- O trabalho da minha vida é estudar dragões, menino. Acho que os encontrarei no baile, e doçura, não se esqueça do nome do seu salvador, sou Charles Weasley.
Após dizer isso o homem ruivo desaparatou deixando para trás um adolescente atordoado. Narcisa aproximou-se lentamente dos filhos e perguntou:
- Quem era aquele rapaz querido?
Draco tomou um susto enorme com a aproximação de sua mãe, e ficou um tempo sem falar nada coerente enquanto sua ela pacientemente aguardava uma resposta. Scorpius achava graça do fato de seu irmão está tão atrapalhado e disse:
- Aquele homem que veio buscar a gente era mau. Ele atacou o Draco, então chegou aquele príncipe de cabelo de fogo e o salvou.
Naquele momento o jovem sentiu que poderia morrer de tanto constrangimento, escondeu o rosto entre os cabelos de Scorpius na tentativa de não encarar sua mãe que apenas o olhava com a sobrancelha arqueada e de braços cruzados.
- Acho que precisamos de uns momentos sozinhos longe dos olhares de curiosos. Chamei uma carruagem e iremos até uma hospedaria de uma conhecida minha. Lá iremos nos arrumar para o baile e você mocinho irá me explicar o que aconteceu no momento em que foi a outra loja.
- Sim, mamãe. -Respondeu Draco ainda sem olhar para Narcisa.
Draco seguiu sua mãe até a carruagem, ele sabia que não poderia escapar da conversa, colocou Scorpius primeiro no banco depois entrou e estendeu a mão para Narcisa entrar também. Assim que estavam todos acomodados passaram a viagem calados, Scorpius escolheu aquele momento para ficar entretido com a paisagem,sem muita opção Draco fez o mesmo,embora não conseguisse relaxar pois,sentia o olhar de sua mãe cravado em suas uma conversa adulta,por causa disso ela ainda não tinha comentado nada.
O rapaz sentiu certo alivio quando a carruagem parou. Um jovem abriu a porta e os ajudou a descer. Ao olhar em volto percebeu que a hospedaria era bem modesta e mimosa, estranhou a escolha da mãe, pois a mesma sempre escolhia locais luxuosos e sofisticados. O local era feito de pedras e madeira, cercado de flores e todos os quartos com varanda.
- Então é esse o rapaz? – Draco virou-se em direção da voz e pode ver sua mãe acenando positivamente para uma mulher.
Sentiu-se invadido e desconfortável na presença dela, a mulher tinha olhos num raro tom de lilás, pele negra e um longo cabelo castanho escuro. Ela emanava uma aura forte, tentou manter-se calmo e não mostrar-se tão intimidado na presença daquela mulher.
- Falando sobre mim? Permita-me apresentar Draco Malfoy, ao seu dispor - Então fez uma leve reverencia e inclinou-se para beijar-lhe a mão.
- Zayrah Kalitch, estou honrada em conhecê-lo. Entrem,e minha querida não se preocupe,faça a sua parte que eu faço a minha.
Mesmo estando intrigado segurou a língua para não perguntar sobre o assunto misterioso em questão. Ele pressentia que esse era o motivo para a mãe estar tão nervosa. A família Malfoy caminhou até o quarto indicado por Zayrah, onde poderiam relaxar e se trocar para a festa. A senhora Malfoy começou uma série de feitiços para deixar o seu filho mais novo entretido. Draco sentou-se na cama e começou a narrar o que tinha acontecido no momento em que saíram da loja acompanhados de Bunescu.
Enquanto escutava o relato de seu filho, Narcisa não pode deixar de se recriminar por ter sido tão tola aponto de deixar seu rapazinho ser levado por um estranho. Ela então apenas o abraçou e sussurrou - lhe palavras tranquilizadoras dizendo que o que tinha acontecido não era culpa dele e que de certa forma ele agiu certo. Ela daria um jeito e se vingaria aquilo não poderia ser deixado em branco.
O adolescente sentiu-se mais aliviado depois de conversar com a mãe, tentou perguntar-lhe a respeito de Zayrah e ela apenas respondeu:
- Eu a conheci quando tinha sua idade, estava de férias da escola quando recebi uma carta que me oferecia um lugar no templo da deusa Hécate como um oráculo. A cerimônia iria começar quando eu completasse quinze anos então eu me dedicaria ao templo e a aprender a magia antiga e secreta que não é ensinada em escolas comuns. Minha família ficou felicíssima com a novidade e logo viajamos para a Grécia. Lá fiquei afastada da minha família e passei o resto das férias estudando junto com as outras sacerdotisas.
