Episode XIII
"Desencontros"
Narrado por: Remus Lupin
Camiseta do Dia: IYou (EuVocê)
Ouvindo: Teenage Dream – Katy Perry
Preciso fazer uma confissão: acho que estou virando lentamente uma dançarina. Quero dizer, ainda gosto de mulheres (DORCAS, EU TE AMO!), mas sentado na cama de Emmeline, contando em detalhes de como Fabian pediu a ficha dela, a coisa fica muito mais explícita.
- Mas ele parecia assim, curioso, ansioso, como? – Emme roeu as unhas cor de marcador de texto enquanto se revirava no pufe colorido ao lado da cama.
- Eu achei que ele estava meio envergonhado. – dei de ombros, tentando lembrar como exatamente Fabian estava.
- Você acha que é ele?
- Ótima pergunta, Emme. – franzi a testa e peguei mais um chocolate. Vou acabar que nem Sirius: passando as tardes com uma garota que não é minha namorada comendo doces e tentando afogar mágoas e curiosidades. – Mas fica tranquila, porque eu nem devia ter te contato, viu.
- Ai, Remie, entendi. Você é um doce, viu. Não acredito como eu detestava você!
Sorri quando ela me deu um beijo no nariz, e senti um arrepio estranho percorrer a minha coluna quando ela parou a poucos centímetros de mim, os cabelos louros exalando aquele perfume de flores que me deixa tonto. Seus olhos eram tão azuis quanto o céu lá fora, e eu podia sentir o gosto dela a distância. Por alguma razão, ela mudou. Nossa influência fez bem a personalidade dela, mas não consigo saber até que ponto.
- Amo suas camisetas. – ela riu com leveza, e o nariz dela franziu enquanto abria um sorriso. Eu amo esse sorriso. Enquanto me aproximava dela, a imagem de Dorcas veio à minha cabeça, e foi como se alguém tivesse apedrejado meu coração. Estou confuso. Mortalmente confuso. Me sinto a Leah, sem saber se fico com Luke (antes de saber que ele é meu irmão, claro) ou Han Solo.
- Gente, fiz um lanchinho light pra vocês! – a Sra. Vance gritou do andar debaixo, despertando nós dois do transe. Nem tinha percebido que estava parado a centímetros de distância de Emme, minha mão prendendo o braço dela perto de mim. Limpei a garganta para disfarçar meu embaraço e levantei subitamente, deixando Emme confusa.
- Vamos descer?
- Claro! – ela sorriu ainda um pouco desajeitada, e enquanto descíamos tentei retomar o fio da conversa.
- Mas eu vou entregar o dossiê, de qualquer forma. Por que se eu não der, a sf dá.
- Mas quem confiaria nela?
- Sirius perdeu a reputação por causa dela. – expliquei. Dona Evelin trouxe os sanduíches e sorriu.
- Porque Sirius perdeu a reputação? E quem é SF?
- Essa é uma pergunta que todos se fazem. – caí na risada com Emme.
- Ela é uma blogueira, Mami. – Emme pegou um pedaço de alface e comeu com a ponta dos dedos. – Meio cruel, adora fofocas.
- Ah, no Ensino Médio sempre tem dessas coisas.
- É, mas por mais psicologicamente possível que seja, é incomodo. Ela já disse coisas completamente sem sentido sobre muitos de nós. – e indignei, e Emme concordou com a cabeça, curiosa.
- Eu só gostaria de saber como ela consegue essas informações.
- Ela só pode ser uma de vocês. – Dona Evy ponderou, e Emme virou subitamente para mim.
- VOCÊ!
- É, Em, sou eu, sim. – revirei os olhos, completamente exasperado. – Eu que tenho um blog rosa choque e namoro um dos garotos mais lindos e populares desse mundo!
Acho que ela finalmente caiu em si, e as duas riram.
- Não quis dizer isso, Emmy. – Dona Vance riu alto. – Só acho que ela está no meio de vocês, e nem saber. Às vezes a sigla não significa nada.
- Achamos que fosse o nome dela, sei lá.
- Pode ser, pode não ser.
- Isso torce a nossa mente.
- Sirius que o diga. – Emme gargalhou. A risada dela enche a cozinha com uma velocidade impressionante, me fazendo ficar perdido.
- E ele, onde está agora? – Ela me perguntou, e tentei lembrar onde ele tinha comentado que estaria.
- Acho que ia passar o dia sozinho.
- James estar fora realmente afeta Sirius, não. – Evy piscou para mim como se compreendesse.
- Como a Senhora...
- Remus, querido, Senhora não existe. Roger me disse.
- Anda falando com Roger, Mami? – Emme riu. Franzi a testa, mas Dona Evelin tratou de me cortar.
