CAPITULO V
— Começar? — perguntou Bella, confusa. — Começar o quê?
— A trabalhar para mim — esclareceu Edward, desafiador. — Que talentos você possui fora de um quarto? Sabe, eu me recordo vagamente de, certa vez, você ter passado algumas semanas brincando de datilógrafa — prosseguiu, pensativo, estudando-lhe a expressão aturdida no rosto com cinismo.
Mas havia interpretado mal o motivo para a total imobilidade de Bella. Datilógrafa? Ele sabia mais do que ela própria a respeito de sua irmã gêmea! E aquela habilidade não constava de seu repertório. Também não conseguia se recobrar do choque absoluto diante da sugestão de Edward de que trabalhasse para ele.
— Está... me oferecendo um emprego? — sussurrou.
— Sim, para que você me faça engolir minhas palavras e prove que pode ser confiável. Se bem que receio não poder lhe oferecer a ascensão profissional meteórica que você desfrutou na última vez que trabalhou num escritório...
Ela franziu o cenho.
— Não estou entendendo.
— Que memória seletiva você tem. Depois de meros dias como datilógrafa, o diretor administrativo promoveu você, tornando-a sua secretária. Na semana seguinte, você já havia saído do escritório e se tornado a amante de um homem casado mais uma vez.
Furiosa, Bella quis argumentar, mas acabou mudando de idéia. Do que adiantaria entrar numa nova discussão? Embora odiasse admitir, ele estava no controle da situação. Assim, apenas deu de ombros, esforçando-se para parecer imperturbável diante de tais acusações infundadas. Edward cruzou os braços.
— Bem, acho que este é o momento em que você me diz que ainda está se sentindo fraca demais para trabalhar.
— Pois saiba que estou me sentindo muito bem! — retrucou Bella, desafiadora.
Adiantando-se até a porta, Edward abriu-a com grande satisfação.
— Nesse caso, tenho a ocupação perfeita para você...
Ela franziu o cenho, confusa.
— Aqui?
Segurando-a pelo ombro, Edward guiou-a até o corredor. Antes de lhe dar chance de pensar, conduzira-a por uma porta até um escritório espaçoso, equipado com o que parecia haver de mais moderno em alta tecnologia.
— Mantenho apenas uma pequena equipe aqui — informou-a. — Estas senhoras cuidam de minha correspondência pessoal e coordenam vários projetos nos quais estou envolvido.
Três cabeças femininas se ergueram. Bella gelou. Edward dirigiu-se em espanhol à mulher mais velha que se aproximara para cumprimentá-lo.
— Esta é minha secretária, Dominga... Dominga, esta é Bella Paez.
Bella recebeu um frio meneio de cabeça da austera Dominga. Um olhar foi o bastante para saber que a secretária sabia tudo sobre sua suposta carreira de desalmada fraudadora. Céus, em que novos apuros sua tola tentativa de se defender fora colocá-la?
— Dominga manterá você ocupada. — O sorriso zombeteiro de Edward disse-lhe que já percebera seu grau de desconforto.
O que se passou nas horas seguintes foi uma das piores experiências na vida de Bella.
Apesar de fria, a mulher mais velha não podia ser acusada de injusta. Entretanto, encontrar trabalho para ocupá-la não fora fácil. Como não sabia espanhol, não pôde atender o telefone, nem organizar documentos. Também nunca tivera acesso a um computador antes. Mas o pior momento foi quando Dominga providenciou-lhe uma máquina de escrever. Pálida, desejou que o chão se abrisse a seus pés, enquanto a secretária observava com uma expressão severa as suas desesperadas tentativas de datilografar com dois dedos. Enfim, Dominga simplesmente a deixou com sua encenação tola, enquanto as outras duas mulheres riam e cochichavam, fazendo-a corar até a raiz dos cabelos.
O intervalo para o almoço não poderia ter sido mais bem-vindo. As costas doendo, Bella levantou-se da agora odiosa máquina de escrever e aproximou-se da mulher mais velha.
— Lamento por desperdiçar tanto do seu tempo — murmurou, culpada.
