CAPÍTULO XI
— Para um vestido barato que teve que ser comprado pronto, até que ficou muito bom — admitiu Alice quarenta e oito horas depois, estudando o vestido de noiva que Bella usava.
— Foi bastante caro! — protestou ela.
— Oh, você tem novos padrões financeiros a aprender agora que está prestes a se tornar uma Del Castillo. Qualquer coisa que não tenha sido especialmente desenhada para você é barata!
Mas, ainda assim, era um vestido de sonhos. Sozinha, Bella jamais teria entrado no ateliê de alta-costura ao qual Alice a levara no dia anterior. Temendo não encontrar algo digno da tiara que Edward mencionara, já começara a se desesperar... até que vira aquele delicado vestido de tecido nobre, a parte de cima e as mangas longas bordadas com contas imitando pérolas.
— Acho que você está tão bonita que Edward mal pode esperar para levá-la ao altar! — confiou-lhe uma sorridente Alice, ajudando-a a colocar a magnífica tiara de diamantes sobre o véu de tule.
Bella apenas forçou um sorriso. Nem sequer vira Edward desde que ele partira para Paris.
Voltara bastante tarde na noite anterior. E, naquele dia, com Alice na casa, determinada a seguir cada tradição existente, nem pudera descer do quarto, pois a jovem alegara que teria má sorte se visse Edward antes que se encontrassem no altar.
Depois da cerimônia, Alice passaria alguns dias na casa de uma amiga da escola. Ela e o irmão, enfim, haviam chegado a um acordo quanto a seu futuro. A adolescente estudaria em sistema de internato durante a semana, mas voltaria para casa nos fins de semana.
Uma limusine branca transportou Bella e Alice até uma pequena igreja nos arredores de Londres. Bella mal pôde acreditar em seus olhos quando viu o equivalente a uma equipe inteira de filmagem a postos, esperando sua chegada.
— Isto passará em todos os noticiários no meu país — disse Alice, admirando-se em vê-la tão espantada.
Na verdade, a cerimônia inteira foi filmada, mas nervosa como estava, Bella esforçou-se para ignorar todos à volta, concentrando-se apenas em Edward desde o instante em que entrou na igreja.
Ele pareceu ter olhos só para ela também e aquilo deixou-a feliz, todas as suas preocupações desvanecendo-se por completo naquele momento.
Realizada a cerimônia, Bella voltou à limusine como a sra. Del Castillo agora, de braço dado com Edward.
Ele abriu-lhe um sorriso.
— Você está linda.
Ela foi tomada por uma onda de alegria, mas, de repente, lembrou-se de que, para Edward, todo aquele esmero em torno da cerimônia fora apenas em nome das aparências e sentiu um doloroso aperto no peito.
— Espero que tudo tenha sido de seu agrado — disse com um sarcasmo que não pôde conter. — Não gosto de decepcionar as pessoas.
O semblante dele endureceu.
— Não é uma pena que não tenha tido a mesma consideração por mim antes?
— Se está se referindo ao fato de eu ter me passado por Any, já sei muito bem como se sente — retrucou ela, zangada. — Sei que prefere ignorar o fato, mas eu poderia ter-lhe contado toda a verdade se você não tivesse feito tantos comentários desagradáveis sobre o passado de minha irmã e, então, dado a entender que o futuro marido de Any deveria ser alertado sobre o caráter dela.
— Sim, essa é a sua desculpa. Eu estava furioso por causa do que Fidélio teve que sofrer.
— Any nunca pretendeu que ninguém sofresse! Pode ter escrito cartas patéticas pedindo dinheiro, mas acreditava sinceramente que ele era rico, que tinha condições de ser generoso. Isso não é o mesmo que ser uma vigarista!
— Nem tampouco é um comportamento aceitável. E não melhora a imagem que tenho de você tentando dar a entender o contrário.
— Lamento. Ela é minha irmã e eu a amo... incluindo seus defeitos — declarou Bella de queixo erguido. — As pessoas podem mudar. Encontrar a felicidade com Roger fez Any mudar, e eu não queria que ela o perdesse.
— Droga! — exclamou Edward, de repente, com tamanha raiva e incredulidade que ela ficou desconcertada. — Ainda assim, mal se preocupa com o que eu posso pensar de você!
— Não é verdade — começou Bella, trêmula, intimidada pela fúria nos olhos verdes.
— Deixou que eu chamasse você de prostituta! — prosseguiu Edward num tom de condenação. — Mentiu para mim. Mesmo na noite em que fizemos amor, você continuou mentindo. Mas o pior, a mais imperdoável das atitudes, foi me deixar acreditar que você estava dormindo com outro homem e que talvez não soubesse quem era o pai do bebê em seu ventre!
