Capitulo 5 – De volta à abadia

-"Não mudou nada…" disse Tala. E era verdade. A abadia parecia como que protegida por uma barreira temporal, pois apresentava-se tal como eles tão bem se recordavam. O mesmo aspecto majestoso, como uma velha catedral, os altos muros, o ar sombrio e pesado. A única diferença residia na segurança, dado que a Abadia parecia abandonada, agora que não estava mais rodeada por guardas.

Bryan assentiu silenciosamente. Passaram o muro que já não se encontrava electrificado, e penetraram pela porta da Abadia, que se encontrava indolentemente aberta. Eles continuaram a avançar, como se uma força invisível os guiasse mais para dentro da Abadia.

Sucediam-se os corredores longos e sombrios, com as suas amplas paredes de pedra. A certa altura, só lhes era permitido ver com a ajuda duma lanterna, dado que a Abadia não tinha luz, sendo a iluminação feita por velas.

A mão de Bryan roçou descuidadamente na parede de pedra. Quão fria e desprovida de vida estava. Tal como ele se recordava tão bem…

Era um suceder de dormitórios abandonados, que, despojados de qualquer objecto de valor, jaziam indolentes. Finalmente aquela ala findou, e eles estavam em frente ao refeitório. Atravessando-o rapidamente até à outra ponta, entraram no pequeno quartinho dos arrumos. Ai, afastaram o entulho amontoado, revelando uma pequena porta, que lhes dava pouco acima dos joelhos. Abaixando-se, atravessaram-na, e seguiram por uns momentos pelos estreito corredor até chegarem perto de um alçapão, que estranhamente tinha sido deixado aberto. Sem hesitar, porem, saltaram lá para dentro.

Estavam agora numa parte subterrânea da abadia, invisível aos estranhos que ali se encontrassem – os calabouços, ainda mais amedrontadores e aterrorizantes que a parte exterior da Abadia, gelados e escuros como uma autentica caverna. As paredes de ampla pedra cinzenta estendiam-se por um pequeno compartimento onde eles entraram, prolongando-se por um sombrio corredor.

Tala e Bryan seguiram por ele, aparentemente infectáveis pela austeridade, terror e mistério que todo aquele ambiente emanava, talvez por ali terem vivido toda a sua juventude, ou por estarem demasiado absorvidos noutros pensamentos.

A fraca luminosidade emitida pela lanterna obrigava-os a caminharem lado a lado, muito próximos devido aos estreitos corredores. Pouco depois da primeira bifurcação, a luz emitiu por breves instantes na direcção duma das paredes, fazendo Tala soltar uma exclamação e estacar em terror. Bryan parou também e fitou-o um pouco admirado.

-"Que foi Tala?"

Incapaz de responder, Tala levou as mãos ao rosto em choque, ainda a olhar na mesma direcção. Bryan dirigiu o foco de luz para onde Tala olhava e por pouco não deixava a lanterna cair.

Incrustada na grossa parede estava uma pequena cela, onde se via uma figura tombada no chão e um monte de roupas espalhadas. O corpo já se encontrava parcialmente decomposto.

-"Aquele relógio…é o…"sussurrou Bryan

-"Alexander" completou Tala num murmúrio

Bryan rodeou Tala com os seus braços docemente, o seu rosto tocando-lhe na cabeça (n/a: baixinho o Lobo ). Tala, ainda estático, deixou-se abraçar e enterrou o rosto no peito de Bryan. Assim se mantiveram uns instantes, até que se separaram e se aproximaram das barras da cela. Bryan tocou-lhe no ombro, já sem carne.

-"Adeus, Alex" disse

-"Descansa em paz, amigo" disse Tala por sua vez

Não sendo capaz de aguentar aquilo por mais tempo, Bryan levantou-se e fez menção de continuar o caminho, limpando os olhos para que Tala não notasse as suas lágrimas. Após um derradeiro olhar ao cadáver de Alexander, o Lobo seguiu-o em silêncio.

Por fim chegaram ao último cubículo, aquele ao qual Boris se referia ironicamente como "A ultima lição". Com efeito, aquela câmara só era utilizada em casos extremos e na maior parte dos casos os que ali entravam não voltavam a sair. Aliás, a própria câmara emanava essa ideia. Macas com correias para os pulsos, pernas e cintura podiam ser encontradas a um canto; no armário diversos tipos de venenos e calmantes, junto com instrumentos algo semelhantes a pinças, bisturis e objectos de amputação (n/a: moderna a abadia não? Sem electricidade, instrumentos da idade da pedra…); nas paredes longos pares de correntes que terminavam com algemas. Perto de um dos pares, encontrava-se caído no chão um chicote e um pedaço de pano, usado provavelmente para abafar os gritos de alguém. Bryan desviou os olhos desse local imediatamente.

-"É aqui…é aqui…" Tala repetia maquinalmente, friccionando ambos os braços na tentativa de repelir o terror gelado que o envolvia. Um ligeiro som de sobressalto ecoou, seguido por um "clique" quase imperceptível, que Tala não escutou por estar imerso em recordações.

