Capitulo 2

Á medida que avançava pelo longo corredor que ligava aos dormitórios, os murmúrios deixavam de poder ser ouvidos, dando lugar a um silêncio envolvente, onde só o ouvido profissional poderia distinguir um suave ruído de passos, cujo ritmo ia-se tornando cada vez mais e mais lento.

Malditos corredores, quais labirintos infinitos…De repente, o som de passos estacou, e deu lugar a um ligeiro ruído, como o de alguém a cair no chão. Longe da presença perturbadora do treinador, o capitão dos Demolition Boys sentiu finalmente as forças a abandona-lo e deixou-se resvalar para o chão, pousou o corpo ainda imóvel de Bryan a seu lado e encostou a cabeça à parede tentando normalizar a respiração. O Bryan não parecia tão pesado… "Mas ele já devia ter recuperado…" Virou-se para o colega, que apesar de manter os olhos abertos tinha uma expressão totalmente vazia e estava imóvel, e abanou-o gentilmente. "Bryan…? Vamos Kuznetsov reage!" Este arqueou ligeiramente as pestanas e entreabriu os lábios, mas deles não saiu qualquer som.

"Não precisas de falar, só queria ter a certeza de que estavas bem" Desta feita Bryan conseguiu articular algumas palavras "E que entendes tu…por bem…Tala?"

"Vivo" "Que mais podiam eles esperar?"

"Ainda não é desta…que escapo a este inferno…" Bryan fechou os olhos, arquejante pelo esforço, o sangue ainda a escorrer-lhe abundantemente das feridas.

"Não digas isso Falcão, parece que não tens amor à vida" Como a sua voz soava tão vazia e neutra…Mas pudesse Bryan ver para alem da mascara de indiferença com que Tala se revestia, e veria que o que este sentia naquele momento não se enquadrava com o seu semblante imutável.

Bryan abriu novamente os olhos e desferiu um olhar desesperado a Tala, algo que ate então ninguém tinha podido contemplar na cara do Falcão, um olhar desprovido de esperança e cheio de tristeza, ardente e resignado ao mesmo tempo. "Vida Tala? Há muito que desisti de chamar vida à minha existência…Aqui, encarcerado nesta prisão, onde manipulam a minha "vida" ate ao limite…Já nada me pertence…nem o próprio Beyblade me pertence…muito menos o meu coração…Não tenho nada que me apegue à vida Lobo…nada…"

A cabeça de Bryan resvalou para o lado e ele regressou à semi-dormencia.

"Não! Gritou Tala, toda a contenção instantaneamente perdida "Não vás Bryan, não vás…Não me deixes aqui sozinho…" Com uma rapidez espantosa, Tala ergueu-se, rodeou o tórax e as coxas de Bryan com os braços e levantou-se, começando a correr com toda a velocidade que as pernas lhe permitiam em direcção aos dormitórios.

"Ele não pode morrer…Eu…eu preciso dele. Raios partam o Boris e todos os seus ideais estúpidos, eu preciso de ti Bryan. Não me abandones por favor…"

Chegando ao dormitório, o Lobo desferiu um pontapé na porta (n/a: e não se ouve nada nesta casa? O.O) e pousou delicadamente Bryan sobre uma das camas, e em seguida correu pelo quarto em busca da caixa de primeiros socorros – que para variar não estava no lugar.

"Onde esta aquela m! Pois não esta…maravilha quando uma pessoa precisa dela lembra-se de desaparecer… Prontos esta aqui vamos lá" começou a limpar as feridas de Bryan, que felizmente continuava desacordado senão era capaz de não achar muita piada ao ardor que o álcool etílico provocava (n/a: é meus filhos tavam à espera de quê mercurocromo? Aquilo lá é pior que a Idade da Pedra). Feito isto, o Lobo mediu-lhe a pulsação, que continuava demasiado débil e instável. "É melhor fazer-lhe uma transfusão rapidamente. O meu grupo é O, portanto não há problema (n/a: a menos que o Tala tenha sida…) é só espetar-lhe esta porcaria no braço…assim e agora ligo a extremidade ao meu braço…caramba onde esta a maldita veia? Se não vai a bem vai a mal! Ai dasse, essa doeu. Maldita agulha, esta coisa deve ter mais anos que Estaline" Permaneceu uns minutos calado, a ver o sangue que agora fluía para o corpo do colega. "Quando é que é suposto eu parar? Oh pá estou a ficar um bocado tonto…Muito tonto…Acho que já chega!" com a visão ligeiramente desfocada, Tala retirou as agulhas de ambos os braços e comprimiu as ferias com um pouco de algodão "Dasse que o álcool arde mesmo" pensou, olhando novamente para Bryan, cuja pulsação era já mais regular e a respiração mais audível

