Ninguém nunca me perguntou e por isso nunca precisei responder que, sinceramente, na minha cabeça a idéia de casamento nunca se passara. Pra mim casamento era o aprisionamento de duas pessoas em nome de um ideal inexistente de amor verdadeiro, embora eu acreditasse, não de maneira piegas e cafona no amor. E pra mim só existia um. Não, amor pra mim não era redenção de todos os pecados, fonte de perdão, calma, compreensão e todas essas coisas que os românticos pregam. Pra mim o amor é um sentimento claramente distinguível: é quando há atração física, mental e intelectual e as duas últimas superam a primeira. Primeiramente, casamento é pra pessoas que se amam, para pessoas que cegamente enxergam no cônjuge um amor verdadeiro e eterno.

Amor eterno não existe. Sempre existirá um momento em que ele acabará. Assim como não existe fidelidade. Os que o foram até agora é porque não estiveram nas situações e circunstâncias propícias para que isso acontecesse. Talvez se você estivesse comprometido com outra pessoa que não a que está agora e a encontrasse, não haveria infidelidade por tudo que a pessoa representa pra você?

O casamento é uma contradição aos instintos humanos e à liberdade. Também à lógica. Como é que se pode saber que a pessoa à quem você jura amor eterno, fiel e verdadeiro é mesmo a pessoa certa? É um risco que as pessoas assumem. Um risco, uma chance mínima à qual você se agarra, uma vez que existem 6 bilhões de pessoas no mundo que poderão certamente preencher esse "vazio no coração". É estupidez um casamento por amor. Pra que correr o risco de se decepcionar com alguém por quem você supostamente daria a vida?

Mas um casamento sem amor, um contrato era algo a se pensar. Todo casamento é mesmo de interesse. Você se casa por estar interessado no dinheiro, na companhia, nas propriedades, no poder ou no suposto amor sentido pela outra pessoa (Mais uma vez, aposta. Como é que se pode afirmar que alguém te ama e que estaria disposto a fazer o mesmo por você?). Porque não assumir os interesses de uma vez? Assim ninguém se magoa, principalmente se não há sentimento por nenhuma das partes... Um simples contrato, uma peça teatral, onde fingiríamos apaixonados, mas por trás desse falso sentimento, haveria um sentimento de ódio, de vingança. Mesmo que eu não acreditasse que ela desse certo. Nunca deu para mim, não daria para ela, mas eu também precisava salvar minha pele.

Minhas visões amargas sobre o amor tinham motivo. A decepção que sofrera quando mais novo, nos tempos de guerra, quando só se confia em quem se ama. Pansy me deixara para se proteger, quando até as coisas piores que havia feito, havia feito, de certa forma por ela. Não direi que a amava, porque estaria mentindo, mas o que sentira por ela era algo digno de retribuição ao menos. Mas eu não ligava para isso mais, embora algumas cicatrizes ainda estivessem abertas. Não deixei de acreditar nos sentimentos, só não acreditava naqueles que não fossem meus, me cercando num mundo solitário e vazio, onde só eu importava. Foi aí que começaram meus erros e tropeços, mas isso não importava agora.

Me sentia perdido num mundo tão pequeno. Se ao menos esses sentimentos pudessem me alcançar...

Casar com uma Weasley estaria fora de cogitação caso ouvesse algum sentimento. Um "amor"... Mas como não havia nada, apenas uma troca de favores, seria totalmente plausível. Casamento por interesse e totalmente combinado, pra não haver problema algum. Depois, eu poderia facilmente fazer o que me trouxera de volta a Londres, desde que a farça durasse apenas um mês. Mais que isso e poderia ser tarde de mais.

Agora, com os pensamentos em ordem, tudo seria mais fácil e a resposta que eu daria a Weasley iria numa carta:

"Cara (ou seria minha cara?) Gina,

Agora que temos que fingir relacionamento sério, compromisso e casamento temos que entrar logo em um acordo. Eu não quero seu dinheiro, eu tenho parte do dinheiro para pagar e algum dia ainda te retribuirei a parte que você vai completar na quantia necessária, mas estou mais preocupado em salvar minha querida pele. Você quer vingança, e mesmo que eu não ache que isso vá dar certo, vou te ajudar, pois creio que nossa fase infantil de discussões idiotas já passou e temos que cooperar em prol de nós mesmos.

Como você recomendou, já saí de casa e o prazo para pensar que você me deu, que era de apenas duas horas já está se acabando. Então minha resposta é sim. Eu caso com você, e te encontro amanhã onde quer que você queira. Mas hoje eu preciso fazer outra coisa muito importante.

