Capitulo 6
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- "Boris" sussurrou Tala, forçando-se a permanecer calmo, apesar do ódio que o trespassava. "O que lhe fizeste?"
-"Vejo que continuas tão insensível como sempre, Ivanov. Veremos se te conseguirás manter assim por muito tempo…Quanto a ele, não te preocupes pois está bem, por enquanto."
-"Liberte-o, senhor"
-"Decerto o farei, se estiveres disposto a ocupar o seu lugar" disse Boris, com um sorriso retorcido no rosto
-"Como?"
-"Não te olvidaste decerto que temos umas contas a ajustar? Eu sou um homem de palavra, Ivanov. É muito simples: entregas-te de livre vontade. Caso contrario" Boris fez girar uma navalha por entre os dedos, encostando-a depois ao pescoço do Falcão, agora totalmente sobre o efeito da droga "Ele morre. Dúvidas?"
Inconscientemente ainda do que o esperava, Tala deixou o coração falar por si e, aproximando-se resolutamente do Boris, disse de forma firme: "Nenhuma. Aceito as condições. Liberte-o"
Ainda sorrindo, Boris guardou a navalha e, aproximando-se de Tala, percorre a face deste com os seus longos dedos, deixando a mão escorregar languidamente ate ao peito do Lobo. "Eu sabia que o farias. Afinal, o teu coração" disse, empurrando-o contra a parede "sempre foi a tua maior debilidade".
- "E a minha maior força" retorquiu Tala
-"O que eu desconhecia, é certo. Porem foi essa força que te encaminhou para a perdição" Boris aproximou-se mais, comprimindo o corpo de Tala contra a parede com o seu, murmurando-lhe ao ouvido "E agora, que meios usarei para te punir? Matar-te simplesmente não me satisfaria; mutilar-te o corpo? Seria uma pena arruinar tão grande beleza…beleza que durante tanto tempo eu desejei" disse, aspirando a fragrância que emanava dos cabelos e pescoço de Tala "Quebrar-te o coração, matando-o? Embora me desse muito prazer – julgas que acaso não me apercebi da maneira como vocês se olhavam, ainda na Abadia? – mas prometi não lhe fazer mal. No entanto, tenho outros modos de quebrar-te o coração." Disse, segurando-lhe no queixo, forçando o contacto visual "Não só o coração, alias, mas tudo o resto. Mente, corpo e alma. Vou matar-te, Ivanov".
Tala nada respondeu a este longo discurso, sentindo, no entanto o medo e o terror a invadi-lo. Forçou-se porem a olhar para aqueles olhos que o fitavam, cheios de pura malícia e desejo, sustentando aquele olhar penetrante.
De súbito, Boris beijou Tala vorazmente, a fúria de todo aquele desejo exprimindo-se fisicamente. Tala, tomado de surpresa, mal reagiu a princípio, mas logo se viu assaltado por uma imensa repulsa. Fez um movimento involuntário para se libertar, mas foi facilmente dominado por Boris, que o pressionou mais fortemente contra a parede e lhe segurou nos pulsos com firmeza e aprofundou o beijo, forçando a entrada na boca do outro, percorrendo o seu interior languidamente, provocando náuseas a Tala.
-"Meu Deus eu não aguento isto… será que era este o derradeiro castigo de que falavam? Não por favor não, parem-no, por favor…Bryan…por favor Bryan…"
Como se lhe adivinhasse os pensamentos, Boris parou, com um brilho de triunfo no olhar "Finalmente…após todo este tempo, tenho-te por fim…Tu, aquele que eu sempre desejei ocultamente…Tu, Tala…" sussurrou-lhe, desta feita dirigindo a sua atenção para o pescoço do Lobo, beijando e sugando vorazmente, deixando pequenas marcas arroxeadas ao longo deste.
Desta feita, o Lobo fechou os olhos rapidamente, numa tentativa inútil de afastar aquela repulsiva sensação. No entanto, a própria presença de Boris era perturbadora, o seu odor lascivo, o seu toque, os beijos húmidos e quentes eram insuportáveis. O Lobo não sabia quanto tempo mais iria aguentar aquela tortura, que ao mesmo tempo que lhe paralisava os músculos de medo também lhe despertava todos os sentidos, que lhe gritavam que cessasse aquele contacto asqueroso, podre, repulsivo. Também aquela luta interior o estava a enlouquecer.
