HARRY POTTER E A DESCOBERTA DO AMOR
CAPÍTULO XVVOLTANDO PARA HOGWARTS
- Harry... Harry!
Harry ainda estava desacordado no mesmo local em que caíra. Hermione dava tapinhas em seu rosto, tentando fazê-lo acordar. Depois de mais algum tempo chamando-o, ele murmurou:
- Eu sei um outro jeito muito melhor para você me acordar – se levantou e a abraçou, beijando-lhe os lábios com sofreguidão. Depois perguntou: - O que aconteceu?
- Você não se lembra?
- Algumas partes... ele se foi, não foi?
- Foi, Harry, você conseguiu! Mas... tem uma coisa estranha que eu não estou entendendo...
- O quê?
Ela apontou para sua testa. Ele pegou a varinha, conjurou um pequeno espelho e se mirou. O que viu quase o fez quebrá-lo. Em sua testa sua cicatriz parecia que havia sido aberta. Mas, o mais estranho era que agora havia uma outra cicatriz, igual à antiga, ao lado dela.
- Mi, eu acho que não estou bem.
- O que foi?
- Eu estou vendo duas cicatrizes...
- Era sobre isso que eu estava falando, Harry.
Ele pensou um pouco e disse:
- Claro, Hermione, eu já sei o porquê disso. É porque eu sobrevivi de novo ao Avada Kedavra do Voldemort – então, com uma expressão de susto, ele disse: - Ai, eu não acredito, esqueci de amarrar os Comensais! Idiota! – e saiu correndo porta afora, se xingando por ter esquecido isso.
Ele encontrou os comensais acordando. Conjurou uma corda e os amarrou, conjurando em seguida, com a ajuda da telepatia, um poderoso feitiço para prendê-los e impedir que eles aparatassem, era como uma redoma amarelada que passou a envolvê-los.
- Como você fez isso, Harry? Nós definitivamente não aprendemos isso na escola.
- É, eu sei, eu aprendi com o Alvo. Mi, espera um pouquinho que eu tenho que fazer uma coisa.
Ele se sentou num grande toco de árvore que havia na orla da clareira, cruzou as pernas, fechou os olhos e se concentrou. Hermione não estava entendendo nada, mas achou melhor não falar sequer uma palavra.
Depois de um tempo assim, ele se levantou e disse:
- Pronto.
- Harry, posso fazer uma pergunta?
- Quantas quiser, amor – ele disse, abraçando-a.
- Como nós vamos sair daqui?
- Comigo!
Era Dumbledore, que acabara de aparatar atrás de uma das árvores.
- Dumbledore! Como você soube que nós estávamos aqui?
- O Harry me avisou – ignorando a expressão de incompreensão dela, analisou a testa de Harry e disse: - Você sobreviveu a outra Maldição da Morte, Harry?
- Foi... – respondeu encabulado.
- Pois então se prepare, pois se você já era famoso antes, agora será muito mais.
- Infelizmente. Alvo, eu verifiquei os Comensais, a Marca Negra desapareceu em todos eles. Como vamos provar que eles são Comensais?
- Pelo local onde foram apanhados. E irei convencer o Ministério para usar a Poção da Verdade...
Hermione estava muito confusa, será que os dois não podiam deixar para resolver isso depois, não? Ou pelo menos explicar alguma coisa a ela...
- Quando chegarmos a Hogwarts a gente explica tudo, Mi, vamos primeiro sair daqui e levar esses Comensais até o Ministério – disse Harry, ainda com o braço em seus ombros.
- Você tem razão, Harry – com um aceno da varinha, Dumbledore fez os Comensais sumirem. – Pronto. Mas antes de irmos a Hogwarts, deixem-me dar um abraço em vocês!
Eles o abraçaram mas, quando se soltaram, já estavam no escritório do diretor em Hogwarts.
- Como você fez isso, professor? Afinal, não se pode aparatar nos terrenos da escola...
- Digamos que eu tenha meus meios, Hermione. Agora sentem-se que eu vou mandar chamar o Sr. Weasley.
Ele saiu e os dois sentaram em umas cadeiras que haviam em frente à escrivaninha de Dumbledore.
- Eu estou com sede. Será que tem água por aqui, Harry?
- Naquela mesinha perto da porta – Harry falou sem nem olhar para trás, apenas apontando por cima do ombro, já que já conhecia o escritório de Dumbledore como a palma de sua mão, muitas vezes ficara ali estudando com o diretor. Então, antes que Hermione pudesse se levantar para buscar a água, ele fez dois copos cheios levitarem até eles.
- Ob... obrigado.
Pouco tempo depois, Dumbledore voltou com Rony, que ficou muito feliz e espantado ao ver os dois amigos ali, tomando água como se nada tivesse acontecido.
- O que aconteceu? Como vocês voltaram? Harry, onde você estava? Por que agora você tem duas cicatrizes na testa?
- Calma, cara, uma pergunta de cada vez! Senta que eu vou explicar tudo.
Então Harry começou a contar tudo o que acontecera desde que o castelo fora invadido, para esclarecer Hermione, sendo ajudado muitas vezes por Dumbledore. Contou o que acontecera e tudo o que fizera e dissera quando foi transportado pela chave de portal. Porém, quando chegou na parte do duelo final, ele parou, pensou um pouco e disse:
- O que foi que aconteceu, Mi? Eu só me lembro de ter recebido a maldição no seu lugar, depois acordei com você me chamando.