- E o que aconteceu? Porque você não entrou no clã? – Perguntou o rapaz.
- Bem, quando viajamos Andrômeda ficou em casa de castigo sendo vigiada por nossa tia Walburga. E sabe-se lá como ela escapou e casou-se com um trouxa. Uma sacerdotisa não pode se casar, deve permanecer virgem. Quando minha irmã fugiu de casa foi um alvoroço muito grande, afinal ela estava prometida para Lucius Malfoy, seria um grande escândalo se esse casamento que uniria nossas famílias não ocorresse. Então tive de desistir e voltar para a Inglaterra. Com minha desistência Zayrah tomou meu lugar como oráculo, nos testes ela tinha se saído em segundo lugar.
- Você se arrepende mãe?
- Claro que não, fiz o que era certo pela minha família. Ganhei filhos maravilhosos que muito me orgulham.
- Você ama o meu pai?
- Inicialmente eu não o amava, mas com o tempo e a convivência fomos aprendendo muito um sobre o outro. Por mais incrível que pareça seu pai é tímido em relação ao amor, ele não tinha muito tato e seu jeito frio às vezes me magoava. Quanto mais nossa relação crescia e amadurecia pude conhecer outras facetas de seu pai e percebi que comecei a amá-lo. Seu pai apaixonou-se primeiro. Eu tinha dezoito anos quando nos casamos.
- Entendo, eu vou me arrumar primeiro junto com Scorpius, sei como meu irmão é impossível na hora de sair e iria acabar estragando todo o seu planejamento.
Quando o filho entrou no banheiro junto do irmão, Narcisa aproveitou para dar uma olhada nas poções enviadas por Snape. Ela tinha feito uma réplica de sua aliança de casamento e de um anel de rubi. A aliança possuía um grande diamante e era perfeito para a discrição de seu plano. As réplicas possuíam as pedras ocas, onde ela depositou o conteúdo da poção. A mulher começou a pensar na sorte que tinha de possuir amigos verdadeiros. Severo e Zayrah eram as únicas pessoas que podia confiar.
Severo trabalhou duro para criar a poção que causasse um efeito que não deixasse rastros. Se no dia seguinte o casal fosse reclamar no ministério que foram envenenados por uma poção do amor e não queriam o casamento, o exame de sangue iria fazer com que o plano fosse por água a baixo e traria consequências aos envolvidos. Quando contatou Zayrah pensou que ela iria se opuser ao seu plano absurdo, mas, para sua surpresa a amiga concordou sem relutância ou questionamentos. Perguntou se ela também tinha tido uma visão e a única coisa que recebeu foi um sorriso.
- Mãe, estamos prontos antes de sair coloco a roupa do Scorpius. - Disse Draco depois de depositar o irmãozinho na casam e começar a enxugar-lhe os cabelos.
Draco vestiu uma calça social preta com a camisa de linho preta e um colete marrom. A roupa de Scorpius era muito parecida com a sua. Desviou o olhar para as joias de sua mãe que as tinha deixado em cima da penteadeira. Algo estava estranho, afastou-se da cama e foi em direção a elas, assim que colocou na mão sentiu a diferença, estavam pesadas, o brilho não era o mesmo, tinha algo errado ali. Ele queria analisar minuciosamente, porém seu irmão mais novo chamou sua atenção quando começou a correr atrás de seus brinquedos que estavam voando. Em um ato de magia involuntária os brinquedos começaram a flutuar.
- Esqueceu-se de colocar o gel, querido? Está começando a ondular, vai querer cortar? – Perguntou Narcisa para Draco.
O cabelo do rapaz não era totalmente liso como as pessoas pensavam, o uso frequente do gel o deixava domado e um pouco oleoso,quando ele ficava sem cortar o cabelo começava a ter um leve ondulado e ganhar mais volume,dando lhe o aspecto mais rebelde tão característico da família Black.
- Scorpius começou a me enlouquecer agora com um surto de magia involuntária. Não quero cortar agora, importa-se de ficar desse jeito mesmo. Não estou mais com paciência para isso.
