CAPÍTULO X

No mesmo instante, Roger levantou-se para fazer um discurso. Bella, porém, estava concentrada no intimidante ar de desafio no olhar de Edward. Sentindo a boca seca, desviou seus olhos de repente na defensiva. Era estranho como uma proposta que teria recebido com alegria alguns dias antes agora a fazia sentir-se magoada e humilhada, pensou. Não era de admirar que Roger e Edward tivessem ficado amigos tão depressa! Mas o que Edward esperava dela? Gratidão eterna? Nem sequer fizera o pedido de casamento diretamente a ela! Embora nada ainda tivesse sido discutido entre ambos e muitas explicações ainda tivessem que ser dadas da sua parte, ele decidira por conta própria que havia apenas uma solução. Um casamento forçado, à moda antiga, com um noivo determinado a fazer o que julgava o seu dever, em vez de fazer o que queria de fato! Bella ergueu o queixo.

— A respeito do pedido da minha mão em casamento, que você apresentou ao meu cunhado antes de sequer ter pensado em mencioná-lo a mim — declarou, ríspida —, a resposta é não, obrigada!

Àquela altura, Roger insistiu em fazer um brinde à irmã de Any, que acabara de ficar noiva.

Bella afundou mais em sua cadeira, o rosto ardendo por causa de seu constrangimento e crescente ultraje. O que havia de errado com todos? Sem uma palavra de consentimento sua, seus parentes presumiam alegremente que iria se casar!

— Vamos dançar — sugeriu Edward, quando casais começaram a ocupar a pista de dança.

— Não, obrigada!

— Você está se comportando como Alice, sabia?

Bella corou e levantou-se, lutando contra as lágrimas e uma súbita vontade de esganá-lo.

Edward conduziu-a à pista de dança, estreitando-a em seus braços. Ela sentiu um instantâneo calor percorrendo-a com aquela proximidade, o coração disparando. Fechou os olhos, abalada em descobrir que seu traiçoeiro corpo estava indiferente ao turbilhão em sua mente.

"Não, obrigada"? — questionou Edward num tom triunfante longos momentos depois, enquanto a moldava no calor de seu corpo. — Se estivesse em minha cama agora, você me daria uma resposta bem diferente.

Bella gelou, errando um passo.

— Isso é o que você pensa...

— É o que eu sei, pois o seu desejo por mim é a única coisa sincera que você já me ofereceu!

Aquele tom cortante fez Bella empalidecer.

— Está certo... Eu deveria ter-lhe contado a verdade, mas tive medo de que você confrontasse Any e causasse problemas entre ela e Roger antes do casamento de ambos — argumentou Bella, veemente.

— Pobrezinha, sempre se sacrificando pelo bem dos outros — retrucou Edward, sardônico. — Mas não é incrível que, em vez de se tornar minha amante, você agora se tornará minha esposa?

Ela cerrou os dentes numa explosão de raiva.

— Eu não seria sua amante nem que você me pagasse!

— Céus, achou que eu esperaria que você dividisse minha cama em troca de nada? Aprendi a lidar com mulheres muito mais calculistas do que você. Esperei um preço, claro, mas nem mesmo eu pude imaginar que seria uma aliança de casamento!

Ultrajada, Bella desvencilhou-se daqueles braços e deixou rapidamente a pista de dança, refugiando-se no toalete feminino.

Era assim tão insensível o homem que julgava amar? Tinha o direito de magoá-la tanto? Perguntou-se ela, a dor oprimindo-lhe o peito. Mas enquanto o pensamento lho ocorria, teve que reconhecer que Edward tinha motivos de sobra para estar furioso com ela. Podia estar agindo com controle e discrição em nome das aparências, mas era evidente que fervia de raiva por dentro, pois poucas horas antes descobrira que fora enganado. Depois, movido por seu arraigado senso de honra e dever, concluíra que não lhe restara escolha senão pedi-la em casamento... apenas por causa do bebê.