(um pouco) seu,

Draco Malfoy"

"Querido (querido é melhor que caro, nesse caso, mais romântico) Draco,

Fico muito feliz em saber que você aceitou minha humilde oferta e que irei salvar sua pele (agora quem está em minhas mãos?) e que iremos nos casar. Espero que tenha um terno elegante que tenha sobrado dos seus dias de glória, porque como você já deve saber vou mandar uma foto para o Gui. Ele verá nossa [ireal[/i felicidade e tentará falar pro resto da família, mas aí eu o chantagearei (parece que conjugar esse verbo está tornando uma constante em minha vida).

Será na Grécia porque não será válido aqui, e depois que tudo acabar nem precisaremos entrar com processo de divórcio, o que facilitará nossas vidas.

(nada) sua,

G. Weasley"

"Já mencionei que tudo não pode passar de um mês? Eu também tenho uma vida além do nosso lindo amor

D.M."

"Sim.

G. Weasley"

"Tenho pressa, então arrume os papéis logo e tudo o mais que for necessário para que possamos logo acabar com isso.

D.M."

"Sugira um lugar para nos encontrarmos amanhã mesmo para acerto de detalhes, lá naquela terra maldita."

G.W."

"Não chame aquela terra de maldita. Tem lugares bonitos por lá...

D.M"

"Então sugira um, porque só vi desgraça lá

Ginevra Molly Weasley Malfoy (parece que não será de todo ruim)"

Ainda estávamos nos dando ao luxo de brincadeiras como aquelas... Algumas brincadeiras têm o péssimo dom de se tornarem pesadelos.

"Praia Vroulidia em Xios, ao amanhecer. Leve biquíni e protetor solar, porque o sol forte das praias gregas não fará bem para suas sardas.

Qualquer nome fica bem com um Malfoy ao fim.

D. M."

"Também não fará bem pra sua pele branca e nem pro seu cabelo que mamãe cuida, mas estarei lá.

G.W"

"Esteja.

Draco Malfoy"

Agora, só me faltava uma pequena coisa a fazer antes de voltar a terras gregas. Visitar quem mais me importava nessa vida. A única pessoa a quem realmente eu devia alguma coisa, principalmente depois dos passos em falso que havia dado em relação a ela.

Minha mãe tinha apenas dezenove anos quando se casou com meu pai e a seu nome de solteira Narcisa Black foi adicionado o sobrenome Malfoy, que carregava consigo toda uma história de tragédias sentimentais e pessoais, uma maldição para a Black mais nova. Em toda a linhagem, não havia notícias de uma só pessoa que tenha sido feliz. Verdadeiramente feliz. Talvez eles achassem que fossem felizes, afinal todo e qualquer ensinamento ou sentimento de certo ou errado, justo e injusto, bom e mau que me fora transmitido era completamente distorcido.

Não sei realmente se minha mãe se casou por amor. Talvez ela amasse meu pai e esperasse que fossem felizes, mas dizem que os Black também eram uma família com os mesmos ideais dos Malfoy. O que realmente importa é que mesmo que ela tenha esperado ser feliz não foi. Sempre soube do envolvimento do futuro marido com a magia negra, mas acho que não esperava que ele fosse obcecado por isso. No fundo, toda mulher tem a ilusão romântica de que é amada, quando nem sempre isso é verdade. Eu por exemplo, nunca vi uma demonstração sequer de amor por parte de meu pai a ela, somente ela se matando por ele e por mim e nós nunca retribuindo o sentimento que existia nela.

Sei que ela esperava que meu pai sempre me protegeria e faria tudo para meu bem estar e para me manter afastado do perigo, mas a ilusão se acabou, acho eu, desde que nasci. Minhas primeiras memórias de meu pai são exatamente as de ele me contando histórias fantásticas de como os comensais da morte haviam aniquilado milhares de pessoas e feito todo mundo gostar deles. E eu, no meu frenesi infantil de saber que meu pai era herói, concordava em guardar segredo sobre aquilo até mesmo para a mamãe, que no fim das contas não podia saber de nada, porque era mulher, e consequentemente, muito fraca. Se eu contasse a verdade a ela, ela iria ficar muito triste. Acho que isso era o máximo de amor que ele podia dar a ela - esconder dela que me transformava em uma miniatura dele próprio. E isso era o que ela mais temia.

Tanto que impotente, implorara a mim e a ele que eu me mantivesse longe dos comensais. Mas era tarde, já havia sofrido lavagem cerebral e juntei-me a eles. Para desgosto de minha mãe, aos dezessete anos já tinha a marca negra tatuada na pele, mas ela sabia que a cicatriz ficaria na alma. Provavelmente aquilo mexeu muito com seus pensamentos, e me parece que sua sanidade só permaneceu até o fim da guerra, só até que ela garantisse minha sobrevivência. Sua exaustão mental alcançou um ápice exatamente um dia após a prisão de meu pai. Mesmo que meu pai tenha sido um covarde (talvez essa característica seja mesmo de família), minha mãe nutria algum sentimento por ele e mais ainda por saber que ele era o pilar financeiro e emocional da casa, uma vez que ele se fingia de forte para manter a todos nós falsamente fortes também. Já no dia em que ele foi embora ela não estava bem. Lembro-me de ter se entupido de poções e remédios para dormir e quando acordou, às seis da tarde do dia seguinte já não falava coisa com coisa. Seu assunto era meu pai, e sempre Lucius, Lucius, Lucius e sua expressão não tinha mais a mesma vida de antes.

