(Tarde)

O fato é que conseguimos pegar o cachorro, que Gina dissera, viveria com ela quando voltasse a Londres. A casa estava aparentemente vazia e Gina já entrara na casa e voltava com o cachorro quando ouvimos um barulho vindo de dentro da casa e tivemos que apressar o passo. Scraps era um cão inteligente e saiu correndo junto conosco, sem olhar pra trás com falta dos donos ou coisa assim, mas vozes chamaram o nome de Gina e demos graças por serem as sobrinhas dela.

-Porque você está levando o Scraps, tia Gina?

-Não podemos conversar agora, seu pai pode nos ver.

-Ele saiu com a mamãe.

A tensão em seu rosto se esvaíra rapidamente só de ouvir tal informação. Eu não conseguia entendia o porquê de tanta incompreensão e raiva do irmão. Era só uma mentira, para protegê-la ainda por cima, e porque tanta revolta? Ela tinha problemas sérios. Sério, ela não podia ser normal, mas eu gostava dela assim.

As duas menininhas, uma loira e a outra ruiva olhavam estranhamente para mim e com o olhar pedi a Gina "Explique-se!".

-Ah, bem... Esse é o amigo da Tia Gina. Draco.

-Legal... - respondeu a loira - vocês estão namorando?

-Não... Na verdade eu e sua tia somos só amigos mesmo.

"Não por muito tempo", pensei.

-Mas o papai disse que você largou o Tio Harry por causa do Draco, Tia Gina. E foi por isso que você e papai brigaram.

-Eu não larguei o Tio Harry. E eu e seu pai não brigamos

-Não?

Ela se ajoelhou à mesma altura da ruiva, que era a mais nova.

-Tudo acaba um dia não é mesmo? Pois então, acabou o namoro com o Harry e o eu e o seu pai brigamos só porque ele gosta muito do Harry e queria que eu continuasse namorando com o amigo dele.

A menina fez uma cara de quem entendera tudo, enquanto a mais velha perguntava:

-E agora vocês estão namorando?

Ela apontara para nós dois.

-Não, eu já disse que somos somente amigos.

-E porque vocês vieram levar o Scraps? Querem formar uma família?

Essa era boa. De muitas besteiras que eu já tinha ouvido essa era a melhor, mas com certeza era num tom inocente que a garotinha dissera aquilo. Mas eu não tinha lá muita paciência com crianças.

-Não, ele só veio me ajudar a buscar o Scraps, que vai morar comigo em Londres. Tudo bem?

Os olhos da ruivinha que devia ter uns 7 anos ficaram tristes por um momento, mas depois ela voltou ao normal e sorriu, embora triste, alegremente:

-Ele não tem muito espaço aqui mesmo.

-Vocês podem vir visitá-lo sempre que quiserem. E posso trazê-lo aqui também se quiserem, mas vocês têm que prometer que não vão contar nada pro pai de vocês.

-Mas ele vai descobrir que o Scraps foi embora quando ver que ele não está aqui! - A mais velha perguntou revirando os olhos.

-Falem que não sabem que fui eu, que não me viram hoje e que ouviram um barulho estranho. Digam que Scraps fugiu!

-Certo. - A mais nova falou - Segredo, tia Gina!

-Certo, as duas têm que me prometer isso!

A mais nova pigarreou e indicou a mim com a cabeça. Gina me olhou

-Elas não podem fazer o juramento secreto na frente de estranhos.

Tudo bem, eu entendi e fui embora com Scraps, deixando para trás uma Gina de volta aos 9 anos de idade e duas menininhas espertas como a Tia que eu mal sabia o nome. Esperei na esquina por alguns minutos e uma idéia me surgiu, para melhorar o que já havia planejado para aquele dia.

-Scraps, você quer me ajudar?

Era idiota falar com cães, mas eu falava mesmo, tenho que admitir. Ele abanou o rabo em resposta. Aquilo era um sim.

