HARRY POTTER E A DESCOBERTA DO AMOR

CAPÍTULO XVII NOITE MÁGICA

Aquele dia foi totalmente agitado em Hogsmeade, afinal Hogwarts em peso foi para lá. As lojas mais cheias eram, claro, as de roupas. Mas, apesar da quantidade de pessoas, tudo correu bem e todos os alunos conseguiram comprar suas roupas e acessórios.

Por volta das cinco da tarde, todos tiveram que voltar para o castelo. As garotas subiram correndo aos seus dormitórios enquanto os garotos ficaram pelos salões comunais jogando conversa fora. Harry e Rony jogavam xadrez enquanto o primeiro dizia:

- Eu não entendo por que a Hermione precisa de três horas para se arrumar.

- Garotas, Harry, garotas...

- Mas e você, Rony, vai com quem?

- Eu não tenho par, não – respondeu um pouco vermelho.

Harry fez um aceno com a cabeça indicando que entendera e resolver não insistir no assunto, se concentrando no jogo de xadrez.

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Uma hora depois, os meninos, cansados de jogar xadrez, subiram para se arrumar. Muitos dos sangues-puros da escola reclamaram por terem que usar roupas trouxas, mas nada puderam fazer.

Rony estava com um smoking com gravata borboleta e tudo (Harry, para ajudá-lo, lhe dera, alegando ser presente de aniversário adiantado). Já Harry escolhera um terno preto, uma camisa de linho branca, calça social e sapatos também pretos e uma gravata discreta. Conseguira arrumar os cabelos com um pouco de gel.

Os dois estavam no salão comunal da Grifinória esperando Hermione descer. Assim como no baile de Natal, ficaram só os dois ali, todos os outros garotos e garotas já haviam descido. Rony consultou o relógio e disse:

- Harry, o banquete já vai começar!

O garoto suspirou e disse:

- Vai indo que eu vou continuar aqui.

- Não precisa, eu já estou pronta.

Eles se viraram para as escadas do dormitório feminino e ficaram estáticos com o que viram. Hermione usava um vestido longo branco-pérola, com pérolas e brilhantes aqui e ali. O vestido era frente única e amarrava atrás do pescoço, formando um decote que mostrava seu colo porém sem exageros. Preso também no nó atrás de seu pescoço, desciam algumas tiras de um tecido mais fino mas da mesma cor do vestido indo até seus braços e seguros em seu pulso, de modo que ficavam balançando ao lado do seu corpo quando ela se movimentava. Os cabelos estavam presos no topo da cabeça com uma presilha discreta, deixando seus cachos bem definidos caídos em forma de cascata. Sua sandália de salto alto prateada, suas jóias e sua maquiagem leve completavam o conjunto. Enquanto Harry continuava olhando fixamente para ela, Rony disse:

- Mione, você está muito bonita! Só que será que dava para a gente ir logo? O banquete já vai começar, sabe? A propósito, Harry, se você quiser, dá tempo de ir buscar um babador.

O garoto riu encabulado e disse:

- Precisa, não, Rony – virou-se para Hermione, que agora já estava ao lado deles, e lhe ofereceu o braço. Rony foi na frente e então ele sussurrou ao ouvido dela: - Você está muito linda!

Ela agradeceu com um sorrisinho tímido. Então, do nada, Harry parou no meio do corredor e disse:

- Rony, pode ir indo, que eu não vou mais, não.

O ruivo voltou-se assustado para ele e Hermione, igualmente assustada, perguntou:

- O que aconteceu, Harry? Você está sentindo alguma coisa?

Ele a olhou tentando manter-se sério e disse:

- Tô... uma vontade louca de não deixar você ir para o baile... já estou até vendo, toda a população masculina de Hogwarts dando em cima de você bem na minha cara. Isso é demais para mim.

- Oras, Harry – ela disse rindo. – Eles que se explodam, não estou nem aí para eles. Para mim basta que um garoto olhe para mim... você! – ela sorriu apaixonada para ele e depois disse: - Mas você fica uma gracinha quando está com ciúmes, sabia?

Ele, que estava rindo, engasgou e disse:

- Eu não estou com ciúmes!

- Tá, Harry, e eu acredito – ela falou irônica enquanto ria ainda mais. – Vem, vamos entrar.

O Salão Principal estava decorado de forma discreta porém muito bonita. Havia muitas mesinhas espalhadas que deixavam um espaço vazio no meio do salão para as pessoas dançarem. Essas mesas estavam forradas com toalhas das cores de todas as casas, tornando o ambiente muito colorido e primaveril.

