Capitulo 4
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"Perdoa-me, Bryan" sentindo a mão deste roçar na sua. Tala olhou para o Falcão, que mantinha o semblante impassível.
"É bom ter-te de volta, Tala"
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"Depois daquilo, pensei que a nossa relação estava condenada. Durante muito tempo não conseguiu encara-lo de frente, quão mal me sentia. E ele também estava magoado, notava-se. Pudera, imagino o quanto lhe doeu ouvir-me dizer tão friamente que não sentia nada por ele…Mas estranhamente, ele superou rapidamente, e tentou – melhor dizendo obrigou-me – a esquecer o sucedido. Bem, quando alguém me empurra contra a parede, me beija ardentemente e me tenta arrancar a camisola não se pode dizer que eu tenha escolha certo?
…O que ele não sabe é que, doze meses passados, e ainda não me consegui perdoar… A culpa fluí em mim, envolve-me, quase que não me deixa viver estes momentos com ele. Não me consigo libertar…e sinceramente não me sinto capaz disso…É o preço justo a pagar pelo que fiz."
-"Hey"
Tala, assim arrancado dos seus pensamentos, agiu da maneira mais normal que conseguiu: esgasgou-se com a agua e ia caindo do beliche abaixo (n/a: sempre o mesmo anormal…)
-"Ei meu estas bem?" Bryan bateu-lhe vigorosamente nas costas enquanto falava (n/a: boa se não morrer engasgado morre espancado…)
- "#Cofcof# Óptimo…" Tala respirava feito asmático, tentando readquirir a compustura
-"Que fazias meu? Tavas com um ar alucinado…" Bryan desceu do beliche (n/a: eles estão num de dois andares, o Bryan tava no de cima) e sentou-se ao lado de Tala
-"Pensava…"
-"Tu pensas?" Bryan fez cara de espanto ao falar, recebendo em troca uma almofadada
"Imbecil…"
-"é eu sei. Despacha-te a directora queria falar connosco hoje"
-"Tudo bem vamos. Ou outros ainda dormem todos?"
-"Ainda é cedo"
- - - - - Uma hora depois - - - - -
Engraçado como as coisas mudam num ano" pensava Bryan, no caminho para o escritório da directora "Um ano antes tínhamos nós acabado de perder o campeonato. Se a BBA não tivesse chegado naquela altura à abadia, não sei o que nos teria acontecido. Nunca antes tinha visto o Boris assim…"
"Depois de nos tiraram de lá, tiveram de nos dar um destino. Alguns deles voltaram para casa dos parentes. Assim fizeram o Spencer e o Ian. Quanto a mim e ao Tala, não tínhamos familiares vivos, pelo que viemos para aqui. A adaptação não foi difícil, mas durante muitos meses a sombra da Biovolt não nos abandonou. Muitas foram as noites em que acordamos em pânico, ainda a julgar-mo-nos nas mãos dele…Ate que por fim aceitamos a segurança que aqui nos é oferecida"
"E a minha relação com o Tala oficializou-se por essa altura, mas mantivemos a discrição desde então."
"…Estranho como as coisas mudam hun? Agora sinto-me comos e tivesse renascido, sou eu novamente. Doze meses atrás eu revestia-me com a minha solidão, cobria-me de todo o gelo que fui criando, e interiormente condenando a minha atracção por ele, quando perco contra os Bladebreakers e tenho de enfrentar a fúria de Boris. Bloqueei as memórias desse encontro para meu bem, mas tenho ainda vivos na memória alguns fragmentos do que ocorreu. Desejei morrer…ninguém iria sentir a falta do solitário falcão mesmo, era melhor assim… e por momentos pensei que o tinha conseguido, ate que acordei e vi o Tala a fitar-me. Confesso que o meu primeiro sentimento foi de raiva…por mais uma vez me forçarem a continuar a viver. Perguntei-lhe porque me tinha salvo, e ele desviou os olhos de mim. Porque, pensei eu na altura. Porque que ele não conseguia responder? Não sabia? Ou seria…que o Tala acaso também se sentisse como eu?...Poderia ser?"
Cheguei-me a ele e repeti a pergunta. Ele voltou a olhar para mim e naquele momento eu soube, ele soube também.
Por vezes, quando a revelação e demasiado intensa, levamos algum tempo a assimila-la. Foi o que aconteceu ao Tala e a mim. Durante algum tempo, apenas olhamos um para o outro. Eu sentia um turbilhão de emoções a percorrer-me. Foi como se a minha alma despertasse de novo naquele momento…Podia escolher entre fechar-me definitivamente de todo o mundo e reaprender a gostar de alguém.
Entreguei-lhe a minha alma, e não me arrependi. Nos tempos da Abadia, procurava consolo em mim próprio, julgando que só podia esperar dor e sofrimento dos outros. O Tala não é nada disso para mim. Aprendi a confiar nele como nunca confiei em ninguém, e agora já não consigo estar sem ele. Amo-o como nunca amei ninguém…Tanto como nunca me julguei capaz, tanto que ainda nem dimensões deste novo sentimento.
Assim perdido em pensamentos estava eu ate que estávamos em frente à porta da sala da directora. Tala ia abrir a porta, mas sem aviso eu impedi-o, agarrando-lhe no pulso por trás e empurrei-o contra a parede oposta. Os olhos dele arregalaram-se em surpresa. Muito sonso o Lobo consegue ser por vezes…
Ainda a segurar-lhe firmemente no pulso, agarrei-lhe no outro, segurei-os ambos por cima da cabeça dele e beijei-o ali mesmo. Ainda chocado, Tala só reagiu quando sentiu a minha língua a roçar-lhe no lábio inferior, pedindo entrar, e entreabriu a boca aceitando a minha dominância.
-"Que te deu Falcão?" perguntou-me com as sobrancelhas arqueadas, enquanto recuperávamos o fôlego
-"Apeteceu-me"
-"E a discrição onde esta?" sorriu ele
-"Enterrada muito longe daqui" retorqui sarcasticamente, enquanto batia à porta
…
-"Entrem meus filhos, já vos esperava"
TBC
Olá gente! Aqui esta a continuação do capitulo anterior ) perdão pela demora, semana extremamente difícil na escola…
Espero que tenha ficado claro este capitulo, agrada-me muito mais que
o anterior. Acho que devia ter prestado mais atenção
ao Tala…agora sinto que a fic se ressente disso, os monólogos
do Bryan estão muito melhores que os dele. Enfim…
Então o Falcão declarou-se…parece que esta sua nova faceta só lhe faz bem, esperemos que dure!
Ate à próxima, reviews bem vindas