Bella permaneceu imóvel no assento da limusine, tomada pelo choque.
— Eu poderia ter ido embora e nunca mais voltado. Poderia tê-la abandonado para sempre. E pensou no que isso lhe custaria? Importou-se? Não! — esbravejou Edward, acusador..
— Eu... teria entrado em contato com você.
— Como? Acha que eu teria atendido seus telefonemas, aceitado suas cartas ou acreditado em qualquer coisa que tivesse me dito ou escrito? Uma mulher que me deixa acreditar em coisas tão sórdidas a seu respeito por mais de um momento não é uma mulher da qual posso sentir orgulho em ter como esposa! Posso apenas esperar que tenha mais consideração e amor por nosso filho, quando nascer, do que teve por mim!
Com aquela conclusão cheia de ressentimento, Edward baixou o vidro elétrico que os separava de seu motorista e ordenou-lhe algo em espanhol. A limusine parou quase imediatamente e Edward abriu a porta num gesto brusco, saindo.
— Aonde você vai? — exclamou Bella, aturdida.
— Preciso de um pouco de ar fresco — respondeu ele, entre os dentes e tornou a fechar a porta, desaparecendo na multidão de pessoas que faziam compras de Natal.
Enquanto a limusine voltava ao tráfego intenso, Bella lutou contra as lágrimas. Deu-se conta de repente de que ela, que sempre se orgulhara de seu bom coração e sensibilidade, agira da maneira mais cruel que se podia imaginar. E, por mais que tentasse, não conseguia mais se justificar.
Não havia desculpa para ter deixado Edward passar dois dias inteiros achando que Roger era seu amante, especialmente estando grávida. Admitia que, até o momento desastroso em que ele vira Roger no apartamento, ainda continuara mentindo pelo bem da irmã, mas, no fundo, também temera que, se contasse toda a verdade a Edward, arruinaria qualquer chance que pudessem ter juntos. De qualquer modo, tentara fazê-lo ouvi-la naquele dia, mas ele se recusara. Estivera tão furioso que ela o deixara ir. E seu maior erro fora não ter tentado esclarecer tudo logo depois.
Quando chegou de volta à mansão, estava perturbada demais com seu comportamento imperdoável para sentir constrangimento por ter retornado sozinha da igreja. Como pudera tratar alguém a quem amava da maneira como fizera a ele?, perguntou-se, andando de cá para lá em seu quarto em crescente agitação.
Quando Edward, enfim, voltou, duas horas depois, a ansiedade dela em falar-lhe chegara a tal ponto que nem se importou em ter que lidar mais uma vez com a raiva e o desprezo dele. Ainda sem sequer ter tirado o vestido de noiva, esperara em seu quarto, pronta para procurá-lo tão logo o ouvisse chegando.
Para sua surpresa, porém, o próprio Edward apareceu de repente junto à porta entreaberta de seu quarto, fitando-a com uma expressão indecifrável no rosto.
Bella levantou-se da beirada da cama de imediato.
— Antes que fale qualquer coisa — começou, ansiosa —, eu tenho algo a lhe dizer. Eu gostaria de poder lhe dar uma explicação mágica do porquê de eu ter deixado você ir embora naquele dia em que viu Roger no apartamento sem ter feito você me ouvir, mas não posso! Acho que apenas me acostumei tanto a fingir que era Any, a agir passivamente que...
Inesperadamente, Edward fechou a porta do quarto atrás de si e aproximou-se. Tomou-lhe as mãos nas suas num gesto tocante e fitou-a nos olhos com intensidade.
— Eu juro que, se você não tivesse ido à igreja no dia do casamento de Any, eu o teria procurado para explicar tudo! — prosseguiu ela, aflita. — Fiquei arrasada com o fato de você estar pensando aquelas barbaridades ao meu respeito.
Edward segurava-lhe as mãos trêmulas com força, uma expressão torturada em seus olhos.
— Eu não deveria ter abandonado você na limusine. Mas tive medo do que mais eu poderia ter dito... do dano que causaria.
— Mas você estava certo. Eu não parei para pensar em como você poderia estar se sentindo.
— Céus... eu me senti como se estivesse sendo dilacerado por dentro naquele dia no apartamento da sua irmã! — admitiu Edward, o rosto contraído. — Mas o pior pesadelo foi acreditar que você ia se casar com Roger. Fui até a igreja com a intenção de impedir você de se casar com ele, mas temendo que fosse tarde demais.