Para um homem que pretendera torná-la sua amante, levá-la ao altar devia estar sendo um irônico golpe do destino. Lembrando-se da visita à casa dele em Londres e da explosão do paixão que provavelmente a teria levado a fazer amor com ele novamente, corou, constrangida.

Da maneira como se sentia em relação a ele, poderia ter se visto envolvida num relacionamento angustiante, no qual teria sempre estado à espera do telefonema seguinte de Edward. Pousando a mão no ventre ainda liso, ponderou que, embora não quisesse um noivo relutante, amava Edward e preferiria ser sua esposa do que sua amante...

Durante a festa, tomou o cuidado de manter distância dele, circulando entre os demais convidados. Mais tarde, quando chegou o momento de Any se trocar para que pudesse rumar com Roger para o aeroporto, a irmã levou-a até o quarto do hotel.

— Então, meu ex-inimigo vai se juntar à família. Só você para ter conseguido uma reviravolta dessas em tão pouco tempo!

— Não é tão simples quanto parece, Vou ter um bebê — anunciou Bella, enfim, à irmã.

A estupefação de Any logo se evidenciou.

— Mas você era a mais cautelosa e sensata de nós duas.

— Sou humana também.

— Mas você só ficou na Guatemala por pouco...

— Foi tempo o bastante.

Any abriu um largo sorriso.

— Então, vou ser tia e ver como é ser mãe antes de eu mesma tentar! — Hesitou, seu rosto corando. — Bem, acho que Edward vai deixá-la logo a par do outro assunto.

Bella franziu o cenho.

— Que outro assunto?

— Esqueça isso agora. É algo em que não quero mais pensar. Mas posso lhe dizer uma coisa... Edward é um homem realmente decente!

Depois que os recém-casados partiram rumo à lua-de-mel, Bella entrou na Ferrari de Edward.

— Acho que temos que conversar — disse, tensa.

— Não é uma boa idéia enquanto ainda estou me esforçando para manter a raiva sob controle — avisou-a ele.

— Sentindo-se dessa maneira, é uma insensatez falar a respeito de nos casarmos.

— Não vejo as coisas assim. Tenho um dever para com meu filho e o nome da minha família. Não há escolha quanto à maneira de lidarmos com esta situação, com a minha irmã de dezesseis anos vivendo sob o mesmo teto. Nós nos casaremos dentro de três dias.

— Três dias? — repetiu ela. incrédula.

— Sim, quanto antes nos casarmos, melhor. Se posso proteger minha irmã das conseqüências de minha própria estupidez, é o que devo fazer.

Bella não pensara em Alice, mas agora ocorria-lhe, para seu constrangimento, que uma gravidez fora do casamento não era a maneira de incutir numa irmã adolescente os princípios que Edward gostaria de lhe ensinar.

Soltou um longo suspiro, recostando a cabeça no assento do carro e fechando os olhos. Edward não estava lhe dando escolha naquela situação, mas ainda sabia que tinha uma escolha. Deveria se casar com ele porque o amava e carregava seu filho no ventre e ter a esperança de que, de algum modo, pudessem obter um milagre juntos? Mas era evidente que Edward não seria facilmente persuadido, que não pretendia obter milagre algum.

Era um homem de fortes emoções, mas estavam todas firmemente sob controle. Estava sendo racional ao extremo. Considerava a gravidez dela um problema. Parecia acreditar que podia resolvê-lo como se fosse qualquer outro problema rotineiro. Mas, no fundo, sentiria algo por ela além da raiva?

Bella despertou num quarto estranho, mas de sobriedade masculina. A última coisa de que se lembrava era de ter estado no carro de Edward. Verificou seu relógio sob a luz do abajur. Era quase meia-noite.

Enquanto se sentava na cama, a porta se abriu e Edward entrou. Ao se dar conta de que ela estava acordada, parou no lugar e estudou-a com olhos velados.

De repente, soltou um riso irônico.

— Você parece a própria imagem da inocência nesse vestido longo branco. Na Guatemala, você só usava roupas provocantes, destinadas a atrair a atenção dos homens. Bastou olhar para você e vi a mensagem nas roupas que usava.

— Que mensagem? — perguntou Bella, desconcertada.

