Crepúsculo da Eternidade
Azul
Meu instinto procura pela voz doce do coração
Faminto, escondi as presas enquanto sorria para a vítima
(Aristocrat's Symphony - Versailles)
- Você não se cansa de vir aqui? – a pergunta foi dita sem que aquela que a fez se virasse para olhar quem se aproximava.
- Minha presença a incomoda? – o vampiro perguntou, sorrindo para a bruxa.
- Não. – Sophia respondeu, tocando o tronco de uma árvore e finalmente olhando para Damon – Só não entendo o que o traz aqui todas as noites.
- Talvez eu só queira aproveitar a sua companhia. – o rapaz disse, aproximando-se e abaixando o rosto, deixando-o muito perto da face da jovem.
- E eu deveria acreditar nisso? – Sophia perguntou, levantando o rosto, os lábios vermelhos muito próximos dos lábios pálidos do vampiro.
- Não confia em mim? – a voz de Damon mostrava um falso tom de incredulidade enquanto os dedos longos tocavam as mechas negras que emolduravam o rosto da jovem, brincando com elas.
- Fui ensinada a não confiar em nenhum vampiro. – a bruxa respondeu, tocando o pulso do rapaz.
- Uma boa lição. – Damon comentou e os dedos soltaram o cabelo escuro para tocarem o queixo fino.
Por alguns minutos, ambos permaneceram em silêncio. Por quantas noites eles já haviam repetido esse mesmo ritual? Um encontro aparentemente casual na floresta ao redor da pequena vila, uma conversa que poderia durar horas... Uma situação incomum para um vampiro e uma bruxa e ainda assim eles não eram capazes de parar, de abrir mão daquelas breves horas em que podiam desfrutar da companhia um do outro.
Sophia soltou o pulso que segurava, levando a mão até a face do vampiro, cujo olhar tremeu ao sentir o suave carinho. A bruxa deslizou as unhas pela pele branca e, quando falou, sua voz soou baixa e levemente melancólica.
- Não venha amanhã. – ela pediu.
- Por que não? – Damon perguntou, estranhando o pedido.
- Apenas não venha. – um profundo respirar deixou os lábios vermelhos – Só não venha amanhã, está bem? Depois, você pode voltar, mas amanhã, não... Por favor, Damon, não apareça amanhã.
A primeira reação do vampiro foi a de contestar o pedido, mas algo nos olhos azuis da bruxa o fez reconsiderar e apenas acatar. As íris escuras brilhavam em um misto de preocupação e medo. Damon não tinha ideia do que aconteceria na noite seguinte, mas fosse o que fosse, assustava a bruxa.
- Eu não virei amanhã. – o rapaz disse olhando nos olhos da jovem – Mas virei na noite seguinte e você me explicará o que está acontecendo.
- Eu explicarei, Damon. – Sophia assentiu.
O vampiro também assentiu, o olhar ainda preso nas íris azuis. Ele queria saber o que Sophia tanto temia.
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Muito tarde, na noite seguinte, Sophia estava sozinha, sentada sobre um dos troncos colocados ao redor da fogueira, agora apagada. O olhar azul foi erguido para a lua cheia e brilhante por um momento para, no outro, ser dirigido ao rapaz que se aproximava lentamente.
- Boa noite, Niklaus. – a bruxa cumprimentou o vampiro que se sentou ao lado dela.
- Boa noite, Sophia. – o original respondeu – E parabéns pelo seu aniversário. Eu te desejo eterna felicidade.
As palavras do rapaz fizeram com que um sorriso nascesse nos lábios vermelhos: - Não desejo nada que seja eterno.
- Oh, mas você deveria. – Klaus disse, aproximando-se um pouco mais de Sophia – Há aspectos do eterno que são muito interessantes e podem te deixar muito poderosa.
- Estou satisfeita com o poder que tenho agora, Niklaus. – a bruxa falou, fazendo chamas brancas tremularem por um momento na fogueira que, segundos antes, estava apagada.
- Está me expulsando, Sophia? – o original perguntou, contornando o rosto da jovem com as pontas dos dedos.
- Eu não me atreveria. – a bruxa respondeu sem se afastar do toque.
- Eu te ofereço a eternidade. – o original disse olhando nos olhos da mortal.
- E eu recuso a sua oferta, Niklaus. Não quero perder quem eu sou.
- Não estou pedindo que perca.
- Tem certeza? – a bruxa perguntou e, nesse momento, notou o olhar do mais velho tremer – O que você esconde, Klaus?
- Nada, Sophia. – o original respondeu, sorrindo.
- Que bela mentira. – a bruxa disse, levantando-se – Boa noite, Niklaus.
Sem esperar por uma resposta, Sophia se afastou, deixando Klaus sozinho diante da fogueira apagada.
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- Escondendo-se do seu irmão? – a bruxa perguntou para o rapaz encostado na parede externa de uma das casas.
- Presumo que você e Niklaus tiveram uma boa conversa. – Elijah respondeu, sorrindo para Sophia.
- A mesma de sempre.
- Eu posso ouvir seu coração, Sophia. – o original comentou, a voz adquirindo um tom profundamente sério – Seu tempo está acabando.
- Então o deixe acabar. – a bruxa disse, aproximando-se do vampiro, a voz suavizando – Eu não quero ser uma de vocês, Elijah.
- Eu entendo. – o vampiro assentiu – Mas Niklaus não entenderá facilmente.
- Entendendo ou não, ele terá que aceitar. – Sophia disse, voltando a caminhar – Meu poder não pertence a ele.
Por um momento, Elijah apenas observou a mortal se afastar, silenciosamente se perguntando até onde Niklaus iria para ter Sophia ao lado dele.
