(Conquistando – a confiança ou algo mais)

A noite inteira acordado, mas a novidade não era essa. A coisa nova era que não havia pensamento que parecesse coerente o suficiente para dar certo, naqueles milhões de planos absurdos que formulara. Nenhum tinha nada de provável e eram obviamente inviáveis ou impossíveis.

Só um pensamento não ia embora, e me pedia pra acontecer. Mas infelizmente eu não podia torná-lo real, estava fora do meu alcance, mas eu havia de conseguir um meio pra conseguir aquilo. E só conseguiria se pensasse, pensasse e pensasse em uma maneira. Uma só, que fosse possível e rápida, ou o desejo me consumiria por inteiro e eu não responderia por mim.

De repente, me veio uma idéia. Idiota e que até parecia irreal, mas que era possível. Céus, era tão óbvio! Porque não tinha pensado nisso antes? E pelo pouco que eu conhecia dela, ela cairia fácil na minha armadilha sentimental.

"Ginevra,

Confesso que, mesmo tendo negado sua ajuda inicialmente, vou precisar de você. Você sabe, não sou nada bom com as palavras, e muito menos em fazer elas soarem corretas, por isso, quero que você me ajude.

Me ajude, Ginevra, a pensar em como falar à minha mãe toda a verdade, como explicar minhas razões pra cometer a atrocidade que cometi com ela.

Só você pode me ajudar. É só com você que eu posso contar.

Draco"

Por mais que me doesse tocar no nome de minha mãe, essa parte do plano era indispensável, e eu teria que me abrir com ela. Afinal, ela não era tão ingênua assim e descobriria caso eu estivesse mentindo sobre um sentimento tão forte que ela já tinha visto passar por meus olhos. E eu tinha certeza absoluta que ela iria me ajudar. Até que a resposta chegou;

"Draco,

Não sei se poderei te ajudar logo. Estou com Luna e o namorado numa casa que eles alugaram. O clima está insuportável, mesmo que eles estejam realmente me poupando do seu romance, mas mesmo assim, prometi a Luna que passaria o dia com ela. Posso passar aí à noite? Quem sabe, às 9?

Gina

PS: Porque o Ginevra?"

"Sei que já devo ter dito isso, mas gosto do seu nome, principalmente quando é falado com sotaque francês. Já parou para observar, Guinevere?

Eu posso esperar por você.

Draco"

Confesso que foi muito melhor que ela tenha aceitado, porém mais tarde. Eu teria mais tempo para preparar a armadilha, que já tinha começado com a carta e as gentilezas, os comentários sobre seu nome. E eram todas impressões verdadeiras que eu tinha. Ela parecia ser muito esperta, e veria minhas mentiras, então eu precisaria mentir o mínimo possível. Será que tudo que eu havia dito era no fundo verdade?

Talvez sim, porque ela realmente me encantava. De maneira que jamais alguém havia me encantado antes, e começava pelo fato de que ela tinha personalidade, ao contrário de todas as outras mulheres com quem já havia me relacionado. Ela conseguia se vestir de uma maneira que não era para agradar a mim, ela falava sem pensar em me agradar, ela agia sem pensar em me conquistar. Ela não parecia nem um pouco preocupada em agradar ninguém, a não ser ela mesma. Não sofreu por amor por causa do Super Potter e conseguiu pensar rápido em virar o jogo, fazendo vingança. Ela era transparente e não conseguia mentir. Apenas disfarçava um pouco suas emoções, mas sua ingenuidade na arte de mentir e enganar era o que eu mais gostava nela. Ela sabia mentir quando era necessário, mas não gostava daquilo. Queria dar uma lição no irmão que a enganara, planejava os fatos e pensava sempre à frente e superou rápido o fato do querido Potter estar indiferente com ela. Ela era mulher de verdade, sem viver rastejando por um homem. Essa independência, essa personalidade, e aqueles cabelos, aquela boca, as sardas... Céus, tudo me conquistou, me seduziu, e ela nem sabia que estava seduzindo a mim. Ela nem sabia que seduzia. Ela não tinha idéia do quanto poderia ter se ela desse conta de quanto poder tinha às suas mãos, saberia que não poderia ser mal tratada por Potter Perfeito, nem enganada com a desculpa de proteção pelos irmãos... Mas a melhor parte, era que ela não soubesse de seu poder, ou então, não seria ela mesma, e eu não teria me encantado por ela.

Eram nove horas e eu a esperava na porta do hotel. A rua estava ainda movimentada e um vento quente soprava seus cabelos quando chegou. Parecia uma áurea vermelha que se formava ao seu redor e vestia um vestido azul muito simples que deixava suas sardas visíveis em todo o corpo mais destacadas. Estava tão linda... Pena que tanta beleza não fosse pra mim. Ainda.

-Olá. - Cumprimentou alegremente.

-Oi.

-Onde vamos?

-Onde você quiser...

-Eu não conheço nada aqui!

-Justamente, me diga um lugar que queira conhecer!

-O Partenon, que tal?

-Bem, é um pouco longe e inacessível, mas nada que um Malfoy não consiga.

Diante da minha arrogância típica ela virou-se de costas e continuou andando, como se ordenasse que eu a seguisse, mas ela é quem tinha que me seguir para chegar onde queria: o Partenon da acrópole de Atenas.

O rosto dela se iluminou de fascínio. A acrópole estava vazia e toda a cidade nova era a paisagem que tínhamos: milhares de pontos de luz na escuridão, tornando a cidade uma extensão do céu estrelado. Mas o que me deixava encantado não era a construção que havia sobrevivido aos séculos, não era o céu ou a visão, mas sim a figura que se encontrava ao meu lado. E seu deslumbramento com o local era tão ingênuo, infantil e inocente... Eu estava enlouquecendo.

