- Eu só vou perguntar mais uma vez, o que diabos você está fazendo aqui? - Ele gritou e concentrou o olhar no que a mão direita dela segurava.
- Eu só estava fazendo uma pesquisa, e-eu n-n-não tenho uma coleção de livros tão boa e pelo que eu vi muito menos a biblioteca. - Ela colocou a mão para trás numa nervosa tentativa de esconder o livro.
- E posso saber por que está tão interessada em artes das trevas? - Ele levantou a sobrancelha olhando perigosamente para ela, que pela primeira vez sentiu-se realmente amedontrada por ele.
Ele tentava ler a mente dela, descobrir o que ela fazia ali já que ela não iria admitir, mas ele não conseguia. Ela simplesmente construíra uma barreira imensa que a sua mente não podia penetrar. A maldita garota ainda era oclumente? Ela estava escondendo algo muito grave, com certeza.
"Eu sempre soube que não podíamos confiar nessa garota, quero ver como Albus vai reagir quando eu lhe contar tudo."
- Eu só tenho curiosidade, acho fascinante a arte das trevas, a julgar pelos livros que tem, você também. E é claro, para saber se defender você deve conhecer muito bem os truques de seu inimigo, não acha? - Ela sorriu misteriosa.
- O que quer dizer com isso, Hemlock?
- Acho que entendeu muito bem o que eu quero dizer. - Ela se aproximou dele o suficiente para sentir o cheiro de ervas que ele exalava - Eu só espero que isso não mude nada entre nós, você sabe, nós evoluímos bastante. Umas briguinhas fazem parte de qualquer amizade. Ou da ausência dela. Enfim, não queria assustá-lo nem invadir a sua sala, você sabe o quanto é importante para mim, Sev...
- Eu lhe disse para não me chamar assim! Suma daqui, agora! - Ele disse apontando para a porta. - E nunca mais pise aqui novamente sem a minha autorização.
- Mas é claro, querido professor. Desculpe pelo incômodo. - Ela se dirigiu a porta mas não saiu sem antes virar e lhe mostrar mais uma vez aquele sorrisinho que ainda não havia sumido do seu rosto.
Com certeza ela escondia algo sério. Ele sabia que ela era perigosa assim que colocou os olhos nela, mas ninguém acreditou. Severus Snape nunca se engana. Depois daquele papinho de inimigo ela havia deixado muito clara as coisas.
"E pensar que eu achava que ela não era tão ruim assim. Severus, seu tolo."
- Sorria bastante, Hemlock. Daqui a um tempo não terá motivo algum para sorrir. - Ele disse a si mesmo e foi direto para sua cama, decidiu que falaria com Dumbledore no dia seguinte.
- Albus, será que você compreende a gravidade da situação? Esse monstrinho me fez uma ameaça! Por algum motivo ela me lembra muito um diabrete, por que será? - Ele revirou os olhos e continuou a andar de um lado para o outro na sala do diretor.
- Severus, você anda muito nervoso com a presença dessa moça ultimamente. Algo que queria me contar? - Dumbledore o fitou com um sorrisinho maroto no rosto.
- Por Merlin, mas o que você está insinuando? Você não pode estar no seu juízo normal, Albus. Eu encontro a garota no meu quarto mexendo num livro de artes das trevas e ainda descubro que ela é oclumente, mas o que você acha que isso significa? - Ele continuava impaciente andando pela sala, inconformado com o que Dumbledore pensava.
- Eu acredito na moça, Severus. Ela é uma auror, é claro que ela deve se manter informada em artes das trevas. E quanto a oclumência, a mesma explicação serve. Como ela manteria informações secretas se por acaso algum dia um bruxo como você resolvesse invadir a mente dela? Ela só errou em invadir o seu quarto, mas tenho certeza que ela não teve más intenções. Ela é uma bruxa de bom coração, e eu não consigo ver outra razão para tanta raiva sua a não ser...
- Chega! Não, Albus, não diga mais nada. O meu cerébro não está preparado para ouvir o que você acha, eu ainda não o treinei para deixar de fritar em situações como essa. A garota está planejando algo grave, e ela deixou tudo bem claro ontem a noite. Mas uma vez você não me dá ouvidos, só não diga depois que eu não lhe avisei! - Ele passou voando pela sala e fechou a porta num estrondo.
Dumbledore apenas sorria observando a reação do amigo. Parece que mais um coração fora fisgado pela mocinha.
"Realmente, uma menina encantadora."
Snape estava sentado na mesa dos professores provavelmente pela primeira vez num café da manhã. Decidiu que vigiaria todos os passos da garota.
Ela cruzava o salão num vestido esvoaçante de seda azul, os cabelos pretos voavam moldando seu lindo rosto e olhos verdes reluziam provocações ao homem de preto sentado a mesa. Praticamente todos os meninos do salão olhavam embasbacados para ela, e ela viu de relance Rony levar um tapa de Hermione. Snape parecia o único que nenhuma reação demonstrava ao olhar para ela.
- Bom dia, meu professor preferido. - Ela sentou ao seu lado e tascou-lhe um beijo na bochecha.
