Novembro passou voando e já era início de dezembro. Juliet se encontrava sentada na neve em frente ao lago negro, que estava congelado, vestindo apenas uma calça jeans e uma blusa roxa de manga longa, sem nenhum casaco. As poucas pessoas que passavam pelo jardim aquele sábado, em sua maioria alunos do sétimo ano voltando de Hogsmeade, cochichavam umas com as outras dizendo que a professora enlouquecera de vez.

Os olhos verde esmeralda fitavam o outro extremo do lago, vidrados. Imagens daquela noite surgiam diante dela, a dor que o olhar de Sirius transmitia a ouvir as temidas palavras sairem de sua boca.

- Sirius, por favor, tente me entender, eu não quero te magoar. Por isso eu falo isso agora, antes que seja tarde demais - Lágrimas caíam e grudavam algumas mechas do cabelo negro nas bochechas alvas.

- Já te ocorreu a ideia de que já é tarde demais? - Os olhos dele encaravam a mulher a frente.

Ela o abraçou e aconchegou o rosto em seu pescoço. Os dois choravam baixinho, a sala estava quase em completo silêncio.

- Você se apaixonou por outro, Juliet? - Sirius perguntou, trincando os dentes e fechando os olhos com medo da resposta.

As palavras que ele disse a pegaram de surpresa. Severus veio a sua cabeça na mesma hora, as lembranças dele chegando em sua casa em Washington, os primeiros dias com ele em Hogwarts, quando ela se perdeu na floresta proibida, quando eles se beijaram em Hogsmeade... A última lembrança provocou um arrepio em seu corpo, que Sirius não deixou de notar.

- Não. - Ela não disse mais nada.


A capa negra de Snape arrastava pelo corredor principal silenciosamente, apesar do ritmo rápido da caminhada de seu dono. Ia encontrar a professora Sprout na terceira estufa, precisava de algumas ervas que estavam em falta no estoque.

Já estava na metade do jardim quando olhou de relance para o lago e algo chamou a sua atenção. Cabelos negros iam em todas as direções e terminavam batendo nas costas apenas cobertas com uma fina blusa. Snape podia afirmar com certeza de quem se tratava, mesmo sem olhá-la de frente. Não lembrava de quanto tempo havia gastado reparando na mulher, mas agora a reconheceria mesmo num estádio lotado da copa mundial de quadribol.

Juliet virou subitamente para trás e os olhos verdes fitaram instantâneamente os negros de Snape. Um pouco de neve havia caído em seu cabelo, e o branco em contraste com o negro a faziam parecer um anjo. Nada poderia ser mais enganador, como um veneno posto num delicado vidro, pensou ele.

Alguns minutos se passaram até que ela voltou a olhar o lago. E então o inimaginável aconteceu: Snape saiu do caminho que levava as estufas e foi com passos rápidos até onde Juliet estava.

- Quanto tempo você vai ficar assim por causa daquele cachorrinho imundo?

Ela nada respondeu. Apenas levantou e deu as costas a ele, marchando rumo ao castelo.

- Ei, não vai me deixar falando sozinho mais uma vez! - Ele a segurou pelo braço e a virou de frente para ele, os rostos perigosamente perto um do outro.

- O que você quer de mim, Severus? Vamos lá, seja honesto consigo mesmo e acabe logo esse teatrinho! - Ela grunhiu entre dentes.

Ele se perdeu encarando os lábios quase da mesma cor da pele, tamanho frio que ela sentia, tremendo acolhida pelo calor da proximidade do corpo dele.

Percebendo como ela tremia juntou o corpo dela ao seu e a envolveu com sua capa. Mais tarde ela se daria conta de que ele podia simplesmente tirar a capa e dar a ela, mas não o fez.

Os dois caminharam juntos até o castelo, ele nada havia pronunciado sobre o que ela havia dito.

Chegaram ao corredor principal e o abraço se desfez.

- Merlin! Você precisa ir para a enfermaria, está parecendo uma morta! Deve estar com hipotermia a essa altura.

- Não! Por favor, Severus, não me leve para a enfermaria. Eu ficarei bem, sei me cuidar, vou apenas para o meu quarto, ok?

Ele pareceu pensar sobre o assunto por um tempo.

- Tudo bem, mas pelo menos me deixe cuidar de você. - As palavras saíram num impulso e Juliet devolveu um olhar surpreso. Balançou a cabeça em acordo e seguiram para as masmorras.

No fundo Juliet sabia que aquela proximidade era tudo o que queria, a separação de Sirius foi como uma admissão silenciosa. Mas, apesar de tudo que o seu corpo queria e ela sentia, parecia ainda ter uma pequena relutância quanto admitir conscientemente para si mesma o sentimento que se manifestava na forma de mil borboletas no estômago, respiração acelerada e pernas bambas toda vez que chegava perto dele.

