Crepúsculo da Eternidade
Roxo
Belo
Eu vou te mostrar o maravilhoso
Como nós compartilhamos o amor
Eu vou mostrar tudo
Que você sempre sonhou
(Forevermore – Broken Iris)
Atentos olhos azuis observam quando o carro se aproxima e um conhecido vampiro deixa o veículo. O rapaz segue caminho até a casa abandonada e um suspiro escapa por entre os lábios vermelhos daquela que observa. Após tanto tempo, é estranho para Sophia rever Damon. Imagens de antigas lembranças emergem na mente da bruxa, mas ela bloqueia cada uma delas. Agora não é um bom momento para se deixar levar pelo passado.
Após alguns minutos, as íris claras voltam a avistar Damon, que dessa vez se encontra acompanhado do irmão, ambos carregando um dos caixões de Klaus. Sophia aguarda até que os vampiros consigam acomodar o caixão no veículo e partam, deixando a casa novamente vazia. Assim que o carro deixa o campo de visão, a bruxa se aproxima da entrada e fecha os olhos, se concentrando em um único nome. Klaus. Venha me encontrar, Niklaus.
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O ato de esconder o caixão e a viagem de volta para casa é feita sob um pesado silêncio. Dirigindo, Damon se recusa a ser dominado pelas lembranças de Sophia, por tudo que disse a Elena e aos outros. Por sua vez, Stefan observa o irmão atentamente, as palavras da bruxa ainda ecoando em sua mente. Ao entrarem em casa, não encontram nenhum sinal de Elena, Bonnie ou Alaric. Isso faz com que um suspiro de alívio escape por entre os lábios do mais velho.
"Então..." Stefan começa "Como você conheceu a bruxa que está ajudando Klaus?"
O Salvatore mais velho roda os olhos, se negando a ter a mesma conversa novamente.
"Isso foi há muito tempo." Damon responde "Se quiser saber mais, pergunte a Elena ou Alaric, ok?" ele completa seguindo caminho para longe do irmão.
"Ela me contou..." as palavras de Stefan fazem Damon parar "Que vê em meus olhos o que costumava ver nos seus. Isso me fez imaginar o quanto vocês dois já foram próximos."
"Nós podemos, por favor, não falar sobre Sophia?" o mais velho pede se virando.
"Então o nome dela é Sophia." Stefan comenta com um sorriso "Eu não sabia disso."
"E disso, você sabia?" Damon questiona tirando uma adaga do cós da calça e mostrando-a para o irmão.
"O que você fez?" Stefan pergunta.
Damon sorri. Melhor falar sobre isso do que sobre Sophia.
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O barulho de móveis sendo quebrados chama a atenção de Sophia, que se encontra em seu próprio quarto. Rapidamente, a bruxa deixa o aposento e desce até o andar inferior, encontrando Klaus prestes a enfiar uma adaga no peito de Elijah. A visão do outro original surpreende a vampira mais do que a situação em si.
"Vamos, use-a. Eu o desafio." Elijah diz erguendo as mãos e se deixando ser dominado pelo irmão "E então terá que lidar com Kol."
"Mikael está morto." Klaus diz após um momento de hesitação e libertando Elijah "Eu o matei. Como sua própria arma. Ele se foi Elijah. Para sempre."
"Por que nossa família continua nos caixões?" o original mais velho questiona e o olhar de Sophia é atraído para os dois caixões, excluindo o que guardava Elijah, um ainda fechado e o outro aberto, deixando o corpo de Kol à mostra. A bruxa, então, se lembra do quarto caixão que ela tentou abrir – como fez com os outros – e o encontrou selado "Finn por mais de novecentos anos. Kol por mais de um século."
