Desde que Juliet chegou no Largo Grimmauld o tempo passara bem rápido. Ela se divertia com a animação da família Weasley, e com as picuinhas entre Snape e Sirius nas reuniões da Ordem. Faltavam poucos dias para o início das aulas, e finalmente acontecera a audiência de Harry, aliviando Juliet e os outros temiam que algo desse errado. Menos é claro, Severus Snape. Aquele homem era tão diferente de todos que ela já conheceu, por que será que ele era tão amargo? Bem, mas nada mais divertido do que brincar com alguém tão sério e mal humorado.
A reunião da ordem tinha acabado, e Molly chamou as crianças para o jantar. Diferente do habitual, Snape ficou porque Dumbledore insistiu bastante. A cara carruncuda conseguiu ficar ainda pior, se é que era possível, e quando viu que o único lugar vazio era do lado de Juliet, a pele pálida ficou cor de leite azedo.
- Severus, me passa o sal por favor. - Ela sorriu ao ver que agora uma veia pulsava de raiva na testa dele.
- Ora, faça-me o favor, é uma bruxa ou não é? Use sua varinha. - Ele disse em voz baixa, provavelmente numa tentativa de ser assustador, o que fez Rony estremecer e Juliet gargalhar por dentro.
- Aqui está, Juliet. - Sirius se esticou do outro lado da mesa e deu o sal para ela, com um sorriso bobo no rosto. Harry apenas observou a reação do padrinho.
O jantar prosseguiu em meio as piadas dos gêmeos Weasley, as bufadas de tédio de Snape, e estranhamente, ao silêncio de Sirius. Juliet não entendeu o fato de ele estar tão calado, era sempre um dos mais animados nos jantares. Pensou que talvez fosse pela presença de Snape, sim, provavelmente seria isso.
- Eu já acabei de comer, acho que isso me dá o direito de me retirar. Com licença. - Snape disse a Dumbledore e saiu voando pela cozinha, a capa negra farfalhando atrás dele.
- Uiii! - Juliet disse balançando as mãos em deboche quando ele passou por ela, provocando altas gargalhadas na mesa.
Todos haviam finalmente acabado de jantar, e Molly logo mandou as crianças irem para a cama. Alguns membros da Ordem foram embora, e só sobrou Juliet e Sirius rindo na mesa, e bebericando um vinho.
- Juliet, eu estava me perguntando se você t-t-tem... - Sirius gaguejou e não conseguiu falar o resto.
- Se eu tenho namorado? - Ela perguntou dando um gole no vinho e deixando ele embasbacado. - Não. - Ela sorriu.
Ele se espantou com a maneira que ela adivinhou o que iria perguntar. Resolveu mudar de assunto, já se constragera o bastante.
- E então, me conte sobre Washington. Como é lá? Sempre tive vontade de conhecer a América.
- É um ótimo lugar para se viver. - Ela levantou e foi até ele, que estremeceu um pouco na cadeira. - Se importa? - Ela apontou para uma taça vazia de vinho.
- Não. - Ele observou ela pegar a taça e levar até o balcão, depois virou-se para ele e tamborilou os dedos na superfície fria, fingindo-se de desentendida.
Ele levantou e se aproximou dela, chegou bem perto até que ficaram a uns cinco centímetros de distância um do outro.
- Se importa? - Ele perguntou.
- Não. - Ela sorriu.
Ele juntou os lábios aos dela, avermelhados pelo vinho. O beijo era intenso, era claro que ele a desejava há muito tempo. Ela não pode deixar de ficar feliz com o pensamento. O beijo foi ficando cada vez mais quente, e agora os dois estavam em cima do balcão, Sirius apertou forte a coxa dela, que estremeceu e sem querer acabou derrubando uma panela no chão, produzindo um alto e agoniante estalido metálico.
- Oh não! - Ela lamentou e ele colocou o dedo em seu lábio, a fazendo calar.
Ficaram quietos por alguns minutos e como não ouviram sinal de alguém vindo, retomaram de onde pararam, dessa vez com um pouco mais de cuidado com as panelas.
- Mas o que é que... - Molly entrou na cozinha, trajando um roupão, e acendou a varinha. - Sirius! Juliet! - Os dois interromperam o beijo e olharam assustados para ela.
- M-M-Molly! Eu p-p-posso explicar! - Sirius gaguejou e desceu do balcão.
- Não precisa explicar nada, Sirius, mas vocês dois poderiam ter escolhido lugar melhor para fazer isso, não é? - Ela disse deixando Juliet vermelha como um tomate.
