Os fortes argumentos de Gina Weasley
Então, depois de recuperado dos golpes graças à ajuda de Gina Weasley, fomos rapidamente enviar uma carta, que continha o dinheiro que devíamos ao outro Weasley. Combinamos de nos encontrar no dia seguinte, em um restaurante para acertar alguns últimos detalhes, ela disse que o
andamento dos papéis do casamento já estava bastante adiantado, e que no dia seguinte, assinaríamos se pudéssemos os documentos, mas que a cerimônia aconteceria mais tarde, dois ou três dias depois do casamento civil, enquanto seu vestido chegava da Inglaterra.
Ela foi embora e me deixou sozinho e eu tinha outras cartas e recomendações a escrever, tinha ainda de terminar o que tinha começado a escrever na praia. E até as quatro da manhã aqueles planos continuaram enchendo minha cabeça com exceção das vezes que parara para comer. Até que finalmente o cansaço me venceu e fui tomar banho e descansar.
Mas uma vez não dormia, como eu já esperava e restaram-me pensamentos. Mil pensamentos confusos e misturados a lembranças, muito parecidos com sonhos. Talvez fossem mesmo sonhos, e eram, mas é que já não era acostumado a sonhar. Há muito não dormia a ponto de sonhar.
Narcisa Malfoy descia uma escada enorme com um longo vestido branco e chorava sangue. No fim, o sangue que ela chorava entranhava-se em seus cabelos e ela se tornava Gina Weasley, que tinha os lábios tão vermelhos que parecia morrer de frio. Também tremia muito, estava de dar dó. Então Draco Malfoy retirava seu casaco preto e dava a ela, mas ela o abraçava e em agradecimento retirava o vestido branco e revelava-se usando um outro vestido, azul claro, que usava junto com o casaco de Draco.
Quando acordei, levei algum tempo para assimilar o sonho, não era eu no sonho, eu era mero expectador ali, naquela cena, e nada pude entender.
Quem era quem e porque eu sonhara aquilo? E ainda eram só seis da manhã: não consegui dormir mais e tudo aquilo ficou girando e girando em minha cabeça. Em um certo ponto os pensamentos tomaram proporções incontroláveis, passando ao ponto de me deixarem com dor de cabeça, tão complexos que eram e decidi tomar café logo. Saí do hotel, o mesmo de sempre, e fui à primeira padaria que encontrei, diferente da que sempre tomava café da manhã quando me hospedava naquele hotel. Sempre ia a uma padaria melhor, no centro da cidade, uma confeitaria onde se comia com os olhos antes mesmo de satisfazer o próprio apetite. Naquela padaria simples da periferia de Atenas, uma mocinha que não aparentava mais do que quinze anos atendia no balcão e rapidamente pôs uma mesa na área externa da padaria, no passeio, onde me serviu algumas tortas, pão, leite e café. O café era gelado, tipicamente grego, mas pedi a ela que me trouxesse só um pouco do café quente que o resto do mundo tomava. Ela aceitou simpaticamente o pedido e foi buscar lá dentro o café, e enquanto isso comia o pão e o leite, esperando pelo café quente. Mas, mais uma vez,
avistei cabelos vermelhos, longos. Era Gina que logo me viu e se convidou para sentar à mesa. E bem à vontade, serviu-se da torta que estava sobre a mesa, me cumprimentando com um "Bom dia" cordial.
A garçonete trouxe-me o café e perguntou em Grego o que iria querer minha namorada. Ri em resposta e expliquei que ela não era minha namorada, e que ela não entendia Grego, que eu lhe pergutaria o que iria querer e depois a chamaria para pedir a comida. A menina voltou com um sorrisinho no rosto e sentou-se no balcão, através da janela de vidro nos observava com admiração. Talvez não tenha acreditado que não éramos namorados, mas isso não importava.
-Ela perguntou o que você queria e eu pergunto o mesmo.
-Queria essa torta aqui, são deliciosas - e apontou para a metade de torta que havia deixado sobre a mesa - e o que você me recomenda para
beber?
-Recomendo que você me diga o que veio fazer por aqui se combinamos que viria só para o almoço. E para beber recomendo o café daqui, mas é gelado. Aliás, pode ficar com o meu, porque eu pedi café quente e nem toquei neste aí.