"Por causa de Stefan Salvatore." o híbrido responde "Ele tem a única coisa que me impede de libertá-los." a fala de Niklaus intriga Sophia tanto quanto parece intrigar Elijah "Há coisas que você não sabe sobre nosso passado, Elijah. A morte de nossa mãe. Coisas que eu nunca lhe contei, mas estou pronto para fazê-lo agora." Klaus se afasta do irmão e se aproxima de uma mesa, mergulhando a adaga em um pequeno pote "Eu só peço que se lembre do voto de lealdade que um dia fez a mim."
"O que está fazendo?" Elijah pergunta e há um fraco tremor na voz do vampiro. Ainda assim, Elijah apenas observa enquanto o irmão volta a colocar a adaga no peito de Kol.
"Para sempre e sempre." Klaus diz olhando para Elijah e caminhando até o lado do irmão "Preciso de você ao meu lado. Para ser meu irmão. Ajude-me a destruir Stefan, e eu prometo que nossa família será completa novamente." o híbrido então fecha o caixão de Kol e volta seu olhar para a bruxa parada na entrada do aposento "Certo, Sophia?"
Parecendo então notar a presença da bruxa somente nesse momento, Elijah se vira e um sorriso nasce em seus lábios finos ao ver a jovem vampira. Os olhos azuis de Sophia vão de Elijah para Niklaus, percebendo no olhar claro do mais novo dos originais o mudo pedido para que confirme sua promessa e o ajude a conquistar a ajuda de Elijah.
"Se essa é sua promessa, Niklaus." Sophia diz assentindo levemente e então sorrindo para o outro original "Há quanto tempo, Elijah."
"Sophia." o original diz se aproximando e tocando o rosto da bruxa, afastando alguns fios negros de perto dos olhos azuis "Você continua bela como sempre."
A bruxa não responde ao comentário, mas nos olhos azuis de Sophia e nos negros de Elijah há reconhecimento. Reconhecimento acerca da fraqueza das promessas de Klaus.
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O vampiro desliga o celular assim que reconhece aquele que cruza seu caminho. Sorrindo, Damon cumprimenta o original:
"Elijah. Meu original favorito. De volta dos mortos." com passos despreocupados, o Salvatore se aproxima "Você está muito bem."
"Você deixou algo..." Elijah começa pegando um papel "No bolso do meu paletó."
"Ah, é." o vampiro mais novo diz "Querido Elijah, vamos nos reunir e planejar a destruição do seu irmão. XOXO."
"Damon..."
"Fiz certo ao tirar a adaga de você ou teremos um problema?" o Salvatore questiona com um pouco de atrevimento na voz.
"Estou aqui." o original responde "Vamos conversar. Mas eu espero que você não se importe com o fato de eu ter trazido minha sobrinha para esse nosso encontro."
"Sobrinha?" curiosidade e incredulidade se misturam na fala do mais novo.
"Sim." Elijah responde erguendo a mão em direção a um ponto às costas de Damon "Permita-me apresentá-lo. Essa é minha sobrinha, Sophia."
Damon ouve o som de passos se aproximando, mas não se atreve a virar o rosto e olhar. Entretanto, logo ele é capaz de ver a bruxa entrando em seu campo de visão e parando ao lado de Elijah. Há um suave sorriso nos lábios vermelhos de Sophia e reconhecimento nos olhos azuis.
"É um prazer conhecê-lo, senhor Salvatore." a jovem bruxa diz e faz uma curta mesura.
"Eu não sabia que você tinha uma sobrinha." o vampiro diz com o olhar claro indo de Elijah para Sophia e voltando repetidas vezes. Mentalmente, Damon se pergunta se o que está acontecendo é real ou se é algum truque do original.
"Sophia é... A última de nossa linhagem." Elijah diz tocando o rosto da bruxa gentilmente "Meu irmão mais velho morreu antes de virmos para o Novo Mundo, mas a família dele – sua mulher e filhos – vieram conosco. Como nossa mãe, a mulher de meu irmão era uma bruxa e criou seus filhos para que seguissem seus passos. Ela morreu pouco antes de nossa mãe realizar o feitiço que nos tornou vampiros e meus sobrinhos seguiram cada um seu caminho independente. Eles formaram suas famílias, mais bruxas e bruxos que carregavam nosso sangue. Entretanto, o tempo foi passando e a linhagem de meu irmão foi diminuindo. Até restar apenas Sophia."