Informada de que poderia tirar a tarde de folga, presumiu que era uma maneira polida de lhe dizerem que não precisava voltar. Seu alívio foi imenso. Mas, então, Dominga disse-lhe que receberia instruções básicas sobre como usar um computador na manhã seguinte.
Ela deixou o escritório, não se sentindo tão grata quanto deveria pela oferta. Seu orgulho já fora ferido pelo papelão que fizera e temia que mais constrangimento a aguardasse. Mas, afinal, o que esperara? Seu emprego de auxiliar na biblioteca não exigira qualificação especial, as funções de maiores responsabilidades tendo ficado a cargo do pessoal mais capacitado. Tendo-lhe sido oferecida a chance de fazer um curso à noite, que lhe teria rendido uma eventual promoção, tivera que recusar por não poder comparecer as aulas. O controle excessivo da mãe impusera limites definitivos em cada aspecto de sua vida. Bella, como espera que eu fique aqui sozinha, enquanto você freqüenta um tolo curso noturno. Como pode ser tão egoísta?, ainda se lembrava de ouvir a falecida mãe dizendo. Por razões semelhantes, não cursara uma faculdade.
Enquanto se adiantava até a escadaria, viu Edward entrando pela imponente porta da frente. Era evidente que estivera andando a cavalo, pois estava magnífico num traje de equitação. Seu coração disparou de imediato. Ele era tão másculo e bonito, tão irresistível... Fitou-a com aqueles intensos olhos verdes enquanto se aproximou, deixando-a com a respiração em suspenso.
Aquele foi-lhe um momento de revelação. Foi o momento em que admitiu que, em sua vida, nenhum homem nunca a fizera sentir-se daquela maneira. Seu interesse especial por Edward começara a desabrochar quando adoecera, acostumando-se a contar com ele, então, sentindo-se segura em sua presença. Fora quando também lhe dera a sua confiança? Porque, por mais irônico que aquilo fosse, confiava em Edward Cullen Del Castillo.
O homem podia representar uma séria ameaça à felicidade da irmã que ela adorava, mas admirava-o pelo forte senso de ética que o guiava. Quantos milionários poderosos teriam se dado ao trabalho de descobrir por que um ex-empregado resolvera arranjar outro emprego depois de sua aposentadoria? E quantos teriam tentado reparar o erro que lhe fora feito por uma terceira pessoa?
— Bella... — disse ele, num sussurro rouco sem deixar de fitá-la um instante sequer.
Inesperadamente, tomou-lhe os lábios com um beijo possessivo. Com o pulso acelerado, só restou a Bella sucumbir ao fogo do desejo que a percorreu de repente. Abraçou-o pelo pescoço, puxando-o mais para si.
Edward, enfim, interrompeu o beijo, ofegante. Fitou-a com seus incríveis olhos.
— Na próxima vez, não a deixarei ir.
Ela ainda apenas recobrava o fôlego, atordoada, e recuou um pouco, apoiando-se no corrimão ao pé da escada. Esforçava-se para controlar o turbilhão de emoções que a dominava e as sensações no traiçoeiro corpo, que a desapontara da maneira mais reveladora de todas.
— Já terminou de brincar de datilógrafa? — perguntou Edward, sardônico.
— Sim. — murmurou ela, desejando mais do que tudo naquele momento recolher-se à privacidade de seu quarto.
— Pensei que você iria me fazer engolir minhas palavras.
— Ora, para que perder meu tempo tentando?
— Assine aquele acordo. Ambos sabemos que você tem condições de pagar o que deve a Fidélio. Em uma hora, eu já a terei levado ao aeroporto.
Bella fechou os olhos com tanta força por um momento que doeram. Subindo a escadaria devagar, enquanto sabia que estava sendo observada, esperou até chegar ao corredor para se adiantar rapidamente até seu quarto e atirar-se na cama.
Seria verdade? Any teria fundos o suficiente para reembolsar Fidélio imediatamente? Achava que não. Era improvável que a irmã tivesse uma quantia daquelas guardada. De repente, as lágrimas que estivera tentando conter rolaram copiosamente por suas faces. Furiosa com sua própria fraqueza, afundou o rosto nos travesseiros e chorou.