-Um verdadeiro cavalheiro, Draco! Por favor, seja cavalheiro outra vez e peça à garçonete o que eu quero.
-Pois não, i meu bem /i
-Você está muito gentil hoje!
-Eu sei...
Chamei a garçonete e disse-lhe o pedido de Gina. E ela insistiu no assunto, disse que formávamos um belo casal. Impaciente com a nossa discussão, uma vez que a garçonete já tinha anotado o pedido e no entanto continuava na mesa conversando, uma Gina perdida intrometeu-se na conversa.
-O que ela está falando?
-Cismou que somos um belo casal, que namoramos e essas coisas...
-Ora, é melhor que alguém acredite em nossa farsa!
-Está maluca, Weasley?
-Droga, Malfoy! Já te disse: somos Gina e Draco, sem sobrenomes, por favor!
-Você está levando a brincadeira muito a sério, i Gina /i !
A garçonete retirou-se percebendo a discussão entre o "casal"
-Não estou não. Meu irmão tem que acreditar que será um sacrifício para mim me separar de você. Só assim ele fará o que eu quero. Só assim ele irá se arrepender!
-Tudo bem, se você quer assim, que seja!
A mocinha voltava cautelosa à mesa com o pedido de Gina, e esta já havia se apossado do café.
Enquanto ela passava os pratos para a mesa, Gina ordenou:
-Pregunte a ela qual é o seu nome?
-Pra quê?
-Ande! E não ouse me enganar na tradução, eu vou saber pela expressão no rosto dela!
-O nome é Selene.
-Tudo bem, pergunte a ela se ela quer ser nossa madrinha de casamento.
Selene olhava intrigada para nós.
-Droga Weasley! Você está louca? Você vai tirar toda a minha credibilidade e eu ainda por cima vou ser considerado um canalha!
-Estava dando em cima dela?
-Não, Weasley! Ela só deve ter 15 anos!
-Então não tem problema nenhum!
-Lógico que tem, ela vai pensar que eu não gosto de você, pra ficar mentindo que não tínhamos nada um com o outro enquanto você não falava grego!
Selene fez menção de sair para nos deixar discutindo a sós, e mandei que esperasse.
-E daí, você não gosta de mim mesmo, e não vamos ligar pro que os outros vão pensar, Draco!
Fiquei em silêncio por um tempo. Não tinha mesmo nada a perder, era melhor eu fazer a vontade da Weasley. Selene olhava impaciente e curiosa e ao mesmo tempo cautelosa. O que queriam aqueles dois malucos com ela?
-Pergunte primeiro a idade dela. Se ela tiver a idade que aparenta, não vai poder ser nossa madrinha.
-Vinte e um. Me surpreendeu!
-Diga a ela que vamos nos casar.
-Ela desejou parabéns.
-Pergunte a ela se quer ser nossa madrinha.
Selene desenhou no rosto uma expressão de "oh, que fofo" tipicamente adolescente e aceitou ser madrinha, mas perguntou porque não tínhamos padrinhos e porque decidimos nos casar ali e não onde nascemos. Então, tivemos que improvisar ou então, ela poderia desistir e então talvez teríamos que adiar ainda mais isso tudo até que achássemos outros padrinhos. Gina inventava a história e eu traduzia.
"Nossas famílias são inimigas na Inglaterra. Viemos para cá nos casar, e viver aqui, provar pra eles que somos felizes apesar das diferenças entre nós e da inimizade entre nossas felizes. Viemos pra cá pra provar que poderemos ser felizes!"
Então a garota se derreteu, e aceitou inclusive ser madrinha do casamento civil, mas fazia questão de fotografar o casamento, pois era estudante de fotografia. Gina aceitou de bom grado, era matar dois coelhos com uma cajadada só. Agora teria as fotos que queria para mandar ao irmão.
Nos despedimos da garota e tivemos de sair dali abraçados. Constrangedor para os dois, mas pelo menos tínhamos resolvido uma parte dos problemas. Restava-nos agora conversar sobre o restante dos detalhes durante o caminho relativamente curto entre a padaria e o hotel.
-Eu procurei um cartório e tudo estará certo amanhã mesmo. É só nós irmos lá e assinar os papéis, mas precisamos de outra testemunha e ainda por cima mais padrinhos para o casamento religioso.
-Não seria mais fácil pularmos essa parte do casamento religioso?