-"Quanto tempo mais irá isto durar? Eu não posso…eu não aguento mais…Pare…parem-no…,não…"
E novamente Boris para, e mesmo com as pálpebras firmemente cerradas Tala consegue sentir os olhos de Boris analisando-o sem escrúpulos. "Já a fraquejar, Ivanov? Vejo que te ensinei mal…Nunca deves baixar a guarda em frente ao inimigo"
-"Não a baixei, senhor" sibila Tala
-"Não? Quiçá tenha sido impressão minha então…Mas não nos apoquentemos: não faltará muito decerto. E porque tens os olhos fechados? Hei-de vê-los abertos, em breve…gritando em agonia contigo" disse Boris, ainda com o mesmo sádico e triunfante sorriso nos lábios. Foi acariciando com os longos dedos o peito ainda coberto de Tala, observando-lhe minuciosamente o rosto, em busca de alterações que o traíssem. No entanto, nada encontrou. Tala, num esforço supremo, mantinha a custo o semblante inalterado e impassível, para grande desagrado de Boris.
-"Não desistirei já. Não, não…não sem antes lutar com tudo o que possa. Menosprezais-me, Boris…Sempre o fizestes"
Boris continuou a sua minuciosa exploração, não recebendo outra reacção de Tala que não fosse um quase imperceptível aumento na frequência respiratória e um pequeno morder de lábios. Subitamente, com um forte puxão, desceu-lhe completamente o ziper da camisola, deixando-lhe o peito completamente a descoberto. Tala soltou uma exclamação de surpresa. No entanto, Boris não parara por ali. Com a mão livre tapa os olhos de Tala e começa a estimular-lhe os mamilos rosados, fazendo percorrer neles a língua pontiaguda.
Tala não teve tempo para se recompor do choque da perda de visão, pois logo sentiu os lábios lascivos de Boris em contacto com o seu peito, fazendo-o envolver-se em agonia. Sentiu que todo o controlo lhe tinha escapado. Estava ali, indefeso, desprotegido…e só.
E aquele toque. Oh, aquele toque era insuportável, repelente e tão dolorosamente real…Sem ver o Lobo não conseguia mais abstrair-se daquele lívido pesadelo, que agora se tornava mais vivo, mais real. Parecia que Boris lhe tocava a alma naquele gesto, que o faia sentir-se tão à sua mercê…e ta subitamente consciente do que iria acontecer-lhe. Uma onda de pânico assaltou-o, pânico e medo. Um medo aterrorizador, sufocante, histérico. Uma onda de espasmos tomou conta do seu corpo e ele agitava a cabeça desesperadamente.
-"Não, não! Bryan!" O nome e fugiu-lhe dos lábios sem querer, e Tala arrependeu-se instantaneamente de o ter proferido. Apesar de estar incapacitado de ver, fechou os olhos tentando repelir o que se seguiria – porem, há palavras imunes a quaisquer barreiras e que ferem como punhais. E Boris era um mestre nessa arte.
Mesmo sem ver, Tala sentia o olhar aguçado de Boris em si, num misto de espanto e divertimento. Este, erguendo a face de encontro ao pescoço de Tala, rindo, sussurrou-lhe ironicamente:
-"Ah, a dor, Ivanov. Já não aguentas mais? Eu ainda mal comecei, sabes…"
Tala abriu os olhos, mesmo sabendo que Boris não o notaria, numa atitude desafiadora "Dais demasiada importância ao corpo, senhor. A dor física é bem mais fácil de ser suportada"
Boris soltou uma risada fria "Julgas que não o sei? Anos de experiência no treino de crianças como tu mostraram-se isso. A essência de um ser humano é fraca, muito fraca se não for devidamente domesticada. Vocês, que receberam o tratamento adequado, deveriam estar a salvo dessa contaminação, desse erro…Porque é um erro, é uma falha, uma imperfeição.
-"Então para si os sentimentos são uma falha do ser humano?" diz Tala com desprezo mal disfarçado
-"Nem todos. A raiva e o ódio podem revelar-se bastante úteis."
-"Eu amo-o"
-"E sentes-te mais poderoso por isso?"
-"Sim"
-"Tolo" Boris sussurrou-lhe "Pois ele é a tua perdição"
Subitamente cansado de esperar, Boris empurrou Tala para o chão, imediatamente aprisionando o corpo deste com o seu próprio. Apanhado desprevino, Tala não reagiu rápido o suficiente, e Boris agarrou-lhe rapidamente ambos os pulsos, segurabdo-os acima da cabeça de Tala e com a mão livre começou a desapertar-lhe as calças.
Este tentava a todo o custo manter um semblante imperturbável, o que se provava cada vez mais difícil. Quando Boris finalmente se livrou das calças de Tala e virou a sua atenção para os seus boxers, o Lobo não conseguiu olhar por mais tempo e desviou o olhar para o Falcão desacordado.
-"Bryan…" pensou novamente
Ao sentir as frias mãos de Boris envolvendo-o, fechou os olhos rapidamente uma onda de frio e medo congelaram-no e permaneceu assim, gelado e imóvel. Não pode evitar e arquejou involuntariamente, tal era a sensação de nojo e desconforto que o inundaram enquanto Boris tentava excita-lo. Este, ao notar que o corpo de Tala não reagia positivamente as suas carícias, aumentou o ritmo.