Então Hermione falou tudo o que acontecera depois de Harry ter recebido o feitiço fatal. Quando terminou, todos mergulharam num silêncio profundo, tentando assimilar tudo o que ouviram naquela noite. Quem o rompeu foi Harry:
- Por que, Alvo? E que é essa luz branco-azulada?
Dumbledore suspirou e disse:
- Você ainda não entendeu, Harry?
Ele pensou um pouco e então a compreensão se espalhou por seu rosto e ele exclamou:
- Ah! Então o tal poder... mas como?
- Proteção, Harry, proteção e amor.
- Ah...
Eles ficaram em silêncio. Hermione então impacientou-se e disse:
- Vocês não vão explicar melhor, não?
Foi Dumbledore quem respondeu:
- Claro, Hermione. O que aconteceu foi a manifestação de um poder que Harry tem e que Voldemort desconhecia, como dizia a profecia. E esse poder foi ativado no instante que o Harry recebeu aquele feitiço para te proteger, por amor a você.
Rony e Hermione então entenderam. Ela então perguntou:
- Dumbledore, então foi por isso que, mesmo inconsciente, ele me abraçou?
- Exatamente.
- Que nada, era pra ter certeza de que você não iria me abandonar.
Todos riram e o diretor disse:
- Eu tenho que ir, o jantar já vai começar e eu tenho que avisar a todos que Voldemort foi derrotado para sempre. E vocês têm que descansar. Mas não é bom irem para a Torre da Grifinória hoje, não, pois senão vocês serão atacados com milhares de perguntas. Harry, experimente as portas mais próximas da sua – e saiu do escritórios em dizer mais nada.
- Harry, eu não entendi nada.
- Nem eu. O que ele quis dizer?
Harry sorriu e disse:
- Se acalmem e me sigam – ele os levou pela passagem secreta que Dumbledore lhe mostrara há um mês atrás e seguiu até o fim do corredor. Experimentou algumas portas e encontrou dois dormitórios. Indicou-os para Rony e Hermione dizendo:
- Aqui estão. Tomem um banho e depois me encontrem no meu quarto, é aquela porta ali.
Então cada um foi para seu respectivo quarto, tomar um relaxante e merecido banho.
*-*-*-*-*-*-*-*-*-*
Harry já estava terminando seu banho quente. Se enxugou e enrolou a toalha, cobrindo da cintura para baixo. Foi para o quarto colocar uma roupa limpa, enquanto enxugava os cabelos com outra toalha. Abriu uma gaveta na cômoda e separava uma roupa quando ouviu uma voz atrás de si:
- Não é possível que você não tenha me visto.
Ele se virou de um pulo exclamando:
- Hermione, que susto!
- Me desculpe.
- Tudo bem. Espera um pouco – ele pegou sua roupa e foi se trocar no banheiro. Depois voltou e se sentou ao lado dela na cama dizendo:
- Sabe, isso me parece um tanto familiar...
Ele se deitou colocando a cabeça em seu colo.
- Sério? – perguntou começando a fazer cafuné em sua cabeça.
- Aham. Você não lembra daquela vez nas férias aqui em Hogwarts que você foi me acordar no dormitório masculino?
Ela riu e disse:
- Claro que eu me lembro! – e baixou o tom de voz: - Como eu poderia me esquecer?
Ele sorriu e se sentou de repente empurrando-a, fazendo com que ela deitasse e ele ficasse com o rosto em cima do dela. Começou a se abaixar sobre ela vagarosamente quando...
- Me desculpem a demora, é que... – ao perceber como os dois estavam e a expressão frustrada de Harry enquanto se sentava novamente, ele perguntou: - Estou atrapalhando alguma coisa?
- Não, Rony, imagina, nadinha – Harry respondeu irônico, fazendo os outros dois rirem. Também rindo, disse: - Vem, vamos comer alguma coisa – ele os conduziu até a cozinha e os três se sentaram. – E então, o que vocês vão querer?
Rony olhou desconfiado pela cozinha e perguntou:
- É você quem vai cozinhar?
Harry riu com gosto e disse:
- Claro que sim... você acha o que, que Dumbledore iria contratar uma cozinheira para mim durante o mês que passei aqui? Vai, escolhe – ele levitou os cardápios com as receitas até os dois. Hermione já estava se acostumando com os novos poderes dele, mas o Rony ainda achava tudo muito estranho.
Folhearam os indecisos até que Hermione exclamou:
- Eu tive uma ótima idéia para o nosso jantar! Só não sei se você vai saber fazer, Harry...
- O que é?
- Pizza!
- Boa, Mi!
- E o que seria isso?
- É uma comida trouxa, Rony. Veja aqui – ele mudou as páginas dos cardápios e começou a convocar os ingredientes necessários, enquanto o ruivo analisava a receita, gostando cada vez mais.
- É impressão minha ou você já sabe a receita de cor?
Harry riu marotamente e disse:
- Mi, se prepare para comer a melhor pizza da sua vida!
- Precisa de ajuda? – ela perguntou ainda rindo muito.
- Não, obrigado.
Eles continuavam conversando, com Harry meio aéreo, lógico, já que estava fazendo as pizzas por telepatia e isso exigia concentração.
Ficaram um longo tempo comendo pizzas e tomando cerveja amanteigada até que Harry disse:
- Acho melhor a gente ir dormir, está ficando tarde.
Os outros concordaram, de modo que se despediram e foram para seus respectivos quartos.
