A primeira coisa que me lembro foi que a cama não estava nada confortável e xinguei-a mentalmente por ela ser tão dura e incômoda mesmo tendo custado tão caro, ainda de olhos fechados. Só quando abri os olhos me dei conta de que não estava em minha cama, e sim no chão. Havia caído do colchão depois de ter ficado horas acordado olhando para um ponto fixo no teto e percebendo que tudo ao redor girava vertiginosamente. Eu tinha cochilado uns dez minutos fora as horas que havia permanecido em estado de semi-sono em que ficava quando muito cansado e insone.
A primeira dor foi nas costas, mas ao me levantar senti mais duas: de estômago e de cabeça, fora um desequilíbrio dos diabos. Não me lembrava de muita coisa depois de ter saído do bar e aberto a garrafa. Muito provavelmente devia ter bebido ela depressa, se me conhecia bem.
Não tinha a menor idéia de que horas eram, apesar de uma certa noção do tempo oferecida pela fraca claridade que entrava pelas janelas fechadas. Ainda estava com a mesma roupa do dia anterior e tendo reparado isso era um bom momento para um banho frio, que faria passar o porre. E do banho para a cozinha, comer um bom sanduíche reforçado e um suco bem doce para aumentar a glicose no sangue. Depois voltar para a cama, e tentar mais uma vez dormir.
Quando bêbado, milhares de pensamentos giravam em minha mente. Parecia que a bebida despertava tudo que fosse possМvel, mas naquela ocasião em especial só conseguia pensar em comer, dormir e me sentir limpo. E foi o que fiz. Comi como um animal e bebi o suco de laranja muito mais doce do que o normal e instantaneamente o açúcar me melhorou, além de ter matado parcialmente a sede, conseqüência do álcool. Tudo muito bom, mas depois do banho e de estar alimentado a dor de cabeça que estava me matando falou mais alto e fechei as cortinas para evitar que a luz entrasse em meus olhos. E ali fiquei dessa vez olhando o escuro por horas até que no fim consegui adormecer, um cochilo fraco. Um barulho qualquer num apartamento próximo e acordava. Então ficava horas com a mente vazia, deitado, esperando o sono chegar e dormia um pouco mais, por alguns minutos até que algo ou eu mesmo me despertasse.
Até os barulhos cessarem essa rotina de não pensar nada continuou e a dor latejando na cabeça lentamente cessou, foi embora. Mas ainda passei ali muito tempo. Tanto que houve um momento em que bateu à porta, mas eu não queria abrir. Estava disposto a deixar a pessoa na porta até que ela se cansasse e fosse embora. Mas a insistência e os toques na porta estavam fazendo voltar a dor de cabeça.
-Vá embora - sussurrei meio gemendo, ainda sem forças pra gritar.
Mas a pessoa continuava a bater. Então tive que abrir a porta.
Mas fechei-a assim que a abri.
-Maluca.
-Eu ouvi isso, Malfoy!
-Então sinta-se ofendida e vá embora, estou numa ressaca imensa.
-Mas o assunto é muito sério.
Estava sem forças para discutir também, abri a porta e me joguei num sofá e ela, mesmo sem ser convidada a fazê-lo, irritantemente se sentou no outro sofá
-Então você sobreviveu a ontem?
-É o que parece, Malfoy. Draco, como você pediu para eu te chamar.
-Mas pode retirar o que eu disse. As coisas que uma pessoa bêbada fala não devem ser levadas em consideração.
-Que seja, mas o que eu tenho a te propor é muito importante pra mim.
-Céus, o que vocЙ quer?
-Você está se sentindo bem, Malfoy?
-Óbvio que não. Estou com ressaca! Fome e dor nas costas também. E some a isso tudo a dor de cabeça que você acabou de me devolver.
-Eu posso fazer alguma coisa pra ajudá-lo?
-Ir embora.
-Vou ignorar. Porque se eu preciso falar com você isso implica que eu tenha que permanecer.
