Especial Hinata
Engraçado como o auge da nossas vidas pode ser prematuro não?! Eu lembro como se fosse hoje, embora acredite que pode ter sido hoje mesmo, ou quem sabe foi um mês? Ah! Talvez foi semana que vem!
Tempo? O que raios é o tempo afinal?! Já não tinha noção, era um pequeno brinquedo do destino, alias, destino devia ser meu melhor amigo. Aquele amigo chato que adora pregar peças...
Estou sendo confusa não é?! Desculpe-me por isso!
Mas entendam é difícil não o ser quando tudo que me cerca é tão relativo... É difícil mesmo não divagar e se perguntar sobre as coisas da vida, da morte da simples existência.
Vejam bem, eu falo existência por que eu somente faço isso, existo... Olha eu ai de novo sendo confusa! Baka, baka, baka!
Aonde eu estava mesmo!?
Ah sim! Em como o auge de nossas vidas pode ser prematuro.. O meu de fato foi..
Eu tinha meus doze anos e até aquela época eu era comum para qualquer kunochi de minha idade, vivia uma vida triste, mas pacata, e desde cedo já amava. Sim isso mesmo que leu, amava, sei que é forte para alguém tão novo, mas não podia ser diferente. Como não amá-lo?
Amava um doce garoto de olhos azuis céu e o sorriso mais brilhante do mundo, e meu auge que tanto falo foi justamente por conta desse menino tão especial.
Lutava por minha posição no clã, lutava por mim mesma, lutava e principalmente lutava por que finalmente ELE me olhava, olhava com intensidade, olhava com alegria, ME olhava, e não de realce, eu era seu centro.
Eu sabia que aquilo era curto, sabia que aquilo era um mero momento, mas mesmo assim poderia morrer feliz, eu pensava.
É eu era patética eu sei.
E no meu auge eu perdi, perdia luta, perdi tudo que estava buscando e provavelmente o respeito dele, pois é... Isso mostra muito sobre mim, eu acho.
Se bem que isso não importa mais, o que importa é que naquela época enquanto estava na cama, estava sentindo profundas dores no peito, enquanto sentia minha vida escorrer por cada poro eu somente pensava nele, eu queria estar ali com ele mesmo que de longe, mesmo que ele nunca mais me visse, queria estar ali, queria ajudá-lo silenciosamente e parar ao seu lado cada vez que senta-se no balanço para chorar.
Queria ajudá-lo a realizar seus sonhos! O mais importante na minha vida era realizar seus sonhos! Ele mais do que ninguém merecia isso, e ele era tão sozinho, tão triste, vivia sorrindo ,brincando fazendo amigos por onde passava, mas somente ela via que o brilho em seus olhos poderia ser mais intenso e que dentro de cada sorriso sua alma chorava de dor, ele era tão ou mais solitário que ela mesma.
Ele precisava de mim!
Eu não podia abandoná-lo! Nunca! Não enquanto ele não fosse de fato feliz! Não enquanto tinha tanto a viver! O mundo precisava dele, e mesmo ninguém vendo isso eu via! Ele precisava ser visto e eu precisava fazer de tudo por isso! Não poderia ir agora! Tinha tanto a fazer... E foi ai que tudo ficou escuro.
Primeiro ponto a dizer é que morrer dói, dói MUITO, e não, é mentira quem diz que é como dormir, pois dormindo você ainda sente, você pensa, você existe...eu virei o nada o simples e belo nada...
É uma droga. Até que em um momento eu vi uma luz e corri, será que essa é a bendita luz no fim do túnel?! Todos dizem para não ir para a luz, mas quando se é o simples nada a chance de mudar isso é desperador.
Eu de fato nunca soube, sei que estava diante daquele balanço, aquele mesmo balanço que tantas vezes o via chorando, estava ali e tentei correr ir para meu lar, ou mesmo para o apartamento dele, mais conforme me afastava uma nevoa surgia e me consumia e antes deu me perder na nevoa voltava, estava presa naquele balanço, estava presa em mim mesma, estava presa em minha dor.
Sentia-me sozinha, sentia-me impotente, sentia o tudo, sentia o nada. Chorei.
Chorei como nunca antes, chorei de berrar chorei de perder o fôlego que sabia não mais possuir chorei pela vida pela morte pela existência, chorei por ele, e quando eu chorava foi ele que apareceu e não falou nada. Simplesmente chegou às minhas costas e me abraçou.
Ficamos ali ambos, chorando abraçados sem dizer nada. Fiquei mais calma, mas não queira sair daquele abraço, tinha medo do que estava por vim, eu poderia sair dali e voltar a nevoa, ou então pior, ao nada, e isso não queria, queria ficar ali no braço dele para sempre, ali era meu lugar.
Só que tal qual veio se foi, mas dessa vez não demorou tanto, e logo voltou a acontecer, e sempre ele, demorei muito tempo pra entender, mas um dia entendi! Estava em seus sonhos... Como?! Eu não tenho a mínima idéia, tentei buscar respostas, mas nunca veio, o que eu sou?
Também não tenho a mínima idéia.
Se estou morta, viva, se sou uma lembrança com muita força, ou se sou um fantasma que no lugar de virar espectro assombro sonhos, não sei, e isso já não tem importância, nada tem importância.
Sentia que estava ali por ele e por ele me dedicava, por ele dava meu melhor, e decidi que iria com ele enquanto ele precisasse de mim e seria tudo que ele precisava, pois eu vivia por ele independente de mais nada.
Com o tempo aprendi a perder o medo da névoa e ao atravessá-la caia em outros sonhos, continuei ajudando no que podia. Mas sempre por conta dele, sempre em volta dele.