- Eu saí para jantar com Mere e ele outro dia. – ela sorriu presunçosa, como se soubesse mais do que eu. Isso me irrita muito.
- Ok, ok. Não ia dizer nada.
Ela riu.
- Desculpe. É só que...
- Eles me contaram a história. – ela piscou, e sentou – se à nossa frente. Emme sorriu daquele jeito sonhador e foi lavar a louça, e por um segundo me senti mal, como se estivesse invadindo um momento meio família entre as duas. – Você os conhece a algum tempo, certo?
- Desde antes da Sra. Black...
- Entendi.
- Eu só quero ver James bem, Dona Evelin. – desabafei, impressionado com a facilidade com que essa mulher tem para me deixar a vontade.
- Você tem um coração nobre, Remie. – ela pegou minha mão por cima da mesa e acariciou. – Minha Emme vive falando de como se empenha para ajudá – la.
- Obrigado.
- Agora vamos esquecer sobre isso. Emme me disse que você é ótimo em história.
- Sou!
Uma piscou para a outra. Acho que essa reunião não era só para falar sobre o dossiê, afinal de contas.
Narrado por: Sirius Black
Filme do Momento: Glee
Ouvindo: Start Me Up & Livin on a Prayer – Glee
- Você bem que podia cortar os pulsos, que tal? – Regulus revirou os olhos enquanto passava com um pedaço de bolo na mão. Eu me limitei a rolar os olhos para cima, sem mexer um músculo do sofá. Ele chegou mais perto e apontou para a TV.
- Sério, você está horrível. Tudo isso é falta de James?
- Todo mundo me abandonou. – resmunguei mal humorado. – James está em NYC, Pete está em Dublin, Remus não sai da casa de Dorcas e Emme, Domenico arranjou uma namorada, que, aliás, EU apresentei, Magno me deu folga e Benito prefere sair com as garotas. Você tem novos amigos e papai está dormindo na casa de Meredith porque ela está deprimida. Será que alguém se lembrou de mim?
Ele deu de ombros e saiu. Beleza, menos um. Mudei o canal de novo. Nickelodeon e MTV me lembram de James, Discovery e History me lembram de Remus, canal irlandês me lembra de Pete.
- Sirius?
Meu coração parou de bater. Não porque eu percebi que era a Marlene, mas de susto. Pulei do sofá como se tivesse levado um choque e olhei para trás apavorado, no que Marlene me lançava um olhar muito estranho, meio que uma mistura homogênea de medo e surpresa.
- Oi pra você também.
- Quem foi... – comecei, me arrependendo de não ter feito a barba.
- Regulus estava saindo, bateu na minha porta e avisou que você parecia o cão chupando manga. Isso, com essas palavras.
- Sempre foi gentil.
- Olha, sou obrigada a concordar. O que houve?
- Pra que me arrumar, ninguém me quer. – revirei os olhos no que ela me olhava com pena.
- Ashley te dispensou.
- Mais ou menos. Acordo mútuo, e eu apresentei Domenico a ela. Ficou tão feliz.
Bufei e voltei a ver televisão. Marlene sentou ao meu lado, dando um tapinha no colo. Agradecido por alguém finalmente parar para me escutar, deitei ali e fechei os olhos.
- Só você veio falar comigo. – reclamei. - Meus amigos estão ocupados demais para olhar para mim.
As mãos dela passaram do topo da minha cabeça para a minha testa, de onde ela começou a alisar minha franja para cima. A outra mão foi direto para a parte detrás das minhas orelhas, meu maior ponto fraco.
- Quer fazer alguma coisa?
- Podemos ir ao cinema. – sugeri, pensando no primeiro lugar no qual gostaria de estar com ela.
- Claro. É melhor fazer a barba.
- Aham. – meus olhos começaram a pesar, e logo não me lembrei de nada. No fundo dos meus sonhos eu podia sentir os dedos dela acariciando meus cabelos. Imaginei como seria beijá – la de novo, sentir aquela maciez nos meus, aquele gosto que só ela tinha.
- Marlene. – senti meus lábios se mexendo em meio daquela confusão sonolenta, e ao longe percebi que ela arrepiou. Quase abri os olhos, querendo me forçar a acordar completamente, mas podia ser um sonho, então eu ia parecer muito idiota em de repente me levantar e beijar Marlene.
Sendo um sonho ou não, senti lábios tocarem os meus, num silêncio absoluto e carinhoso, e senti um calafrio percorrer minha espinha, e ao invés de tomar o caminho comum até as minhas pernas parou no peito. Cada movimento curto e minucioso parecia catalisar a reação que levava sangue até meu coração, e comecei lentamente a acordar. Quis corresponder, dizer a ela o quanto seu beijo me fazia bem, me tirava o fôlego, me fazia querer mais. Eu poderia beija – la por horas se ela me desafiasse. O problema era um: eu não sabia se aquilo era um sonho ou não.