Estava irremediavelmente atraída por Edward e arrasada com o fato de que o homem mal podia esperar para se livrar dela! Mas não lhe restava escolha senão encarar a realidade. Um homem como aquele, que poderia ter qualquer mulher de sua escolha no instante em que quisesse, só estava se divertindo a sua custa. Sem mencionar que a desprezava!
Depois que uma criada lhe levou uma bandeja com o almoço, decidiu sair para uma caminhada e tentar espairecer. Trocou o tailleur azul-claro por uma saia longa florida. Ignorando o blazer longo e sofisticado que fazia conjunto com a saia, colocou uma blusa leve e um par de sapatilhas que a glamourosa Any só podia ter colocado na mala por engano!
Deixou a casa minutos depois, deliciada por estar ao ar livre outra vez. Logo descobriu que os jardins informais e exuberantes, que continham algumas árvores floridas de rara beleza, eram tão espetaculares quanto a vista ao longo do vale profundo abaixo. Decidindo explorar a floresta que beirava o vasto terreno em torno da casa, encontrou um caminho de pedra por entre as árvores e seguiu por ali. A tarde já avançava àquela altura e o calor era intenso, mas quanto mais caminhava, mais fascinada ficava. Pássaros coloridos trinavam, voando por entre as árvores. Um macaco pendurou-se a um galho próximo, sobressaltando-a. Ela riu, estudando o animalzinho de olhos brilhantes que a observava com curiosidade. Aquele era como nenhum outro mundo que já tivesse visto.
Mais calma agora que tivera chance de refletir, compreendia que assumira a atitude completamente errada perante o emprego que Edward lhe oferecera. Era evidente que ele só achara que ela estivera blefando e que não esperava que ficasse. E era por aquela exata razão que ficaria até que o homem se cansasse de tê-la por perto! Se não pudesse provar que era confiável, como poderia esperar que ele acreditasse em qualquer promessa que fizesse a cerca da devolução do dinheiro de Fidélio? Uma demonstração de incompetência estava longe de ser o meio de impressionar um homem que já a achava preguiçosa e frívola. Assim, no dia seguinte, iria se esforçar durante o treinamento no computador.
Tomada aquela decisão, dobrou mais uma curva no caminho antigo e gasto que percorria. Ali parou em grande surpresa, os olhos castanhos arregalados. Somente naquele momento lembrou-se do comentário de Alice sobre a Hacienda de Oro ser um lugar de sonhos para um arqueólogo.
Diante de seu olhar fascinado, numa imensa clareira, havia o que parecia uma infinidade de ruínas de construções dos maias, incluindo um templo em relativo estado de conservação.
Sempre se interessara por civilizações antigas. Se tivesse cursado uma universidade, teria estudado arqueologia. Então, cinco anos antes, Any enviara a ela e à mãe um cartão postal simples, anunciando seu casamento com um cidadão guatemalteco. Um longo silencio se seguira até que a irmã entrara em contato com ambas outra vez, somente onze meses antes. Durante anos,
Any imaginara que a irmã de quem sentira tanta falta estivera vivendo na Guatemala com o marido. Daquele modo, tivera um especial interesse em ler a respeito das ruínas das cidades maias, espalhadas pela América Central. Quando partira de Londres, perguntara-se se teria a oportunidade de visitar algum dos famosos sítios arqueológicos em Petén, mas achara improvável, uma vez que estaria viajando para confortar um homem em seu leito de morte. E, ainda assim, agora, bem diante de seus olhos, estava a experiência suprema para uma amante da arqueologia...
Mais tarde, absorta em examinar de perto o que antes só vira nas páginas dos livros, a exploração de Bella foi finalmente interrompida.
— O que, diabos, você esteve fazendo todo esse tempo? — Uma voz de familiar sotaque perguntou-lhe a poucos metros.
Não tendo ouvido a aproximação de Edward, Bella sobressaltou-se. Virando-se para fitá-lo, logo notou que estava furioso.