— Que você estava sexualmente disponível, que queria que eu a olhasse e desejasse. Entendi a mensagem errada, não é?

Bella baixou a cabeça.

— Aquelas roupas não eram minhas.

— Achou que eu ainda não havia deduzido isso? — indagou Edward num tom zangado. — Assim como pensou diante da igreja que talvez eu não conseguisse distinguir você de sua irmã?

— Muitas pessoas dizem que não conseguem...

— Então, são cegas. Any parece mais velha. Os traços do rosto são os mesmos, mas a expressão é diferente e tem olhos cínicos.

— Eu não teria ficado muito contente se você não tivesse conseguido nos distinguir — confessou Bella.

— E eu teria ficado muito mais contente se tivesse descoberto meu erro antes de você ter deixado meu país — admitiu ele. — Só tive a intenção de passar uma noite com você...

— Por favor, não vamos falar sobre isso.

Ele ignorou-lhe o pedido, o maxilar enrijecendo.

— Eu nunca havia levado uma mulher a Hacienda de Oro. É o lar de minha família. Por respeito à minha irmã, mantenho certas regras lá, mas o desejo venceu os meus mais rígidos princípios. Eu não tinha nada com que proteger você. Acreditava que você estivera vivendo recentemente com um homem...

— Entendo isso.

— Entende? Precauções me ocorreram, mas meu desejo foi mais forte do que minha cautela. Assim, agora ambos pagaremos o preço.

Bella esforçou-se para conter as lágrimas.

— Não tem que ser assim.

— Acha que estou tremendo feito um adolescente forçado a cumprir suas obrigações? — Edward riu, divertido, desconcertando-a ainda mais com seu humor. — Agora que passei a tarde toda e a boa parte da noite contando os prejuízos, deixe-me contar os benefícios.

— Benefícios? — indagou ela, surpresa.

— Terei você em minha cama sempre que quiser. Terei um filho e gosto de crianças. Também terei uma guardiã para minha imprevisível irmã, que concordou em voltar à escola, mas em sistema de semi-internato. Embora eu tenha condições de passar mais tempo em Londres, viajo constantemente e não poderia deixá-la sozinha nesta casa, apenas com a criadagem como companhia.

Enquanto falava, Edward adiantou-se até a cama e tomou as mãos de Bella nas suas, aproximando-a de si. Ela sentiu uma seqüência de arrepios subindo-lhe pela espinha diante da intensidade naqueles olhos verdes e, mais uma vez, censurou a si mesma por sua fraqueza.

— Minha irmã já não está na idade de encarar você como uma figura materna substituta, mas no ponto de ter uma espécie de irmã mais velha que a aconselhe. Ela gosta de você. Certamente você caiu nas boas graças de Alice!

Surpresa com aquela mudança repentina de humor, Bella nem sequer protestou quando ele a ergueu em seus braços. Mas, apesar de confusa, não pôde deixar de se sentir grata quando a levou de seu quarto.

— Talvez não seja apenas nas boas graças dela que eu queira e precise estar — disse de repente, numa confissão precipitada, mas sincera.

— As coisas nem sempre são como queremos. Ao contrário de você, não minto. Se não estivesse esperando um filho meu, você não estaria aqui agora. — Ao final do corredor, Edward abriu a porta de outro quarto e carregou-a até a cama.

— Mas eu não poderia viver com você sabendo que se sente dessa maneira! — admitiu ela sem pensar, tamanha foi a dor com que reagiu às palavras.

— Não é de minha natureza ser tolerante e capaz de perdoar, como se espera que todos sejam nos dias de hoje. Tenho um forte senso do certo e do errado, e o que você me fez foi muito errado. Não espere que eu finja o contrário.

Abalando-a com seu discurso, deixou-a:

Buenas noches, Bella.

Ela manteve o olhar fixo no teto e, enfim, deixou que as lágrimas fluíssem livremente. Bem, perguntara a Edward como se sentia a seu respeito e ele lhe dissera com toda a franqueza. Jamais seria capaz de perdoá-la.

