POV narrador-onisciente

- Desmaius - Narcissa direcionou o feitiço ao novo casal.

Não precisava de uma relação sexual para que tudo se tornasse oficial, a magia já estava conectando-os. Pelo menos esse momento eles teriam liberdade de escolher quando estivessem prontos, quando assim desejassem. Ela sabia que Carlos Weasley era um homem honrado e não forçaria seu filho a nada.

Só lhe restava voltar para seu marido e esperar as consequências de seu plano que começaria logo com o amanhecer deste novo aproximou-se de Narcissa,colocou a mão em seu ombro e disse:

- Você cuida de Lucius, o despertar do sol se aproxima.

- Não precisa falar Severo. Eu já estava de partida.

Dito isso Narcissa aparatou para onde seu marido e filho mais novo se encontravam. E, para seu desgosto seu marido já se encontrava acordado, sentado na poltrona tomando uma xícara de chá. Os únicos sons do quarto era a respiração calma de seu bebê e o seu coração batendo descompassado em seu peito.

A mulher não conseguida dizer nenhuma palavra, apavorada demais para dar qualquer justificativa.

- Então, não vai me dizer nada? – A voz de Lucius era gélida e pausada e tudo que recebeu foi o silêncio como resposta.

- Como pode apoiar essa loucura? Nosso filho, um adolescente se casando com um traidor de sangue pobretão, um homem com mais de dez anos de diferença?

- O mal e a desonra já haviam sido consumados, meu marido. – A frase dúbia tinha tantos significados, ela agora tinha levantado à cabeça e o fitava profundamente.

- Ele nunca mais pisará na mansão Malfoy, será queimado da árvore, deserdado e perderá a proteção ancestral do sobrenome Malfoy.

- É justo meu marido.

- Sei que há mais coisas nessa história. No momento certo quero que tire essa "venda" que colocou em meus olhos.

A loira empertigou-se "como?" pensava. Mordeu o lábio e respondeu:

- Assim será feito, marido.

- Descanse, logo encontraremos os recém-casados e eu representarei o papel que a mim foi designado.

A mulher deitou-se na cama e cheirou os cachos do seu filho mais novo que dormia tranquilamente. Ela nunca deveria ter subestimado a inteligência de Lucius. Ele estava lutando contra as memórias falsas habilmente colocadas por Severo que encobriam a verdade dos fatos.

Ele decidiu aceita-las por respeito a ela. E mesmo que ele aparentasse calmo, todo o seu poder mágico deixava o ar tão pesado que fazia ela perceber o quão frustrado e irritado ele se sentia. Era sufocante, o poder do vinculo marital tinha seus pontos agridoces, que a levavam do céu ao inferno e impediam que mentiras fossem contadas.

Lucius não se deitou com ela. Permaneceu sentado onde estava, amava sua família, mas fora doutrinado demais para abandonar seus ideais. Viver rodeado de tanta magia negra e permanecer lúcido foi graças ao amor que ainda habitava o seu ser.

Amor esse que seu Lorde nunca teve e nunca sentiu. Ele não queria estar certo, entretanto no fundo de seu âmago, sabia que o retorno de Voldemort traria insanidade e escuridão. Seu mestre ultrapassou o limite que nenhum mago da história tinha ousado. Dividir a alma o fez perder qualquer resquício de humanidade. E mesmo com todos os contras Lucius mantinha fé no poder e nos ideais, e por isso permanecia no lado obscuro.

- Eu amo minha família mais que a mim. Amo mais que meu sobrenome.

Seus pensamentos fora interrompidos pela fala da esposa que soluçava baixinho, nem percebera que ela estivera chorando. Sorriu.

- Não esperava que fosse tão lufana, Cissa.

- Minha lealdade está com meus filhos. Eles têm meu amor incondicional. Você não querido.

- Quanto amargor... Você jogar-me-ia no fogo cruzado por eles?

- Que pergunta tola Luc, Esqueceu que dorme com uma serpente?

- Se um dia eu tiver que morrer que seja por suas mãos meu amor.

- Se eu te matar morreria junto. O feitiço que nos ligou ele... – Parou de falar levemente confusa, ela o olhou com a sobrancelha arqueada. E ele a fitou com um brilho divertido nos olhos e um sorriso maníaco.

- Nem a morte irá nos separar, no dia que um partir o outro seguirá junto. Mesmo que a outra metade não queira.

Uma promessa, um aviso?

Engoliu em seco. Amava o marido, não amava? Então porque não conseguia se livrar do pavor? Estava enlouquecendo como ele? Sua sanidade permanecia por seus filhos? Maldição Black Acabaria no limite da razão como seus antepassados?

Sim e não. Por seus filhos ela queria um mundo seguro em que eles pudessem encontrar felicidade. Por eles ela mataria, mentiria se arriscaria e morreria. Seria imprudente e desleal, eles eram sua salvação e sua ruína. Acariciou o rosto de Scorpius, talvez tivesse que se separar de mais um filho mais cedo do que imaginava.

Não conseguia mais conversar. O sol nascera. Seu filho acordaria sozinho nos braços de um homem que mal conhecia, não teria mais mimos, não teria mais família, teria que trabalhar pelo pão de cada dia, ele teria que lutar para conquistar o amor da nova família, ele vai estar assustado, desesperado e ela não estaria ali para dizer que tudo ficaria bem, para lhe dar um abraço.

As coisas não durariam por um período curto, levaria anos para a batalha final, e ela esperava que ele estivesse seguro e preparado até lá. Nenhuma mãe guia o filho em um caminho de espinhos, no entanto ela o estava fazendo. Seu coração doía de culpa, de medo, incertezas. Seu filho não era Harry Potter com um mundo de gente querendo proteger e amar. Seu filho tinha apenas ela, Severo e agora talvez Carlos.

Enfrentar o filho confuso e se manter fria e distante seria o seu maior desafio, por mais que quisesse lhe contar tantas coisas não poderia. O momento não era o ideal. Draco não retornaria para casa, para a escola, para a vida que ele tinha, para o caminho que foi traçado por Lucius, ele seguiria pela nova opção que ela forçou a ele.

E novamente Narcissa chorou. Por ela, por seus filhos, por Lucius.