-Você queria falar sobre sua mãe, este é um bom local.

Deixava-me para baixo a idéia de falar sobre aquilo, mas eu tinha que tocar naquele assunto, para que todo o plano desse certo.

-Ainda não sei como, mas quero que você me ajude com minha mãe. - Sua resposta era o olhar que dirigia a mim - Estive pensando... Se não aguentei uma vez sozinho, é provável que eu não aguente de novo. E eu não me perdoaria se falhasse de novo. Ela é muito importante pra mim.

-Entendo. Mas porque você não pede ajuda ao seu amigo Blaise?

-Bem, vou ser sincero. Blaise e eu só somos amigos para beber. Somos companheiros de copo e nada mais.

-E mulheres.

-Não.

-Não tente me enganar, Malfoy. Qualquer homem solteiro na sua idade faria o mesmo, a não ser...

-Sim, mulheres... Mas não vamos desviar do assunto.

-Tem razão, não vamos desviar.

Ela virou-se de frente a mim, ignorando as luzes da cidade e das estrelas para olhar meus olhos. Segurei suas mãos pequenas nas minhas. Parecia tudo tão indiferente a nós. Só existíamos eu e ela.

-Então... Eu preciso de você.

-Mas como eu posso ajudá-lo?

Ela parecia ter entendido minha armadilha sentimental, mas não queria estragar nada caso estivesse errada. Ela tinha dúvidas sobre o que eu queria.

-Sendo minha amiga.

-Já recebi pedidos de namoro, mas de amizade nunca - Ela disse sorrindo, mas ainda um pouco embaraçada

-Pra tudo há uma primeira vez.

-É estranho. Talvez você seja a única pessoa que me pediu pra ser amigo. Com todas as outras pessoas foi tudo tão natural.

-Talvez eu seja diferente das outras pessoas.

-Você é, Draco.

-Que bom. Detestaria ser só mais um na vida das pessoas.

-Ótimo. Então agora somos amigos.

-Oficialmente!

Ela voltou os olhos ao encontro de céu e chão que estava a nosso redor. De repente tudo ficou mais escuro sem que seus olhos não estivessem mais nos meus. Que espécie de feitiço ela tinha?

-Quero que você me ajude a ser melhor, a dar o melhor de mim. - E eu estava sendo mais sincero do que nunca - Eu quero ser diferente, Gina. Diferente do que eu sempre fui. Eu me sinto como se fosse um monstro.

-Talvez você tenha sido, no passado. - De novo, olhar em seus olhos. - Mas as pessoas podem mudar.

-Então você acredita em mim?

-Talvez não acreditasse se me contassem - Seus olhos eram sinceros -, mas eu estou vendo com meus próprios olhos, e acredito que você mudou.

Ótimo, ela acreditava em mim. Acreditaria se eu me dissesse encantado por ela? Era melhor ficar em silêncio. Eu conhecia as mulheres, e mesmo que ela fosse diferente das outras, ainda era cedo pra se dizer uma coisa dessas.

A próxima palavra seria dela. Ela decidiria quando sairíamos dali. Era um prêmio, por ter me feito tão bem. Era um prêmio por ter me dito algo que fizesse tão bem ao meu ego. Ela acreditava em mim, e era isso que me importava naquele jogo de sedução.

Então eu a levei em casa depois que ela silenciosamente tomou minha mão e nos fez retornar pelo caminho por que viemos. Fomos quietos para onde ela quis. Ela estava em um hotel não muito longe do meu, um pouco mais atraente do que eu estava, mas devia ser do mesmo nível. Somente algumas poucas pessoas à rua. Não havia medo de escuro, violência ou de comentários das pessoas que nos tirasse da redoma de confiança que havíamos construído ao nosso redor. Era surreal, e ela parecia também sentir o mesmo. E mais tarde eu saberia, que ela também sentia.

-Boa noite, Draco

Ela virou-se timidamente para ir embora, masa fiz voltar, com um toque de dedos em seu braço. Ela se virou esperando algo.

-Acho justo que eu também me despeça. E que eu agradeça por você me ajudar.

Ela fechou os olhos, ou olhou pra baixo, mas tudo que fiz foi sussurrar um "Boa noite e grato" e me virar. Ainda pude ouvir sua resposta baixa, um "Não por isso" meio sonhador. E olhei de volta e ela pura e simplesmente sorria como um anjo.

Era um sinal. Fazer as coisas pela metade, encantá-la sem tê-la era só uma maneira para descobrir se ela queria o mesmo que eu. Através de seus sinais eu saberia o que se passava naquela cabecinha, naquele coração. E ela queria o mesmo que eu.

De amanhã não passava. Eu a teria mais uma vez e sem estragar nada. Deixando brechas para que mais tarde eu a pudesse ter novamente. Ela seria minha. Nem que fosse só em minhas mãos e nada mais.

N/A: Só pra explicar, essa obsessão do Draco não surgiu de uma hora pra outra. Ele já estava gostando e se sentindo atraido pela Gineca, só que ele não sabia, porque ele não é muito bom com sentimentos, coitadinho! E só depois de ter provado do fruto proibido que ele quis comer mais dessa fruta. Gina também não é boa com sentimentos. Pior do que os dois, só o Harry, corno chifrudo que eu odeio :P

Thaty- Obrigada. Muito obrigada mesmo pelo elogio. Tomara que eu escreva bem mesmo, e que a inspiração bata na minha porta! Vem ni mim, inspiração!