Imediatamente o salão foi tomado por cochichos, risadinhas e alguns rostos incrédulos com a cena. Estaria o temido mestre de poções tendo um caso com Juliet?
Snape nunca odiou tanto alguém na vida. Era apenas o segundo dia de aula e a garota já o fez ser humilhado infinitas vezes. Estava mais que na hora de dar um lição a ela.
- Vai fazer algo hoje depois das aulas, Juliet? - Ele se controlou para não deixar transparecer no rosto a alegria que sentia por dentro.
- Não, por que? Algum plano para nós, querido?
- Estava me perguntando se não iria reservar seu dia para mais umas pesquisas de arte das trevas. Afinal, os inimigos estão bem ao nosso lado. Certo?
- Absolutamente. Que bom que entendeu meus motivos, Severus. Não queria que ficasse ofendido por eu ter invadido a sua sala ontem.
- Oh, mas é claro que não. Não se preocupe com isso. Ah, e respondendo a sua pergunta anterior, sim, eu tenho um plano para nós. Adoraria que saísse comigo. Não queria ir a Hogsmeade? Eu posso levá-la se quiser.
- Mas é claro, Severus. Eu adoraria ir com você. - Ela sorriu pensando que finalmente havia conquistado a confiança do único que poderia atrapalhar seus planos.
"Caiu como um patinho".
Severus comeu um pedaço de seu ovo frito, que já esfriara devido a conversa dos dois, e não pode deixar de sorrir ao lembrar daquela famoso ditado. Calhava perfeitamente a situação.
O dia passou voando e parecia que Juliet e Snape se tornaram o assunto preferido dos alunos. No meio de uma das aulas de poções Snape ouviu Harry se dizer chocado que Juliet estivesse trocando o padrinho pelo narigudo seboso. Mas é claro que isso custou vinte pontos para a grifinória e o ódio dos alunos a Harry, que no segundo dia de aulas havia conquistado o maravilhoso feito de perder vinte pontos.
- Harry, você não acha que esses boatos sejam mesmo verdadeiros, acha? Juliet parecia tão feliz com Sirius, não acho que faria isso. Além do mais, você já conseguiu imaginar Snape namorando alguém? - Hermione falava baixinho num canto da sala comunal.
- Bem, pensando assim... Você acha que eu deveria contar a Sirius? - Ele perguntou aos dois amigos que o ouviam atentos.
- Mas é claro que não, Harry! Sirius estava tão triste antes de Juliet aparecer, acho que não devia falar. E nem sabemos se isso é verdade ou não, e eu aposto que não é. Até parece que aquela gata da Juliet ia querer alguma coisa com o Snape. - Rony disse e Hermione concordou balançando a cabeça.
- Tudo bem, acho que vocês tem razão. Mas eu vou procurar saber se isso não passa de boatos mesmo, assim eu espero.
Pouco tempo depois eles se distraíram conversando sobre Umbridge e esqueceram Juliet e Snape.
Snape combinou de encontrá-la no Três Vassouras, porque se fossem vistos saindo juntos com certeza voltariam a falar deles. Ela cruzava o corredor se dirigindo para o jardim, quando se deparou com Dumbledore bem a sua frente. Mas ele nada disse, apenas piscou para ela e sumiu de vista.
- Severus! - Ela acenou para ele enquanto entrava no bar.
- Venha, não vamos ficar aqui. - Ele largou algumas moedas na mesa e a puxou pela mão.
- Para onde você vai me levar? - Ela disse confusa, não entendendo o que ele pretendia fazer.
- Logo você verá. - Um sorriso maldoso surgiu no seu rosto mas sumiu antes que ela o percebesse.
Eles pararam em um ponto distante do povoado, próximo da casa dos gritos.
- Você trouxe a sua varinha? - Ele perguntou a ela.
- Não julguei necessário. Por que?
- Por isso. - Ele tirou a mão do bolso e apontou a varinha contra o peito dela. - Nunca se deve andar sem varinha, não a ensinaram isso no departamento dos aurores, Hemlock?
- O que você pretende fazer com essa varinha, Severus? - Ela tremia e seus olhos verdes demonstravam o medo que ela sentia.
- Finalmente eu posso fazer o que quiser com você. Como se sente sem ninguém para defendê-la agora? Ah, Sirius, onde você está? - Ele começou a dar umas gargalhadas macabras.
- Não fale de Sir...
- Calada. Me conte agora o que você está pretendendo, senhorita das trevas.
Ela se aproximou silenciosamente do rosto dele, e parou quando estava a uns cinco centímetros da boca dele. Ele afroxou involuntariamente o aperto na varinha e ela se aproveitou da situação para puxá-la da mão dele.
- Mas que vergonha, Severus. Deixando-se vencer por uma aurorzinha de quinta, como você mesmo disse. Parece então que o que insinuam é verdade, tem uma quedinha por mim. - Ela sorriu e voltou a se aproximar com cautela. - Sinto muito lhe dizer que Sirius já tem esse lugar. Mas se te tranquiliza se eu estivesse solteira até que te daria uma chance, você parece dar um caldinho...