Chegaram na porta do quarto de Juliet e se entreolharam brevemente. A mão trêmula de Juliet foi de encontro a maçaneta, mas tremia tanto que não conseguiu girá-la.

- Deixa comigo. - Snape girou a maçaneta e logo já estavam no quarto. Mal sabia ele que aquela tremedeira toda dela já não era mais de frio.

Um silêncio constrangedor reinava do quarto, até que foi quebrado por Snape.

- Você deveria tirar essas roupas... - Ele ia continuar, mas foi interrompido por Juliet.

- Como? Tirar as minhas roupas? Você está louco? - Ela envolveu o próprio corpo num abraço, como se tentasse se proteger dele.

- Posso terminar? Você deveria tirar essas roupas úmidas e colocar umas quentes e secas. Eu não sugeri que se despisse na minha frente, Juliet, eu iria apenas esperar no meu quarto até que estivesse pronta.

- Ah... - Ela sentiu as bochechas queimarem e não conseguiu dizer mais nada.

- Eu vou pegar uma poção para regular a sua temperatura no meu estoque, acho que isso dá tempo suficiente para você se trocar. - Com um aceno de cabeça dela ele partiu.

Frio era a última coisa que Juliet sentia. O corpo dela ardia de um mix de coisas, vergonha, nervosismo e excitação. E foi naquele momento, encarando o lugar em que ele esteve há poucos minutos, que percebeu que não podia mais negar aquele sentimento a si mesma. Ela agora estava certa do que queria.

Assim que fechou a porta que conectava o seu quarto ao dela Snape desabou no chão. Ela pensou que ele queria vê-la nua, sabe-se lá mais o que ela pensou. Mas no lago ela pareceu tão... Balançou a cabeça para espantar os pensamentos e foi procurar a poção pronta no seu estoque, que ficava no escritório.

Ao abrir a porta do quarto deu de cara com Umbridge.

Mas só me faltava essa agora, pensou.

- Vamos, diga logo o que quer. Ou pretende ficar apenas parada encarando o meu rosto? Porque se esta for sua razão para estar aqui me dê licença que eu tenho mais o que fazer.

- Não, professor Snape, não estou aqui para encarar o senhor. Estou aqui por que quero conversar sobre o comportamento de alguns sonserinos. - Ela tinha aquele sorrisinho detestável estampado na cara.

- Receio que essa conversa terá que ficar para outro dia. - Ele já tinha saído do quarto de Juliet há muito tempo, ela deveria achar que ele tinha se esquecido dela, e esse pensamento o estava deixando louco.


Juliet se livrou de todas as roupas úmidas mas não colocou mais nada, ignorando as instruções de Snape. Ela vestia apenas as roupas íntimas um conjunto de sutiã e calcinha pretos e rendados. Colocou um pouco de perfume e sentou na cama, lutando para não morrer de vergonha ali mesmo.

O tempo passava, e a cada minuto distante do momento em que ele saiu do quarto ela se sentia mais estúpida. E ali, sentada em sua cama, provavelmente uns trinta minutos de espera que pareceram uma eternidade, ela se encolheu e começou a chorar.

- Como eu fui idiota! É sério, Juliet, até perfume! - Ela falava para si mesma, entre lágrimas.

Correu e vestiu o roupão branco e voltou para a cama, afundando o rosto molhado no travesseiro macio.

Snape abriu a porta e encontrou Juliet do jeito que menos esperava encontrar: encolhida na cama, chorando. Mas por que diabos ela estaria chorando?

- Ei, você está bem? - Ele perguntou parado a porta.

Juliet, que até o momento não havia notado a presença dele, se levantou rapidamente, indignada com a audácia da pergunta. O movimento rápido fez com que uma manga do roupão deslizasse, deixando a mostra o sutiã rendado.

- Como você tem a coragem de voltar aqui e me perguntar isso?

Ele nada respondeu. Na verdade sequer havia escutado a pergunta. Olhava vidrado o lugar onde a manga do roupão deixara de tampar. Percebendo isso ela imediatamente colocou a manga no lugar, sentindo-se humilhada.

O gesto dela parecia ter trazido Snape de volta, e ele se apressou em se explicar.

- Me desculpe por isso, realmente não foi minha intenção (mentira!), quanto a demora, a maldita Umbridge me prendeu querendo falar sobre o comportamento de alguns pivetinhos terceiranistas.

