Capitulo 7

Fugindo de novo

-"Como estão as constantes?"

-"Pulso estável, está levemente taquicardíaco"

-"Dêem-lhe meia ampola de adrenalina"

-"Não responde"

-"Outra"

-"Pupilas misocóricas"

- "O ritmo cardíaco não melhora, doutor!"

-"É impossível!"

-"Está com convulsões!"

-"Não o deixem morder a língua! Meia ampola de lidocaina e relaxante muscular"

-"Não respira bem, doutor!"

-"Preparem para entubar, tubo e laringo"

-"O ritmo cardíaco estabilizou"

-"Constantes normais"

-"Levem-no para um dos quartos ate que passe o efeito da anestesia. Veio alguém a acompanha-lo?"

-"Um rapaz que também esta em observação e um homem de meia-idade"

-"Ponham-no ao lado do outro rapaz, então. Podes tratar disso, Mikhail? E vigia-lhe as constantes de meia em meia hora ate que ele acorde."

- - - - -

-"Bryan, ele acordou."

-"Tala?" Bryan virou o olhar na direcção do Lobo instantaneamente.

Tala olhou para ele e esgazeou os olhos em surpresa.

-"Tenha calma menino. Colocamos-lhe um tubo enquanto esteve na box, já lho tiro. Inspire fundo agora, e quando eu disser, solte o ar, ok?" Tala obedeceu às ordens da médica, que retirou a parte superior do tubo "Um, dois, três, expire!" disse, puxando o resto do tubo, fazendo Tala começar a tossir.

-"Pronto já está. É capaz de se sentir um pouco confuso, jovem Tala, mas é normal não se preocupe. Ingressou com uma série de contusões pouco graves, mas no bloco houve alguns problemas com a administração dos medicamentos. É alérgico a alguma substância?"

Tala abanou a cabeça lentamente

-"Estranho…não é normal um ser humano aguentar tão elevada dosagem"

-"Vê-se mesmo que você não conhece a abadia" pensou Bryan

-"Bem, por agora descanse, dentro de pouco trago-lhe a alta. Vou deixa-los a sós, se precisar de alguma coisa chame" dito isto, a medica retirou-se.

Assim que a porta se fechou, o Mr. Dickienson levantou-se da cadeira e postrou-se diante de Tala.

-"Estás bem, jovem Tala? Consegues falar?" perguntou-lhe

Tala acenou afirmativamente.

-"Sei que não é a melhor altura, mas temos de falar, Tala. Compreendes não é verdade?"

Tala acenou novamente

-"O que aconteceu? Quem te fez isso? Onde?"

-"Na abadia, senhor" respondeu Bryan

-"Na Biovolt? Porque voltaram lá?" perguntou num tom sério. Bryan olhou para Tala, que lhe devolveu o olhar. "Não sabemos senhor. Algo nos atraiu até lá. Foi muito estranho…"

-"Quem te fez isso Tala?" desta vez, Bryan ficou calado, aguardando que o outro respondesse.

Tala desviou o olhar de ambos e disse de modo calmo: "Boris".

O presidente da BBA arqueou as sobrancelhas, um pouco surpreso "Mr. Balkov? Mas ele foi detido aquando do torneio mundial!"

"Parece que conseguiu escapar, então" retorquiu Bryan

-"É possível, claro, mas custa-me a crer que não tenha sido informado" Mr. Dickienson cruzou os braços, adoptando uma posição pensativa "Vou contactar o chefe da policia hoje mesmo. E Tala, não há mais nada que me queiras contar?"

Tala abanou a cabeça resolutamente, evitando olhar para o presidente da BBA, que franziu as sobrancelhas de modo preocupado. "Tens a certeza filho?"

"Sim" disse Tala, evitando também o olhar de Bryan

Desistindo de o pressionar, Mr. Dickienson prosseguiu "Tala, Bryan, vocês não podem continuar aqui, em Moscovo"

Bryan olhou para ele com desconfiança "Que quer dizer?"

