lá pelo meio, estava um frasco com arsénico. Mas eu não envenenei a bebida."
"Mostre-me o frasco." ordenou o inspector.
Fui até ao meu quarto. Todos me seguiram. Senti-me bastante nervosa. Devia ter estado calada, mas eu não tinha nada a esconder, por isso é que admitira que tinha um frasco com arsénico. Abri a minha maleta, mas não encontrei o frasco.
"Não está aqui. Desapareceu." disse eu, incrédula.
O inspector pigarreou.
"Senhora Sally, tem de vir comigo. Está presa para averiguações."
Fiquei paralisada. Eu? Presa?
"Mas eu não fiz nada!" exclamei eu.
"Não pode pensar seriamente que a Sally é uma assassina." disse a minha avó, zangada.
"A minha filha não matou ninguém!" gritou a minha mãe. "Não a pode prender!"
"Lamento, mas ela admitiu ter o arsénico na sua posse. Uma pessoa morreu e agora o frasco desapareceu. Sally, é a principal suspeita do crime, por isso tem de vir comigo." disse o inspector.
"Ora, se o frasco desapareceu, a culpa não é da Sally. Ela não ia admitir que tinha o arsénico se fosse culpada, não acha?" perguntou o meu pai.
"A Sally também não é a pessoa mais esperta do mundo." disse Stella. "Pois eu acho que foi ela a culpada pela morte do Frederic."
Todos, com excepção do inspector, olharam para Stella friamente.
"Sally, venha comigo a bem ou terei de a levar à força." disse o inspector.
"Está bem... mas eu sou inocente." disse eu.
O inspector tirou umas algemas do bolso. A minha mãe soluçou e a minha tia Elli ficou vermelha de fúria.
"Isso é mesmo necessário?" perguntou Lionna. "A menina Sally não devia ser algemada."
"Ela é suspeita de um crime, por isso vai algemada. Mãos atrás das costas, por favor."
Preparei-me para fazer o que o inspector dizia, mas de seguida o Donald deu um passo em frente.
"Inspector, não é necessário levar a Sally. Ela é inocente. Eu é que sou o culpado pela morte do meu pai." disse ele.
Todos abriram a boca de espanto.
"Você está a confessar o crime?" perguntou o inspector.
"Sim. Roubei o arsénico e usei-o todo no sumo de beterraba. A Sally não sabia de nada e não tem nada a ver com isto."
"Se você confessa, então venha comigo. Mãos atrás das costas."
O inspector algemou o meu primo, enquanto eu e os restantes membros da família continuávamos atónitos.
"Filho, tu não mataste ninguém!" exclamou Stella. "Porque é que estás a mentir à polícia?"
"Eu sou o culpado, mãe."
"Donald, tu..." começou a minha avó.
"Avó, todos vocês, deixem-me agora. Vamos inspector."
O inspector levou o Donald dali para fora. Stella e a minha avó seguiram-nos, enquanto eu e os outros nos entreolhávamos.
"O menino David... a matar o pai?" perguntou Lionna, confusa.
"Mas como é que pode ser?" perguntei eu. "Mesmo que ele tivesse lá posto o veneno, o objectivo seria matar a avó. E eles dão-se bem. O Donald não tinha nada a ganhar com a morte dela, muito pelo contrário, já que o testamento ainda não tinha sido alterado."
"Oh, o que está a acontecer à nossa família..." disse a minha mãe, começando a chorar novamente.
Uma hora mais tarde, a minha avó chamou-me à biblioteca.
"Avó, não faz sentido ter sido o Donald a roubar o arsénico e a tentar envenená-la. Ele gosta muito de si." disse eu.
"Claro que gosta. E sei muito bem que não foi ele o responsável pelo que aconteceu." disse a minha avó, abanando a cabeça.
"Mas então porque é que ele confessou o crime?"
"Não é óbvio? Para te proteger, Sally. O inspector ia levar-te e o Donald não queria isso, por isso mentiu e assim o inspector levou-o a ele."
"Mas porque é que ele fez isso? Agora vai ser acusado do crime?!"
"Sim, mas para o Donald foi mais importante proteger-te a ti."
"Mas porquê?"
"Sally, querida, pensei que fosses mais observadora. Não se vê logo? O Donald está apaixonado por ti."
"O quê? Apaixonado por mim? Mas nós somos primos..."
"Ora querida, há tantos primos que se apaixonam, casam e têm vidas completamente normais." disse a minha avó. "No dia a seguir a eu ter anunciado que ia alterar o testamento, o Donald veio falar comigo e contou-me que gostava de ti e que ia fazer de tudo para conseguir ser independente o mais rápido possível. Claro que não se estava a referir a matar-me. Ele queria ser independente para depois te pedir em namoro. Achava que não ias olhar para ele se não tivesse um rumo na vida, algo de concreto para te oferecer. Estabilidade, compreendes?"
Deixei-me afundar no assento da cadeira. O meu primo gostava de mim? O tímido e distante Donald estava apaixonado por mim e estava a sacrificar-se. E queria dar-me estabilidade. Somos os dois estudantes e dependemos dos nossos pais, mas ele queria ter algo mais para me oferecer e agora sacrificou-se por mim.