Senti as mãos de ela parar de me fazer carinho, e acho que me arrumei meio dormindo, meio acordado. Fui acordar realmente quando, depois de sair do banho com a toalha enrolada na cintura, dei de cara com Marlene sentada na minha cama, segurando meu gibi número duzentos de Batman na mão. Ela estava tão sexy lendo o gibi, sentada de pernas cruzadas e o gibi. Ela e o gibi. Parei no batente e a encarei por um segundo, me esquecendo do quão vulnerável eu estava apenas com aquela toalha.
Ela foi virar a página, e isso desviou sua atenção o suficiente para que ela me notasse. Tentei enrijecer os músculos dos braços o máximo que pude, para que pelo menos ela pusesse ficar embaraçada. Quando nossos olhos se encontraram, ela sorriu.
- É bem melhor do que eu pensei. – ela levantou e riu, olhando sem reserva para meus músculos. Sorri satisfeito. Quem sabe agora ela não se toca de que me ama perdidamente e volta pra mim? – Acho melhor ir logo, os horários do cinema estão difíceis.
- Só vai dizer isso? – me virei chocado enquanto ela seguia para a sala. – É melhor do que eu pensei?
- Tenho um irmão mais velho, Sirius, já vi caras sem camisa demais. – ela riu de longe. – Gosto de você pelo que tem dentro do crânio. Se conseguir passar por cima dos músculos e me mostrar o cérebro que tem, sou sua.
Sou sua. Ela disse isso mesmo? Entrei no quarto rapidamente e me escorei na porta quando fechei. Meu coração acelerou só de pensar nessas palavras. E tudo o que eu preciso é mostrar que sou inteligente? Ah, Marlene, você provocou o nerd errado.
- Vamos?
Ela estava lendo uma das caixas de Mario Galaxy II quando cheguei, e foi com satisfação que percebi que, dessa vez, estava surpresa. Vesti uma das minhas roupas antigas, uma calça jeans meio larga, all star clássico e camisa polo. Penteei os cabelos como costumava fazer, para baixo.
- Puxa vida. – ela ergueu as sobrancelhas. – Não me lembro desse jeito seu...
- Você não me viu nos meus piores momentos. – acompanhei a risada dela, pegando a chave da moto. – A fim de vento nos cabelos?
- Boa pedida.
Tranquei a porta e fomos. Respirei fundo enquanto ela enroscava os braços no meu peito, e só não pude sentir as bochechas dela nas minhas costas por que o capacete a protegia. A noite mais fresca fazia aquele contato tão ridículo parecer uma grande coisa, e lamentei imensamente ter que parar no estacionamento e desgrudar dela.
- Opções? – Marlene olhou o letreiro do cinema com curiosidade, e meus olhos pousaram no cartaz gigante com a estreia de Toy Story. Eu AMO Toy Story.
- TOY STORY! TOY STORY! POR FAVOR, POR FAVOR, POR FAVOR, POR FAVOR, VAMOS, VAMOS VAMOS!
- Ah... Tá legal, Sirius. – ela me olhou como se eu fosse louco, mas começou a rir logo em seguida. – Vamos
- O Andy vai pra faculdade! – reclamei enquanto entrávamos na sala. – PRA FACULDADE, MARLENE!
- Realmente, é algo muito triste...
- EU NÃO VOU ABANDONAR OS MEUS BRINQUEDOS QUANDO EU FOR PRA FACULDADE! – Sentei quase chorando na cadeira. Ai meus pobres nervos.
Quando os trailers começaram, Marlene segurou a minha mão. Tentei não parecer um louco, mas lancei um olhar ou outro na direção dela, até que o filme começou e eu não consegui desgrudar os olhos dele. Quase no fim eu já não enxergava nada, só um borrado estranho por causa das lágrimas. Quando o filme acabou, tentei disfarçar, mas Marlene começou a rir de mim.
- Que bonitinho!
- Não é engraçado. – murchei no lugar enquanto cruzava os braços. O WOODY QUASE FOI QUEIMADO! SABE O QUÃO GRAVE ISSO É?
- Eu sei. Vamos tomar sorvete?
- Vamos...
- Sorvete. – ela completou, e lancei meu olhar de coitado para ela.
- Não estou com tanta fome.
- Eu divido com você. – ela piscou.
Ohoho, Woody, eu amo você, mas Marlene eu quero levar na mochila quando for pra faculdade.