Mulheres gostam de heróis, e disso eu tinha certeza. Até Gina gostava, vide namoro e paixão platônica por Harry durante grande parte da sua vida. Ela não sabia e eu tinha certeza disso: ela achara que mudara muito, mas no fundo continuava a mesma Gina, com os mesmos gostos, vontades e paixões. Ninguém arranca uma atração tão fácil assim de dentro de si, por mais que seja só uma atração, é sempre uma esperança que se cria.

Ela não conseguiria me tirar de dentro do coração dela, assim como eu não conseguia tirá-la mais da minha mente, se não desde o primeiro dia no hotel, desde aquele maldito banho de mar, onde quase tudo que eu desejava ver eu pudera quase ver, ainda que não pudesse tocá-la.

Por isso o plano era tão simples, tão fácil e se encaixava tão bem no resto do dia que eu havia planejado passionalmente a fim de tê-la mais tarde para mim.

E fomos almoçar. Num restaurante pequeno, simples, mas requintada e que tinha uma vista maravilhosa para toda a baía. Ficava cravado em uma pedra alta, pintado de branco e logo ao lado havia um farol antigo e abandonado que deixava o lugar ainda mais surreal. Cada pontinho branco no mar era um barco a velas. Um tranqüilo barco a velas deslizando calmamente sobre a água.

A mesa era perto da varanda e eu insistira em levar Scraps conosco, com a desculpa de que estava com muita fome. Ela deveria realmente estar com fome, mas eu não estava, era só pra que Scraps não fosse levado ainda ao lugar onde estavam os excêntricos Lovegood. Eu não gostava muito de animais em geral, mas os cães me agradavam um pouco mais que os outros animais e em especial este era diferente, tinha me defendido e agora me ajudaria mais uma vez.

Sentamos-nos e pedimos rápido, Gina pediu água para beber e eu disse que estava impaciente, que precisava caminhar e voltaria logo, levando Scraps comigo. O cachorro veio comigo, e eu paguei a um menino na rua para entrar lá dentro e tirá-lo de perto de nós, onde o cão calmamente se sentava ao nosso lado e eu iria pegá-lo de volta. Até Gina que era Gina se derreteria.

E como o combinado, ele surpreendeu a Gina e saiu melhor que a encomenda. Primeiro pediu dinheiro e como eu disse não, tendo entendido o que o garoto tinha planejado, ele pegou o cão e começou a correr. Por um momento achei que nada fosse dar certo.

-Vou pegar Scraps de volta! - ela disse se levantando, mas a surpreendi com cavalheirismo.

-Eu pego, Gina! Deixe comigo!

Corri para fora do restaurante, e ela ficou a olhar na porta, o garoto esperava na virada de uma esquina fazendo carinho no cão. Fiquei com pena e lhe perguntei seu nome. "Benjamim" ele respondeu olhando para cima numa expressão sofrida e eu lhe dei uma moeda a mais. Parece que a convivência com Gina estava derretendo meu coração de gelo e eu ficava cada vez mais parecido com ela, ainda que eu mal a conhecesse.

Seu semblante mostrava preocupação e ela bebia água assistida por um garçom cheio de graça e aquilo me causou uma irritação que acabou rápido, assim que ela me viu com Scraps e sorriu.

Aquele sorriso mudo foi tudo que eu precisava ver pra ter certeza, ela sentia gratidão ao menos por mim. Ela era tão fácil de ler e tão difícil de entender, mas naquele momento ficou tudo cristalino.

Ela desistiu de almoçar ali para levar Scraps aos Lovegood e que iria almoçar junto a eles, e quis ir sozinha, mas garantiu que seria rápido. Dei a ela essa liberdade. Se eu insistisse em ir com ela poderia estragar tudo. Ela prometera e eu deveria acreditar nela, por mais que quisesse adiantar os planos e chegar logo ao meu objetivo.

-Boa tarde.

