Sakura volta para seu dormitório aquela noite, sua primeira noite, sua primeira noite sozinha em uma cidade nova. Mas não sozinha de verdade, porque Ino está lhe mandando mensagens e Kiba também, e Naruto alegremente lhe deseja boa noite antes de voltar para seu próprio quarto, e ela tem novos amigos e ela gosta deles.
Somente depois que ela fecha a porta e a tranca por precaução é que ela lembra que não gosta de si mesma.
As noites são o pior.
À noite, quando ela está sozinha, nenhuma lição de casa para distraí-la, quando seus músculos estão cansados demais para dançar e o mundo está quieto e tudo que lhe resta a fazer é pensar, ela não consegue fugir de sua ansiedade. Ela a faz engasgar como ferro ao redor de sua garganta. A dor de estômago que la aprendeu a ignorar volta com uma força vertiginosa e ela se arrepende tanto. Se arrepende da pizza que comeu de jantar no dormitório de Ino agora que ela ameaça fazer uma reaparição em seu sem graça carpete azul. Ela se arrepende tanto de pensar que podia fugir de verdade do que está atrás dela, quando isto fez um lar confortável em seu coração.
Ela toma banho em seu banheiro privado e usa um sabonete perfumado que a acalma. Lavanda é calmante e te ajuda a dormir, então ela massageia aquilo em sua pele. Shampoo e condicionador de hibisco. Esfoliante de rosto de jasmim. As vezes essas coisas a relaxam, mas essa não é uma dessas vezes.
Ela pisa fora do chuveiro e evita olhar a si mesma no espelho até que esteja vestida em shorts de algodão e uma blusa do Aerosmith. A batida acelerada de seu coração avisa o começo de mais um ataque de pânico então ela garante que a porta do banheiro esteja fechada e trancada antes de desabar no piso de linóleo com seus dedos cerrados em seu cabelo com força suficiente para machucar.
Sakura sabe seus mantras, as coisas que a acalmam quando ela fica assim. Você está segura. Você está segura. Ele se foi. Ele não pode mais te achar. Está tudo no passado. O passado não pode te machucar. Você está okay. Você está bem. Você está segura.
Eventualmente seus mantras funcionam, mesmo que a mensagem esteja um pouco diluída depois de repetida tantas (centenas, milhares) de vezes para si mesma. Minutos passam antes de sua respiração relaxar, antes do cômodo parar de girar e o aperto gelado do medo em seu coração abandone seu coração, antes das lágrimas proibidas que derramam de seus olhos congelem em suas bochechas. Então há o silêncio.
Foi uma tolice sua assumir que uma mera mudança de endereço seria o suficiente para curá-la de sua ansiedade nascida de uma noite que ela mal se lembra, e uma infância que ela desesperadamente deseja esquecer.
Centenas de quilômetros de distância do solo fértil de tantos de seus pesadelos, Sakura sabe que agora, mais do que nunca, ela está sozinha.
E ainda não está segura.
Sasuke avança seu punho mais uma vez no saco de pancadas e saboreia a forma que seus músculos queimam.
Os treinos de futebol vão começar na próxima semana e ele aguarda a adrenalina da competição, a saída física para tanta de sua agressão física. Mas ele não vai esperar pelo para começar a treinar, porque Sasuke treina a si mesmo. Ele é disciplinado. Ele adere a um regime restrito e força a si mesmo a fazer e ser o melhor.
É o jeito Uchiha. Sua família pode estar morta (mortamortanuncamaisvoltando), mas seu legado vive nele. Uchihas não falham. Uchihas não desistem. Uchihas são os melhores e ele não vai manchar a honra de sua família (que o deixou sozinho) que ele ama, então mesmo quando não precisa, ele força a si mesmo.
Três horas de treino, ele sente a familiar pontada nos lados que mostra que dessa vez ele foi longe demais. Mas ele a ignora e limpa a máquina de pesos que agora está encharcada com seu suor e espreita o saco de pancadas, a única coisa que ele ainda não experimentou na academia Hokage.
Ele visualiza seus inimigos enquanto derrama uma saraivada de socos contra o saco de areia. Ele não tem mais certeza de quem são esses inimigos. Todos aqueles de quem ele quis se vingar pelo amor de sua família se foram a muito tempo, mas o pulsar de raiva e o ódio ainda queimam nele. Talvez não tão quente e volátil como era antes, tão perto da superfície e guiando todas suas ações, mas fervente, ele acha, que seria o melhor jeito de descrever. Dormente até provocada, então libertada como um tigre até que ele não possa mais ir e a exaustão ganhe a luta e o clame.
Sasuke está competindo por meio de campo, e treina como um mercenário.
Todo mundo se foi da academia, e agora é só ele. É a primeira noite da faculdade; todos estão preocupados com festas de-se-conhecer e fazer novos amigos e escrevendo para casa. Mas Sasuke odeia festas e não precisa de mais amigos e não há ninguém em casa para ler as cartas que ele não vai escrever. Os únicos sons que se ouvem na academia são o de sua respiração irregular e o gemer da corrente que segura o saco de areia enquanto ela balança pra frente e pra trás.
É uma boa academia, ele decide, contente que seu suor e seu sangue mas nunca suas lágrimas estejam manchando cada equipamento em alguma extensão. Seus músculos doem agora. Duros que nem pedra e por baixo da pele de alabastro como seda sobre aço, eles são produto de seus esforços, mas Sasuke não se exercita por sua musculatura. Ele não se importa com a forma que se parece.
