O barulho de batidas na porta acordou Juliet abruptamente. Estava no meio de um sonho estranho, onde Sirius e Snape brigavam pelo seu bombom preferido. A lembrança de Snape todo lambuzado de chocolate a fez gargalhar e cair na cama, mas as batidas interromperam seu riso e ela se levantou, indignada com quem quer que fosse que estaria batendo na sua porta daquele jeito.
- Mas o que é que... - Ela parou ao abrir a porta e ver quem estava do outro lado - Snapinho!
Ele abriu a boca como se fosse falar, mas desistiu e desviou o olhar para a blusa que ela usava. Era uma blusa que havia pintado quando tinha nove anos e deu de presente a sua mãe. As marcas da suas pequenas mãozinhas se espalhavam por todo lado, nas mais diferentes cores
- Bela blusa, Hemlock. - Ele sorriu irônico, mas ela simplesmente olhou para baixo e nada disse. Lembrar de sua mãe sempre a fazia chorar, mas ela não iria ceder a emoção logo na frente dele.
- Então, o que você quer a essa hora? Eu estava no meio de um sonho muito bom, sabia? - Ela disse e o sorriso irônico que ainda estava no rosto dele desapareceu em segundos. Parecia até que ele conseguia ler os pensamentos dela.
- Acho que a senhorita precisa anotar seus compromissos para que não se esqueça, Hemlock. Hoje, minha sala, duas horas antes da aula, lembra? Enfim, vamos logo, já perdi muito tempo. - Ele a puxou pelo braço e a guiou até sua sala, onde fechou a porta e jogou um feitiço silenciador.
- Sente-se. - Ele disse apontando uma poltrona perto da lareira apagada.
- O que é tão sério que o fez me acordar tão cedo? Espero que tenha um bom motivo. - Ela disse já acomodada na poltrona.
- Primeiramente, eu não tive a menor intenção de passar a minha manhã com você. Dumbledore, que por algum motivo adora que eu perca meu tempo ao seu lado, me fez chamá-la. Umbridge está aqui a serviço do ministério da magia. E você sabe exatamente a consequência disso para nós? - Ele levantou uma sobrancelha prevendo que ela diria não
- Bem, eu... Não, eu não tenho a menor ideia. - Ela ficou um pouco vermelha ao ver uma faísca de felicidade reluzir nos olhos dele.
- Sim, era o que eu esperava. O ministro acha que Albus está tentando roubar o seu cargo e teme que ele esteja preparando algum tipo de ameaça ao seu governo. Umbridge está aqui para nos vigiar, para saber cada coisinha que se passa pelas paredes desse castelo e contar tudo ao ministro. Escute bem, Hemlock, eu sei que é meio difícil para você. Tome cuidado com esta mulher, muito cuidado. E, antes que me esqueça, escolha muito bem suas palavras e para quem as dirá. - Ele terminou de falar e olhou para o relógio bruxo em sua escrivaninha. - Hora de ir, tome seu café e se apresse, não vai querer se atrasar.
Ela levantou e seguiu até a porta, mas ao segurar a maçaneta virou-se para ele novamente.
- Snape?
- Sim.
- Qual é o seu chocolate preferido?
Ele a encarou como se ela tivesse acabado de dar um tapa na sua cara.
-Acho que isso não é da sua conta, senhorita. - Ele desviou o olhar para os papéis em sua mesa e ela deu um risinho abafado.
Chegando ao salão principal ela correu até a mesa dos professores, mas em vez de ir se sentar em sua cadeira ela foi até Dumbledore e pôs o rosto entre o ele e da professora McGonagall, que a encarava com desaprovação.
- Diretor, posso lhe perguntar algo? Além disso, é claro.
- Com certeza, querida.
- Por acaso o senhor sabe qual é o chocolate preferido do professor Snape? - Ela o encarou nervosa pensando na sua reação, mas ele demonstrou apenas um inofensivo sorriso gentil.
- Ele gosta mais de chocolate branco, com alguns pedacinhos de chocolate preto. - Ele piscou para ela, e viu de relance a professora McGonagall, que parecia não acreditar que aquela conversa estava mesmo acontencendo.
- Obrigada. - Juliet retribuiu o sorriso e se apressou para chegar ao seu lugar e comer o café da manhã.
Parou um pouco de se concentrar na comida e deixou o olhar passar por todo salão. Rony Weasley devorava suas panquecas como se não comesse há um ano. Harry e Hermione batiam um papo que parecia ser sério, julgando pela expressão no rosto dela. Os gêmeos Weasley pareciam estar bolando um plano com um grupinho de garotos e que deveria ser muito engraçado, já que todos não paravam de rir. Voltou os olhos para o prato e desistiu de comer. Olhou nervosa para o relógio e resolveu ir logo para as masmorras, a aula começaria em poucos minutos.
- Mas que gentil, não se atrasou. Suponho o quanto foi difícil não ceder aos seus instintos rebeldes, certo? Merece uma medalha de honra, Hemlock. - Ele disse sem ao menos olhar para trás quando ela bateu a porta da sala de aula.