Eu a esperava com uma flor, a mesma que ela dissera ter o nome de minha mãe. Estava na areia, sentado, a esperando, e me pus de pé para vê-la melhor. O sol me cegava e eu precisava vê-la para ter certeza que cada sarda daquele rosto ainda estava no lugar, e estava. Seu sorriso silencioso foi a resposta para meu olhar, que caso não fosse dirigido a mim, certamente deixaria embaraçado ao cara de sorte a quem ela pudesse olhar. Mas esse cara era eu, e a flor em suas mãos era mim, e ela fez questão de colocá-la nos cabelos, talvez para me provocar, talvez por pura inocência, em não achar que alguém pudesse se apaixonar por ela. O branco da flor deixava o vermelho ainda mais vivo. O céu alaranjado a tornava uma paisagem, uma pintura. Ginevra Weasley era a mulher mais linda. E a roupa que havia trocado a deixava ainda mais singela e... Encantadora.

-Porque está me olhando assim?

-O quê?

-Com cara de bobo...

-Não é nada, só que o sol está diferente hoje.

-É mesmo?

Ela se virava de costas para encarar as nuvens alaranjadas pelo sol atrás de si, espalhando pelo ar o perfume dos fios e me deixando de frente àquele mar vermelho. Ela estava me provocando. Definitivamente. Não consigo esclarecer se era consciente ou não a sedução que aplicava a mim, e que funcionava. Eu tinha me convencido de que podia até ser involuntário, mas ela seduzia, somente pelo fato de existir.

Com sua voz calma e certa me acordou do transe:

-Verdade. Hoje vai acontecer uma coisa inusitada.

Não respondi. Não tinha nada a dizer, somente a escutar.

-É uma previsão, Draco.

-Não acredito nelas. Mas essa me parece muito provável de acontecer.

-Pois é bom começar a acreditar.

Ela virou-se de frente para mim e me encarava em silêncio. Por um segundo podia se pensar que a praia completamente deserta parecia ainda mais deserta, sem a vivacidade de sua voz, mas bastou um olhar para que eu visse vida novamente. Somente um olhar e eu pude decifrá-la quase totalmente, ou ao menos decifrar o desejo daquela hora. Era tão difícil acreditar que aqueles olhos pediam o que pediam aos meus, que não fui capaz de me mover conscientemente. Aquele era o par de olhos mais lindos que já havia visto, e me hipnotizavam, eu não era capaz de tomar uma decisão sábia ou no mínimo lógica enquanto estivesse olhando para eles. Então tudo que pude fazer foi deixar que ela me beijasse.

Tomou meu rosto com as mãos e com ganância fez com que nos encontrássemos rápido. Ela também estava fazendo aquilo, pelo menos naquele momento, de caso pensado. Se por um lado eu tinha medo de não saber como tocá-la e de algum modo por tudo a perder, ela sentia o oposto, uma certa urgência em me beijar, antes que fosse tarde e eu desistisse. Parece que nosso jogo de sedução era mais sério do que eu imaginava e ela também sabia disso, pelo olhar que me lançou quando nos separamos, só pra confirmar se aquilo era de fato verdade ou para dar tempo a nós mesmos para uma possível fuga.

Entretanto, tudo que nos ocorreu é que era mais do que certo estar ali, e ali estaríamos até quando tivéssemos vontade. Se o por do sol estava apenas começando, não era tarde. Nunca seria tarde para tê-la para mim.

N/A: Demorou, pela falta de inspiração e de tempo. Galera, ta acabando. Mais uns dois ou três capítulos, segundo meus cálculos nada precisos.

Lilly Angel88 – Olá! Fico muito feliz com suas reviews e agora eu quero ver sua fanfic. Bem posso dizer que a Gina na água foi bem menos 007 do que você imagina, porque ela não é lá muito boa pra seduzir, sabe? O Draco não concorda, acha que ela nasceu assim, mas é atração que eles exercem um sobre o outro e nada mais, e é só porque eles nasceram um pro outro mesmo, e então não é muito bom confiar nos olhos dele, afinal, enxergam a Gina perfeita só porque ela é perfeita... Mas perfeita pra ele!

Thaty – Você sempre elogia, e eu adoro seus elogios! Brigadão e continue lendo. Agora ta chegando na reta final, ninguém pode perder os últimos capítulos, heim ;)

Miaka ELA – coitado, ele nem colocou o plano todo em execução, porque a Ginoca é saidinha e se adiantou ao plano dele, e mais tarde vocês vão ver. Ai ai ai!