-Não, nós precisamos das fotos.
-E se fizéssemos de maneira simbólica?
-Como assim?
-Ora, Gina! Nós chamamos um cara pra fingir ser o mestre de cerimônias e nós fazemos uma encenação de casamento, só pras fotos!
-Nossa que gênio! Não foi isso que falamos com a Selene, estúpido!
-É só falar que é uma cerimônia simbólica, porque somos de religiões diferentes!
-Bem... Isso sim foi uma idéia. Certo, falaremos isso, mas precisamos de padrinhos e outra testemunha.
Foi o momento de cada um se perder em seus pensamentos, divagando entre formas diferentes de solucionar o problema.
-Bem... Tem um amigo. Só um, em quem eu posso confiar.
-Quem?
-Blaise. Eu posso contar pra ele toda a história e ele vai aceitar fazer parte da brincadeirinha.
-Não estamos brincando, é assunto sério.
-Que seja! Blaise com certeza vai aceitar. Já contribuí com um padrinho, e você?
-Bem... Eu não tenho opções... Meus amigos estão todos de certa forma ligados à família, ou são amigos do Harry também...
-O testa rachada...
-É, o testa rachada...
-Nunca imaginei que algum dia iria ouvir isso vindo da boca da namoradinha dele.
-As pessoas mudam.
-É, nós dois somos o exemplo vivo disso.
-E Harry o anti-exemplo.
A briga deve ter sido realmente séria. Havia muito rancor naqueles olhos castanhos.
-O que aconteceu nesse meio tempo entre a casa do seu irmão e sua decisão?
-Não quero falar sobre isso.
-É certo que as coisas já estavam caindo antes, mas alguma coisa realmente forte deve ter acontecido, estou certo?
-Está.
-O quê aconteceu, Weasley? Abra seu coração pro seu futuro marido.
Ela riu fracamente, as ironias ainda eram motivos de riso. Ou será que elas já eram motivo de riso?
-Bem... Ele estava frio e indiferente e eu mandei a carta pra ele, entre os acontecimentos na casa do Gui e a minha decisão. Mais precisamente depois que você voltou para Londres.
-E o que dizia essa tal carta?
-Bem, eu falava que ele tinha que fazer alguma coisa, que ele estava me perdendo... - revirei os olhos, mas ela ignorou - E perguntei a ele o que eu havia feito para essa indiferença. Perguntei qual erro eu havia cometido que tornara as coisas tão difíceis e incompreensíveis.
-E o que ele disse?
-Nada.
-Ele disse que nada havia acontecido?
-Não... Ele nem sequer respondeu.
-Eu tinha razão em achá-lo um imbecil.
-Como se você se importasse comigo...
-Me importo.
-Sei.
Paramos de andar e estávamos à porta do hotel.
-Você é a pessoa com quem convivo mais proximamente desde os tempos da Guerra. Desde aquele tempo não tenho amigos. E não é que eu morra por você, mas eu me importo com você, apesar de tudo. Não sei, você é a única pessoa com quem tenho diálogos verdadeiros, não só no sentido de serem sinceros -em parte, eu admito - mas também por que há muito tempo não falava com ninguém. Sobre sentimentos, sobre pessoas, sobre nada. Só dizia o que era essencial para sobreviver. Mas aí você me forçou a falar mais do que eu falava a muito tempo, a sentir mais coisas que o puro instinto animal de sobrevivência, a querer mais do que sobreviver, e viver também, e aguentar tudo o que isso implicava.
Ela estava sem palavras, apenas olhava nos meus olhos e não parecia saber se era verdade o que me ouvia dizer e eu não sabia porque estava falando aquilo, mas era a verdade. A mais pura verdade.
-Na casa do seu irmão, quando te vi sendo enganada, eu percebi que eu estava me enganando, me entorpecendo, fugindo da verdade todos esses anos. Eu sempre estive me escondendo e quando o choque de realidade me atingiu, eu vi que doía de mais ver todo esse tempo que passou em branco. E talvez, meio insano, eu resolvi te falar que você estava sendo enganada. E com você era pior, você nem tinha escolha. Acho que foi por isso que eu disse pra você sobre seu irmão. Mas confesso, não sei qual foi o sentimento que me empurrou a dizer aquilo tudo.
-Você não tinha pena de mim, tinha?