"Bryan?" chamou Tala, receosamente. Não obteve nenhuma resposta. Aproximou-se cautelosamente e tocou no rosto do Falcão "Bryan ouves-me?" Desta feita o rosto do Falcão estremeceu e este entreabriu os olhos a meio

"Tala?" (n/a: não Bryan, e espírito do natal passado .) sibilou, fazendo em seguida uma careta de dor como se lhe custasse falar. "Como…ainda estou vivo?.." notando as agulhas no chão "Fizeste…uma transfusão?"

"Ia, eu não percebia nada daquilo mas não ouve problemas."

"…Usaste o teu sangue?" Bryan perguntou num tom estupefacto, e em seguida sorriu ligeiramente com todo o sarcasmo que lhe era característico "Não admira...que ainda me sinta podre"

"Vai-te matar Kuznetsov"

"Porque o fizeste?...Não é como…se a minha vida fosse assim tão preciosa…que tivesses…de te sacrificar" Agora o olhar de Bryan era sério, e fitava Tala com uma expressão interrogativa.

Tala corou ligeiramente "Eu não queria que tu morresses" corou ainda mais furiosamente, dando graças por estar escuro, e desviou o olhar de Bryan

Bryan ergueu-se, fazendo uma nova careta de dor quando os ferimentos se manifestaram furiosamente, e aproximou-se de Tala, esticando uma mão para tocar no queixo do Lobo e fê-lo olhar para ele novamente. "Porquê, Tala?"

Tala entreabriu a boca como se fosse falar mas não conseguiu dizer nada, limitando-se a fitar aqueles olhos cinzentos, dos quais secretamente tanto gostava, que faziam o mesmo. Os dois perderam o olhar um no outro e mantiveram-se assim imóveis, sem conseguirem desviar o olhar um do outro.

Então, sem aviso, muito lentamente, a distancia entre os dois foi-se encurtando, gradualmente, os lábios uniram-se, num tímido beijo que ambos há tanto desejavam, e fecharam os olhos, com o êxtase do momento a envolve-los. O beijo tornou-se mais forte, e a boca de ambos movia-se em uníssono, só o desejo que sentiam um pelo outro os dominou.

Alguns instantes depois eles afastaram-se abruptamente, ambos mantendo o olhar fixo no outro, respirando rapidamente, como se ainda não acreditassem no que acabara de acontecer. Foi Tala o primeiro a quebrar o silêncio que ecoava.

"O Boris há-de ficar furioso se descobrir"

"Estou-me a lixar para o que ele pensa…Por mim…bem pode arder no inferno"

"Digo o mesmo" Eles beijaram-se novamente, desta vez com mais intensidade. Tala passou uma mão em volta do pescoço de Bryan, que gemeu suavemente, e puxou-o para mais perto. Com as dores esquecidas, Bryan acariciou o cabelo de Tala e deslizou a mão ao longo do pescoço dele, mandando-lhe arrepios ao longo da coluna.

Pudesse ter entrado o batalhão inteiro da Biovolt, eles não iriam ligar, perdidos como estavan um no outro. Depois de tanto tempo perdido, ninguém teria o poder de os separar.

Ninguém…

Mergulhado nas memórias do seu passado, Tala sorriu sem despertar

TBC

Oi! Feliz dia atrasado dos namorados para todos! Espero que tenham tido um óptimo dia. Melhor k o meu se possível…

Desculpem a demora neste capitulo, so agora é que o pude postar completamente, estou a atravessar uma fase complicada na escola #coffisico-quimicacof# e por isso vo demorar um pouco para postar o próximo capitulo. Desculpem ''

Tala: …Não querias por um beijo mais lento não?

Amaya: Experimenta tu escrever depois de um teste de física e logo falamos. Ai desculpa Tala, esqueci-me que não tens inteligência para tanto…#sorriso sarcástico#

Tala: Falhada…

Amaya: A falhada teve ate agora 7 reviews na oneshot "Biovolt, uma abadia desesperada". Queria agradecer a todos os que comentaram nela, é realmente gratificante ver que tanta gente gostou, fiquei extremamente contente. Saber que gostam das minhas historias dá-me força para continuar.

Adeus e até a próxima )