- Cala a boca! - Ele acabou com a distância entre os dois, a tomou pelos braços e a beijou.
Ela tentou empurrá-lo no início mas com o passar do tempo cedeu e envolveu os braços no pescoço dele, as pernas estavam bambas e ela temia cair. Ele interrompeu o beijo e fitou os olhos verdes.
- Parece que se sente bem mais balançada por mim do que admite, Hemlock. - Ele puxou sua varinha da mão dela - Um aviso, antes de ir. Tome cuidado comigo, qualquer deslize seu e eu vou estar lá, pronto para revelar a todos a verdadeira Juliet. - E saiu, a deixando sozinha, descabelada e revoltada.
"Como eu fui deixar Snape me beijar? COMO? O que está acontecendo, Juliet? Por que eu me senti tão balançada por ele, por que eu quero repetir isso? Ah, eu te odeio, Severus Snape!"
Ela saiu numa marcha indignada em direção ao castelo, no caminho tentando pentear o cabelo e ajeitar o vestido.
Assim que Snape pisou no castelo ele foi praticamente correndo para o seu quarto. Trancou a porta, sentou na poltrona verde musgo e ficou tentando descobrir o que o levou a fazer o que fez. Será que o velho Dumbledore estava certo? Não, jamais. Aquilo era muito absurdo para aceitar como verdade. Talvez tenha sido os olhos dela... Sim, foram os olhos dela. Eles o lembraram Lily e ele não resistiu. Talvez o ódio de Sirius tenha ajudado também, afinal, ele beijou a namorada de Sirius. Sim, com certeza, foram essas coisas. Se não fosse nada disso ele jamais teria beijado ela. Irritante, chata, maligna, linda como ela é... Linda? Ah não, Severus. Isso agora não!
Enquanto Snape se irritava com seu conflito interno, Juliet escrevia uma carta a seu pai e outra a Sirius.
"Olá papai,
como vai? Espero que esteja bem. As coisas por aqui estão ótimas, já tenho até um namorado, lindo, diga-se de passagem.
Por favor, não se preocupe comigo. Eu nunca estive melhor. A sua filhinha vai se manter a salva, eu prometo.
Não se esqueça, eu te amo.
Beijos, da sua filha mais linda."
Parecia uma boa carta, razoável para o momento. Resolveu não incluir os detalhes, como por exemplo que estava por aí beijando pessoas que não fossem seu namorado, e que tal fosse um fugitivo de Azkaban. Era melhor assim, ela não queria que ele se preocupasse muito com ela.
Agora era hora de começar a carta de Sirius, mas ela não tinha noção do que escrever. Ficou batendo a ponta da pena na escrivaninha, surpresa como nenhuma palavra vinha a mente. Decidiu escrever algo simples.
"Querido Sirius,
precisamos conversar. Talvez sábado eu possa passar por aí, não sei. Por favor, me responda logo que receber essa carta.
Juliet."
Sim, estava boa. Selou as duas cartas e foi para o corujal. Subia as escadas quando destraída esbarrou em alguém que fazia o caminho inverso.
- Harry! Não devia estar aqui essa hora.
- Eu sei, me desculpe, Juliet. Eu agradeceria se não contasse a ninguém que me viu por aqui. Estava mandando uma carta a Sirius. O que você tem aí? - Ele apontou para as cartas que estavam na mão dela.
- Ah, também uma carta para Sirius. E uma para o meu pai. Harry, escute, você não pode andar nos corredores essa hora da noite com essa tal de Umbridge nos vigiando. Tome cuidado, por favor.
- Claro, eu vou tomar. Juliet, eu precisava falar com você, sobre...
- Snape? - Ela completou adivinhando o que ele queria saber.
- Exatamente. Vocês dois não estão juntos como dizem por aí, estão? - Ele parecia ansioso e nervoso pela resposta.
- Não, eu jamais faria isso com o seu padrinho. Não acredite em tudo que ouve por aí, Harry. Agora vai, já passou tempo demais fora da sala comunal. - Ele desceu as escadas correndo e com uma expressão de alívio no rosto.
Juliet não pôde evitar se sentir meio mal enganando Harry. Mas tecnicamente ela falou a verdade, certo? Ela e Snape não tinham nada. Afastou os pensamentos confusos e subiu até o corujal, onde mandou duas corujas marrons, cada uma com uma carta.
- Até daqui a pouco, Sirius. - Ela disse fitando a coruja ao longe que levava no bico a carta que escreveu para ele.
N/A: eu não sei dizer como eu fiquei feliz lendo o review de vocês. Imaginem a cena, Amy acordando sonolenta, verificando a fic no celular, reviews lindos surgiram, gritinhos desesperados e moms achando que eu enlouqueci. Vocês são as coisinhas mais fofas desse mundo, eu tava tipo, muito triste e vocês alegraram minha semana toda só com isso. Próximo capítulo já ta chegando, e eu prometo não demorar. Vou ficar esperando pra saber o que vocês acharam desse aqui. Bjinhos da Amy;*