Vendo o irmão irritado Scorpius fez beicinho e olhou-o com uma cara chorona. O bastante para amolecer o coração de qualquer um.
- Calma meu bem, Draco não está bravo com você, ele sabe que não teve culpa. -Disse Narcisa acariciando os cachos loiros do filho.
-Verdade?- falou dando uma leve fungada. Draco então suspirou e deu - lhe um beijo na testa e disse.
-Verdade. Er mãe, acho que tem algo de errado com seus anéis. O peso e a aparência deles estão diferentes do original. Porque está usando réplicas?
A loira amaldiçoou-se por seu descuido. Draco conhecia todas as suas joias, ela mesma o ensinara a diferenciar pedras falsas de verdadeiras. Não adiantaria mentir dizendo que ele estava errado, preferiu dar uma desculpa que não fizesse questionar mais:
- Mandei limpar, eu toquei em um objeto amaldiçoado na mansão e a aliança protegeu minha mão do conteúdo em si. Mas ficou manchada e vai demorar alguns dias para ser purificada. Não conte ao seu pai, ele ficaria irritado por eu estar mexendo no que não devia.
- Certo... – O garoto respondeu em um tom desconfiado.
Assim que saíram da hospedaria entraram na carruagem encantada e então os três seguiram em direção ao baile. Narcisa estava muito bela em seu longo vestido lilás bordado com pedrarias no estilo sereia, definindo suas curvas. Seu filho não pode deixar de notar que parecia ansiosa.
Logo chegaram ao seu destino, Igor Karkaroff morava em um castelo digno das representações góticas de romances vampirescos trouxas. Pode notar que seu pai os esperava na porta, assim que eles desceram do veículo, Lucius deu o braço para Narcisa, e então Draco ficou a esquerda de seu pai segurando o irmão.
- Minha nossa, Narcisa você parece que parou no tempo! Conte-me seu segredo para manter-se sempre tão jovem!Oh se não é o pequeno Draco! Que belo rapaz está se tornando, e o pequeno Scorpius! Tal qual um querubim!Lucius meu querido importa-se de eu roubar sua mulher uns instantes? Estou ansiosa para saber as fofocas da minha terra natal, deixe Scorpius conosco, eu e as outras senhoras estamos em outro salão com as crianças. – Draco apenas sorriu forçadamente para aquela mulher aleatória que os parou. Viu seu pai dar um leve sorriso e dizer que sim. Viu sua mãe parecer frustrada, mas sempre educada ao ser arrastada pela mulher gorda, que ele não fazia questão de saber quem era.
Então ficou com seu pai, não tiveram tempo de conversar logo se viu em uma roda onde os adultos falavam de política, economia, alianças entre famílias. Não perguntavam sua opinião, davam-lhe leves tapinhas nas suas costas, enquanto bebiam seus whiskys de fogo e fumavam seus charutos. Draco odiava aquele cheiro, estava super entediado.
- Seu filho está perdendo a sua juventude acompanhando velhos como nós. Apesar de ser um colírio para os olhos, ele merece estar no salão com outros de sua idade. Meu filho Ivan adoraria acompanhá-lo – Disse o homem, que para o seu horror era o pai de Ivan Bunescu. Pode ver ao longe o rapaz se aproximando.
- Agradaria-meu muito ter um tempo com ele, farei o que me pede, mas antes preciso ir ao toilet. - Draco falou, fez uma mesura e rapidamente saiu emaranhando-se entre as pessoas, mantendo-se ao máximo afastado de Ivan.
Mal percebeu quando foi puxado para dentro de uma sala. Assim que se virou para olhar a pessoa percebeu que se tratava do ruivo atrevido.
- Olá, nos encontramos de novo doçura. Não sei como você estava aguentando a conversa fiada daqueles velhotes.
- Já disse para não me chamar assim. E se quiser saber era um conversa muito interessante. E o que você faz aqui? Obviamente não se encaixa nesse lugar. - respondeu Draco.
-Tem razão doçura não me encaixo aqui e nem faço questão de pertencer a esse ninho de cobras. Só vim por causa do patrocinador do show, dinheiro extra é sempre bem vindo.