"Quem poderia dizer que a bruxa que auxilia Klaus é, na verdade, sobrinha dele?" Damon comenta com o olhar azul fixo em Sophia. A bruxa apenas inclina o pescoço um pouco para o lado, a face impassível.
"Então, você já ouvir falar de Sophia?" Elijah questiona em um tom curioso.
"É, já ouvi falar." Damon responde ainda olhando para a bruxa. "Um bruxa que também é uma vampira."
As palavras do Salvatore trazem um largo sorriso aos lábios de Sophia e desconfiança aos olhos de Elijah.
"Você queria conversar." Elijah diz de maneira séria e defensiva.
"Vamos começar por algo fácil, então." Damon diz "Alguma ideia de que arma contra Klaus estaria magicamente selada no caixão misterioso?"
"Não, mas definitivamente não é algo de que precisemos." Sophia responde.
A conversa continua pelo que parecem ser intermináveis minutos. O olhar claro de Damon procura inquieto a todo o momento pela bruxa. O vampiro Salvatore observa o modo como Sophia nunca se afasta demais de Elijah, sempre estando dentro do espaço pessoal do original. E, mesmo que tente impedir, ele não pode parar as lembranças que renascem. Memórias de noites que ele passou tendo Sophia ao lado dele.
"Então temos um encontro marcado?" Damon questiona após os detalhes da reunião com Klaus serem decididos.
Elijah apenas assente e passa o braço pelos ombros de Sophia, envolvendo a bruxa em um meio-abraço e se afastando. A vampira se acomoda no peito do mais velho e, enquanto caminha, fecha os olhos por um momento. Damon observa com um leve incômodo no peito que é quebrado pelo sussurrar de uma voz familiar em sua mente.
Encontre-me onde os caixões estavam escondidos.
"Sophia." o vampiro sussurra para o vento.
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"Bem, isso traz lembranças." Damon comenta se aproximando da jovem sentada em frente à mansão abandonada.
"Sim." ela responde com simplicidade vendo o vampiro sentar ao lado dela.
"Por que me chamou aqui?" o vampiro questiona olhando nas íris escuras.
"Porque acho que devo explicações a você." Sophia responde com suavidade.
"Talvez." o Salvatore diz e então curiosidade colore a expressão do rapaz "Elijah é realmente seu tio?"
"Sim." a bruxa responde sorrindo "Tudo que Elijah disse é verdade. Eu descendo do irmão dele." Sophia faz uma pausa notando a atenção com que o vampiro a escuta "Minha família sempre soube de suas origens, de sua ligação com o nascimento dos vampiros. Além do mais, através das gerações, Elijah, Niklaus e Rebekah estiveram sempre presentes. Eles nunca deixavam minha família – nossa família – desprotegida."
"Desprotegida contra o quê?" Damon pergunta verdadeiramente curioso.
"Contra tudo." A vampira responde e continua "A linhagem de Aaron (1) – o irmão mais velho de Elijah – sempre foi uma linhagem de bruxos e bruxas. E, como eu imagino que você saiba, bruxas costumam ficar do lado oposto ao de vampiros e lobisomens." o mais velho do Salvatore assente "Então sempre que uma ameaça surgia, seja ela vinda de algum vampiro, lobisomem ou qualquer outra criatura, eles se manifestavam e nos protegiam. Na verdade, havia certo desejo neles de garantirem que esse lado da família permanecesse humano."
"Por quê?"
"Eu não sei. Uma conexão com o mundo, com o passado, talvez." Sophia diz "Mas não é fácil pertencer à mesma família que os Originais, especialmente quando se desperta o interesse de um deles."