Não podia se casar com ele. Não podia!

Revirou-se na cama a noite inteira, insone, mas conseguiu, enfim, pesar cada possibilidade. Foi quando decidiu que iria se casar com ele. O bebê que esperava merecia que assumisse o compromisso e tentasse fazer o casamento de ambos dar certo. Teria que ser paciente em relação a Edward, mas, com o tempo, talvez começasse a vê-la com outros olhos. Certo, não a amava, mas ninguém conseguia absolutamente tudo o que queria, não era? O fato era que estava disposta a fazer a tentativa.

Na manhã seguinte, quando desceu do quarto, encontrou Edward lendo um jornal na sala onde era servido o desjejum.

— Obtive uma licença especial para nos casarmos depois de amanhã aqui em Londres — anunciou ele, levantando-se. — Imagino que minhas relações diplomáticas tenham ajudado a consegui-la tão depressa.

— Eu ainda não disse que vou me casar com você — retrucou Bella, tensa.

— E se casará?

Ela sentiu o rubor tingindo-lhe as faces.

— Sim.

— Não duvidei disso por um minuto sequer. Alguns de meus funcionários estão cuidando dos preparativos. Sugiro que você se mude para cá hoje. A escola de Alice dará breves férias aos alunos durante esta época de Natal e fim de ano, a partir de amanhã, e ela estará em casa à tarde. Eu agradeceria se você já tivesse se mudado para cá até lá.

Sentando-se à mesa, Bella perguntou, enquanto um criado lhe servia café:

— Você não estará aqui?

— Estarei em Paris hoje à tarde. Voltarei a Londres amanhã, no final da noite. — Enquanto ele se adiantava até a porta, ela se levantou e seguiu-o.

— Já está de partida?

— Diga-me, vou ter que responder a quarenta perguntas a cada vez que deixo você?

Ela corou, mas meneou a cabeça em resposta.

Edward estudou-lhe o rosto com um olhar intenso e inclinou a cabeça, tomando-lhe os lábios com um beijo tão impetuoso e inesperado que a fez soltar uma exclamação de surpresa.

— Eu quase havia esquecido — disse um tanto rouco quando interrompeu o beijo. — O anel...

Ainda recobrando o fôlego, ela o observou tirando uma caixinha de veludo do bolso e colocando-a na palma de sua mão.

— O anel de noivado. Minha irmã esperará um. Ah, leve-a com você para comprar o vestido de noiva. Escolha um branco e tradicional, com véu e tudo mais. — Consultando o relógio como um homem muito ocupado, Edward estivera prestes a deixá-la, mas deteve-se de repente, pensativo. — Talvez uma tiara... Providenciarei para que as jóias de minha mãe sejam enviadas de avião da Guatemala. E você precisará de um buquê... rosas brancas — estipulou sem hesitação. — E não prenda os cabelos.

Bella acompanhou as detalhadas instruções com crescente surpresa.

Edward lançou-lhe um olhar frio, o maxilar ainda mais rijo.

— Estou pensando na aparência das coisas para minha numerosa família e amigos... numa filmagem, já que o tempo é tão curto. Daremos uma grande festa na qual mostraremos o filme do nosso casamento a todos quando voltarmos a Guatemala para passar o Ano-Novo. — Com aquilo, retirou-se.

Bella voltou a sentar-se à mesa como um autômato. Todos aqueles detalhes do casamento eram apenas em nome das aparências? Abriu a caixinha de veludo e ficou com a respiração em suspenso ao deparar com o reluzente anel de diamantes no formato de uma flor. Era magnífico e incomum.

Um anel de noivado, porque a irmã dele esperaria um. Aquilo dilacerou-lhe o coração.

Foi inevitável pensar em como era doloroso e irônico que Edward a condenasse por tê-lo enganado, e em seguida deixasse claro que esperava que ela fizesse outra desleal encenação durante o casamento de ambos.

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Desculpem por demorar tanto para atualizar..

Mas por problemas pessoais não foi possível antes....

Espero que gostem...

E muito obrigada pelos recados *-*

Beijos