— E, em vez disso, descobriu que eu nem sequer era quem você pensava — acrescentou Bella, envergonhada. — Oh, eu lamento tanto...
— Não, sua preocupação por sua irmã era compreensível. Num momento de raiva na Guatemala, eu fiz uma ameaça desonrosa. Como você poderia saber que eu jamais a levaria adiante? Não sou o tipo de homem capaz de uma baixeza como a de levar histórias escandalosas sobre uma mulher a outro homem.
Reconhecendo-lhe o ar de repulsa no rosto, Bella soltou um suspiro.
— Eu deveria ter sabido disso também.
— Mas como poderia? Desde o instante em que a vi, fiquei fortemente atraído por você. Isso me enfureceu e, num esforço para lembrar a mim mesmo quem eu julgava que você fosse, fiz inúmeros comentários ofensivos. Não consigo me perdoar por ter dito tais coisas a uma mulher.
— Fiquei chocada — recordou-se ela.
— Sim, percebi isso também e me admirava com o fato. Então, quando você condenou minha grosseria, fiquei ultrajado... mas você estava certa em me recriminar.
Foi um bálsamo para os nervos em frangalhos de Bella saber que Edward ficara fortemente atraído por ela desde o início. Fitando-o, abriu-lhe um sorriso trêmulo, pois a dimensão de seu alívio levou suas emoções à tona.
— Estou feliz que tenha voltado para casa. Tive medo de que já estivesse a caminho da Guatemala!
— Posso ter cabeça quente, mas eu lhe asseguro que, mesmo no auge de toda a minha obstinação e fúria, eu não poderia ser tolo a tal ponto.
— Fiquei preocupada...
— E por tê-la preocupado, peço desculpas. — Ele levou-lhe a pequena mão aos lábios.
Ela sentiu os joelhos amolecendo, enquanto deparava com aquele intenso olhar.
— Eu adoro seus olhos — ouviu-se murmurando.
— Foi o que você me disse muitas vezes quando estava doente... — falou ele com um sorriso que a fez corar. Observou-a, então, com um olhar divertido. — Você ainda é tão tímida. Somente agora eu percebo que péssima atriz você foi na Guatemala. Disse a mim mesmo que a inocência que via em você era uma ótima encenação. Não suportava querê-la tanto e acreditar que você estava fora do meu alcance. É claro que, se eu tivesse sabido da verdade, teria sido desonroso tirar proveito de você.
— Você não fez isso.
— Fiz. Não sabe que é insensatez ir para a cama com um homem que lhe diz para não fantasiar sobre um futuro? — disse Edward num tom sério, evidenciando seu pesar. — Você deveria ter mantido distância de mim.
— Mas eu não queria manter distância — admitiu Bella, sincera.
— Você era virgem...
Sem conseguir encará-lo, ela meneou a cabeça em embaraçosa confirmação.
Edward sacudiu a cabeça.
— Toda aquela bobagem que você inventou para encobrir a realidade! Eu teria esperado até a nossa noite de núpcias... — Soltou um longo suspiro. — Mas a culpa foi minha. Fui orgulhoso demais para aceitar que eu poderia estar tão apaixonado por uma mulher que parecia o completo oposto do meu ideal.
— Tão apaixonado? — Aquilo foi tudo o que Bella ouviu, e a confissão fez seu coração disparar.
— Foi esse motivo que me levou à igreja no dia do casamento da sua irmã. No minuto em que me dei conta de que poderia ter perdido você para outro homem, nada mais importou! — revelou Edward do fundo de sua alma. — Nem que você pudesse ter dormido com outro homem, nem que a criança até pudesse ser dele... Eu ainda queria que você fosse minha.
— Oh, eu... — Emocionada, Bella mal conseguia conter as lágrimas. — Não posso crer que você me amava tanto assim...
— Não corri até a igreja para lhe dizer isso? Mas qual não foi minha perplexidade quando descobri que você não era Any Paez... e nem tampouco a noiva. Jamais haviam feito com que eu me sentisse tão tolo! Furioso com você, quase deixei que meu orgulho destruísse a nós dois.
— Você tinha todo o direito de estar furioso...
— Mas, com isso, poderia ter feito você se afastar de mim. Eu queria puni-la por ter-me enganado. Ainda assim, quando pensei a respeito, percebi que sempre conheci a verdadeira Bella. O tempo inteiro agiu como você mesma na Guatemala. Sincera em todos os aspectos que pôde ser. Ficou chocada em saber da situação de Fidélio, sempre tentou me mostrar que existiam dois lados em cada história...
— Sabe de uma coisa? — interrompeu-o ela, ansiosa para partilhar seus sentimentos. — Amo você também! Muito!