- Imagino vindo de uma família tão numerosa como a sua. Posso saber por que faz tanta questão de falar comigo?- Draco podia sentir sua veia saltar de irritação a cada vez que o Weasley o chamava de doçura.
- Você é uma pessoa interessante, principalmente quando fica de guarda baixa. Rony fala tanto de você. - Charlie nem terminou de falar e começou a rir ao ver o rosto espantado de Malfoy quando mencionou seu irmão.
- Isso foi estranho. Eu nem penso nessa criatura - Falou Draco em um tom alarmado. Na verdade quem sempre tomava conta de seus pensamentos era Harry Potter, importunar Ronald era apena pelo fato dele estar ao lado de Potter. Ninguém precisava saber disso.
- Quanto mais forte o ódio, maior é o amor. -disse Charlie, ele sabia que seu irmão não tinha interesses amorosos no loirinho, mas divertia-lhe muito incomodar o rapaz.
- Por favor, não me faça querer vomitar. -falou Draco claramente enojado ao pensar em tal possibilidade.
- Draco estive o procurando, oh! Senhor Weasley presumo. - Os dois rapazes pareceram surpreso ao ver a aparição repentina do professor de poções Severo Snape.
Sem muito questionar Draco foi até o padrinho. Charlie olhava aquela situação com total estranhamento, principalmente ao ver o professor colocar os braços por cima dos ombros de Draco e sussurrar-lhe algo no ouvido. Malfoy olhou para ele e disse:
- Estamos de saída. Solicitam minha presença. Com licença.
Snape disse - lhe que sua mãe Narcisa pedira para chama-lo.
- O que faz aqui padrinho? O senhor não é muito dado a festas. – perguntou o rapaz
- Motivos de força maior Draco. - Direto e simples, sabia que mesmo que o pressionasse seu padrinho nada falaria. No meio sombrio em que cresceu Draco aprendeu a não questionar demais certas coisas.
- Você o encontrou rápido Severo. Que alivio! – Narcisa comentou assim que os viu.
- Queria algo comigo mãe? – perguntou Draco.
- Nada demais, queria lhe apresentar Allan Krum, irmão mais velho de Victor faltava uma companhia adequada para a festa e decidi os apresentar.- Discretamente Narcisa virou-se e despejou o conteúdo do anel dentro de duas taças de champanhe . Quando ela ia pegar e entregar as taças aos dois jovens a sua frente, Scorpius passou por debaixo da mesa como um pequeno furacão junto de uma menina.
- Por favor, crianças não corram no salão! Vocês sabem que tem uma área especial para vocês!- Narcisa os repreendeu e desculpou-se com Allan sobre a falta de educação do filho mais novo.
O que ele não pode perceber foi quando as crianças na tentativa de imitar adultos trocaram a ordem das taças. Só não beberam, pois Severo os impediu. Nesse momento Charlie Weasley chegou e pegou uma taça, Narcisa pegou as duas que ela pensava que continham o conteúdo da poção e entregou para seu filho e para Allan. Sem imaginar que uma troca havia acontecido.
- Apenas hoje eu deixo certo Draco? – Narcisa falou risonha. Na poção que era para o seu futuro genro continha o cabelo de Draco. E na que seu filho tomaria não continha nenhuma parte do pretendente, pois ela esperava que através de um beijo a poção de Draco se ativaria. Seria complicado tirar um fio de cabelo ou amostra de sangue do pretendente sem que ele notasse. Então na primeira poção que não era destinada a Draco, junta da mistura continha um pouco de afrodisíaco para estimular a pessoa a roubar-lhe um beijo.
Dessa vez Snape não teve tempo de impedir o desastre o jeito era esperar e ver se os que beberam tinham alguma reação. Teve certeza que seu afilhado tomou a poção, o adolescente parecia corado e relaxado. Allan continuou agindo normalmente, não tinha o brilho no olhar nem reparava em Draco de um jeito especial. E para eu desgosto Charlie Weasley olhava encantado para seu afilhado, suas pupilas dilatadas indicavam o desejo. Percebeu que Narcisa deu-se conta do erro e antes que ela pudesse fazer qualquer coisa Draco disse:
- Mãe eu acho que preciso de um pouco de ar, sinto-me tão quente, meu coração bate tão rápido.