-"É demasiado arriscado, para ambos. O Boris pode continuar atrás de vocês, e nos não podemos arriscar mais a vossa segurança. Vocês voltarão comigo para o Japão o mais cedo possível."

Bryan, vendo a sabedoria naquelas palavras, não ripostou mais "Tem razão, senhor. Mas onde podemos ficar? E quanto ao Spencer e o Ian?"

-"Vocês ficarão junto dos BladeBreakers, que já se encontram nas nossas instalações. Os nossos colegas vão reunir-se-vos em poucos dias".

A expressão de Bryan contraiu-se em puro desagrado, o que não passou despercebido a Mr. Dickienson.

-"Eu sei que vocês tiveram as vossas divergências, mas é a melhor hipótese que têm, Bryan. Peço-vos que sejam razoáveis. Continuar em Moscovo não é seguro para vós.".

Ainda pouco convencido, Bryan voltou-se para Tala, que porem mantinha o mesmo ar inalterável, como se a noticia não o tivesse afectado minimamente. Por fim, Bryan concordou "Muito bem, senhor"

Mr Dickienson levantou-se e encaminhou-se para a porta. "Sendo assim, irei tratar dos preparativos para que possam seguir para o Japão o mais depressa possível. Deixo-vos a sós, então". Olhou de relance para Tala, e parecia querer acrescentar outra coisa, mas desistiu e despediu-se simplesmente, saindo do quarto.

Um incómodo silêncio pairou sobre eles. Tala olhava fixamente para o tecto. Estava prestes a dizer algo, quando o Falcão se adiantou:

-"Desculpa".

-"O quê?" Tala, admirado, virou-se para Bryan, que estava de costas para ele

-"Desculpa. Foi tudo culpa minha. Se eu não me tivesse distraído…Ele fez-te isso por minha culpa. Eu não queria que tu tivesses de passar por isso também…"

-"Bryan não é nada disso, tu não tens culpa…"

-"Eu compreendo, se quiseres acabar tudo. Eu compreendo a tua raiva. Só espero que algum dia me possas perdoar".

-"Bryan não digas disparates" Eu não te culpo de nada! Bryan, Bryan olha para mim! Bryan!" Tala ergueu-se e segurou no queixo de Bryan, forçando-o a olhar para ele. Ao consegui-lo, estacou surpreso.

-"Bryan…estás a chorar…" disse, chocado, vendo as lágrimas tremeluzentes nos olhos do Falcão.

-"Desculpa, meu amor. Isto não te dizia respeito…Eu não podia…sinto-me tão culpado…" As lágrimas que o Falcão nunca chorara corriam-lhe agora livremente pelo rosto, enquanto ele baixava os olhos e se tentava afastar do Lobo, sendo travado por um par de braços que o puxaram para um apertado abraço e por uns lábios que tocaram os seus docemente, desesperadamente, significativamente. Sem resistir, Bryan entregou-se simplesmente à carícia.

Quebrando o contacto, Tala tocou nas bochechas de Bryan, limpando o rasto das lágrimas e encostou a sua testa à dele, olhando-o nos olhos: "Nunca, mas nunca mais penses uma coisa dessas. Nada do que aconteceu foi culpa tua. Eu não te culpo de nada, porque te haverias de culpar tu? Tu não tens nada de que culpar-te Bryan...".

-"Mas…"

-"A escolha foi minha Bryan. E se tivesse de escolher novamente, não alterava a minha decisão. Portanto tira essas tolices da cabeça."

-"Sim, desculpa. Eu só não suporto ver-te sofrer, Tala…"

-"Não te preocupes."

-"Como se isso fosse possível. Eu amo-te demais para isso" Bryan abraçou Tala fortemente, comprimindo-o contra si "Se o encontrar novamente, mato-o"

-"Não podes."

-"Não me importo" disse, acariciando-lhe o cabelo. "Tala? O que é que nos vai acontecer?"

-"Não sei" respondeu.

No entanto, ele sabia.

TBC

Bryan está um pouco OOC neste capitulo, mas dentro de algum tempo compreenderão a reacção dele (desvia-se dos projecteis dos leitores revoltados).

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Mina