- Sim, tem razão, me desculpe acordá-la. - Ele respondeu e passou a fitar o chão, envergonhado.
- Boa noite. - Ela apagou a varinha e saiu da cozinha.
Sirius e Juliet trocaram um olhar assustado, ela desceu do balcão e foi até ele.
- Nossa, isso foi realmente constrangedor. Ainda bem que foi a Molly, imagina se Harry encontra a gente assim? - Juliet disse, e o vermelho finalmente parecia estar deixando seu rosto.
- Nem me fale. Bom, eu acho que vou dormir depois dessa, e você? - Ele se perguntou se ela ainda queria alguma coisa depois do que aconteceu.
- É, definitivamente eu vou dormir. Boa noite, Sirius. - Ela foi andando até a porta, mas parou no meio do caminho, e se virou para ele.
- O que foi? Esqueceu alguma coisa? - Ele perguntou.
- Isso. - Ela acabou com a distância entre os dois e lhe deu um beijo que o fez ficar tonto. Ele observou a silhueta dela se afastar no escuro, e praticamente caiu na cadeira mais próxima.
- Uau! - Ele ofegou e olhou para o lado. Teve que tapar a boca para não gritar ao ver a cara de Monstro ao lado dele. - Mas o que você pensa que está fazendo aqui? Quase me matou de susto! Vá para o seu armário, anda. - Sirius dispensou o elfo e foi logo para o seu quarto, aquela noite já rendera demais.
Os poucos dias que faltavam para o início das aulas passaram rápido, e todos estavam tão ocupados que Juliet e Sirius mal se falaram, principalmente sobre aquela noite. E que noite. Mas o silêncio sobre o assunto só durou até o último dia no Largo Grimmauld. Sirius estava arrasado em pensar que voltaria a ficar sozinho naquele lugar mais uma vez, somente com a desagradável companhia de Monstro.
- Ah, vamos lá, Sirius. - Fred Weasley tentava animá-lo sem sucesso. - Juliet vai ser professora, ela vai poder sair de Hogwarts e te visitar toda semana. - As bochechas de Sirius coraram e ele olhou espantado para Fred.
- Todo mundo percebeu o climinha entre os dois - Jorge entrou na conversa. - Sirius, se eu fosse você garantia logo. Ninguém sabe o que Snape pode ter em mente... - Os garotos riram, inclusive Arthur Weasley. A única que se manteve séria foi Molly.
- Fred! Jorge! Parem já com isso! - Ela berrou.
Sirius olhou para Juliet, e percebeu que ela também estava se perguntando como foram descobertos.
- Juliet, será que eu posso falar um minutinho com você? - Sirius levantou-se e perguntou.
- Claro. - Ela o seguiu para fora da cozinha.
- Hm, acho que alguém vai seguir a minha dica. - Jorge disse provocando mais gargalhadas.
- Agora chega! Mas uma gracinha e eu mando os dois para cama! - Molly esbravejou, enquanto pegava os pratos vazios da mesa.
Sirius a levou até a biblioteca. Ao entrar, fechou a porta e se assegurou que Monstro não estava ali, seria realmente horrível levar outro susto.
- Eu queria falar sobre aquela noite... - Ele começou, não sabendo escolher as palavras certas para usar.
- Você quer saber como nós ficamos? - Ela perguntou e levantou a sombrancelha esquerda.
- Mas como é que você sempre sabe o que eu vou perguntar? Você consegue ler pensamentos? - Ele perguntou com os olhos arregalados.
Mas ele não obteve resposta. Ela apenas deu um sorriso de canto de boca e se aproximou perigosamente dele.
- Se você quiser ficar comigo do jeito que eu pretendo ficar com você... - Ela se aproximou ainda mais, quase colando a boca na dele.
- E como você acha que eu pretendo ficar com você? - Ele deu um sorrisinho safado.
Ela o beijou, mais intensamente do que naquela noite. Sirius já envolvera sua cintura, e já ia a conduzindo até a poltrona, quando ela interrompeu o beijo.
- Ei, hoje não. Nós temos muito tempo para isso ainda, não temos? - Ela perguntou meio temerosa do que poderia ouvir.
- Certo que temos. - Ele soltou os braços que estavam em volta dela, e a observou deixar o cômodo, como na outra noite, mas dessa vez ele mordia os lábios de desejo.
A manhã nasceu com os gritos de Molly, mandando todos levantarem e se arrumarem para que não se atrasassem. Com o despertador ambulante berrando pelos corredores, Juliet se espreguiçou e foi até sua mala, de onde pegou um vestido azul. Foi tomar um banho, e acabou esbarrando com Sirius no corredor.