- Eu o acompanho- Charlie segurou o pulso de Malfoy e levou-o até os jardins. Narcisa e Severo tentaram ir atrás dele, mas antes que conseguisse alguns convidados puxavam-na para conversar e dentro de si ela sabia que não tinha mais tempo. O mesmo acontecia com Snape, por quase nunca comparecer em eventos sociais as pessoas o cumprimentavam o tempo todo.
Nos jardins Draco encontrava-se encostado no muro de pedra, Charlie tinha a respiração descompassada, eles ficaram olhando-se por um tempo que lhes pareciam infinito, Charlie fez o primeiro movimento passando o dorso da mão no rosto do mais novo.
- Sua pele é tão delicada, o seu cheiro é tão bom- Então passou o nariz no pescoço de Draco deixando-o rapaz todo arrepiado.
- Não diga essas coisas constrangedoras, você está tão perto... -O menino suspirava em seguida Draco engoliu em seco, se sentia tão quente, não queria impedir o contato.
Charlie então com dedo começou a contornar os lábios de Malfoy, o rapaz entreabriu os lábios e de leve passou a língua no dedo do outro. Aproximou seu rosto do de Draco, percebeu que ele não desviou continuava fitando - o profundamente. Então as bocas encontram-se e lutam debilmente, mordendo-se com os lábios, apoiando ligeiramente a língua nos dentes, brincando, os resquícios da amortentia em suas bocas tornava aquilo mais saboroso. Para o ruivo, enquanto explorava a boca do outro sentia o gosto de maçã verde, refrescância da menta, doçura da baunilha. O loiro sentia um sabor que parecia chocolate com pimenta, sentia um sabor viciante. Então, as mãos de Charlie procuram afogar-se no cabelo do menor, acariciar lentamente a profundidade do seu cabelo, enquanto beijavam-se como se tivéssemos suas vidas dependesse disso envolvidos na fragrância obscura que os impedir de raciocinar. Draco mordia-lhe os lábios, a dor é
doce; mesmo sem fôlego eles não se afastaram, Charlie percebeu Draco tremulo em seus braços e o abraçou.
Em um local afastado Narcisa e Severo olhavam a cena abismados, a mulher encostou o rosto no peito do amigo e em seguida fitou-o preocupada.
- E agora, o que faremos Cissa?
- Acho que daremos continuidade ao plano, infelizmente não temos mais tempo, Logo meu filho irá voltar para a escola e nesse meio tempo haverá o retorno do Lorde. Onde está Lucius?
- Atingi-o com um desmaius pelas costas e injetei uma poção de sono nele. Em seguida aparatei com ele até a pousada de Zayrah. Scorpius está junto com a elfa. Ordenei-lhe que não se afastasse do garoto nenhum segundo.
- Obrigada. Eu os levarei até o local da cerimônia através dessa chave de portal. Deixe Scorpius com Lucius e venha em seguida está bem?- disse apontando para o colar que usava. No momento em que ela tirasse e apertasse a pedra do meio eles seriam levados para o local.
- Entendido. - Dizendo isso viu Snape afastar-se e permitiu-se suspirar enquanto aproximava-se do casal.
- Imperio – Em choque Draco olhou para sua mãe quando a viu apontar a varinha para Charlie e gritar a maldição. Em seguida ela olhou para ele e disse.
- Quero que os dois toquem no colar – Com o olhar vidrado Charlie fez o que a loira mandou, Draco fez o mesmo por dois motivos, o primeiro era porque foi uma ordem de sua mãe e o segundo veio motivado pelo efeito da poção que o fazia não querer se separar de Charlie e protegê-lo de qualquer ameaça.
Ao tocar na chave sentiu um forte puxão atrás do umbigo, o chão sumiu sob seus pés, ao seu redor só via apenas um vórtice de cores difusas sem conseguir distingui-las com clareza, uma lufada de vento bateu por eles, e antes de perceber o chão apareceu tão repentinamente que eles perderam o equilíbrio e caíram sentados na grama fofa.
- Imagino que os dois queiram ficar juntos – falou Narcisa
- Sim queremos!- responderam juntos
- Por favor, senhora dê-nos sua benção. - pediu o ruivo
- Draco é menor de idade, eu só posso dá-la se você desposar meu filho.
- Eu aceito! Você aceita doçura? Casar comigo? – falava Charlie afobado.