Ele se impulsiona pra frente. O objetivo é nunca olhar para trás. O objetivo é se esforçar e se esforçar e trabalhar e treinar e lutar e fazer tudo até que tudo que reste seja seu futuro.
Esse é o objetivo, ao menos.
De alguma forma não importa o quanto ele tente olhar para frente, ele não consegue evitar olhar para trás.
Até lá, contudo, ele treina. Ele não tem certeza de porque ele treina, mas talvez algum dia ele descubra.
Sakura dorme facilmente depois que o ataque passa.
Há muitas pessoas aqui em Konoha University então é sempre um pouco barulhento. Nem todo mundo está dormindo ainda e tudo bem por Sakura. Barulho significa pessoas pessoas significam que ela não está tão sozinha quanto se sente. Significa o fim de noites silenciosas passadas acordada temendo o som dos gritos de Papai ou os choros de Mamãe ou pior. Não há nada disso aqui. Nada além de um bando de jovens, estúpidas pessoas como ela tentando fazer algo de si mesmas. Sakura dorme bem.
Ela acorda cedo. Ela não é uma pessoa de manhãs mas é difícil não ficar animada com a expectativa de seu primeiro dia de aulas. Ela toma banho de novo só para passar o tempo e é meticulosa com sua aparência. Ela seca seu cabelo e o deixa liso com a prancha. Ela veste um par de shorts brancos e uma camiseta cor de areia e sandálias gladiador marrons que ela encontrou pela metade do preço. Um pouco de sombra rosa para evidenciar o verde de seus olhos, delineador escuro e uma camada de máscara para alongar seus cílios grossos.
Sakura confere sua mochila. Dentro ela tem cadernos vazios e capas, lápis e canetas e uma calculadora e tudo menos livros, os quais ela ainda não comprou na livraria já que seus professores recomendaram que ela esperasse até o segundo dia de aulas antes de fazer quaisquer compras. Ela checa seu horário duas vezes e vê que seu primeiro horário é uma palestra de psicologia às 9:15 do outro lado do campus, o que a dá uma hora para matar, então ela decide tomar café primeiro.
Ela coloca seus óculos escuros e sorri ao seu reflexo e e sai pela porta determinada a tentar.
Sasuke senta na última fileira do auditório de palestras.
Ele é o único na sala o que o diz que ele chegou a tempo. Seu pai o ensinou isso. Pontualidade foi perfurada nele até que ele não seja nada além de um autômato, desprovido de personalidade e opinião, um que sempre aparece antes de todo mundo e é mais apto que todo mundo.
A sala de palestras é grande e logo, ele sabe, estará cheia de estudantes. Ele não gosta de Psicologia mas ela é um pré requisito de seu curso. Ele não se importa porque criminosos cometem crimes ou Papai-nunca-me-abraçou ou nada disso. Se tornar um advogado não tem nada a ver com o desejo de reabilitação, pelo menos pra ele.
Mas ele ainda precisa dos créditos.
Eles chegam pouco depois disso. Um por um, um nervoso e sozinho em seu primeiro dia de aula, ou amontoado em escandalosos, grandes grupos. Sasuke ignora os frequentes olhares que ele recebe de garotas, risadinhas e suspiros. Ele mantem seus dedos entrelaçados em cima da mesa giratória e espreita sobre eles até a frente da sala, onde o professor ainda não chegou.
Ele vê a garota ali, sozinha e pesada por uma mochila que parece maior que ela. Seus olhos a observam enquanto ela olha para os lados tentando encontrar uma cadeira. Rapidamente ela o vê e o dá um pequeno (falso) sorriso, mas não faz nenhuma tentativa de se aproximar dele.
Aparentemente ela reconhece que só porque é amiga de Naruto isso não significa que é amiga de Sasuke. Inteligente dela.
Ele tenta não pensar nela, mas falha. Ela pega um assento no meio da sala onde ele tem a vista da parte de trás de sua cabeça, e ele encara o longo, liso cabelo rosa que cai atrás do encosto da cadeira. Cor tola. Garota tola.
Ele não está sozinho em observar a garota. Diferentes caras ao seu redor reparam nela, também, e Sasuke sabe que eles não a estão observando para desprezar seu fantástico cabelo rosa. Olhos seguem cada movimento seu enquanto ela remove sua mochila e tira um caderno e um lápis número 2. O estilo antigo que precisa ser apontado.
Até agora, Sasuke fez várias suposições sobre a garota e todas elas estiveram erradas. Ele deu uma olhada a sua aparência de contos de fada e decidiu que ela deveria ter uma vida de contos de fada, completa com uma mão amorosa e um pai e todos os despojos de um rico, privilegiado estilo de vida. Mas nenhum pai a ajudou a acomodar suas coisas. Tudo que ela possui é de segunda mão ou barato. Tudo que ela é é algo que Sasuke não consegue nem começar a entender.
Pensar sobre isso é irritante.
O professor está atrasado e sua desculpa é patética ("Eu fiquei perdido no caminho para a sala") e Sasuke pensa ainda menos de Psicologia do que antes.
Seu primeiro dia de aulas é um falho começo.
Negócios, como sempre.
Hey Cupcakes! Então... Não vou ficar me demorando com desculpas. Foram dois longos e difíceis anos (terceiro ano e primeiro ano de faculdade).
Mas enfim, gostaria de agradecer todas as reviews nessa história e pedir que continuem mandando reviews e seu encorajamento. Essa fanfic é incrível, sério mesmo, se fosse um livro, seria um best seller.
Eu espero que gostem e prometo continuar postando, porque eu estou de férias, então não há muitas desculpas haha.
Beijos, Cupcakes,
Holly.