Edward fitou-a com incrível ternura, um sorriso feliz iluminando-lhe o rosto másculo. Puxou-a para si, então, e beijou-a nos lábios com quase desespero.
Fazendo questão de levá-la do quarto de hóspedes que ela estivera ocupando para seu próprio quarto, o que seria de ambos dali em diante, carregou-a em seus braços pelo corredor. Livrou-a do vestido de noiva com mãos ansiosas, não demorando a se despir também. Ambos eram tomados por uma poderosa onda de alívio e felicidade agora que haviam deixado todos os mal-entendidos para trás. Outro beijo inebriante foi só o começo, e logo Bella estava febril de desejo, ansiando pelo enlevo absoluto que só Edward... seu marido... poderia lhe dar.
Depois que a explosão de paixão conduziu-os a um êxtase arrebatador, descansaram um nos braços do outro, partilhando de uma maravilhosa sensação de cumplicidade e união. Bella admitiu que jamais se sentira tão feliz em sua vida. E seu coração transbordava de alegria em saber que
Edward se sentia exatamente da mesma maneira.
Ele observou-a com um olhar cheio de fascínio e, então, algo pareceu lhe ocorrer:
— Há uma coisa que devo lhe dizer. Eu mesmo vou repor o restante da quantia das economias de Fidélio. Ele jamais saberá que esse dinheiro não foi devolvido por sua irmã.
Bella ficou desconcertada com o anúncio. Edward abriu um sorriso e acariciou-lhe a face.
— Roger não queria aceitar, mas eu insisti, dizendo que o pagamento do restante da dívida seria o meu presente de casamento a ambos.
— Mas por que você mudou de idéia e decidiu fazer isso? — perguntou Bella, deduzindo que deveria ter sido aquilo que a irmã mencionara antes de partir para a lua-de-mel, mas não quisera lhe contar. Estava surpresa que ele tivesse resolvido fazer gesto tão generoso à sua irmã e ao marido.
— Agora, acredito que tanto Fídélio quanto Any foram vítimas, à sua própria maneira. Se Mike não tivesse morrido, isso jamais teria acontecido. — Edward soltou um suspiro. — Mas Mike estava usando a minha suíte de hotel quando conheceu sua irmã. Era um ótimo sujeito, mas é possível que, em seu desejo de impressionar Any, ele a tenha levado a pensar que era rico.
Bella apenas meneou a cabeça, concordando.
— Não seria nada bom que Roger e sua irmã começassem a vida de casados com uma dívida substancial pesando sobre seus ombros. Já haviam perdido a soma inicial devolvida a Fidélio daquele pequeno apartamento que foi vendido. E sua irmã já terá dificuldade o bastante para viver dentro do orçamento de ambos — lembrou Edward secamente. — Ocorreu-me que, se os dois tivessem que carregar tamanho fardo, seu relacionamento poderia ficar desgastado no futuro.
— Sim. — Bella estivera tentando não se preocupar com aquele aspecto da questão, mas não havia como negar que Roger teria motivo de sobra para se ressentir quando tivesse se visto com um orçamento tão restrito por causa daquela dívida. Afinal, nem sequer conhecia Any quando a dívida fora contraída. De repente, seu coração transbordava de gratidão pelo fato de Edward ter tido tamanha consideração e generosidade.
— É uma quantia que não significa nada para mim, mas tanto para os dois —disse ele sem a menor arrogância.
— Eu simplesmente amo você dez vezes mais do que amava há um minuto!
Com um riso, Edward recostou-se nos travesseiros e deixou-a cobri-lo de beijos.
— Fidélio também se beneficiará mais com essa forma menos punitiva de se resolver a situação. Convidaremos Roger e Any para irem a Guatemala para conhecê-lo e isso o deixará muito feliz.
— Você é brilhante!
— Já lhe disse que você foi feita para mim? — Ele estudou-a com ternura e um brilho divertido no olhar. — Meu ego latino vibra em apreciação.
Bem mais tarde, desfrutaram um jantar romântico à luz de velas e Edward surpreendeu-a, pegando do aparador em cima da lareira um presente que lhe comprara enquanto estivera na rua naquela tarde. Era um lindo anjo de cristal.
— Eu o vi numa loja. Fez com que eu pensasse em você.
— Um anjo? — duvidou Bella. — Transtornado como você estava?
— Bem, não exatamente — provocou-a Edward. — Mas posso enxergar através de você da mesma maneira que posso através do cristal.