"O Donald disse-me que já gostava de ti há três anos, mas era demasiado tímido para falar contigo e se declarar, além de ter medo de ser rejeitado."
"O Donald... coitado. E agora está a tentar proteger-me, mas a prejudicar-se a si próprio. Não posso deixar. O verdadeiro culpado pela morte do tio Frederic tem de ser encontrado!"
Saí da biblioteca minutos depois, determinada em descobrir quem tinha matado o meu tio. Tinha de descobrir e fazer com que o Donald fosse libertado. Pobre Donald, ele não iria querer matar a avó, nem o pai. Senti-me culpada por ter pensado que ele o pudesse fazer.
Mas tenho de o salvar! Ele está apaixonado por mim e está a sacrificar-se. Não vou deixar que o verdadeiro assassino se escape e o Donald fique preso. Decidi ir falar com a pessoa que achava mais provável de ter cometido o crime. A Stella, é claro.
Ela estava na sala, a ler calmamente uma revista. Fiquei um pouco chocada. O marido tinha morrido no dia anterior e ali estava ela, descontraída e com um vestido colorido. Grandes sentimentos que tinha pelo meu tio...
"Stella, temos de falar." disse eu.
Stella olhou para mim friamente.
"Pois, lá isso temos. O meu filho está a sacrificar-se por ti! Ele não cometeu nenhum crime. Não foi ele que pus o tal arsénico naquela bebida."
"Claro que não foi." disse eu. "Mas eu suspeito que foi você."
"Eu? Que estupidez. Não fui."
"Ora, não queria que a minha avó mudasse o testamento e se ela morresse, não o mudaria."
"É verdade que eu não queria que o testamento fosse mudado, senão o Frederic não receberia nada e consequentemente, eu também não. Mas se eu pensasse em matar a velha, contava com a ajuda do Frederic para isso. Não ia deixar que ele morresse em vez da velha."
"Ora, veja lá como é que fala da minha avó!" exclamei eu, zangada.
"Oiça Sally, eu não amava o meu marido. Esta é a verdade. No entanto, o Donald é o meu filho e não quero vê-lo preso. Mas não fui eu a responsável pela morte do Frederic. Cá para mim ou fui a sua mãe ou aquela empregada raquítica."
Protestei com a Stella. Que mulher desprezível! Acabei por me ir embora, mas apesar de não gostar dela, achei que ela me estava a dizer a verdade. Fui falar com a Lionna à cozinha e disse-lhe que a Stella suspeitava dela.
"De mim? Eu gosto muito da sua avó. Não quero que ela morra. Além disso, se ela morresse, eu ainda ficava desempregada e não ia ganhar nada com isso, apenas algum dinheiro do testamento." disse Lionna.
"Sim, lá isso é verdade... desculpa Lionna. Eu sei que não farias mal a ninguém, mas tenho de descobrir quem foi." disse eu.
De seguida fui até ao quarto dos meus pais. O meu pai não estava e a minha mãe estava deitada na cama, mais abatida do que alguma vez a vira.
"Isto é tudo um pesadelo." disse ela. "O Frederic morto, o Donald preso..."
"Calma mãe. Eu vou salvar o Donald. Tenho de descobrir quem é que é o responsável pela morte do tio Frederic."
"Mas como é que vais fazer isso?"
"Não sei. Mas não vou desistir. Vou salvá-lo."
Uma hora depois, estava eu a sair de casa. Fui visitar o Donald à prisão. Coitado, estava tão abatido e amedrontado.
"Sally, não devias ter vindo. Este ambiente não é bom para ti." disse ele, quando se sentou do outro lado da pequena mesa da sala de visitas.
Agarrei-lhe as mãos e ele pareceu surpreendido.
"Vou tirar-te daqui Donald. Prometo que vou."
"Sally..."
"A avó contou-me que gostas de mim." disse eu e Donald corou imenso. "Quando eu te conseguir tirar daqui, prometo que vamos conhecer-nos melhor... e quem sabe o que o futuro nos reserva."
Donald pareceu um pouco mais animado. Alguns minutos depois, fui praticamente forçada a ir-me embora por um dos guardas, pois o período de visita tinha terminado. Voltei à casa da minha avó. A minha tia Elli andava a passear pelo jardim.
"Tia, tenho de falar consigo." disse eu.
Falei-lhe então da conversa que tinha ouvido ao telemóvel e a minha tia empalideceu.
"Sim, é verdade, tenho algumas dívidas e estão a pressionar-me para eu as pagar. Mas eu nunca tentaria matar a minha mãe!"
Eu sempre acreditara na minha tia, mas nesse momento não estava convencida. Não estava convencida de que nenhum deles estivesse inocente. Até dos meus próprios pais estava a começar a desconfiar.
Voltei à casa, deixando a minha tia no jardim e decidi pensar e tentar descortinar os factos. Tinha de descobrir quem matara o meu tio o mais rápido possível!
E assim termina o segundo capítulo. Em vez de ter morrido a avó Raisa, morreu o Frederic e algum dos familiares da Sally é o responsável ou a responsável pelo crime. Mas qual deles? O próximo capítulo será também o último e irá descobrir-se quem foi o culpado ou culpada pela morte do Frederic. Até lá!