"Isso parece um erro que você cometeu." Damon comenta.
"Infelizmente." a bruxa confirma "Eu nasci... Especial, como minha avó costumava me dizer. Eu tinha potencial, poderia me tornar uma bruxa muito poderosa. Talvez tão poderosa quanto a mãe de Elijah foi." uma pausa "Quando descobriu, Niklaus viu nisso uma oportunidade. Ele poderia usar meu poder para ajudá-lo a quebrar o feitiço que prendia sua parte lobisomem e no que mais ele pudesse imaginar."
"Ele queria tê-la ao lado dele." Damon diz e há algo na voz do vampiro, algo próximo a ressentimento "Ele conseguiu."
"Não é tão simples." Sophia responde "Aaron morreu em decorrência de uma rara, porém genética, doença. A mesma doença com que eu nasci." ante as palavras da bruxa, as íris claras do vampiro tremem "Eu estava marcada para morrer nova, mas Niklaus não poderia aceitar me deixar escapar, me perder tão facilmente." um suspiro escapa por entre os lábios da vampira "Todo ano, no meu aniversário, Niklaus aparecia e me oferecia a eternidade. O modo dele de me oferecer a chance de me tornar uma vampira."
"Mas você era uma bruxa." Damon protesta "Como ele poderia saber que transformando você em vampira, não faria com que perdesse seu poder?"
"Eu disse, Niklaus e os outros sempre acompanharam minha família." Sophia explica "Houve outros antes de mim. Bruxos e bruxas que escolheram se tornarem vampiros ou até mesmo lobisomens, mas eles nunca perderam os poderes. Niklaus sabia que eu não perderia também."
"Por quê?"
"Por causa do nosso sangue. Foi do nosso sangue que os vampiros nasceram. Nós fomos os primeiros. Quando o feitiço foi feito, afetou a todos conectados ao sangue que o realizou. Então, mesmo com nossa origem essencialmente mágica, nós também demos origem a outro tipo de ser. Isso fez de nós seres capazes de serem duas coisas ao mesmo tempo. Nós somos uma linhagem nascida de uma abertura da natureza."
"Mas você é a última." Damon diz se lembrando das palavras de Elijah.
"Sou a única com quem eles têm contato." Sophia esclarece "Deve haver ainda outros da linhagem de Aaron. Outros como eu. Quem sabe?" segundos se passam em silêncio "Eu nunca aceitei a proposta de Niklaus. Sempre a declinava. Ele odiava, mas não se atrevia a me forçar. Niklaus sabia que se o fizesse, só ganharia meu ódio. Não meu apoio."
"E ainda assim, você é uma vampira agora." ao dizer isso, o mais velho dos Salvatore desvia o olhar da face de Sophia "E ajudou Klaus a ter os caixões de volta."
"Família acima de tudo, Damon." a bruxa diz e o vampiro treme ao ouvir o próprio nome deixar os lábios vermelhos "Eu apenas recuperei minha família. Se eu realmente fosse leal a Niklaus, não concordaria com o seu plano e de Elijah."
Minutos se passam sem que nenhuma palavra seja dita até que o vampiro pergunta em um sussurro:
"Você odeia?" uma pausa "Ser uma vampira?"
"Eu não odeio ou gosto. Eu aceito o que sou." Sophia responde e então completa "Eu não o odeio, Damon." a bruxa toca o rosto do mais velho, obrigando-o a olhá-la "Eu nunca odiei. Nunca guardei nenhuma mágoa ou ressentimento com relação a você."
"Por quê?" Damon pergunta segurando o pulso da Sophia "Eu a transformei na última coisa que você queria ser."
"Você tentou me salvar." a vampira diz e então oferece um sorriso vermelho "Mesmo depois de eu dizer que isso seria impossível."
Damon tenta sorrir também, mas a imagem de Sophia morta nos braços dele frustra a tentativa do vampiro.
