08:15

- Aqui estão as pastas com os perfis de todos os doadores de esperma. – Draco indicou, dando um bocejo e passando a mão no cabelo bagunçado. – O futuro pai do bebê Granger, tsc tsc tsc.

- Qual foi a desculpa que deu pra chamá-los aqui no hospital? – Hermione quis saber, curiosa.

- Disse que era uma questão de burocracia. – Esclareceu. – De qualquer forma, o primeiro imbecil chega aqui em 15 minutos... Um tal de Evan Madson. – Falou, lendo a ficha. – Hoho, isso vai ser engraçado...

- Perdão? O que vai ser tão engraçado?

- Entrevistar todos esses perdedores, tsc tsc tsc. – Completara, convencido.

- E quem disse que você vai ficar nas entrevistas, hã? – Fizera a pergunta, revirando os olhos sarcasticamente.

- Uma das condições do acordo, por sinal.

- Você tem "condições"... – Fizera aspas com as mãos. - ...? – Dera uma pausa, após observá-lo confirmar através de um olhar superior. – Imbecil.

Ouviram pequenas batidas na porta, que antecederam a secretária.

- Sr. Malfoy...? O Sr. Evan está aqui, esperando pra vê-lo. – O simples anúncio fez com que Hermione ficasse rígida de nervosismo.

Por Merlin, aquele poderia ser O Pai!

E também poderia não ser. Hermione completou, quando viu o homem que entrara.

Era bem moreno. Com lábios grossos. Cabelos encaracolados. E tinha tatuagens por diversas partes do corpo. Tatuagens! Argh!

A castanha, desde que se entendia por gente, TINHA... problema com tatuagens. Especialmente aquelas que ficavam espalhadas por todo o corpo e tinha uns desenhos meio assustadores.

- Eu sou o chefe da clínica, me chamo Draco Malfoy. – Falara, apertando a mão do tatuado. – E essa aqui é a Dr. Granger, psiquiatra do St. Mungos. – Dissera, apontando para Hermione.

- Como vai aê, galera?

A castanha respirou fundo, dando a graças a Merlin que não fizera a inseminação artificial.

- Hã, bem, Sr. Evans. – Respondeu, confusa. – Muito obrigada pela visita, entraremos em contato Ok. – Dissera, empurrando o homem em direção a porta.

Quando voltou ao seu lugar, deparou-se com a figura do loiro, num sorrisinho sarcástico.

- Vai a merda, Malfoy. – Murmurou.

- O que eu fiz, Granger? – Ele perguntara, fingindo ingenuidade.

Ela apenas revirara os olhos.

08:45

- Olá, sou a psiquiatra chefe, pode me chamar de Dr. Granger, se preferir. – Ela murmurou, de forma profissional, fitando o estranho de cabelo loiro que acabara de entrar.

- Claro. – Ele murmurou, sorrindo.

Ele não era feio. Nenhum pouco, Hermione admitiu, enquanto observava os olhos verdes.

- Me chamo Aaron, Aaron Sparks. – Apresentou-se, seguro.

- E eu sou o Diretor da clínica, Draco Malfoy. – O loiro se dispusera, quebrando o tênue contato entre o estranho e a Granger.

Por Merlin, Granger estava... Flertando?

Francamente! Exclamou pra si mesmo, afetado.

Fuzilou-a com os olhos, mas ela não lhe dirigiu qualquer atenção.

Apertou a mão do rapaz com força acima do normal, sentiu, segundos depois, que estivera tão perdido fitando Hermione, que esquecera de soltar a mão do Maldito Aaron Sparks. Quem aquele imbecil pensava que era, pra ter algum direito de simplesmente chegar e... Hipnotizá-la?

08:50

Estivera nos últimos minutos ouvindo o imbecil a sua frente responder uma série de perguntas de todas as espécies, que obviamente pareciam ainda mais imbecis cada vez que Granger derretia-se com as respostas.

- Gosta de música clássica? – perguntara, atenta aos verdes do doador de esperma.

- Você não? – Indagara de volta. – Não acho possível que alguém que não goste de Mozart... – O outro loiro dissera, sorrindo.

Mozart? omg, ele gosta de Mozart! Ele entende de Mozart! Ah meu deus, ele seria... o pai perfeito! Convenceu a si mesma, contente. Ainda que, hã, ele não fosse tornar-se literalmente O pai e sim apenas o maldito doador.

- Malfoy? – Chamou-o, com tom de voz radiante. – Precisamos conversar. – Falou. – Nos daria um segundo, Sr. Sparks? – Pediu.

Lá fora do consultório, o loiro apenas ergueu uma de suas sobrancelhas, ciente que viria merda pela frente.

- Eu já escolhi!

- O quê? – O loiro sussurrou, franzindo o cenho. – O imbecil de cabelo engomado?

- Ele não é um imbecil. Mas sim, estamos falando dele. – Sorriu, nas nuvens.

- E se ele estiver mentindo? E se ele estiver dizendo exatamente o que você espera ouvir?

- Como alguém pode saber o que espero ouvir hã? – Questionou, astuta.

- Prazer, meu nome é Draco Malfoy. – Ele começou, puxando-a lentamente pra beijar o canto da boca dela, e logo em seguida apertou a mão dela como se houvessem acabado de se conhecer. – Não sei bem o que dizer sobre mim, mas não sou um intelectual. É claro, eu gosto da 9º sinfonia de Beethoven e um pouco de Nietzsche, mas não o bastante pra ficar louco como qualquer um deles, tsc tsc tsc. – Terminou, sorrindo sedutoramente. – Quer meu esperma? – Acrescentou, sugestivo.

Ela lhe deu uma tapa em seu ombro.

- Ok, tem razão Malfoy. Parece fácil demais mentir durante essa entrevista... Mas eu não vejo outra maneira de avaliar os doadores. – Encerrou, distante.

E se o tal Aaron Sparks não passasse de algum cara tão esperto e charmoso quanto Malfoy? Desde quando Malfoy era charmoso?

Hermione suspirou.

- Eu entendo de cafajestes, Granger. Por que não me deixa tentar avaliá-lo? – Perguntou, voltando ao maldito sorriso arrogante.

Voltaram a sala calados.

- Sr. Aaron... – Malfoy começou, após sentar-se na poltrona com certa prepotência. – Disse gosta de Mozart... Certo?

- Hã, acho que sim. – O outro loiro dispôs-se a concordar, fitando Hermione.

Draco Malfoy sabia como deixar alguém nervoso, devemos levar em consideração.

- Qual a composição de Mozart que mais gosta?

- Eu, er, aquela da... Hã, melodia clássica, você sabe... Aquela que tem notas bem...

Draco ergueu uma de suas sobrancelhas, ato que quase fez Hermione sorrir [Ok, quem podia culpá-la, se aquele loiro irritante ficava sexy quando fazia isso?], e esperava uma resposta do desconhecido com um sorriso de desprezo exposto.

- Não conhece realmente as composições de Wolfgang Amadeus Mozart, conhece?