Capitulo 4

"Entrem meus filhos, já vos esperava" a voz suave e delicada da Madre Superiora, actual directora do orfanato, ecoou pelo pequeno escritório "Sentem-se por favor" disse, apontando as duas cadeiras em frente à sua secretaria. Eles obedeceram-lhe. Depois de a cumprimentarem

"Queria falar-nos directora?" indagou Bryan

"De facto, queria sim filho. Como te lembras decerto, há dois meses atrás, quando o Tala fez 16 anos, eu disse-vos que vocês eram livres de procurarem outro lugar para viver, dado já ambos terem idade suficiente. Como na altura vocês não tinham outro sítio para onde ir, decidiram permanecer sob a minha custodia. No entanto, as coisas mudaram. Recebi hoje uma carta da BBA, onde requerem o vosso retorno no próximo campeonato, assim como do resto da vossa equipa evidentemente. Pediram resposta imediata. É convosco agora meus filhos"

"Nós alinhamos" Tala respondeu pelos dois imediatamente

A madre assentiu, não parecendo surpreendida com a resposta "Vocês sabem que eu não vos quero mandar embora filhos, embora o número de crianças enjeitadas tenha aumentado enormemente nos últimos tempos, nas vocês tenham noção dos riscos que podem correr. Ao deixarem a instituição nos teremos de vos retirar a protecção"

"Nos sabemos madre. Quando deveremos partir?"

"Mr. Dickinson pode receber-vos ainda hoje Bryan. O Spencer e o Ian já estão à vossa espera. Se quiserem, podem partir de imediato"

"Assim faremos, directora" assentiu Tala. Trocando um olhar com Bryan, prosseguiu. "Madre…obrigado por nos ter ajudado durante estes doze meses. Devemos-lhe muito"

"Assim é Madre. Estaremos para sempre em divida para consigo" corroborou Bryan

"Filhos, vocês não têm nada que agradecer. E lembrem-se, esta será sempre a vossa casa"

"Obrigado madre" disseram em uníssono, após o que beijaram a mão da madre, respeitosamente

A madre recolheu a mão com reprovação "Então filhos, entre nós não há mais cerimónias. Levantem-se." Eles obedeceram, e ela contemplou-os demoradamente e a ambos beijou a testa, dizendo "Adeus, meus filhos. Lembrem-se que as minhas portas estarão sempre abertas para vós. E lembrem-se de Deus: ele guiar-vos-á na melhor escolha"

Ambos assentiram, sorrindo levemente, embalados por aquela aura misteriosa de calma e maternal da directora do orfanato e à qual não resistiam.

"Obrigado madre, por tudo" disseram, saindo em seguida. A madre assentiu, e viu-os a sair.

"Deus vos proteja, filhos…"

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Os dois deixaram o gabinete da directora e dirigiram-se em silêncio para os dormitórios. Uma vez lá, com os restantes ocupantes já ausentes, reuniram os seus pertences. Nenhum deles falara até acabarem de encher as mochilas. Terminando, desceram as escadas e Tala fez menção de dirigir-se para a saída, mas Bryan parou-o, segurando-lhe num braço e seguiu na direcção oposta. Compreendendo, Tala seguiu-o até ao berçário onde uma irmã já tratava dos bebes que já haviam despertado.

"Bom dia filhos. Bryan, o Yaten esta um pouco rabugento. Tratas dele por favor?"

"Claro irmã" Bryan logo procurou o pequeno chinesinho a quem tanto se afeiçoara, mais do que a qualquer um dos demais, e pegou nele ao colo. O bebe logo se acalmou e agarrou-se a ele, parando de soluçar. Também ele tinha uma ligação especial com o Falcão. Fora deixado no orfanato aquando da entrada de Tala e Bryan, com 6 meses, depois de lhe morrerem os pais num acidente de viação, e desde essa altura ganhou a afeição de Bryan.

Este era um local prezado por ambos os adolescentes. Nenhum dos pequenos se sentia ameaçado pelo aspecto forte e desenvolvido de Bryan. Também gostavam de Tala e ele deles, mas o Lobo mantinha sempre uma certa distância entre todas as pessoas.

Bryan fitou o bebe pela ultima vez "Vou-me embora miúdo. Cuida de ti, não te esqueças de mim". Abraçou mais fortemente o pequeno e beijou-lhe as faces. Quando tentou pousa-lo, porem, talvez por algum instinto premonitório, o bebé agarrou-se ainda mais a Bryan, que só o conseguiu demover através do peluche em forma de animal que ele e Tala lhe tinham dado.

"Adeus Yaten" disse para o pequeno bebé, agora aparentemente inconsciente da sua presença, agarrando o peluche, murmurando algo indescritível. Bryan aproveitou para sair do quarto, não ouvindo por isso o bebé dizendo "Taala…Bayan…" para o peluche.

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"Tala?" disse, ao deixarem a habitação

"Da, Bryan?"

"Porque não te despediste dele?"

"Ele não vai lembrar-se de mim por muito tempo" disse simplesmente. Calou-se por uns momentos, deixando a dura crueldade das suas palavras ser assimilada por Bryan

Chegando à rua, deitaram um derradeiro olhar àquela que tinha sido a sua casa durante um ano, e que apesar de tudo tinha sido o seu verdadeiro lar.

"Vamos" disse Tala, pausando e erguendo o olhar para a rua, enquanto caminhavam. "Também sentes, Bryan?"

"O que?"

"Ela esta a chamar-nos…a abadia esta a chamar-nos…"

"Eu sei"

TBC

Yaay! Este é de todos o meu capitulo favorito, deu-me imenso gozo escreve-lo. Adorei a maneira como a madre superiora ficou…Parece que cria uma aura elegante e superior em seu redor, e no entanto nota-se o carinho que nutre pelos dois russos.

Quanto ao bebé…Eu estou mesmo a ver as vossas reacções "O Bryan com uma criancinha de colo? Ia e eu sou um dragão alcoólico!". Entendam que tem muito significado esta conexão entre ele e o bebé, e a chave disso esta principalmente na nacionalidade do Yaten.

"Da" Sim em Russo

Capitulo dedicado para Lily Caroll, espero que você goste