Tanto sofrimento, antes escondido propriamente agora se mostrara claramente. Sofrimento em arriscar a própria vida por um filho inconseqüente que havia agido por impulso, movido por um rancor infantil, pavor em perder o único filho por culpa de sua, ela achava, incompetência em educá-lo e ensiná-lo a fazer escolhas. Talvez ela fosse mesmo a culpada, afinal eu nunca havia feito uma escolha sequer, depois de sair de casa tive de aprender a viver. Mas ela não era totalmente culpada, nem inocente. Ninguém realmente é.

Mas então, por causa da minha total falta de tato e de sensibilidade eu fui embora de casa. Era um peso para a minha consciência vê-la todos os dias, naquele estado, ainda que cuidada pelas enfermeiras... Toda a culpa de tudo que lhe aconteceu era de certa forma minha. Desde que nasci, ela sempre estivera a um passo da loucura, ao tentar me proteger dos delírios do meu pai, mesmo que sua obsessão ainda fosse bastante branda.

Agora, na porta do seu quarto, era hora de encarar, pela primeira vez em muito tempo tudo aquilo, toda essa história que me trazia tanta dor.

A enfermeira que havia sido contratada logo que fora diagnosticada estava ao lado de sua cama, mas eu não me importava com ela, nem que o quarto fosse pequeno se comparado ao que ela tinha na mansão, mas ainda mantinha um pouco do luxo que pude lhe dar por desencargo de consciência.

O que me importava era ela. Aquela figura alta e imponente, magra e ainda com uma feição de superior, mesmo que houvesse algumas rugas em seu rosto e que houvesse cansaço e tristeza em seus olhos, com os cabelos que antes já se confundiam com branco agora totalmente tomado pela cor, penteados e presos. Ainda era tão altiva...

Demorou algum tempo para que ela me visse, e ainda demorou algum tempo olhando fixamente em meus olhos, lendo-me, perscrutando minha alma, reconhecendo minha consciência, visitando meus pensamentos. E depois de ter me reconhecido, ou talvez de ter me distinguido de alguma alucinação, seus olhos brilharam, não sei de que sentimento. E saiu de sua garganta um nó de lucidez, desprezo, rancor e mágoa, numa voz ríspida. Foi como se cuspisse ou vomitasse as palavras:

-Olá, Estranho Jovem Senhor Draco Alya Malfoy.

N/A: Alya, o nome do meio que eu inventei pro Draco é uma estrela, também chamada de Theta Serpentis. Eu tava procurando um nome do meio de estrela pra ele, porque na família Black todos têm nomes de estrela. A mãe dele é uma Black, então fui determinada nisso. Então fui olhar no registro dos nomes de estrelas nomes começados por "A", porque achava que entre Draco e Malfoy deveria ter um nome com "A" e encontrei esse nome Serpentis (aliás, é o nome da constelação onde ela se encontra também) e como vocês já devem saber, Draco pode significar Dragão ou Grande Serpente. O nome se encaixou perfeitamente a ele! Além do quê, imagine uma mala ou um pertence qualquer com essas inicias? D.A.M. Cara, isso deixa qualquer uma louca! Mas não se preocupem, olhei primeiro pra ver se a JK tinha dado algum nome do meio pra ele e só depois disso é que o rebatizei de Draco Alya Malfoy.

Alya é o nome de um dos Ancestrais do Profeta Muhhamed (Maomé para os Cristãos). Como muitos devem saber, o povo islâmico foi um dos precursores da astronomia e da matemática tendo desde os primórdios de sua civilização estudado as estrelas. Por isso, a maioria das estrelas registradas até hoje mantem os nomes comuns de origem Árabe, mas tendo também um nome ocidental. (nós ocidentais somos lixo, apesar de o nome ser para estudo, não justifica muito)

Esse capítulo demorou um pouco mais porque ando bem atarefada e por isso não prometo o próximo capítulo para logo. Mas enquanto isso leiam as outras fanfics (tenho que vender meu peixe, né, minha gente?)

Tre Star - Obrigada por comentar, fico muito feliz de ter notícias que alguém está lendo. Hahaha, confusão vai dar mesmo. No sentido literal da palavra... Continue lendo, comentando e muito obrigada!

Thaty- Então vai lá ler agora o sétimo e esse novinho em folha! Brigada mais uma vez!