Porque nega-lo? O Lobo estava assustadíssimo. Por muito que tentasse desligar-se daquela situação, os seus instintos estavam mais despertos do que nunca. Fosse pela barreira emocional destruída ou pela estranheza da situação em que se encontrava, o certo é que nunca se sentira como então.
Por fim, Boris parou, mas Tala manteve-se imóvel, com os olhos fechados, na expectativa.
-"Como não reages ao meu toque? Serás mais defeituoso do que eu julgava Ivanov?" um riso metálico encheu o ar "É por seres assim tão frigido que ele se cansara de ti dentro de pouco tempo"
-"Cala-se" Tala fechou os olhos com mais força
-"Consegues nega-lo, Ivanov? Ele não ficara contigo se não lhe puderes dar nada…"
-"Cale-se!" Tala gritou histericamente, tentando libertar-se do seu aperto. Boris dominou-o sem dificuldade e, ainda sorrindo, aproximou a boca do ouvido de Tala. O Lobo podia sentir a respiração dele, que o fazia arrepiar-se "Tu ainda és virgem, não é Tala"
Tala abriu os olhos rapidamente e um espasmo percorreu o seu corpo. A pergunta ecoava no ar, sem receber resposta. Não era necessário, era impossível nega-lo. No orfanato ele e Bryan nunca se tinham envolvido demasiado, fisicamente falando, por respeito à instituição e à madre superiora.
-"Não te preocupes Tala. Farei questão de que esta seja a tua primeira e ultima vez, podes ter a certeza" Com certa destreza, Boris livrou-se das roupas que ainda o cobriam, afastou um pouco mais as pernas de Tala e posicionou-se entre as coxas deste. Tala lutou contra as náuseas e o terror que o atacavam, uma nova consciência do que lhe ia acontecer alcançando-o. No entanto, Boris soltou-lhe os pulsos e, segurando a cabeça de Tala, fe-lo olhar para o lugar onde Bryan jazia adormecido.
-"Olha para ele, Tala. Dorme sem que nenhuma preocupação o atormente. Porque não vem ajudar-te? Talvez o amor que nutre por ti não seja tão forte quanto tu julgas…Mas também, achas que ele vai querer-te depois disto?"
-"O que?" Tala disse angustiado
-"Achas que ele vai desejar-te daqui em diante? Os meus…restos? Depois de eu me ter apossado de ti, causar-lhe-ás demasiado nojo e repulsa. Não aguentara estar ao teu lado. Tu, uma coisa suja, manchada, contaminada por mim"
-"Não…não é verdade…" Tala cobriu o rosto com as mãos
-"Tu sabes que é, Tala Pois eu deixarei a minha marca em ti, inclusive num local onde a possas ver. Tu não me esqueceras Tala…e eu serei sempre parte de ti" dito isto, Boris pegou novamente na navalha e, ignorando os protestos de Tala, segurou-lhe no pescoço, inclinando-o para um lado, enquanto que com a navalha deu dois golpes dextros no pescoço de Tala, superficiais para que não sangrassem mais deixassem cicatriz. Tala torcia o corpo todo, lutando para escapar e murmurando suplicas
Bryan resmungou no sono e estremunhou um pouco, mas ninguém lhe prestou atenção.
Boris largou a navalha e obrigou Tala a fita-lo, beijando-o ardorosamente "Como se ele te quisesse depois disto" e, aumentando a pressão sobre o corpo do Lobo, penetrou-o violentamente e de um só golpe.
E, pela primeira vez desde que ali entrara, Tala gritou.
Gritou, alto e doloramente, de dor, vergonha, perda, desamparo, medo e desespero.
Gritou como nunca antes fizera enquanto Boris, excitado pelos seus berros, aumentava o ritmo dos movimentos, intensificando-os cada vez mais.
Tala sentiu como se o estivessem rompendo com uma faca afiada, berrando em agonia quando Boris atingiu o climax dentro dele. Sentiu um liquido quente dentro de si, enquanto Boris murmurava sem fôlego:
"Sempre contigo, Tala"
Tala ouviu alguém gritar, mas não era ele, nem Boris
-"Tala!"
E depois, o silêncio e a penumbra envolveram-no.
TBC
Desculpem imenso pela demora! Eu sei que tinha avisado do hiatus, mas como recebi duas reviews de duas leitoras muito queridas, prometi a mim mesma despachar-me. Mas com o exame e as ferias, e depois a falta de computador não tive oportunidade…
Espero que vos compense com este longo capitulo. Por mais que deteste o Tala, foi uma cena muito triste de escrever. E aqui se da a reviravolta nesta fic. O desenlace final dependera da reacção desta personagem.
Ate à próxima, obrigado a todos os que lêem e comentam a fic, por vocês continuarei a postar
Mina
