HARRY POTTER E A DESCOBERTA DO AMOR
CAPÍTULO XIVENFRENTANDO-SE ENFIM
Assim que entrou, Harry deparou-se com uma cena um tanto inusitada: Voldemort cochilava sentado em uma grande cadeira em um canto do amplo aposento, ressonando levemente. Com a sobrancelha arqueada, continuou a observar o local, vendo que, ao fundo, encontrava-se Hermione, adormecida e encolhida no chão. Ele foi silenciosamente até ela e, ajoelhando-se, a acordou com uma carícia no rosto e nos cabelos. Ela abriu os olhos assustada e, assim que o reconheceu, o abraçou com muita força.
- Vejo que você conseguiu passar pelos obstáculos que impus, hein, Potter?
Harry deu um selinho em Hermione, levantou-se e se dirigiu a Voldemort, com calma extrema:
- Você chama aquilo de obstáculos, Tom?
"Nossa, como o Harry está diferente... mais maduro... e falando parece até o Prof. Dumbledore..." pensou Hermione impressionada. Então ouviu a voz de Harry em sua cabeça: "Vai ver que, com a convivência, peguei as manias do Alvo" Ela se virou rápido para ele a tempo de ver uma leve piscadela em sua direção.
- O que você quer dizer com isso, Potter?
- Que por aqueles obstáculos qualquer um passaria. Foi realmente uma brincadeira, como você disse que seria. Francamente, Tom, esperava mais de você.
- Que seja, Potter. Pelo menos eu terei o prazer de te matar com minhas próprias mãos.
- Eu acho que não, Tom.
Hermione então percebeu o que Harry estava tentando fazer. "Ele quer confundir e irritar o Voldemort. Mas será que isso será seguro?"
Voldemort lançou um olhar que Hermione não entendeu para Harry, mas este entendeu perfeitamente. Voldemort temia que sua vitória não fosse assim tão certa como ele esperava que fosse.
- Bom, já que estamos aqui, vamos ao que interessa, Potter, vamos ao nosso duelo.
- Se você prefere assim...
E então eles começaram a duelar. Harry defendia e atacava com grande habilidade, surpreendendo todos os presentes. "Nossa, eu não sabia que o Harry sabia duelar... e muito bem, por sinal". Hermione ouviu novamente a voz de Harry em sua cabeça: "Digamos que eu andei treinando bastante no último mês".
- Surpreso, Tom? É... eu também acho que melhorei bastante desde nosso último duelo naquele cemitério há dois anos atrás. - Voldemort olhou assustado para ele, mas não disse nada. O garoto então continuou: - Sabe, Tom, eu não entendo uma coisa. Naquela vez aconteceu o Priori Encantatem quando nos atacamos, se lembra?
- Claro, Potter, mas você acha mesmo que eu iria duelar com você sem dar um jeito nessa história?
- O que você fez, Tom? Trocou a varinha?
- Óbvio que não. Mas o que eu faço ou deixo de fazer não é da sua conta.
Harry o encarou por alguns instantes e depois disse:
- Tom, você nunca faz nada sem se meter com Magia Negra?
Por essa Voldemort não esperava. Ficou bastante assustado, mas conseguiu disfarçar muito bem com um sorriso maquiavélico e disse:
- Ora, ora, ora, não é que você realmente praticou alguma coisa? Começo a achar que não deveria ter te dado esse prazo – ele disse fingindo-se preocupado. Harry deu um amplo sorriso e disse:
- Mas você não teve escolha, não é mesmo? Afinal você precisava de um mês para a poção Polissuco ficar pronta para completar todos os obstáculos. Eu só não entendo por que você me avisou antes de começar a preparar a poção.
Voldemort desfez o sorriso quando Harry falou sobre a poção e disse:
- Acho que está na hora de duelarmos de verdade, Potter.
Então o duelo tornou-se muito mais agressivo. Hermione estava começando a se desesperar, achando que aquilo não teria mais fim, quando ouviu a voz de Harry em sua mente. "Se acalme, Mi, vai dar tudo certo. Pense pelo lado de que se eu resisti até agora, eu ainda tenho alguma chance". Ela deu uma risada e pensou, esquecendo-se que ele poderia ouvi-la: "Ele continua o mesmo Harry de sempre! Apesar de não aparentar isso por fora, por dentro ele ainda é o homem que eu tanto amo". "Isso mesmo, Mi, isso é como uma aparência, uma fachada. Por dentro eu ainda sou o seu Harry". Ela olhou para ele e corou com o olhar intenso que ele lhe lançava. Só que ele não percebeu que Voldemort lhe lançava um feitiço Estuporante, de modo que, quando este o acertou, ele voou e bateu com tudo na parede oposta, caindo desacordado no chão.
Hermione se levantou e correu até ele, tentando acordá-lo, enquanto Voldemort gargalhava. Ela chorava desesperadamente, culpando-se por qualquer coisa que houvesse acontecido a ele.
Pouco depois ele acordou e se levantou. Assim que encarou Voldemort, postou-se imediatamente à frente de Hermione, como que para protegê-la.
- Harry, que...
- Shhh... apenas fique atrás de mim – ele disse baixinho.
- Potter, Potter. Você estava tão bem no duelo... mas perdeu por uma distração com a sangue-ruim. É por isso que eu sempre digo que só os idiotas amam – ele deu uma risadinha fria e disse: - A brincadeira acabou, Potter – apontou a varinha para Harry e gritou: - AVADA... – porém, na hora de terminar o feitiço, ele virou a varinha para Hermione, que estava ao lado de Harry, ao invés de atrás dele: - KEDAVRA!
Assim que percebeu para onde ia o feitiço, Harry jogou-se na frente de Hermione, abraçando-a e recebendo o feitiço nas costas. Mas, por mais incrível que fosse, ele não morreu. Começou a emitir uma forte luz branco-azulada. Assim que percebeu o que havia acontecido, Hermione soltou um grito e apertou mais o abraço que ele lhe dava, mesmo sem entender que luz era aquela. Então ele se virou de frente para Voldemort, mas mantendo os braços dela em volta da própria cintura. Esticou os braços para os lados, fazendo com que emanasse ainda mais luz e energia. Então, com um tipo de rugido ou algo parecido, apontou os braços na direção de Voldemort, fazendo com que toda a luz que o envolvia avançasse de uma vez contra o bruxo como se fosse uma flecha, atravessando-o. Voldemort gritou e começou a desaparecer, ainda gritando:
- VOCÊ ME PAGA, POTTER!!! EU VOLTAREI!!! – antes de desaparecer completamente.
- Harry, você conseguiu, você destruiu o Voldemort – mas ele não ouviu, pois assim que Voldemort desapareceu completamente, ele caiu inconsciente.