Beijou-a, então, apaixonadamente, e voltou a carregá-la em seus braços até o quarto de ambos, onde fizeram daquela uma noite de núpcias inesquecível, como Bella, até bem pouco tempo, não pudera nem sonhar.
Quando despertaram, com a claridade do dia adentrando pelo quarto, Edward afagou-lhe o ventre, pensando na preciosa vida que ali se desenvolvia... o filho de ambos.
— No ano que vem, será o primeiro Natal do nosso filho — sussurrou.
— Sim — sorriu Bella, feliz. — Será nosso melhor presente.
— Algo acaba de me ocorrer. Alice voltará da casa da amiga na véspera de Natal. Não são muitas as mulheres que gostariam de ter uma adolescente por perto poucos dias depois de seu casamento. Mas você não se importará, não é?
Bella abriu um sorriso sincero.
— Claro que não. Gosto muito de Alice. E tanto quanto ela, gosto de saber que faço parte de uma família.
Foi a vez de Edward fitá-la com gratidão e alegria, convencido mais do que nunca de que, sim, sua Bella o fazia lembrar de um anjo.
Um ano depois, faltando menos de uma semana para o Natal, Bella colocou seu filho cuidadosamente no carrinho de bebê no salão de visitas da mansão em Londres.
Any e Roger chegariam para o almoço dali uma hora e meia. Bella usava um elegante vestido azul, pura e simplesmente porque Edward comentara como o tom lhe realçava a pele. Sorriu consigo mesma diante da lembrança de como Edward descrevera com exatidão, um ano antes, como ela deveria estar no casamento de ambos. Fora ingênua demais para não ter entendido logo que um homem que podia até imaginar que flores deviam compor o buque de sua noiva era um romântico incurável e um noivo extremamente apaixonado.
Jaime Enrique Cullen Del Castillo bocejou para chamar novamente a atenção da mãe. Tinha cabelos pretos, olhos verdes e era um bebê tranqüilo. Mas, afinal, o primeiro filho de ambos não tinha motivo para não ser feliz, pensou ela com um sorriso. Além de todas as suas atenções, recebia as do devotado pai, que nunca se separava de ambos, levando-os consigo quando era imprescindível viajar, e as da tia Alice, que adorava o sobrinho.
Tendo terminado o colegial com boas notas em seus exames finais, Alice, agora com dezessete anos, cursava uma faculdade de Belas-Artes em Londres. Com sua amizade sincera e orientação, Bella contribuíra para o visível progresso da cunhada, e o fato de ter obtido maior liberdade como estudante estava dando maturidade à jovem.
Bella tivera um primeiro ano de casamento maravilhoso. Algumas semanas depois do casamento, Edward levara-a para a viagem de seus sonhos, na qual haviam explorado antigas cidades maias durante um mês.
Any e Roger haviam visitado a Guatemala na Páscoa e tinham sido convidados a se hospedarem na fazenda que Fidélio tivera, enfim, condições de reformar. O homem recebera Any de braços abertos e Roger de maneira igualmente calorosa, considerando-os como parentes e feliz por terem-no visitado. Fidélio Paez era tão bondoso quanto uma vez Alice o descrevera e, não mais atormentada pela consciência pesada, Any afeiçoara-se genuinamente ao ex-sogro.
Bella observou Edward entrando no salão de visitas da mansão, bonito e impecável num terno bege. Ele riu enquanto Jaime estendia a mãozinha na direção de um enfeite reluzente na imensa árvore de Natal, bem mais longe de seu alcance do que podia calcular. Inclinando-se sobre o carrinho, colocou-lhe um chocalho na mãozinha vazia, e Jaime tornou a relaxar.
— Puxa, ele já segura esse chocalho com a força de um homem durão, você viu? — disse, orgulhoso, abraçando Bella.
Ela concordou com um gesto de cabeça e tentou não sorrir. Edward estudou-lhe a expressão divertida no rosto.
— Você está rindo de mim outra vez.
— Jaime apenas não me parece assim tão "durão" ainda — disse ela, contendo o riso. — Mas confiarei na sua palavra. Vocês dois, sendo homens, acho que têm um elo especial.
— Sim, nosso elo é você — completou Edward, veemente, tomando-lhe os lábios aquele beijo que sempre levava Bella às nuvens e que era um elemento indispensável no relacionamento de ambos. — Um elo muito, muito especial. Eu te amo, querida.
— Também amo você — sussurrou Bella, com um olhar sonhador, antes que seus lábios tornassem a se encontrar.
Jaime, que ainda não tinha a menor noção do que acontecia à sua volta, apenas voltou a dormir e deixou os pais entregues a seu beijo apaixonado.
FIM
Até a próxima
Beijos....