- Bom dia. - Ele disse e a deu um selinho, sem se preocupar com a presença de Rony e Harry no corredor, olhando os dois boquiabertos.
Ela tomou um banho rápido, colocou o vestido, ajeitou os cabelos molhados que caiam por seus ombros e foi pegar suas malas. Voltou a reduzir o tamanho das malas até que elas coubessem numa pequena bolsa de mão. Desceu as escadas com pressa, e foi até a cozinha, onde todos se encontravam sentados à mesa, parecendo animados. Até Sirius estava um pouco mais feliz do que ultimamente. Juliet achou que sabia o motivo. Ela se sentou e comeu duas torradas com geléia, e se apressou para ir, já que não iria com os garotos.
- Sirius, não se esqueça de me escrever. Eu virei visitá-lo quando tiver algum tempo livre, ok? - Juliet disse e o deu um beijo de despedida.
Todos ficaram surpresos com o beijo, menos Molly. Ela agora torcia para que Juliet fosse uma boa garota, afinal, Sirius merecia ser feliz.
Então, eu vejo vocês hoje a noite crianças, até mais. Adeus, Arthur, Molly! - Ela acenou para todos e saiu da cozinha. Ao descer o último degrau de pedra e pisar na rua, a casa desaparecera. Ela pensou em Sirius sozinho, mas logo desfez esse pensamento. Se concentrou em Hogwarts e aparatou.
A imagem dos portões de Hogwarts surgiu num instante diante dela, com um homem de cabelos negros a sua frente bloqueando a passagem.
- Severus, que bom te ver! - Ela disse ironicamente e ele logo fechou a cara.
- Já lhe disse para não me chamar de Severus.
- Mas seremos colegas agora, esqueceu? - Ela sorriu e o fitou com os olhos faíscando de sarcasmo.
- Ah, obrigada por estragar o meu dia lembrando-me disso. Dumbledore sabia que chegaria a essa hora, e me fez andar até aqui para lhe mostrar os seus aposentos. Ele deve achar que eu virei sua babá agora. - Juliet teve que fazer muito esforço para conter o riso ao imaginar Severus Snape com um avental florido, dando papinha a um bebê.
Ela o seguiu em silêncio pelo jardim. Quanto mais se aproximava do castelo mais via como aquele lugar era imponente e grandioso. Era uma ótima sensação entrar em um lugar como aquele.
- Cuidado com tudo que há neste castelo. Não confie em fantasmas ou quadros para obter informações. Com o tempo você se acostuma e não vai se perder mais. Ah, quase me esqueci, cuidado com as escadas também. Elas se mexem sozinhas e podem acabar levando você para lugares em que você não deveria estar. Alguma pergunta? - Ele disse enquanto caminhavam e desciam algumas escadas.
- Não. - Ela disse com a voz baixa e espantada de tanta informação para se assimilar de uma vez só.
- Chegamos. - Ele apontou para uma porta nas masmorras.
Ela entrou no lugar sombrio, mas que tinha muito a sua cara. Havia uma cama dossel de madeira escura e com lençóis brancos num canto do quarto. No outro havia uma escrivaninha com alguns papéis, e uma cadeira, ambos da mesma madeira da cama. Tinha também uma longa estante, com milhares de livros, uma poltrona verde musgo ao lado, e um tapete felpudo acizentado no centro do quarto.
- Esse será o seu quarto. Você terá que usar o meu escritório, infelizmente não há mais nenhum lugar por aqui e eu vou ter que aguentar o desprazer da sua presença. Eu adoraria que não me incomodasse, mas se estiver a beira da morte, eu estou no quarto ao lado. Com licença. - Ele ia sair do quarto, mas o tapete felpudo o atrapalhou, fazendo-o pisar na sua capa e cair em cima de Juliet.
Ela riu ao olhar o rosto dele bem acima do seu, tão raivoso com o que acontecera. Ele se atrapalhou um pouco ao levantar, o tapete o fez escorregar mais umas duas vezes e cair de joelhos.
- Maldito tapete! - Ele disse ao finalmente conseguir se levantar e sair do quarto.
Ela apenas ficou parada ali no chão, gargalhando depois que ele saiu, jurando que viu as bochechas dele corarem um pouquinho.
N/A: oi pessoal, eu demorei um pouquinho mas postei o capítulo. Eu espero que vocês estejam gostando da fic, teremos muitos capítulos ainda pela frente. Se tiverem alguma crítica para fazer, ou sugestão, podem me mandar. É isso, se gostarem do capítulo é só deixar um review. Até a próxima, beijos, Amy;*