— Desculpe, eu...
— Guardas armados patrulham estas ruínas vinte e quatro horas por dia a fim de protegê-las. Suponhamos que você tivesse sido confundida com uma saqueadora? Onde está o seu juízo? Não pode ir simplesmente se embrenhando pela selva como se estivesse passeando por uma propriedade rural inglesa! — Os olhos dele faiscavam, irados.
— Não estou na selva...
— Está numa floresta tropical, sua tola! Faz idéia de quanto tempo levei para encontrá-la?
— Mas eu não estava perdida... Apenas segui o caminho de pedra!
Edward respirou fundo num óbvio esforço para tentar controlar sua raiva e fez uma ligação no telefone celular que usava, falando num rápido espanhol. Em seguida, tornou a estudá-la.
— Estávamos preocupados com você! Deixou a casa há mais de três horas!
Três horas? As pessoas preocupadas? Mortificada, Bella consultou o relógio de pulso.
— Oh, céus, eu lamento muito... Eu não fazia idéia de que estava aqui há tanto tempo!
— Pare de fingir indiferença. Não sou tolo. Você estava perdida.
— Não... — Mas Bella olhou ao redor, dando-se conta de que não tinha mais certeza da direção de onde viera. Talvez tivesse tido alguma dificuldade em encontrar o caminho de pedra sozinha na volta, admitiu a contragosto.
— E uma vez que não acredito que a civilização maia seja uma grande paixão sua...
— Eu só gostaria de ver o templo antes de ir. Estava deixando para vê-lo por último, com mais calma.
— Quem está tentando impressionar aqui? Faz sequer idéia do que tem diante dos olhos?
Ignorando o desdém dele, Bella estava nos degraus do templo, estudando as máscaras das divindades que adornavam a imensa entrada ornamentada.
— Bem, esse é Hun Hunapu, o deus do milho... e aquele é Chac, o deus da chuva... e este aqui é Kinich Ahau, o deus do sol — respondeu, endireitando os ombros, e, então, adiantou-se até o interior escuro do templo. — Este lugar tem uma pib na?
No silêncio carregado que se seguiu, ela mordeu o lábio inferior e lançou um olhar a Edward.
De cenho franzido, ele a estudava com desconcertante intensidade.
— Há alguma coisa errada?
— Si — respondeu ele pausadamente —, o templo tem uma sala subterrânea.
— Com murais? — perguntou ela, interessada e, então, suspirou. — Imagino que a umidade os tenha arruinado, não?
— Não. — Edward continuava a observá-la intensamente. — Mas enquanto o projeto para preservá-los está em andamento, não estão disponíveis para visitação.
O silêncio tornou a se prolongar. Ele, então, fitou-a nos olhos, enrijecendo o maxilar.
— Num aspecto, fui injusto com você e, por isso, devo-lhe sinceras desculpas. Apenas em respeito à memória de seu falecido marido você poderia ter adquirido tamanho interesse pelos maias.
A sinceridade era tocante. Mas o pedido de desculpas foi como uma bofetada para Bella. A cor esvaiu-se de suas faces. Edward acreditava estar se dirigindo à viúva de Mike e, enfim, demonstrava algum respeito. De repente, sentiu uma profunda vergonha da farsa em que estava metida.
— Está ficando tarde — murmurou, tensa.
Mas Edward pousou a mão de leve em seu ombro, detendo-a.
— Você deve ter amado Mike imensamente...
Pouco à vontade, ela soltou-se e começou a descer os degraus.
— Não é um assunto que eu queira discutir.
— Talvez não, mas quando crianças, Mike e eu éramos muito amigos.
— Tenho certeza de que isso não durou muito — ouviu-se Bella retrucando, porque estava ansiosa para mudar de assunto. — O herdeiro da fortuna Del Castillo e o filho do capataz?
— Nunca foi assim entre nós. Mike ainda me considerava o bastante para ter-me telefonado no dia do casamento de vocês e confessar que estava mais feliz do que jamais esperara em sua vida.