Correu tudo bem durante o banquete e, assim que as sobras sumiram, começou a tocar uma música animada e a cair pétalas de rosas do teto que demoravam um pouco a desaparecem, de modo que, em pouco tempo já havia um tapete de pétalas no chão. Harry, Rony, Hermione e vários outros alunos logo fizeram uma rodinha e ficaram conversando, dançando e se divertindo.

Depois de algum tempo, começou a tocar uma música lenta e os casais logo começaram a se formar. Harry enlaçou Hermione pela cintura, enquanto ela pousava os braços sobre seus ombros, cruzando as mãos atrás de seu pescoço. Neville tirou Gina para dançar, e Rony, por mais estranho que posse parecer, fora chamado por Cho. Dumbledore dançava com Mcgonagall, que estava coradíssima com algo que o diretor acabara de falar.

Quando Harry os girou, Hermione viu Rony e Cho dançando perto deles e desatou a rir. Harry a encarou intrigado e disse:

- Eu não sabia que dançava tão mal assim.

Ela tomou fôlego e disse:

- Não é isso, Harry. É a Cho ali dançando com o Rony. Ela não pára de olhar para nós dois, tá na cara que ela tá tentando te fazer ciúmes.

Harry girou mais uma vez de modo que também pudesse vê-los. Deu um sorriso maroto e disse:

- Então vou dar algo para ela ver.

- Harry, o que... – mas ela não pôde terminar de falar, pois sentiu os lábios de Harry pedindo passagem aos seus, iniciando logo em seguida um beijo de tirar o fôlego, fazendo-a esquecer a Cho e de todo o mundo a sua volta.

Eles só interromperam o beijo quando alguém trombou forte nas costas do garoto, fazendo-o ir para a frente. Se viraram em direção à saída do Salão e viram que a Cho saía correndo. Voltaram então o olhar para Rony, que meramente sacudiu os ombros e foi dançar com uma grifinória.

- Acho que ela não gostou muito do que viu...

- A Chang que se dane – Harry disse, indo para frente para beijá-la novamente, só que ela disse. Esquivando-se discretamente:

- É melhor, não, Harry...

Ele não a deixou falar, foi logo dizendo:

- Você tem razão, Mi. Peço desculpas, eu estou indo rápido demais – ela deu um sorriso enquanto pensava "Ele é sempre assim, tão educado e tímido..." e continuou como se ele não houvesse dito nada:

- ... pois aqui está muito cheio.

Ele a encarou e disse, parecendo um pouco receoso:

- Você está falando sério, Mi?

Ela sorriu, segurou sua mão e disse:

- Vem comigo.

Eles subiram mais e mais escadas em direção à Torre da Grifinória. Quando chegaram, Harry a parou no meio do salão comunal e perguntou:

- Você tem certeza?

Ela apenas o puxou para um abraço muito forte. Depois de um tempo assim, ela sussurrou provocativa em seu ouvido:

- Sabe, a monitora-chefe é muito minha amiga e nem se importou de me emprestar o quarto dos monitores, já que ela dorme com as colegas do sétimo ano.

Ele apenas deu um sorriso sedutor, a pegou no colo e a levou para cima sem dizer mais nada.

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Harry acordou com o sol batendo em seu rosto. Mas ele não queria acordar. Tivera um sonho tão bom com Hermione!

Ele foi se espreguiçar quando sentiu um peso apoiado em seu braço. Abriu os olhos de repente e viu que era Hermione, que dormia. "Não foi sonho!", pensou feliz. Se ajeitou de modo que pudesse abraçá-la e conseguiu observar melhor o local onde se encontravam.

Era um quarto muito parecido com os outros dormitórios, só que este só tinha uma cama de casal e era um pouco menor. Até o estilo da decoração era o mesmo.

- Você tá acordado, Harry?

Ele ficou tão distraído com o quarto que não viu quando Hermione acordara. Virou-se para ela com um sorriso encantador e disse:

- Bom dia! Acordei há pouco tempo. Dormiu bem?

- Como nunca dormi em toda a minha vida – ela disse com um sorriso. Então o beijou, ato ao qual ele correspondeu imediatamente. Quando pararam, ficaram abraçados até que Harry estendeu uma mão para ela dizendo:

- Para você – ele segurava um buquê de lírios brancos, a flor preferida dela, que acabara de conjurar nas costas.

- Ah, Harry, são lindos!

- Não mais que você!

Ele a beijou terna e longamente. Depois suspirou e disse:

- Eu queria não precisar sair daqui nunca!

- Por mim eu também ficaria aqui para sempre! Mas infelizmente ainda há o mundo lá fora e nós temos que descer.

Ele deu um sorriso maroto e se apoiou no cotovelo, de modo que seu rosto ficou sobre o dela, e disse:

- Ainda tá cedo... acho que a gente não precisa descer exatamente agora.

Ela sorriu e ele a beijou de uma forma bem mais quente e apaixonada que antes.