Crepúsculo da Eternidade

Vermelho

Quatro caixões cobertos de poeira tornam-se apagados, destacando um caixão negro. Este, aberto, guarda o corpo de uma jovem de longos cabelos negros e lábios de um vermelho intenso. Um flash domina o aposento por um segundo e, quando some, a presença de dois rapazes é revelada, cada um ao lado de uma ponta do caixão. Damon e Klaus.

O vampiro original é o primeiro a fazer um movimento, aproximando-se do centro do caixão e levantando o rosto da jovem. Damon, então, também se aproxima, envolvendo o corpo adormecido com um braço e encostando os lábios no pescoço pálido, rasgando a pele com seus dentes. Klaus morde a própria língua, fazendo-a sangrar e abaixa o rosto até que os lábios toquem a boca vermelha da jovem.

Imediatamente, gotas rubras aparecem sobre o peito descoberto da jovem e se acumulam como se estivem escapando de um ferimento. A cada segundo que passa, mais gotas aparecem, escorrendo pela pele pálida e manchando o tecido negro do vestido que a envolve. O rosto da jovem permanece impassível até o momento em que as pálpebras tremem e se abrem para revelarem duas íris de um raro azul escuro.

Bonnie acorda em um pulo, assustada com o sonho que acabou de ter. Os quatro caixões não são novidade, afinal ela sabe que eles pertencem a Klaus, mas a presença do original e de Damon, oferecendo e tomando sangue daquela garota... E, de alguma maneira, ela sente que aquela garota, seja quem for, é uma bruxa... O que tudo isso pode significar?

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O copo balança na mão do vampiro, que o esvazia com um único gole. Ele tinha um plano, estava tudo montado, mas seu querido irmão tinha que aparecer e estragar tudo, salvar Klaus. E, não satisfeito, Stefan ainda tinha que roubar o original, fazendo-o ameaçar Damon e Elena caso eles não consigam recuperar os tais caixões.

O vampiro coloca mais um pouco de bebida no copo e se vira ao ouvir o som de passos se aproximando. Ao passar pela lareira, o copo na mão, Damon se volta imediatamente. Foi somente impressão dele ou um fogo branco envolveu todo o interior da lareira por um instante?

"Damon, precisamos falar com você." A voz de Elena o traz de volta à realidade.

O vampiro dirige o olhar para a humana e nota que ela está acompanhada de Bonnie.

"O que é?" ele pergunta, tomando mais um gole da bebida.

"Bonnie teve um sonho com você." Elena diz e um sorriso aparece nos lábios do vampiro.

"Ah, é?" Damon pergunta com um leve toque de malícia em sua voz "Que tipo de sonho?"

"Não é o que está pensando." Bonnie responde e o vampiro dá de ombros, voltando a beber "Acho que Klaus está querendo despertar uma bruxa. E, de alguma maneira, essa bruxa está ligada a você."

"Não tenho nenhum tipo de ligação com bruxas." O vampiro diz "E o que te faz pensar que Klaus está querendo despertar uma bruxa?"

"No meu sonho, você tomava o sangue de uma garota, que estava em um caixão." A bruxa começa a contar "Klaus oferecia o sangue dele a ela. É como se você estivesse a matando e ele a estivesse ressuscitando ao mesmo tempo." Bonnie faz uma pausa "Mas acho que Klaus também pode querer matá-la, agora ou depois."

"Por quê?" o vampiro pergunta.

"Porque o sangue que ele oferecia escapava pelo coração dela." Bonnie responde "Quase como se ele estivesse enfiando uma estaca no coração dela."

"Pensei que estacas fossem somente para vampiros." Elena comenta.

"E se ela for os dois?" a pergunta do vampiro surpreende as humanas "E se ela for uma bruxa e uma vampira?"

"Isso é impossível!" Bonnie diz "Não se pode ser os dois ao mesmo tempo."

"Mas e se ela puder?" Damon pergunta.

"E se despertá-la é o plano de Klaus..." Elena começa "É provavelmente para ajudá-lo a recuperar os caixões. Se ela for uma bruxa e uma vampira, que tipo de poderes nós estaríamos enfrentando?"

"Bonnie..." o chamado do vampiro captura a atenção da humana "Você [i]viu[/i] essa bruxa, certo? Como ela era?"

"Ela tinha cabelos negros, pele bem pálida, lábios vermelhos." A bruxa diz, estranhando um pouco a pergunta "E olhos de um tom de azul bem escuro. Por quê?"

"Damon, você tem certeza de que não sabe quem é essa bruxa?" Elena pergunta.

O vampiro não responde, o olhar azul preso na lareira, a mente analisando a rápida visão do fogo branco. A bruxa que Klaus está atrás... Não pode ser ela...

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Os passos do vampiro ecoam em meio ao silêncio da natureza. Os olhos atentos observam cada detalhe daquelas ruínas, a mente registrando quanto tempo faz desde a última vez que ele esteve ali, antes da destruição. Klaus entra em uma pequena casa de madeira, parcialmente destruída e, sob alguns pedaços de madeira, ele encontra o que foi procurar.

Um belo e negro caixão. O vampiro se abaixa e levanta a tampa, vendo o corpo de uma jovem. Com a ponta dos dedos, Klaus toca o cabelo negro, o rosto ainda belo e contorna os lábios finos. Ao mesmo tempo em que aproxima o rosto da face adormecida, o original abaixa a mão para o peito imóvel, removendo a adaga que ele mesmo fincou.

"Vamos lá, minha bela Sophia" Klaus sussurra "Está na hora de despertar."