Aquela era uma admissão que Bella sabia que transmitiria à irmã gêmea quando surgisse a ocasião. Mas, no momento, não queria falar sobre Mike, pois sua farsa a fazia sentir-se a mais vil das criaturas.
Edward pegou-lhe a pequena mão.
- Olhe para mim... — pediu-lhe. — Orgulho-me de saber fazer um julgamento acertado, mas talvez eu tenha me precipitado em julgá-la por não ter atingido os meus padrões de comportamento depois da morte de Mike.
— Foi há muito tempo.
— Céus, ao menos dê-me crédito por, enfim, tentar compreender o que pode ter levado você a se comportar de maneira tão imprópria meras semanas depois do funeral!
Bella libertou a mão, seu desconforto dando lugar à raiva e ao ressentimento.
— Seu grande tolo! — sussurrou em furiosa censura.
— Que pasa? — Uma expressão dura surgiu no rosto de Edward diante do inesperado ataque.
— Você... você está enganado a respeito de tudo! — exclamou Bella numa passional defesa da irmã que adorava. — E é superficial demais para ser capaz de entender.
— Superficial? — repetiu ele, incrédulo.
— Quantas casas um homem precisa ter para morar? Como você pode saber o que é ser pobre, estar deprimido e não se importar com mais nada? — perguntou ela em fria condenação. — O que você sabe sobre o terrível sofrimento e o desespero que tiram uma pessoa dos eixos?
Com aquele desabafo, saído do fundo de seu coração, Bella lançou-lhe um último olhar desgostoso e afastou-se. Ignorou-o quando o ouviu chamando-a e continuou caminhando rapidamente.
Podia avistar o caminho de pedra agora e não via razão para percorrê-lo na companhia daquele homem, uma vez que podia encontrar a casa sozinha.
Enquanto avançava pelo caminho entre as árvores, lembrava-se da noite em que Any falara sobre o repentino ataque cardíaco de Mike. A irmã confiara-lhe que ficara tão arrasada depois que o marido morrera que fizera algumas coisas dais quais se arrependera. Bella não especulara a respeito na ocasião, mas achava que agora sabia quais tinham sido aquelas coisas. Posar nua, envolver-se com homens casados. Homens que deveriam ter tido mais decência, pois Any estava com dezessete anos na época!
Emergindo de seus pensamentos, notou que a vegetação a sua volta parecia muito mais densa do que notara antes. Plantas exóticas floresciam num tapete fantástico e exuberante abaixo das árvores.
Imensas samambaias, bromélias coloridas e delicadas orquídeas reluziam sob a luz difusa da floresta. Sim, a claridade estava diminuindo, ou talvez as copas das árvores formassem uma cobertura mais densa naquele ponto, ponderou e, então, ouviu o barulho de água correndo.
Parou em aturdimento quando viu as águas espumantes de uma cachoeira escorrendo por entre rochas até uma grande e serena lagoa abaixo. A água era tão cristalina que podia ver cada pedra abaixo da superfície. Era uma bela paisagem. Mas obviamente não estava no mesmo caminho que usara antes.
Edward iria esganá-la, pensou, irônica. Inclinando-se, colocou um dedo na água. Estava deliciosamente fresca. Ergueu-se devagar, atenta ao silêncio a volta. Sentia tanto calor que as roupas úmidas grudavam na pele. Apenas um mergulho de dois minutos, decidiu, sucumbindo à tentação. Depois, voltaria por aquele caminho e tentaria encontrar o outro que levava à casa.
Despindo-se com um suspiro de alívio, entrou na lagoa. Era simplesmente paradisíaca. Jogou água para o alto e molhou-se toda, deliciando-se com cada gota de água pura que lhe tocava a pele quente.
— Não se mova, Bella...
A voz de Edward soou baixa, mas seu tom fora de urgência. Com o choque indesejável, Bella realmente ficou imóvel, a quase total nudez sua maior preocupação. Num gesto automático, então, ergueu a cabeça e começou a cobrir os seios com as mãos. O que viu naquele instante com um único olhar de relance encheu-a de terror absoluto...