- - - - - Flashback - - - - -

-"Criança estúpida!" berrava Boris, exaltado, esbofeteando Tala. "Tinhas tudo para vencer, e mesmo assim deixaste-o fintar-te! O que é que sempre te ensinamos Ivanov? Porque não o destruís-te como te tinha sido ordenado? Responde-me imcompetente!"

-"Ele surpreendeu-me, senhor…o combate parecia ganho, ele não tinha hipóteses de recuperar…"

-"E tu, ao invés de o destruíres, deixaste-o sabotar a mente robótica que te tínhamos criado! Fazes ideia dos danos que provocaste à Biovolt! Desiludiste-nos, Projecto Cyborg. Falhaste!" com outro estalo implacável, Boris fez com que Tala resvalasse, caindo no chão. "Lembras-te do que te disse Ivanov, no dia em que, desobedecendo às minhas ordens, ajudas-te o teu colega" disse, apontando para o Falcão, que jazia imóvel "Disse-te que enfrentasses a tua punição com bravura caso falhasses. Pois bem!"

Num gesto rápido, Boris ergueu o Lobo pelo pescoço "Vamos ver agora se o conseguiras, Ivanov…garanto-te que vais pagar pelo teu erro"

Demasiado debilitado e aterrado para sequer protestar, Tala sentiu-se a ser arrastado até uma das macas, onde sentiu os pulsos e tornozelos presos a esta. A última coisa que viu foi Boris começando a desapertar o cinto, ate que um dos guardas irrompesse pela porta.

-"Senhor, a BBA está aqui…Dizem que têm ordens para revistar o edifício, e levar com eles os Demolition Boys."

-"Maldição! Sergei, leva-os aos dois daqui, e faz questão de que eles não descubram este lugar!"

Boris, agarrando Tala pela ultima vez, sussurou-lhe "Isto não chegou ao fim Ivanov…mais cedo ou mais tarde encontrar-nos-emos novamente…"

- - - - - Fim do Flashback - - - - -

Piscando os olhos repetidamente, Tala tentava afastar as recordações da sua mente, sem sucesso. "Este lugar ainda tem a essência dele. E a sua voz ainda me ressoa nos ouvidos, repetindo aquelas ameaças sem cessar…"

-"A experiência comigo devia ter-te ensinado algo Ivanov"

Saltando assustado, Tala olhou na direcção da voz. Vislumbrou Bryan acorrentado à parede, caído de joelhos no chão perto de desmaiar. A seu lado, uma figura alta vestida num largo habito de monge encarapuçada sorria friamente.

-"Eu não me limito a ameaçar. Eu cumpro"

Tala recuou, com as mãos sobre a boca e os olhos arregalados "Não…"

TBC

Acho que não é preciso identificar a figura encarapuçada certo?

Outro capitulo que gostei muito de escrever, agradou-me muito descrever a Abadia e acho que ficou bastante aceitável.

Nota importante da autora (leiam por favor): Estou decidida a abandonar esta fic por tempo ilimitado. Por favor, peço que não me entendam mal, não vou parar de escreve-la, apenas não vou postar os próximos capítulos até receber algumas reviews. Não quero que pensem que estou aqui a exigir-vos que comentem a minha fic, mas é que gostava de saber que ela é lida por alguns de vos e de saber a vossa opinião. È muito importante para um "escritor" ver o seu trabalho reconhecido, e a maneira que eu tenho de o ver reconhecido é através das reviews. Perdoem-me, mas nos últimos capítulos sinto que ando a escrever para ninguém, a não ser para ti Wolfy, que não contas pois só lês esta fic porque eu quase que te obrigo . Nos primeiros capítulos eu ainda recebia alguns reviews, mas a pouco e pouco deixaram de vir, o que me intrigou um pouco. O que aconteceu? A historia piorou, ficou desinteressante, mal escrita, sem nexo o que? O que quer que tenha acontecido, porque não escreveram um comentário a explicar o que não gostaram? O capítulo que estou agora a escrever (o a seguir a este) está-me a custar imenso a escrever. Não por conter yaoi, mas porque quero que esteja o melhor possível, porque a historia e os personagens merecem-no e porque é um capitulo essencial da fic. Tentei ser o mais rápida possível a escreve-lo, mas agora penso: para que? Alguém irá lê-lo? Pelos vistos não, então para quê a pressa?

Não me entendam mal por favor (se é que realmente alguém esta a ler isto). Eu não escrevo pelas reviews, pela fama enquanto autora, não! Escrevo porque me dá muito gozo, muita alegria e muito prazer, e é uma das coisas que mais gosto de fazer. Por nada desistira disto.

Sei que não devo exigir-vos nada, não passo de uma novata que só escreve para este site à meio ano, só queria expressar-vos a minha tristeza com este "abandono" súbito e dar-vos uma explicação correcta da futura falta de actualização desta fic. Assim, se realmente ainda há quem leia a "Falling in Darkness", por favor comente e eu voltarei a actualiza-la. Lembro também que só esta fic entrara em hiatus, uma vez que as minhas fics de comédia parecem estar sendo bem aceites.

Por favor, não levem este meu desabafo como uma ofensa. Cada review que recebi, positiva ou negativa, alegrou o meu dia.

É tudo, obrigado pelo vosso tempo

Mina