Ajudei Shino a encontrar novos objetivos... Ajudei o dorminhoco Shikamaru a superar a morte de seu sensei, e atualmente o ajudava a encarar a paixão pela minha antiga sensei.
Ajudei Kiba a seguir sua real vocação, ajudei Sasuke a buscar mais informações na vila onde tudo ocorreu antes de seguir aquilo que de fato era muito novo pra compreender.
Mas ajudei principalmente ele, meu grande e eterno amor, ah! Como ele cresceu lindo! E como ele tinha um coração intenso, mesmo eu sabendo que não adiantava ele tentava me ajudar de volta! Me trazia livros, me ensinava técnicas, me atualizava de tudo que acontecia na vila, mesmo sem saber que eu mais ou menos sabia por invadir os sonhos alheios.
Quando estou com ele é quando me sinto de novo viva, tudo tem cor, sabor, gosto e cheiro, é mais completo do que em qualquer outro local, é mais intenso do que em qualquer outro sonho, pois ao contrario dos outros que passo como uma ilusão eu sei que ali sou necessária eu sei que no intimo ele sabe que sou real!
Sou feliz como sou agora, não posso negar, finalmente sou livre para de fato escolher entre as poucas opções que me são disponíveis nessa nova e confusa existência, mas são escolhas, algo que nunca possui.
E todos, meus momentos mais felizes forma ao lado dele, o primeiro de intensa felicidade foi quando num dia como qualquer outro ele me beijou.
Ah! Nunca senti nada assim, foi como um choque elétrico passando, ele possui um gosto peculiar de menta, chocolate e pimenta que me deixou louca, nada foi tão intenso em minha existência nem vida nem o nada dos sonhos atuais.
Aquele beijo me deu um novo sobro de existência, tanto que até o dividi com o menino Nara, alias tirando meu menino de ouro era o que mais invadia os sonhos.
Acho que era por estar sempre dormindo né, era quase como ter um luminoso o indicando.
Mais beijos vieram depois daquele, eu me sentia namorando! Ele me pediu em namoro inclusive no outro sonho! Nossa meu coração saltava de felicidade, eu estava completa, ter ele era a melhor coisa de minha existência. Tinha até dó pela primeira vez de alguém vivo. Sakura sentia-se trocada pelo menino Uchiha. Ela não tinha o que eu tinha, isso era tão triste...
Até o dia em que ele me contou sobre duas duvidas e anseios sobre de fato estar se apaixonando por mim, por achar que talvez me amasse, todavia da necessidade iminente de precisar de fato casar. Ele não queria, iria abrir mão de seus sonhos por mim!
Ele não seria mais o Hokage!
Não isso não podia permitir, senti muita dor, no entanto me mantive firme ao seu lado, meu menino chorava, e o consolava, fiquei vários sonhos buscando uma solução, queria ter tempo para pensar entre sonhos, mas simplesmente não existia fora deles e por isso vaguei perdida como sombra nos sonhos da maioria enquanto pensava numa solução.
A única que surgiu foi a dele voltar a sua antiga paixão e a pedir em casamento, era o melhor para os dois, seriam companheiros, pois ambos estavam perdidos e quem sabe dali surgia o amor?!
Ai COMO DOIA! Só de pensar nisso sentia seu coração falhar.
Não podia prender mais meu menino a mim, o que ela de fato e concreto ofereceria a ele?! Tinha como passear juntos por ai ou mesmo construir uma vida ao lado dele? Ter filhos? Deitar ao seu lado, nada disso era possível, estava o condenando a uma existência presa um sonho inalcançável...
Existiam em dimensões diferentes, ele na vida real e palpável e eu na dos sonhos. Não podia quebrar o que me trouxe aqui e meu maior objetivo que era de lhe fazer e de realizar seus sonhos, me manter com ele era condená-lo a não atingir a felicidade.
Sabia que ao me decidir me afastar de meu grande amor estaria fadada a não existência, sabia, minha existência de sonhos estava ligada intimamente com a dele, ao se afastar não existia mais.
Só que maior que eu era meu amor por ele.
Foi triste e dolorosa nossa conversa, não contei é claro que deixaria de existir completamente e que isso me apavorava, mas deixei claro que ao casar eu me afastaria para o bem do casamento dele.
Ele não aceitou, mas conformou-se.
Nunca mais foi o mesmo, tentávamos, mas agora tudo parecia como antes daquele dia onde foi meu auge, onde eu via que seus sorrisos não tinham o mesmo brilho e a tristeza residia ali em seus olhos, e no dia anterior ao casamento meu medo me consumia.
Fui egoísta e mesmo sabendo que era errado me entreguei de corpo e alma para ele, afim de que ele me fizesse sua e de mais ninguém. Senti ali que nossas almas se tocaram não somente nossas mentes e nossos corpos sem substancia, sentia minha alma conectada intimamente com a dele, ele era minha alma gêmea! Ele me inundou não com suas sementes, porém sim com seu amor com sua plenitude sentia que no lugar de um líquido ele me inundou de si mesmo, estávamos agora como ying e yang com um pouco do outro dentro de nós.
Via o universo às estrelas e tudo mais, via o big bang e via o fim vi o começo. Enquanto nos realizamos nossos mais intensos desejos sentia que literalmente éramos um em meio ao limpo dos sonhos. Que descoberta tão imensa e dolorosa, pela primeira vez em muito tempo odiei minha condição. Se não fosse por isso estaria feliz.
Novamente confirmei meu egoísmo ao me despedir dizendo um adeus no lugar de simplesmente ir embora.
Fiz, faço e sempre farei tudo por você meu grande amor. Te amo Naruto de um jeito que palavras não são capazes de definir.