- Eu já mencionei como eu adoro seu humor? É tão sexy. - Ela não deixou de sorrir quando viu a pele do rosto dele corar levemente. - A propósito, meu nome e Juliet e eu adoraria que me chamasse assim. Tudo certo, Sev? - Ele estremeceu um pouco ao ouvir ela o chamar assim. Lily.
- Nunca mais me chame assim. Eu te chamo de Juliet e você me chama do que quiser menos isso. - Ele voltou seu olhar para ela e parou um pouco e fitou seus olhos verdes, que trasmitiam um pouco de confusão interna.
- Desculpe, Severus. Eu não queria... - Ela foi interrompida por um primeiranista que entrava na sala. Ao ver os dois o olharem ele parou meio assustado na porta, mas um sinal de Juliet o fez entrar e escolher a carteira mais longe da mesa do professor.
A aula havia começado e o combinado era que Snape ficasse lá para dar assistência e ajudá-la, mas parecia que ela já fazia isso há anos. Ele ficou apenas sentado num canto escuro, observando atentamente cada gesto e ouvindo cada palavra que saía de sua boca.
- ... presas de vampiro se colocadas no líquido adequado numa temperatura adequada produzem uma ótima poção para cura de alergias de origem mágica...
- E são ótimas se usadas numa poção contra veneno de acromântulas. - Snape acrescentou.
- Sim, exatamente o que eu iria dizer em seguida professor. - Ela deu um sorrisinho e voltou a sua aula.
O dia passou assustadoramente rápido e Juliet estava exausta de tantas aulas. Mas isso não a impediu de passar em Hogsmeade e comprar um presentinho para seu amiguinho.
- Vamos, Severus, coma. - Ela esticava a mão que segurava a embalagem de chocolate a ele no meio do salão e todos riam e cochichavam sobre a cena rara.
- Eu não quero isso, aposto que você envenenou achando que eu comeria.
- Não, querido, eu não envenenei. - Ela se divertia em irritar Snape na frente de toda escola. - E se eu tivesse envenenado não teria sido nada forte que causasse sua morte, porque eu não iria querer perder meu emprego. No máximo, talvez, uma pequena crise de tosse ou algo do tipo.
- Crise de tosse? Eu sempre soube que você era louca, agora a esse ponto, Hemlock...
- Severinho, somos muito íntimos para permitir que você me chame assim, por que só me chama de Juju quando ela longe deles? - Risadas preencheram toda mesa da grifinória, e até alguns sonserinos arriscaram uns risinhos.
- Vamos lá, Severus, pegue logo esse chocolate e pare de besteira. - Dumbledore bradou ao passar ao lado deles.
Snape arrancou o chocolate da mão dela e seguiu apressado para o seu lugar, mas não sem antes lançar olhares ameaçadores a todos aqueles que se atreviam a rir dele.
- Albus, eu estou dizendo, eu não vou suportar essa garota aqui por mais tempo. Você viu o que ela fez hoje? Eu estou dizendo, como uma maluca vai nos ajudar em algo? Só nos faz perder nosso tempo.
- Ah, por favor, foi apenas uma brincadeirinha inocente, Severus. Não fique tão irritado. A menina não é louca, é apenas feliz. Conforme-se com a presença dela.
- Como eu posso me conformar com algo se me faz de babá dela?! - Ele esbravejou no escritório do diretor, fazendo alguns homens nos quadros se encolherem de medo.
- Severus, acalma-se. Faça um favor a todos nós e vá dormir, não é hora de discutir esse assunto. - Dumbledore parou de andar e o fitou com seus brilhantes olhinhos azuis, mas nem a serenidade do seu olhar o acalmou.
Snape saiu andando tão rápido que praticamente corria, e a porta bateu uns dois segundos depois.
"Como eu odeio essa garota!"
Era tudo que ele conseguia pensar enquanto dava seus passos largos no corredor. Chegando nas masmorras respirou bem fundo e entrou em seu quarto.
- Mas que diabos você está fazendo aqui? - Snape berrou ao se deparar com Juliet mexendo em sua estante.
- E-e-eu só est-esta-estava... - Ela perdeu a fala e ficou olhando para ele paralisada com um livro de arte das trevas na mão.
N/A: hey eu demorei um pouco pra postar esse capítulo, né? Eu tinha desistido de escrever mas acabei voltando atrás porque não consigo me imaginar sem as minhas fics. Enfim, é bem difícil escrever e agora eu sei bem como um autor se sente quando escreve e ninguém comenta, é como se não gostassem das coisas que você escreve e você começa a ficar meio mal. Eu só espero que mesmo que não comentem alguém esteja gostando mesmo da fic, mesmo sem saber. É legal pensar que você dá um pouco de alegria pra um alguém que está aqui lendo sua fic. Espero que tenham gostado do capítulo, o proximo não vai demorar pra sair. Beijos da Amy:*