Ela pôs-se de pé imediatamente, demonstrando estar disposta.
-Onde é a cozinha?
-Ali, na porta à direita.
Ela entrou pela porta como se fosse dona da casa, e eu fui atrás dela.
-O que você...
-Vou fazer um chá e um lanche pra você. Precisa repor suas forças e recuperar sua saúde, Malf... Vou te chamar de Draco, mesmo que você não queira. É um nome legal! Ei, você se lembra de ter elogiado meu nome ontem?
Ela abria freneticamente portas de armário a procura dos utensílios necessários para preparar a refeição enquanto falava.
-Vá pra sua casa, tome conta da sua vida... -resmunguei desesperado
-Malfoy, já disse que preciso falar com você sobre uma coisa séria.
-Então diga e não se meta na minha vida nem na minha cozinha!
Ela então parou na ação de abrir uma gaveta e olhou para mim, como que refletindo. Depois, devagar, terminou de abrir a gaveta e depositou a colher sobre o balcão da cozinha. Então fechou com a perna a gaveta, virou-se para mim e disse:
-A notícia é complicada, então vou te falar aos poucos. Sente-se aqui - puxou- me em direção à cadeira e fez me sentar, como uma mãe faz a um filho teimoso - e eu te conto depois que você tiver terminado de comer.
-Diga agora, Weasley.
-Então está bem, durante a refeição.
-Não estamos negociando.
-Mas você vai precisar negociar depois do que eu te disser.
Todo esse suspense estava me dando nos nervos.
-Está bem, Weasley, mas seja breve.
-Bem... Onde é que você guarda as folhas de chá?
-Segunda gaveta so armário do seu lado.
-Uhn... Bem organizado para um solteiro. Tem empregada?
-Não, mas isso não vem ao caso. Diga logo a que veio!
-Certo.
Enquanto falava ela preparou, primeiro o chá
-Está sem açúcar, para acabar com o efeito do alcool.
Um pequeno gole e o amargo do líquido quase me matou, estava desprevenido, mesmo que ela tivesse avisado.
-Agora... Um suco. Onde fica o suco?
-Weasley, eu já tomei um suco bem doce hoje mais cedo, não precisa me tratar como se eu fosse um adolescente que bebe pela primeira vez.
-Mas você se comportou como um ontem.
-E você é o exemplo de como beber, não é mesmo?
-Sim.
Quanta petulância!
-A propósito, quanta resistência pra bebida, heim, Weas...
-Gina, por favor.
-O que você fez?
-Pra não morrer de ressaca que nem você?
-É.
-Simplesmente tomei esse chá que você tomou.
-Ainda não fez efeito.
-Engraçado, pra mim funcionou. Mas vai funcionar assim que você comer esse sanduíche.
O sanduíche que eu mal tinha reparado que ela havia preparado parecia realmente apetitoso. Confesso até que parecia melhor que o que eu havia feito mais cedo. Comi de bom grado, afinal, ela o fez para mim e eu estava mesmo com fome, mesmo tendo comido mais cedo. E no fim das contas, não estava de todo mal.
-Bem... Sabe aquilo que você disse ontem?
-Sobre o quê?
-Sobre casamento.
Engasguei e ela veio me socorrer dando tapas em minhas costas. Ela estava maluca ou o que? E eu não falava só pelas pancadas.
-Eu tinha razão. Você é maluca?
-Me escuta Malfoy!
-Não me venha com bobagens ou eu te expulso daqui.
-Você precisa de dinheiro.
-Não, não preciso.
-Precisa. Porque meu irmão vai vir te cobrar a dívida hoje, já que antes de ontem você estava viajando e ontem e hoje você esteve ocupado.
Meu Deus! Santa Weasley pra me lembrar de uma coisa dessas!
-Meu Deus, eu estou perdido! Pretendia arranjar o dinheiro de forma rápida, vendendo o carregamento todo à algum cara rico, e em pouco tempo pagaria e teria dinheiro para mim.