Draco demorou a responder, ao ouvir o apelido que tanto detestava parecia que sua lucidez estava voltando. No entanto o efeito da poção era maior e obrigava-o a pensar que não podia deixar a oportunidade passar.
- Eu quero me casar com você, meu príncipe. - Se estivesse em seu estado normal Draco nunca diria aquilo. Sempre achou ridículo quando casais tinham aqueles comportamentos extremamente melosos.
Vendo o filho se comportar dessa maneira não pode deixar de pensar o quanto a Amortentia podia ser cruel. O que via era uma caricatura de um amor. Os suspiros, os sentimentos exagerados e a flor da pele que os impediam de raciocinar corretamente. Eles não questionavam a situação,para ficar ao lado da pessoa que eles supostamente amavam,valia tudo.
Não sabia dizer se aquele rapaz era suficientemente bom para seu filho. Ele estaria no lado da "luz" da guerra, fora da área de domínio do Lorde. Quando Voldemorte estivesse de volta na ativa primeiro iria dominar o território que já estivesse acostumado, só se vencesse a guerra ele iria expandir seus domínios, então ela sabia que por enquanto seu filho estaria seguro. Se o senhor escuro vencesse ela daria um jeito de manter seus filhos afastados.
Quando Lucius acordasse provavelmente iria querer deserdar o seu filho e proibi-lo de usar o sobrenome Malfoy. Ela então permitiria que ele usasse o sobrenome Black, garantindo assim a proteção dos ancestrais. O lado bom de ter seu filho queimado da arvore da família Malfoy é que ele não poderia mais ser rastreado através da ligação sanguínea.
Só despertou de seus pensamentos quando percebeu que Severo se aproximava. Ao seu lado o casal trocava juras de amor. O mestre de poções via a cena como se fosse algo que ofendesse seus olhos. Não podia deixar de pensar que seu afilhado merecia coisa melhor.
- Agora o que resta é eu assistir a cerimônia e implantar as memórias falsas no seu marido.
- Faça – o pensar que o plano foi feito por Draco e o jovem domador de dragões. -pediu Narcisa.
- Sei fazer meu trabalho, desde o inicio você sabia o quanto isso poderia acabar dando errado. - Falou Snape segurando os ombros da mulher.
-Rapazes, por favor, nos sigam. – Narcisa falou e deu um suspiro
Os garotos foram levados para dentro da floresta onde Zayrah que na verdade era também uma sacerdotisa descendente dos druidas, os esperava. Sendo ela a reger e a cerimônia e proferir os encantamentos tornaria tudo mais forte. Ela olhou para Narcisa e deu um leve aceno com a cabeça, e assim que os jovens se posicionaram no altar um de frente para o outro ela disse:
- Ad astra et ultra Amor vincit omnia ( Até os astros e além o amor tudo vence)
Dois feixes de luz dourada envolveram o corpo dos rapazes, pareciam correntes. Eles então deram as mãos e continuaram olhando-se profundamente.
Snape estendeu sua varinha e disse:
- Thie Aves Thiatlô Lom, Manrô Tai Sunkai! ( Que você seja abençoado com o sal, com o pão e com o ouro!)
Uma luz branca saiu da varinha e entrelaçou-se na dourada. Então Narcisa levantou sua varinha e proferiu:
- Bartai Sastimos Devlessa arakelame ( Tenham sorte e saúde,que os deuses os protejam.)
Um feixe de luz azul surgiu e ficou circulando pelo casal. Zayrah que apenas observava calada voltou a se pronunciar:
- Agora eu quero que juntos repitam o feitiço de ligação.
Mi amor aeternus ultra mortem. Vita mea.( Meu amor eterno além da morte. Minha vida.)
Tibi se cor meum totum subiicit, (A Vós, meu coração submete-se todo por inteiro)
Praesta meae menti de te vivere Et te illi semper dulce sapere.
(Faça que minha alma viva de Vós. E que a ela seja sempre doce este saber.).
Draco e Charles repetiram as palavras e dessa vez dois feixes de luz vermelha apareceram enlaçando suas mãos. Eles não precisavam ouvir a sacerdotisa pedir que se beijassem, pois já se sentiam impulsionados a isso, e assim o fizeram. E então finalizando o feitiço a sacerdotisa disse:
- Alea jacta lest (A Sorte está lançada)