As palavras demoraram a se formar. Ri genuinamente:
-Não! O que eu menos sentia era pena. Talvez estivesse com inveja, raiva, não sei, realmente não sei. Eu nunca fui bom nisso de sentimentos.
-Pelo menos você é sincero, e não precisa definir nada. O jeito que você age já diz muito do que você sente.
-Bondade, sua, Weasley, eu não me considero sincero.
-Ironia é uma forma de ser sincero. E eu gosto disso. É uma forma de mentir sem mentir...
-Eu nem precisei mentir muito pra você, as pessoas é que pedem pra que a gente use máscaras. E você não exigiu isso de mim.
-Eu não sou muito exigente, é verdade.
-Pois eu sou.
-Nós sabemos disso, Draco. Você parece que foi educado para ser um Lord cheio de frescuras.
-A maneira como fui educado não te compete, Weasley.
-Por quê? A mamãezinha te ensinou a ser um pequeno cavalheiro?
A menção de minha mãe mudou minha expressão e eu pude sentir pelo arrependimento dela em ter dito aquelas palavras, mesmo que não soubesse o por que.
-Desculpe, eu não sei por que, mas...
-Você não tem que se desculpar por nada. Você nem sabe do que estamos falando.
-Não, não sei, mas poderia saber... Porque você não fala pra mim
-Poderia saber? Você não quer saber... Ninguém quer saber.
-Eu me importo.
Silêncio entre nós. Achei que no segundo dia ele não fosse mais estar presente, ou pelo menos não entre eu e ela.
-E depois de tudo que você me disse, o que te custa se abrir comigo mais uma vez?
-Agora não. Talvez mais tarde.
Entrava pela porta, indo embora sem me despedir, mas ela insistiu na despedida, puxou meu braço e me abraçou sinceramente, sem falsos sentimentalismos. Sinceramente, um abraço forte do qual me desvencilhei e entrei no hotel.
Joguei-me na cama, procurando fazer um balanço da manhã, uma contagem regressiva para voltar para Londres. Embora tenha sido agradável, a manhã ganhara um ponto negativo mais forte do que os progressos que havíamos feito.
E não era culpa dela. Eu podia estar sentimental demais, ou a ferida podia não ter cicatrizado totalmente. O fato é que falar de Narcisa Malfoy me fazia mal, me fazia lembrar de todo um passado que nunca vivi, mas que poderia ter existido. Tudo dependia de mim e eu fracassei, fui fraco e abandonei-a.
Batidas à porta. Era a Weasley, mas uma vez, que abriu a porta e entrou, mesmo que estivesse escrito na minha testa "Não Perturbe!"
-Agora já é mais tarde. Pode começar a contar, por mais que te doa.
-Escute, Weasl...
Meramente me sentei sobre a cama, para olhar a cara de pau dela.
Aproximava-se a cada palavra.
-Não, senhor! Eu me abri pra você, falei sobre o Harry e você falou sentimentalismos lá embaixo sobre a minha chegada na sua vida. - Me empurrara, me deitando sobre a cama novamente - Agora, por favor, comece a dizer o que te aflige.
E se instalou a meu lado, também deitada sobre a cama, atenta, olhando fixamente nos meus olhos, um olhar que tornava o pedido ainda mais difícil de negar. Desviei os olhos, antes que aquilo se tornasse perigoso demais.
-Tudo bem, você venceu.
A insistência ganhou, mais uma vez. Ela tinha argumentos fortes, que estavam estampados em seu rosto. Os olhos, as sardas, a boca...
N/A: Esse é o décimo capítulo! Céus, eu nunca imaginei ir tão longe com uma fanfic... Sinceramente, eu esperava que ela passasse do capítulo 7, mas a história ganhou vida própria e só me resta continuar escrevendo. Agora que passou do capítulo 10 o negócio deslancha! Ah, se deslancha!
E olhem, gente, Draco tá começando a gostar da Gina. Pelo menos a ter uma atração física, né? Uhn... tá querendo!
Thaty- Brigada, mais uma vez por deixar review. E calma, nem foi um MAU presságio. No fim vai dar tudo certo, vc vai ver ;D
Miaka-ELA- Tem uns capítulos que tem que ter mais diálogo do que análise, e olha que eu gosto de analisar mais me seguro e escrevo diálogo pra história andar... Brigada!