-Não, não está!
-Ah, boa samaritana! Não me diga tem o dinheiro e vai me dar?
-Vou.
Tudo se encaixou e reparei que seus olhos insolentes examinavam minhas reações. Apesar de estar ansiosa para uma resposta ou alguma reação mais interessante parecia achar tudo aquilo normal. Mas eu não reagi, também estava analisando, não a mim ou a ela, mas a situação em geral.
De repente o mundo deu um giro de 360 graus e como é que não veio um oficial de justiça ou coisa que o valha parar tudo e dizer que tudo estava errado. Pus-me a andar de um lado para o outro. Como é que uma Weasley podia estar considerando uma hipótese de casamento com um Malfoy? De onde ela tirou essa idéia maluca? E a parte ruim é que eu sabia de onde. Da minha boca. Tudo bem que eu não estava no meu juízo perfeito, mas ela estava completamente fora de si e ainda por cima sóbria, me propondo uma coisa dessas.
-Óbviamente que não sairá de graça.
-Já entendi o que você quer e minha resposta será clara: não.
-Você não vai conseguir arranjar o dinheiro.
-Eu tenho o dinheiro.
-Mas não interessa, passou do prazo e ele vai querer te matar. Principalmente depois do que você fez a ele e a mim! Eu posso te ajudar! Posso te proteger.
-E o que você ganha com isso, Weasley?
Um lampejo de ódio passou por seus olhos.
-Só quero que você me ajude e em troca terei a vingança sobre meu irmão. Darei a ele uma lição. A ele e ao Harry - ela cutucou a ferida - por sempre me tratarem como idiota.
-Parece um motivo justo, mas eu tenho que pensar.
-Como assim, pensar? Você não pode pensar. Não dá tempo! A qualquer momento ele pode estar chegando! E esteja certo: ele vai chegar pronto pra te matar.
Quando desejei tudo aquilo, no dia anterior, não esperei que fosse tão rápido e muito menos podia imaginar que ela queria me ajudar e ainda mais daquela forma. Ela só podia estar louca. Mas o louco maior era eu, que aceitaria tudo aquilo. Não era exatamente só pelo dinheiro ou para salvar minha pela, mas eu ainda não sabia que não era. Não sabia por que estava cego. Ou talvez, apenas não quisesse enxergar.
N/A: Obigada às duas meninas que sempre me mandam reviews, eu fico muito feliz e isso dá um gás enorme pra continuar escrevendo! Pode parecer pouco, mas eu realmente não esperava que fosse ganhar duas leitoras e pra mim é um presente ma.ra.vi.lho.so! E se tiver alguém lendo, manda review tb, pra eu sempre saber que tem alguém esperando pela estória e nunca deixar de lado (apesar do quê, só chovendo raio pra eu aandonar uma coisa pela metade, ainda mais sendo importante assim!). Desculpem a formatação se não der certo, mas é que não salvava com o Word e tive que salvar no bloco de notas. O mesmo vale pros acentos e mimimimi.
Miaka-ELA- é um ponto de vista a se considerar. E na verdade, é mais ou menos isso que eu penso. Só que ela saiu mais pelo fato de a idéia poder dar certo e se encaixar no planos de vingança dela. Aliás, não quero que encarem isso de vingança como ódio mortal. É só mágoa acumulada por parte da Gina. Coitada, sempre tratada que nem idiota, quando descobre tem que fazer alguma coisa pras pessoas respeitarem ela e o direito dela de saber e escolher as coisas! Brigada mais uma vez pela review.
Thaty- Eu também tenho pena dela. Porque o Harry sempre trata ela como secundária nos planos dela. E eu acho que é só atração física que ele sente por ela. Não é amor, nem carinho. Até pela Cho ele sentia uma coisa a mais (e olha que eu odeio a Cho). Brigada pela Review