"Ele não havia me esquecido! Foi só a maldita Umbridge!". A verdade a aliviou, mas trouxe de volta o calor nas bochechas. Pela segunda vez em menos de uma hora ela tinha ficado envergonhada na frente de Snape, aquilo deveria ser um recorde.

- E-eu, eu achei que você... Deixa pra lá, não importa o que eu achei. - Ela se levantou e foi até ele, parando a um metro de distância.

Novamente o silêncio entre eles, mas dessa vez não havia nada constrangedor nisso.

- A sua poção. - Ele quebrou o silêncio mais uma vez e esticou o braço até ela, que segurou a sua mão.

- A minha poção... - Ela segurava a metade da poção, ele a outra.

Os dois ficaram assim, segurando a mão um do outro por um tempo. Até que Juliet se aproximou dele.

- Eu acho que não preciso mais da poção... - Ela estava a poucos centímetros do rosto dele quando arrancou a poção de sua mão e jogou o vidrinho no chão. Ele virou para olhar, chocado com o gesto dela, mas ele segurou o seu rosto com a mão direita e o fez voltar a olhar para ela.

- Severus, eu acho que não aguento mais isso... - As bocas deles estavam muito próximas uma da outra, mais próximas do que poderia ser considerado seguro.

- Não aguenta mais o que? - Ele perguntou, tentando não surtar e agarrar ela ali mesmo.

- Esse joguinho, não está bem claro o que eu quero para você?

- O que você quer, Juliet?

Ela se afastou um pouco dele assim que ele perguntou, e ele parecia ter despertado de um transe. Mas o efeito não durou muito, ela levou as mãos a cintura e desamarrou o roupão, o jogando num canto escuro do quarto. Agora ele tinha a visão completa do que o fazia babar há poucos minutos, e aquilo bastava. Ela o fez perder todo o controle, todo o controle que não permitia abandonar seu corpo por nem um segundo fazia quinze anos.

- Eu quero você. E o que você quer, Severus? - Ele a envolvia pela cintura, sua respiração batia nas bochechas dela, devido a proximidade.

Em resposta a pergunta dela, ele a beijou vorazmente, quase que apaixonadamente, sentia ela. Passeava com as mãos por todo o corpo dela, sem nenhum pudor. Ela envolveu as pernas na cintura dele, e assim ele os guiou até a cama dela.

Mesmo seu corpo implorando que ela continuasse, ela conseguiu resistir e parar por um momento. Ele olhou preocupado para ela, praticamente implorando que ela voltasse a beijá-lo.

- O que foi? - Ele temia que a qualquer momento ela o dissesse que não queria ele.

- Você não me disse o que quer. Eu preciso ouvir, Severus. Diz o que você quer... - A boca dela estava quase encostada na dele, lutando para não ceder a vontade de beijar até que ele falasse.

- Eu - ele juntou mais o corpo ao dela e a fez deitar na cama - quero você.

Mal era tarde lá fora, mas como as janelas das masmorras davam para o fundo do lago negro, o quarto já estava tomado por uma escuridão considerável. Não que nenhum dos dois ali dentro dessem a miníma, eles não ligavam para mais nada além de estar juntos.

Juliet não tinha mais fôlego nenhum, não conseguia respirar, mas não parava de jeito nenhum o contato. Ela tinha que sentir ele, ela tinha que beijar ele. Depois de tanto tempo, de tudo que aconteceu, de ter magoado Sirius... Nada daquilo poderia ter sido em vão.

E com todos os sentimentos reprimidos por tanto tempo, mais pela parte de Snape, os dois não suportaram ficar segundos longe do corpo do outro, e até o crepúsculo eles continuaram juntos, vivendo todos os sonhos que não se permitiram sonhar até o momento.


N/A: heey pessoal, primeiro eu quero me desculpar pela minha demora gigantesca para postar esse capítulo. Eu sei que dois meses é bastante tempo, e eu estaria mentindo se falasse que andei tão ocupada que não tive tempo para escrever. Na verdade eu tive um bom tempo, mas simplesmente não surgia nada. Eu fiquei até preocupada, pensando se eu ia conseguir continuar a fic, dar um rumo nela, sabe. Enfim, passei por um belo bloqueio de escritor, um que durou um bom tempo. Espero que vocês tenham gostado do capítulo, e me desculpem se ele ficou muito curto, mas era só o que veio na cabeça. Me controlei para não desenvolver muito essa coisa de Snape e Juliet, se não a fic iria aumentar bastante de classificação etária kkkkkkk. É isso babies, vou tentar não demorar tanto como demorei dessa vez para postar o capítulo, mas prometo mesmo que não pelo menos não vou demorar dois meses. Um mês talvez, porque eu sou malvada, muahahahaha. Brincadeira gente, beijinhos da Amy;*